Dançando no Escuro (Dancer in the Darker. 2000)

dancer_in_the_dark21.jpg

Após assistir esse filme, fiquei pensando em como escreveria para motivar a outras pessoas para que o vissem também. Porque eu gostei! Daí veio uma dúvida: e para aqueles que não gostam de musical, como dizer a eles? Bem, para quem passa longe de filmes que não sejam de ação ou suspense, muito embora sempre tenha uma primeira vez, não sei se serei capaz de demovê-los dessa idéia. Sorry!

Agora, para quem apenas torça o nariz, creiam, as músicas fazem parte do imaginário da protagonista. Um jeito que ela encontrou de dar um “colorido” a sua vida. Que até poderia ser como uma válvula de escape, mas que para alguém que sabe, desde criança, que seu futuro será de escuridão (ficará cega) essas fantasias ganham um outro peso. Um trechinho, para ilustrar:

Eu vi o que escolhi ver. Vi o que precisava ver…
Você já viu tudo isso. Sempre pode rever. Na telinha da sua mente

Mas não fica apenas nisso. Mesmo sabendo que um filho teria o mesmo destino, ela o trouxe ao mundo. E mais do que o amor maternal, veio junto um sentimento de culpa. E por ele, um drama maior… Mais uma vez, “viver um musical” lhe veio como consolo.

Você só fez o que foi preciso

Será? É uma pergunta que me fiz.

O porque desses escapismos nos musicais? Ela amava os musicais (filmes) americanos desde criança. Dizia que a penúltima música já a avisava que o final estaria próximo. A partir daí, resolveu sair dos filmes nesse momento. Por desejar fazer um outro final, mais alegre, mais colorido, mais claro…

Dizem que é a última canção, mas eles não nos conhecem, só será a última canção se deixarmos que seja.

E para o filho que ela tanto quis:

O tempo que leva para uma lágrima cair, é o tempo que basta para se perdoar. Perdoe-me!

Como diz uma de nossas canções: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é“…

Eu recomendo! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dançando no Escuro (Dancer in the Darker). França. 2000. Direção e Roteiro: Lars Von Trier. Com: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Joel Grey, Cara Seymour. Gênero: Drama, Musical. Duração: 140 minutos.

Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love. 2000)

inthemoodforlove1.jpg

Um filme que impressiona… Por levar a pensar: como um filme pode exalar tanto erotismo sem uma única cena de sexo explícito? Os olhares, os vestidos, o ambiente onde parece que as paredes têm ouvidos… Uau! Os dois protagonistas, Chow e Su dão um show de sensualidade!

Chow e Su mudam-se para o mesmo prédio no mesmo dia. Ambos, casados. Ele, jornalista. Ela, secretária. Encontram-se, sempre casualmente, pelas escadarias do prédio ou de onde vão comprar comida… nos jogos de mahjongg com os senhorios… na volta do trabalho… Tanto o marido de Su, como a esposa de Chow, não aparece por completo.

Chow e Su descobrem que além de gostarem do mesmo tipo de história (leitura)… Por dois objetos que carregam sempre (a gravata, dele; e a bolsa, dela)… descobrem que estão sendo traídos. É, seus esposos são amantes. E aí?

Pagar na mesma moeda? Fazer o mesmo que eles?

Chow então lhe diz algo lindo… um ode ao amor! Fica difícil resistir a ele. Amei esse personagem!

E a trilha musical é inesquecível! Nat King Cole “é o mestre de cerimônia” para Chow e Su…

sempre que eu pergunto que,
como, quando e onde,
você só me responde,
quizás, quizás, quizás…

Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love). China. 2000. Direção e Roteiro: Wong Kar-Wai. Com: Tony Leung (Chow), Maggie Cheung (Su Chan). Gênero: Drama, Romance. Duração: 98 minutos. Classificação: 14 anos.

Betty Blue (37°2 Le Matin)

jean-hugues-anglade-et-beatrice-dalle.jpg

“O título original do filme, traduzido ao pé da letra, significa 37,2 graus (centígrados) pela manhã, uma referência à temperatura do corpo e à hora do dia mais propícia para uma mulher engravidar. Betty é uma mulher cujo espírito vive nesse estado febril, nesse período fértil 24 horas por dia”.

Começo pela duração do filme, que nessa versão em Dvd foi ampliada; sem os cortes do que foi à época para o cinema. E o por que? Porque não irão ver o tempo passar. Nele encontrarão um pouco de: drama, romance, comédia, suspense… pontuando um tórrido e explosivo romance. Entre Betty e Zorg. Que também subverte a vida dos que estão próximo.

Betty, dos encontros noturnos… numa certa manhã, meio que invade a vida, a casa desse… diria, desse pacato cidadão que é o Zorg. De malas, ela praticamente o escolheu para ser o seu eterno amor. Por vezes uma doce menina, noutras uma mulher pronta a viver seu desejo, aos poucos nos dá a certeza de que não será um romance banal. E num de seus acessos de… descontrole… ela descobre algo que Zorg ocultara, até então. Que a faz ficar… fascinada… Pondo mais fogo nessa paixão.

Zorg, é um doce de pessoa! Eu me apaixonei por esse personagem. Ele a deixa entrar em seu coração, em sua vida… A princípio, como uma novidade. Como quando a recebeu, ainda tímida, meio que pedindo permissão para nela, dela fazer parte… Depois, numa entrega de corpo e alma… E faz loucuras por esse amor… acalorado… louco… bandido… por esse amor transgressor, mas que veio para ficar.

