Série: The Walking Dead (2010 / )

the-walking-dead_serie-de-tvThe-Walking-Dead_Rick-GrimesPor Rafael Munhoz.
Os fãs mais fissurados por The Walking Dead, como eu, já podem começar a fazer contagem regressiva para o retorno da série. Faltam menos de dois meses para a estreia da quinta temporada de uma das séries mais comentadas do gênero. Tudo bem que ainda falta tempo para dia 12 de outubro, mas a expectativa em torno das histórias de Rick Grimes (Andrew Lincoln) e sua turma nos levam a várias imaginações sobre o que está por vir.

A produtora Gale Anne Hurd divulgou novidades sobre o quinto ano da série. Se você ainda não leu, veja as curiosidades:

the-walking-dead_quinta-temporada

- A quinta temporada se inicia de onde o quarto ano parou, ou seja, sem salto temporal.
– O novo ano vai sair da floresta rumo a cenários mais urbanos.
– Nem todos estão de acordo com a jornada rumo a Washington — afinal, temos os otimistas, os pessimistas e aqueles que acreditam que voltar ao cenário urbano é perigoso demais.
– Segundo Hurd, não devemos nos preocupar com Carol, apesar de a personagem não ter aparecido tanto no trailer promocional.
– Não teremos muito romance para Daryl. Segundo a produtora, “existem pessoas que querem que ele fique com a Carol, outros que ele se envolva com Beth. Não importa o que façamos, acredito que não faremos todos felizes”.
– Teremos dois arcos novamente. “Existem finais distintos naturais para narrativas em particular que serão revelados durante o episódio final antes da pausa e recomeçam na estreia do ano que vem”.
– Mais uma vez, teremos personagens separados uns dos outros. Dessa forma, ainda veremos episódios em que grupos diferentes são revelados e outros em que haverá foco apenas em poucas pessoas.
– Sobre as mortes: “Não seria The Walking Dead sem algumas lágrimas”.

Vamos aguardar!!!

CuriosidadesThe Walking Dead, série de televisão norte-americana. Aventura, Drama e Terror num mundo pós-apocalíptico. Desenvolvida por Frank Darabont. Baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

SinopseA série é protagonizada por Andrew Lincoln, que interpreta Rick Grimes, um vice-xerife que acorda de um coma e descobre-se em um mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis. Ele sai em busca de sua família e encontra muitos outros sobreviventes, ao longo do caminho. O título da série refere-se aos sobreviventes, e não os zumbis.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive. 2013)

amantes-eternos_2013O novo filme de Jim Jarmusch, “Amantes Eternos“, retrata o cotidiano de um sofisticado casal de vampiros do século XXI. Tão modernos a ponto de viver em continentes separados, Adam (Tom Hiddleston) em Detroit – U.S.A. e Eve (Tilda Swinton) em Tangier – Marrocos.

Amantes-Eternos_Tom-Hiddleston_e_Tilda-Swinton Ele é músico recluso com tendência à depressão e nostalgia e ela muito mais antenada com a tecnologia atual, diferenças ajustadas por conta de uma inteligência assombrosa. Esse pequeno desequilíbrio de evolução no tempo, natural de quem vive muito, não atrapalha a comunicação frequente de ambos e quando a saudade aperta, viajam de primeira classe com uma maleta de mão lotada de… livros. Sim, eles são inteligentes, ricos e elegantes, vestem-se com estilo e bebem sangue em taças como o melhor vinho. Preocupados com as mazelas do século, preferem ter “fornecedores” seguros do líquido vital a arriscar uma provável contaminação. Vivem assim o torpor ocioso dessa rotina lânguida e modorrenta até o momento em que recebem a visita da irmã mais nova de Eve, a espevitada Ava (Mia Wasikowska), que já havia causado problemas no passado por conta de sua jovial irresponsabilidade.

