Os Catadores e Eu (Les Glaneurs et la Glaneuse. 2000)

Les-Glaneurs-et-la-Glaneuse_2000Por: Karenina Rostov.

agnes-varda_cineastaPara alguns são um monte de lixo, para mim, muitas possibilidades.”

Depois de assistir ao documentário “Os Respigadores e a Respigadora da cineasta Agnes Varda, começo meu parágrafo já concluindo que “respigar” é uma arte. Arte esta que designa um verbo, resultado de uma ação nobre, porém, nem tanto sob a lupa de parcela da sociedade que se dá ao luxo de julgar essa ação como repugnante e humilhante gerando até certo pré-conceito. É bem verdade que não é confortável ao ser humano testemunhar determinadas cenas do homem quando este, por exemplo, porta-se como um animal abandonado à própria sorte e ter que catar comida no lixo. A história me fez lembrar o poema “O Bicho“, de Manuel Bandeira:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

Então volto a pensar na ação de respigar como arte porque, bem ou mal ela, há tempos, está representada através de várias pinturas famosas que embeleza paredes de museus pelo mundo, e alguns desses trabalhos são do pintor francês Jean-François Millet que evidencia em parte de suas obras cenas exóticas do cotidiano, integrando homem e natureza, como no consagrado quadro “The Gleaners”, ou “Os respigadores“, de 1857. Confesso que o verbo respigar não fazia parte do meu vocabulário, mas a ação embutida nela, sim, faz parte da minha vida, da sua, e de todo ser que respira, mesmo não sabendo seu significado literal, inconscientemente pratica-se essa ação. Acabei recorrendo ao dicionário para saber a definição exata da palavra e sua filologia, pois nem o meu editor de texto foi capaz de reconhecer. A propósito, Varda inicia a narrativa de “Les glaneurs et La glaneuse” a partir do conceito dicionarizado. Significado de Respigar: v.i. e v.t.d. Ação de apanhar no campo as espigas que aí ficaram após a colheita. Recolher, catar, rebuscar. Fig. Recolher daqui e dacolá o que outros disseram ou fizeram; compilar, coligir: respigar frases célebres.

os-catadores-e-eu_2000Então respigar designa ação de apanhar espigas que sobraram da colheita… faz sentido! Soa esquisito até conjugar o verbo, não? Eu respigo, tu respigas ele respiga… A novidade aqui é questão vocabular. Às vezes temos conhecimento de atos e atitudes que ficam adormecidas dentro da gente e é preciso a ação de alguém para que o mundo tome conhecimento ou fazer com que desperte em nós esse lado adormecido. Catar comida, ou coisas que ninguém mais quer, rebuscar ações, recolher frases, pensamentos, pegar alimentos e objetos abandonados por aí…isso tudo é respigar.

Muitas histórias nunca serão contadas em livros, filmes, rodas de conversas, recitadas ou cantadas; mas esta história, sim, era mesmo para ganhar vida e para a alegria do cinéfilo, nessa linguagem, quadro a quadro, registrados em cada fotograma com direito a narração, direção, roteiro, produção, enquadramentos, edições, trilha sonora, risos, lágrimas, respiração, cabelos brancos, mãos enrugadas, experiência de vida, enfim, para que o espectador nela se identificasse, uma história que o mundo inteiro deve conhecer para se conscientizar de ações como essas tão ambíguas, mensagens da mãe natureza ao homem alertando que se depender dela, jamais faltará alimento para o mundo porque a Terra fértil produz sempre além de sua capacidade, só que o homem por não dar crédito à sua inteligência não reconhece a boa vontade Dela, da natureza e, por isso, desperdiça.

Os-Catadores-e-Eu_2000_00O alimento não colhido é benção para a própria terra que, com certeza, agradece porque ganhará em adubo para novas plantações. E assim todo ciclo da vida se renova, desde a minhoca até o pássaro. E não é a toa que a escolhida para contar essa história fosse alguém especial, com a sensibilidade apurada, capaz de ver o lado bom da vida mais que outros, alguém sensível, experiente, com lembranças interessantes capaz de traçar comparações algo do tipo quem precisa ser compartilhado, comparando um respigador que faz apenas por diversão com outro que faz por necessidade.

