Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011)

O filme Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios é uma produção cinematográfica brasileira baseada no livro homônimo de Marçal Aquino, a obra conta a história de Lavínia (Camila Pitanga): uma mulher que vive em uma cidade do interior do Pará, a mesma se vê dividida entre a paixão pelo fotógrafo Cauby (Gustavo Machado) e pelo marido, o pastor Ernani (ZéCarlos Machado).

A trama é marcada com o clima úmido da Amazônia, o suor dos personagens, a música local e os rostos gastos da população da região servem de combustão para esse triângulo amoroso que tem como pano de fundo a devastação da floresta e os conflitos da comunidade local com as madeireiras.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios é o sétimo trabalho da parceria profissional de Beto Brant e Renato Ciasca e o segundo em que dividem a direção. O primeiro foi Cão sem Dono, de 2007.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios narra a história de três adultos deslocados no meio da floresta, envolvidos em um triângulo amoroso que vai ganhando toques de suspense e surrealismo, enquanto conflitos sociais e uma extrema pobreza dominam o ambiente.

Através de uma trama que vai e volta no tempo, o telespectador vai descobrindo quem é Lavínia, uma mulher que embora jovem, já havia passado por uma grande mudança em sua vida. Ex-prostituta foi resgatada das ruas por Ernani e claramente tem com ele um casamento que sobrevive não apenas de amor, mas também de gratidão. Com Cauby, vive uma relação que começa de forma carnal e se transforma em cumplicidade e dependência.

O filme me remete ao um poema de minha autoria: Diabólica sedução:

Sigo os teus passos, chegando ao inferno, nos deitamos nas pedras…
Fortemente desejo o teu corpo sob o meu, sublimemente, fazemos amor.
O prazer que sentíamos é extraído do nosso corpo, da carne, do íntimo da nossa alma.
Se puder ser assim meu amor?
Num afago, me prendo.
O tempo passa em ventos mornos, tépidos que engendra os nossos sussurros de prazer.
Ah, eu adoro essa sua tara.
Os nossos lençóis ficam em desalinho…
Morro de tesão por ela.
E juntos fazemos muitas loucuras, libertando as emoções.
Lambemos um ao outro de forma selvagem.
Provocando um vulcão humano de muito prazer e sedução.
Os nossos corpos fervem em contrações de tesão até o ápice do clímax.
Num vai e vem delirante, gozamos.
O vapor da felicidade molha tudo e os nossos corpos exaustos perdem as forças.
E sob o desalinho dos nossos lençóis, intimamente no acariciamos, nos tocamos, nos desejamos mais e mais.
Iniciando uma nova fogueira de paixão e tesão.

Os diretores nos apresentação uma história mirabolante que envolve, declara, explicita e se cala dentro de um contexto de perdição, contradição e surrealismo.

Ao longo do filme percebemos uma narrativa onde a voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo, mas não é do ambiente hostil que circunda a trama amorosa que estamos falando; o motivo da descida de Cauby ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um “pastor evangélico”.

Em suma, podemos declarar que com toda a sua beleza, erotismo, sensualidade e talento, “não poderia haver outra Lavínia.”.

Lembranças (Remember Me. 2010)

Remember Me, Lembranças e Robert Pattinson

Para quem conhece o trabalho do ator Robert Pattinson somente das histórias vampirescas ou de aprendiz de feitiçaria, não imagina que o rapaz é um pouco mais que um rosto bonito; ele tem um talento singular e seu público cativo certamente não faz ideia, podendo se surpreender com outros trabalhos de sua filmografia. A Prova está em duas de suas últimas atuações: o drama “Remember Me” (Lembranças) e “Poucas Cinzas” - neste último ele protagoniza o pintor surrealista Salvador Dali quando jovem.

