O tempo passa, mas não para Woody Allen!
Por conta disso, quero falar do ator, Woody Allen. Creio que comecei a notá-lo em “Testa-de-ferro Por Acaso” (The Front, EUA, 1976). Foi brilhante! Daí, fui acompanhando seus filmes. Sem me deter aos anos da produção; pulando alguns, mas mais por falta de oportunidade por morar em local pequeno, com apenas um único cinema. Daí, acompanhei mais a trajetória dos seus personagens do que uma seqüência como Diretor.
É, os anos passaram. Mas… Revi há pouco tempo “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”(Annie Hall), de 1977, o qual recomendo e muito. Pulando para esse, 2002. Me peguei a pensar que estando, nós, numa tempo onde se cultua tanto a beleza da aparência… Vejo que Woody Allen mostra que há lugar para todos. Que nem idade, nem cabelos grisalhos, nem as rugas. Enfim, quando se tem talento o tempo não traz envelhecimento, mas sim ressalta a beleza da trajetória de vida dessa pessoa.
Entrando na história desse filme… Que a aparência física não é o que conta mais ponto nos relacionamentos; no dia-a-dia. Como também se existe talento em alguém, lapidar é aconselhável. Mas sem neuroses.
Falando do roteiro. Para quem conhece seus filmes, e sobretudo as suas críticas, como também os seus ídolos, poderá ver que nesse ele continua afiado. Como também repetitivo. Mas e daí? Essa é sua marca. Dica: curta o filme! O final promete uma tirada a seu estilo!
E o conta esse filme? Woody Allen faz um Diretor que por conta de suas manias e exigências, mesmo sendo bom no que faz, é jogado para escanteio pelos Produtores. Estando afastado do primeiro time, apenas dirigindo comerciais. Após 10 anos, tem a chance de uma volta triunfal. E pelas mãos da ex-mulher; que saca que ele é o único que fará daquele roteiro, um grande filme. Acontece que o Produtor é o atual namorado dela, além de conhecer o seu passado. Como se não bastasse, o seu lado hipocondríaco o faz ficar cego às vésperas de iniciar o filme. Que o faz dirigir o filme sem enxergar nada. Daí o título que deram no Brasil.
A vida desse Diretor é meio que passada a limpo em paralelo com as filmagens. Carreira e vida privada. Como uma parada para revisão. O que fez até aquela hora. Li num livro essa frase: “Não existe Deus! Mas sim o que você fez e o que deixou de fazer.” E seu analista lhe diz essa: “Você fechou os olhos para a situação“.
O filme também aborda que a maioria “compra” o que lhe agrada mais; ou melhor, o que é mais fácil de “engolir”. A mídia sabe e faz uso disso.
Eu gostei! Dei boas risadas! Nota: 09.
Por: Valéria Miguez.
Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending). 2002. EUA. Direção e Roteiro: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Téa Leoni, Treat Williams, George Hamilton, Mark Rydell. Gênero: Comedia, Drama, Romance. Duração: 112 minutos.