A história narrada por Agnes Varda é crua, seria como dizer o lado bizarro da vida, cenas que o mundo varreria para debaixo do tapete, enxergando como grotesca porque lixo ninguém quer dentro de casa, e para muitos a cena dantesca chega a chocar quem dela se farta. E a diretora seguiu adiante nesse seu projeto de cair na estrada para rebuscar o que o mundo tem para oferecer, do grotesco ao sublime tudo que conseguiu capturar em sua câmera na viagem pelas estradas da França, e ainda dando carona a quem mais tivesse interesse de registrar com ela imagens, e ações aparentemente corriqueiras ou aquelas que ficarão para a eternidade retidas na memória como algumas emoções, sentimentos, depoimentos e outras descobertas nessa ação de respigar.

the-gleaners_by-jean-francois-milletEla encontrou na sua respigação, um mestre na arte de ensinar o estudo da vida, um professor de Biologia desempregado vendedor de jornais nas ruas e que rebusca alimentos largados nas feiras livres e nas lixeiras, e esse moço, um sábio, o pão deixado para ele nas lixeiras, é retribuído por ele ao dar aulas aos menos favorecidos. E a vida é um ciclo de troca, todo mundo acaba, sem querer, rebuscando. Uma ação bonita e louvável da parte dele. Nessa sua jornada, Agnes encontrou também alguém na arte de respigar imagens através de sua própria invenção a la Irmãos Lumiere. A diretora teve sorte em suas buscas e garimpagens.

Acabou me fascinado com essa história toda e nos apontando saídas da vida ou para ela na arte de respigar, exatamente como na pintura “As Respigadoras” de Millet. E a diretora também respigou na sua viagem ao Japão coisas fascinantes e estranhas e guardou algumas delas na bagagem além das lembranças do passeio e outras curiosidades que pode carregar.

São as coisas que recolho ao longo do tempo que resumem as viagens que faço… da viagem ao Japão trouxe na bagagem coisas que respiguei.

Os-Catadores-e-Eu_2000_01Esta história ganhou vida não para ser um mero entretenimento, mas para que muitos se conscientizem do que acontece com o Mundo. Tanta coisa que é deixada para trás nas grandes colheitas pela França, (só lá?) nas plantações de batatas, na colheita de maçãs e outras frutas, e tudo que é deixado pelo caminho, aquilo que não foi colhido por algum motivo, não é descartado por muita gente, felizmente é aproveitado e vai-se atrás para catá-las o que é permitido naquele país. Das coisas que são descartadas também no final das feiras, os tomates amassados e as folhas das verduras que murcharam que ninguém vai querer comprar.

Alimentos vencidos que muitos deixam apodrecer na geladeira e acabam servindo aos menos favorecidos. Pães e bolos que as padarias jogam fora sempre terá alguém que vai precisar e querer. Além disso, há o descarte de objetos de todo tipo que são deixados nas ruas quando não se quer mais. E essas coisas ganharão um novo dono e nova utilidade. Uma repaginada do lavou, tá novo!

É um exercício de reflexão sobre o desperdício de alimento principalmente de tudo que é plantado, há mais desperdício do que aproveito. Um século crítico que não dá mais para o mundo se dar ao luxo de descartar alimento.

A diretora é uma respigadora e tanto, capaz de rebuscar muito daquilo que os outros não querem ver nem fazer, e que abandonam despudoradamente nas esquinas da vida. A história é retratada em grandes pinturas realistas, a lição é antiga, mas até hoje o homem não aprendeu a fazer direito o dever de casa. Nós somos os respigadores, ela, Varda, a respigadora. Só posso agradecer por este belo filme fazer parte da minha respigação. Todos nós respigamos de alguma forma as formas de ver o mundo. Hoje eu chamaria de garimpar.

