Não Estou Lá (I’m Not There)

im_not_there-2.jpg

Uau! Para quem gosta de poesias, vai gostar desse filme. De uma poesia moderna, que foge da métrica tradicional, mas que encanta justamente por isso. Genial a maneira que Todd Haynes nos mostra – vida e músicas de Bob Dylan. Num período na carreira dele. Por outro lado, há um toque antigo nessa poesia, como um Sarau… também por essa idéia do Diretor em colocar vários artistas para serem Bob Dylan. Mas mais que declamarem, eles encarnam o homem, a criança, o poeta, o cantor, o rebelde … Todos em um único cara que o que quis foi traduzir-se em suas canções…

“I’m not there” – título mais que perfeito! Até por levar personagens onde o contexto… Deixa um jeito de: “É assim que vocês me vêem, é assim que também me vejo, mas eu… não estou lá! Não mais… Estou por aí… Não querendo ficar pregado em lugar algum… Sou múltiplos de mim mesmo…

Nem precisa ressaltar que a trilha musical é ótima, não é mesmo!!??

Outro ponto alto é a Fotografia! Ora em preto e branco, ora num colorido onde o amarelo, em vários tons, sobressai. Amei!

E claro que os atores que fizeram cada um o Bob, merecem aplausos! Destaco dois: o ator mirim, Marcus Carl Franklin, e Cate Blanchett!

Esse filme, entrou para a minha lista de que vale a pena rever! Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Não Estou lá (I’m Not There). EUA/AL. 2007. Direção: Todd Haynes. Com: Christian Bale (Bob Dylan/John/Jack); Cate Blanchett (Bob Dylan/Jude); Marcus Carl Franklin (Bob Dylan/Woody); Richard Gere (Bob Dylan/Billy); Ben Whishaw (Bob Dylan/Arthur); Heath Ledger (Bob Dylan); Julianne Moore, Michelle Williams e Bruce Greenwood. Gênero: Drama. Duração: 135 minutos.

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni, 3 Saptamani si 2 zile)

four-months-three-weeks-and-two-days.jpg

Ainda numa Romênia comunista… duas estudantes diante de uma decisão: fazer um aborto. Apenas uma delas é que está com essa gravidez indesejada. Cabendo a outra, mais do que a companhia, ser cúmplice nesse ato.

Entre mentiras e omissões, o preço a ser pago é muito maior a essa amiga. E por que? Amizade acima do limite? E é isso que a mim, chamou mais atenção nesse filme: o valor de uma amizade. Otilia foi amiga a toda prova.

Ao longo do filme somos levados a sentir o seu drama. E em certos momentos, quase sem respirar, acompanhamos sua longa jornada noite adentro… Sem julgá-la, apenas querendo entendê-la; querendo ser-lhe solidária… Aquele preço… o porque de ter aceito… Méritos da jovem atriz; grandiosa a sua atuação!

Um dia pesado na vida de ambas, é o que temos nesse filme.

Gabitza é a jovem que precisa fazer o aborto. E por que? Ou, por que chegou até aí? Aqui, eu convidaria também os homens para assistirem esse filme. Se esse aborda um universo feminino, é algo que partiu dos dois sexos – a concepção. Se cabe o direito à mulher de fazer o aborto, é preciso que o homem veja o drama que uma transa sem sem pesar as conseqüências, acarretará. Para o homem, após o prazer do gozo… Pode partir para outra transa… Mas se nessa transa, geraram um novo ser… Cabe a mulher o peso maior. Sendo assim, abortar… Deveria lhe ser de direito. Mas… À penas, a serem pagas.

O filme traz à mesa de discussões, o aborto. Legítimo até pelo fato que atualmente ainda há muitas gravidez precoces. Cada vez mais, mais jovens se engravidam, por não se precaverem. Sendo assim, manter, ou trazer o tema do aborto, já merece meus aplausos. Nunca fiz, nem faria um aborto. Não julgo quem o faça; muito menos sem antes saber dos motivos. Que venham mais filmes levantando esse tema. Ainda mais, com um Papa tão reacionário, fechando a questão e ponto final.

