Na Cama (En La Cama)

Um homem e uma mulher numa cama de um motel. São esses os personagens desse filme.

Ali eles transam, conversam… Conversam, transam… Aos poucos, Daniela e Bruno, vão se desnudando mais que fisicamente. Pois enquanto Bruno se recupera… Contam particularidades de suas vidas. Segredos, que até então eram inconfessáveis. Falam amenidades. À primeira, apesar de ‘clássica’, ficou engraçada no início de conversa entre eles. Ah! Por uma teoria do Bruno sobre cinéfilos… Ih! Eu estaria mal.

Um outro ponto positivo nesse filme, foi em mostrar uma paradinha para a colocação da camisinha. Isso deveria virar rotina nos filmes com cenas de transas. Primeiro, por ser algo correto, e que não tira o romantismo da cena. Depois, quem sabe os mais jovens também assimile essa parte naturalmente.

Fora um encontro casual? Para uma simples transa? Como foram parar ali? Quem são eles? Essa intimidade os uniu? O que farão depois dali?

É, essa cama de motel tem histórias para contar. Eu gostei do filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Na Cama (En la cama). 2005. Chile. Diretor: Matias Bize. Elenco: Blanca Lewin, Gonzalo Valenzuela. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 85 minutos.

A Queda – As Últimas Horas De Hitler (Der Untergang)

O filme nos é contado por Traudl Junge (Alexandra Maria Lara). Ela é a secretária particular de Adolfo Hitler (Bruno Ganz). E narra os últimos dias desse ditador confinado num banker de segurança máxima.

Durante o filme fiquei me perguntando porque tantos seguiram um louco como ele. Dá para ver a personalidade desequilibrada do Hitler. Com um baita desvio de caráter. Claro que ele não foi o único monstro nessa história. Aqueles que fecharam as portas aos judeus, também o foram. E infelizmente, o ideal nazista, ainda se encontra e em vários países. Ele ainda tem fãs. Para lamentar ainda mais sobre esse séquito atual – eles chegaram a criar o Revisionismo. Mas deixo como registro aos mais jovens que não caiam nessa balela. Porque o que querem de fato são as terras onde está o Estado de Israel. O Holocausto figura sim nas páginas lamentáveis da História Real da Humanidade.

De tão absurdas que eram as suas leis, em uma das passagem chega a ser engraçada. É a cena do casamento dele com Eva Braun (Juliane Köhler). Com o juíz de paz perguntando a ele se era ariano. E um Oficial presente tentando dizer ao Juiz que é o Hitler que está diante dele. Ou, para o ditador-mor, não há leis que o atinja.

Por outro lado, um dos talentos de Hitler também é focado – sua excelente memória. Algo que também foi mencionado no filme “A Vida Secreta das Palavras“. Mostrando o quanto Hitler premeditou o extermínio aos judeus. E mais, que muitos com o passar do tempo esqueceriam essa atrocidade. Eis o trecho:

Sabe quanto sangue, quantas mortes? Sabe quanto ódio cabe nestas fitas? Sabe por que as gravamos? Antes do holocausto, Adolf Hitler reuniu os seus colaboradores e para convencê-los de que o seu plano funcionaria, perguntou: “Quem se lembra do extermínio armênio?”. Foi isso que ele disse. Trinta anos depois, ninguém lembrava que um milhão de armênios tinham sido exterminados da maneira mais cruel possível. Dez ano depois… Quem se lembra do que aconteceu nos Balcãs? Os sobreviventes. Os que, por alguma… virada do destino, viveram para contar.”

Até gostaria de rever o filme para uma análise mais detalhada. Inclusive com as passagens dos seus oficiais. Mas confesso que no momento eu não tenho vontade de rever. É uma história real que enoja. Sendo assim, peço que relevem esse texto.

Eu não sei se a Traudl real quis ao contar essa história limpar um pouco a sua passagem nessa história. Sendo secretária… Creio que o querer saber, também conta. Mais do que “o não ver”, o de não procurar saber o que se passava de fato. Talvez tenha sido isso o fato dela ter ficado o tempo que ficou como secretária do Hitler. Mesmo assim… Uma lágrima teimou em cair, ao ouvir essa frase: “Que a juventude não é desculpa.” Assistindo, entenderão o porque!

