Uma Simples Formalidade (Una Pura Formalità)

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Uau! Filmaço! De dar vontade em já sair trocando impressões com quem já viu, muito mais que motivar aqueles que ainda não assistiram esse filme. Mas irei me conter. Pelo menos vou tentar. Até em não deixar passar spoilers. E o que temos no filme?

Um homem (Depardieu) é pego por policiais por estar sem documentos, andando sem guarda-chuva numa noite tempestuosa e levado para a Delegacia. Lá chegando, ele cria confusões. Com a chegada do Delegado (Polanski), tem início as perguntas. Que por conta de alguns indícios, em vez de ser liberado, ele fica detido. Para uma simples formalidade. Até porque ocorrera um crime nessa noite. E o filme vara noite nessa investigação, ou melhor, colhendo depoimentos.

Depardieu, entre lapso de memória, diz ser Onoff. Nome de um grande escritor. Que por coincidência é o escritor preferido do Chefe de Polícia. Que a princípio, recusa-se a acreditar que está diante de seu ídolo, mas depois, usa o fato de conhecer bem seus escritos, para avançar nas perguntas. Ou seria na mente do Onoff? Que ora está on, noutras, off.

Quem morreu? Quem matou? O que fazem ali todas aquelas pessoas? Que lugar é aquele? Mas muito mais que descobrir essas e outras dúvidas, acompanhem a tudo. Até o pinga-pinga das goteiras que não cessam. Além do duelo verbal dos protagonistas, destaco também os personagens do escrivão e o velhinho do leite quente. São peças importantes nesse quebra-cabeça.

Uma inebriante caça ao rato! Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Simples Formalidade (Una Pura Formalità). 1994. Itália. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Gérard Depardieu, Roman Polanski, Sergio Rubini, Nicola Di Pinto, Tano Cimarosa, Paolo Lombardi, Maria Rosa Spagnolo. Gênero: Policial, Suspense. Duração: 108 minutos.

Soldado Anônimo (Jarhead. 2005)

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Pode parecer estranho trazer um filme que eu não recomendo, mas se o assistirem não sairão decepcionado; não de todo. Sendo assim, deixo as minhas impressões.

Começando pelo título nacional – Eu o vi não por ele, Swoff, não ter um nome (identidade), mas por ser alguém comum. Igual a tantos outros que se alistam, independentes de serem ricos ou pobres. E cada um levando o seu porque ao se alistaram. Pelo menos ali estão todos no mesmo barco e como uma ferramenta nessa engrenagem. Sendo assim, esse título dado no Brasil foi razoável. Quanto ao título original, é uma gíria. De uma mente vazia na espera de enche-las com ideais de outrens.

O filme mostra um quase “antes-durante-e-depois” num momento da vida de Swoff e alguns outros. Momento esse, sendo uma guerra que veio até nós, ao vivo, pela Tv, pela internet… Focando mais pelo ângulo de quem esteve no campo de batalha. Uns dias, que ficarão para sempre em suas lembranças!

Abro um parêntese, porque enquanto os dois lados, na guerra real, preocupavam-se com o que mostrariam aos de casa e ao mundo, uma equipe de jornalistas de Portugual mostravam o que realmente acontecia por lá. Parabéns a esses soldados-da-mídia! E que os tornei anônimos, por não lembrar de seus nomes.

No início, uma cena comum: um sargentão, meio sádico, condicionando-os a enfrentarem momentos de tensão. Para sentirem que matar é permitido; e outras “lições” mais. E surgem outros superiores ao longo do filme; simpatizando mais com uns do que com outros. Nesse tocante, lembro do “A Força do Destino” (An Officer and a Gentleman) onde os personagens de Richard Gere e Louis Glossett Junior, vivenciam essa relação – impondo duramente o outro a superar seus limites -, mas num tempo maior. Em “Jarhead“, tudo é mostrado num tempo menor, mas sem parecer que faltou algo – as falas e as expressões dão conta do recado. Mostra também a relação entre companheiros. O grau de intimidade entre eles. Dormindo juntos. Lutando juntos. E etc.

