No meio desse caminho tinha mais que uma pedra…
Um filme que expõem os instintos animalescos dos homens. Perversos, até. O outro lado oculto. Que é deflagrado por justamente não querer racionalizá-lo.
Uma frase pontua a história: “O tempo arruina tudo.” O outro lado da moeda – a face oculta. Pois visto por um outro ângulo o tempo edifica. Mas não é disso que o filme fala.
O filme deixa alguma indagações, mas que estariam mais num plano real; e não no contexto do filme. Entretanto, um deles seria em uma jovem usar uma passagem subterrânea, sozinha, e à noite. Se de dia já é assustador.
A história é contada de trás para a frente. Basicamente é um dia na vida de três pessoas. Um dia que ficará marcado para sempre. E que não terá mais volta.
Mesmo que queiram rever seus próprios conceitos que disseram de forma até descontraída a caminho de uma festa… Viram, sentiram, vivenciaram um outro lado nessa noite fatídica. Algo que nem sonharam. Opa! A jovem sonhara com algo. Presságios? Ou sinais desperdiçados ao longo do dia?
Uma jovem, um ex-namorado e o atual são os protagonistas dessa história. E um causador da barbárie com a jovem. Mas teria saído incólume dessa? Logo ele?
Ódio. Vingança. Violência gerando violência. Estariam certos os dois jovens a agirem como agiram? Dariam satisfação a quem? Ou a que? O mal já estava feito. Não teria sido melhor entregá-lo a polícia?
O filme levanta um outro ponto: no quesito promiscuidade. Tanto no inferninho, como na festa do apartamento, rolava sexo e drogas. Em doses diferentes? Sim. Mas que não deixava de levar a uma mesma intenção: o prazer carnal. E amoral. Então, em ambas, as conseqüências não tardam.
Atentem para a conversa dos três a caminho da festa. E por um pedido em especial feito pelo namorado a Alex ao acordarem. São falas que… que o estupro destruiu tudo e de modo irreversível. É no que virá depois, no “acordar” daquele dia/noite… que impressionam muito mais…
Ah! Para quem ainda não viu, há duas cenas chocantes!
Enfim, pode até ser que eu venha a rever, mas por enquanto, nem pensar. Nota: 08.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Irreversível (Irréversible). França. 2002. Direção e Roteiro: Gaspar Noé. Com: Monica Bellucci, Vincent Cassel, Albert Dupontel. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 99 minutos. Classificação: 18 anos.

Também não me deixou vontade de rever.
São as consequências das escolhas que fazemos a todo instante, atravessar uma rua ou não, preferir isso ou aquilo, ir por lá ou por aqui e o quanto essas escolhas podem interferir na qualidade de vida ou na inevitável morte. Neste caso ela teve uma atitude facilitadora para que o mal agisse.
Agora, falando de amenidades: a travesti nem aí para ajudá-la, gradiosíssima PDP. Rssss.
Quis dizer: FDP.
Pois é! Num mundo de violência urbana, o que vale mais é a hora que se chega em casa, são e salvo.
Em relação ao travesti, talvez sua atitude é como a do cobrador de ônibus que mesmo vendo um passageiro sendo assaltado fica na dele, por temer uma retaliação futura. Por ser fácil de encontrá-lo.
Vi que iria passar na tv, mas ainda sem querer rever.