O Carteiro e o Poeta (Il Postino / The Postman)

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Quando se explica a poesia, ela fica banal.” (Neruda)

Há pouco tempo revi esse filme; e devo confessar que a emoção foi maior. Talvez, porque dessa vez eu o sorvi lentamente como um bom vinho…

Um pouco da história… Mário Ruppolo vive à beira-mar com o pai; este um pescador como a maioria dos homens da localidade. Acontece que Mário não quer ser mais um deles; tem até alergia. Para fugir um pouco da pregação do pai, divide seu tempo entre longos passeios, e quando pode, vai ao cinema.

Ao ver uma vaga nos Correios, vê a chance de unir seu gosto pelos passeios com sua bicicleta, a um trabalho longe das pescarias. Aliado a isso, o prazer em ter um contato maior com Pablo Neruda, que se encontra em exílio político.

Aos poucos, as barreiras entre esses dois homens vão se quebrando. Surgindo uma amizade. Mário, em sua simplicidade, ganha o carinho de Neruda. Que o ajuda a vencer a timidez para se aproximar de sua amada Beatrice.

Com o término do exílio, Neruda vai embora. Mário, por sua vez já está casado. Mas não é mais o homem de outrora. Quer agora falar e muito. Então se engaja na política de oposição.

Destaco aqui, uma passagem onde a sogra fica a repetir “o pássaro comeu e foi embora“. Que Neruda aproveitou-se do genro enquanto lhe foi útil. Então, Mário lhe diz que se alguém fora útil ao outro, esse alguém fora Neruda a ele. Ele sim aproveitara aquela convivência. Aprendera muito de si mesmo com o poeta.

Claro que para ambos, carteiro e poeta, não houve uma materialidade nessa convivência, mas sim uma troca saudável, prazeirosa e que preencheu a vida deles naquele período.

Por iniciativa de um, como também da boa receptividade do outro, houve carinho, respeito e apreço naquela amizade. Mesmo num curto período, fora marcante. E ele não foi apenas um cumpridor do seu dever – o de entregar carta.

Enfim, temos aqui uma linda história de amizade!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Carteiro e o Poeta (Il Postino / The Postman). 1996. Itália. Direção: Michael Radford. Elenco: Philippe Noiret, Massimo Troisi, Maria Grazia Cucinota. Gênero: Romance, Drama, Comédia. Duração: 108 minutos. Classificação: Livre.

Lágrimas do Sol (Tears of the Sun)

Há três coisas importante na História. Primeiro que tudo, os números; em segundo, os números; e, em terceiro, os números. A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História.” (filme: “O Declínio do Império Americano”)

Não irá para minha lista de preferidos. Como também pode ser que daqui a alguns anos somente uma cena fique na memória. E confesso que assisti por causa do Bruce Willis.

Talvez eu tenha assistido com um pré-conceito com o Tio Sam em se achar, não apenas o salvador-da-pátria, como também em mostrar que o outro lado é que é o feio. Um patriotismo exacerbado.

Porém, filmes como esse, ou até “Hotel Rwanda” e “O Jardineiro Fiel” (Dois que eu indico!), nos mostram uma África real. Não aquela dos safáris, dos belos animais. Com questões, conflitos que transpassam dos livros de História paras telas. O que fica um lado didático interessante aos adolescentes que não são chegados as leituras. Por eles, vemos uma realidade que choca.

Onde até nos perguntamos se o povo dessa terra, de escravos passaram a ser cobaias.

Entrando na história do filme…

Para quem gosta de muita ação em filmes de guerra, vai sentir falta. Aqui há muito mais uma ação contida, nos gestos, nos olhares dos personagens. O tema principal: o herói indo resgatar a mocinha. Parece um clichezão. E, é. Mas em nada compromete a história. Aliás, uma paisagem deslumbrante, aliada a uma belíssima trilha sonora, a diálogos curtos e diretos, e a câmera passeando de um rosto ao outro faz o roteiro. Ou, fazem o filme!

Agora, há uma cena… onde arrancaram os mamilos… Nesse momento, parei e me perguntei: “Que guerra é essa? Que ideologia é essa que faz isso com uma mulher?” Fica difícil entender as atrocidades que fazem em nome de uma guerra.

Claro que as cenas onde mostram crianças mutiladas por pisarem em minas também chocam. Mais ainda, quando logo no início um oficial americano diz que os abasteceram, os nigerianos, por 8 anos…

É, no mundo atual, duas potências ditam as regras do jogo: as indústrias bélicas e as farmacêuticas. Com o que lucram, não irão se intimidar com vidas humanas e nem de inocentes.

Enfim, com é dito no filme: “Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada“.

Nota: 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Lágrimas do Sol (Tears of the Sun). 2003. EUA. Direção: Antoine Fuqua. Elenco: Bruce Willis, Monica Bellucci, Cole Hauser, Tom Skerrit. Gênero: Drama, Guerra. Duração: 120 minutos. Classificação: 14 anos.

