Boyhood: Da Infância à Juventude (2014)

boyhood_2014_posterPor Luz de Luma.
A banalidade da vida é tediosa para aqueles que estão fora dela.

boyhood_2014_personagensDoze anos se passaram em marcha lenta desde que Yellow tocava. O mundo continuava a girar e canções, filmes, videogames e livros serviam de referência para aqueles dias.

Boyhood“, o filme que levou 12 anos para ser feito.  Vale conferir o trailer e imaginar o que se passa na vida de um garoto dos 5 aos 18 anos. Mason (Ellar Coltrane), cresce na tela diante de nossos olhos. Foram usados os mesmos atores em todos os anos de filmagem; eles se encontravam alguns dias por ano entre 2002 e 2013. Ethan Hawke e Patricia Arquette interpretam os pais, Lorelei Linklater, a irmã de Mason em torno do qual gira o filme.

Escrito e dirigido por Richard Linklater, da trilogia: “Antes do amanhecer”, “Antes do pôr-do-sol” e “Antes da meia-noite”, é um filme ambicioso e diferente de qualquer outro já feito. É ao mesmo tempo uma cápsula nostálgica do tempo do passado recente e uma ode ao crescimento e parentalidade. É impossível não assistir Mason e sua família, sem pensar em nossa própria jornada.

Quando recebi o convite para assistir “Boyhood“, aceitei rapidinho por ser fã do trabalho de Linklater. Eu realmente gostei da trilogia de “Antes do Amanhecer” que também contou com a participação de Ethan Hawke. Mas não foi amor à primeira vista. Quando assisti achei monótono e com muito blá-blá-blá, até que entendi toda a tônica de uma história baseada em fatos reais. Ficou mais interessante. Foi como fechar um livro e começar a lembrar cada vez mais das partes e perceber que é um filme em que as mensagens (diálogos) são mais importantes que a história em si.

boyhood_richard-linklaterInfelizmente Amy Lehrhaupt morreu um ano antes do primeiro filme ser lançado; foi ela a mulher que passou uma noite com Richard Linklater em 1989 e o inspirou a escrever: “Da meia-noite a seis da manhã (…) andando por aí, flertando, fazendo coisas que você nunca faria agora“. O encontro, por acaso, foi dentro de uma loja de brinquedos e antes de se despedirem, seguiu-se a conversa:
Ele: “Vou fazer um filme sobre isso.”
Ela: “Como assim, isso? Do que você está falando?
ELe: “Apenas isso. Este sentimento. Essa coisa que está acontecendo entre nós“.

E minhas expectativas foram atendidas, em ambos os casos e estou admirada com a ambição e paciência para produzi-los. Ainda mais porque “Boyhood” não é enigmático, apesar de acompanhar o envelhecimento dos personagens envolvidos, mas não é o foco central e a história se move de forma natural, não há tensão artificial e dramas inventados para manipular o público. Realmente capta o sentimento do que é ser jovem para muitas pessoas. Mas nem todas, é claro. Nem mesmo para todos os meninos. Qual é a minha queixa sobre o filme: O título é horrível.

boyhood_a-familiaAs escolhas dos pais e as interferências que essas escolhas causam no futuro dos filhos. Escolhas feitas em busca da sobrevivência, exigindo resistência e força. E vidas são moldadas pelas escolhas ou pela falta de opções? Os pais podem sair de casa, mudar de cidade e carregar os filhos como se eles fossem ocos e sem apego, que não sentirão saudades, que na infância muita coisa será esquecida e que muito se perderá na memória.

A questão é que a memória é feita de uma forma para não apenas termos lembranças, mas dela tirarmos base para que acontecimentos futuros entrem no roll das boas memórias, ou não. Freud afirmou que “sofremos de reminiscências que se curam lembrando”, na pior das hipóteses, são as reminiscências também a causa de todos os males.

boyhoodO Aparelho psíquico interage e reflete no corpo, pois também é um órgão. Ele precisa se alimentar de ações e pensamentos saudáveis. Lembrando um fato, ampliamos a ideia da reconstrução histórica, repetindo e recolocando no presente aquilo que não teve lugar psíquico em seu próprio tempo. Lembrar é colocar na consciência do ego, que evolui o fato e esse passa a significar.

