Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters)

Como consegue atuar se é insensível por dentro?

Essa indagação é dita pela a mãe de Hannah. Em meio a uma discussão entre os pais, onde ela fora chamada para apaziguar os ânimos dos dois. Um, de vários ao longo da sua vida. Das três filhas, e até mesmos dos pais, Hannah é a mais centrada. Ao longo do filme, percebemos o quanto isso lhe traz admiração como também exasperação daqueles que a cercam. Mesmo com toda a sua dedicação por eles, nessa doação, as suas constatações por alguns são tidas como algo do gênero: pensamento negativo. Acontece que ela põe tudo na balança: os prós e os contras. E esse último nem todos gostam de analisar.

Voltando a frase… O atuar não sendo uma profissão traz até um sentido pejorativo. Parecendo como alguém que está mentindo diante uma situação. Mas quando apenas omite um fato, vem como algo mais leve. Como contar uma verdade? Como digeri-la? Sendo para muitos mais fácil apontar os erros alheios. E se quem os aponta é alguém que se vê como o supra sumo da perfeição, aí complica.

Atuamos em diversas situações ao longo da vida. Até por conta de vivermos numa sociedade. Mesmo dentro de um núcleo menor como a família, há certas regras a seguir. O que nos impede de sermos 100% nós mesmos. Para uma boa convivência, algum lado nosso terá que ceder. Ou até fingir que não está vendo certas situações, tem sido uma boa política. Mas se há um único pilar nesse núcleo? Agradar a gregos e troianos é tarefa árdua. Sempre haverá a nau dos descontentes. Eu me vi em certas situações vividas por Hannah. É, em momentos assim, alguns nos vêem como sem coração.

Voltando ao filme… Mesmo agindo racionalmente, aparentando uma atitude fria, calculada, Hannah tem consciência das limitações das pessoas a sua volta. Ou do modo de ser de cada um. Para a irmã estouvada, Holly (Dianne West), Hannah serve mais para bancar seus sonhos. Os conselhos não são bem-vindos.

Lee (Barbara Hershey) vê a irmã mais como uma mãe. É quase 100% romântica. Talvez por admirar até a cultura da irmã, foi viver com um artista plástico muito mais velho. Tem ele mais como um Mestre. Além de refinar seus gostos, ele a tirou do mundo das bebidas. Acontece que o assédio do atual marido da irmã mexe com ela. A abstinência de alguns anos recai no prazer de uma aventura. O sentir-se sufocada é por estar sedenta.

Elliot (Michael Caine) se outrora amou o lado organizado de Hannah, já que sua vida era um caos, ainda se ressente. Ainda não trabalhou esse lado seu. Mas em vez de tentar canalizar isso no campo profissional, o faz pelo lado carnal. Se encantando por uma carne fresquinha: a jovem, bela e radiante Lee.

Por conta da frase, eu nem fiz uma apresentação desse filme: “Hannah and Suas Irmãs” (Hannah and Her Sisters). Uma história de 22 anos atrás. Mais com conflitos também atuais. Resumir numa única palavra, o filme traz como mote a infidelidade. Não apenas entre casais. Há o trair ou não seus próprios princípios. Como também ser infiel a religião. Muito embora a religião veio como herança de pais. O tempo do filme praticamente é pontuado entre duas reuniões no Feriado de Ações de Graça. E o que acontece nesse intervalo de tempo? Algumas histórias vêem com cenas em flashback. E peguei para rever motivada por ser mais um de Woody Allen. Pelo tempo, ficou um gosto de uma primeira vez.

Gente! O personagem do Woody Allen é quase um outro filme. Ele é um Produtor de Tv. Suas aparições, são engraçadíssimas! Para quem já conhece o perfil hipocondríaco de seus personagens e gosta, não irá se decepcionar com esse. Ou por saber de suas preferências musicais, já dá para imaginar onde o levaram e ele nos brinda com algo assim: “Irão fazer reféns após o show!“. Ou até quando em crise, sai em busca da existência de Deus em algumas religiões. Ah! A ligação dele com a Hannah é que foram casados e têm filhos, mas adotivos. Por conta de algo muito peculiar dele.

Citam uma frase de Tolstoy que a vida não tem sentido. Mas tem sim e é seguir em frente. Com erros e acertos, mas continuando dentro dela. E se no final os que compareceram ao almoço estão de fato rendendo graças a esse porto seguro ou não. A comandante… Bem, sua tripulação aprendera a lição. Agora, e ela, também omitira desconhecer a traição? Escolhendo conscientemente? Fora essa a sua melhor interpretação?

