Mar Adentro (Mar Adentro)

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Um filme emocionante! E o que mostra? “Um homem tetraplégico que luta na justiça pelo direito de morrer.” Luta também com os dogmas religiosos. Uma morte digna – é seu desejo. Um personagem adulto, lúcido, determinado. Sua bandeira: “Viver é um direito, não uma obrigação.

Me tocou fundo… Chorei várias vezes ao longo do filme.

É lindo em fotografia! Em trilha sonora! A viagem que Ramón faz ao som de “Nessun dorma” (Turandot) arrepia!!

Em abordar um tema como a eutanásia de maneira… inteligente??? Não sei se seria essa a palavra, mas com certeza o faz num ponto de vista de alguém lúcido; e adulto. Logo, não será uma perda de tempo assistir esse filme.

Antes de vê-lo, revi o “Antes do Pôr-do-Sol” (Before Sunset). Um filme bom de rever! Por mostrar as identificações e as diferenças que aproximam ou afastam as pessoas. Que também fala de fatos inesperados que mudam a vida das pessoas.

Mudanças inesperadas…

Dependendo de quem ou como ocorre, ela deixa a sensação de perda, de ficar sem chão; sem norte. Mas também há pessoas que até numa adversidade, buscam por alternativas. Por vezes não é fácil lidar com o novo rumo que a vida tomou. Para quem está de fora é tão fácil julgar, criticar. Por outro lado para quem o vivencia entende, ou pelo menos tenta entender, não julgando precipitadamente. Nem movido só pela emoção.

Mas em “Mar adentro” a mudança é irreversível. Castradora. Opções, chega a ser um eufemismo para esse personagem. De um jeito ou de outro, o filme nos leva a refletir. Reavaliar conceitos. Posturas. Atitudes. E emociona!

O acidente de Ramon…

Pode ser uma viagem minha, mas… Há um detalhe sobre o acidente que eu precisaria revê-lo para talvez tirar essa dúvida.

Fatalidades acontecem. Mas alguns imprevistos ao serem analisados mais friamente, com o passar de um tempo mostram que foram simplesmente ignorados alguns sinais tanto anteriores, como até durante.

Voltando ao acidente… Ele sabia do risco naquele salto. Uma coisa seria mergulhar aproveitando uma maré alta, já que essa leva um tempo maior para baixar. Outra bem diferente, é em mergulhar aproveitando uma onda. Nesse caso, o tempo é mínimo, precisando ficar antenado ao salto.

Daí, não sei se a idéia do suicídio, ou mesmo o não ligar para a vida, já estava em seu inconsciente. Sei lá… Uma tristeza profunda já passava por ele. Uma certa apatia com a vida que levava. Era jovem, podia tentar mudar, sair daquela rotina. Teria medo em ousar sair dali? Bem, de qualquer forma, o destino o reteve por ali.

Os Sonhos – Ramón Sampedro
Mar adentro, mar adentro,
E na leveza do fundo,
Onde se cumprem os sonhos,
Juntam-se duas vontades
Para cumprir um desejo.

Um beijo incendeia a vida
Com um relâmpago e um trovão,
E em uma metamorfose
Meu corpo já não era meu corpo;
Era como penetrar no centro do universo:

O abraço mais pueril,
E o mais puro dos beijos,
Até sermos reduzidos
Em um único desejo:

Seu olhar e meu olhar
Como um eco repetindo, sem palavras:
Mais adentro, mais adentro,
Até o mais além do todo
Pelo sangue e pelos ossos.

Mas sempre acordo
E sempre quero estar morto
Para seguir com minha boca
Enredada em seus cabelos
”.

Não sei se numa segunda vez, eu irei chorar tanto quanto da primeira. Mas com certeza quero rever esse filme. Eu amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mar Adentro. Espanha. 2004. Direção: Alejandro Amenábar. Com: Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bugallo, Clara Segura, Joan Damau, Alberto Jiménez . Gênero: Drama, Biografia. Duração: 125 minutos.

As Leis de Família (Derecho de Familia. 2006)

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Parece uma história banal, mas como nos é contada, é que faz toda a diferença!

Centrada num período na vida de três gerações: pai, filho e neto. Mais precisamente numa ‘re’-aproximação entre pai e filho. Muito embora até podemos lembrar de outros filmes onde há reencontros assim. Mas esse foca o de seguir a carreira do pai. Pesando isso. Numa de filho de peixe, peixinho é? Bate até o medo de ser uma mera cópia. Até onde manter a tradição familiar. O peso do sobrenome. A carreira como um tipo de herança genética. O querer ser diferente, mesmo sendo igual.

O filme inicia com o Ariel nos… nos apresentando seu pai. Contando em off. Sob o ângulo dele. Hehe… É divertido! Até porque enquanto ele nos mostra o… o jogo de cena que seu pai faz diariamente… ao longo do filme nós identificamos que ele também tem o seu. Os dois então teriam mais pontos em comum? Será? Como ele mesmo salientou: “Mas não gosto de Direito. Gosto da Justiça.” Direito e Justiça não trabalhariam juntos para uma mesma causa?

