Minha Mãe Quer Que Eu Case (Because I Said So)

Foram duas mulheres que me deram a dica desse filme, faz um tempinho. Se a memória não falhou, uma teria sido uma amiga da Argentina. Com essa amiga, o nosso troca-troca de sugestões cinéfilas é maior. Como poderão ver a seguir o quanto eu gostei do filme.

Agora, esse filme me motivou a primeiro a um: “Huhu! Rapazes! Assistam esse filme! E riam com ele que mostra um universo bem feminino e real.” Depois, a um: “Buááá… Será que só vêem a mulher atrás de um casamento!?” Mas…

Gente! Eu adorei! Ri muito. Fazer o que, se o filme além de divertido me fez pensar em lances reais. …hehe! Ah! Uma outra diquinha aos Moços: “Lembrem-se que antes de ser sogra, ela é mãe e que quer o bem da filha!

Entrando no filme… Entre cerimoniais de casamentos pela sua empresa Milly (Mandy Moore) não consegue um namoro fixo. A mãe, Daphne (Diane Keaton), resolve então dar uma ajudinha. Se a filha não arruma um cara decente, ela, às escondidas, põe um anúncio na internet. Marca um encontro para fazer a seleção. A entrevista é divertidíssima!

O filme também traz algo que emociona. Um deles é a união de Molly com suas irmãs: Maggie (Lauren Graham) e Mae (Piper Perabo). Ambas casadas. E os maridos delas “aparecem” de fato no aniversário da sogra. Foram ótimos!

O outro lance é a cumplicidade entre mãe e filhas. Em poder falar sobre tudo. Mesmo com a Daphne tão presente na vida íntima delas, elas, as filhas, levam na esportiva. E quando essa intromissão/relação esquenta, uma joga a batata-quente para a outra.

Voltando a falar sério! É que há um momento em que a Daphne se abre com a Milly. Não deu para segurar as lágrimas. Sou de uma geração que era raro esse tipo de intimidade da mãe para a filha. Até por conta disso, esse filme me tocou.

A trilha sonora é um dos ingredientes dessa festa. Great! Como também ver Diane Keaton atuando é sempre um presente! O filme é 10!! Esse entrou para minha lista de que vale a pena rever, sempre!

Ah sim! Tem que ser muito cuca-fresca para gostar desse filme. Os de mal humor é melhor escolherem outro filme. Pois esse é indicado àqueles que riem até da própria sombra.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha Mãe Quer que Eu Case (Because I Said So). 2007. EUA. Direção: Michael Lehmann. Elenco: Diane Keaton, Mandy Moore, Lauren Graham, Piper Perabo, Tom Everett Scott, Stephen Collins, Gabriel Macht. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 102 minutos. Classificação: 12 anos.

Estamos bem mesmo sem você (Anche libero va bene)

Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros

Como sentir pela perda de algo que nem chegou a sentir que fazia parte de si? E como gostar, então? São esses sentimentos que permeiam a mente do Tommy (Alessandro Morace). Um simpático e tímido menino, aos 11 anos de idade. Que desconhece até então, o que é ter uma mãe. E a história do filme começa às vésperas da volta dessa mãe. Nesse lar, que seguia sem ela, havia o pai e também uma irmã.

Talvez para a sua irmã, Viola (Marta Nobili), por ser mais velha, ou pelo seu jeito desencanado de ser, a volta da mãe não abalou; foi como uma festa num meio de semana. Mas para Tommy aquela mulher é quase uma estranha. Como uma peça diferente para compor aquele quadro.

Ao longo do filme, ficamos sabendo porque ela, Stefania (Barbora Bobulova), foi embora. E porque abandonou o marido. Mas para mim, faltou a ela o sentir ser mãe. Porque abandonar o marido, até é fácil entender. Pelo comportamento dele. Com ele não há acordo. Tem que ser o que ele quer.

O marido, Renato (Kim Rossi Stuart)… Primeiro, um lado paizão dele é até louvável. Soube dar um pouco de independência aos filhos. Até por conta de que eles precisaram se virar sozinhos, enquanto o pai estava no trabalho. Mas com o desenrolar da história… Há o sentimento da perda, muito forte. Da posse da mulher.

