Conduta de Risco (Michael Clayton)

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A advocacia é uma profissão instigante. Por levar aqueles que a exercem manterem quase que uma posição paralela a causa defendida. Mais que irem na defesa do fato, seguem o caminho de tirar o fato de foco. Em fazer com que aquilo que defendam os outros não possam provar que existiu. E é o que veremos em: Conduta de Risco.

No início do filme, uma voz em off, me levou a pensar em algo que comentei em “O Cheiro do Ralo”. Em que certas profissões há algo de podre no que fazem. Com o desenrolar do filme, o mea culpa dessa pessoa, essa tomada de consciência também me levou a pensar em outros filmes. Um deles, um com John Travolta: “A Qualquer Preço” (A Civil Action). E até ao fato ao qual esse off irá nos mostrar mais tarde, também me levou a pensar noutro filme, o “Erin Brockovich, Uma Mulher de Talento”.

Mesmo o roteiro deste me levando a lembrar de outros, das causas defendidas noutros filmes… Esse é muito bom.! Por mostrar até que ponto alguém se vende. Até onde vai os escrúpulos em manter-se no jogo e no topo.

Um pouco da história do filme:

A voz em off é do Arthur (Tom Wilkinson), amigo, e quase um guru para o Michael (George Clooney). Ele é que o fará repensar. Ambos trabalham para uma grande agência de advocacia, a qual representa pessoas ricas, como também grandes conglomerados. E o que eles fazem por lá? Melhor definido por algo dito por Michael a um dos clientes: “Eu não faço milagres, eu limpo o que está sujo!

Mas isso é fichinha perto do que levou o Arthur a querer abandonar o jogo. Com o que ele decidiu mexer. Ou com quem.

Acontece que Michael, por ter o vício do jogo… está falido. O que o faz continuar nesse barco. E mais, em tentar demover seu amigo de continuar batendo de frente com seu chefe (Sydney Pollack) e com a nova “presidenta” (Tilda Swinton) do conglomerado. Ela não está para brincadeira. Quer porque quer continuar na posição alcançada, que nem se dá conta da eminência parda do antecessor e fundador.

E o filme segue quente, com: Arthur, com as provas ocultadas… Michael, com a falência a lhe assombrar… e na outra ponta, dois impérios que não querem ser destruídos. Muito menos por alguém com uma tardia crise na consciência.

Reforçando ainda mais a sugestão para esse filme… mais uma fala de Michael Clayton: “Eu não sou o tipo de cara que você mata”! Eu sou o tipo de cara você compra!.“.

Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Conduta de Risco (Michael Clayton). 2007. EUA. Direção e Roteiro: Tony Gilroy (Roteirista da Trilogia Bourne). Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Sydney Pollack, Michael O’Keefe, Tilda Swinton, Austin Williams. Gênero: Drama, Policial, Suspense. Duração: 119 minutos. Classificação: 12 anos.

O Caçador de Pipas (The Kite Runner. 2007)

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Quem somos nós nesse mundo complicado?” Frase do filme, mas que para mim traz um significado implícito, o de: “Não complica, a vida é curta!

Como eu li antes o livro, após ver o filme deixo uma sugestão àqueles que ainda não o leram: que o façam depois. Vejam então o filme primeiro. E por que? Porque eu diria que o filme trouxe uma versão mais leve do livro. Pode ser que para atrair um público mais jovem. O que é válido! Não apenas pelo encantamento de pipas ao céu. Até em mostrar um pouco de História real. Lembrando ainda que Marc Forster também dirigiu outra história emocionante: “Em Busca da Terra do Nunca” (Finding Neverland).

Entrando no filme…

Quatro personagens distintos se sobressaem nele. Quatro destinos ligados, também por amizade. Em que parte dessa história, dois ainda são crianças. E com os dois adultos, além da amizade, o respeito os unia.