Agnes Varda é mesmo um anjo por nos ter permitido fazer parte de sua viagem.

Por: (E.B.) Karenina Rostov.

Os Catadores e Eu (Les Glaneurs et la Glaneuse. 2000)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Nota: (*¹) De quando o Documentário saiu num Festival, veio com o título de “Os Respigadores e a Respigadora”. Já passando para o circuito comercial, ganhou o título de: “Os Catadores e Eu”.

Série: Shameless (2011 / ). Eles São o que São! Mas com Muitas Reticências…

shameless_serie_personagensA Pobreza Não Glamourizada nos Estados Unidos.

A Série “Shameless” traz como pano de fundo a realidade do “lado pobre” em um país tido como do primeiro mundo. Uma realidade sem os retoques tão comuns por Hollywood num retrato 3×4 de um microcosmo dentro de uma metrópole como Chicago. A pobreza existe em qualquer país! Daí é muito bom quando isso é mostrado bem de perto até porque uma das principais críticas ao Cinema Brasileiro seria justamente por isso: em retratar muito mais a pobreza no país. E mesmo que alguns filmes tragam esse mesmo pano de fundo, como em “O Solista“, por exemplo, terminam sendo diluido por contra da trama principal. Com isso é muito bom quando o tema vem numa Série porque terá bastante tempo para maiores detalhes. Melhor ainda quando usa o humor para fazer sua crítica ao establishment vigente.

Quem é você não apenas para si próprio, mas também para as pessoas ao seu redor?

shameless_serie_00E é assim que segue “Shameless” levando com humor o drama da Família Gallagher. Que como o nome da série também diz: eles vão levando a vida sem o menor pudor até para sobreviver, mas principalmente em não deixarem de ser uma Família. Talvez seja essa a principal mensagem: que mesmo sendo uma família disfuncional, eles são os Gallagher para o que der e vier.

Os Gallagher tem como patriarca um cara mais preocupado com a própria sobrevivência do que ser um pai de fato. Personagem de William H. Macy cujo papel lhe caiu muito bem até por conta do esteriótipo/meio estigma que Hollywood lhe trouxe. Sendo mais um loser em sua carreira ou não… Macy está excelente como Frank Gallagher. Nossa! É até surreal seu empenho em conseguir um rim! Um tanto macabro também por fazer humor com sua tragédia. Nessa “campanha” terá ajuda primeiro de um dos Gallagher, seu filho Carl (Ethan Cutkosky). Mesmo ou até pela lealdade ao pai, Carl vai fundo nessa ajuda. O que tem como agravante é que Carl está entrando na adolescência sem nenhuma referência sobre a moral e a ética. É como um carro desgovernado sem saber quando irá parar, sem se dar conta dos estragos…

Eles não têm muito em suas vidas no sentido de segurança, e assim por seus relacionamentos se tornam mais e mais importantes. A questão que entra em jogo para todos eles é: Como o amor ou carinho um pelo outro compensa a escassez?” (John Wells, criador da Série).

shameless_serie_01Sem a presença de uma mãe… É a filha mais velha, Fiona Gallagher (Emmy Rossum), que toma para si essa missão em cuidar dos cinco irmãos. Mas Fiona ainda é jovem, logo mais propensa a não visualizar o todo em cada atitude tomada. E numa delas, é quando terá que prestar conta com a justiça: “ganhando” uma tornozeleira eletrônica. Com isso, perde o emprego que era a principal renda da família. Fiona terá que se virá nos trinta para não desestruturar de vez a família. Como também amadurecer.

