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Olá, pessoal. Hoje farei uma crítica que já planejo há um bom tempo, entretanto preferi esperar para que o filme estreasse nos cinemas brasileiros para que as pessoas que lessem tivessem a oportunidade de assistir. Quem leu meu post sobre Adaptações Cinematográficas de Livros deve lembrar que citei esse filme como sendo uma das adaptações mais diferentes que já assisti. Quando digo diferente não é no sentido de não haver fidelidade para com o livro, e sim do longa não ofender o romance, mas apresentar uma visão bastante particular da trama. Taxado como polêmico, assustador e surpreendente. “Precisamos Falar Sobre o Kevin está chocando o público, vocês devem estar perguntando o porquê disso. E é simplesmente por que tudo aquilo é algo bastante realista e não há nada mais assustador no cinema do que nós acreditarmos que aquilo mostrado nas telas pode acontecer na realidade. O relacionamento de amor e ódio de uma mãe com o filho, possivelmente, psicopata é algo que realmente instiga as pessoas. Numa das cenas geniais, Kevin comenta em tv aberta o fato do público televisivo dar tanta atenção aos psicopatas, afinal será mesmo que as pessoas não gostam de ouvir esse tipo de coisa? essa é uma das sugestões polêmicas que a história coloca.

Best-Seller de Lionel Shriver

O livro de Lionel Shriver foi recusado por muitas editoras e quando finalmente foi aceito, virou sucesso. A trama acompanha a história de uma mãe, Eva (Tilda Swinton), que sofre as conseqüências dos atos de seu filho Kevin (Ezra Miller), já preso por cometer uma chacina na escola. Como se não bastasse ser julgada e perder todo o dinheiro no tribunal, acusada de negligência materna, Eva tem que suportar diariamente o preconceito nas ruas, as pessoas acreditam que a revolta do rapaz possa ter vindo de falhas maternas. Então ela faz uma recapitulação, narrando tudo para Franklin (John C. Reilly), seu marido que a deixou levando a filha pequena. A partir daí acompanhamos do nascimento de Kevin até a data do massacre, sempre alternando entre o presente e as memórias de Eva. Quando tudo começa, ficamos espantados com a relação entre os dois. Kevin não era uma criança fácil e sempre fez questão de expôr sua natureza fria utilizando a mãe como alvo. Eva também não fica muito atrás, seus pensamentos de raiva pelo menino nos deixam na dúvida se realmente seus atos influenciaram no que Kevin se tornou. E é aí que surgem nossas dúvidas. Por que Kevin fez aquilo? Será que sua monstruosidade é justificável pelo elo fraco com a mãe? Eva é ou não culpada? Kevin sempre foi psicopata? Eva estaria paranóica desde que a criança nasceu ou é verdade que o tempo todo notara as inclinações assassinas do filho?

Momentos tensos

As respostas para as perguntas acima são bastante relativas, o que faz com que cada pessoa saia da sala de cinema com um filme diferente na cabeça. Acredito que a monstruosidade do rapaz seja tamanha que ficará bastante constrangedor para alguém defendê-lo, no livro até o advogado se sente desconfortável pela reação de Eva. Ela tenta “permanecer de pé”, evita chorar na frente dos outros, o que faz com que a maioria pense que é uma mulher fria. Eva guarda a culpa para si mesma, o que torna tudo tão doloroso. Ela sente que precisa ser castigada pelo que seu filho fez, por isso não se zanga com a reação violenta das pessoas. Cabe a nós sabermos se ela realmente influenciou.  Quando chegamos ao final da trama, temos uma revelação que mudará todo o jogo. O assustador final é inevitável e alerto para que as pessoas estejam preparadas para a indignação.

Falando em indignação, estou profundamente decepcionado com a Academia do Oscar que não indicou Tilda Swinton como Melhor Atriz, mas indicou Rooney Mara. Não que a novata não mostre talento, mas quem assiste a “Precisamos Falar Sobre o Kevin” sabe muito bem que aquele talvez tenha sido o papel da vida de Tilda. Ela se entregou completamente para o papel, não assisti a nenhuma atuação tão surpreendente durante todo o ano. Logo é natural que a credibilidade do Oscar caia no meu conceito. John C. Reilly não tem quase nada a ver com a aparência do Franklin do livro. Apesar dele não ter muitos diálogos, só sua imagem é suficiente para o associarmos com um pai preocupado e que tenta simplesmente acreditar que seu filho é normal. Kevin se transforma na presença do pai, o que faz com que Eva sempre seja julgada como exagerada pelo marido.

A água como a vida aparentemente calma de Eva, até Kevin acabar com tudo com apenas um toque.

Ezra Miller parece que vem se preparando involuntariamente para Kevin através de outros papéis. Após interpretar um garoto com possíveis tendências psicopatas em outro filme de Cannes (Depois das Aulas), o jovem agora pode ser conhecido como o bad boy de Hollyhood. A participação de Ezra como Kevin não é longa, porém marcante. Quem rouba a cena como Kevin é o ator mirim Jasper Newell, que provavelmente conseguiu a proeza de despertar a vontade de todas as mães, na platéia, de lhe dar uma bela surra.

Ela percebeu as tendências do filho desde o princípio

O defeito do filme é em alguns momentos deixar escapar a semelhança de Kevin com outros monstrinhos do cinema. É inevitável não lembrar de Damien de A Profecia. A diferença de Kevin para Damien é que o filho de Eva é praticamente uma abordagem nova sobre a psicopatia. Se em A Profecia, o menino não tinha um bom elo com a mãe por ser o anticristo, em Kevin a situação é explorada sem receio. A realidade é que muitas mães sofrem por não conseguirem ter uma boa ligação com seus filhos (exemplo disso é a depressão pós-parto), isso sempre foi visto de maneira assustadora pela sociedade, mas é algo que acontece. Em A Profecia, isso foi transformado numa fantasia onde a desculpa pela falta de vínculo materno ocorre pela criança não ser o filho verdadeiro do casal e, sim, do diabo. O que torna “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tão assustador é justamente o fato de não haver fantasias. Kevin não é adotado e não é o anticristo. Eva teve muita dificuldade em gostar da criança no princípio, porque para ela aquele bebê significava a perda da independência. Nós sabemos que a criança sente quando isso acontece, o problema é a reação de Kevin. Quando a mãe tenta se aproximar dele, ele sempre recua e não deixa uma oportunidade de machucar a mãe passar em branco.