O Closet (Le Placard. 2001)

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Por vezes, traduzem todo o título. Pelo menos nesse optaram por um termo em inglês. Para quem não sabe, o sentido de armário é o guardar, esconder a homossexualidade.

Entrando na história…

O personagem principal (Danieul Auteuil) é visto como um cara chato. Por fazer tudo sempre igual; por ser metódico demais. Mas no fundo é introvertido. E para piorar: a mulher o abandonou; o filho o rejeita e ele descobre que será demitido.

Quando numa de tentar suicidar-se, acaba conhecendo um dos vizinhos. Após contar seu drama, recebe dele a sugestão de se passar por homossexual para ser mantido no emprego. Pois seu Chefe, dono de uma fábrica de preservativos, não iria querer bater de frente com a comunidade gay. Então ele decide levar o plano adiante enviando para seu chefe uma foto-montagem em que aparece com outros homens. Com ele isso sai de um armário que nunca entrou.

E vai dai que a foto e a notícia se espalha. Ele, à princípio, continua agindo igual. O que antes era tido como previsível, com a notícia acaba dando margem a outras interpretações. As pessoas viajam. É muito engraçado! Para ele, a então desejada atenção vinda do filho, o faz continuar levando adiante a história. E acaba se descobrindo.

Ah! Gérard Depardieu, também nos diverte com o seu personagem tentando deixar de ser preconceituoso.

Um filme gostoso até de rever!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Closet (Le Placard). 2001. França. Direção e Roteiro: Francis Veber. Com: Daniel Auteuil, Gérard Depardieu, Jean Rocheford, Michel Aumont, Thierry Lhermitte, Michèle Laroque. Gênero: Comédia. Duração: 85 minutos.

Com Amor, Liza (Love Liza. 2002)

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Um filme quase sem diálogos. Daí o peso maior vai para os gestos, os olhares… E Philip Seymour Hoffman e Kathy Bates falam por si. Gostei!

Tem momentos densos. Por até mostrar a letargia do personagem há momentos meio sufocantes. Pela tristeza que o abate, fica um querer entender o porque de alguém se entregar assim. Mas cada um tem um jeito de passar por um duro golpe do destino. De enfrentar de vez, ou não.

Wilson (Seymour) perdeu a esposa recentemente. Ela suicidou-se. Perdido em si mesmo, sofre. Ao encontrar uma carta deixada por ela, fica sem coragem de abri-la.

Entrega-se ao vício. Um combustível para uma morte lenta? Mas que é meio perigoso, pois ele também pode levar a uma morte definitiva. Ou também àquela que deixará uma outra chama acesa…

Durante essa jornada há alguém que faz de tudo para lhe ajudar, sua sogra, Mary Ann (Bates). Eu adoro essa atriz!

Embora sendo a história desse homem, o filme bem que poderia ter dado um outro tratamento ao casalzinho que também tinham o mesmo vício do protagonista. Eu vi como politicamente incorreto o lance de apenas intimidar os dois pré-adolescentes numa de que assim parariam com o tal vício. Se também levaram esses dois personagens juvenis com o mesmo vício, não custava nada dar um final mais razoável.

Claro que é um filme. Que quem o fez teve suas razões para deixar assim. Estou apenas deixando a minha impressão. E mais! De alguém leiga nessa função: de lidar com drogados. Mas é que fiz uma alusão as crianças que cheiram cola nas ruas. Dai, um brevíssimo sermão não é o suficiente. Bem, pode até ser que o Wilson usou esse tipo de droga na sua infância. Algo não consciente, mas que veio à tona no momento da perda.

Enfim, apesar de ótimas atuações, não me deixou a vontade de rever esse filme.

Nota: 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Com Amor, Liza (Love Liza. 2002). EUA. Direção: Tood Louiso. Com: Philip Seymour Hoffman, Kathy Bates, Alicia Witt, Jack Kehler, Stephen Tobolowsky, Ann Morgan, J.D. Walsh, Jimmy Raskin, Sarah Koskoff, Shannon Holt. Gênero: Drama, Comédia. Duração: 90 minutos.

Gosto de Cereja (Ta’m e Ghilass / Taste of Cherry)

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O filme é lento; logo, quem gosta de ação… Melhor assistir outro. Agora, perderá a chance de conhecer algo inusitado. Ou melhor, algo não tão usual. Refiro-me ao final do filme.

A trama quase toda é com o Sr. Badii dirigindo sua caminhonete a procura de alguém que lhe faça um serviço. Agora, mais do que apenas sugerir esse filme, trarei alguns spoilers, mas que não diminuirá a beleza dele.

O tal trabalhinho… ele quer cometer um suicídio, mas também quer que alguém após verificar que está morto, o cubra com 20 pás de terra. Pois a cova ele já fez perto de uma cerejeira (arbusto). Ele leva até o local. Ele irá tomar todos os seus comprimidos de dormir e deitar na cova. A pessoa viria pela manhã e após cumprir o acordo, partiria com o dinheiro. Sim, ele está pagando pelo serviço.

