Desafiando os Limites (The Word’s Fasted Indian)

Anthony Hopkins, já é um convite para vê-lo atuando. Nesse, deixo o aval. Para um grande ator, não há limite de idade. Aqui, ele deixa a impressão que viveu esse personagem. Nem se sente a longa duração do filme.

Burt investe tempo e sua aposentadoria na realização de um sonho. Sua moto para muitos não passava de uma peça de museu. Para ele não! Era a melhor moto do mundo. Daí põe paixão no que faz. Tentando provar que nunca é tarde demais para correr atrás de um sonho. Não importando se chegará ou não ao final.

Como ele mesmo cita: “Não é a crítica que conta; o homem que aponta como o outro tropeça ou onde aquele que faz podia ter feito melhor. O mérito é daquele que está na arena.” (T. Roosevelt). E complementando: vivenciando o percurso.

Nessa longa jornada, o filme nos fala em superação. Em até onde o prazer pode superar a dor. Em cada obstáculo que passa até chegar em Bonneville: o seu desejo maior. Vamos junto com ele numa torcida silenciosa, mas com brilhos nos olhos.

O filme também aborda até onde as regras, as normas tão rígidas, são de fato para serem seguidas, literalmente. Se elas são humanas. Se podem existir uma exceção. Se podem ser quebradas. Ou ainda, qual o momento, o fato onde elas podem ser quebradas.

Ao ser abordado por um policial, por ter parado à beira de uma rodovia no meio do nada, após uma taquicardia, o policial diz que ali era proibido estacionar para não atrapalhar o trânsito. Que trânsito? Ali? E ele estava passando mal. Por isso parou.

Outro tema muito bem abordado é o respeito a uma pessoa. O seu valor na sociedade, no meio em que vive, quer seja em sua labuta, quer seja em seus hobbies. Mesmo que o seu hobby seja sua verdadeira paixão, há que merecer um respeito. Muito embora, há quem faça do hobby apenas um troféu de exibição. Há quem esteja sempre atrás dos últimos lançamentos. Para Burt não. Sua velha Indian Scout ainda era uma baita “máquina”. Ou como diria um amigo, não era um jegue.

Ainda citando o respeito, a admiração por alguém, registro a atuação do menininho Aaron Murphy, o Tommy. O amiguinho do Burt. Que carisma tem o jovem! Ele e Hopkins fizeram uma dobradinha emocionante. Sendo vizinhos, amizade e respeito foi se adubando, crescendo com o tempo. Mesmo num curto tempo. Provando até que a diferença de idade não pesa numa verdadeira amizade.

Bonneville. Que lugar! Para quem curte velocidade, um santuário!

Enfim, um filme que não apenas os amantes do motociclismo irão gostar. É um lindo filme! Eu amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Desafiando os Limites (The Word’s Fasted Indian). Nova Zelândia. 2005. Direção e Roteiro: Roger Donaldson. Com: Anthony Hopkins, Aaron Murphy. Gênero: Drama. Duração: 127 minutos. Classificação: 10 anos.

Antes de Partir (The Bucket List)

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Assisti o filme motivada por esses dois atores: Jack Nicholson e Morgan Freeman. E eles não me decepcionaram. Mais até, parece que pediram por uma história qualquer, pois o que queriam mesmo era bater uma bolinha juntos. Bateram um bolão! Com o jeito irreverente do Jack e a elegância do Morgan – ganhamos nós com essa dupla.

História do filme? Ih! Vejamos…Como diria Hitchcock, “É melhor partir de um clichê do que acabar nele.” Temos aqui, uma história… divertida.

Jack faz um bilionário – Edward. Dono de uma rede de hospitais; e que por uma de suas imposições… fica internado junto com o personagem do Morgan – Carter. Um mecânico; alguém que batalhou muito para dar aos filhos algo que não pode dar para si: um diploma universitário. E mesmo dividindo o mesmo quarto no hospital, recebem tratamentos diferenciado…

Você gostaria de saber o dia da sua morte? E estando ciente, o que faria?

