Série: “CSI: Cyber” (2015 / ). A Realidade do Mundo dos Softwares Supera a Ficção!

csi-cyber_2015A Série “CSI: Cyber” ganha identidade própria em vez de ser apenas mais um dos laboratórios dentro da “nave mãe“. E talvez nesse início uma parcela dos fãs de “CSI: Investigação Criminal” ainda não perceberam que deveriam sim dar mais atenção a ela. Será que por exemplo já se esqueceram do que Edward Snowden contou ao mundo? Do quanto há de vulnerabilidade por ela para os que sabem se mover lá por dentro? Ou mesmo que atualmente cada vez mais estamos mais dependentes da Internet! Dai ser um prato cheio para um hacker black hat invadir perfis, contas bancárias… E muito mais!

Antes da informática, pedófilos usavam uma caixa para manter suas fotos embaixo da cama. Sendo geograficamente isolados dos outros pedófilos eram obrigados a reprimir os desejos socialmente inaceitáveis. Mas hoje a Internet conecta pessoas com as mesmas tendências depravadas. E uma vez que se reúnem, eles normalizam o comportamento e encorajam os outros.

Mary-Aiken_e_Anthony-Zuiker_CSI-Cyber_2015Anthony Zuiker, criador das “CSI“, teve a ideia para mais essa, a “CSI: Cyber” pelo do trabalho de Mary Aiken: psicóloga especializada em crimes na internet. Vale lembrar que a Internet vem desde a década de 90, daí haja chão para todos os tipos de estudos. Bem, entre a ideia até a concretização do projeto levaram alguns anos. Até que Mary Aiken se juntou a equipe como produtora e consultora. Emprestando assim sua experiência em inteligência e comportamento de cyber criminosos. Participando desde elaboração dos episódios até o andamento com o roteiro e as filmagens. Também em instruir a protagonista, Patrícia Arquette, em como agir em situações onde a personagem precisa analisar os suspeitos cara a cara.

Habilidades evolutivas de sobrevivência instintamente tendem a levá-los a lugares altos.”

Só a título de curiosidade é uma série que merece ser vista! Além do que Edward Snowden contou sobre espionagem eletrônica de um país para vários outros, temos também a farta documentação que Julian Assange mostrou, mostra pela Wikileaks… Pois é! Nem tudo tem um caráter criminoso… Onde talvez até “CSI: Cyber” mostre algumas dessas histórias mesmo que seja de um modo a “salvar” a própria pátria como em outras Séries e Filmes dos Estados Unidos… É esperar para ver!

mundo-dos-softwaresCoitados desses pais. Eles compram uma babá eletrônica pra proteger o filho deles. E é a mesma coisa que convidar o sequestrador.

Pode ser que “CSI: Cyber” até fique mais em cima dos trojan (software espião), phishing (envio de e-mails fraudulentos para infectar dispositivos e roubar informações), roteador clonado… Em como até por uma babá eletrônica hackeada descobriram um leilão de bebês para adoções. Já que o mesmo aparelho que daria uma pretensa segurança aos pais, também pode dar a sequestradores a chance de pegar o bebê sem serem notados. Ou de como em uma dessas empresas de Táxi por aplicativo também foi invadida… Enfim, se inteirar desse mundo dos softwares que temos também dentro de casa.

Passei a maior parte da minha carreira lutando contra gangues de rua, atentado, tráfico e outras guerras sangrentas… Mas hoje estamos diante de alvos anônimos obcecados em impressionar pessoas que nem mesmo conhecem! Com encorajamento e reconhecimento… vem a escalada.”

csi-cyber_patricia-arquetteCSI: Cyber” tem a frente a personagem de Patricia Arquette, a agente do FBI Avery Ryan que responde pela divisão de Crimes Cibernéticos. Bem, no mundo atual tudo que envolva dispositivos eletrônicos conectados a internet ou não é por definição: Cibernético. O que por si só já mostra o quanto ainda há de desconhecimento de todos nós. Mesmo para os que trabalham com eles. Os softwares se multiplicam. Talvez por isso sua personagem possa aparentar “andar em papel de arroz”. Pois acima de tudo ela estuda o comportamental das pessoas, muito mais do que o trabalho dos aparelhos eletrônicos. Para isso tem a sua equipe. Em sua apresentação inicial em cada episódio temos um perfil do que ela é, do que houve, e de que vem com tudo. Mas também mostra um lado mais sensível. Até de mãezona. Sem estereotipar por também ser uma agente de policial, sua performance está conseguindo sim levar esse personagem! Great!