Quando o assunto é o padrão humano, ele não tem que responder por todos os outros. Não é como preencher um formulário em que se verifica a escrita sempre na mesma “caixa” (espaço) de resposta.

É sucesso, virou meme!! “Cathood” (ou “Boyhood – Cute Kitten Version”), Manboyhood, Potterhood (Harry Potter), Apehood (Planeta dos macacos)…

Boyhood: Da Infância à Juventude (2014). EUA. Direção e Roteiro: Richard Linklater. Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, +Cast. Gênero: Drama, Família. Duração: 165 minutos.

P.s: Segue o link do texto original: http://luzdeluma.blogspot.com.br/2014/08/a-banalidade-da-vida-e-tediosa-para.html

A História da Eternidade (2014)

A-Historia-da-Eternidade_cartazPor: Eduardo Carvalho.
Algumas vezes, nos primeiros minutos de projeção de um filme, você sente que está presenciando o início de uma obra-prima. Pode ser apenas sua percepção. Pode ser que seja uma obra-prima.

A-Historia-da-Eternidade_2014Um ponto de partida banal: três estórias de amor que acontecem em um vilarejo do sertão. Porém, o desejo que transborda dali terá consequências profundas sobre os seus habitantes. “A História da Eternidade” tem nessa simplicidade do enredo um de seus grandes trunfos. A partir disso, o diretor e roteirista Camilo Cavalcante desenvolve um roteiro com uma poética sem igual, cuja narrativa flui como as ondas do mar que Alfonsina (Débora Ingrid) tanto quer conhecer. A jovem, prestes a completar 15 anos, é uma das três mulheres, protagonistas de suas estórias, sendo as demais Querência (Marcélia Cartaxo), na faixa de seus 40 anos de idade, e Das Dores (Zezita Matos), uma avó viúva e sozinha. Há ainda o pai controlador de Alfonsina, Nataniel (Claudio Jaborandy), seu irmão artista Joãozinho (Irandhir Santos), o sanfoneiro cego Aderaldo (Leonardo França), e o neto de Das Dores, Geraldo (Maxwell Nascimento).

Três estórias de amor intenso, que, no entanto, podem fracassar. Pois, como um pêndulo, cada vida que se pauta pelo desejo encontra sua contrapartida no outro extremo. Morte, vida, morte. Não é nada menos do que isso que se vê na tela, desde a bela e dolorosa sequência de abertura. Ainda que longe da forma grega clássica, o desenrolar de cada relação dá sinais do que poderá acontecer. A semente de cada paixão traz em si sua própria força trágica.

A-Historia-da-Eternidade_2014_01A serviço da poética com que as estórias são narradas, a fotografia de Beto Martins é fundamental. Seu trabalho explora tanto o brilho seco do árido nordestino quanto o chiaroscuro no interior de cada casa. Nas tomadas exteriores, como o plano-sequência que abre o filme, os personagens são vistos como parte integrante da paisagem, reféns de um destino contra o qual não conseguem lutar; ali ficarão. E no trabalho de luz e sombra nos interiores, são revelados todos os prazeres e todas as dores, em cada rosto, em cada detalhe dos corpos. A união da câmera, estática por minutos, junto à fotografia, causa a sensação de vermos telas renascentistas ambientadas no sertão.