No passado, numa aula de filosofia, Carter, fizera uma lista de coisas que faria antes de “bater com as botas” (Daí, o título original). Ao ficar ciente que tem poucos meses de vida… lembra dessa lista… a refaz…

Ao vê-la, Edward pergunta, o que significa. Depois, diz que falta emoção naqueles últimos desejos. E a reescreve… A princípio, Carter reluta, achando que seriam tidos como tolos. Mas Edward o convence. Afinal, ambos tinham pouco tempo de vida.

Com o dinheiro do Edward, embarcam numa viagem pelo mundo. Aproveitando os prazeres que o dinheiro pode oferecer. Entre conversas e discussões… a amizade cresce… Mesmo com temperamentos diferentes… Um ajuda o outro nesses últimos meses. Até em se descobrirem por inteiro…

Como na música, “É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.” Embarcamos com eles nessa despedida…

Enfim, peguem a pipoca, esqueçam o clichezão desse roteiro… e curtam esses dois grandes atores. Eu ri muito com eles. Adorei! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Antes de Partir (The Bucket List) .2007. EUA. Direção: Rob Reiner. Com: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd. Gênero: Comédia dramática. Duração: 97 minutos. Produção: Alan Greisman.

Senhores do Crime (Eastern Promises. 2007)

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Ana (Naomi Watts), em seu plantão no Hospital, recebe uma jovem com hemorragias e já em trabalho de parto. Para ver se há documentos, abre a bolsa da jovem. Mas só encontra um pequeno diário… E os médicos conseguem salvar apenas a criança.

Ana, que é filha de pai russo, identifica a escrita, mas como não sabe ler russo, pede um tio para que traduza. Na esperança de encontrar algum nome, ou um endereço de parente… para que a criança tenha um lar. Do contrário, ela irá parar num orfanato.

Ao começar a ler, o tio para, revoltado… Então, Ana que achara o cartão de um restaurante dentro do diário… segue para lá… na esperança de encontrar quem conheceu a adolescente, mas… A princípio o dono diz desconhecer a jovem, mas quando Ana conta do diário… oferece para traduzi-lo… Acontece que Ana leva cópias xerocadas. Então…

Nessa busca, Ana adentra em um novo mundo… um mundo onde os homens contam suas histórias marcando-as no corpo… onde a tatuagem de uma certa estrela no peito é o topo da máfia russa vigente… e de que eles aproveitam dos sonhos das jovens que querem uma vida melhor no chamado primeiro mundo… Para eles, elas são mercadorias de prazer e de dividendos…

Gente! O que esses caras gostam de degolar um pescoço… Preparem o estômago com as cenas. (Eu tão cedo não comerei galinha a molho pardo. Não enquanto essas degolas não saírem da mente…)

Nesse mundo, Ana conhece Nikolai. Um lobo em pele de cordeiro?

Paradinha para falar do ator Viggo Mortensen. O cara faz um russo… Sensacional! Ele consegue ser o personagem! Único! Sem trazer trejeitos de outros personagens, nos outros filmes. Ele encarnou o Nikolai e dá um show!

Voltando…

Ou eu não entendi direito, ou há um buraco numa cena Como o todo poderoso deixa que a Polícia colete o seu sangue sem explicações… Se até o beberrão do seu filho (Vicent Cassel) depois indaga para que eles queriam essa amostra… É assim mesmo? Não precisa de uma ordem judicial? E se “houve”, qual foi? Inspeção sanitária no restaurante?

Ao longo do filme, em off, vamos sabendo do que está escrito no Diário… Mas a Ana, vai descobrir quando já está dentro daquele inferno… Acontece que decide só sair dele, com a criança. A quem carinhosamente chama de Cristina, mas que na legenda aparecerá Nathália… momento para um riso nesse filme tenso.

Anjos e demônios, quem é quem naquele inferno em Londres… Gostei! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Senhores do Crime (Eastern Promises). 2007. EUA. Direção: David Cronemberg. Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts, Vincent Cassel. Gênero: Suspense. Classificação: 16 anos. Duração: 100 minutos. Produção: Robert Lantos.