Contrações das pupilas indicaram que dizia a verdade. As micro-expressões sinalizaram que não mascarava os seus sentimentos. Ele é inocente.

csi-cyber_elencoEnquanto a Agente Avery Ryan (Patricia Arquette) parece ter o “dom” de pegar os suspeitos na mentira por simples reações corporais, já que também é psicóloga, em sua equipe temos:
Elijah Mundo (James Van Der Beek): braço direito de Avery. Agente de campo. Especialista em armamento, veículos e bombas.
Daniel Krummitz (Charley Koontz): agente na área técnica. O melhor hacker “white hat” no mundo. Tem raciocínio rápido. Não tem medo de ser brutalmente honesto. Antissocial. Parece “viver” na sede da divisão de Crimes Cibernéticos.
Brody Nelson (Shad Moss): Hacker “pego” por Krumitz. Escolhendo trabalhar para o FBI em vez de viver uma vida de cibercrime.
Raven Ramirez (Hayley Kiyoko): especialista em investigações de mídia social, relações internacionais e tendências cibernéticas. Ela acha qualquer pessoa em qualquer rede social de qualquer parte do mundo. Detém um segredo que irá colocar a divisão em risco.
E Simon Sifter (Peter MacNicol): Diretor do FBI e superior de Avery. Atua como o meio de comunicação entre a divisão de Crimes Cibernéticos e restante do governo. Ele é duro, justo e sabe jogar o jogo político.

A tecnologia pode facilitar a vida das pessoas. Mas certamente não a deixou tão segura.”

Então é isso! A Série “CSI: Cyber” também chegou esse ano pelas bandas de cá, Brasil. Transmitida às 22 horas nas quartas-feiras pelo canal AXN. Se vai emplacar mais temporadas? Ainda é duvidoso até porque também fica na pendência da audiência por lá, nos Estados Unidos. Eu espero que sim!

O nosso bandido é um bom empresário. Ele entende de oferta e demanda. Tente adotar uma criança nos dias de hoje. Triagem, lista de espera, contas com advogados… Ele achou uma maneira de encurtá-la.”

Livro: Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado

capitaes-da-areia_jorge-amado_capa-do-livroPor: Karla Kélvia, do Blog Livro Arbítrio.

Uma visão social e não apenas policial… Numa obra atemporal.

Eu sou do tipo que tem uma relação bem estreita com os livros, desde criança. Quanto mais um livro me marca, mais eu sinto que as lembranças que eu tenho da história dele fazem parte da minha própria história. Capitães da Areia, de Jorge Amado, está na minha galeria de livros mais que especiais, mais que queridos, daqueles que estão gravados em mim para sempre.

Creio que o lirismo do meu querido escritor baiano está em um dos seus ápices neste livro, que, além disso, possui uma trama extremamente atual. Capitães da Areia foi escrito em 1935, em uma fase engajadíssima de Jorge Amado com o Partido Comunista, fato que transparecia muito em suas obras das décadas que vão de 1930 à 1950, chamadas, por esta razão, de “panfletárias”. O Brasil daquela época estava prestes a entrar na Ditadura Vargas, o Estado Novo; o mundo nazifascista caçava comunistas e judeus, e estava para eclodir a Segunda Guerra Mundial. Apesar de o contexto em que surgiu ser tão diferente dos dias de hoje, ninguém pode negar que a história deste livro seja atemporal.

capitaes-da-areia_personagens-01Os Capitães da Areia são meninos de rua; um bando que vive de pequenos furtos e que conhece toda a Salvador. Eles moram num trapiche, um tipo de armazém abandonado no cais do porto, e formam um número variável. O líder deles é Pedro Bala, e os outros mais conhecidos são Sem Pernas, Volta Seca, Professor, Boa Vida, Gato, Pirulito. O livro é dividido em três partes. Na primeira, “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”, vemos histórias de aventuras quase independentes dos garotos pelas ruas da cidade, explorando também suas personalidades e os seus medos. Um dos momentos mais bonitos e agridoces desta parte é “O Carrossel”, quando os garotos, que mesmo tão novos levam uma vida tão dura, deixam seu lado mais infantil vir à tona.

capitaes-da-areia_personagens-02A segunda parte é “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos”, em que Dora e seu irmão pequeno ficam órfãos quando seus pais morrem infectados com bexiga e eles ficam sem ter como e onde viverem. Ela é a única menina dos capitães, a “mãezinha” dos garotos, o amor platônico de Professor e a namorada de Pedro Bala. Depois de voltarem do reformatório, um amor tão lindo e breve tem um desfecho de abalar qualquer coração.