Filmaço! Dos que vale a pena ver e rever!

Por: Valéria Miguez.

Hannah e suas Irmãs (Hannah and her Sisters). 1986. EUA. Direção e Roteiro: Woody Allen. Elenco: Mia Farrow, Barbara Hershey, Dianne West, Woody Allen, Carrie Fisher, Michael Caine, Max von Sydon, John Turturro, Sam Waterston, Daniel Stern, Maureen O’Sullivan. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 102 minutos.

Entrevista (Interview)

steve buscemi, sienna miller

Me Tarzan, You Jane!

Uau! Que filme! A princípio, somos apresentados a dois personagens que parecem que falam línguas diferentes, como também que vivem em mundos diferentes. Mas ambos moram em Nova Iorque. Que não deixa de ser uma selva, já que é pontuada com universos diferentes como os desses dois. E quem são eles? Como os caminhos deles se cruzaram?

Num pequeno resumo: Pierre Peders (Steve Buscemi) é um repórter que traz na bagagem os bastidores da política, dos políticos, como também os das guerras modernas. Katya (Sienna Milller) é uma jovem e linda atriz de filmes “B”, como também a estrela de uma Série de Tv.

Por conta de que um repórter do seu gabarito fora mandado entrevistar essa atriz? Irritado, tenta ainda convencer seu chefe que até pelo atraso de mais de uma hora da atriz poderiam cancelar a entrevista e ainda teria tempo de chegar a Washington. Por estarem às vésperas de um escândalo ser revelado. Ele queria estar lá e dando essa notícia. Ser ele o entrevistado. Durante essa cena, um lance com o celular, e que acrescido ao com a atriz, deixa claro o que que quebra as regras no mundo: notoriedade.

A chegada da atriz, aumenta ainda mais a sua insatisfação. Ela chega como a dona daquele pedaço, com todos os holofotes sobre si. Ela percebendo que ele nem fez questão de uma pequena pesquisa sobre sua vida, como também já não estava motivada a dar essa entrevista, também não esconde mais a insatisfação. Aceitara mesmo pelo jornal que ele representa. O que poderia ter sido até uma respeitosa troca de favores, vira um duelo verbal. Até que Katya toma a iniciativa e põe um fim aquela situação, com algo do tipo: “Vai se catar!

Mas por conta de um acidente de percurso, à saída do restaurante, em vez de cada um seguir o seu caminho, eis que o destino os colocam lado a lado. E essas duas feras feridas irão se despir numa longa jornada noite adentro. Agora, quem dali seria o entrevistado? Ou, quem seria o intelectual, o inteligente… A louraça seria mesmo uma patricinha? Sem neurônios?

E o final… Já estariam cicatrizados os seus ferimentos? Teria ficado como um acordo de cavaleiro? Houvera uma troca cujo interesse seria alguém para mais que desabafar, pudesse então entender o porque da vida que ambos levavam? Ou como um: “Ok! Aqui estamos nós desarmados, mas lá fora, não esqueça, sou, continuo marcando o meu território. Te pego fácil, no laço!

Acompanhamos esses dois, sem desgrudar os olhos. Dão um show de interpretação! Steve Buscemi que além de protagonista, dirige como um Grande Mestre. O filme se passa quase todo num único local e só com ele e ela. Ah sim, mais o diálogo que não deixa pedra sobre pedra… Uma produção independente classe A! Filmaço!

Fica a sugestão também para os estudantes de jornalismo, até por conta do motivo do “rebaixamento” do personagem. Por nos fazer lembrar de algo ocorrido num passado recente, e num grande jornal dos Estados Unidos.

Por: Valéria Miguez.

Entrevista (Interview). EUA. 2007. Direção: Steve Buscemi. Elenco: Steve Buscemi, Sienna Miller, Tara Elders, Molly Griffith, Jackson Loo, David Schecter. Gênero: Drama. Duração: 84 minutos.

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty)

\Confesso que a motivação para esse filme foi George Clooney. Afinal, ele é um colírio! Em segundo lugar, por gostar de filmes com advogados, tribunais. Nossa! Que filme, ou melhor, que causas advogam nesse! E tem uma cena, cuja fala vai bem de encontro em porque filmes assim são interessantes de se ver. Essa: “Advogados às vezes seguem as leis“.