Assim, vamos acompanhando a volta dela na e à vidinha dos três. Como também o crescimento de Tommy, até por ele querer sentir amor por essa estranha. Que não seja apenas uma figura num porta-retrato.

Eu gostei do filme! Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez.

Estamos bem mesmo sem você (Anche libero va bene / Along the Ridge). 2006. Itália. Direção: Kim Rossi Stuart. Elenco: Barbora Bobulova, Alessandro Morace, Marta Nobili, Kim Rossi Stuart. Gênero: Drama. Duração: 108 minutos.

Escritores da Liberdade (Freedom Writers)

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida…

Algumas pessoas acham que Diploma já é o topo. Creio que essas o exibe como um troféu na parede. Sei que a profissão de Professor não é muito valorizada pelos políticos atuais. Travando o idealismo de poucos para o engrandecimento de muitos. Quando a dificuldade não parte deles, vem do próprio Conselho de Ensino. Rígidos demais às regras. Ficando cegos à realidade local. Fechando as portas, numa mão única.

Eis que entre tantos, chegam um que faz toda a diferença. Um que sabe que mais do que ensinar o que está no livro oficial, quer preparar seus alunos para a vida. A esse que tem o magistério como o seu sacro-ofício cabe, de fato e de direito, o título de Mestre.

Falando nisso, há pouco tempo revi o “Ao Mestre com Carinho 2″. O primeiro, marcou minha pré-adolescência. Perdi as contas das vezes que vi; e em todas, eu chorava. Esse segundo, também me emocionou! Rever o ator, Sidney Poitier é sempre um grato prazer! Talvez por isso, comecei a ver “Escritores da Liberdade” como se ele fosse uma versão feminina desse Grande Mestre. E me encantei com a Mestre desse!

Erin Gruwell (Hilary Swank) em vez de seguir a carreira de advocacia, algo trazido da infância por admirar o pai nas causas civis, vai ser professora. Num Colégio onde passou a receber alunos da periferia: os de baixa-renda. E uns que cumpriam uma condicional por crimes cometidos. Sendo assim, para lá de misto. Cheia de motivação, primeiro não recebe um apoio que esperava por conta da Diretora. Essa, descarrega toda a aversão por ter que receber esses alunos em seu santuário. Ela os despreza.

Depois, Erin se assusta com os seus alunos. Mas sua determinação, a faz seguir em frente. Em sua odisséia. Seus alunos são como animais feridos. Reagem e agem num círculo viciante até por questão de sobrevivência. Não se tocando que o que tanto criticam no outro, fazem igual. A partir de uma caricatura que um dos alunos fez para ridicularizar um colega de classe negro, ressaltando os lábios, ela também cai na real. De que ali eles formam guetos. E começa a falar do Holocausto. Algo que só um deles sabia o que era.

Desde o início, o filme prende a atenção. Não se sente o tempo passar. Acompanhamos numa torcida a cada um daqueles alunos que consigam quebrar a corrente do preconceito. Que hispanos, asiáticos, negros e um único “branco” sintam-se iguais. Ao tentar fazer com que leiam o “O Diário de Anne Frank”, a Diretora proíbe. Os livros do Acervo da escola não são para eles. Incrível, uma biblioteca proibida aos carentes; por temer que irão destruir. Por essa, e outros impedimentos mais, Erin resolve ter outros trabalhos; uma renda extra. Para dar aos seus alunos o que a escola nega. Então cada um deles constrói o seu Diário…

A cada satisfação, a cada acesso obtido na mente de seus alunos, fazendo-os pensarem por si mesmo no quanto agiam errado, a cada pequeno sucesso deles… além das duchas-frias da Diretora, mas dela ela já tirava de letra… tem um abalo em seu casamento.

Esse filme veio pontuar algo que costumo reclamar. Para o meu contentamento, ele será um a mais na lista de grandes personagens femininas. Aqui, mostrando carreira e casamento de uma mulher. Algo bem real. Mas como também não tão irreal, o de um homem não segurar a barra em ver a esposa crescer, quer seja em sua profissão, quer seja no seu talento. Erin está radiante. Investindo em si mesma, até por conta de que está em seus planos, mais a frente, constituir família: filhos. O contrário do marido que já não tinha mais ambição alguma.