Eva imaginando o afogamento do filho

Há uma situação que talvez alguns não entendam completamente no filme, porém que fica bastante claro no livro. A cena em que Eva quebra o braço de Kevin num acesso de fúria pelo que o menino faz. O menino estava com um leve sorriso no rosto quando isso aconteceu. Kevin não contou para ninguém o feito da mãe. O que nos deixa intrigados é o porquê dele fazer isso. Ao mesmo tempo que Kevin mantém segredo, ele utiliza isso como arma para “aprontar” sem que a mãe o delate, senão ele conta sobre o braço. Mas, como todas as atitudes de Kevin têm dois lados da moeda. É possível também que ele não tenha contado para ninguém porque, como Eva cita no livro, aquele foi o único momento em que ele pôde se identificar com a mãe, pois se sua natureza era violenta ele buscava alguém com quem se identificar, e é terrível sua alegria quando a mãe demonstra raiva. Parece uma maneira de “atiçar” Eva como desculpa para também ver o lado obscuro de outra pessoa. Em uma das partes do livro, Kevin na escolinha convence uma menina com doença de pele a descascar a pele ruim (até sair sangue), como se desejasse libertá-la daquele incômodo ou fazê-la se machucar. Não há limites para as crueldades do menino até a adolescência, poucos notam sua verdadeira face, mas suas atitudes sempre possuem duas possibilidades. E o mesmo jamais demonstra culpa.

Kevin sente culpa?

Sobre o conteúdo, não é fácil para algumas pessoas ler os diálogos cruéis do livro. Por isso algumas coisas foram suavizadas no filme. Um exemplo são as visitas de Eva a Kevin, onde no romance há uma troca de farpas de deixar qualquer pessoa horrorizada com tamanha crueldade do filho e as respostas terríveis da mãe. No longa isso não aconteceu, deixando o silêncio tomar conta das cenas como uma forma de expressar a dificuldade que Eva possui ao ter de visitar o filho. No final da leitura e da projeção percebemos o porquê dela odiar o filho em tantos momentos. Mas não se assuste, você (leitor dessa crítica). Apesar do filme revelar que não há limites para a crueldade humana, também coloca a ausência de barreiras para o amor de uma mãe. Eva continua vendo Kevin porque ainda tem a esperança de que um filho que a ama esteja ali dentro. “Precisamos Falar Sobre o Kevin” prova isso da maneira mais realista possível. Enquanto assistimos a esse filme é importante ficar claro a quantidade de mulheres que estão passando por esse sofrimento de culpa ao presenciar a prisão do filho. A verdadeira pergunta que deixo aqui é: Será justo julgá-las sempre negativamente?

Tilda Swinton na cena mais emocionante, a da descoberta. Digna de Oscar.

ImagemEm junho passado, uma amiga minha do Brasil, veio me visitar, e ela muito me falou do escritor Jonathan Safran Foer, em especial do livro, “Extremely Loud, Incredibly Close.” Logo dei uma pesquisa, e fiquei a saber que o director de “The Hours (2002) Stephen Daldry estava dirigindo a versão do livro para o cinema.

Ela me encorajou a ler o livro, e até cheguei a ler algumas paginas, mas não me envolvi pela leitura, e resolvi esperar para ver o filme. O enredo é sobre um menino que busca por uma fechadura por toda cidade de Nova York. Ao achar uma chave nos pertences do pai, ele acredita que seu pai – que morreu nos ataques de 11 de setembro de 2001 – propositadamente lhe deixou o objeto. O enredo muito me fez lembrar de “Hugo” de Martin Scorsese, pois temos em “Extremely Loud, Incredibly Close”,  um menino inteligente e bonitinho, um pai falecido e um mistério.

ImagemUm ano depois dos ataques de 11 de setembro, Oskar Schell (Thomas Horn) ainda sofre com morte de seu pai, Thomas (Tom Hanks). Oskar e sua mãe, Linda (Sandra Bullock), ainda vivem em Nova York, em frente ao prédio onde vive a avó do menino.

ImagemPara quem perdeu um ente querido, sabe como é dificil largar os pertences do morto – é uma das coisas mais difíceis de fazer.  E por tal, é facil sofrer e sentir a dor de Oskar, principalmente quando ele fica escutando a voz do pai. Nada de errado em ser um filme emocionalmente devastador – drama tem que ser emocionante  e achei que Daldry sabesse conduzir isso, mas..-

Entre um choro aqui e ali, Oskar decide resolver o mistério deixado por seu pai, envolvendo a chave, os nova-iorquinos com sobrenomes Black (todos os 472 que vivem na cidade!), a voz do pai deixada na secretária eletrônica e um  pandeiro. Assim começa as aventuras de Oskar.

Três coisas que achei problematicas no filme:

1- Mesmo que Hanks tenha um tempo limitado no filme, ele desempenha um personagem tão idealizado como “o melhor pai que já viveu no mundo”, que me pareceu falso, enquanto a mãe de Bullock parece tão negligente que, quando a explicação plausível para a sua longa ausência é justificado, eu me perguntei: que tipo de mãe deixaria o seu filho de 11 anos sozinho numa cidade grande como Nova York, e ser também acompanhado por um idoso estranho?. Quando o filme me deu a resposta para a tal atitude da mãe, desejei que tivesse um pandeiro para jogar na cara dela!.

2- Apesar de Oskar achar que a chave vai trazê-lo para mais perto de seu falecido pai, nunca que se pode acreditar por um momento que a essência da trama fosse para uma aventura no estilo “ o que vale é jornada, e não o destino” que terá o menino. A estrutura do filme não me prendeu – a busca de Oskar por respostas- suas idas de um endereço para outro.