Em Remember Me, Robert Pattinson é Tyler, um rapaz rebelde, sofrido e traumatizado por ter perdido o irmão mais velho, difícil para ele, tão jovem, entender e aceitar a morte desse ente querido. Além disso, enfrenta outras questões de ordem familiar: desentendimento com o pai, assuntos particulares mal resolvidos e a mais delicada de todas é que ele se sente responsável pela irmã caçula o qual cumpre muito bem esse papel dedicado, zelando por ela que é vista pela sociedade como uma garota problemática ou ”diferente”, os pré-conceitos da vida, e lhe dá apoio e carinho na medida certa. A tristeza parece ser sua companheira inseparável instigando-o a amar profundamente pessoas a seu redor, seus amigos e por fim sua namorada, sem aquela necessidade ou cobrança de declarações verbais exageradas como de praxe, e sempre que possível procura se afastar de estranhos, mantendo-se numa redoma invisível de proteção, não se importando muito com o que pensem a seu respeito. Isso faz lembrar um determinado personagem saído das páginas da literatura dando um tom bucólico encantador e quase que não permitindo acesso ao mundo arbitrário, cortando a comunicação entre o real e a fantasia.

O filme é comovente, porém, trágico do início ao fim, deixando sequelas e marcas na alma dos mais emotivos. A história é ambientada em Nova York de 1991, mostrando um violento assassinato de uma mãe bem diante da pequena filha e também diante do espectador. Dez anos depois Tyler (Pattinson) transformou-se num rapaz atormentado e triste. O filme é recheado de detalhes que envolvem fatalidades e semelhanças com o mundo real. Uma mera coincidência? Uma história por assim dizer, emblemática, impossível esquecer, ou simplesmente passar a borracha e apagar da memória; são fatos que se carregará como uma cruz para o resto da vida. Mesmo não sendo dono da história são lembranças que deixam cicatrizes profundas em nossas mentes. Era uma vez… o conto pega carona na tragédia de um povo, usando como pano de fundo para contar outra fatalidade.

Parece mesmo que o galã Robert Pattinson amadureceu…. E eu nem sou fã dele. “Lembranças” é um belo e singelo filme.

Tyler Roth (Robert Pattinson) sente-se frustrado por tentar se recuperar emocionalmente e enterrar de vez a tragédia que marcou sua vida, mas sua luta parece ser em vão. Durante muito tempo a dor continua intensa, difícil de superar.  Nesse meio tempo, ele conhece Ally (Emile de Ravin), a filha de um policial, que teve a mãe brutalmente assassinada. Percebendo que pode compartilhar seu pesar com ela, os dois acabam se apaixonando e o nobre sentimento começa a libertá-lo da angústia. Tyler descobre que a perda pode ser superada e a amargura que envenenava sua alma pode ser curada a partir desse envolvimento na companhia de Ally.

Não se trata de uma obra fácil e Robert Pattinson acaba carregando “Lembranças” nas costas. O desfecho inesperado pode decepcionar aos amantes de finais felizes, mas talvez concluam que o investimento foi válido porque o fato trágico lembrado aqui é suficientemente complexo para qualquer entendimento da razão humana. E finaliza unindo os laços afetivos que havia se perdido.

O filme basicamente usa a tristeza como alegoria. Talvez por nos remeter a fatos do mundo real ainda latente. Vale conferir porque a vida é feita de momentos.
Karenina Rostov

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Diretor: Allen Coulter

Elenco: Robert Pattinson, Emilie de Ravin, Chris Cooper, Lena Olin, Pierce Brosnan, Martha Plimpton, Peyton List, Ruby Jerins.
Produção: Carol Cuddy
Roteiro: Will Fetters, Jenny Lumet
Fotografia: Jonathan Freeman
Trilha Sonora: Marcelo Zarvos
Duração: 113 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama

Piratas Pirados! (The Pirates! In an Adventure with Scientists. 2012)

Piratas Pirados é um filme do diretor Peter Lord o gênio que deu vida para Fuga das Galinhas. A produção promete, destacando três aspectos: a estupidez de seu personagem principal, belas escolhas de personagens secundários e a capacidade de brincar com o humor negro de forma ousada e de fato divertidíssima.

O filme é um das grandes produções em stop-motion*; tecnicamente o longa é impecável. Expressivos e claramente orgânicos a narrativa, os personagens do filme são tão variados que fica até difícil escolher aquele que mais chama atenção, tendo em vista que cada um possui características distintamente divertidas. O personagem Capitão Pirata promete muitas gargalhadas e diversão para os telespectadores; Piratas Pirados é uma produção para toda família.

O diretor utiliza de forma ousada o humor negro, onde podemos perceber no filme uma linha tênue entre esse tipo de comédia e o desrespeito. Assim, nos brinda com gags que em momento algum soam equivocadas, agressivas, etc.