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War. 2007)

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Três destinos que se uniram para ajudar um povo. Um Congressista (Tom Hanks), cuja fama não era das melhores. Uma ricaça (Julia Roberts) do Texas, com muitas influências/amigos em diversos segmentos mundiais. E um agente da CIA (Seymour Hoffman), que fora preterido para uma missão o qual se empenhara tanto por – oficialmente por não ter uma postura diplomática -, mas na verdade por ser filho de imigrantes.

Aos três, parece que o destino conspirou a favor nessa missão. Pois mesmo estando numa hidro com strippers, reconhecendo um jornalista numa reportagem pela tv – ele lá no Afeganistão -, acende algo nele. Eis que ao chegar no Congresso, fica ciente que fora designado para o comitê que responde por grana “invisíveis” para o “tio-sam-protetor-do-mundo“. Ele é o Deputado Republicano Charlie Wilson. Alguém que não dorme no ponto.

Outra que também tem olhos e ouvidos atentos, é a Joanne Herring. Já ciente da nova “invisibilidade” nas mãos do Congressista. Faz contato com ele. E já com uma entrevista marcada para ele, com o presidente do Paquistão.

Após ver o que vê numa fronteira do Paquistão com o Afeganistão, Charlie decide comprar aquela guerra. E nesse engajamento é “presenteado” com Gust Avrakotos. Gust, é outro que também tem muita presença de espírito.

Aqueles que leram o livro “O Caçador de Pipas” tiveram um refresco na memória por mostrar um pouco da invasão russa no Afeganistão. Em “Jogos do Poder” temos como os russos foram expulsos de lá. Agora, lembrando que cada um conta a história do seu jeito.

Seymour, dá um show! Hanks, também está bem no papel! Mas a Julia, a sua personagem não fluiu naturalmente.

A trilha sonora é ótima! Já iniciando com o vozeirão, que eu adoro, do Barry White.

Estas coisas aconteceram; foram gloriosas; mudaram o mundo… e nós fuck eles no final do jogo.

Gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War. 2007). EUA. Direção: Mike Nichols. Com: Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman, Julia Roberts, Amy Adams. Gênero: Comédia; Drama; Guerra. Duração: 97 minutos. Classificação: 14 anos.

A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!. 2006)

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Amei! Eu que reclamo de ter mais filmes num focar masculino, descubro esse onde uma menininha de 9 anos me fez sorrir; relembrar certos momentos; me encantar pelos e como fez seus questionamentos. E nessa sua quase mudança de fase: às portas da adolescência. Por ter levado tudo a seu próprio tempo.

Primeiro, situando o ano que é retratada a história: 1970. Cidade, Paris. Agora sim, entrando no filme.

Anna a princípio parece uma menininha mimada, mas ela foi criada assim. Boa casa, um bom colégio, um vinhedo para passar as férias, aceitando todas as convenções… Enfim, tinha uma vida boa!

Seu pai era um advogado. Mas insatisfeito até com o luxo com que viviam. Sua mãe escrevia artigos para a Marie Claire. Tinha apenas um irmãozinho, o François. Também uma gracinha. Ele será um contraponto na revolução que Anna irá passar.

Com a morte de um tio, os pais abrigam uma tia com uma filha; ambas espanholas. Aliás, foi seu pai que conseguiu tirá-las da Espanha de Franco. Isso até o motiva a um engajamento político de fato; onde a esposa o acompannha. Então, entre as viagens dos pais ao Chile, Anna e o irmão ficam aos cuidados de uma babá cubana, que odeia Fidel.

A babá conta a sua versão de comunismo, levando Anna a crer que é o comunismo na personificação do Fidel o culpado pela perda do seu conforto, e até da atenção dos pais. Mas com a troca de babás de nacionalidades diferentes, Anna – que adora ouvir história -, começa a perceber que existem outros mundos, ou, outras maneiras de ver o mundo. Assim, essas outras histórias foram ampliando o seu mundinho tão certinho. Mesmo ainda sentindo-se como um peixe fora d’água, sua curiosidade era maior. Começando uma revolução interior. Suas broncas, faz em si um tipo de acorda. Exemplo: ela observando um jantar cheio de pompa na mansão dos avós, onde as pessoas nem se olham nos olhos.