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3- Nem quero criticar o ator Thomas Horn, pois esse é seu primeiro filme, e ele mostra ter potencial para ser um bom ator, mas o seu personagem, me fez lembrar da Mattie (Hailee Steinfeld) de “True Grit” (2010). Horn decorou muito bem os dialogos que tinha que decorar. O menino é o narrador do filme, e se sabe dos seus pensamentos e decisões privadas antes de ocorrer ação, por examplo: ele mente muito! Mas o roteirista  Eric Roth e Daldry exagera ao fazer uso de voice- over, pois todas as vezes que Oskar mente, vem aquela  justificativa como se os outros personagens acreditassem na mentira deleCompreendo que Oskar é um menino assustado, chocado pela morte do pai, mas o seu comportamento, e atitudes de  superioridade chega a irritar. Que prazer alguem poderia ter em ter a companhia de um menino tão arrogante?. Quando ele é acompanhado pelo velho (Max von Sydow), ficamos a saber que o misterioso senhor é incapaz de falar – isso significa que o garoto vai falar ainda mais. Fala tanto que me deu vontade de gritar : “Shut the F* up” !.  Desde “True Grit” – com aquela menina falante e irritante, vivida pela gracinha da Steinfeld-, que eu não tinha visto um personagem tão chato quanto Oskar.

Menos ruim, mas não perfeito :

ImagemMax Von Sydow até poderia ter roubado o show para si, se a sua personagem tivesse sido bem desenvolvida e bem conduzida, pois as cenas mais interessantes do filme, são as que ele aparece. A química entre ele e Horn é bastante vaga, e quando Von Sydow sai de cena, a alma do filme vai junto!. Sou um grande admirador desse veterano ator, especialmente por causa de sua grande expressividade, e esforço, e fico triste que ele ganhe uma indicação ao Oscar por um papel tão superficial.

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Faz um tempinho que venho escutano a trilha que Alexandre Desplat escreveu para o filme. Particularmente achei esse o seu melhor trabalho entre as trilhas que ele escreveu para 5 filmes diferentes em 2011. Mas quando ouvi as suas musicas emoldurando a fotografia de Chris Mendes (com uso de edge blur em algumas cenas) senti que Nova York nunca pareceu um lugar tão monótono e nada maravilhoso. A trilha sonora  é linda, mas não achei que case com o filme!.

No geral, “Tão Forte e Tão Perto “ é decente tecnicamente, mas esperava algo mais emocionalmente envolvente e um pouco menos manipulador. Eu certamente não queria sair do cinema como sai depois de “United 93” (2006), totalmente devastado pelo ocorrido em 11 de setembro, mas pelo menos os produtores deveriam ter  - extremamente -,  se preocupado mais com o mundo de Oskar do que ter investido – incrivelmente-, em tudo, pensando no Oscar!.

Nota 5,0

P.S.: Para minha surpresa, “Tão Forte e Tão Perto “ foi indicado para melhor filme, e melhor coadjuvante para Von Sydow. Indigna consideração!.

“50/50″ (2011)

“50/50” é engraçado e dramático e talvez não venha agradar a todos, mas é um filme muito sincero. Particularmente, não me senti manipulado para sofrer com o drama do personagem principal, e por tal, que amei esse filme.

No primeiros minutos, vemos Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem aparentemente saudável, o qual tem um bom emprego, uma namorada linda e toda a sua vida pela frente. Mas, depois, ele recebe uma má notícia – tem um raro tipo de câncer na medula, e suas chances de sobreviver é de apenas 50%.

Honestamente, não existe nada de inovador esse filme, mas o diretor Jonathan Levine conseguiu equilibrar comédia e drama de uma forma muito bacana. E, realmente gostei de como os personagens olham para o câncer – um aspecto interessante ao tratar dos relacionamentos pessoais de Adam. Por mais que o filme seja sobre câncer e a luta do jovem contra a doença, eu achei que o filme busca explorar o efeito que uma doença como essa pode causar nas pessoas que amam Adam, e como elas querem ou não sabem lidar com a nova realidade dele – pois cada pessoa tem suas próprias, diferentes maneiras de reagir.

Seth Rogen é engraçado e igualmente irritante como o amigo arrogante de Adam – e politicamente incorreto quando sugere ao amigo a usar a sua doença para ganhar a simpatia das mulheres. A namorada de Adam- interpretada pela linda Bryce Dallas Howard-, encontra o  câncer do namorado como um obstáculo no relacionamente deles. Me comovi com fragilidade que Dallas Howard imponhe ao personagem, no limite entre a menina mimada, infiel, e mesmo assim infeliz por não saber como lidar com  doença do namorado. Outro ponto positivo é o relacionamente entre Adam e sua mãe(Angelica Huston). Como já cuida do marido doente, Adam resolve de uma forma bem egoista, ignorar os telefonemas da mãe, e assim não preocupá-la mais. Quem gosta de ver a sua mãe sofrendo?

Atores:

Sempre achei o Gordon- Levitt um grande ator – uma espécie de Juliette Binoche de calças. Sua força dramática está justamente no olhar, nas nuances da sua expressão facial, que vai de um sorriso sincero até num olhar triste. Talvez outro ator exagerasse nos detalhes que fazem Adam um personagem tão humano. Gordon-Levitt usa a sua delicadeza, e se o Oscar fosse justo, e não uma politicagem barata, ele deveria estar entre os indicados este ano.

A melhor cena:

Anjelica Huston tem um papel pequeno, mas a presença dela é tão marcante, que adoraria vê-la no Oscar também, mas-. A cena quando ela diz: “I only smothered him because I love him” – “Eu apenas o sufoquei porque o amo”,  me fez chorar durante e depois que sai da sala de cinema. Não é só a pessoa doente que sofre, e essa é uma cena que foca a linha do núcleo emocional do filme.