Entre cenas longas e curtas de sexo explícito (A que inicia o filme… longa, talvez sim para uns… A mim… Fiquei numa de: “Espere por ela…”. Outra, perto de uma lareira… Uau!!), em vê-los desnudos até em viver essa paixão louca… Entre cenários simples onde a natureza dá o tom… Com uma trilha sonora belíssima… Betty e Zorg nos deixa um convite para revê-los outras vezes mais.

Ah! o final… O final nos leva a pensar. Assistam! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Betty Blue (37°2 le matin). França. 1986. Direção e Roteiro: Jean-Jacques Beineix. Com: Jean-Hugues Anglade (Zorg), Béatrice Dalle (Betty), Gérard Darmon (Eddy), Consuelo De Havilland (Lisa), Jacques Mattou (Bob). Gênero: Drama. Duração: 185 minutos. Classificação: 18 anos.

SHORTBUS

shortbus-0.jpg

O filme traz cenas de sexo explícito. E… Uma resposta do Mitchell ao lhe perguntarem a diferença entre essas cenas e pornografia: “O propósito da pornografia é estimular, apesar de que aqui a prioridade é a vida emocional dos personagens.” E arremata: “O sexo foi desvalorizado pela pornografia.”

Logo no início… me vi lembrando de uma conversa entre os dois personagens de “O Balconista” (Clerks)… como também me senti penalizada pelo rapaz; pelo esforço em fazer aquilo… E o porque desse ato? Ao desenrolar do filme, vem a explicação. Ele é o James. Vive uma crise existencial… Seu companheiro, Jamie, tenta ajudá-lo, mas só no que o outro lhe dá acesso.

Numa dessa ajuda… Eles conhecem Sofia. Ela é uma terapeuta sexual que também passa por um desacerto: não consegue ter orgasmo. Durante um descontrole numa das sessões… Os dois, lhe falam sobre o Shortbus.

O que vem a ser o Shortbus? Um Salão onde rola de tudo… Um ponto nova-iorquino underground. Onde as pessoas ainda sob um efeito pós 11 de Setembro, vão para liberarem suas energias… Tentarem se conectar uns aos outros… Por ali não haver cobranças…

Sofia conhece por lá Severin, uma dominatrix, que também está insatisfeita. Ambas procuram se ajudar.

Outros personagens também pontuam o filme. Atuação, trilha musical, cenários, perfeitos! Eu gostei do filme! Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

SHORTBUS. EUA. 2006. Direção e Roteiro: John Cameron Mitchell. Com: Raphael Barker, Lindsay Beamish, Justin Bond, Jay Brannan, Paul Dawson, PJ DeBoy, The Hungry March Band, Sook-Yin Lee, Yolonda Ross, Daniela Sea. Gênero: Drama. Duração: 107 minutos. Classificação: 18 anos.

VOLVER

volver_almodovarAlmodóvar trouxe nesse filme, Volver, o que a falta de um diálogo pode ocasionar.

Pois vejamos o que temos nesse filme. Em destaque: três gerações de mulheres, aparentemente dominadoras; mesmo exarcebando até um jeito bem feminino em cumprimentar.O filme faz uma análise crua do sentimento familiar e de cada um dentro desse núcleo. O que está por trás de cada decisão tomada. Mas que se for feita sem contar aos outros… pode ressuscitar dúvidas, julgamentos, cobranças… Afinal, bem ou mal, estão todos ligados por laços familiares. E numa família também há os diferentes… Também há quem se comporte de modo reprovável…

Seja quais forem as intenções, elas devem ser compartilhadas. E que julgamentos sem ouvir o outro lado não é algo certo a se fazer.

“Volver” também mostra que alguns terão que lutar com seus moinhos de ventos; seus dragões; suas expiações… E cada um tem jeito próprio de vivenciar tudo isso…

O que pesou mais nessa convivência, foi sim a falta de diálogo entre elas.

Ocultar, ou melhor, apenas enterrar, não faz com que esqueçamos de algo… Os fantasmas um dia podem aparecer e… Lembraria aqui de uma frase de Jung: “O que não enfrentamos em nós mesmos, encontramos como destino.

Por um outro lado, o ficar mostrando (os túmulos), fica parecendo idolatria ao ego.

Por último, o que não ficou bem resolvido “voltou”… E aí??? E aí, ao revolver… o melhor é ter consciência do que fez, ou falou, mas sobretudo, é ter consciência de seguir em frente. Se possível, com uma carga a menos.

Eu gostei do filme! E não entendi o porque de tantas críticas contrárias a Volver. Menos ainda, quando ficam numa de comparar filmes do mesmo Diretor. Creio que em cada um, ele quer dizer algo diferente. Excetuando, claro, quando trata-se de uma seqüência. Ou quando o Diretor diz que é como uma Trilogia; ex: Iñárritu com: Amores Brutos, 21 Gramas, Babel. Aliás, esses três filmes do Iñárritu também aborda a comunicação; as conseqüências dela quando não há entendimentos.

Cenários e trilha sonora, assim como atuação dos atores, excelente.

Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

VOLVER. 2006. Espanha. Direção e Roteiro: Pedro Almodóvar. Com: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Chus Lampreave, Billy West, Maurice LaMarche, Yohana Cobo, Mary Tyler Moore. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 121 minutos. Classificação: 14 anos.