Soldado Anônimo (Jarhead. 2005)

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Pode parecer estranho trazer um filme que eu não recomendo, mas se o assistirem não sairão decepcionado; não de todo. Sendo assim, deixo as minhas impressões.

Começando pelo título nacional – Eu o vi não por ele, Swoff, não ter um nome (identidade), mas por ser alguém comum. Igual a tantos outros que se alistam, independentes de serem ricos ou pobres. E cada um levando o seu porque ao se alistaram. Pelo menos ali estão todos no mesmo barco e como uma ferramenta nessa engrenagem. Sendo assim, esse título dado no Brasil foi razoável. Quanto ao título original, é uma gíria. De uma mente vazia na espera de enche-las com ideais de outrens.

O filme mostra um quase “antes-durante-e-depois” num momento da vida de Swoff e alguns outros. Momento esse, sendo uma guerra que veio até nós, ao vivo, pela Tv, pela internet… Focando mais pelo ângulo de quem esteve no campo de batalha. Uns dias, que ficarão para sempre em suas lembranças!

Abro um parêntese, porque enquanto os dois lados, na guerra real, preocupavam-se com o que mostrariam aos de casa e ao mundo, uma equipe de jornalistas de Portugual mostravam o que realmente acontecia por lá. Parabéns a esses soldados-da-mídia! E que os tornei anônimos, por não lembrar de seus nomes.

No início, uma cena comum: um sargentão, meio sádico, condicionando-os a enfrentarem momentos de tensão. Para sentirem que matar é permitido; e outras “lições” mais. E surgem outros superiores ao longo do filme; simpatizando mais com uns do que com outros. Nesse tocante, lembro do “A Força do Destino” (An Officer and a Gentleman) onde os personagens de Richard Gere e Louis Glossett Junior, vivenciam essa relação – impondo duramente o outro a superar seus limites -, mas num tempo maior. Em “Jarhead“, tudo é mostrado num tempo menor, mas sem parecer que faltou algo – as falas e as expressões dão conta do recado. Mostra também a relação entre companheiros. O grau de intimidade entre eles. Dormindo juntos. Lutando juntos. E etc.

Trago o “tomando banho junto”, em separado porque nessa hora “tiraram” a luz da cena. Que coisa!! Deu vontade de falar: “CORTA!! Gravem com mais luz!!” Não tiraram a luz na hora em que exibiam o filme “O Franco-atirador” (The Deer Hunter); em cena. Foi um preconceito ao nu frontal masculino.

Uma cena memorável é uma onde o Swoff senta num caixote, com corpos carbonizados a seu redor… Sei lá, me fez lembrar da escultura ‘O Pensador’, de Rodin. É muito rápido. Até a frase, uma única, que diz e para “quem” ele diz… Nossa! É, dá o que pensar.

Outra cena que fica retida, é com Swoff e Troy caminhando no deserto, à noite. Sendo que essa é pela beleza plástica! Uau! Parece um cartão postal! Lindíssima!!

Em relação a trilha musical, realmente é incrível! Num estilo de “levantar o moral da turma!”. Logo no início do filme ouvirá “Don’t worry, be happy”; depois um “Gonna make you sweat (Everybody dance now)”; tem Nirvana; The Doors; T-Rex – “Bang a gong (get it on)”; além da clássica “Cavalgadas das Valkírias”, Wagner; entre outras.

Bem, embora mostrando uma guerra, o filme mostra quem gosta ou não da vida militar. O que representa ter uma arma de fogo nas mãos. Que caminhos os levaram até uma guerra que não é deles. E tudo numa visão bem masculina. Mulher, ou a imagem feminina, nesse filme, não passa de um mero objeto para “aliviar” tensões; entre outras coisas. Uma lástima!

Enfim, ou por fim, como disse no início, podem assistir. De tudo, não será perda de tempo, nem de dinheiro. Nota: 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Soldado Anônimo (Jarhead). 2005. EUA. Direção: Sam Mendes. Elenco: Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard, Jamie Foxx, Scott MacDonald, Brian Geraghty. Gênero: Ação, Comédia, Drama, Guerra. Duração: 123 minutos. Baseado no livro Jarhead do soldado Anhony Swofford (Onde ele conta os apuros e as aflições pelas quais passou enquanto servia ao Exército norte-americano).