Por conta disso, Phillip “Lip” Gallagher (Jeremy Allen) o único da família a cursar uma universidade, mas mesmo com uma bolsa integral sabe que precisa ter uma renda própria para se manter por lá. O que dificulta se manter acima da média para não perder a bolsa. Com a história de Fiona, Lip até pensa em deixar a faculdade para cuidar do caçula da família, o pequeno Liam. Lip acaba trazendo a irmã de volta à realidade das consequências dos próprios atos. E Fiona o demove de deixar a faculdade. Agora, numa de os fins justificando os atos… Lip tem uma saída nada ética para colocar comida na mesa da família.

shameless_serie_02Dentro do universo dessa família ainda há Ian Gallagher (Cameron Monaghan) e Debbie Gallagher (Emma Kenney). Ian sentiu necessidade de ser afastar da família para então assumir a homossexualidade. Sem bem que pode ser por conta de uma provável bipolaridade como “herança materna”. Com a crise provocada pelo deslize de FionaIan volta para casa, mas onde também volta a se relacionar com um cafetão russo, o MilkovichPor último há Debbie Gallagher. Sensível, sofrendo pela entrada na adolescência e com tudo mais que essa fase trás. Onde ante às pressões externas, carece a presença de uma pessoa madura nos aconselhamentos. Até por ser levada, de modo torpe pelas colegas da escola, a perder a virgindade. Algo que a levará não medir os atos.

Nós temos na comédia um tradição de tirar sarro de pessoas nesses ‘mundos’. A realidade é que essas pessoas não são ‘os outros’ – eles vivem quase na mesma quadra de onde você mora” (Paul Abbot, criador da Série)

Shameless” é mais uma série levada pelos Estados Unidos de um sucesso do Reino Unido. Traz como marca um questionamento no início de cada episódio com um dos personagens perguntando algo ao espectador para logo então entrar na cena. De qualquer forma esse remake é muito bom! Atuações ótimas! Roteiro afiado! Uma gama de personalidades distintas com um ponto em comum: a Família como um porto! Enfim, vale a pena assistir! Transmitida aos domingos, às 22 horas pelo canal TNT Séries. Fica a sugestão!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Birdman (2014). O Canto do Cisne em Seu Apogeu!

birdman_de-wws-harrisPor: Cristian Oliveira Bruno.
Alejandro-Inarritu_Edward-Norton_Michael-KeatonAo terminar de ler o roteiro de Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância) [2014], Edward Norton (A Outra História Americana) pergunta ao diretor e roteirista Alejandro González Iñarrítu (Babel) quem havia sido escalado para o papel principal do longa. Ao ouvir o nome de Michael Keaton (Batman – O Filme) como resposta, Norton tem uma epifania: “É claro! É tão óbvio….e tão perfeito!“.

E é assim, trazendo um ator que viveu o auge de sua carreira no início dos anos 90, ao interpretar um popular super-herói no cinema, vivendo o personagem de um ator que viveu o auge de sua carreira no início dos anos 90, ao interpretar um popular super-herói no cinema que Birdman estabelece-se como um escarnio metalinguístico crítico e auto-crítico de primeira qualidade, brincando de fazer cinema com bom gosto e com alto grau de originalidade, fazendo de um filme simples o melhor filme de 2014.

birdman_2014_cenasO roteiro de Birdman é tão bem escrito que qualquer um de seus personagens poderia ser escolhido como protagonista – embora Riggan Thomson (Michael Keaton) realmente apresente-se como principal eixo dramático da trama. Se, por vezes, o excêntrico Mike Shiner de Edward Norton parece querer tomar todas as atenções para si – e de quando em vez até consiga – e a Sam de Emma Stone tenha lhe rendido uma justificada indicação ao Oscar, uma personagem e sua intérprete parecem ter ficado à sombra de sua real grandeza: Naommi Watts e sua Lesley, uma talentosa e sonhadora atriz que vive simultaneamente o melhor momento de sua carreira e uma das fases mais conturbadas de sua vida pessoal. Tanto a personagem, quanto a interpretação de Watts deveria ter recebido maiores holofotes, pois são marcantes e dignos de nota. Inusitadamente trazendo uma trilha composta unicamente por solos de bateria, Birdman é justamente aquilo que seu diretor pensa sobre cinema: “um conjunto de elementos distintos em constante movimento trabalhando em conjunto pelo mesmo propósito“. Assim sendo, Iñarrítu se desprende de qualquer estigma narrativo e/ou estrutural, sentindo-se mais do que à vontade para transpôr sentimentos e sensações para a tela. Portanto, não estranhe os quase intermináveis planos-sequência (que geraram preocupação por parte se toda a equipe para com a saúde dos cameramens, que sustentavam o pesado equipamento móvel por muitos minutos, transitando pelos vários cenários – um teatro real foi usado como locação) ou cenas em que Michael Keaton levita ou move coisas com a mente. Tudo isso é tão bem construído que se torna a mais pura apresentação de contexto e personagem elaborada nos últimos sei lá quantos anos.