Mesmo que a poesia aqui presente seja extraída de outras fontes, a beleza de “A História da Eternidade” pode ser comparada a outra obra com a mesma beleza: “Lavoura Arcaica”. Embora a adaptação do texto de Raduan Nassar seja, em si, a essência da tragédia desde o inicio anunciada, no mais está tudo aqui: a intensidade contida de uma estória de amor fadada à tristeza, em razão do tabu; a fotografia atuando em uníssono com a narrativa, emprestando-lhe parte do lirismo; um conjunto de atuações onde todo o elenco está extraordinário. Falar de Irandhir Santos já se tornou lugar comum. O ator reforça a cada papel seu posto como um dos grandes de sua geração. Aos trinta e seis anos de idade, presente em cinco produções em 2014, é um assombro em cena. Durante as sessões do filme na 38ª Mostra Internacional de Cinema, um dos comentários acerca de sua atuação era da obrigatoriedade de que ele passe a ter, de agora em diante, um número musical em cada filme em que atue. Mas não só ele. A Querência de Marcélia Cartaxo tem expressões que não necessitam de palavras, deixando o luto pela insistência de uma sanfona. Claudio Jaborandy é um pai sertanejo apegado à dureza da sua terra, que não admite os sonhos da filha, pois ele mesmo deixou de sonhar. Zezita Matos sintetiza em Das Dores – assim como Querência, um nome não escolhido ao acaso – os conflitos de todos os sentimentos estampados na tela. E a menina Débora Ingrid, com sua Alfonsina, levou merecidamente o prêmio de atriz no Festival de Paulínia de 2014. Dividido, curiosamente, com Marcélia e Zezita. A produção levou ainda os prêmios de filme do ano e ator, para Irandhir.

camilo-cavalcanti_diretorAo perder, ainda que sem ser incoerente, parte dessa poética na terceira parte, especialmente com relação ao destino de um dos personagens – segundo Camilo Cavalcante, o roteiro original previa outro desfecho para Geraldo e Das Dores –, as últimas cenas, focando as três protagonistas como vértices de um só triângulo, e fechando em Alfonsina com seus olhos fechados, são de uma beleza sem igual.

Se, nos primeiros minutos de projeção, você sentia estar presenciando o início de uma obra-prima, poderia ser apenas sua percepção. Ao final, poderá considerar que “A História da Eternidade” seja uma obra-prima.

A Gangue (Plemya. 2014)

A Gangue_2014Por: Eduardo Carvalho
O cinema é uma arte que mistura vários elementos e linguagens. Texto, som, luz, cenografia, movimentos de câmera guiam o espectador para que ele assimile e desfrute um filme. O que dizer, então, quando um dos elementos fundamentais à compreensão está ausente?

Vencedor da Semana de Crítica em Cannes 2014, o ucraniano “A Gangue” traz uma proposta inusitada, talvez inédita nesses pouco mais de cem anos de cinema. Conta a estória de um rapaz que chega a um internato para adolescentes, e após sua iniciação, logo é admitido na gangue do título, um grupo de jovens estudantes que se impõem pela força sobre os demais e exploram a prostituição de suas colegas. A questão é que o filme é narrado e interpretado em linguagem de sinais, sem uma única linha de texto verbalizado, sem legendas, sem os conhecidos quadros explicativos dos filmes mudos. Sem música. Apenas a captação do som ambiente. Nada mais.

a-gangue_2014A sinopse indica uma obra com índices de agressividade e promessas de polêmica. E, logo após o primeiro longo plano da festa, é o que o filme entrega ao público. O protagonista chega ao local timidamente, e embora tente resistir, vai sendo enredado em um crescendo de tensão e violência, a ponto de ele próprio tornar-se extremamente violento. Até mesmo a relação afetiva que ele cria, pela própria natureza do envolvimento, torna-se parte decisiva de toda a brutalidade, contribuindo para o desfecho.

Com toda a força da estória em si, e o realismo incômodo de algumas sequencias, a ousadia da proposta narrativa é o que se sobressai. Para o público em geral, que não domina a linguagem de sinais, todo o desenvolvimento da trama é plenamente compreensível na sua totalidade. Isso é facilitado pela quantidade de planos-sequência, tanto estáticos quanto móveis, e os detalhes da comunicação entre os personagens em suas discussões tornam-se irrelevantes. Somada à da fala, a ausência de música – os sons presentes são passos, portas batendo, urros de dor – torna o espectador mais atento ao que se desenrola na tela; a vida real pode ter falas ou não, mas certamente não tem trilha sonora. A ausência de um melhor delineamento moral, com possíveis ambiguidades de cada personagem, o que poderia dar maior profundidade ao filme, abre espaço a uma brutalidade urgencial de determinados planos, inserida naturalmente em um filme com este conceito, que, mais uma vez, reforça a noção de que a produção de países europeus em crise, como a Ucrânia, reflete o momento pelo qual as pessoas estão passando. Nesse sentido, o filme segue obras como os recentes “Instinto Materno”, da Romênia, e o grego – e também polêmico – “Miss Violence”.