Uma consideração inicial. Se Geoffrey Rush não foi dublado, deveriam dar correndo a ele um papel principal num Musical. Porque ele deu um show cantando “The Boxer“, de Simon e Garfunkel. Além claro, de marcar presença com uma pequena participação como fez nesse.

No início do filme, e bem rápido, me peguei a pensar num flagrante ao contrário, em como seria. Até porque é o mais corriqueiro. Ou era. Diante da história do filme, como também do que a mídia sensacionalista conta do mundo real, não sei mais o que pende mais na balança das relações a dois: se homens traindo as(os) companheiras(os), ou o contrário.

Mas logo depois, o choque! Gente! O que era aquele “clubinho” de mulheres. Chega a ser uma falta de respeito, uma falta de consideração, às mulheres que lutaram para que nós, nos dias atuais, pudéssemos estar lado a lado com os homens no campo profissional, e não mais em papéis secundários. Não ficando apenas nesse campo. No Brasil, por exemplo, no campo esportivo a participação das mulheres competindo em alguns, também é recente: e por um Decreto Lei em 1981. Como podem ler no Blog da Lunna: aqui. Embora lamentável, o empreendimento delas na tal reunião também existe no mundo real. Não é pura ficção. E vemos essas alpinistas em todas as classes sociais. É muita falta de perspectiva para uma mulher, nos dias de hoje, procurar num casamento o seu ganha-pão. Casar por interesse financeiro é o fim da picada. Algo só compreensível em gerações passadas.

A personagem da Catherine Zeta-Jones, Marylin Rexroth é mais uma delas. Que busca por marido ricos, que gostem de aventuras extra-conjugais para com um flagrante dessas escapulidas, pedir na separação um polpudo quinhão dos bens deles. É, é no plural mesmo, pois algumas delas, não se contentam com um único casa-separa.

Acontece que o primeiro e mais arquitetado do seu golpe, foi frustrado por conta do melhor advogado nessas causas, Miles Massey (George Clooney). Então, o jogo começa. Pois ela vai querer se vingar. E tendo ele uma considerável fortuna, vira a sua próxima vítima.

Mesmo com toda a sua astúcia nesse tipo de investida, nessas armações, Miles encontra-se entediado. Seu sucesso profissional está no topo. Mas… Para piorar seu ânimo, ao se deparar em como leva a velhice o sócio majoritário, ele fica baqueado. E estando fragilizado, vira uma presa fácil para essa belíssima interesseira. Como ele mesmo diz:: “Indefeso como um patinho na lagoa”.

E o final… Bem, o final é coerente com a proposta do filme. Afinal, business is business. Affe! Até por conta disso, embora com uma excelente trilha sonora, ao término do filme, foi essa música que me veio à mente: “Socorro, não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo…“. Por fim, não entrou para a minha lista de que vale a pena rever.

Ah! Fiquei em dúvida com o lance do Sr. Smith, se teria sido uma homenagem ao filme “Sr. e Sra. Smith”.

Por: Valéria Miguez.

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty). 2003. EUA. Direção: Joel Coen. Elenco: George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Cedric The Entertainer, Geoffrey Rush, Billy Bob Thornton, Richard Jenkis, Edward Hermann, Jack Kyle, Paul Adelstein. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 100 minutos.

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind)

O símbolo era ele; e ele era o símbolo. Talvez, como o Neo, o exemplo de Jonh Nash mostre que a saída da matrix, ou mesmo o caminho que leva até ela, esteja em nos descobrirmos, primeiramente. Conhecer o nosso “eu” na essência. Até para definir qual caminho percorrer na vida.

Para mim, esse é um filme cheio de simbologia. Por conta disso, cheguei a levar para um fórum junguiano. Nesse resgate, para alguns de vocês pode parecer viajante demais. Tentarei trocar em miúdos. Muito embora esse filme é uma senhora viagem! Ah! Eu não vou entrar no mérito da doença porque isso não é a minha praia. Não li o livro, nem tão pouco fui atrás da história real. Preferindo me ater na poesia contida na mensagem do filme; na história de vida desse cientista.

Nash (Russell Crowe) praticamente nasceu cientista. Logo, queria sempre respostas, no mínimo coerentes. Mas em vez de aglutinar, sua obstinação afastava as pessoas. Não conseguindo nem motivar as pessoas a verem a beleza dos números, da matemática.