A produção de forma analítica traz uma linguagem pura com uma pitada de humor que transforma o filme em uma fantástica produção cinematográfica. Os momentos de clímax e confronto no desenrolar do filme, torna-se um elemento que propriamente dito fecunda a trama em um espaço que envolve o telespectador na busca do desfecho do mesmo.

Afinal, Piratas Pirados é uma produção em stop-motion que encanta aqueles que têm a oportunidade de assistir a bela produção. Nada é perfeito, no entanto a obra é uma produção que perfeitamente utiliza uma linguagem que envolve as crianças e adultos em seu contexto.

*Stop-motion é a técnica de animação na qual o animador trabalha fotografando objetos, fotograma por fotograma, ou seja, quadro a quadro. Entre um fotograma e outro, o animador muda um pouco a posição dos objetos. Quando o filme é projetado a 24 fotogramas por segundo, temos a ilusão de que os objetos estão se movimentando. Essa ilusão de movimento é devida à Persistência Retiniana. Quando a retina dos seus olhos está excitada pela luz ela envia impulsos para o cérebro, que por sua vez, são interpretados como imagem pelo córtex cerebral. As células da retina continuam a enviar impulsos mesmo depois da luz ser removida. Isso continua por algumas frações de segundos até as células da retina voltarem ao normal. Enquanto isso, o cérebro continua a receber estímulos da retina, e estes impulsos permanecem como uma imagem vinda da fonte luminosa, caracterizando assim o fenômeno da Persistência Retiniana. Por isso, se nesse intervalo de permanência da imagem nós sobrepusermos uma nova figura, tem-se a ilusão de movimento. Aproveitando-se dessa ilusão, foram criadas as mais diversas técnicas para se fazer um filme de animação. Só na animação Stop Motion, já foram criadas animações com recortes, com bonecos, massinha, arame, objetos, etc.

Paraísos Artificiais (2012)

O filme Paraísos Artificiais é uma produção cinematográfica brasileira que conta a história de amor de Nando e Érika, dois jovens que se encontram e desencontram ao longo do tempo. O contexto da trama se passa nas megas raves e nas festas de música eletrônica, o longa-metragem retrata o amadurecimento de seus protagonistas a partir de suas experiências com família e amigos.

Marcos Prado, depois de produzir Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), e ter dirigido o Documentário Estamira (2004), tem com “Paraísos Artificiais” (2012) a sua estréia como diretor de ficção, livre do peso que as obras anteriores pudessem jogar em suas costas. Afinal, a cobrança por algo de calibre semelhante, é algo natural. Ao analisar o filme posso dizer que Paraísos Artificiais mesmo não sendo tão forte como os outros, possui um trama que provoca efeito em seus telespectadores.

Ambientado nos anos 2000, o filme é narrado em três atos: o primeiro se passa em Amsterdã, para onde Nando viaja com seu amigo Patrick, e onde conhece Érika, DJ internacional; o segundo alguns anos antes, em uma rave na beira do mar, no Recife, para onde Érika segue viagem com sua amiga Lara, e onde Nando também está com Patrick; o terceiro se passa no Rio de Janeiro, cidade natal de Nando, onde ele enfrenta problemas familiares, principalmente com seu irmão mais novo Lipe, e onde por fim reencontra Érika.

Como ser humano que vive os conflitos do mundo contemporâneo, afirmo que no filme Paraísos Artificiais encontramos com propriedade as descrições dos comportamentos humanos com: os devaneios da juventude, os desequilíbrios emocionais desta fase, a sexualidade, o sexo propriamente dito, os vícios, as raves, as drogas licitas e ilícitas e os inúmeros comportamentos que compõe a sociedade humana do novo milênio. O filme nos leva a entender que vivemos a plenitude do nada, de uma existência complexa e dolorosa; onde acreditamos ou desacreditando em uma esperança para reviver o possível amanhã.

Em suma, podemos concluir que o filme descrever as mazelas de um mundo escrito pelos jovens que amanhã serão os líderes políticos, sociais, econômicos e intelectuais de uma nação. Mesmo com uma língua simples a produção transmite uma vasta mensagem.