Se o primeiro longa do diretor Myroslav Slaboshpytskly passa ao largo de outras obras que se valem da ausência do texto falado, como o belo “Blancanieves”, e principalmente o reflexivo “As Quatro Voltas”, “A Gangue” é uma obra que aposta na utilização dos demais sentidos de percepção do espectador, ampliando as possibilidades da linguagem cinematográfica.

A Gangue (Plemya. 2014). Ucrânia. Direção e Roteiro: Miroslav Slaboshpitsky. Elenco: Grigoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy. Gênero: Crime, Drama. Duração: 130 minutos.

Winter Sleep (Kis uykusu. 2014)

Winter Sleep 01Por: Eduardo Carvalho.
No meio da Capadócia, um ex-ator de teatro é proprietário de um hotel, além de dono de metade das casas do vilarejo. Enquanto exerce seu poder, entre conflitos com os inquilinos, com a irmã e a jovem esposa, Aydin escreve artigos para sua coluna em um jornal local, e prepara uma grande obra sobre a história do teatro turco.

Winter Sleep 02A sinopse de “Winter Sleep” não diz muita coisa. No entanto, as próximas 3h16m de projeção, iniciadas com um zoom que adentra a cabeça do protagonista, irão mostrar o que se passa com esse homem. Sujeito arrogante em sua pretensa intelectualidade, esta o torna, em sua própria ótica, superior aos demais à sua volta. Assim, Aydin julga ter o direito de desprezar e espezinhar os outros, com os quais, aliás, mal se relaciona diretamente; é com os fãs de sua coluna, que reverenciam a ele e a seus textos, que ele encontra combustível para sua prepotência. Em uma das longas conversas que trava com sua irmã Necla, onde ela aponta a insignificância do alcance do jornal local, ele diz algo como: “Eu sei que o palácio é pequeno. Mas, ainda assim, por que não ser rei ali?”. Nos embates com Necla e a esposa Nihal, Aydin poderia ter algum lampejo de consciência. Mas não; quando confrontado, ele demonstra claramente sua vileza e mesquinhez, deixando cair o verniz de bondade. Ao tentar tirar de Nihal a única coisa que a mulher pode realizar fora de sua órbita, ele tenta convencê-la – ou a si mesmo – de sua preocupação com o bem-estar da esposa. Inutilmente.

Além da clara qualidade do texto, que fez alguns lembrarem de Tchekov, o trabalho de Nuri Bilge Ceylan tem um elenco afiadíssimo e um trabalho de fotografia à altura. Haluk Bilginer faz seu protagonista longe do overacting típico de Hollywood, com extrema contenção e sutileza nos gestos e sinais que desmascaram o personagem, como o risinho de escárnio. Melisa Sözen tem grandes momentos com o protagonista e com o professor, com a intensidade própria da ingenuidade de sua Nihal. Os planos mais fechados e escurecidos contribuem para a densidade da obra, em um ótimo trabalho em conjunto com o texto.

Winter Sleep 03Um protagonista como Aydin ou a duração do filme seriam fatores para dificultar a aceitação de “Winter Sleep”. Mas Ceylan não fez concessões. O tempo provou que estava certo; levou a Palma de Ouro de 2014. É o reconhecimento mais do que justo desse extenso painel sobre a predileção pelo intelecto ante o contato humano e as relações de afeto, retratando esse homem que escolheu a solidão decorrente de sua triste vaidade.

p.s: Visto na 38ª Mostra Internacional de Cinema. Ainda sem data para entrar no circuito comercial..

RELATOS SELVAGENS (2014). Rindo da Própria Desgraça!

relatos-selvagens-2014_cartazPor Eduardo Carvalho.
A vida contemporânea pode deixar a todos com os nervos à flor da pele. Problemas financeiros, emocionais, uma crise no casamento. O descaso do serviço público com o cidadão. Um xingamento aqui e ali, no meio do trânsito das grandes cidades.