É um filme que tem muito para comentar, mas para não tirar mais a emoção que irão sentir, paro a história por aqui. Fica a certeza de que houve momentos que meu corpo arrepiou, noutros, que não retive as lágrimas. Minhas faces ficaram umedecidas até o final do filme. Faço votos que os governantes assistam esse filme. Que invistam mais nesse Profissional. Heróis e Mentores para muitos.

Um filme que vale a pena ver e rever sempre! Nota 10 com louvor! Eu também gostei da trilha sonora!

Por: Valéria Miguez.

Escritores da Liberdade (Freedom Writers). 2007. Alemanha. Direção: Richard LaGravenese. Elenco: Hilary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton, April Lee Hernandez, Mario, Kristin Herrera, Jacklyn Ngan, Sergio Montalvo, Jason Finn, Deance Wyatt, Vanetta Smith, Gabriel Chavarria, Hunter Parrish, Antonio Garcia. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos. Duração: 123 min.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights. 2007)

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou…

Embora o filme tenha uma belíssima trilha sonora, ao longo dele, era esse trecho da canção do Cazuza que ficava como um fundo musical em minha mente. Se o amor acabou de um dos lados… Insistir, pode ser pior. Por outro lado, guardar rancor por não ter recebido aquilo que esperava, também é ruim. Cada um tem um jeito de amar. Tem um jeito em doar esse amor. Cobranças, não abre portas.

Primeiro filme em inglês do Diretor de “Amor à Flor da Pele”, o Wong Kar-Wai. Só nesse quesito já seria um incentivo para que eu assistisse. Ah sim! O Jude Law e o seu queixinho, também.

Viajando no título… Para ser mais preciso, na fruta escolhida para o recheio dessa torta. Ainda bem que ele não escolheu a maçã, até porque essa fruta eu só gosto dela ao natural. Daí, numa rápida pesquisa… Blueberry é nativa dos EUA (Também do Canadá, mas esse não vem ao caso.). De coloração forte. Tem um sabor doce-ácido… A mim, me deu água na boca, pois não gosto muito de doces muito doce. Creio que ele chegou a essa fruta por conta disso: o de que nem tudo é tão doce na vida.

Entrando na história… Jeremy (Jude Law) tem a sua rotina quebrada com a chegada de Elizabeth (Norah Jones). A princípio, seria mais uma sentindo a dor de uma separação. Mais uma que crê que ser a única a sofrer uma desilusão amorosa. Mas Elizabeth tem um diferencial: ela mais do que falar, gosta de ouvir. Um prato feito para esse solitário e encantador dono de um Café. Ele conhece as pessoas por aquilo que pedem no cardápio. Sendo a primeira vez dela, ao final da refeição sugere algo especial. Algo que ninguém pede, mesmo assim ele a prepara todas os dias. Elizabeth então aceita. A torta de Blueberry. E gosta! Ele mais ainda.

Nesse seu posto, sobretudo ciente de que tem talento na cozinha, como também por ser tão encantador, tem a confiança de seus fregueses. E por conta da movimentação, ele rever as fitas gravadas após o expediente. Ficando mais por dentro do que cada um deles faz, come, olha… Seu Café além de um ponto de encontro, também torna-se um ponto de separações de casais. Dão a ele as chaves dos corações desfeitos. Ele as guarda por talvez achar que algum dia se abrirão. No final, ele descobre que… Melhor assistirem. É algo que ele diz a quem… É, tal qual a Elizabeth, ele também fora preterido.

Elizabeth resolve colocar o pé na estrada. Tentar esquecer que fora trocada por outra. Sem um carro, segue de ônibus; decidindo trabalhar com afinco até comprar um. E aí sim, curtir mais todo o trajeto, por poder seguir no seu tempo. Sua curiosidade a faz conhecer outras desilusões. Tal qual Jeremy fez com ela, também trata com carinho àqueles a quem serve. É, não como dona, mas por trás de um balcão, diante de uma mesa.