Paraísos Artificiais. 2012. Brasil. Diretor: Marcos Prado. Elenco: Nathalia Dill (Érika), Luca Bianchi (Nando), Lívia de Bueno (Lara), Bernardo Melo Barreto (Patrick), César Cardadeiro (Lipe), Divana Brandao (Márcia), Emílio Orciollo Neto (Mouse), Roney Villela (Mark), Cadu Fávero (Anderson), Erom Cordeiro (Carlão). Gênero: Drama, Romance. Duração: 96 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Titanic – Uma lenda do Cinema Mundial

Titanic é uma produção hollywoodiana que narra a história de amor de dois jovens amantes, bem como a tragédia com o transatlântico RMS Titanic. Foi lançado em 1997. Roteiro e Direção de James Cameron. Um grande sucesso de bilheteria e de crítica, ganhando 11 prêmios da Academia (ficando como o primeiro no ranking do Oscar uma vez que “Ben Hur” mesmo tendo também 11 prêmios vindas de doze indicações, enquanto Titanic teve catorze) e 3 Grammys. O filme ganhou uma versão em 3D, num lançamento mundial em abril de 2012, data que marca 100 anos do naufrágio.

A história é sobre dois jovens de diferentes classes sociais Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) que se apaixonam durante a viagem a bordo inaugural do Titanic em 1912. Embora a história de amor seja fictícia, muitos dos personagens como tripulação e passageiros, foram baseados naqueles que estavam realmente abordo do navio real. Os amantes: Rose e Jack representam muito bem o papel de Romeu e Julieta do pós-modernismo.

Na trama, cenas de emoção são adicionados com outras que retratam o heroísmo óbvio pelos membros da tripulação. Joseph Bell, o engenheiro-chefe, e seus homens trabalham desesperadamente até os últimos instantes. Wallace Hartley, o maestro e sua orquestra, continuam a tocar música edificante para o fim, mesmo quando o navio afunda.

O filme é uma obra de arte que emociona e destaca com propriedade o “mito da arte de amar”, uma produção cinematográfica que pragmaticamente eternizou os sentimentos existentes nos mais belos poemas épicos e versos da odisséia.

Titanic é um filme encantador que nos faz lembrar de um poema que transcrevi em um momento de profunda reflexão da alma:

O Fluxo das Coisas Eternas

Nada é “eterno”, no entanto tudo se transforma…
As pessoas mudam, o mundo muda e tudo passa.
O existir é um constante ir e vir.
É bom saber que amanhã é um novo dia.
Erramos hoje, mas tudo se faz novo quando o sol renasce na imensidão do céu azul.
O tempo é o senhor de todas as coisas, ele encarrega de eliminar as dores, os medos e os dissabores de uma vida plenamente vivida.
O mundo é um verdadeiro comboio de emoções; onde a essência amor mantém a legião de seres humanos vivos e determinados a sonhar e sonhar.

Quando falamos de sentimentos, é bom saber que o amor tem tendência a se desabrochar, fundando um belo jardim florido, mas o ódio, ou seja, o amor na forma mórbida permanece constantemente sem vida, inóspito, mas sensível ao poder do tempo. O tempo vai além de “tudo”, sobrepõem os ritmos, culturas, sociedades e as diversas realidades. Enfim, a vida é um percurso de histórias distintas, complexidades transmutáveis e sentimentos variáveis.

O filme é um clássico do cinema mundial. Titanic será sempre uma lenda dentre tantas produções cinematográficas.

Em suma, Titanic é uma obra prima que tem o poder de eternizar a arte de viver e acima de tudo de ensinar, libertar e compreender uma sociedade contemporânea; buscando concretizar a memória, os momentos históricos, individuais e sentimentos de ontem para uma geração futura.

Dhiogo José Caetano

Isto Não é um Filme (In Film Nist. 2011)

É triste saber que enquanto em determinados lugares sobra liberdade e não se sabe exatamente o que fazer com ela, desperdiçando-a, em outros sobra entusiasmo, força de vontade e boas ideias, mas infelizmente esbarra na censura e não liberdade de expressão. É o que aconteceu com o diretor iraniano Jafar Panahi condenado a seis anos de prisão domiciliar e vinte proibido de fi…lmar.

Jafar encontrou uma brecha e conseguiu produzir “Isto Não é Um Filme” para nossa felicidade possibilitando o espectador a lamentavelmente saber que a repressão é uma realidade em pleno século XXI, e que este “não-filme” conseguiu sair de seu país de maneira clandestina, através de um mero pendrive escondido dentro de um bolo.