O que não gostei:

Katie (Anna Kendrick), a terapeuta que ajuda Adam. Eu não senti nenhuma química entre Kendrick e Gordon-Levitt. Achei que ela foi uma escolha errada para o papel, pois faz as mesmas caras e bocas da sua personagem em “Up in the Air” (2009). Muito mais interessante e terapêuticas são as presenças de Phillip Baker Hall e Matt Frewer como os dois pacientes com câncer que Adam conhece no hospital.

50/50 é muito bem escrito, dirigido, e interpretado, e prova que as vezes quando as coisas andam muito mal, doe menos quando nós começamos a rir.

Nota 8,5.

P.S.: O filme é vagamente baseado na vida do roteirista Will Reiser. Seth Rogen é um dos produtores do filme.

De dois universos tão distintos, ela vem conquistando um lugar num topo de ainda na quase totalidade ocupado por homens. Assim, sendo eu também uma mulher, começo citando a Diretora, e também Roteirista, Julie Gavras. À ela meus Parabéns por ambos seus filmes. No primeiro que eu vi, o “A Culpa é do Fidel” (2006), traz a mudança de uma menininha ao ver que seu mundinho crescera, entendendo que vivemos numa sociedade não tão perfeita, ou não como todos nós desejamos. Já nesse segundo que eu assisto, “Late Bloomers – O Amor não tem Fim“, Julie Gavras já traz um casal entrando na velhice, onde além de ainda não ser uma sociedade perfeita, agora está jovem demais “em produtos”, e meio que excluindo os bem mais velhos “naturalmentes”.

Não sei se vale como um consolo, como a lei da compensação. É que se chegamos nessa fase da vida: é por continuarmos vivos! Pelo fato de sobrevivermos a violência urbana, também. Mas a trama desse filme traz essa longevidade como pano de fundo, ora pela própria natureza, ora pelos avanços da ciência. Como também esse filme não nos mostra isso de forma didática. Muito embora seria até válido. É que como temos um casal de protagonistas, de uma união já na casa dos trinta, o plano central foca o que vem com essa fase. A vida sexual também mudará, e em que?

É nisso que o título internacional sugere: um florescer para esse novo tempo. Uma descoberta, mesmo que tardia, de que ainda tem muita coisa para se fazer, viver… É o sentido da vida: seguir em frente. Agregando novos valores, abdicando de outros. Olhando-se no espelho: dizendo um “Olá!” para essa pessoa a princípio estranha, mas que até por conta disso, está ciente de que ainda é capaz de surpreender também a si mesmo. Que ainda tem muita tesão pela vida. Ou, como no subtítulo dado no Brasil: que se tem amor, não terá um fim. Será um recomeço. Já o título no original em francês pontua que esses 60 anos teve 3 fases de 20. Para esse casal a dos 40 aos 60 ficara curta demais. Ou, nem fizeram planos para esses 20 que teriam à frente. Com o susto, tiveram que passar a limpo esses quase 60 anos. Com isso, teriam que fazer individualmente também.

Porque eu me imaginava mais forte. Porque fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente” (Clarice Lispector)

Mary (Isabella Rossellini) foi quem primeiro se deu conta da nova fase que chegara. Por conta de um lapso de memória: esquecera em como foi parar num quarto de motel com o marido. Ele, Adam (William Hurt), leva na esportiva a preocupação dela. Na verdade, ele nem se tocou. Mas fatos no transcorrer daquele dia, no seu trabalho, o fará repensar. Não em sua vida particular. Pois isso, na cabeça dele estava tudo indo bem. A questão era o impasse que a sua vida profissional se apresentava. Estava diante de uma encruzilhada. De um lado: aceitar um projeto que o sócio com dinheiro, Richard (Simon Callow, de “Quatro Casamentos E Um Funeral”, 1994.) queria muito que a Firma deles fizessem. Só que Adam, não apenas não queria aceitar, como tal projeto o faria pensar na velhice 24 horas por dia. Ele odiou até as novas mudanças que Mary fez na casa. Como as barras na banheira do quarto do casal. Só que sem perceber se apoiou numa para entrar na banheira. Não se trata de um spoiler porque a cena foi escolhida como cartaz do filme. O outro lado a escolher. Fora uma descoberta por acaso: ouviu sem querer a conversa de um grupo da Firma. E se o destino colocou na sua frente, não resistiria muito aquela tentação.

O projeto proposto por Richard, seria uma nova Flórida. Um Balneário para a turma da terceira idade, e rica, viverem, mas que atraísse também o desejo dos mais jovens. Com isso, ele teria que visitar asilos, conversar com muitos idosos… Mary até facilita um encontro desses. Leva um grupo do qual sua grande amiga Charlotte (Joanna Lumley) pertencia: Panteras Grises (Gris = de cabelos grisalhos. Uma entidade em defesa dos Direitos dos da Terceira Idade). Bem, o tiro saiu pela culatra. Por algo que uma delas falou sobre um Projeto do Adam. Fora um trabalho que lhe rendeu fama internacionalmente. Mas fez Adam perceber que ficou deitado nessa fama por muito tempo.

Já o outro projeto seria além de trabalhar com um grupo de arquitetos bem jovens, em dar uma cara nova a algo velho: uma arquitetura nova para um grande Museu. Algo que chamasse mais a atenção do que a Pirâmide do Louvre. Pois é, mesmo que, a grosso modo, um museu seja lembrado por guardar coisas velhas, essa arquitetura futurista teria encabeçando o nome dele. E isso era tentador também. Como também por quem estava à frente do grupo: uma jovem e cheia de gás Maya (Arta Dobroshi).

Acontece que para esse projeto Adam teria que captar patrocínio e isso ele nunca soube fazer. Como também ficou ciente que só o seu nome não valia mais para os jovens à frente de outras empresas. Ficara mal acostumado até com os cuidados da esposa durante a vida de casados.