birdman_2014_01Sem poupar ninguém nem fazer concessões, Birdman critica e desnuda tudo e todos que compõem seu universo, atacando sem piedade – porém, com muita elegância – todos aqueles que integram o mundo glamouroso da Broadway, sejam atores, diretores, platéia e críticos. E principalmente, Birdman ataca seus egos, principal fio condutor de sua trama. Pois não há nada mais instável do que o ego. Ele que nos faz acreditar sermos capazes de fazer o capazes somos – nem nunca seremos – capazes – de fazer e nos leva a cometer os mais mirabolantes atos.

Birdman é o cinema em sua mais pura forma e utilizando-se de absurdos, metalinguagem, fantasia e técnicas para fazer uma verdadeira obra-prima contemporâneo. Birdman está aí para nos mandar um recado: Hollywood ainda tem esperança, mesmo que esteja fora dali.

Nota: 9,5.

O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari. 2013)

O-Conto-da-Princesa-Kaguya_2013Por: Carlos Henry.
Mais uma vez, o Estúdio Ghibli brinda sua audiência com uma pérola rara. Dirigido por Isao Takahata, “O Conto da Princesa Kaguya” segue a mesma linha dos trabalhos do estúdio exaltando a supremacia da natureza, que como em “Meu amigo Totoro” coloca os bens materiais num último plano.

Singelamente artesanal, “Kaguyahime no Monogatari” tem movimentos e sequências que muito impressionam. A apurada técnica manual, que não tem medo de mostrar a textura e as pinceladas da ilustração, acrescenta mais poesia, um humor muito peculiar e certa verossimilhança à fantástica história do conhecido conto japonês:

Um casal de pobres camponeses acha um pequeno ser dentro de um bambu que eles acreditam ser uma princesinha e portanto se esforçam para transformá-la numa, sem se darem conta que estariam assim, afastando-a da felicidade na sua simples missão na Terra.

Com raros recursos digitais, o trabalho de desenhar cada quadro levou cerca de 8 anos para ser completado e ganhou uma indicação ao Oscar de Melhor Animação. A julgar pela assombrosa beleza dos últimos momentos do filme no fabuloso resgate de Kaguya reunindo música e emoção numa apoteose onírica, o esforço realmente valeu a pena.

O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari. 2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Mini-Série: Gracepoint (2014). Um Morto Desenterrando Velhos Fantasmas

gracepoint_2014_serie-de-tv_cartazgracepoint_2014_03Em uma Mini-Série presume-se ser uma obra fechada: com um desfecho já pronto. Acontece que assim como Hollywood, Canais da Televisão americana também gostam de levar Séries com relativo sucesso em seus países de origens. Onde também é de praxe essas versões ficam à mercê da audiência americana: não rendendo a desejada, não são renovadas. E foi o que ocorreu com essa versão americana de uma britânica, a “Broadchurch“, que não alcançou a audiência desejada, com isso “Gracepoint” mal foi exibida nos Estados Unidos e logo passando ao status de Mini-Série: com 10 uns episódios e um desfecho. Assim ela também nos chega, público brasileiro, e pelo canal TNT Séries. O que até tem um lado bom: o de terminar logo. Faltando então conferir o conteúdo, já que eu gostei das chamadas antes da estreia.