A terceira e última parte é “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, na qual os garotos já não são tão “garotos” assim e cada um vai seguindo seu rumo. O grupo passa a ter participação em greves e a consciência política de Pedro Bala é despertada, seguindo os passos do seu pai. Adoro o final, em que se diz que ele se torna um líder revolucionário.

Capitães da Areia é um livro incrível, pungente, que nos faz pensar em desigualdade social, desamparo das crianças e falta de estrutura familiar, que, infelizmente, ainda vemos tanto no presente.
capitaes-da-areia_jorge-amado_depoimento

Séries: “CSI: Investigação Criminal”, “CSI: Miami” e “CSI: NY”. Porque Acabar com Elas…

csi_csi-miami_csi-ny_cartazCSI_cartazA primeira a chegar e o quase a última a sair, assim chega a vez da Série “CSI: Investigação Criminal” se despedir após 15 Temporadas e com um bônus extra nesse encerramento: um episódio estendido como num longa-metragem. Agora, terminar por que? Já que teria fôlego e histórias para outras temporadas mais. Mas como sempre acontece para os fãs de outros países ficam à mercê do “mercado de audiência” no país de origem; e não apenas para os dessa Série.

Pessoas loucas fazem pessoas sãs agirem loucamente.” (CSI) “Nunca confunda absolvição com inocência.” (CSI: Miami) “As pessoas perdem tempo para colocar os seus segredos mais sombrios e então enviá-los para alguém que não conhecem. Duas perguntas: por que e…por quê?” (CSI: NY)

Será que os Produtores, ou mesmo os principais responsáveis dos canais onde as Séries são criadas, não entendem que o principal rival atualmente não é uma outra Série e de um outro Canal de Televisão, mas sim a Web. Que até tendo um canal pela internet, onde se veria os programas de televisão, esse ainda trava muito para ainda a maioria de usuários da internet. Daí muitos fãs ainda prefiram assistir por um canal à cabo ou de um da televisão aberta. Bem, a realidade mudou… Onde uma grande parcela da sociedade atualmente prefiram muito mais às mídias sociais do que acompanhar Séries por televisão. Pensem! Dentro do universo das pessoas que você conhece pessoalmente quantas ainda gostam de acompanhar Séries de Televisão? Que até haja um número maior dos quem acompanhem novelas até por que elas lançarem “tendências” e assim se sentirem “na moda” pelas mídias sociais. Até porque são os personagens de novelas que mais lançam modas… Por outro lado… Creio ainda ter muito menos desistências de fãs de Séries do que dos que passam a gostar delas.

Pessoas mentem, evidências não.” (CSI) “A culpa nos mantém em alerta, nos torna melhores.” (CSI: Miami) “Um pequeno erro pode ser usado para mudar toda a dinâmica do que vem a seguir.” (CSI: NY)

csi-miami_cartazComo também que mesmo que a desculpa seja por altos salários de alguns atores… creio que em séries como “CSI” os personagens são sim coadjuvantes de peso, mas é a trama que é o ponto alto. Mesmo que alguns dos personagens tenham sua própria legião de fãs… a grande maioria continuaria assistindo-a sem o seu ídolo… E meio que para “cortar os custos”… Para esses com altos salários bastaria “aposentá-los”, ou em serem “assassinado”… Gerando assim uma nova história…

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “A descoberta de algo inesperado é interessante. Mas, muitas vezes, a ausência inesperada de algo é ainda mais interessante.” (CSI: Miami)

Hoje até pode ser mais fácil montar todo uma estrutura como dos laboratórios que aparecem em “CSI: Investigação Criminal“, até por computação gráfica… A título de uma comparação em locações e cenários… Vale lembrar de que para o início da gravação da Série “ER” – chamado de “Plantão Médico” quando da exibição por um canal de tv abertA no Brasil -, usaram de fato um hospital real que se encontrava desativado, e que só depois que foi criado um para as gravações. De qualquer forma, atualmente os custos de filmagens em “CSI: Investigação Criminal” mesmo com alguns salários altos devem ser bem menor do que em 2000 quando ela foi criada. Claro que respeitando a proporcionalidade dos custos entre 2000 com o de 2015.