Parabéns ao diretor por estar dando voz aos outros diretores iranianos impossibilitados de realizar seus trabalhos, mesmo sabendo que está correndo risco de sofrer punições com a produção caseira agora espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Sonhar ainda é permitido em qualquer nação… bom que ele encontrou um meio de partilhar este seu sonho com o publico. Agradeço profundamente pela coragem e ousadia.
Karenina Rostov
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Isto não é um filme (In Film Nist, This is not a film. 2011)
Filme iraniano dirigido por Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb.

A Corrente do Bem (2000). A Conta que Muda o Mundo (Cinema, Educação e Rede Social)

Por José Antonio Klaes Roig, do Blog Educa Tube.

Estava zapeando canais de TV, de noite, quando eis que paro justamente na cena acima do filme A Corrente do Bem, que já havia assistido tempo atrás, mas não com o enfoque educacional. Dessa feita, percebi o quanto é possível trabalhar cinema, educação e redes sociais através desta cena ou do filme como um todo.

A conta que pode mudar o mundo é bem simples, como na cena demonstra, mas para se atingir o resultado satisfatório requer que acreditemos no que pregamos, sejamos pais ou educadores…

Nós somos o elo de uma corrente e podemos dar continuidade ou quebrá-la, com nossas ações… Como educadores, temos ou deveríamos ter a consciência, como disse alguém certa vez, que não educamos para o Hoje, e sim para o Amanhã… Não ensinamos uma turma, mas uma geração! E como blogueiros educacionais não temos a dimensão de nossas ações no mundo real, a não ser quando alguém deixa algum comentário… Mas se socializamos nossa prática, divulgamos ações, atividades, projetos relevantes nossos, da escola e/ou de outros colegas, estamos ampliando a corrente e mostrando ao mundo virtual, o que a grande mídia desconhece ou não mostra no horário nobre…

A corrente do bem é pensar, não apenas em ações imediatas com resultados instantâneos, mas ações a médio e longo prazo, que sejam aplicáveis, sustentáveis e significativas… Mas pra isso, é preciso saber mediar o tempo, o espaço, os recursos, sujeitos e agentes envolvidos neste processo… Planejar tudo isso é preciso… Boas ações não se mantém com apenas boas intenções…

A corrente do bem não é criar grandes projetos – muitos mirabolantes e pouco executáveis – para concorrer a premiações, mas fazer coisas simples, autênticas e de uma praticidade que motive outros a também seguirem o exemplo, e ai, por si só, o reconhecimento virá…

E cada vez mais, num mundo cheio de estímulos visuais, para se envolver o aluno é preciso conhecer esse novo mundo do jovem… que é bombardeado por todo tipo de coisa, sem o devido acompanhamento dos pais… E a corrente do bem precisa necessariamente iniciar na família, continuar na escola e seguir nos demais ambientes sociais… precisamos ser o exemplo do que queremos propor.

A pedagogia do exemplo tem que começar sempre por nós, eis a conta que pode mudar o mundo, a começar pelo nosso próprio…

Aprendi com meu pai, que pintava sempre as mesmas paisagens, mas nunca os quadros eram iguais um ao outro, haviam tons e detalhes únicos em cada um… Assim deveria ser o ato de educar, repetir-se enquanto artista sem ser uma repetição da mesma obra… Múltiplos olhares sobre a mesma paisagem humana…

Disse César Coll: “Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende“. Metodologia e didática adequadas áquele tempo e espaço propostos dão significado à prática escolar, que precisa promover significação para o aluno… Afinal, como declarou Carl Rogers: “Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.” Educar para o mundo e para a vida, antes mesmo que para o trabalho… O sentido da vida é justamente buscar um sentido, um significado para a existência, dentro de uma corrente, de uma rede social…

A Corrente do Bem (Pay It Forward. 2000).

Os Gigolôs (2006). Um Filme Moderno e Descartável.

Modernos E Descartáveis

Quem nunca viu um filme que certamente tenha se decepcionado, ou que se pudesse não teria assistido? Filmes que, com perdão da palavra, consideramos um lixo pelas péssimas atuações, direção, roteiro, edição de som ou imagem e outras coisas mais. Considere aqui ‘Moderno’ aquele que é atual, recém-lançado.