Gracepoint” traz uma ótima trama! O corpo de um pré-adolescente aparece numa praia. Numa comunidade com pouquíssimos habitantes, mas que tem seus dias de agito quando recebe turistas por conta da migração de baleias antes do verão, essa tragédia acontece um pouco antes desse evento turístico, o que também abala a economia local. Até porque era local sem um registro policial desse porte. Essa morte não apenas irá abalar a todos os moradores, como também colocará alguns como possíveis suspeitos. Algo que também irá gerar grandes injustiças.

gracepoint_2014_01O que houve com ‘Precisamos de mulheres em mais cargos de chefia neste departamento’?

A polícia local recebe ajuda de fora, do detetive Emmett Carver (David Tennant). Vindo para liderar a investigação, Emmett termina sem querer adiando a promoção da Detetive local Ellie Miller (Anna Gunn). Esta por sua vez até pela gravidade da situação, acaba engolindo tal tal fato, e no decorrer da história fica ciente de que fora preterida por alguém não tão perfeito. É! Emmett traz um velho fantasma na bagagem, assim como um outro grande segredo que o deixaria longe do caso. A primeira a descobrir será a dona da única pousada. Ellie tem também pela frente conhecer mais de perto sua gente, e se espanta com o que vem à tona.

gracepoint_2014_02O tal corpo é do filho caçula do casal Beth (Virginia Kull) e Mark Solano (Michael Peña). Onde a outra filha ao esconder algo do namorado em sua própria casa fará com que a investigação rume para outro lado. Aliás, Mark por não ter álibi para a noite do provável crime também atrasará as investigações. E antes de enterrar de vez o corpo do jovem… No desenrolar das investigações muitas outras histórias dos demais moradores serão “desenterradas”.

Gracepoint” já segue rumo ao desfecho por aqui. Exibido às segundas-feiras pelo canal TNT Séries, no horário das 22 horas, com uma reprise do episódio anterior antes. No elenco também consta Nick Nolte, Josh Hamilton e Jacki Weaver entre outros. A cada virada da trama o suspense aumenta. Fazendo dela uma ótima mini-série! Bem, pelo menos até agora! Tomara que o final esteja a altura. Se reprisarem desde o primeiro episódio, fica a dica! Eu estou gostando.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mini-Série: Gracepoint (2014).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Enquanto Somos Jovens (While We’re Young. 2014)

enquanto-somos-jovens_cartazmad-about-you_serie_e_enquanto-somos-jovens_filmeNa natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier)

Uma ideia levando a outra para um tipo de homenagem? Ou apenas servindo de inspiração para uma outra história? Se foi o que aconteceu ou não… Foi o que me ocorreu logo no início como também ao longo de “Enquanto Somos Jovens“: me levou a pensar na série “Mad About You“, com Paul Reiser e Helen Hunt. Não sei o quanto ou se o Diretor Noah Baumbach gostava dessa série, mas a mim pareceu sim ter-se inspirado nela para escrever o roteiro desse seu filme. Nada contra, até porque eu curto ver a reprise dessa série. Mas ao término do filme vi que nem ficou como homenagem… De qualquer forma, além da temática principal, “Enquanto Somos Jovens” traz como pano de fundo as gravações de Documentários: o processo de criação. Mais! O quanto ao fazer uma Biografia dá o direito de não o ser tão literal: é o diretor dando asas a sua imaginação.