Eu, que comecei a escrever sobre filmes meio que por forças do destino, sem nada entender de toda a parte técnica, com esse filme em particular, posso dizer que tive a primeira aula. Aconteceu assim, comecei a ver o filme, e sentia como se tivesse que abaixar. Era estranho, até porque eu estava sentada. Até que caiu a ficha! Me dei conta de que a câmera estava na altura dos olhos da menina. Foi incrível. O que me levará a também observar esses detalhes técnicos, mas mais como experiência interior, já que não tenho formação acadêmica para isso.

Continuando com o filme… Nessa revolução, os dois irmãos darão o tom, o encanto ao filme. Entre tantas cenas, destaco uma que exalta o pequeno François: onde se escondem de um policial. Ambos embaralham tudo o que ouviram até então. Onde François sai com essa para mostrar que ela está errada: “_Porque o Papai Noel é barbudo, é vermelho e gosta de criancinhas!” Hehe… Amei!

O filme é ótimo! Vida longa na carreira para a Diretora Julie Gavras. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!. 2006). França. Direção e Roteiro: Julie Gavras. Com: Nina Kervel-Bey, Benjamin Feuillet, Julie Depardieu. Gênero: Drama. Duração: 99 minutos.

Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Man)

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No Brasil, esse filme ganhou o título de: “Onde os Fracos Não Têm Vez”. O que pode gerar falsas expectativas. A trama central não fala de um homem fraco. E sim, traz um Xerife que ainda não se acostumou com os novos tipos de violência. Um Xerife que sente saudades… Que tenta se habituar. Mas…

Em meio há uma campina, um homem observa um bando de cervos, com seu rifle… Mira e… erra o alvo. Então segue adiante… No caminho… caminhonetes, corpos e uma carga de drogas… Algo não deu certo também ali… mais adiante uma valise com muitos pacotes de dólares… Vai embora com o dinheiro… Ele é Llewelyn Moss (Josh Brolin), ex-veterano de guerra. Já pensando de que alguém irá reclamar de toda aquela grana… manda a mulher ir para a casa da mãe… Ele vai sumir um pouco de circulação, levando o dinheiro junto…

Ainda no início do filme… Primeiro, em off, temos um Xerife meio desiludido com os novos rumos de todo aquele lugar. Da chegada de uma violência muito mais… cruel?

As drogas como uma mercadoria valiosa… Anos 80… Ele é Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones). Sente que está ultrapassado… Às vésperas de se aposentar, tem mais essa missão a cumprir. E essa carnificina só estava começando…

Depois, aquele que irá atrás do dinheiro, um psicopata… e que curte usar uma arma nada convencional… que diferente de Moss, não erra uma… Ele é Anton Chigurh (Javier Bardem). Alguém que nem sente dor. Frio, até nisso.

Nessa caçada para lá de sanguinolenta… Segue o filme… Agora…

Eu confesso que senti a falta de música. Para mim, desperdiçou aquele cenário lindo de velho-oeste..

E que tive que fazer força para não rir com aquele cabelinho do Javier Bardem por me fazer lembrar do Beiçola, da “Grande Família”. Como também na cena, a da moedinha com o dono da lojinha de estrada… um trejeito do personagem do Javier, me fez lembrar de outro personagem. Sendo que esse de um filme. O “Clerks 2″. O mesmo que também o fazia, o novo atendente. Sendo assim, até nessa cena o vilão do Javier me fez rir.

Ah sim! Gostei dos prêmios, 4 Oscar, aos Irmãos Coen! Fica como um prêmio dado pelo conjunto da obra aos dois. No mais, é um bom filme. Nota: 08.

Por: Valéria Miguez.

Onde os Fracos não têm vez (No country for old man). 2007. EUA. Direção: Joel Coen e Ethan Coen. Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald, Garret Dillahunt. Gênero: Suspense. Duração: 122 minutos. Classificação: 16 anos. Produção: Joel Coen e Ethan Coen.