Na busca por uma idéia original, Nash encontra o caminho quando seu amigo Charles lhe diz que a resposta não está em virar-se para a parede, mas sim em procurar do lado de fora. (Essa cena me fez lembrar de um capítulo de um livro de Leonardo Boff, muito interessante, cujo título é: “A vida é uma escola”. Onde relata um encontro seu com os filhos de Jung). E de fato a idéia veio quando esquece um pouco da rotina acadêmica. Quando sai com um grupo para um bar. “O melhor resultado surge quando todos elementos do grupo olharem pelos seus próprios interesses e pelos do grupo“. Trazendo-lhe o reconhecimento onde tanto queria.

Mas faltava a Nash conhecer um outro significado. Algo mais real. E veio numa cena comum (Que todos nós podemos vivenciá-la.). A atitude da jovem Alicia (Jennifer Connelly), em sala de aula, chama a sua atenção. Pois ela aplica sua teoria de um modo bem diferente. Ao resolver esse problema/equação: ouvir o professor e o calor na sala. A cena é genial de tão simples! Fazendo-o despertar.

Não é projeção porque isso denotaria em comparação. Onde se busca em critérios externos, regidos pela ética, pela moral, onde baseados em condutas alheias, avalia e valida os próprios atos. Como também não sei se a palavra seria alinhamento, mas não com o significado de nivelamento (de tornar igual). Seria mais como um ajuste diário. Aí sim, a experiência vem como motivação que, absorvida internamente, nos desperta. Levando a perceber as nuances dos fatos. Analisando-os ali no momento ocorrido. Nem havendo uma pré-ocupação para aquilo. Até porque uma experiência anterior não tem que ser necessariamente padronizada (fechada). Ela pode e deve passar por um novo reajuste a cada vez que for necessário; e somente percebida (exigida) ao ser vivenciada. O sabor da maçã varia conforme a época; e pela vontade de experimentar.

Essa motivação talvez possa ser entendida como a que leva a criança em direção a aula. A cada dia algo novo para ela. Muito embora para o professor essa mesma aula ele a aplica anos após anos. A matéria está pronta, mas dependendo da troca entre o aluno e o professor, essa mesma aula (tradução; interpretação) renderá motivação ou não. Despertando algo exigido para aquele dia. A Alicia traduziu esse ajuste no momento oportuno. Dando uma outra aplicação (significado) pois algo em seu interior mostrou-se interessado.

Por todos os percalços que passou a força de um amor mostrou a Nash o segundo passo nessa jornada chamada vida; e em direção ao amanhã. E, na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel, Nash, em seu discurso, retribui:

Sempre acreditei em números, nas equações e na lógica. Mas após uma vida de demanda, pergunto: o que é, na verdade, lógico? Quem decide o que é racional? A minha busca conduziu-me do físico… ao metafísico… ao delírio e ao regresso. E fiz a mais importante descoberta da minha carreira. A mais importante descoberta da minha vida. É apenas nas misteriosas equações do Amor que alguma lógica ou razão podem ser encontradas. Estou esta noite aqui, apenas, graças a ti. És a razão de eu ser. És todas as minhas razões. Obrigado!“.

Esse é um filme que vale muito a pena ver, como também rever várias vezes. Ah! As lágrimas rolaram na cena da caneta. Nota máxima em tudo!

Por: Valéria Miguez.

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind). 2001. EUA. Direção: Ron Howard. Elenco: Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly, Adam Goldberg, Josh Lucas, Christopher Plummer. Gênero: Bibliografia, Drama. Duração: 135 minutos. Roteiro baseado em Livro de Sylvia Nasar.

O Plano Perfeito (Inside Man. 2006)

Para mim, o filme não foi perfeito por se alongar demais. Quem já conhece meus textos sabem que não me importo com a duração do filme. Desde claro que tenha razão para isso. Que o seja por conteúdo. Ou até que não nos tire a atenção. Nesse, teve uns 20 minutos entediantes, onde até lixei um pouco as unhas. Fiquei com a impressão de que para o Spike Lee filme bom tem que ser longo. Tal qual o pensamento do Jô Soares que livro bom tem que ficar em pé (Para quem tem Orkut, conto essa história aqui com mais detalhe.). Sem esses 20 minutos, a história ficaria mais amarrada.

Outro ponto que não gostei foi com a escolha da atriz. Ou o Diretor não soube tirar todo o potencial de Jodie Foster. Talvez uma outra atriz teria roubado a cena, quiçá o filme. Pelo personagem, por aquilo que tinha que fazer: em ficar entre o banqueiro, o bandido e o mocinho. Mas ficou a desejar. Ela fora incumbida pelo banqueiro de que algo guardado num dos cofres que ficasse em segredo. Sendo assim teria que passar pelos tiras para chegar aos assaltantes.