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_charles-grodinEnquanto Somos Jovens” traz um momento na vida de um casal. Unidos há anos, de repente se veem colocando a prova tal relação: como casal, como também individualmente. Onde um dos pesos seria a importância que cada um ainda tem na vida do outro. Onde quase sempre o que se ressente é o que mais se anulou. Até porque há um lado meio egoísta no outro. Nessa relação, o peso de não ter conquistado a fama que tanto queria. São eles Cornelia e Josh Srebnick, interpretados por Naomi Watts e Ben Stiller. Atuação mediana onde até poderiam ter tido grandes solos. Talvez porque eu tenha esperado um carisma igual ao casal da tal série. Talvez porque um outro personagem ter roubado a cena, o filme… Onde até um outro coadjuvante também marca presença. Falo de Charles Grodin, que faz o Leslie, o sogro de Josh. Cineasta famoso, colhendo os frutos da glória, até tenta ajudar o genro, mas esse por orgulho não aceita nem críticas construtivas.

enquanto-somos-jovens-2014_adam-driver_e_amanda-seyfriedO outro tal personagem é Jamie (Adam Driver), casado com Darby (Amanda Seyfried). Ele meio que de repente caiu de paraquedas na vida do casal; ou porque assim deixou acreditar… Como um Diretor de um Documentário “interferindo” na vida de outra pessoa e deixando ali desde o início sua marca pessoal. Algo que Josh nunca alcançou ao longo de sua carreira: em ser ousado. Enquanto tudo tinha que ser certinho, para esse outro deixava correr livremente, mas a partir de algo previamente calculado. Embora possa ser paradoxal, é que estaria em aproveitar até os imprevistos no correr do dia, do trabalho. A relação de ambos será um duelo de ego que só irá pesar para o lado de Josh. Até porque para o outro, não apenas por ser mais jovem e por ainda estar em início de carreira, mas porque era como pegar o caminho já quase sem as pedras tiradas por Josh e sem a menor preocupação. Como também aproveitar do que Josh desdenhou, ignorou. Até em ter mais visão do todo favorecia Jamie. Só que nem era pelo fato de Josh não ser mais tão jovem, mas sim por inaptidão frente as mudanças. Faltava a Josh o que Jamie tinha de sobra: de jogo de cintura. Bem, Jamie até pode ter roubado a cena, mas…

Mas é a vida de Josh e Cornelia que está sendo passada a limpo. De pronto, ambos se encantam com o estilo de vida do casal mais jovem. Onde até por não terem tido filhos já estavam se sentido deslocados na vida dos antigos amigos: o casal Marina (Maria Dizzia) e Fletcher (Adam Horovitz). Mas ao se afastarem acabam, mesmo que involuntariamente, dando a eles um certo alerta… Pois é! Marina e Fletcher entendem mais rapidamente a nova realidade em suas vidas: um filho adentrou nela sim, mas não precisam excluir, e sim se adequar a essa nova fase. E que pelo jeito não incorporaram Josh e Cornelia nela…

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_naomi-wattsAssim, enquanto Josh se sente “o cara” como um mestre para Jamie, Cornelia tenta acompanhar o estilo de Darby. Usados ou não, até pelos propósitos de Jamie, esse nem pode ser considerado um vilão já que deu um “acorda” na vida do casal. Na rotina em que caíram após anos de casamento. Onde mais por parte de Josh quase sem perceberem que no mundo atual há espaço para tudo: passado e presente se integrando. Que deveriam se adequar a esses novos rumos que por vezes batem à porta. Sem esquecer também de ir se desfazendo “bagagens” sem mais necessidade numa de depurar a nossa essência. É nessas quebras de ciclo que de fato ocorre uma mudança significativa na vida de uma pessoa. Do contrário irá continuar fazendo tudo igual Que no caso de Josh continuará sendo o panaca de sempre…

Enquanto Somos Jovens” é um bom filme! Pelos diálogos. Pela Trilha Sonora, do Clássico “Concerto for Lute“, de Vivaldi, ao Pop “Eye Of The Tiger“, de Survivor. Pela escolha do ator Adam Driver. Cujo Roteiro até deixa uma vontade de rever muito mais pela construção de um Documentário do que pela crise de meia idade do casal de protagonistas. Pois mesmo que tenha passado essas impressão, o filme focou mais em algo cultural naquele país: o se sentir um derrotado. Onde até poderia ter sido um ótimo filme, mas para mim Ben Stiller não soube aproveitar. Uma pena! Nota 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Enquanto Somos Jovens. While We’re Young. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.