Não Estou Lá (I’m Not There)

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Uau! Para quem gosta de poesias, vai gostar desse filme. De uma poesia moderna, que foge da métrica tradicional, mas que encanta justamente por isso. Genial a maneira que Todd Haynes nos mostra – vida e músicas de Bob Dylan. Num período na carreira dele. Por outro lado, há um toque antigo nessa poesia, como um Sarau… também por essa idéia do Diretor em colocar vários artistas para serem Bob Dylan. Mas mais que declamarem, eles encarnam o homem, a criança, o poeta, o cantor, o rebelde … Todos em um único cara que o que quis foi traduzir-se em suas canções…

“I’m not there” – título mais que perfeito! Até por levar personagens onde o contexto… Deixa um jeito de: “É assim que vocês me vêem, é assim que também me vejo, mas eu… não estou lá! Não mais… Estou por aí… Não querendo ficar pregado em lugar algum… Sou múltiplos de mim mesmo…

Nem precisa ressaltar que a trilha musical é ótima, não é mesmo!!??

Outro ponto alto é a Fotografia! Ora em preto e branco, ora num colorido onde o amarelo, em vários tons, sobressai. Amei!

E claro que os atores que fizeram cada um o Bob, merecem aplausos! Destaco dois: o ator mirim, Marcus Carl Franklin, e Cate Blanchett!

Esse filme, entrou para a minha lista de que vale a pena rever! Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Não Estou lá (I’m Not There). EUA/AL. 2007. Direção: Todd Haynes. Com: Christian Bale (Bob Dylan/John/Jack); Cate Blanchett (Bob Dylan/Jude); Marcus Carl Franklin (Bob Dylan/Woody); Richard Gere (Bob Dylan/Billy); Ben Whishaw (Bob Dylan/Arthur); Heath Ledger (Bob Dylan); Julianne Moore, Michelle Williams e Bruce Greenwood. Gênero: Drama. Duração: 135 minutos.

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni, 3 Saptamani si 2 zile)

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Ainda numa Romênia comunista… duas estudantes diante de uma decisão: fazer um aborto. Apenas uma delas é que está com essa gravidez indesejada. Cabendo a outra, mais do que a companhia, ser cúmplice nesse ato.

Entre mentiras e omissões, o preço a ser pago é muito maior a essa amiga. E por que? Amizade acima do limite? E é isso que a mim, chamou mais atenção nesse filme: o valor de uma amizade. Otilia foi amiga a toda prova.

Ao longo do filme somos levados a sentir o seu drama. E em certos momentos, quase sem respirar, acompanhamos sua longa jornada noite adentro… Sem julgá-la, apenas querendo entendê-la; querendo ser-lhe solidária… Aquele preço… o porque de ter aceito… Méritos da jovem atriz; grandiosa a sua atuação!

Um dia pesado na vida de ambas, é o que temos nesse filme.

Gabitza é a jovem que precisa fazer o aborto. E por que? Ou, por que chegou até aí? Aqui, eu convidaria também os homens para assistirem esse filme. Se esse aborda um universo feminino, é algo que partiu dos dois sexos – a concepção. Se cabe o direito à mulher de fazer o aborto, é preciso que o homem veja o drama que uma transa sem sem pesar as conseqüências, acarretará. Para o homem, após o prazer do gozo… Pode partir para outra transa… Mas se nessa transa, geraram um novo ser… Cabe a mulher o peso maior. Sendo assim, abortar… Deveria lhe ser de direito. Mas… À penas, a serem pagas.

O filme traz à mesa de discussões, o aborto. Legítimo até pelo fato que atualmente ainda há muitas gravidez precoces. Cada vez mais, mais jovens se engravidam, por não se precaverem. Sendo assim, manter, ou trazer o tema do aborto, já merece meus aplausos. Nunca fiz, nem faria um aborto. Não julgo quem o faça; muito menos sem antes saber dos motivos. Que venham mais filmes levantando esse tema. Ainda mais, com um Papa tão reacionário, fechando a questão e ponto final.