Durante essa busca, há diálogos um tanto quanto divergentes por conta de sua vontade… Em não aceitar uma omelete porque ovos lhe causam mal-estar, por exemplo. Se ele quer morrer nessa noite, por que não saborear? Por aí…

A escolha da pessoa também nos leva a pensar. Pois parece escolher por alguém em especial. E por que? Há tantos desempregados clamando por um trabalho.

Três pessoas aceitam entrar no carro e… O primeiro é um jovem soldado. Tímido. Que vai aos poucos respondendo. Mas que deixa transparecer um certo medo.

O segundo, um seminarista. Que pelos preceitos de sua religião não concorda com o suicídio. Tenta dissuadí-lo.

O terceiro, um senhor que também tenta demovê-lo. Contando que um dia saiu de caso disposto a isso. Após uma tentativas, noite escura… sente uma umidade na mão e… e se delicia com o gosto das amoras. Com isso, o dia amanhece… E ele volta para casa. De todos, é o que mais fala com Badii. Indica até um caminho mais longo. Conta piada… Diz até que para cada estação há uma fruta/sabor própria. Que Badii perderá o prazer de sentir o gosto da cereja. Ele é taxidermista.

Qual deles, que pelo dinheiro aceitará o serviço? Vejam o filme.

O porque de querer tanto esse fim… O filme não mostra abertamente o porque. É preciso observar em certos detalhes durante o desenrolar da história. Tais como: ele diz que traz desgosto para a família, amigos… Que a melhor fase da sua vida foi o período no Quartel… Vemos que mora sozinho… Deixa a impressão do peso de ser homossexual na sua terra.

Paisagens lindas! Enfim, um belo filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gosto de Cereja (Ta’m e Ghilass / Taste of Cherry). 1997. Irã. Direção: Abbas Kiarostami. Elenco: Homayon Ershadi (Sr. Badii), Abdolrahman Bagheri (Sr. Bagheri), Afshin Khorshid Bakhtiari (Soldado), Safar Ali Moradi (Soldado), Mir Hossein Noori (Seminarista) . Gênero: Drama. Duração: 95 minutos.

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness)

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Guarda dos filhos: um direito apenas da mãe? E do pai, não?

Sobre o título original, o “y” em vez de um “i” em happyness faz parte da história. É interessante o porque dele.

O filme é baseado numa história real. De início, parece um drama comum, atual, em tantos lares: questões financeiras. Contas a serem pagas e pouco dinheiro entrando. Bem, o diferencial, talvez esteja no fato do personagem querer manter seu filho próximo.

A história conta das dificuldades de um cara em tentar conciliar família, estudo e profissão. Acreditando no seu potencial, investe tempo e dinheiro numa venda. Acontece que escolheu um item difícil de ser vendido. Com a falência batendo na porta, a mulher vai embora. Para ela surgiu uma oportunidade de trabalho. Mas longe dali. Então, ele lhe implora para que não leve o filho. Até pela infância que teve… ele não quer o mesmo para seu filho.

Abrindo um parêntese. Não sou contrária ao pai ficar com a guarda dos filhos. E esse filme, meio que de leve, aponta para que isso deixe de ser algo negativo. Até porque as mulheres também têm direito de pensar e cuidar do seu lado profissional; de sua carreira. Antes, um papel só bem visto para os homens.

Sendo assim, mesmo quando sua vida parece descer ladeira-abaixo… Chris Gardner (Will Smith) faz o impossível para que o filho sinta que eles ainda têm um lar. Se quem se emocionou com a história do casaco ligando pai e filha no filme “Crash – No Limite”… Não tem como não se emocionar com a história da caverna para que filho sinta que têm um lar. A cena arrepia! Até mesmo num albergue para desabrigados… Ele mostra o significado da palavra Lar.

Também ficamos ciente do que fazem, alguns, com estagiários… Haveria também algo de discriminação por ele ser um negro? O que fizeram com ele não poderia ter sido um teste em paralelo ao estágio… Jogaram pesado!

Will Smith, me surpreendeu! Eu que sempre o vi como um ator cômico; a menção de seu nome, logo pensava em “MIB”, em “Hitch”… agora terei também esse personagem. Foi ótimo! Confesso que chorei com ele no finalzinho.

A trilha sonora é linda! Citando algumas: “This Masquerade”, com George Benson; “Jesus Children of America”, com Stevie Wonder; “Lord, Don’t Move That Mountain”, com The Glide Ensemble. E amei a versão que a Roberta Flack deu para “Bridge over troubled water”!

Um filme que entrou na minha lista de que será gostoso revê-lo. Gostei! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez.

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness). 2006. EUA. Direção: Gabriele Muccino. Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, Jay Twistle, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller. Gênero: Drama, Bibliografia. Duração: 117 minutos. Classificação: Livre.