Tanto Jeremy, como Elizabeth, são duas pessoas cativantes. De diferencial, seria que ele não é chegado à mudanças. Não tem pressa. Para ela, que se lançou ao mar, aquele local, ficou como um porto seguro. Daí, sempre que podia escrevia a ele. Mas como estava na estrada, ele não tinha como responder. O jeito fora esperar.

Enquanto isso, Elizabeth se enternece com a história de Arnie (David Strathaim) e Sue Lynne (Rachel Weisz). Foram casados, mas Arnie ainda desejava a mulher de volta. A prisão que ainda sentiam, faziam com que machucassem um ao outro. Não fisicamente. E sim na alma. Elizabeth conhece então a dor vinda de uma relação maior que a sua. De um casamento onde parecia que não fora alimentado.

Depois, indo trabalhar num Cassino, conhece Leslie (Natalie Portman), uma jogadora compulsiva. Que aprendera jogar ainda em criança com o próprio pai. Mas nem sempre o vento está a favor… Com elas, vamos do riso a emoção. A dor aqui vem de uma relação pai e filha.

Então Elizabeth compreende que aquele a quem deixara atrás daquele balcão era com quem queria ficar para sempre. Restava-lhe saber se ele também queria o mesmo. Pois mesmo enviando tantos postais, não lhe dera chance de responder.

Eu amei esse filme! Atuações brilhantes! Não se vê o tempo passar. Deixou uma vontade de ir lá comer aquela torta de blueberry todas às noites com Jude Law. Esse, entrou para a minha lista de rever. Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights). 2007. Hong Kong. Direção e Roteiro: Kar Wai Wong. Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathaim. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 90 minutos.

Sideways – Entre Umas e Outras

Por vezes, é preciso dar um tempo para uma revisão. Como num carro. Rever conceitos. Limpar. E sobretudo, retirar cargas desnecessária; os pesos inúteis. O bom quando é algo consciente. Mas mesmo que não o seja, se durante, ou após um período desses sentir que de fato algo mudou em si, também será vantajoso.

Nesse filme, a tal revisão terá um peso maior para Miles (Paul Giammatti). Mas que a princípio só o vê como um presente ao grande, e talvez único amigo, Jack (Thomas Haden Church): uma despedida de solteiro. Partem para uma pequena viagem. Pelos vinhedos do Vale Santa Ynes, na Califórnia. Para apreciadores de vinhos, sem muito conhecimento no assunto, o filme traz uma aula – da plantação ao produto engarrafado.

Um pouco dos dois: Miles é um escritor à procura de que editem seus livros. Jack, um ator que não “acontece” mais. Com personalidades opostas. Que sem cair em esteriótipos, cada um com seus altos e baixos. E como comentei no início, ambos cientes que já passavam do tempo da quilometragem…

Esses dias longe de casa para Miles também servem para ocupar a mente à espera de mais uma resposta de uma Editora. Já para Jack, poder aproveitar seus últimos dias de solteiro. Mas essa proximidade, e com um combustível a mais… ambos irão expor seus lados frágeis. Em cenas lindíssimas! Outras engraçadas, sem serem ridículas. Diálogos simples, mas precisos. E silêncios cheios de significados.

O amigo era o que ele queria ser. Um alter-ego do Miles.

Jack é uma pessoa extrovertida, sem as encucações do Miles. Esse, para mim, invejava isso no amigo, mas não num sentido negativo e sim como uma admiração. Pois o amigo tirava proveito de tudo. Até que, na cena onde Miles vai buscar a carteira que Jack esqueceu. Adivinhem onde? …hehe! Primeiro, ele vê que Jack não é tão super-homem assim; que ele também comete erros. Depois, ao decidir ir apanhá-la, sente nesse desafio algo novo nascer. Em realizando, mais que ajudar o amigo, ele gostou do feito. Algo inédito para ele. Foi como se ele quebrasse uma das suas correntes. Uma prisão/peso a menos. Até na história do seu livro havia uma monotonia. Tudo previsível e isso ele não sabia como quebrar. Nesses cinco dias, Miles inconscientemente buscou como se libertar. E não apenas da timidez.