Em cima de situações cotidianas, que a princípio poderiam ocorrer com qualquer um, Damián Szifron escreveu e dirigiu as seis estórias que compõem “Relatos Selvagens”. Estrondoso sucesso na Argentina, exagerando cada situação a ponto de deixá-la à beira do inverossímil, o filme faz rir de pequenas tragédias do dia-a-dia que tomam proporções absurdas, por conta da reação explosiva de cada protagonista. E o faz de forma engraçadíssima.

relatos-selvagens-2014_01O prólogo, que se apresenta como um encontro casual num avião, revela-se um maquiavélico plano de vingança do verdadeiro protagonista – que não aparece, mas apenas citado –, um músico erudito fracassado. Em seguida, uma garçonete hesita em executar sua vingança contra o responsável pela morte de seu pai, numa lanchonete largada à beira de uma estrada. O terceiro episódio é um bizarro embate digno de “Encurralado”, de Steven Spielberg, onde um simples xingamento na estrada leva a um duelo entre os motoristas de um Audi último tipo e de um sedã caindo aos pedaços, ao som de um hit romântico dos anos 80. O episódio com Ricardo Darin mostra mais um homem comum, de temperamento explosivo, que se vê às voltas com a burocracia do trânsito, perdendo a paciência e a razão, ao utilizar suas habilidades para se vingar do sistema – o personagem é perito em implosões. O penúltimo episódio, o único com final verdadeiramente trágico e não menos irônico, mostra uma família abastada tentando livrar o filho, que atropelou uma grávida, das garras da justiça, com um jogo de corrupção. Por fim, a última estória mostra uma festa de casamento explodindo de ressentimentos, violência, sexo e sangue, todos misturados no bolo dos noivos.

A simples sinopse de cada estória não é o bastante para revelar o tom mordaz e hilariante que Szifron imprimiu à obra como um todo. O único elemento que liga as estórias é a barbárie, e é o elo que basta. Cada protagonista teve seu ataque de nervos almodovariano – não por acaso, o diretor espanhol e seu irmão produzem o filme –, perdendo absolutamente o controle de suas ações, pois sente que perdeu o controle de sua vida. De modo planejado ou passional, cada um deles expressa o rancor de vítima que é de uma sociedade em crise, econômica e de valores, onde o menor fator pode transformar-se na gota d’água que irá gerar uma discussão, uma briga, um homicídio.

A montanha russa de emoções com que Damián Szifron lança os espectadores de “Relatos Selvagens” une o nonsense do Monty Python à brutalidade de Quentin Tarantino para retratar, de forma terrivelmente engraçada, os absurdos de que o homem do século XXI é capaz em um dia absolutamente normal.

Panorama do Festival do Rio 2014 – parte V – Documentário: Peter de Rome: Vovô do Pornô Gay (2014)

peter-de-romePeter de Rome: Vovô do Pornô Gay” é mais um documentário fraco da mostra. Dirigido por Ethan Reid, a verborreia convida o espectador ao sono mais profundo para acordar somente nas poucas e válidas cenas de sexo explícito.

Na década de 60/70, o cineasta inglês Peter de Rome corajosamente realizou dezenas de filmes pornográficos gays quando a homossexualidade ainda era crime. Os filmes, sem grande qualidade técnica, possuíam notável valor criativo a ponto de chamarem a atenção do artista Andy Warhol e serem restaurados e catalogados pelo British Film Institute.

As sequências com homens negros, a visita ao estúdio do célebre realizador de filmes gay Kristen (Carnaval in Rio) Bjorn e os detalhes inacreditáveis das filmagens de sexo real (underground) dentro de um vagão de metrô lotado merecem destaque.

Infelizmente, o clima hedonista que reina nas cenas de sexo e nas locações em Fire Island é prejudicado com longas entrevistas de pouco conteúdo, o que não leva a recomendar o filme.

Por: Carlos Henry.