Trago o “tomando banho junto”, em separado porque nessa hora “tiraram” a luz da cena. Que coisa!! Deu vontade de falar: “CORTA!! Gravem com mais luz!!” Não tiraram a luz na hora em que exibiam o filme “O Franco-atirador” (The Deer Hunter); em cena. Foi um preconceito ao nu frontal masculino.

Uma cena memorável é uma onde o Swoff senta num caixote, com corpos carbonizados a seu redor… Sei lá, me fez lembrar da escultura ‘O Pensador’, de Rodin. É muito rápido. Até a frase, uma única, que diz e para “quem” ele diz… Nossa! É, dá o que pensar.

Outra cena que fica retida, é com Swoff e Troy caminhando no deserto, à noite. Sendo que essa é pela beleza plástica! Uau! Parece um cartão postal! Lindíssima!!

Em relação a trilha musical, realmente é incrível! Num estilo de “levantar o moral da turma!”. Logo no início do filme ouvirá “Don’t worry, be happy”; depois um “Gonna make you sweat (Everybody dance now)”; tem Nirvana; The Doors; T-Rex – “Bang a gong (get it on)”; além da clássica “Cavalgadas das Valkírias”, Wagner; entre outras.

Bem, embora mostrando uma guerra, o filme mostra quem gosta ou não da vida militar. O que representa ter uma arma de fogo nas mãos. Que caminhos os levaram até uma guerra que não é deles. E tudo numa visão bem masculina. Mulher, ou a imagem feminina, nesse filme, não passa de um mero objeto para “aliviar” tensões; entre outras coisas. Uma lástima!

Enfim, ou por fim, como disse no início, podem assistir. De tudo, não será perda de tempo, nem de dinheiro. Nota: 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Soldado Anônimo (Jarhead). 2005. EUA. Direção: Sam Mendes. Elenco: Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard, Jamie Foxx, Scott MacDonald, Brian Geraghty. Gênero: Ação, Comédia, Drama, Guerra. Duração: 123 minutos. Baseado no livro Jarhead do soldado Anhony Swofford (Onde ele conta os apuros e as aflições pelas quais passou enquanto servia ao Exército norte-americano).

Trem da Vida (Train de Vie)

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Como pode um filme contar um fato histórico tão horrível de um jeito encantador? Esse, o fez e com brilhantismo! E muito, mas muito divertido. Ah! O fato histórico é o Holocausto.

Agora, um pouquinho desse belíssimo e divertidíssimo filme…

Com a notícia do avanço dos soldados alemães, um grupo de judeus numa pequena província decidem que devem partir. Mas como? Juntos, seria difícil pois iriam levantar suspeitas. Eis que, o mesmo que trouxera a notícia, também traz a solução: montar um trem de deportação e uns, se passariam por alemães. Assim, teriam uma chance para fugirem da perseguição nazista. E com isso somos brindados com cenas hilárias.

Fingindo estarem num trem de deportação já fora uma grande idéia. Mas… Primeiro, que quem a trouxera é o louco/bobo da região, Schlomo. E todos eles tendo que aceitar esse fato. Depois…

Bem, um trem custa dinheiro. Tirar dinheiro de judeus? É, eles fazem sim piadas disso; e de querer voltar as cenas para curtir outras vezes. Desde a coleta… passando pela compra, que tem que ser vagão por vagão para não despertar suspeita… até a saída… as cenas são hilárias. E a locomotiva comprada que puxará todos aqueles vagões!!!! O que é aquilo? Também, com a grana arrecadada, não poderiam exigir grande coisa. E sem esquecer do maquinista, pois nenhum deles sabia conduzir um trem. Conseguem um que… Melhor assistirem.