As melhores intenções são abastecidas com desapontamentos.” (CSI) “Só porque você sabe uma coisa sobre uma pessoa não significa que saiba tudo sobre ela.” (CSI Miami) “Às vezes, o esquecimento é o melhor.” (CSI: NY)

CSI-NY_cartazAlém do que a trama não ficava apenas dentro do que acontecia nos Estados Unidos. Nem muito menos com apenas histórias fictícias. Pois alguns dos episódios “levavam” para lá histórias baseadas em fatos reais ocorridos em outros países. Como por exemplo, quando se “inspiraram” no ocorrido na Boate Kiss, no Brasil… Ou como a falta de água em São Paulo também foi parar num dos episódios quando investigavam a morte de um corretor do Mercado de Ações… Sendo que esse não sei ao certo em quais dos “CSI” passou: se no principal ou em um dos spin-offsCSI: Miami” ou “CSI: NY” (Ambas canceladas, respectivamente, em 2012 e 2013.). Ou apenas trazendo algo ocorrido em outro continente como a chuva ácida nas lavouras cacaueiras na África… Onde também não deixou de citar o trabalho infantil e escravo que há por lá, mesmo que en passant… O que corrobora de que sempre teriam o que contar em suas tramas: “CSI: Investigação Criminal” (2000–2015); “CSI: Miami” (2002–2012); “CSI: NY” (2004-2013).

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “Bem aventurados são aqueles que não tem que enfrentar aquilo que são capazes de fazer.” (CSI) “Nós acordamos do sonho apenas uma vez.” (CSI)

De qualquer forma há as reprises para não nos deixar de todos órfãos e em pelo menos dois canais a cabo: o “TNT Series” e o “AXN“. Além do que há um novo, o “CSI: Cyber“, mas esse terá um texto único. No mais, fica uma torcida para que um dia voltem com episódios inéditos!

_O medo tende a vencer a lógica.
_Depende da lógica.
_Ou do medo.” (CSI: NY)

Por: Valéria Miguez (LELLA).

CSI: Investigação Criminal (2000–2015)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: Miami (2002–2012)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: NY (2004-2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Divertida Mente (Inside Out. 2015)

divertida-mente_2015_posterPor Bruce Lourenço, do Blog Soneto de Pipa.

inside-out-2015_cartazINSIDE OUT – Animação que faz crianças rirem e adultos chorarem

Eu sou um fã de carteirinha das animações produzidas pelo estúdio Pixar e pela Disney. Sempre com a desculpa de levar meu afilhado ao cinema para assistir esses desenhos fofos que me divertem pra caramba, acabo saindo do cinema com um sentimento de que as animações, que na maioria das vezes são direcionadas ao público infantil, trazem assuntos que me fazem refletir cada vez mais sobre a nossa “vida adulta”.

Divertida Mente (Inside out) é mais uma animação brilhante do cineasta Pete Docter, o mesmo que dirigiu Monstros S.A.*, que se inspirou no crescimento da filha para dar inicio ao desenvolver da história. Além de ser um marco maravilhoso ao retorno de enredos originais geridos pelo estúdio.

A história gira em torno da mente da garota Riley, que após se mudar de Minnesota para a Califórnia começa a entrar em difíceis conflitos de aceitação com o novo estilo de vida. Isso ocorre porque os verdadeiros protagonistas da animação, Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho, que são emoções responsáveis por conduzir a vida dos personagens do longa, enfrentam dificuldades em, através de um painel de controle, guiar a menina para uma vida psicologicamente satisfatória. Cada emoção possui cores e temperamentos únicos, que as representam.

divertida-mente_2015_01Alegria sempre tenta manter tudo em ordem, se mostra a mais empolgada e esperançosa emoção com a casa nova de Riley. Foi o primeiro sentimento da garota ao nascer, quando ela abre os olhos e avista os seus pais. Com esse espírito de liderança e tendo o controle de tudo, se vê em um hilário conflito com a Tristeza, pois a mesma andam transformando as memórias felizes de Riley em memórias tristes. Ambas são sugadas para fora da sala de comando após uma discussão e se veem tendo que trabalhar juntas, Alegria e Tristeza, para restabelecer as emoções da menina e assim dar a ela a tão aclamada felicidade.