Num abraço do amigo, deitados na cama, não há nenhuma conotação sexual. Até porque Jack é desencanado. Mas Miles não o é. Talvez o calor que sentiu nesse abraço foi por ter preenchido e muito a sua carência afetiva. Mas por conta da sua timidez, ele sentiu vergonha de ter sentido prazer nesse instante. Eu amei essa cena! Precisa ser muito cuca-fresca para fazer o que o Jack fez. E eu conheço muitos homens que não fariam isso na vida real.

Os problemas de Miles já vinham desde a infância. Dá para perceber isso, quando vão fazer uma visita a mãe do Miles. Nesse encontro Jack sem querer monopolizou a atenção dela. E por conta de que? Por uma participação dele na TV. Ela valorizava e muito essa projeção; a fama. Para ela, Miles era um joão-ninguém. Talvez, até por conta desse menosprezo da parte dela, ele fez o que fez lá, como um castigo à ela. Sei lá, posso ter viajado agora.

Eu poetisei o título original, o vi como uma saída por um tempo da estrada principal. Seguindo por um caminho lateral ao encontro do seu eu.

A separação do casamento ainda não curado. O livro que não consegue publicar. O fato de não mais conseguir transar; até para um simples beijo lhe vem um bloqueio. Ele usa o vinho como uma válvula de escape. O álcool é uma fuga; o “ópio” de alguém que não segura a barra de que algo sai, saiu fora de seus planos. E claro que desestrutura família, carreira; a coisa vai como uma bola de neve. Claro que alguém preso a vícios fica marcado pelas outras pessoas. Eu vejo o alcoolismo como uma conseqüência, não a causa dos seus problemas. Por sentir muito o peso das cobranças, por fazer muitas comparações.

Enfim, ele faz um mergulho em si mesmo nessa viagem. E sai renovado. Nem se importando com a “saída” que o Jack arrumou para o nariz quebrado pela namorada que arrumou nesses dias. Em como a explicação seria aceita pela noiva. Miles estava tão desencanado, que o fazer parte daquela encenação, foi tranqüilo. Aquilo era problema deles. Sua mente, sua vida, estava de volta a estrada principal. Livre, leve e solto para seguir em frente. E foi o que ele fez.

Eu amei! Um filme que vale a pena ver e rever. Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Sideways – Entre Umas e Outras (Sideways). 2004. EUA. Direção e Roteiro: Alexander Payne. Elenco: Paul Giammatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 123 minutos. Classificação: 16 anos. Baseado em Livro de Rex Pickett.

Primavera para Hitler (The Producers)

Primavera para Hitler (The Producers). EUA. 1968. Direção e Roteiro: Mel Brooks. Com: Zero Mostel, Gene Wilder. Gênero: Comédia. Duração: 88 minutos.

Eu costumo dividir o meu tempo para os filmes entre os recentes e os mais antigos. Como também para rever alguns. E esse, entrou nessa. O revi após muitos anos. Daí, ficou um gosto de primeira vez. Sei que fizeram uma versão, como não a vi, não posso opinar. Agora, esse original do Diretor Mel Brooks, eu assino e sacramento: assistam. Ele é ótimo! Uma comédia divertidíssima.

Entrando na história… Max Bialystock (Zero Mostel) é um produtor teatral que caiu no ostracismo. Sendo assim, para ainda ir levando a vida, namora mulheres idosas a fim de conseguir dinheiro. Acontece que sem ter nenhum talento para as finanças, cada vez se afunda mais. Até que surge um contador, Leo Bloom (Gene Wilder). Que em meio aquela papelada, diz que há uma saída para saldar a dívida. Que seria em produzir um fracasso. Pelos tramites das leis, uma peça fracassada gera um lucro.