Em relação a história do tal segredo do banqueiro (Christopher Plummer) não é original. Também não vejo demérito nisso. Mas digo porque tantos bateram nessa tese. A história me fez lembrar de outra num livro que li há muito tempo atrás. Pena que não lembro o nome (Foi num período onde algumas Editoras fizeram tiragens de livros em papel jornal. Eram vendidos em Bancas de Jornais a preços bem populares. Eu li muitos nessa época.). Fiquei pensando que o Spike Lee também leu tal livro. E inspirou-se naquele segredo para fazer esse.

O segredo do banqueiro, sem estragar a surpresa de quem ainda não viu esse filme, vem de encontro em aproveitar-se de uma situação para dela extrair dividendos. Algo anti-ético? Amoral? Sim. Mas que alguns governantes fazem passar tranqüilamente pelos olhos da lei. Por terem a máquina a seu favor.

Caça ao rato? Bandido versus Mocinhos? Metendo o dedo na ferida? Tudo isso é exposto nessas horas onde um assalto a um banco fora descoberto. Teria sido mesmo? Os policiais não teriam sido parte do plano? Entre bandidos e os tiras, haviam reféns. Restaria saber quem era quem.

Mas o filme é bom. Amei a música Chaiyya, Chaiyya! E a carequinha do Denzel me fez ficar com saudades do Kojak. Ah! Aquele final me fez pensar que deixaram um gancho para uma continuação. Eu espero que não, pois seria mais um ponto negativo.

Por: Valéria Miguez.

O Plano Perfeito (Inside Man). 2006. EUA. Direção: Spike Lee. Elenco: Clive Owen, Denzel Washington, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Jodie Foster, Chiwetel Ejiofor. Gênero: Drama, Policial, Suspense. Duração: 129 minutos.

Borat: o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan)

Rir de algo é não concordar com as imbecilidades e incongruências… é afrontar o opressor, que te quer sério, ao lado dele, ou triste, sob sua bota… é escapar deste mundo, imaginando um outro…” (Xavier, Marco Antônio)

Esse é um filme que creio que há dois pólos em quem assiste. Tipo: ou adorou ou odiou. Que ninguém sairá indiferente após assistí-lo. Vai dai que àqueles que gostam de um filme comportadinho, todo bonitinho, é melhor passarem longe desse. Há filmes que eu até tento motivar. Mas esse, por conta de umas cenas… É melhor que assistam outro filme. As tais cenas, dizer que são puro escracho é até eufemismo.

Borat (Sacha Baron Cohen) é um jornalista em seu país, o Cazaquistão. A título de traçar um paralelo entre o modo de vida do seu país com o dos americanos, parte para os Estados Unidos para colher material para o seu Documentário. E acaba se encantando por lá. Inclusive resolve procurar a atriz Pamela Anderson para pedi-la em casamento.

Assim, ele percorre várias lugares dos Estados Unidos entrevistando as pessoas. Teve momentos que cheguei a pensar: “Esse cara vai apanhar!” O ator é sensacional! Não sei se pelo fato de ser inglês usa e abusa do humor à la monty python. As cenas são hilárias! Uma com o hino americano é sensacional! E que até me fez lembrar um pouco da dupla: Tangos e Tragédias, da Sbórnia.

Antes que pesem a sátira a judeus, vale lembrar que o povo judeu é reconhecido como aquele que faz piadas ou ri de seu cotidiano e de suas próprias vicissitudes. Até podemos lembrar de alguns artistas cômicos que eram/são judeus: Jerry Lewis, Woody Allen, os Irmãos Marx, Mel Brooks, Peter Sellers…

Eu gostei muito desse filme!

Por: Valéria Miguez.

Borat: o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan). EUA. 2006. Direção: Larry Charles. Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davilton. Gênero: Comédia. Duração: 84 minutos.

Curiosidade: A polícia foi chamada 91 vezes durante a produção de Borat, devido a cenas rodadas por Sacha Baron Cohen. Em Nova York um mandato de prisão chegou a ser enviado ao ator.

Boogie Nights – Prazer Sem Limites

Eu poderia dizer que essa é a história de um jovem bem dotado; e que tudo mais seria pano de fundo. Que por estar na época certa, pudera mostrar o seu talento. Mas talvez por conta da sua imaturidade a fama lhe subiu a cabeça. Ou desceu… Por se considerar grande, desrespeitou a quem lhe dera a chance de mostrar o seu talento.