Seguindo… Qual deles seriam os alemães? As escolhas… no falar um alemão sem sotaque; é, importaram até um “professor” de alemão … as ironias entre os dois povos: judeus e alemães… e mesmo com as compras, ou naqueles que saiam às compras… um deles, voltando com ideais marxistas. Então, nesse trem, teria: judeus, “alemães” e comunistas? E só? Não…

Assim como, em meio a uma discussão, inicialmente suscitada por comida, e durante o ritual religioso, indo parar nos ideais marxistas… Schlomo, diz: “O homem escreveu a Bíblia por medo de ser esquecido, sem se importar com Deus.“.

No caminho desse trem… além de tentarem passar despercebidos pelos alemães reais… são perseguidos por um grupo de rebeldes que acha que o trem é real, e assim, querem explodi-lo.

Numa certa parada… o lance de conseguirem mais comida… Me trouxe a grata lembrança da Série “Guerra, Sombra e Água Fresca” (Hogan’s Heroes), tal foi a comicidade da cena.

E o final… Aí… Temos enfim, a realidade nua e crua do que foi esse episódio lamentável na História da Humanidade. Mas que nos deixa também a certeza de que é preciso:

Sonhar, mais um sonho impossível. Lutar, quando é fácil ceder. Vencer, o inimigo invencível. Negar, quando a regra é vender. Sofrer, a tortura implacável. Romper, a incabível prisão. Voar, num limite improvável…

Um filme que vale a pena ver e rever! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trem da Vida (Train de Vie). 1998. França. Direção e Roteiro: Radu Mihaileanu. Com: Lionel Abelanski, Rufus, Clement Harari, Michel Muller, Agatha de La Fountaine. Gênero: Comédia, Drama, Romance, Guerra. Duração: 103 minutos.

O Clube do Imperador (The Emperor’s Club)

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No início do filme um breve presente, para em seguida mergulhar no passado e dele retirar lições. Afinal, não dá para reescrever o que já está feito. O que pode ser feito é não cometer os mesmos erros de outrora.

Quem faz esse balanço é o então aposentado professor William Hundert (Kevin Kline). Ele está de volta a escola St. Benedict. Um local para formação de jovens pertencentes a alta sociedade americana. Mas mais que receber uma justa homenagem, esse encontro irá mexer com uma certa turma, com os alunos que dela fizeram parte. E entre eles, o jovem Sedgewick Bell (Emile Hirsch), filho de um influente Senador. À época, mais do que a sua inteligência, a sua rebeldia, a sua indisciplina, atraiu a atenção de Hundert. Esse acreditando que o faria trilhar o caminho certo, creditou nele sua própria postura.

Nesse caminho de volta, ficamos sabendo o que de fato todos aprenderam. Ou seria, o que todos assimilaram do que fora ministrado. Em destaque, a frase símbolo de todas as lições: “O caráter de um homem é o seu destino.

Atualmente, onde há tantos pais presos em seus compromissos, onde há uma guerra urbana nas ruas, onde há uma grande competição no mercado de trabalho, o filme nos leva a algumas reflexões:

Qual é o papel de um Professor numa sala de aula? O que cabe ao Professor na formação de um jovem? O meio, corrompe? Os percalços, como serão absorvidos? Caráter é algo inato? Alguém tem mesmo o poder de influenciar outra pessoa? Que lições tirar em cada conflito? Ou até, quem estaria enganando quem?

Enfim, é um filme para assistir com tempo e com calma. Como se estivesse saboreando uma taça de um excelente vinho. Até para não confundir com “Sociedade dos Poetas Mortos” (Dead Poets Society). Confessando aqui que uma lágrima rolou no final.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Clube do Imperador (The Emperor’s Club). 2002. EUA. Direção: Michael Hoffman. Com: Kevin Kline, Emile Hirsch, Embeth Davidtz, Rob Morrow, Edward Herman, Paulo Dano. Gênero: Drama. Duração: 109 minutos. Baseado no Conto The Palace Thief, de Ethan Canin.

O Som do Coração (August Rush. 2007)

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Pode alguém separar uma mãe de seu filho achando que ele impediria a carreira dela? Ainda mais sendo o avô dessa criança? Por conta de ainda não ter nascido, nem um pouco de amor existe para o seu neto? Pois é o que temos aqui, nesse filme. E é essa criança que nos conta essa história.