Então, acabei falando mais dele em primeiro lugar do que dos conflitos existenciais da Mary. Mas viram o porque: o acorda dele veio pelo o que ele conquistara até então. Com a Mary não. Ela que vivera até então pela e para a Família, se vê perdida. Se sente invísivel, ou sentia-se antes de conhecer Peter (Hugo Speer), o dono da academia onde fora nadar. Pois procurando por um médico, ele receitara ginástica e também fazer um trabalho voluntariado. Além, pasmem! De que um dos remédios que receitara anteriormente, trazia esse efeito colateral: lapso de memória.

Se de um lado a ciência ajuda na longevidade de muitos, por outro também pode causar, ou acelerar novos danos. É como um aviso a uma medicação em excesso. Mas o filme também nos mostra, o quanto ela, a ciência, pode ser uma boa companheira. Tanto para Richard. Como para a mãe de Mary, Nora (Doreen Mantle). Nora me fez lembrar de Elsa, do filme “Elsa e Fred – Um Amor de Paixão“, também pelo jeito de aproveitar a vida. Meio clichê, mas quando se chega numa fase da vida, pode ser vista como: o primeiro dia do resto da nossa vida. Então, o melhor é vivenciá-lo como sendo o primeiro, sempre.

O primeiro “Acorda!” que Nora dá, é em específico para Mary. Depois, subjetivamente, traz dois, mas ao casal. Numa sociedade atual, tão mais afeita com o status, com aquilo que se tem, essas cenas nos mostra os reais valores. Charlotte também, ao seu jeito, tentou mostrar um deles a Mary. Até Richard, de um jeito torto, levou Adam também descobrir um deles. Os três filhos do casal – Giulia (Kate Ashfield), James (Aidan McArdle) e Benjamin (Luke Treadaway) -, bem que teram ajudar nessa. Mas talvez por deixarem certos ressentimentos aflorarem, tal ajuda veio como coadjuvante da de Nora, a avó deles.

Entre coisas do passado e do presente… o filme traz um merchan daqueles que se diz: “Que Excelente Sacada!” O Red Bull aqui ficará memorável!

É um filme que se vê com brilhos nos olhos. Uma história, e com atores mostrando todas as marcas do tempo numa cara sem maquiagem, seria algo que não interessaria Hollywood. Nem muito menos ao público bem jovem. O que é uma pena! Já que as reflexões os levariam a não carregarem bagagens inúteis em suas vidas futuras. O filme é um aprendizado sim, mas como já citei o faz sem didatismo. Mostra um envelhecer com respeito, elegância, e cheio de charme. Isabella Rossellini continua belíssima em vésperas de também completar 60 anos na vida real, e William Hurt adquiriu uma beleza ímpar com o sabor do tempo. A Trilha sonora também veio a somar a esse excelente filme. A música tema do filme é contagiante! Dá vontade de sair dançando. Lembra uma Banda da Lousianna, Mississipi. Não achei um vídeo com ela, então deixo o trailer. Não deixem de ver também esse filme.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Late Bloomers – O Amor não tem Fim (2011). França, Bélgica, Inglaterra. Direção e Roteiro: Julie Gravas. Gênero: Drama, Romance. Duração: 95 minutos.

Série de Tv: CHAVES

Chaves” é um seriado que conquistou o Brasil, se tornando um símbolo da TV mundial, uma produção televisa que é transmitida de uma geração para a outro.

Em seu contexto encontramos uma linguagem simples e totalmente cotidiana. O produtor se preocupa em resgatar a simplicidade da criança com a parte humorada dos adultos; transformado “Chaves” em um seriado de maior sucesso de todos os tempos. Os personagens são irreverente e cada um deles além do grande astro Chaves, tornaram personagens que todo mundo conhece e já deu boas risadas com os mesmo.

O seriado tornou-se um elemento que faz parte da cultura de um país. Os personagens são mexicanos, mas a sua identidade após anos no Brasil se tornou brasileira. O seriado invade as nossas casas há mais de 20 anos e durante todos estes anos nos divertimos e descontraímos como este humor incomparável e totalmente original.

A série nos mostra como clareza que não precisamos ir além para conquistar o sucesso e sim trabalhar com o simples, com o cotidiano, com o mundo a nossa volta.

A mistura perfeita de talento, humor e cotidiano fez do seriado um sucesso no Brasil e no mundo. Tal feito só foi possível graças à magnífica junção entre os grandes atores mexicanos que dão vida ao seriado e promove o seu sucesso durante todos estes anos.

Os idealizadores do seriado podem ser considerados gênio de uma produção televisiva que deveria ser imortalizada em um filme que provavelmente se tornaria o maior campeão de bilheterias de todos os tempos.

Eternamente lembraremos de Chiquinha, Kiko, Seu Madruga, Dona Crotildes (a bruxa do 71),  Seu Barriga, Dona Florida, Girafales, Chaves… Personagens que marcaram várias gerações e que marcará inúmeras outras.

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“Beginners” é um belo filme sobre amor, perda, vida, família, amizades e um cachorro falante (com uso de legendas). O roteirista e diretor Mike Mills me surpreendeu, fazendo um filme que tem um pouco de Woody Allen, com estrutura de filmes como “(500) Days of Summer” (2009), e, gastando apenas 3,5 milhões de dolares.

O filme começa com uma montagem de imagens narrado por Oliver (o sempre talentoso Ewan McGregor), um artista comercial que acaba de perder seu pai (Christopher Plummer). Com fotos diante dos nossos olhos, indo e voltando entre 1955 e 2003, a narrativa cresce e encanta, pois em poucos minuto, eu senti que conhecia Oliver e seus pais por anos.

Para quem é? 

ImagemPara quem gosta de um filme leve, e bem humano, “Beginners” é um aqueles filmes que encantam, e  não apenas por seu teor gay – o pai de Oliver sai do armário, quatro anos antes de sua morte. A mudança no estilo de vida do seu pai veio como um choque, mas sentimentos também a honestidade da relação entre Oliver e o seu pai.