Dai, dançou! Pior, conheceu o inferno por conta das drogas. Por mais de uma década, acompanhamos a trajetória de Eddie (Mark Wahlberg).

Acontece que os demais também têm suas histórias para contar. E o elo entre elas é o Diretor de Filmes Pornô Jack Horner (Burt Reynolds). Ele não apenas dirige, ele mantém toda a máquina em pleno vapor. A indústria de filmes para adultos é praticamente a sua casa.

O filme mostra toda a trajetória desse tipo de filmes. Do início dos anos 70 até a chegada da outra década com as fitas de vídeos. Levando a excitação do Cinema para dentro dos lares. Também traz a cocaína correndo solto nas festinhas. De overdose à desatinos, levando a praticarem crimes, há também a perda de uma identidade. É um inferno que poucos sabem sair. E os atores desses filmes ficam marcados. Nem atores ele são considerados.

Então é isso, muito Sexo, Drogas e… não, não é Rock-on-roll. É também o início da Disco. O som das Discotecas. Com uma moda sui-generis. A trilha sonora também tem destaque nesse filme. Boogie Nights faz uma radiografia desse período. Filmaço!

Por: Valéria Miguez.

Boogie Nights – Prazer Sem Limites. 1997. EUA. Direção e Roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Mark Wahlberg, Heather Graham, Burt Reynolds, Rico Bueno, Julianne Moore, Don Cheadle, John C. Reilly, Luis Guzmán, William H. Macy, Nicole Ari Parker, Alfred Molina, Philip Seymour Hoffman. Gênero: Drama. Duração: 156 minutos.

Bon Cop, Bad Cop

Para quem pensa que bairrismo só acontece no Brasil, terão aqui uma divertida amostra de que também ocorre num país do primeiro mundo: Canadá. Para mim, foi o mote principal desse filme. Tudo mais veio como pano de fundo. E por lá, vai além dos sotaques carregados, ou até das expressões regionalíssimas. É, o lance maior é por falarem línguas diferentes: francês e inglês. Partes diferentes do país, falando línguas diferentes. Ou nem tanto, por já estarem incorporadas. O filme já vale como uma aula divertida de Línguas Estrangeiras.

Entrando no filme… Tudo começa com um corpo em cima de um outdoor numa rodovia. Placa essa que está no limite entre duas cidades. Logo, cada metade do corpo está numa jurisdição. Então dois policiais são chamados: Martin Ward (Colm Feore) e David Bouchard (Patrick Huard). E tem início a contenda hilária. Já que terão que ser parceiros nessa investigação.

Martin, é de Toronto, fala inglês, mas estudou o francês. David, é de Quebec, fala francês e entende um pouco do inglês. Mas ambos só dirão isso depois. Deixando que os Chefes de ambos façam uma divertida, para eles é claro, tradução simultânea nessa convocação.

Bem, as diferenças não ficam somente nisso. Martin faz o tira zeloso no cumprimento do seu dever. Seguindo a lei nas investigações. O oposto de David. O que dá pano pra manga. Pois ao investigarem esse crime, outros corpos vão aparecendo. E ambos são forçados a continuarem a parceria. Por conta disso, as diferenças no modo de agir, acentuam-se mais ainda.

Mas do que tentar também descobrir quem está por trás daquelas mortes, de saber quem é o serial killer, fica o prazer em ver essa dupla trabalhando. Eu sou fã desse gênero. Mas de um policial meio cômico. Não sei se o Cinema Canadense tem outros mais. Mais deixo aqui o meu “Great!”, como também o meu “Grand!”! Adorei a dupla Martin & David!

Ah! Creio os fãs da Angelina Joulie não gostarão de uma piada!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Bon Cop, Bad Cop. 2006. Canadá. Direção: Eric Canuel. Elenco: Colm Feore, Patrick Huard, Pierre Lebeau, Lucie Laurier. Gênero: Ação, Comédia, Policial, Suspense. Duração: 116 minutos.

Meu Melhor Amigo (Mon Meilluer Ami)

Para você, sou uma raposa como qualquer outra. Mas se me dosmetica, necessitaremos um do outro. Será único no mundo para mim e eu serei único no mundo para você.” (O Pequeno Príncipe)

Durante um refeição num restaurante com um grupo de antiquários, François (Daniel Auteuil) causa espanto a sua sócia por não saber que ela era homossexual. Por não notar nada dela além de dividendos. Fazendo-a perceber que para ele tudo se resumia em comprar algo para depois revender. E ela pergunta se ele tem um amigo de fato. Não apenas colegas de profissão. Ele mente, dizendo que tem. Então lhe pede o nome, e de um apenas. Ele olha para todos, mas em nenhum vê o reconhecimento de o terem como amigo. Aliás, há um que até então o considerava como um amigo, mas que François nem nota.