Amantes-Eternos_Mia-Wasikowska_e_John-HurtA escolha acertadíssima dos atores, sobretudo Tom Hiddleston e Tilda Swinton fazendo o enigmático casal, é o ponto alto da obra que tem ainda Mia Wasikowska e John Hurt completando o elenco. Também destaca-se a primorosa direção de arte, tão cirurgicamente detalhista que enche os olhos harmonizando sempre com o visual extravagante dos personagens (Os cabelos ressequidos e armados dos vampiros estão geniais). Tudo embalado por uma música envolvente (que inclui um divertido clip de Soul Dracula dos anos 70) permanecendo na mente mesmo após o filme e uma fotografia esmerada que valoriza enquadramentos belíssimos como as estranhas posições em que dormem as criaturas ou a visão bucólica e pitoresca da rua em que vive Eve, na exótica Tangier. Exalta a essência do tempo baseada no conhecimento e sabedoria como bem maior em diálogos cheios de nuances e um amontoado de imagens misteriosas que lançam suspeitas lúgubres a um suposto envolvimento de Shakespeare ou Kafka com uma longevidade vampiresca.

Assim como Adam e Eve, o filme “Fome de Viver” (1993) de Ridley Scott finalmente acaba de encontrar um par à altura para juntos serem cultuados eternamente.

Por: Carlos Henry.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive. 2013). Reino Unido. Direção e Roteiro: Jim Jarmusch. Elenco: Tom Hiddleston, Tilda Swinton, Mia Wasikowska, John Hurt. Gênero: Drama, Romance, Terror.

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society. 1989)

sociedade-dos-poetas-mortosPor Gabiandre.
Honestamente, não sei como começar essa post. A morte de Robin Williams pegou à mim e a todos de surpresa. Muitos blogs e sites que acompanho já prestaram suas homenagens e eu, como fã, não poderia ficar de fora. Sua carreira e inegável talento já foram temas para muitos posts, por isso, o meu será uma tanto quanto diferente. A minha singela homenagem é sobre algo que Robin nos deixou, como um presente dado a alguém especial.

sociedade-dos-poetas-mortos_01A ‘Sociedade dos Poetas Mortos‘ é, sem dúvidas, o filme mais surpreendente que eu já vi. Um daqueles capazes de mudar vidas, sabe? Eu assisti esse filme pela primeira vez na escola, em uma dessas aulas em que nossos professores nos obrigam a assistir filmes e fazer relatórios. Imagino que saibam o que acontece durante essas aulas… As pessoas dormem, escutam músicas, fofocam sobre o gatinho novo na escola e quando chegam em casa procuram qualquer resumo e lá começa o “ctrl+c e ctrl+v”. Simples assim. Porém, naquele dia em especial, nada disso aconteceu. Pelo menos não comigo.

O filme conta a história de Welton Academy, uma tradicional escola para homens, onde o tratamento é rígido e são impostas muitas regras. É importante lembrar que o filme passa-se em 1959, portanto o perfil dos alunos é de jovens submissos aos professores e a seus pais, que decidem o futuro dos filhos. Porém, muita coisa muda com a chegada do novo professor de literatura (Robin Williams), um ex aluno, que faz com que seus alunos não simplesmente absorvam o conhecimento, mas que busquem e questionem-o.

sociedade-dos-poetas-mortos_03Com os novos métodos implantados pelo professor Keating, nos quais ensinava aos alunos à amar e pensar Carpe diem (aproveite o dia) os alunos começam a mudar seu comportamento. Quando acham o antigo anuário do professor descobrem a Sociedade dos Poetas Mortos, um grupo de amigos que se reuniam a noite em uma caverna para declamar poesias e refletirem sobre elas. Então, liderados por Neil (Robert Sean Leonard), um dos alunos de Keating, criam uma nova sociedade. A partir daí estes alunos começam a expressar suas opiniões, vivem intensamente suas vontades e lutam por seus objetivos.