Quem nos conta a história é Amir Jam, e que faz um remember após um telefonema de um grande amigo de seu pai. Alguém que lhe dera o carinho que não recebera de seu pai. Ele lhe faz um pedido.

Não tendo como recusar, Amir parte para o Afeganistão; governado por talibãs.

Um retorno ao passado que para ele já estava enterrado. E nessa viagem real, uma outra em paralelo: ao seu pior pesadelo…

O que você fez de errado… não esqueça que era um menino… você era excessivamente duro consigo mesmo e continua sendo… Mas… pense nisso: um homem que não tem consciência, que não tem bondade, não sofre.

Essas falas, mostram um pouco da personalidade de cada um desses quatro personagens:

Rahim Khan (o amigo do Pai; um segundo pai para Amir): “Crianças não são livros de colorir. Não pode preenchê-las com as suas cores favoritas. Ele não é como você. Nunca será como você.” (Falando com o pai de Amir.)

O Pai (Homayoun Ershadi, de “Gosto da Cereja” – Ta’m e Ghilass): “Um garoto que não se levanta sozinho, torna-se um homem que não se levanta para nada.” Ou: “Quando se mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade.

Amir: “Ele (o pai) me odeia… porque a matei. Minha mãe.

Hassan: “Confie em mim! Já menti para você? Prefiro comer sujeira. Mas me pediria para fazer uma coisa dessas?

Agora, com essa fala – “Sim, mas por que não podia simplesmente cheirar uma cebola?” Pronto! A partir daí, o pequeno Hassan nos conquista de vez.

Enfim, mesmo sendo quase uma outra história, “O Caçador de Pipas” merece ser visto. Atuação brilhante! E uma lágrima teimou em cair, no final, quando Amir diz: “Por você eu faria isso mil vezes!

Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Caçador de Pipas (The Kite Runner). 2007. EUA. Direção: Marc Forster. Elenco: Saïd Taghmaoui, Shaun Toub, Atossa Leon, Khalid Abdalla, Navid Negahban, Homayon Ershadi, Kelcie Stranahan, Brian Vowell. Gênero: Drama, Aventura. Duração: 122 minutos. Classificação: 14 anos.

Nem Tudo é o que parece (Layer Cake)

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Até boa parte desse filme, eu pensei nessa frase acho que de uma música do Bezerra da Silva: “malandro é malandro, mané é mané“. Mas com o desenrolar da trama, a coisa mudou de figura, “é cobra comendo cobra“. O filme prende atenção. E foge do estilo hollywood.

O personagem do Daniel Craig é um traficante que sempre conseguiu se manter no anonimato. Não deixava rastro dos seus atos. Sabia respeitar a hierarquia. Aceitava a sua parte sem reclamar. Ao longo dos anos, montou todo um aparato para não se pego pela polícia; tinha até onde lavar seu dinheiro.

Até que resolve se aposentar. Mas sair de cena assim, ainda mais sendo o melhor no que faz, teria um preço. A princípio, essa última missão até lhe pareceu estranha. Pois seria algo que até um mané poderia fazer. Achando que por ser algo fácil, logo estaria livre para então curtir a sua aposentadoria em alto estilo, aceita a tal incumbência.

É aí que começa o jogo… E um jogo de cartas marcadas!

E no final… no final eu exclamei um pqp!!

Ah! Nesse filme, vi a melhor definição para meditação: “Meditar é concentrar parte da mente numa tarefa mundana para que o restante encontre a paz.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Nem Tudo é o que parece (Layer Cake). Inglaterra. 2004. Direção: Matthew Vaughn. Com: Daniel Craig, Colim Meaney, Francis Magee, Kenneth Cranham, Tom Hardy, Jamie Foreman, Sally Hawkins, Burn Gorman, George Harris, Tamer Hassan, Marcel Iures, Dimitri Andreas, Garry Tubbs, Nathalie Lunghi, Marvin Benoit. Gênero: Ação, Aventura, Drama, Suspense. Duração: 105 minutos. Classificação: 18 anos.