Por não acreditar no que ele contou, Catherine (Julie Gayet), sua sócia, faz uma aposta. Dando até um prazo para que ele apresente esse amigo verdadeiro. Para tal, escolhe como prêmio um vaso que ele arrecadou para si próprio, mas com o dinheiro da firma. Mesmo estando passando por uma crise no Antiquário de ambos, num impulso, ele lutou num Leilão para obtê-lo; e que o fez sair caro. É que a história do Vaso o fascinara. E para não perdê-lo, François aceita a aposta. Até achando que seria fácil conseguir um amigo em tão pouco tempo.

Acontece que até seria, se ele quisesse de fato ter um amigo. Mas não era somente a timidez que o impedia. Como seu real interesse girava em seu ramo de trabalho, tudo o mais não lhe dava nenhum prazer. Fazendo de suas relações um clubinho restristo. Beirando quase a um preconceito a outras classes sociais.

Disposto a não perder o prêmio, vai à caça de um amigo. Nessa busca, cruza em seu caminho Bruno (Dany Boon), um simpático taxista que fazia ponto próximo a seu Antiquário. Então ele pede ajuda a ele. E ele se dispõe a ajudá-lo.

Bruno, mesmo com toda a simpatia, seria alguém taxado como o chato-enciclopédia. Pois seu sonho era participar de um desses programas de tv de perguntas. Mas mesmo acertando as respostas durante as entrevistas, o seu nervosismo era tanto, que o reprovavam. Não era alguém talhado para ficar diante das câmeras de tv. Meio incongruente para alguém tão simpático, tão zeloso ao volante.

Assim, ambos estarão se ajudando mutuamente. Dois homens adultos conhecendo a si próprios. E poderem enfim dizer: esse é o meu melhor Amigo. Mais que focar um universo masculino francês, o filme rompe fronteiras. Pois todos nós conhecemos histórias assim, até em quem se ligue a outros por puro interesse comercial. Eu gostei do filme! Até por conta do final.

Por: Valéria Miguez.

Meu Melhor Amigo (Mon Meilluer Ami / My Best Friend). 2006. França. Direção e Roteiro: Patrice Leconte. Elenco: Daniel Auteuil, Dany Boon, Julie Gayet. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 94 minutos.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy. 1989)

A História terá de registrar que a maior tragédia deste período de transição social não foram as palavras ácidas e as ações violentas das pessoas más, mas o assombroso silêncio e a indiferença das pessoas boas.” (Martin Luther King. 1929/1968 )

Rever esse filme após um longo tempo, além do prazer, me levou a outros vôos. A lances do passado, como também a alguns bem mais recentes. Por conta da amizade entre os dois tão diferentes personagens: Miss Daisy (Jessica Tandy) e Hoke (Morgan Freeman); falo sobre isso depois. Mas também foco sobre outro aspecto desse filme e que tem a ver com a citação inicial.

A história do filme é contemporânea a Martin Luther King. Logo há o enfoque do preconceito no geral. Porque além da tal diferença entre os dois personagens, um negro e uma branca, há também sobre religiões e até os que a própria sociedade acabam mascarando. São pequenas atitudes, falas, que incorporadas na rotina diária dá a entender a pessoa de que não é preconceituosa. Por vezes é preciso que outra pessoa o leve a notar e o que o faça repensar. Há um outro enfoque também, o de que por razões comerciais, o de que para não apenas não perder clientela, mas também para obter futuros clientes, a pessoa prefira se omitir.

Indo de um extremo ao outro, o filme mesmo contando a história numa data específica, ele infelizmente tornou-se atemporal. Digo que infelizmente porque até o preconceito disfarçado ainda existe. E não me refiro a trocas de certos termos por outros politicamente corretos. Nada encobrirá o fato de se achar superior a outra pessoa.