Uma Animação que apresenta questionamentos sobre o comportamento psicológico, quase uma psicanalise Pixariana. Além de desenvolver a personalidade dos personagens, a animação tem o cuidado de facilitar a compreensão do seu público alvo e ainda sim utilizar meios em uma profundidade que encanta. A Pixar em um ponto brilhante tornou concreto o que não era palpável, usando para um tanto de sua criatividade.

Me emocionei bastante com a história, consegui captar a mensagem de que as pessoas necessitam de momentos de tristeza, para que possam realmente reconhecer a felicidade. Fora que as pessoas evoluem, crescem e vencem os mais variáveis desafios ao se ver em uma situação de aceitação a tristeza. Enquanto o meu afilhado, gargalhava e esperava o filme acabar ansiosamente, eu via meus olhos enchendo de lágrimas em situações de percepção de valores tão importantes, como o amor, o diálogo entre família e a falsa concepção de que precisamos ser felizes o tempo todo para nos sentirmos bem.divertida-mente_2015_02

The Babadook (2014). Um Terror Rico em Símbolos (Psicologia)

the-babadook_2014_01Por: Charles Alberto Resende. (contém spoilers)

the-babadook_2014A Imposição do Luto

The Babadook” é um filme muito instrutivo psicologicamente e muito rico em símbolos. Se isso não bastasse, foi também considerado um ótimo filme de terror. Infelizmente, para quem não conhece um pouco de psicologia, seu sentido simbólico pode passar encoberto. Este texto busca cumprir esta finalidade.

Babadook encarna o inconsciente de Amelia (Essie Davis), que procura de todos os modos reprimir a lembrança do trágico acidente de carro em que o marido a levava para a maternidade para dar à luz a Samuel (Noah Wiseman). Qualquer possível menção à lembrança do marido é evitada e/ou negada por Amelia, até mesmo chamar Sam de “garoto”, o que o ex-marido fazia. Ela não supera os estágios iniciais do luto, a negação e a raiva. Sam, por sua vez, sofre com a inadmissão da mãe, e passa a ter pesadelos e medos inexplicáveis, além de amedrontar parentes e colegas. Isso se deve a que a psique da criança, antes da puberdade, é dotada de um Eu apenas embrionário, ainda incapaz de afirmar sua personalidade. Contudo, somos tentados e considerá-las, muitas vezes, esquisitas, cabeçudas e difíceis de educar, como se tivessem vontade própria. Puro engano. Nesses casos deve-se examinar o ambiente doméstico e o relacionamento dos pais, nos quais encontramos, geralmente, as verdadeiras razões das dificuldades dos filhos. O comportamento perturbador das crianças é muito mais reflexo das influências incômodas e embaraçosas dos pais.

the-babadook_2014_02O filho passa à mãe o livro de Babadook, que tem mensagens como: “uma vez que você ver o que está embaixo, vai desejar estar morto” e “deixe-me entrar“. Ora, o inconsciente normalmente é retratado como a parte da personalidade que vive “embaixo“, isto é, abaixo do nível da consciência, como se fosse uma espécie de porão. E ela guarda as posses do falecido justo em um porão, as quais não deixa Sam ter acesso. Nas palavras deste, a mãe não o deixa ter um pai, mesmo que morto. Além disso, Amelia parece evitar também qualquer referência a sexo e ao amor compartilhado. Também parece perceber os gestos carinhosos do filho como sexuais, mesmo quando este está dormindo e recosta em seu corpo. Então afasta-se prontamente. Amelia sofre de insônia, e não é por acaso, pois precisa estar acordada e vigilante o tempo inteiro para evitar qualquer menção ou lembrança interna aos problemas que nega veementemente. Mas, como é muito comum nesses casos, ela não tem consciência nem de que nega esses assuntos. Não mencionar ou falar sobre o falecido é, para Amelia, seguir em frente com a vida. De fato, esse seria um bom indício de que conseguiu superar a morte do ente querido, se a menção a ele não a irritasse tanto. Quem supera uma perda e não a expõe, provavelmente o faz porque o fato já não possui a intensidade afetiva quanto tinha à época dos acontecimentos. Porém, para que isso ocorra, é necessário conviver com eles.