Agora, como falei no início, o calvário maior foi para a amiga. Que após uma noite tenebrosa… Vejam a “preocupação” da Gabitza no final…

Àqueles que não gostam de filmes lentos, não irão apreciar esse. Mas perderão mais um belo filme. Pois esse, traz cenas onde as horas, parecem passar lentamente para a Otília, e de cá, suas angústias, fica em nós um querer que passem logo.

Eu gostei desse filme! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 luni, 3 saptamani si 2 zile). 2007. Romênia. Direção e Roteiro: Cristian Mungiu. Com: Anamaria Marinca (Otilia), Laura Vasilu (Gabita). Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.

Juno (Juno)

juno2.jpg

Gravidez na adolescência… E agora?

Transar é muito bom! Mais há de se pensar no amanhã. Onde até os cuidados para isso, podem ser prazeirosos nas preliminares. Além das DSTs, corre-se o risco de uma gravidez. E se ela veio sem ser planejada… Fazer o que? O Filme “Juno” traz a mesa de discussão, esse tema: gravidez precoce.

Simplesmente, encantador esse filme! São raros os filmes que mostra esse universo adolescente sem os eternos clichês. De um jeito mais… mais real. Até porque, nós que passamos por essa fase, sabemos quais foram os nossos verdadeiros dramas; e queríamos respeitos por isso. Afinal, todos compõem essa tribo, quer seja um nerd, ou um alienado, ou um do meio-termo…

Merece elogios também por abordar algo que está em triste ascensão: gravidez precoce. Os problemas advindo com esse ato. Aborto… Adoção… Os Pais… A escola… Por aí…

Claro, que também para quem já conhece minhas resenhas… Nesse, EU dou um BRAVO por ser mais um que aborda o universo feminino sem estereótipos. E o faz com muito respeito. Ainda mais com algo tão feminino: a concepção. E o de querer ser mãe ou não. Pois não basta só gerar.

Outro grande trunfo está nos atores. Bela escolha de elenco!

Entrando na história…

Juno, tem consciência do que fez. Não fora algo apressado. Aconteceu, ou melhor é o quem tem grande chances de ocorrer: a gravidez. Ao contar primeiro a uma amiga, Juno nos conquista de vez!! É, o “pai” fica sabendo depois. E dentro de um todo aparato…

O lance seguinte, é contar aos seus pais. A mãe, mora longe; fez outra família. A presenteia com cactos… Juno mora com o pai e a madrasta… Contar, como contar a eles… Outro ponto alto do filme! A cena é perfeita! Os medos e anseios que passam na cabeça de cada um antes de ouvir… E no modo maduro, após a notícia. Afinal, já está feito…

Nesse ponto, há algo de muita maturidade. Algo que muitos adultos ainda não alcançaram esse nível de desprendimento. Quando Juno decide que uma outra família é que criará seu filho. E o faz com tanta naturalidade. Sem os preconceitos morais, religiosos tão comuns no mundo adulto. Eu amei!

Juno segue na escolha de um casal feliz, que se amam, que darão muito amor ao seu filho! Mas existe um casal perfeito? Uma criança precisa realmente de ter pai e mãe perto dela para ser feliz?

Juno e o Pai se querem muito bem. E durante uma conversa, querendo saber da tristeza dela… Ela quer saber se duas pessoas podem ficar juntas para frente. Ele então, diz: “Que o melhor a fazer é achar alguém que a ame pelo que você é. De bom ou mau humor. Feia ou bonita. O que for… Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.” Lindo conselho!

E destaque também para a trilha sonora!

Ah sim! Já me disseram que não sou um parâmetro em saber se o filme tem trechos que emocionam ou não (hehe… por eu ser manteigona…) Bem, nesse para mim, teve sim. De lágrimas riscarem a minha face com algumas cenas.

Amei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Juno. EUA. 2007. Direção: Jason Reitman. Roteiro: Diablo Cody. Com: Ellen Page, Michel Cera, J.K. Simmons, Allison Janney, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman.

Curiosidade: Diablo Cody levou o 0scar 2008 em Roteiro Original. E foi a sua estréia como roteirista. Premiação merecida!