Até aqui, parece que não há nada para rir. Mas creiam tanto Max como Leo, são hilários. Tanto no encontro dos dois; como também a que o Max tenta convencer o outro para serem sócios, o sorriso do Max para acalmar o Leo por esse não suportar pressões. O Leo, mesmo sendo tão correto, vê uma chance de sair do seu próprio ostracismo, até por conta de seu temperamento. Vê ali a chance de mostrar o seu talento, mesmo que seja com o numerário. Então acaba topando montarem juntos um musical na Broadway. Para a felicidade do Max. E alegria nossa.

Ainda com o Max, destacaria uma cena, em mais umas das suas investidas com as senhorinhas, uma só com ele e o som das travas da porta sendo aberta. Eu quase cai da cadeira de tanto rir. Até por me fazer lembrar de algumas que presenciei de fato.

Bem, decisão tomada, partem para escolher a pior peça que tem arquivada. Após lerem inúmeros roteiros, vêem numa o fracasso. Por enaltecer o Hitler. E saem em campo para obterem a autorização para encenarem: Primavera para Hitler.

A cada passo a frente, as situações continuam para lá de cômicas. Quer seja no encontro com o autor da peça; quer seja no com o Diretor mais excêntrico que existe; ou até na escolha do elenco; ou quando perguntam o nome do personagem que então será escolhido para fazer o Hitler… tudo é pura diversão.

Enfim, na estréia o musical… Melhor não tirar-lhes a surpresa. Nem a do final do filme.

Assistam, o filme é bom demais!! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

A Família Savage (The Savages)

Num resumo, diria que é a história de dois irmãos à procura do sentimento Família. É, é todo o significado que essa palavra traz. Onde por vezes, a ruina acarreta traumas. Mesmo que inconsciente, leva-se esse sentimento de perda para suas vidas futuras. Por não conseguirem construir uma família. Num ciclo viciante…

Entrando no filme… Pegos de surpresa, os irmãos, Wendy (Laura Linney) e Jon (Philip Seymour Hoffman), recebem a notícia que o pai (Philip Bosco) está senil; fora pego escrevendo recados malcriados na parede do banheiro com a própria merda. E mais, sua companheira de 20 anos, morrera.

Então, os irmãos, separados até geograficamente, se encontram onde o pai residia, no deserto do Arizona. Assim, são levados a rever o passado. Onde nem a figura de uma mãe existia, já que os abandonara. E eles aguentaram o autoritarismo do pai, até poderem caminhar por si mesmos.

A entrada, ou melhor, a volta desse pai, que agora quase uma criança, em suas vidas… Mais que um resgate, mais que despertar velhos fantasmas, vão percebendo que eles ainda são uma família. Triste, como o Jimmy (Gbenga Akinnagbe) achou a história contada por ela… Mas eles são os Savages, eles são uma família. Meio que: “Oras! Triste ou não, é a história da minha família. E ainda somos, ainda estamos como protagonistas dela.

Bem, se não compararmos com outros filmes, onde adultos ressentidos por não terem recebidos carinho dos pais, é um filme bom. É que não tem nada de tão incomum. É um drama comum. O diferencial, estaria no sentimento de culpa na busca por asilos. Mais ainda, no “acorda” que o Jon dá em Wendy nessa busca.

Os quatro personagens citados, estão ótimos! A trilha musical traz velhos e gostosos hits! Mesmo tendo gostado do filme, não entrou para a minha lista de rever. Nota: 7,5.

Por: Valéria Miguez.

A Família Savage (The Savages). 2007. EUA. Direção: Tamara Jenkins. Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Gbenga Akinnagbe, Peter Friedman, David Zayas, Cara Seymour. Gênero: Drama. Duração: 114 minutos. Classificação: 12 anos.

O Preço da Coragem (A Mighty Heart)

Primeiro, comentando que não gostei do título que deram aqui. Mas não por não achar que faltou coragem. E sim porque não foi com esse peso que a protagonista conta essa história. Um tributo ao seu companheiro, num presente ao fruto que geraram em nome do amor. Trata-se de uma história real e recente; ocorrida em 2002. Eu que de vez em quando reclamo de filmes no focar feminino, fiquei encantada com esse. Mais ainda por mostrar uma mulher sem esteriotipar.