Os Gigolôs” é um filme do Reino Unido de 2006, dirigido por Richard Bracewell; um exemplo de péssimo! Ah, dizer que ‘ruim’ é  um elogio. O roteiro engana direitinho. Dinheiro mal investido. A sinopse até que chama a atenção: Em Londres, pessoas solitárias buscam encontros furtivos e, muitas vezes, profissionais, e marcam encontros em ambientes elegantes; Sacha (Sacha Tarter), é o gigolô preferido de senhoras ricas.

Mesmo não gostando de um filme faço questão de ver até o fim, pois sempre penso que pode melhorar ou, bem ou mal, trazer uma mensagem e se tirar proveito. O pior de tudo é que não nos desfazemos dele; é um contato para sempre, pessoal e intransferível com a memória.

Fica o registro.
Karenina Rostov.

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011)

Quando adolescente eu li o livro, mas numa edição condensada e gostei. Não sei se na época, lendo uma versão na íntegra, teria gostado tanto. Acho que só com mais idade iria saborear melhor a narração mais erudita. Ou mais elaborada de uma paixão com um destino trágico. Depois vi o filme de 1968 do Diretor Franco Zeffirelli com Olivia Hussey e Leonard Whiting, e amei. Mas não gostei muito da versão de 1996 com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Não sei se revendo agora, eu viria a gostar mais. Em entender a leitura do Diretor Baz Luhrmann trazendo para uma atualidade esse Clássico de William Shakespeare: Romeu e Julieta. Pois pensei nisso ao gostar da versão que a Diretora Valérie Donzelli deu para essa história.

Em “A Guerra Está Declarada” seria indo um pouco além na história do casal. Como se tivessem sido poupados pelos deuses. Ganhando mais um tempo na terra, quem sabe até longos anos, em viver esse amor. Mas tiveram um preço a ser pago. E que pagaram! Me adiantei. Voltando ao início do amor entre o Romeu e a Julieta dessa história.

Numa festa, o olhar de dois jovens se cruzam, e parecendo amor à primeira vista, eles se aproximam. O jovem então diz seu nome: Roméo (Jérémie Elkaïm). Ela se admira, e diz se chamar Juliette (Personagem da Diretora e Roteirista do Filme: Valérie Donzelli). Roméo brinca dizendo que há uma tragédia entre eles. Mas já era tarde demais: estavam apaixonados. E numa de “Que seja eterno enquanto dure!“, trocam o primeiro beijo selando aquele amor que se iniciava. Até aqui um doce início de romance, onde a saída dramática ficara mesmo com o namorado de Juliette.

Casaram-se! E com o nascimento do Adam veio a tragédia. Pulando de um médico para outro, vem o diagnóstico: Adam (Gabriel Elkaïm) tinha um tumor no cérebro. Então em vez de guerra entre famílias como na história de Shakespeare, eles declaram guerra contra o que o destino reservara ao pequeno Adam. Um bebê ainda. Mas que pelo início do filme, se vê que eles podem ter ganho essa batalha. Já que Adam aparece crescido. Ele está fazendo uma ressonância magnética, e enquanto aguarda, Juliette lembra de quando conheceu o pai dele. É por esses pensamentos que conhecemos toda essa história.

Preparem os lencinhos que há cenas onde ficou difícil segurar as lágrimas. Uma delas, é com Juliette dando a notícia a pequena família, e tendo como fundo musical “Inverno – de As Quatro Estações”, de Vivaldi.  É! O casal teria um longo inverno pela frente.

Aliás, a Trilha Sonora é um dos pontos fortes do filme. Escolha perfeita! Elevando as cenas de mais impacto. Tal como às vésperas da cirurgia, o casal levando o filho para conhecer o mar, e ao som de “Manhã de Carnaval”, de Luís Bonfá. Em outra cena, o casal canta e encanta o amor de um pelo outro. Também a cena onde o pequeno Adam é levado para a cirurgia emociona até pela performance dele. E outras mais onde a música se torna um grande coadjuvante.

Até aqui, tudo bem para esse filme: atores, trilha sonora, fotografia… Que eu até diria que a Valérie Donzelli está no caminho certo como Diretora. Mas algo se perdeu nessa história que deu tédio, como o casal perdeu o encanto. Se ainda fossem adolescentes, seria aceito tal comportamento. Explico, mas ai terá spoiler.