Às vésperas de completar 12 anos de idade, ainda num orfanato, o pequeno Evan (Freddie Highmore) acredita que seus pais estão vivos. Que a música o levará até eles. E por que a música, se ali no orfanato são impedidos de ouvir? Porque o dom em ouvir a música, ou a musicalidade que há nos movimentos tanto da natureza, como do que foi construído pelo homem, esse dom ele recebeu dos pais. Como ele mesmo diz: “A música está em tudo, basta saber ouvir.” E mais, acredita também que fora concebido ao som, pelo som de uma linda música. E estava certo.

Por conta de uma nova faixa etária, ao ser entrevistado por um do Conselho Tutelar, em lágrimas, pede que gostaria de permanecer ali. Por receio de dificultar os pais de chegarem até ele. E ao ficar encantado com o assobio do cara, que diz que apenas segue o ritmo da música que sai no balanço dos sinos de vento… Ele marca a diferença para o Jeffries (Terrence Howard), que lhe dá um cartão para que ligue para ele sempre que precisar.

Ao voltar ao quarto, em conversa com um amigo, resolve ir ao encontro dos pais. Como um ponto por onde começar, segue para Nova Iorque, a procura de Jeffries. E assim começa a sua longa jornada. De cá, acompanhamos essa trajetória ora com alegria, ora com aflição, mas sem perder o encanto. Quem assistiu “Em Busca da Terra do Nunca” (Finding neverland) irá sorrir com um pensamento do Evan após um pesadelo.

Sempre seguindo a música, ele termina por conhecer o Mago (Robin Williams). Esse reúne crianças de ruas com dons artísticos num prédio abandonado. Mas não é um mecenas. Pelo contrário, é um explorador do talento daquelas crianças. E que o olho cresce diante do potencial talento nato de Evan. Ele quem escolhe um novo nome para ele: August Rush.

Paralelo a isso, sua mãe (Keri Russell) toma conhecimento de que seu filho não morrera no acidente de carro. E se dispõe a procurá-lo. Nessa busca, o destino conspirando a favor, a faz encontrar Jeffries…

August Rush, percebe que com o Mago não irá muito longe. Como se ficando com ele, o som do dinheiro o fará não ouvir o som do seu coração. E esse, quer ouvir o som que o levará até seus pais.

Continuando na busca… ele ouve “Raise it up” e conhece Hope (Jamila Simone Nash). Que nome significativo para que o ajude a seguir em frente!

A cena onde pai (Jonathan Rhys Meyers) e filho se encontram, arrepia! Não apenas por não saberem quem são, mas também pelo talento musical dos dois. Os dois, sentados na praça dão um show para duas pessoas: eles mesmo.

Se alguém já detona um filme por ele ter um final previsível, é melhor assistir outro filme. Agora, irá perder um lindo final! Algo que nossos corações aceleram nos quinze minutos finais.

Dizer que a trilha musical é linda, creio que possa parecer redundante.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

O Som do Coração (August Rush). 2007. EUA. Direção: Kirsten Sheridan. Elenco: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams, William Sadler, Marian Seldes, Jamia Simone Nash, Leon Thomas III. Gênero: Drama. Duração: 100 minutos.

Querelle (Querelle)

A história de um jovem marinheiro, Querelle, que se vê deslumbrado diante do seu poder de seduzir e deixar a todos fascinados.

O filme é uma adaptação livre do livro de Jean Genet. Assim Fassbinder explicou sua obra, numa entrevista pouco antes de morrer:

Em relação à contradição existente entre a intriga objetiva e os fantasmas subjetivos que são descritos em “Querelle De Brest”, ele me parece ser o romance mais profundamente extremista de toda a literatura mundial. Na realidade, a história em si, se for isolada da imagem do mundo de Genet, apresentaria pouco interesse, seria apenas uma banal história policial.
Por outro lado, existe o modo de Genet contar esta história, sua imaginação excessiva, que dá vida a um mundo que, a princípio, nos parece estranho, um mundo que parece existir apenas em função de suas próprias leis, e que encontra suas origens em uma mitologia inteiramente extraordinária.”