Segundo, para nós que pegamos um pouco da Ditadura no Brasil, podemos constatar, atualmente, a diferença do tanto de informação que chega a nós. Se num passado recente até as versões oficiais eram mínimas, e que quase sempre apareciam quando havia algum vazamento… Atualmente, até por conta da internet, elas se vêem obrigadas a aparecerem muito mais; e por vezes, tendo que admitir o erro. Exemplo disso, seria no atentado em Madri, onde oficialmente acusavam um grupo, e os internautas trouxeram a verdade, o grupo responsável.

Agora, entrando no filme… A fim de apurar mais sobre o ataque ao World Trade Center, Daniel Pearl, jornalista do Wall Street Journal, e sua mulher, Mariane, também jornalista vão para o Paquistão. E sempre atrás de mais informações, às vésperas de sairem de lá, indo a um encontro, ele é sequestrado. Então começa todo o drama de Mariane para salvar o marido. Grávida, e num território onde uma mulher não teria muito onde fazer… Ela faz da casa onde estavam hospedados, de uma jornalista indiana, seu QG. E dali, o mundo acompanha e torce por ela. Que consiga resgatar seu marido.

Muitos, podem até lembrar dessa história, do desfecho. Mesmo assim, o filme vale a pena ser visto. Pelo documento histórico. Pela coragem e idealismo dessa mulher que não deixou de mostrar a verdade dos dois lados. Que não se intimidou diante dos terroristas. Pois essa é a melhor armas que usam: espalhar o terror. E também, por mostrar que mais que coragem, ao apurarem um fato, ao investigar primeiros os fatos, essa é a melhor arma que teremos. Sem conhecimentos, ficando só no que ouviu, os julgamentos precipitados prevalecem; como também, uma subserviência a uma falsa proteção continuará alimentando ódio e guerras. Bom poder ver pessoas que não se deixam levar, dominar, por sentimentos ruins e vão atrás dos fatos. Bravo Mariane!

Gostosa canção no finalzinho. Atuações que não fizeram feio! Locais onde a pobreza, nos comove! Enfim, um filme que vale a pena rever. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Preço da Coragem (A Mighty Heart). 2007. EUA. Direção: Michael Winterbottom. Elenco: Angelina Jolie, Dan Futterman, Archie Panjabi, Will Patton. Gênero: Drama. Duração: 100 minutos. Classificação: 12 anos.

Na Natureza Selvagem (Into The Wild)

A felicidade só é verdadeira quando partilhada!

Antes de começar a falar do filme, mas por algo contido nele, deixo uma queixa, a de que para nós mulheres ainda não é permitido colocar uma mochila nas costas e correr o mundo livres; sem sermos importunadas. Isso ainda é território masculino. Ok! Agora o filme…

Eu não li o livro, dai segui tranquila essa longa jornada natureza adentro. Como também deixo uma sugestão: não vejam esse filme com pressa, com o pensamento numa próxima atividade. Relaxe e aprecie com calma. Se leram que é a viagem de um jovem sozinho, eu diria que é de um casal de irmãos. Eles se amavam, mas… Eles cresceram. E temos aqui onde seguem caminhos opostos.

Chris (Emile Hirsch) que só esperava concluir a universidade, coloca a mochila no velho carro e põe o pé na estrada. Seu destino: Alasca. Viver com e da natureza. Marcia (Billie McCandless) fica com os pais. Ao longo do filme, em off, ela vai contando quem é o irmão. E logo no comecinho, ela já traça o perfil dele. Algo que ele mesmo não tem consciência. Mas nem que ela quisesse mostrar a ele, não iria adiantar: ele queria descobrir por si só o seu verdadeiro eu.

Então ele segue… Ao longo do caminho conhece pessoas incríveis. Que meio que o adotam; alguns como filho, outro, como um avó, e até como um irmão. Deles, recebe carinho, como também o transmite. É um jovem tranquilo. Se fosse apenas uma aventura, o contato com essa gente até daria a ele um suporte maior para enfrentar a civilização, com todas as suas regras rígidas. Mas como bem diz a irmã, ele já nasceu com o aventureiro dentro de si. Meio indomado. Livre para voar. Sem rédeas. E como está na canção: “conheceu todas as regras, mas elas não o conheceram“. Será? A natureza mesmo selvagem também tem suas regras…

Paisagens deslumbrantes! Trilha sonora também como personagens dessa história! E entre papéis grandes, ou pequenos, todos estão ótimos! Enfim, um filme que entrou para a minha lista de que vale a pena rever! Nota: 9,5.