Atores:

Provavelmente, Plummer vai levar o Oscar de melhor coadjuvante, e ele merece, mas seu personagem teria metade da humanidade que tem se ele não tivesse um parceiro de cena tão maravilhoso quanto McGregor. Achei que o filme é “quase” todo astro de “Moulin Rouge!” (2001).

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Na fase depressiva da sua personagem, Oliver conhece uma jovem atriz vivida por linda Melanie Laurent. Há uma atração instantânea entre eles, mas na cabeça de Oliver – por causa de sua melancolia – a relação parece encontrar barreiras. Entre as cenas de monólogo interior, Mike Mills brilha num truque narrativo, acrescando legendas entre o dialogo entre Oliver e o seu cachorro. Essa ferramenta apenas aumenta a forca dramatica de McGregor, que nos dar ainda mais introspecção no processo de pensamento de Oliver e suas decisões privadas.

Bem, o filme ilustra que a vida move rapidamente, e que cada um de nós temos que nos certificar que tevemos viver a vida ao máximo e nos cercarmos de pessoas que que nos ama, e amá-las de volta. E nos faz lembrar que a cada dia é um novo dia, e uma nova vida- sendo assim, posso dizer que somos todos iniciantes, certo?

Nota 9,0

2 Coelhos (2011)

Por Alex Ginatto.

Enfim uma esperança renovada de que “Tropa de Elite” não será a única coisa diferente que veremos no cinema brasileiro nos próximos anos. “2 Coelhos” é inteligente, rápido, ofegante, engraçado e muito mais.

Fiquei sabendo há poucos dias do filme e minha única referência era o trailer, cheio de ação hollywoodiana, grafismos integrados e cenas no melhor estilo americano. Tudo isso me levou a ir a uma sala de cinema na estreia, com apenas mais 6 pessoas na plateia, mas com um sentimento enrustido de que iria me decepcionar: “Devem ter colocado tudo de melhor do filme já no trailer…”, como já me ocorreu com dezenas de filmes.

Grato engano…excelente filme, efeitos que nunca imaginaria ver em um filme brasileiro, tantos e tão bem feitos que às vezes dava a impressão de exagero, mas esse é o ponto: o filme não é monótono, não tem um ritmo apenas, é um vai-e-vem de sequências, frequências e loucuras das melhores possíveis!

Além disso, o roteiro do plano de Edgar, o protagonista de Fernando Alves Pinto, é bem criativo, surpreendente, assim como sua atuação. Alessandra Negrini linda e louca, como sempre, dá um toque especial à personagem Julia.

O plano de Edgar fica exposto apenas na última parte do filme, é explicado por Julia de uma forma descontraída (acho até que não era necessário explicar, tornando o filme um pouco mais confuso e deixando aquela neura de “vou ter que ver novamente!”).

Não vou dar grandes detalhes para não gerar spoilers, mas o plano e o roteiro principal envolvem cerca de 7 pessoas, a maioria sem sabe o que está acontecendo. Envolve dinheiro, vingança, poder, corrupção e amor, muito amor. Lindas cenas das “viagens” de Julia, com uma música de comercial de banco, daquelas que mexem com nossa alma.

O filme ainda dá umas cutucadas em todos os brasileiros, desde os corruptos, passando por personalidades fúteis criadas pela TV (o mais legal é ler as notinhas do rodapé do jornal que passa na TV durante a notícia de certa explosão, quebra totalmente o clima “in a good way”), e chegando a nós, maioria, que estamos acostumados e relaxados com os problemas do nosso país, mesmo sabendo que eles existem (um pouco do que foi feito em “Tropa de Elite 2″).

Enfim, veja! E recomende, espalhe sua opinião!

Se você é fã do estilo de Quentin Tarantino ou Guy Ritchie, deve correr para o cinema!
Nota 8.

“2 Coelhos”. 2011. Brasil
Direção e Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler
Trailer:

Românticos Anônimos tem momentos impagáveis! Com situações extremas e exageradas passa longe da caricatura permitindo que o tímido se veja ali bem representado por aqueles seres tímidos ao limite da patologia.
Ela é uma criadora de chocolates, perfeita no que faz, elabora as texturas, sabores e aromas fabricando os melhores chocolates do mundo, mas possui uma imensa timidez daquelas que não permite ser o centro de atenções. 
 Ele é dono de uma fábrica de chocolates decadente á beira da falência, tímido e incapaz de se aproximar fisicamente das pessoas, principalmente mulheres. Perde a voz, tem sudorese e ambos provocam o caos. Conscientes das suas limitações ambos se cuidam, ele com um terapeuta que lhe recomenda exercícios, ela num grupo de ajuda cujos depoimentos começam sempre com a frase “eu sou emotivo”(a).
Não há nada que façam que não termine em trapalhadas, mas tudo é tão natural! O filme é delicioso feito  comida caseira, daquelas que sem nenhum aspecto mirabolante, satisfaz e deixa feliz. Nenhum rosto famoso, nenhuma beleza extraordinária, nenhum efeito especial, apenas um filme onde os não tímidos e sem neuroses  (ou sem nenhuma extrema) devem se sentir duplamente feliz por não correrem tantos riscos na vida.
A moça vai procurar um emprego e devido a dificuldade de comunicação consegue um cargo que nada tem a ver com ela, de representante comercial de uma fábrica cujos  produtos  perderam mercado por  falta de inovação. Ela é guerreira, vai à luta e eles vão conseguindo resultados positivos nas soluções complexas de problemas simples como sair, se apaixonar, sim mesmo o que e solução torna-se um problema de soluções deliciosas encontradas pelo diretor  Jean-Pierre Améris.
Engraçado, simples, divertido, doce como um bom chocolate  Vale a pena ver!
Nota? 10
Gênero: Comédia e Romance
Duração: 80 min.
Origem: França e Bélgica
Estreia: 23 de Dezembro de 2011
Direção: Jean-Pierre Améris
Roteiro: Jean-Pierre Améris e Philippe Blasband
Distribuidora: Imovison
Censura: 10 anos
Ano: 2010

Fui ver “A Fonte das Mulheres” embalada pela expectativa de assistir a uma comédia, no entanto,  é  um filme com momentos de humor e que bom, a abordagem no estilo de fábula agregado ao humor permite que se apreenda a história da comodidade e do machismo humano sem revolta, liberando  nossa capacidade de observação.

