Vida é mais que um corpo em movimento…
Ao terminar de assistir esse filme, O Escafandro e a Borboleta, me peguei a pensar do porque eu não chorei tanto. Pois uma lida numa sinopse achei que iria me debulhar em lágrimas. Algo que ocorreu assistindo “Mar Adentro“. Ambos os filmes foram baseados em fatos reais. Mas são histórias diferentes…
Um pouco do drama real: Em 1995, num acidente vascular cerebral (AVC) o jornalista e editor da Revista Elle Jean-Dominique Bauby, aos 43 anos de idade, foi acometido de uma doença rara – locked-in syndrome – que apesar de lúcido, tem os movimentos do corpo todo paralisado, sobrando-lhe apenas o movimento do olho esquerdo.
Ai, para quem não viu o filme pode se perguntar: “Mas como é que continua essa história? Foi imaginado pelo Roteirista?” Eu respondo que não. Ele próprio, Bauby, conseguiu um jeito de nos contar a sua história. E de um jeito que, acreditem, tem horas que nos pegamos rindo com ele. Apesar dos pesares, ele manteve um bom humor.
Claro que há momentos que emocionam. Uma delas quando descobrimos o porque desse título: “O Escafandro e a Borboleta“. Contar, lhes tirariam o prazer dessa emoção. Nossa! Fiquei com vontade de aplaudir de pé também a sua decisão.
A história nos é contada quando ele desperta do coma. E somos levados a ver, a vivenciar seu drama, naquilo que o olho dele ver. Como uma única câmera e embutida em seu olhar. Aos poucos, ele vai se inteirando do que lhe aconteceu. Nada é escondido dele. Até porque ele precisa ajudar para que eles possam lhe ajudar a encontrar um jeito de estabelecer um contato.
Depois, ele nos conta um pouco de antes desse fatídico dia. O que nos leva a nos emocionar juntos com o filho e o pai dele. Com esse, por sinal, nossos olhos ficam marejados. Mas também não quero tirar essa emoção de vocês.
Ainda com os personagens, destaco mais duas. Uma, é a logopedista. Ela foi incansável! E a outra, foi quem transcreveu toda essa história, todo esse exemplo de vida. A história que o Bauby deixou num livro. Na homenagem dele a ela as minhas lágrimas desceram…
Enfim, é um belo filme! Com atuações brilhante! Paisagens deslumbrantes! Música que já no iniciar com “La Mer” nos levar a navegar com esse coração que ainda pulsa pela vida. A descortinar com ele um horizonte. Num longo passeio… Bravo, Bauby! Nota: 10.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
O Escafandro e a Borboleta (The Diving bell and the Butterfly / Le Scaphandre et le Papillon). 2007. França. Direção: Julian Schnabel. Elenco: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Max von Sidow, Patrick Chesnais, Niels Arestrup, Olatz López Garmendia. Gênero: Drama. Duração: 112 minutos. Classificação: 16 anos.