É um filme diferente tanto na forma como no conteúdo. O cenário é visivelmente gravado em estúdio. Não que isso seja algo negativo. Pelo contrário, dá uma teatrilização a história. Eu gostei! Embora a luz recaia mais nos atores, ficando um aspecto sombrio em volta, ao mesmo tempo que angustia um pouco, também nos envolve aquela atmosfera carregada de erotismo.

O filme aborda o homossexualismo… Diria que bem provocador a aqueles que discriminam. A única personagem feminina é a mais idosa. Não sei se por algo freudiano… Mas ela faz uma ponte entre Querelle e os personagens do Bar/Cabaré.

Uma das frases – “Todo homem mata aquilo que ama“, pontua a subversão nesse filme.

Há um crime, que termina por envolver várias pessoas, as que desembarcaram no porto, e as que vivem ali. Quem morreu? Quem matou? O que tem Querelle com toda essa história? O jovem que era quando ali chegara, o homem que se transformou em tão pouco tempo, é o que ficamos conhecendo. E os outros personagens também.

Querelle subverte a ordem de um jeito que nos encanta. Mas fica difícil antever se a moçada irá gostar desse personagem. Ah! É um filme desaconselhável para homófobos.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Querelle. 1982. Alemanha. Direção: Rainer Werner Fassbinder (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant). Elenco: Brad Davis (Midnight Express), Franco Nero (Django), Jeanne Moreau (Jules et Jim), Gunther Kaufmann, Hanno Poschl. Gênero: Drama, Policial, Romance. Duração: 108 minutos.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall)

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Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall). EUA. 1977. Roteiro e Direção: Woody Allen. Com: Woody Allen, Diane Keaton e Christopher Walken, Paul Simon, Shelley Duvall. Gênero: Romance, Comédia. Duração: 93 minutos.

Esse, eu fui buscar no fundo do baú… De vez em quando é bom rever um filme. Em se tratando de um dos do Woody Allen, que ainda continua em atividade… Bate uma curiosidade pessoal, de saber qual seria a reação de agora. E… Gostei!

O filme mostra um certo “encantamento” por alguém que consegue ser diferente, ao mesmo tempo que possui algo em comum. Mas que só são percebidos, que dão mais ênfase as tais diferenças. O tal do: os opostos que se atraem… Será que isso dá suporte ao romance.

O que manteria a chama do amor acesa? Que seja eterno, enquanto dure? Como fica o lado profissional? Que peso ele tem na relação?

Nessas trocas mútuas que há entre o casal… Conhecemos a história desse casal. E em se tratando de Woody, pinta até analista. No caso dois, pois ele a faz ir num para superar o seu bloqueio de cantar em público.

Com as aventuras, e desventuras de Alvy e Annie…. Somos brindados com passagens hilariantes. Assim como também com situações que nos levam a pensar. Uma delas seria: E quando o amor se transforma em gratidão?

“Annie Hall” é um desses filmes que vale a pena ver de novo! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Closer – Perto Demais (Closer)

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Gostei do filme! Se sentimentos viraram clichês para uns, para mim não. Emocionar, chorar, sorrir, encantar-se, “rodar a baiana”, errar, reconhecer que errou, está pronta para aprender todos os dias… Enfim, se tudo isso está dentro de nós, por que não vivenciar? Por que ocultar? Por que envergonhar-se? Ou ainda, por que discriminar?

É um dos filmes que com certeza entrou para minha lista: “valer a pena rever”. Há filmes que mexem mais, outros menos. O principal é durante aquele momento nos transportermos para a história em busca de distração. (Com exceção, de alguém ser forçado a assistir como matéria de prova, por ex.). Refiro-me a não olhar o filme como um “manual de auto-ajuda”. Não é papel do filme.