A razão pela qual me apaixonei por esse filme é que, muito embora, a história seja datada há muitos anos, ainda é possível encontrar partes do enredo nos dias atuais. É claro que de forma menos rígida, muitos jovens ainda são submissos e até desvalorizados pelas autoridades, sejam essas seus pais ou professores.

sociedade-dos-poetas-mortos_02Outro fator bem real nos dias de hoje é o impacto que um professor pode causar na vida de um aluno, tanto positiva quanto negativamente. Pessoalmente, tive uma professora de literatura, a mesma que me fez assistir o filme, que teve uma grande importância na minha formação não só acadêmica, mas também pessoal. E grande parte disso teve incio com esse filme! Dar voz aos jovens é como dar-lhes asas para que possam voar e ser livres. Tudo que nós, jovens, queremos é sermos ouvidos.

Para finalizar gostaria de agradecer à Robin por esse e muitos outros legados que nos deixou aqui na terra. E também à todos os professores e outros profissionais que conseguem, com poucas atitudes, contribuir para o futuro da humanidade. E se você ainda não viu esse filme, corre para ver, vale super a pena! E por ultimo, desejo à todos que aproveitem o dia.carpe-diem

Philomena (2013). “Eu não abandonei meu filho.”

philomena_2013Por Pedro H. S. Lubschinski.
A história narrada pelo jornalista Martin Sixsmith em seu livro, The Lost Child of Philomena Lee (que por aqui recebeu o extenso título Philomena: uma Mãe, Seu Filho e uma Busca Que Durou Cinquenta Anos), nasceu para ganhar as telas de cinema. É uma daquelas histórias que, de tão incríveis, só poderiam ter ocorrido do lado de cá, na vida real. A Philomena (Judi Dench) do título é uma senhora de idade que 50 anos depois de ter seu filho pequeno tirado à força dela e colocado para adoção no convento em que vivia, decide procurá-lo com o auxilio do jornalista Martin (Steve Coogan), com quem embarca para os Estados Unidos onde a criança cresceu ao lado dos pais adotivos.

philomena-2013_stephen-frearsO grande mérito da produção dirigida por Stephen Frears se encontra na abordagem adotada pelo roteiro de Steve Coogan e Jeff Pope, que contrariando toda a dramaticidade presente na jornada de Martin e Philomena, opta por rechear o longa com um bem-vindo tom de leveza e comédia, que acaba por tornar o longa muito mais eficiente do que seria caso se enveredasse por um dramalhão barra-pesada. Assim, podemos acompanhar a relação entre a personagem-título e Martin ser estabelecida com calma e de maneira gradual, sem apelar para cenas que busquem emocionar o espectador com o drama de sua protagonista. Assim, por contraste, quando finalmente a obra de Frears assume sua dramaticidade, o choque que essas cenas proporcionam se torna maior, resultando em emoção genuína para a narrativa.

E já que mencionei a relação entre a dupla de protagonistas, é inegável que são esses dois personagens tão distantes em personalidade, mas próximos a partir do estabelecimento de um objetivo em comum, a grande força de Philomena. Encarnado com um preciso tom ácido por Steve Coogan (o nome não é coincidência, ele também assina o roteiro), Martin é um homem cínico e incrédulo. Jornalista que há pouco tempo possuía prestigio e um belo cargo em uma grande emissora, o personagem agora surge como um homem deprimido em função de sua demissão injusta e forçado a explorar uma “história de interesse humano”, algo que tanto repudiara em outros momentos. Assim, é interessante como ao longo da projeção Martin se vê mais próximo do drama de Philomena, indo de um jornalista interessado em sua história a um amigo que em um momento de particular desespero não se inibe em abraçar aquela mulher que chora em sua frente. Não que o filme – e aqui reside mais um grande acerto do roteiro – tente nos fazer aceitar que o personagem é mudado pela personagem de Judi Dench. O filme apenas estabelece uma ligação entre aquelas figuras, mas jamais tenta mudar as personalidades dispares que se mantém até o fim da produção.