Esse período onde o seu pai volta a se aproximar, ele “descobre” o ser pai. Seria a criança que traria o… o “Acorda!”? Tendo o mesmo sangue, faria a ponte entre seu pai e seu avô? Já registrando aqui que o menino é um encanto! Ele atua brilhantemente! Me deixou encantada ao longo do filme. E me levou as lágrimas no final!

Enquanto passam um jeito livre de ser com desenvoltura em suas “atuações”, quer seja lecionando, um, e advogando, o outro, nesse reencontro ficam sem saber o que falar; ou como contar suas próprias histórias entre si. Pois é, no lado profissional, sabem fazer uso do verbo. Faltava descobrir o uso da fala entre eles. Regar os corações de ambos.

Por vezes, algumas pessoas ficam tão presas as suas próprias leis internas, a sua rotina, suas retidões… que nem percebem que há numa simples aproximação um pedido silencioso de um carinho; de um afeto. Que também quando percebem algo, ao usarem uma balança diferente terminam por interpretar do seu jeito. Acontece, que cada um tem um jeito de contar, de transmitir… Mais do que tentar simplesmente adivinhar, o bom estar em ouvir primeiro o que o outro está tentando dizer. Mesmo que a linguagem usada seja outra, de difícil acesso. Agora, porque também esperam tanto tempo para esse reencontro?

Para estudantes de Direitos, mais que recomendado! Prestem uma atenção mais detalhada a cena onde um cara interrompe uma aula. E para nós outros, também. Assistam! É um belo filme! Amei!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Leis de Família (Derecho de Familia). 2006. Argentina. Direção e Roteiro: Daniel Burman (O Abraço Partido). Elenco: Daniel Hendler, Arturo Goetz, Eloy Burman, Julieta Díaz, Adriana Aizemberg. Gênero: Drama. Duração: 102 minutos.

Caché (Hidden)

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Para mim, há filmes que me motivam muito mais a falar sobre eles. Claro que focados em meu olhar. Há até a frase de um outro, que cairia bem aqui:

Toda história tem três versões: a sua, a minha e a verdadeira. E ninguém está mentindo. Cada um recorda diferentemente.” (Robert Evans).

Em Caché, uma cena foi a motivadora. Até mesmo essa palavra me fez refletir se estaria de acordo. Até pelo o que aconteceu nesse trecho do filme. Foram segundos que arrepiaram. Chocante, foi sim, mas mais pelo o que… E aqui também entra a escolha do verbo adequado. O porque da atitude tomada por aquele homem. O gesto em si, seria até “normal” num filme de ação; ou mesmo num de violência gratuita. Mas não em Caché. O antecedente da história dele, aliás a história dos dois personagens, até o culminar desse gesto, teve um peso maior. Algo como: não saber segurar a onda.

Há certas tomadas de atitudes que soam como gritos silenciosos de pedidos de atenção. Algo como: “Oi, estou aqui!” “Olhe para mim…” “Dê cá um abraço…” “Converse um pouquinho…”. São pedidos mudos que por vezes tresloucados na forma, mas que foram como uma última tentativa. E quando não são de fato a derradeira – aquela que não tem mais volta. Alguns desses pedidos, mesmo que incômodos, podem até serem vistos como atitudes infantis. Mas seja lá como foi, ou mesmo de quem partiu, não querem nada de material.

Porém, muitos perdidos em seus afazeres, não conseguem perceber que tem alguém ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Ou que até por um orgulho não reconsideram; não voltando atrás. Tão presos aos seus valores materiais, não vêem que o que querem é um pouco de atenção, de carinho. Ainda mais se os erros do passado foram cometidos quando crianças. Embora erros na fase adulta também podem ser revistos.

Não sei… Por vezes, diante ou ante a atitudes extremadas, até dizemos: “O que tenho a ver com isso? Se eu seguro uma barra, ele também pode.” Mas há quem não segure.

Como também, por que seríamos tão radicais para não ao menos parar e ouvir o que o outro tem a dizer? Seria algo tão vergonhoso voltar atrás?

Voltando para a “realidade do filme”… Até veríamos nas diferenças naquilo que levaram os personagens a uma “saída” para seus problemas, uma base para nossos argumentos. Explicando:

Para quem viu o filme “Mar Adentro“, participou com o personagem, contra ou a favor, ou até com um: “Não sei o que faria no lugar dele!”. E claro, sendo um filme, podemos apenas assistir e mais nada. Em “Magnólia”, também vimos tomadas de atitudes; e no que elas geraram. Em “O Fio da Navalha” (The Razor’s Edge), houve o quase experimentar o que o outro passou para então entendê-lo melhor. E sobretudo, não julgar.

Em “Caché”, a discriminação vai do plano emocional ao material. O ter pontuando a vida de um homem e das pessoas próximas; e também da que foi afastada. A tal cena mexeu comigo sim. Foi impactante! Mais do que falar sobre segregações raciais na França preferi falar sobre nossas atitudes e gestos com as pessoas. E de algum modo tentar decifrar suas mensagens. Pelo menos usar uma balança especial.

Assistam ao Filme!! Mesmo que seja apenas para descobrir quem filmava as fitas, se assim o quiserem.

Nota: 09.

Por: Valéria Miguez.

Caché (Hidden). 2005. França. Direção e Roteiro: Michael Haneke. Com: Juliette Binoche, Daniel Auteuil, Maurice Bénichou. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 117 minutos.