Como ela resolveu contar essa história colocando o casal como Romeu e Julieta, também se pode imaginar que haveria algum tipo de separação entre eles. Agora, como foi mostrado, não apenas entediou como levou a pensar que foram frívolos demais. E isso veio ao estender, e muito, a vida desse casal curtindo todas, sob as chancelas do governo, enquanto Adam estava internado passando por longos tratamentos. O desgaste veio pela vida sem compromisso que estavam levando, e com festas e mais festas. Onde o único termo assumido em conjunto fora estar com o filho ao anoitecer, mas até isso falharam por beberem demais.

Tal fato também acaba queimando-o-filme desse tipo de subsídio  – Casa de Apoio -, seja por parte do governo, seja por Ongs. Claro que é algo necessário para pais carentes de recursos ficarem próximos a filhos menores em tratamento hospitalar. Agora, eles poderiam ter feito algum tipo de trabalho. Até para ocuparem a mente. Com isso, o casal perdeu ponto para mim. Nem adiantou ajeitar esse período de “volta à época de solteiros” por uma das vozes em off que narravam a história. Por conta disso a comovente história desses dois quase foi toda para o ralo.

E falando desse recurso, em uma voz em off contar a história do filme deveria fazer parte do contexto. Nesse filme foram várias, mas sem uma identificação dela com os personagens. Então, elas soam como: “Vou explicar o que está subtendido.” O que é péssimo. Como a Julie Delpy fez em “2 Dias em Paris“, explicando tudo detalhadamente pela voz em off.

Então é isso! Mesmo com os pontos negativos, eu voltaria a rever. É um bom filme!
Nota 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011). França.

Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008)

Bem-vindos ao Século XXI, Queridos!

Pois é! Uma das falas do filme. Pontuando o tempo. Onde Pais e seus Filhos Adolescentes vivem em um mundo com internet e celulares. E isso a princípio seria o ponto que faria a diferença de quando eram esses pais, os adolescentes. Mas ao longo do filme vem é a frase símbolo da música de Belchior: “Nós ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais.” Só que ela teria que vir sempre com uma “interrogação”. Como um alerta. Como uma parada para uma reflexão. Como lições.

O que mudou de uma geração para outra? Não pode só ser os avanços tecnológicos. Os anseios, os medos, os conflitos, os abusos, os desejos… Enfim, todas as emoções vivida quando se é bem jovem não podem ser esquecidas. Ou usando um termo atual, toda essa história passada não deveriam ser deletadas da mente. Se quando adultos, e com filhos querendo também construir a sua própria história, e num período onde a sexualidade está à flor da pele, muitos desses pais acabam por ser tornarem reacionários. Mas por que? O “É Proibido Proibir!” tomou outro rumo? Levando-os agora a terem uma marcação cerrada com seus filhos, e até com uso da tecnologia cerceando as pequenas fugas no meio da noite. A liberalização que tanto ansiaram deixou de existir quando se tornaram pais?

Então o que de fato mudou? Ou melhor, qual seria a tônica nesse filme?

Embora a trama põe no centro a jovem Lola, o que pontua mesmo é: Filhos ontem, pais atuais numa rota de colizão. Creio que muitos de nós, ainda na adolescência, ao ouvir um sonoro “Não!” dos pais, também ouviu como uma explicação, um: “Filho hoje, Pai serás!“. E em vez de se especular sobre esse passado real, fica a sugestão para assistir esse filme que no Brasil ganhou o título de: “Rindo à Toa“. Uma tradução literal de uma expressão do mundo da internet: LOL. Um acrônimo de: laughing out loud. Para mim seria como: “Adolescência – última parada para curtir a vida sem compromissos!”.

Até porque o filme traz os adolescentes voltando das férias escolares mais longas. Para alguns, foram as últimas dessa fase descompromissadas. Por aflorar talentos, e então investirem nisso que já pode ser um passo para uma carreira futura. Mas também para muitos ainda terá a vez e o tempo de zoar com tudo e todos. E nessa volta ao colégio, entre vivenciarem mais um tempo juntos, há o de querer saber o que aconteceu nesse período em que estiveram afastados.