Agora, como falei no início, o calvário maior foi para a amiga. Que após uma noite tenebrosa… Vejam a “preocupação” da Gabitza no final…

Àqueles que não gostam de filmes lentos, não irão apreciar esse. Mas perderão mais um belo filme. Pois esse, traz cenas onde as horas, parecem passar lentamente para a Otília, e de cá, suas angústias, fica em nós um querer que passem logo.

Eu gostei desse filme! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 luni, 3 saptamani si 2 zile). 2007. Romênia. Direção e Roteiro: Cristian Mungiu. Com: Anamaria Marinca (Otilia), Laura Vasilu (Gabita). Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.

Juno (Juno)

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Gravidez na adolescência… E agora?

Transar é muito bom! Mais há de se pensar no amanhã. Onde até os cuidados para isso, podem ser prazeirosos nas preliminares. Além das DSTs, corre-se o risco de uma gravidez. E se ela veio sem ser planejada… Fazer o que? O Filme “Juno” traz a mesa de discussão, esse tema: gravidez precoce.

Simplesmente, encantador esse filme! São raros os filmes que mostra esse universo adolescente sem os eternos clichês. De um jeito mais… mais real. Até porque, nós que passamos por essa fase, sabemos quais foram os nossos verdadeiros dramas; e queríamos respeitos por isso. Afinal, todos compõem essa tribo, quer seja um nerd, ou um alienado, ou um do meio-termo…

Merece elogios também por abordar algo que está em triste ascensão: gravidez precoce. Os problemas advindo com esse ato. Aborto… Adoção… Os Pais… A escola… Por aí…

Claro, que também para quem já conhece minhas resenhas… Nesse, EU dou um BRAVO por ser mais um que aborda o universo feminino sem estereótipos. E o faz com muito respeito. Ainda mais com algo tão feminino: a concepção. E o de querer ser mãe ou não. Pois não basta só gerar.

Outro grande trunfo está nos atores. Bela escolha de elenco!

Entrando na história…

Juno, tem consciência do que fez. Não fora algo apressado. Aconteceu, ou melhor é o quem tem grande chances de ocorrer: a gravidez. Ao contar primeiro a uma amiga, Juno nos conquista de vez!! É, o “pai” fica sabendo depois. E dentro de um todo aparato…

O lance seguinte, é contar aos seus pais. A mãe, mora longe; fez outra família. A presenteia com cactos… Juno mora com o pai e a madrasta… Contar, como contar a eles… Outro ponto alto do filme! A cena é perfeita! Os medos e anseios que passam na cabeça de cada um antes de ouvir… E no modo maduro, após a notícia. Afinal, já está feito…

Nesse ponto, há algo de muita maturidade. Algo que muitos adultos ainda não alcançaram esse nível de desprendimento. Quando Juno decide que uma outra família é que criará seu filho. E o faz com tanta naturalidade. Sem os preconceitos morais, religiosos tão comuns no mundo adulto. Eu amei!

Juno segue na escolha de um casal feliz, que se amam, que darão muito amor ao seu filho! Mas existe um casal perfeito? Uma criança precisa realmente de ter pai e mãe perto dela para ser feliz?

Juno e o Pai se querem muito bem. E durante uma conversa, querendo saber da tristeza dela… Ela quer saber se duas pessoas podem ficar juntas para frente. Ele então, diz: “Que o melhor a fazer é achar alguém que a ame pelo que você é. De bom ou mau humor. Feia ou bonita. O que for… Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.” Lindo conselho!

E destaque também para a trilha sonora!

Ah sim! Já me disseram que não sou um parâmetro em saber se o filme tem trechos que emocionam ou não (hehe… por eu ser manteigona…) Bem, nesse para mim, teve sim. De lágrimas riscarem a minha face com algumas cenas.

Amei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Juno. EUA. 2007. Direção: Jason Reitman. Roteiro: Diablo Cody. Com: Ellen Page, Michel Cera, J.K. Simmons, Allison Janney, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman.

Curiosidade: Diablo Cody levou o 0scar 2008 em Roteiro Original. E foi a sua estréia como roteirista. Premiação merecida!