philomena_2013_01Da mesma forma, a protagonista é devidamente desenvolvida pelo roteiro, surgindo como uma senhora simpática e de bem com a vida – “você é um em um milhão” é seu bordão ao conversar com alguém -, Philomena logo vai revelando marcas de sua tragédia pessoal que não poderíamos supor em um primeiro momento, substituindo seu sorriso marcante por uma expressão fechada e a decepção de que talvez seu filho que tanto procurou, jamais tenha ao menos pensado na existência dela. Além disso, é interessante a relação da personagem com sua própria fé, já que foi num local onde o amor à Deus e ao próximo deveria ser celebrado onde ela sofreu sua grande perda, o que a leva em determinado momento deixar de se confessar, como se percebesse que nem tudo o que um dia lhe disseram ser errado é realmente pecado, algo que, no entanto, não a impede de desculpar uma mulher que tanto lhe causou dor por não querer viver o resto de sua vida com raiva. E agarrando com talento inegável toda a complexidade da protagonista, temos a excelente Judi Dench, que utiliza cada ruga e linha de expressão de seu rosto para entregar uma atuação emocionante.

philomena_2013_02O texto a seguir contém spoiler.
Mas se elogiei à exaustão o roteiro no que diz respeito ao desenvolvimento de seus personagens e das relações entre eles, devo dizer que o texto não está isento de deslizes. Tudo parece fácil demais para a dupla de protagonistas quando eles chegam aos Estados Unidos – toda informação chega facilmente nas mãos deles, as pessoas abrem a vida do filho de Philomena sem questionar a possibilidade dela não ser realmente mão de quem procura e, quando convém uma pequena ameaça ao roteiro, o companheiro do filho de Philomena se faz de difícil em cooperar com sua busca, apenas para ser convencido facilmente pela velhinha. Da mesma forma, a filha da personagem de Judi Dench é esquecida pelo filme, não surgindo nem ao menos para ligar para a mãe preocupada com a viagem que lhe faz atravessar o oceano.

Dirigido com sutileza por Stephen Frears, Philomena apresenta, no entanto, um deslize que acaba por sabotar uma importante cena de seu terceiro ato: a inserção de flashes de vídeos com o filho da protagonista ao longo da projeção castra boa parte da emoção do momento em que a personagem finalmente assiste os tais vídeos. Por outro lado, é digna de aplausos a coragem da produção em retratar o “lado feio” da Igreja e da profissão de jornalista: da segunda, o filme critica, ainda que de maneira discreta, a posição de jornalistas e editores que alheios ao sofrimento de diversas pessoas busca apenas a noticia em acontecimentos trágicos, ignorando os sentimentos dos envolvidos. E da primeira, denuncia e critica as atrocidades cometidas ao longo dos anos com pessoas que tiveram como único erro expressar os próprios sentimentos – e ver Martin questionar a certa altura “por que Deus nos daria desejo sexual se fosse pecado” é algo que serviria para tantas outras questões que algumas partes mais conservadoras da Igreja insistem em atribuir como pecado, negando a própria natureza do amor defendido pelo mesmo Deus que utilizam para oprimir.

Equilibrando-se muito bem entre os extremos do drama e da comédia e oferecendo no caminho uma obra agradável de assistir, Philomena surpreende – ao menos me surpreendeu, já que não esperava nada do filme – ao se revelar uma obra que, se não está entre as melhores do ano, ao menos é um bom filme recheado de qualidades.

Série: Sessão de terapia (2012 / )

sessão-de-terapia_theoPor Leandro Salgentelli.

sessao-de-terapia_selton-melloGeralmente quando temos algum problema emocional ou físico, recorremos a alguns mediadores de respostas. Fazemos isso na boa intenção de buscar algo, uma segunda visão da qual muitas vezes nós mesmos não conseguimos ver. Buscamos essa ajuda através de Deus, religiões, médicos ou psicanálise. Uma analise é feita da nossa própria jornada. Confessamos nossos traumas, medos, segredos, em busca de uma alternativa ou uma intenção para compreensão. Não é à toa que acompanho a série “Sessão de terapia”, dirigido por Selton Mello, protagonizado por Zécarlos Machado interpretando o Psicanalista Dr. Theo Cecatto, que, agora, no inicio de agosto iniciará a 3º Temporada no canal GNT. Estar confinado e saber o que acontece com pessoas aparentemente lúcidas — uma ambição, eu diria.