 SOCIEDADE                                                                                                                                             A verdade de que a injustiça só é realmente injusta quando nos atinge. O tabu da obrigatoriedade da mulher satisfazer o homem, ainda que ela não tenha orgasmo. A mudança nos papéis sociais que chegam  em caráter de emergência e tornam-se tradições com o respaldo daqueles que passam a se beneficiar. A história leva o nosso olhar para a importância da educação num contexto onde a manutenção da ignorância  de uma parte do povo passa a ser o interesse pela parte dominante, sem que necessariamente  os dominadores deixem de ser ignorantes criando um sistema de  exploração institucionalizada do ser humano, um ciclo que somente a coragem aliada ao preparo,  ao estudo é capaz de romper.

HISTÓRIA

Então os homens iam às guerras para defender suas famílias, plantações e territórios e  as mulheres assumiram as funções das suas casas e aprenderam a viver sozinhas, executando trabalhos árduos.  Chega o dia em que não há mais inimigos para se combater e os homens cuidam das suas plantações e comércio, até que chega uma seca que se estende por anos, excluindo essas atividades masculinas da suas listas de tarefas, que são substituídas pelo ócio, fofoca, preguiça corrupção e suas necessidades de satisfação sexual.
Para se ter água na aldeia as mulheres sobem a uma distante fonte no alto de uma montanha, sob um sol de mata. Mesmo as grávidas são obrigadas a esta tarefa ainda que pesada, o que causa acidentes levando a ocorrência constante de abortos e claro, às mulheres que não conseguem ter seus filhos é atribuída a fama de incompetentes.  Por tantos afazeres importantes no grupo, é vedado às mulheres o direito de aprender a ler e escrever, elas nessa vida embrutecida com rotina dura, vão por acaso ter tempo de pensar nisso?
Além das atividades de rotina ainda compete a elas divertirem com seus cantos e danças os turistas que trazem divisas para sua cidade, divisas essas consumidas pela corrupção dos governantes que não cuidam da infra-estrutura das cidades para que o progresso não chegue, num raciocínio simples é explicado que tendo luz elétrica a mulher irá querer uma máquina de lavar, o que  acarretará uma conta alta par ao marido pagar e dará a ela tempo livre. Com o tempo livre, a mulher há de querer estudar se instruir e assim não será mais dócil e obediente. Simples assim. Algo de outro mundo? Não. 
FÁBULA:
Leila é estrangeira casada por amor com um professor e tem uma sogra digna das bruxas dos contos de fadas, perde um bebê por causa de um tombo a caminho da fonte e precisa conviver com a felicidade de outra mulher que acaba de dar à luz um filho homem. Diante de tanta opressão e trabalheira, restam a essas mulheres o único poder que lhes resta, o sexo e partem para uma greve de amor. E é de amor que nos fala esse filme, o amor, único instrumento capaz de mudar tradições  impostas justamente por  falta dele. Também fala do quanto mulheres podem ser insensíveis às parceiras de infortúnio, do tabu da virgindade, dos casamentos tratados pelas famílias, das interpretações convenientes dos dogmas religiosos, da influência das autoridades religiosas nas vidas das pessoas e na administração do Estado. Da ausência do poder de decisão das mulheres nas questões intrinsicamente femininas.
O FILME Rodado no Marrocos, representando uma aldeia  num ponto remoto do  Oriente Médio, é inspirado numa história real acontecida na Turquia em 2001 e faz alusão à peça “Lisístrata”, de Aristófanes  que por sua vez inspirou Chico Buarque e Augusto Boal a compor a canção  ”Mulheres de Atenas”.
Tem um elenco que mistura rostos de atores conhecidos com atores que não conhecemos,  falado em árabe fortalece a carga de drama e empresta textura às piadas nos Sá a sensação de que tudo isso foi há muito tempo, muito tempo num lugar muito distante de nós…
A Fonte das Mulheres vendeu meio milhão de ingressos na França em apenas um mês e foi indicado à Palma de Ouro no último Festival de Cannes, tudo dentro  da trajetória  de sucessos  do diretor, judeu romeno Radu Mihaileanu: “O concerto” (2009) e  ”Trem da vida” (1998). É um filme com uma fotografia linda, belezas exóticas, uma trilha sonora usada como recurso a se admirar uma cultura da qual nos mostra aspectos críticos e performances excelentes. Ficha técnica:
A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes) – 135 min
Bélgica, Itália, França – 2011
Direção: Radu Mihaileanu
Roteiro: Alain-Michel Blanc 
Elenco: Leila Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Saleh Bakri, Sabrina Ouazani, Hiam Abbass, Mohamed Majd
Estreia: 20 de janeiro 

Fizeram uma homenagem ao escritor Charles Perrault, criador do “Gato de Botas“. É que em vez de uma Galinha dos Ovos de Ouro, colocaram uma Mamãe Gansa por conta do livro de contos infantis “Contos da Mamãe Gansa“, publicado em 1697; sendo um desses conto o do Gato de Botas. Cujo resumo da história é: Um moleiro possuia três bens: um moinho, um burro e um gato. Ele resolve repartí-los entre os três filhos na hora da morte. O filho mais moço, que recebeu o gato, ficou muito descontente, mas o gato demonstrou que um amigo leal e astuto vale mais que as riquezas.

O porque disso foi que deram uma nova história para esse famoso personagem que povoou o universo das nossas infâncias. Válido essa mudança? Sim! Não apenas pela liberdade poética que todos Roteiristas e/ou Diretores têm, mas também porque pelo o que li, pode ter continuações. O Roteirista principal dessa nova história é o mesmo que fez o soberbo “Como Treinar seu Dragão“, William Davies. Ele manteve a essência do original: Amigo leal, e de uma muita astúcia quando em perigo. Sacana, mas de índole boa.