No filme há passagens que dependendo de quem fala como de quem ouve, poderia passar incólume. De um jeito bem-humorado e sem fincar raízes. Mas por outro lado, há quem as professem sempre, e mais, as liberam numa situação extremadas, cheias de ódio. Sendo esse o lado ruim em perpetuar certos preconceitos. Exemplificando com uma fala do Hoke com o filho de Miss Daisy (Dan Aykroyd) na entrevista para o cargo de motorista para sua mãe: “Gosto de trabalhar pra judeus. Eu sei que tem quem diz que vocês exploram e enganam a gente… mas que ninguém venha dizer isso perto de mim.” Quem tem conhecimento do Holocausto, sabe a extensão disso. Mesmo nos dias de hoje onde há uma gama maior de informações do que na época do filme, pensamentos assim ainda são proferidos e pejorativamente.

Ainda no enfoque do preconceito, e sobre os dois outros lances que citei, o exemplo foi durante uma mesma cena. Mãe e filho comentando sobre a ida a um jantar para Martin Luther King. Ele declinando o convite por temer retaliações a sua Tecelagem. Como também percebendo uma ligeira mudança na mãe por querer ir. Nesse seu repentino interesse por Luther King. Em ouvir o que ele diz, pessoalmente, e na presença de outras pessoas conhecidas. Ela se sente chocada, rebatendo não ser preconceituosa. Mas a postura até então, dava mostras que trazia algo sim. E o que a fez realmente repensar, como também a ter uma nova postura, fora a convivência com o seu motorista.

Agora, entrando no valor de uma amizade. Porque é o mais belo que esse filme traz.

Num fórum sobre filmes que trazem longas amizades; que eu mesma abri após rever o “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei” (84 Charing Cross Road), uma colega, Janete, citou esse. Que me fez ficar com vontade de rever. E o fiz. “Conduzindo Miss Daisy” é um líbelo a uma amizade que fica como um divisor de água.

Voltando a ele… Ainda na entrevista, o filho de Miss Daisy o avisa que a sua mãe tem pavio-curto. O prevenindo que irá conviver com uma pessoa muito difícil. Mas para Hoke isso não seria problema. Pelo seu temperamento extrovertido, pelo seu jeito irreverente de ser, isso não seria mesmo nenhum obstáculo. Tanto que com o passar dos dias ele enfim quebrou o gelo, a empáfia dela.

Ele me levou a pensar em mim. Ela, me fez pensar numa amiga de infância que certa vez falou: “Quer me dá o direito de brigar contigo?” Ela tinha um gênio difícil, mas que a mim não intimidava. Nesse lance, eu respondi algo assim: “Dou! Mas pode ser na 2ª feira? Hoje ainda é 6ª feira. Só vamos embora na 2ª. Aqui não tem tv, nem rádio. Com você emburrada, nós vamos fazer o que? Vamos é perder o final de semana.” Ela começou a rir, eu também. E a discussão tinha sido por bobagem; eu atendera um pedido da mãe dela e fora até por ganhar mais tempo para aproveitarmos aqueles dias.

Ele ao conquistar a amizade dessa senhora, me fez pensar em algo que costumo dizer: de que não procuro por amigos na saída de uma linha de montagem. As diferenças de opiniões, de pensamentos também são interessantes. Agora, o que incomoda é quando temos que pisar-em-ovos nesse convívio, quando há intimidação, quando ficamos tolhidos em sermos nós mesmos. Mais até! Quando estampam num outdoor algo do tipo – “Já deveria me conhecer!”, num tom de que ela quem sempre tem razão. Bem, aí é hora de parar e repensar nessa via de mão única.

Esse jeito de pensar, de agir, demonstra sapiência. Ele, em nenhum momento a fez mudar sua postura. O fato de aceitar a soberba dela, não era apenas pela relação empregado e patroa, mas sim porque aquilo era problema dela; e não dele. Ao contestar, quase numa desobediência, o fez por conta de algo fisiológico: queria urinar. Lances assim é que são relevantes. Catequisar não mantém uma amizade verdadeira. Nem muito menos a intolerância. Miss Daisy mudou, e para melhor, porque viu na atitude de Hoke algo como um “Acorda!”, sentiu como um tapa na testa. Aprendeu a dar valor aquela amizade, ao grande e eterno amigo. E eu não segurei as lágrimas, no final e um pouco antes.

Enfim, um filme que vale muita a pena rever, sempre. Ah! Eu procurei no Youtube a música tema, de Hans Zimmer. Nesse Trailler terão um refresco de memória. Dou nota máxima em tudo.

Por: Valéria Miguez.

Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy). 1989. EUA. Direção: Bruce Beresford. Elenco: Morgan Freeman, Jessica Tandy, Dan Aykroyd. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 99 minutos.