Closer, prende a atenção e num crescente. Segue assim até o final. Nossa! Aquele final, é emocionante! Aqueles olhinhos abertos da personagem da Júlia Roberts é um presente! O que extrairmos dali?

-> Que não há “príncipes encantados” (Basta ver o panacão dormindo ao lado dela. Não que ache errado alguém dormir de cansaço, ainda mais após uma transa. É que ao longo do filme, o personagem não me agradou. Conto daqui a pouco o porque; ou um deles.).

-> Que não há o “e foram felizes para sempre”. Porque o relacionamento é construído a cada dia. Ninguém pega um “pacote fechado”. Vai-se conhecendo um pouquinho em cada momento. Por vezes, num belo dia, parece que se conviveu com um estranho. Se foi apenas um pequeno “susto”, que ele sirva de alerta e com isso, haja um entendimento; o tal do “vamos discutir a relação”. Do contrário, é cada um seguir em separado.

E é nisso que, para mim, o filme se baseia – em relacionamentos. Mas não em “amores impossíveis”, nem em “romances água-com-açúcar”.

São quatro visões, duas femininas e duas masculinas. E que não trazem a inscrição: “essa é a atitude mais acertada”. As atitudes diferem. Porém, com os personagens masculinos houve quase que uma disputa de quem era o melhor na cama; a partir de um ponto não mais se preocuparam com a parceira do momento. Pois, perdidos nesses desvarios, houve um vai-e-vem nas relações.

A personagem da Natalie Portman diz algo que toca fundo num relacionamento: “Eu teria te amado pra sempre…” Talvez, por ser a mais jovem, foi a que realmente fechou um capítulo. Dando fim na relação. O filme “Magnólia” retrata esse lance de não ter encerrado bem o capítulo. De mostrar que os ressentimentos ficam ali, em algum ponto, esperando para vir à tona. E se ao virem, continuam sendo não bem trabalhado… Continuarão a assombrar…

Para mim, a personagem da Natalie escolheu naquele memorial, o nome, no caso Alice, numa de:
- dizer que é simples ‘construir’ uma história – em fantasiar. O difícil é construir uma história real numa relação. Precisa ser construída no dia-a-dia.
- também, em mostrar que há quem se apegue ao passado, fazendo até comparações. Quando deveria ‘enterrar’ o passado. Começar do zero.

Se alguém quer tirar lições do ou no filme, vai estar equivocado. Muito embora esse filme põe o dedo na ferida. E para quem quiser assistir um bom filme, eu recomendo. Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Closer – Perto Demais (Closer). 2004. EUA. Direção: Mike Nichols. Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen. Gênero Drama, Romance. Duração: 100 minutos.

Irreversível (Irréversible. 2002)

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No meio desse caminho tinha mais que uma pedra…

Um filme que expõem os instintos animalescos dos homens. Perversos, até. O outro lado oculto. Que é deflagrado por justamente não querer racionalizá-lo.

Uma frase pontua a história: “O tempo arruina tudo.” O outro lado da moeda – a face oculta. Pois visto por um outro ângulo o tempo edifica. Mas não é disso que o filme fala.

O filme deixa alguma indagações, mas que estariam mais num plano real; e não no contexto do filme. Entretanto, um deles seria em uma jovem usar uma passagem subterrânea, sozinha, e à noite. Se de dia já é assustador.

A história é contada de trás para a frente. Basicamente é um dia na vida de três pessoas. Um dia que ficará marcado para sempre. E que não terá mais volta.

Mesmo que queiram rever seus próprios conceitos que disseram de forma até descontraída a caminho de uma festa… Viram, sentiram, vivenciaram um outro lado nessa noite fatídica. Algo que nem sonharam. Opa! A jovem sonhara com algo. Presságios? Ou sinais desperdiçados ao longo do dia?

Uma jovem, um ex-namorado e o atual são os protagonistas dessa história. E um causador da barbárie com a jovem. Mas teria saído incólume dessa? Logo ele?

