A história de um jovem marinheiro, Querelle, que se vê deslumbrado diante do seu poder de seduzir e deixar a todos fascinados.
O filme é uma adaptação livre do livro de Jean Genet. Assim Fassbinder explicou sua obra, numa entrevista pouco antes de morrer:
“Em relação à contradição existente entre a intriga objetiva e os fantasmas subjetivos que são descritos em “Querelle De Brest”, ele me parece ser o romance mais profundamente extremista de toda a literatura mundial. Na realidade, a história em si, se for isolada da imagem do mundo de Genet, apresentaria pouco interesse, seria apenas uma banal história policial. Por outro lado, existe o modo de Genet contar esta história, sua imaginação excessiva, que dá vida a um mundo que, a princípio, nos parece estranho, um mundo que parece existir apenas em função de suas próprias leis, e que encontra suas origens em uma mitologia inteiramente extraordinária.”
É um filme diferente tanto na forma como no conteúdo. O cenário é visivelmente gravado em estúdio. Não que isso seja algo negativo. Pelo contrário, dá uma teatrilização a história. Eu gostei! Embora a luz recaia mais nos atores, ficando um aspecto sombrio em volta, ao mesmo tempo que angustia um pouco, também nos envolve aquela atmosfera carregada de erotismo.
O filme aborda o homossexualismo… Diria que bem provocador a aqueles que discriminam. A única personagem feminina é a mais idosa. Não sei se por algo freudiano… Mas ela faz uma ponte entre Querelle e os personagens do Bar/Cabaré.
Uma das frases – “Todo homem mata aquilo que ama“, pontua a subversão nesse filme.
Há um crime, que termina por envolver várias pessoas, as que desembarcaram no porto, e as que vivem ali. Quem morreu? Quem matou? O que tem Querelle com toda essa história? O jovem que era quando ali chegara, o homem que se transformou em tão pouco tempo, é o que ficamos conhecendo. E os outros personagens também.
Querelle subverte a ordem de um jeito que nos encanta. Mas fica difícil antever se a moçada irá gostar desse personagem. Ah! É um filme desaconselhável para homófobos.
Nota: 10.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Querelle. 1982. Alemanha. Direção: Rainer Werner Fassbinder (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant). Elenco: Brad Davis (Midnight Express), Franco Nero (Django), Jeanne Moreau (Jules et Jim), Gunther Kaufmann, Hanno Poschl. Gênero: Drama, Policial, Romance. Duração: 108 minutos.