Sentado no divã é como fazer uma confissão, é rasgar o peito e se abrir de tal maneira que muitas vezes nem nós mesmos não compreendemos o fato daquilo que estamos falando. É por isso que muitas pessoas logo após a primeira sessão numa mais voltam. O medo que toma ao olhar para si mesmo é a sensação de loucura.

Tenho vários amigos que afirmam a dizer que jamais passaria com um analista para saber de uma teoria da qual já sabem e que, segundo eles, encontrar o terapeuta na rua, o mesmo que sabe de sua vida toda: “Não, obrigado. Terapia é para loucos”. E, em contrapartida, sabemos que o valor de uma sessão não é lá muito associável com o nosso bolso. Terapia fica para outra vida. Mas, como sou fã de psicanálise e de tudo aquilo que me faz refletir sobre algo, sento na primeira cadeira e não perco o espetáculo.

Algumas pessoas passam anos fazendo analise, abrindo e fechando feridas. Numa busca de curar a alma das aflições que vamos tendo ao longo do tempo. Não há um tempo determinado para ficarmos pronto e ganhar alta desse processo introspectivo. Não sabemos se é um ano, dois; três, 8. A análise buscar e rebuscar a essência de nós mesmos. O processo é lento, mas transgressor.

sessão-de-terapia_agenda-theoSessão de Terapia, caso você ainda não tenha acompanhado, mostra como somos nós ao se abrir, como é complicado falar de si mesmo e como é difícil encarar algumas verdades sobre quem somos e por que somos. Já dizia os psicanalíticos: tudo há uma resposta. Ou seja, tudo há uma explicação, no fundo, no introspectivo, o quebra-cabeça se encaixa.

A mulher que diz que não tem magoa de ninguém, no fundo ela apenas está camuflando a verdade sobre si mesma. O homem blindado, no fundo ele simplesmente tem medo de demonstrar o seu lado frágil. Quem diz que nunca magoou ninguém, porque de alguma forma nunca se exaltou, no fundo não percebeu que silêncio demais também machuca. Quem tem bondade excessiva, tem maldade escondida.

O homem que é muito controlador, no fundo tem medo do desequilíbrio. A mulher que é muito medrosa, no fundo continua sendo aquela criança teimosa. O homem que tem muita certeza, no fundo tem medo da dúvida. A mulher que se apegou a tristeza, no fundo ela apenas está justificando sua existência.

Pois é, somos um abismo. Somos um oceano de sentimentos cheio de fúria, a nossa dor fala, e fala alto. Se a gente desse espaço para o introspectivo e mergulhasse no fundo de dentro de nós, enxergando de outra forma as causas que nos aconteceram e deixasse vir à tona toda verdade, veríamos a cura para dor existencial. E se a gente percebesse que nunca estaremos prontos, que sempre haverá outras frustrações, deduzo que nem precisaria de terapia. Mas como disse Freud, há um bom tempo atrás: Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos.

Sessão de Terapia. Brasil. Direção: Selton Mello. Início 2012. Baseada na Serie israelita BeTipul, do psicanalista Hagai Levi; e na versão americana da série, In Treatment. A 3ª Temporada (2014) conta com roteiros originais, uma vez que a a Série original teve apenas duas temporadas.

Sinais (Signs. 2002). Fé de Mais! Mas no Establishment Americano…

sinais-2002_filmePara mim faltou em “Sinais” que M. Night Shyamalan, que além da Direção também assina o Roteiro, uma co-parceria com um cético, ou mesmo com um agnóstico para um distanciamento maior da religiosidade. E mais ainda das religiões de cada povo inserido na trama. Diferente do que fez em “O Sexto Sentido”, Shyamalan nesse aqui não se distanciou da Religião como Instituição, que o faria focar de fato na . “Na que move montanhas“… E apenas para constar: não tenho religião.