Lola, também chamada de Lol, descobre que seu namorado transou com outra. Com raiva, resolve ter a primeira transa com o melhor amigo de ambos, mas… Paralelo a isso, outros conflitos entre pais e filhos. A própria Lola também está passando por um com a mãe. Pelas páginas de seu Diário é que vamos conhecendo toda a trama. Ou todo o drama dos personagens que por conta da diferença de idade, acaba tendo dois pesos. Pois é! O que pode ser um verdadeiro drama para um, pode não ser para outro.

Nessa em ter “dois pesos – duas medidas”, segue a mãe de Lol, Anne. Personagem da sempre linda Sophie Marceau. Ela que no passado sonhou por uma liberização feminina em relação a sexualidade, no presente se reprime por conta da sociedade local. Assim, transa furtivamente com o ex-marido. Os filhos fingem que não sabem. Como também não ligam pelo fato. Anne também se vê presa a outros preconceitos. Um deles quanto a um cara na moto. Age como se ele tivesse saído de “Sem Destino“. Depois, numa palestra na escola de Lol, percebe a grande mancada. Ele é Delegado da Narcótico. Envergonhada, tenda fugir, mas acabam se encontrando de novo. Mas certos pré-conceitos acabam sendo como manuais para alguns. Como para ele que por força do trabalho consegue traça o perfil de um jovem pelo esteriótipo. Mas diferente de Anne, a sua balança não é de discriminação, e sim em sacar se terá repercussão futura ou não esses pequenos deslizes de quando se é adolescente.

Esses paradoxos também é um dos pontos altos desse filme. Como quando Anne sem querer se depara com o Diário da filha. Não resistindo, lê. E fica assustada pelo o que está escrito ali. Ao mesmo tempo que sabe que foi uma invasão de privacidade e se sente culpada, também pensa num jeito de dar um castigo para a filha. Nem passando por sua cabeça de que ali estaria um talento de Lol aflorando: um dom para romancear seu dia-a-dia. Nem pensou que ali se misturavam ficção e realidade. E a cobrança termina por afastar a filha.

Para os jovens, uma excursão da escola à Inglaterra ganha a dimensão de ficarem juntos e sem a vigilância dos pais. Para esses, também. Só que se tivessem um diálogo maior com os filhos poderiam canalizar toda essa gana por essa breve liberdade numa sutil conversa de que irão conhecer uma outra cultura, de um costume diferente, que terão acesso a uma outra língua, por ai. Sem ser careta, despertar no filho a curiosidade em aumentarem a própria cultura de forma prazeirosa nesse intercâmbio. Até para não estranharem tanto as pessoas como fizeram por lá.

A cada vivência nessa fase, a vida parece não acompanhar a pressa dos adolescentes. Mas de certa forma, para alguns o amadurecimento vem sim rapidamente. Assim, em vez dos pais criarem só barreiras, deveriam deixar umas portas abertas. Inclusive a do coração. Porque num aperto maior, serão a esse pai/mãe que irá pedir por ajuda. E diálogo sempre traz bons resultados.

Por último, embora esses conflitos entre pais e filhos adolescentes seja algo universal, a história do filme tem-na na França. Mesmo não sabendo muito dos costumes desse país transparece em “Lol” que a história nasceu ali. Que é dali. Essa identidade salta aos olhos. Tanto que me levou a pensar se a Diretora, e também Roteirista, conseguiu transferir toda essa história e identificá-la com a cultura estadunidense quando aceitou também dirigir a versão hollywoodiana.

Então é isso! Paisagens lindas. Uma ótima Trilha Sonora! Todos estão em uníssono! Um filme gostoso até de rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008). França. Direção e Roteiro: Lisa Azuelos. Elenco: Sophie Marceau (Anne), Christa Theret (Lola), Jérémy Kapone (Maël), Marion Chabassol (Charlotte), Lou Lesage (Stéphane), Émile Bertherat (Paul-Henri), Félix Moati (Arthur), Louis Sommer (Mehdi), Adéle Choubard (Provence), Jade-Rose Parker (Isabelle de Peyrefitte), Warren Guetta (David Lévy), Alexandre Astier (Alain), Jocelyn Quivrin (Lucas), Françoise Fabian (Mãe de Anne), Christiane Millet (Mãe de Charlotte), Liza Azuelos (Psiquiatra). Gênero: Comédia. Duração: 103 minutos.