Entretanto, assim que o filho começa a ser discriminado claramente na escola e pelos parentes, a situação se desestabiliza. Então Sam fica desobediente e agressivo. O livro de Babadook surge e fornece a ela um meio simbólico para expressar conteúdos do seu inconsciente, até então fortemente represados. O estado psíquico de Amelia, antes vigorosamente controlado, se desequilibra, em meio à instabilidade da iluminação e aos ruídos, ao que tudo indica autônomos, produzidos no ambiente. O episódio em que Sam empurra a prima da casa da árvore, quando esta expressava às claras o que sua mãe ocultava, denota seu tormento frente à situação psíquica insuportável. Ao tentar se justificar, e a mãe tentar controlá-lo, passa por uma convulsão. Samuel é medicado e, agora, só a mãe deverá lidar com sua repressão ao luto, às reais emoções que a perseguem, encarnados por Babadook.

...fechada à realidade interior.

…fechada à realidade interior.

O livro, depois de destruído, reaparece com outra frase: “Vou fazer uma aposta com você. Quanto mais negar, mais forte eu fico“. Nesse ponto, o inconsciente de Amelia encontra-se muito carregado de energia psíquica. Manter os sentimentos e as emoções do luto separados do seu Eu serviu apenas para fornecer mais autonomia a eles, mais independência em relação às rédeas que quer firmar. “Você começa a mudar quando eu entro. O Babadook cresce sob a sua pele. Venha! Venha ver o que está embaixo!“. O símbolo do senhor negro, de cartola, mostra que ela primeiro matará o cachorro, depois sufocará o filho, e por último suicidará. Babadook, a figura do falecido que a abraça e os insetos que a perseguem, é como se fossem a morte em pessoa que vem buscá-la por não admitir sua existência. Influências regressivas que a atraem para o que ela rejeita, e que ficam mais fortes com a aproximação do aniversário do sétimo ano do filho. Ele mostra que ela nutre sentimentos hostis em relação ao cão que fareja o porão, ao filho que confronta sua cegueira interna e a si mesma. Ele é o inconsciente que finalmente se apossa de sua personalidade para cometer atos impensáveis. Ao negarmos o que se encontra em nosso interior, o separamos de nós, provendo-o de vida independente de nossa vontade. Nós nos tornamos como uma casa à disposição de forças que agora nos são desconhecidas, porque não admitidas. E ao não reconhecê-las, corremos o risco de não perceber que passamos a atuar como elas, que nos tornamos exatamente o que antes não tolerávamos.

Sam diz que não quer que a mãe vá embora porque, como as crianças estão em íntimo contato com o inconsciente, sabe que ela aos poucos está partindo para dar lugar à bruxa, à mãe má, que o colocará em perigo. Amelia só recobra a consciência para lutar contra a possessão sombria quando Samuel a acaricia enquanto tentava sufocá-lo. Ela vomita uma massa negra, cena muito semelhante à separação de Peter Park de Venon, em Homem Aranha 3, cuja analogia é muito pertinente. À negação segue a identificação (união), e, então, uma separação (análise) mais saudável. Ao alucinar a morte do marido torna-se possível vivenciar a angústia da perda. Por último, prevalece o instinto materno na batalha contra a força maligna, que agora aloja-se no porão. Curiosamente, quando a mãe surta, o filho volta ao comportamento natural.

the-babadook_2014_03Amelia não se cura como, normalmente, se idealiza uma cura. Pode-se dizer que sua saúde mental é restabelecida na medida em que ela reconhece a realidade do que se encontra em seu interior. Também teve que contar com outra força inconsciente igualmente poderosa: o instinto ou amor materno. O inconsciente teve que gritar, urrar e se impor para ser notado e respeitado. Por isso, e para manter uma boa relação com seu inconsciente, ela deve servi-lo diariamente com um símbolo que representa a morte e, de certa forma, a primeira (e parece que última) vitória desta: vermes extraídos do jardim onde o cão está enterrado. Mãe e filho compartilham da percepção da fera negra, como se esta fosse uma realidade comum a ambos, agora aceita inteiramente, como algo interno que, vivenciado externamente, exige atenção e respeito. Não é permitido a Sam visitar a fera, mas apenas quando for adulto. É a mãe que deve se relacionar com ela, pois é um problema dela. Foi preciso que alucinasse, que saísse de sua realidade, para que atentasse ao avesso do mundo exterior, que muitas pessoas desprezam: o espaço interno.