Essa nova versão traz como pano de fundo, ou como nos finais dos Contos Infantis (De um tempo onde havia “estória” e “história”.), a moral da estória : o valor de uma verdadeira amizade. Bom, já que direcionado muito mais a um público infantil. Até porque essa amizade foi colocada em xeque: um não suportou ficar à sombra do outro. Ciúme, orgulho ferido, o ter sido preterido, o se sentir o patinho feio… Enfim, tudo isso seriam coisas momentâneas se não trouxesse como algo nato. Preocupado só em ter uma riqueza, a título de comprar um bem querer dos outros, levou a vida só planejando tal meta. Esquecendo-se do algo importante: viver a jornada. Me estendi nesse ponto porque é um filme que pode ser debatido em Sala de Aula. Uma sabedoria a mais para essa nova geração: valores morais e essenciais.

A amizade que nasceu dentro de um orfanato, parece que para um deles morreu também ai, mesmo tendo recebido carinho da dona desse lar adotivo: Dona Imelda. Ele é Humpty Dumpty. Esse personagem é de outro também grande escritor: Lewis Carroll. Que simboliza a instabilidade, ou o tentar equilibrar duas forças que se opõem em si mesmo. Numa linguagem simples: o lado do mal e o do bem. Será alguém que carregará esse peso, não apenas na consiência, como também nas ações. Para que lado penderá.

Onde Humpty Dumppty traz uma identificação, é no fato de por em prática seus desejos. Que na trama do filme está ir buscar quem produz os ovos de ouro. A aventura em si que fará seu amigo vivenciar, é fascinante. A grande questão é o que está por trás desse seu gesto. Conflitos que terá que arcar, já que é um problema dele, e não do amigo.

Gato de Botas é nome e sobrenome. As Botas representam quase uma comenda. Como um título de nobreza. Então, nessa versão elas são mais do que calçados mágicos. E algo que conquistou por um feito heróico. Gesto esse que mais tarde saberá que marcou o começo do fim numa amizade que a seus olhos seria tão promissora: Gato de Botas e Humpty Dumpty – amigos para sempre.

Chris Miller trouxe dos “Shrek” para esse filme aquela carinha que ficou memorável com esse personagem: o olhar de menininho carente. Que por esse gesto, seduzia até o mais durão dos vilões. E que como sabemos de que se trata de um estratagema, seu uso nessa versão também diverte. Os fins justificando os meios.

Como o Gato de Botas ganhara má fama como consequência de acreditar cegamente no amigo, só restou-lhe deitar nessa cama. Assim, de um francês da história original, nessa versão vem como um amante latino, de sangue espanhol. Um Don Juan das gatas. Embalado por uma Trilha Sonora sensacional: caliente, envolvente, vibrante… Nota 10!

Acontece que uma gata lhe dará grande trabalho não apenas na conquista, mas também na parceria arquitetada por Humpty Dumpty. Ela é Kytty Pata Macia. Recebeu essa alcunha pela leveza em roubar os outros sem que ninguém percebesse. Um duelo de dança entre esses dois gatos é de querer rever! E junto com eles, Humpty teria muito mais chance de roubar os Feijões Mágicos, como também escalar o pé de feijão até o castelo onde vivia a gansa que botava os ovos de ouro.

A beleza plástica de o “Gato de Botas” é deslumbrante! De querer até ver cada desenho. Cada Fotografia de tirar o fôlego. O Gato de Botas também merece uma Nota 10. Eu só não gostei muito da imagem da Kitty, não ficou feminina. Muito embora como ela é um felino criado nas ruas, ai sim ficou perfeita. Nota 10, também!

Agora, todo esse aprimoramento teve momentos de levar o filme nas costas. Não sei se por conta de um cansaço físico meu, mas o certo é que teve momentos que ansiei de o filme acabar logo. Não sei se também a história ficou literal demais. Como se quisessem contar toda a história pregressa dele nesse primeiro filme. Até meio que encaixando, e não explicitamente, como ele foi parar depois na “Terra de Tão Tão Distante”, onde vivia o Shrek.

O que também me levou a pensar que uma Animação como “Um Gato em Paris” cujo desenhos são até simples me prendeu muito mais a atenção. Como também eu não vi em 3D, pode ter sido esse o motivo de ter sentido um certo tédio. Se o filme me encantasse por um todo, eu até voltaria a rever, sendo que dessa vez em 3D. Lances assim onde o próprio Diretor diz publicamente que concebeu o filme em 3D, mas que acabou ficando mais uma muleta do que um coadjuvante, ainda me leva a não ver com bons olhos essa febre do 3D. E James Cameron ainda figura sozinho no topo dos longas que usaram com perfeição essa tecnologia, com o seu “Avatar“. Bem, um que brincou com o 3D e nos brindou com tal uso, foi o Diretor Tim Burton. Os Diretores em geral deveriam repensar, e várias vezes, antes de basearem um filme nesse recurso. Até porque muita tecnologia às vezes atrapalha, como também ainda não há muitas Salas para 3D ao redor do planeta. Sem contar do preço do ingresso: nada popular.

Por conta disso, o filme por um todo recebe uma Nota 9. Mas sem me deixar desejando por uma continuação.

Ah, com essa nova “onda” das Animações só serem exibidas em cópias dubladas, segue aqui dois trailers. O primeiro dubado, e o outro legendado. Como eu já comentei num texto, nada contra os Dubladores do Brasil, a questão é em nos dar o direito em optar em assistir na versão original -legendado -, ou dublado.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gato de Botas (Puss in Boots. 2011). EUA. Direção: Chris Miller. Gênero: Animação, Aventura. Duração: 90 minutos. Página no IMDb com mais detalhes da Ficha Técnica. A listagem com os nomes das Vozes no Brasil: Dubladores.

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