M-Night-Shyamalan_e_Mel-Gibson_Sinais-2002Que leu alguma sinopse antes de ver o filme ficou ciente de que “Sinais” abordaria a “Fé” e não propriamente em “ETs” como os invasores aterrorizantes. Seria o questionamento da fé vinda de alguém cuja missão maior seria de propagá-la: o ex-Pastor Graham Hess, personagem de Mel Gibson. Então foi com esse intuito que eu assisti ao filme. Mas tão logo começou o que me vinha à mente era uma sensação de que o que transparecia ali era de um “trauma pós-11 de Setembro“, e no tocante ao pensar dos norte-americanos. Com isso mudei o viés com que eu assisti todo o filme, fui por um teor político. Ficava aquele ar de superioridade, de salvado da pátria… bem típico em filmes made in usa. Os sinais disso estavam por ali. Como no bio-físico de quem dirigia o carro o qual vitimou a mulher do pastor. No caso foi o próprio Shyamalan, que nasceu na Índia quem o interpretou. Também no lance da água; ou da escassez dela em terras do invasor… Que nos remete ao Oriente Médio… Por aí. Pelo o que dizem, Shyamalan é um crítico ao pensamento republicano que vigora por lá. Talvez por aí não soube pesar bem esse tema no filme. Até por isso mais alguém no Roteiro teria encontrado o tom certo. Assim, por essas e outras, o filme perdeu o foco num tema interessante: a perda e/ou a recuperação da fé.

sinais-2002_01Todos têm o direito de acreditar no que quiser. De ficarem recitando: “Deus quis assim“; “Deus fez isso…“; “Deus fez aquilo…“. Por outro lado também têm direito os que não creditam um valor as crenças religiosas. Mais! Em seguirem em frente mesmo diante dos percalços da vida e sem tentar “responsabilizar” alguém. Nem quando o que se propôs a fazer não saiu como o esperado. Ou até quando conseguiu o tento, o fez pelo esforço próprio e não por uma graça divina. Pois do contrário todos que orassem deveriam ser atendidos em suas preces. E a Fé pode até vir como um amigo invisível, como um afago. Não por algum ritual de histeria entre os fiéis.

Num detalhe a meu, a cena no Brasil passou uma inverdade, pois deveriam é terem mostrado que somos um país ecumênico. Além do que, creio que a maioria dos brasileiros não teriam fugido, mas sim convidado o tal “ET” para a festinha no quintal. Churrasquinho, cerva geladinha e logo todos estariam em altos papos filosóficos. E sem uma catequese.

Mesmo tendo mostrado a religiosidade em várias nações e a grosso modo de como veriam os sinais advindos de outros mundo, a tal “síndrome americana” passou mesmo uma ideia de: “nós somos superiores” (USA). Gostaria mesmo era de ter absorvido algo como: “somos todos irmãos“.

Enfim eu colocaria “Sinais” como um mediano-sessão-da-tarde.

Ah sim! Para quem ainda não viu, uma sinopse do filme: “Num condado da Pensilvânia vive Graham Hess (Mel Gibson), um viúvo com seus dois filhos, Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin). Também mora com eles Merrill (Joaquin Phoenix), o irmão de Graham. Ele reside em uma fazenda e era o pastor da região. Abdicou da Igreja ao questionar sua fé por conta da morte da esposa, Colleen (Patricia Kalember); atropelada por Ray Reddy (M. Night Shyamalan), morador da região. Repentinamente surgem misteriosos e gigantescos círculos em sua plantação sem que haja o menor vestígio de quem os fez ou por qual motivo teriam sido feitos.”

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sinais (Signs. 2002). EUA. Direção e Roteiro: M. Night Shyamalan. Elenco: Mel Gibson (Graham Hess), Joaquin Phoenix (Merrill Hess), Rory Culkin (Morgan Hess), Abigail Breslin (Bo Hess), Cherry Jones (Oficial Paski), M. Night Shyamalan (Ray Reddy), Patricia Kalember (Collen Hess), Ted Sutton (SFC Cunningham), Merritt Wever (Tracey Abernathy), Lanny Flaherty (Sr. Nathan), Marion McCorry (Sra. Nathan), Michael Showalter (Lionel Prichard). Gênero: Drama, Sci-Fi, Thriller. Duração: 106 minutos.