The Babadook 2014.
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Diplomacia (2014). Uma Aula Compacta de História Geral.

diplomacia_2014_cartazDiplomacia não é simplesmente um filme, é uma aula compacta de história geral que nos leva a conhecer um pouco mais de fatos que chocaram a humanidade, de detalhes que aconteceram nos bastidores da segunda guerra mundial que os livros didáticos não contaram e que o mundo não faz mesmo questão de lembrar. E para narrar a história aqui apresentada o autor foi generoso e ‘diplomático’, preferiu o formato mais suave da linguagem, escolhendo a ferramenta poética, talvez para abrandar o tema guerra, destruição e morte, assuntos bem difíceis de se digerir. E a gente não precisa de muito esforço para entender a história, tudo está fácil, a começar pelo o título “Diplomacia” que significa arte e prática de conduzir as relações exteriores ou os negócios estrangeiros de um determinado Estado ou organização internacional e que envolve assuntos de guerra e paz numa forma de abrandar a dor de quem testemunhou aquele período de intolerância.

ParisEntre tantas coisas absurdas que aconteceram na segunda guerra mundial, desde a perseguição aos judeus, os campos de concentração, a mais estranha foi a de Hitler ter ordenado seu exército alemão a destruir Paris. Seu objetivo era ver a cidade em ruínas. E essa tentativa de destruição aconteceu mais de uma vez. A capital da França ficou bastante tempo convivendo com a ocupação do exército alemão, e todas as tentativas de varrer a cidade do mapa foram em vão. Todos os seus súditos, por alguma razão, não o obedeceram, até que apareceu um diplomata que nem francês nato era e que acabou mudando para melhor o rumo dessa história. Graças a ele, o mundo hoje pode conhecer o Museu do Louvre e a Torre Eiffel, entre outros pontos turísticos.

Este filme é baseado na obra adaptada para o teatro pelo francês Cyril Gelly, que por sua vez se baseou em fatos reais, por isso, talvez, o diretor Volker Schlöndorff ao contar este fato histórico, ele inicia usando filmes em P&B originais, documentos esses como forma de reconhecimento de área para se entrar no clima e o público poder se situar no enredo que começa a ganhar forma, e assim valorizar mais a História que o parisiense para sempre se lembrará. E a outra parte o diretor alterna contando em Technicolor numa Paris com tanques de guerra por toda cidade, civis convivendo com o exército de Hitler e sua bandeira, o medo que impera ao toque de recolher sendo minimizada apenas pelo sossego do rio Sena e nessa parte agora que é a paz reinando pelo próprio cenário, entre atores, maquiagem e pela direção que é dez.

diplomacia_2014_01E como toda obra teatral, o detalhe que separa atores do público é o palco, e por último o abrir e fechar de cortinas, o grande teatro desta comédia humana aconteceu no famoso Hotel Maurice e seus protagonistas foram Dietrich von Cholitz (Niels Arestrup), o general alemão que comandou em Paris na época da ocupação durante a Segunda Guerra, e o cônsul-geral Raoul Nordling (André Dussollier), eles se duelando em palavras num discurso racional parecendo não ter fim na qual o diplomata tenta convencer o general a não destruir Paris, plano este arquitetado pelo seu líder nazista o Senhor Hitler.

E todo o desenrolar da história é isso o que acontece; são uns cem minutos nesse estresse entre esses dois personagens lutando com palavras, e arma usada era a retórica de olhares, socos na consciência, caras e bocas e tentativas de convencimento de que quando um não quer, dois não brigam. E o representante do governo alemão acabou se convencendo disso. E sua missão de apertar o botão que destruiria a Cidade-Luz não se concretizou, graças ao Raoul Nordling que deu o melhor de si nessa missão.

E o mundo hoje até concordaria que o general poderia sim apertar não um, mas todos os botões e interruptores de Paris para deixá-la mais, muito mais linda e iluminada do que Ela já é.
E.B.

Diplomacia (Diplomatie. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.