Ódio. Vingança. Violência gerando violência. Estariam certos os dois jovens a agirem como agiram? Dariam satisfação a quem? Ou a que? O mal já estava feito. Não teria sido melhor entregá-lo a polícia?

O filme levanta um outro ponto: no quesito promiscuidade. Tanto no inferninho, como na festa do apartamento, rolava sexo e drogas. Em doses diferentes? Sim. Mas que não deixava de levar a uma mesma intenção: o prazer carnal. E amoral. Então, em ambas, as conseqüências não tardam.

Atentem para a conversa dos três a caminho da festa. E por um pedido em especial feito pelo namorado a Alex ao acordarem. São falas que… que o estupro destruiu tudo e de modo irreversível. É no que virá depois, no “acordar” daquele dia/noite… que impressionam muito mais…

Ah! Para quem ainda não viu, há duas cenas chocantes!

Enfim, pode até ser que eu venha a rever, mas por enquanto, nem pensar. Nota: 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Irreversível (Irréversible). França. 2002. Direção e Roteiro: Gaspar Noé. Com: Monica Bellucci, Vincent Cassel, Albert Dupontel. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 99 minutos. Classificação: 18 anos.

Paris, eu te amo (Paris, je t’aime)

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Instantâneos de ilustres moradores se entrelaçando com anônimos numa Paris que não dorme. Nos convidando a conhecê-los!?? Gente que vive, trabalha, passeia. Com amor ou por um amor. Numa Paris que por ora uma metróple, noutras, a poucos passos surge como uma bucólica vila.

Gente que vivem uma paixão. Que sonha com um amor. Um amor que pode de repente cair aos seus pés. Ou por um que partiu para sempre. Um que fica esperando pela hora do reencontro – aquele olhar perdido da baby-sitter enquanto acalentava o bebê da patroa, arrepiou! Como também o tremor das mãos da para-médica, segurando os cafés.

Nessa Paris que alucina até na visão de um casaco vermelho. Vermelho do sangue que corre nas veias. Ou mesmo como uma doce canção. Uma Paris multi-colorida. Quer seja durante o dia, quer seja à noite, ela pulsa em tons ora vibrantes, ora melancólicos, mas que reflete a luz do coração dessa gente. O episódio com os vampiros me fizeram lembrar dos livros da Anne Rice.

Onde os sentimentos, os medos, os anseios, as tristezas… ressurgem liberando a todos para um novo amanhecer. Para brindar o amor a vida. E como diz a canção “dançar com a música”. Pois a vida continua. Amei o filme! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Paris, eu te amo (Paris, je t’aime). 2006. França. 21 Curtas sobre a cidade de Paris. Gênero: Drama, Romance. Duração: 120 minutos. Elenco: Steve Buscemi, Miranda Richardson, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Wes Craven, Emily Mortimer, Elijah Wood, Alexander Payne, Natalie Portman, Gérard Depardieu, Gena Rowlands, Catalina Sandino Moreno.
Diretor: Olivier Assayas (segment “Quartier des Enfants Rouges”);
Frédéric Auburtin (“Quartier Latin”);
Gurinder Chadha (“Quais de Seine”);
Sylvain Chomet (“Tour Eiffel”);
Ethan Coen & Joel Coen (“Tuileries”);
Isabel Coixet (“Bastille”);
Wes Craven (“Père-Lachaise”);
Alfonso Cuarón (“Parc Monceau”);
Gérard Depardieu (“Quartier Latin”);
Christopher Doyle (“Porte de Choisy”);
Richard LaGravenese (“Pigalle”);
Vincenzo Natali (“Quartier de la Madeleine”);
Alexander Payne (“14th arrondissement”);
Bruno Podalydès (“Montmartre”);
Walter Salles (“Loin du 16ème”);
Oliver Schmitz (“Place des Fêtes”);
Nobuhiro Suwa (“Place des Victoires”);
Daniela Thomas (“Loin du 16ème”);
Tom Tykwer (“Faubourg Saint-Denis”);
Gus Van Sant (“Le Marais”).