Por: Valéria Miguez.

Na Natureza Selvagem (Into The Wild). 2007. EUA. Direção e Roteiro: Sean Penn. Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian Dierker, Catherine Keener, Kristen Stewart, Vince Vaughn, Hal Holbrook. Gênero: Aventura, Biografia, Drama. Duração: 140 minutos. Baseado no livro homônimo de Jon Krakauer.

Traídos pelo Destino (Reservation Road)

Quebrando ciclos… e, por perdas que não voltarão mais…

Por vezes, precisa acontecer algo para a quebra de um ciclo. Agora, nem sempre o fato vem como um tapinha na testa. Às vezes, vem mesmo com uma trombada violenta. E aí? É é hora de recolher os cacos. Vê o que sobrou. Para seguir em frente, como uma espiral.

Nesse filme, destaco primeiro, Pai e Filho. Mas um pai que parece que sufocou o filho que foi, o qual não recebeu o carinho do pai. Como não soube trabalhar esse sentimento, ao se tornar pai, fica perdido. Sem saber como o ser. E acaba fazendo besteira.

Essa relação conflitante, esse ciclo que mesmo sem se dar conta que continua… me fez lembrar, imaginem de qual filme? O dos Simpsons. Quando, por uns instantes, o Homer se dá conta de como vinha agindo com o seu filho. Mas nesse, o personagem de Mark Ruffalo “acordou” para então quebrar esse ciclo, de um modo desagradável… Enfim, aprendeu…

Um outro lance do filme, foi com o personagem de Joaquin Phoenix. Pausa… Para quem acompanha minhas análises cinéfilas, já deve ter percebido que meu foco foge dos detalhes técnicos. E até esqueço de nomes de alguns Diretores, mesmo tendo gostado muito de algum de seus filmes. O lance é para contar que uma cena com Joaquin Phoenix e uns jovens, me fez lembrar de um outro filme que ele participou. Eis que ao verificar após o filme, vejo que é também desse Diretor, Terry George: “Hotel Rwanda“.

Voltando ao filme… Ainda desnorteado com a tragédia, ele até tenta levar a vida adiante, mas… A conversa entre os jovens, seus alunos, o tira da apatia, mas o levando para uma reação de cobrança… A cena é rápida, mas as falas chamam a nossa atenção para algo mais abrangente: da banalização da violência. Diria mais, dos muros invisíveis resguardando a maioria dos norte-americanos da realidade do mundo. Como o filme é baseado num livro, não sei se nele há um tempo maior nessa hora. Até por também tocar no Quarto poder. Mas como falei, tudo é muito rápido. Trechinho:

O meu povo, como o resto do mundo… sabem o que é dor, sofrimento, violência e perda. …eles convivem com dor e morte, todo dia. Vocês não. Vocês se tornaram tranqüilos. A questão é economia. …a maioria dos americanos estão isolados da morte.

Bem, ele então vai fundo em buscar o responsável. Até ai, louvável! Mas o sentimento de posse ainda é gritante. Escurecendo a sua visão. E como foi o “Acorda!” dele? Vendo o filme, saberão.

Por último, a personagem da Jennifer Connelly. Mas essa soube trabalhar bem com culpas e perdas. Para uma mãe, passar o que ela passou… E que soube como acordar desse pesadelo. Também merece destaque. Quando digo trabalhar os sentimentos, é porque eles fazem parte de nós. Precisando que tomemos consciência dele. E sem culpar a ninguém por mantê-los.

Enfim, um bom filme; que eu até voltaria a assistir.

Por: Valéria Miguez.

Traídos pelo Destino (Reservation Road). 2007. EUA. Direção: Terry George. Elenco: Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly, Mark Ruffalo, Mira Sorvino. Gênero: Drama. Duração: 102 minutos.