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest)

one-flew-over-the-cuckoo-s-nest Seja você mesmo sem medo de ser feliz!

Uma sinopse: Randle McMurphy (Jack Nicholson) é condenado a alguns meses de prisão por transar com uma jovem de 15 anos. Para não cumprir a pena numa penitenciária se faz de louco e assim cumpri-la num hospício. Acreditando que estaria numa melhor. Só não contava com a enfermeira chefe, um osso duro de roer.

Uau! Um filmaço! Revê-lo após tantos anos, deixou-me a sensação e o prazer de uma primeira vez. Podendo afirmar até que o prazer foi maior.

Começo pelo título nacional: Um Estranho no Ninho. Primoroso! Por vezes nos sentimos mesmo fora do ninho… Mas as regras sociais já estabelecidas nos levam segui-las sem questionar. Numa de “Siga as regras para ser feliz”.

O filme pode ser visto por vários ângulos. Não apenas das psicopatias. Como o próprio Diretor ao ler o livro, comentou: “Este é um filme tcheco. É um filme sobre uma sociedade na qual vivi durante 20 anos da minha vida. É sobre tudo o que conheço. E sei como estas pessoas se sentem.

O personagem de Jack Nicholson, o Murphy, optou por: “Seja você mesmo sem medo de ser feliz.” Ok! Ele tinha seu lado marginal também. Mas… seu lado moleque subverte até alguém reacionário, pelo seu carisma.

Se bem que, encontrou alguém que faz de tudo para podar as asas desse passarinho… A enfermeira Ratched (Louise Flectcher). Que sem sair do tom… Ela orquestra a todos… E ai daqueles que não segue as suas regras. Pune não como um aprendizado a esse infrator. Mas mais como um aviso aos demais. Impondo o respeito pelo medo.

Alguém extremamente metódica, conservadora, ao se confrontar com alguém como Murphy… Dá para imaginar que será um duelo de titãs. Os dois não nos decepcionam.

Entre alguns dos pacientes… até mesmo no prazer em ver atores que ainda continuam atuando em seu início de carreira… Destaco dois personagens que fizeram com que Murphy sentisse mesmo mais carinho e respeito entre todos os outros:

O jovem Billy (Brad Dourif) que parece meio que adota Murphy como um pai… Mas que ainda vive totalmente dominado por essa enfermeira. Esta, por sua vez, abusa do seu ponto fraco – o fato de ter uma mãe castradora. E sem uma figura paterna, em sua vida.

E o Chefe Brondem (Will Sampson). O Big Chefe. Houve uma empatia entre os dois. Talvez, Murphy viu ali um pai… Para alguém como Murphy, aquele grande homem seria o amigo, o companheiro ideal para continuar curtindo a vida adoidado… Para viajarem juntos pela a vida a fora…

O índio preferiu ficar em silêncio, até por questões culturais, meio que para ficar invisível… Mas daquele tamanho, seria difícil passar despercebido. Assim mesmo, ele fez essa opção. (Numa cena cortada, os enfermeiros fazem de tudo para provocá-lo.) Ele se sentia quebrantado. Culpas, expiações? Talvez. Agora, o Murphy foi lhe trazendo “injeções de ânimo”. Algo que nenhuma das terapias dali conseguira. E com isso ele foi readquirindo a tesão pela vida. E rompeu de vez com todos grilhões dali ao ver o que fizeram com o Amigo. Foi apoteótico. A liberdade foi arrancada à força.

Um filme que nos faz rir e emocionar! Com um personagem apaixonante! Melhor definido nas palavras do Roteirista, no Makink Off (Dvd): “Desde que nascemos gostamos de fazer parte do sistema. E isso é o que desejamos, exceto inventar nós mesmos. E McMurphy, em sua criminalidade e loucura e em sua obsessão, entende isso melhor do que ninguém.

Filmaço! Recomendo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest). EUA. 1975. Direção: Milos Forman. Roteiro: Bo Goldman. Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Will Sampson, Brad Dourif, Danny DeVito, Christopher Lloyd, Vicent Schiavelli. Gênero: Drama. Duração: 133 minutos.