É um filme que nos deixa sobre impacto! Sobre vários aspectos, ele com certeza irá mexer com quem assistir. Quer seja por nos mostrar uma parte da História. Quer seja pelas interpretações! O ator que faz o Hitler, merece muitos aplausos!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

A Queda – As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang). Alemanha. 2004. Direção: Oliver Hirschbiegel. Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Juliane Köhler. Gênero: Drama, Histórico, Guerra. Duração:156 minutos.

As Canções de Amor (Les Chansons d’Amour)

Ama-me menos,
mas ama-me por muito tempo.

Sensacional! De querer rever outra vez, tão logo termina o filme. De uma maturidade com a naturalidade como mostram as relações homo, bi. Algo louvável nos dias de hoje onde um beijo na boca de um casal homo nas novelas da tv, ainda escandaliza. E o filme mostra um pouco disso, numa conversa entre mãe e filha. Até por essa mãe pedir a irmã que saia do aposento. Confesso que na hora pensei: “O que é isso, mulher? Deixe a outra participar. Está com receio de que?

As canções do filme estão tão bem encaixadas, que mais parecem diálogos. E até o são! Os personagens ao interpretá-las, interagem, cada um com o seu texto. Elas são lindas, e por traduzirem momentos especiais, fica difícil em eleger a melhor. Há as que nos levam a sorrir, há as que fazem nossos olhos brilhar de emoção.

O filme é dividido em três atos – a partida, a ausência e o recomeço. Três fases distintas na vida de um jovem, Ismael (Louis Garrel). Na primeira, a perda de um grande amor. O pior, é que a relação já estava se esvaecendo… Por conta do trabalho. Por ela trazer mais uma para a cama… Talvez, por achar que isso traria mais calor a relação. Ou por ela trabalhar ao lado de Ismael. Ciúmes, insegurança, expectativas, cobranças… Mas não houve tempo de lhe mostrar que era só dela, o seu amor. Ela se foi…

O Ismael é muito carismático. Todos o adoram. Inclusive a família dela gosta muito dele. E é super paparicado pelas mulheres. Ele tenta levar a vida adiante. Até que surge alguém em sua vida. Que entende, que o aceita do jeito que se encontra nesse momento. Que além de tudo sabe esperar.

Como falei, esse é um musical nota máxima! Eu adorei!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

As Canções de Amor (Les Chansons d’Amour). 2007. França. Direção: Christophe Honoré. Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Grégoire Leprince-Ringuet, Chiara Mastroianni, Jean-Marie Winling, Brigitte Roän. Gênero: Drama, Musical. Duração: 100 minutos.

O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio)

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer

Para um homem que sendo Psicanalista precisa manter-se longe, ficar meio imune a dor, aos dramas de seus clientes… passa a vivenciar uma grande dor, quando uma tragédia aportar em sua casa. Mais, além da dor da perda, vem junto o sentimento de culpa. E por conta de que esse remorso?

Ele é Giovanni (Nanni Moretti). Que extravasava o que ouvia em seu consultório, em corridas. Um desportista nato. Mas que essa herança, recaiu na filha Irene (Jasmine Trinca); jogadora de basquete. Pois para o seu filho Andrea (Giuseppe Sanfelice) não tinha em si o espírito de competição. Gostava de música, livros, e como morava em zona praiana, gostava também de mergulhar. Alinhavando essa família com carinho, tinha Paola (Laura Morante). A esposa, a mãe, a companheira de todos, nesse Lar Doce Lar. Claro que nem tudo era perfeição entre os membros dessa família. Mas algo que com o tempo, iria ser consertado…

Mas numa manhã de domingo, numa mesa de café da manhã, onde os quatro decidiam como passar aquele dia juntos. O telefone toca. Era um dos pacientes que insistia em ser atendido. Talvez por conta do problema dele… Lá foi o Giovanni atender o chamado. E ai? A tragédia bateu à porta da família…

A rocha se desestrutura… Giovanni até que tenta voltar ao trabalho. Mas todos aqueles dramas tornaram-se insignificantes perto do seu. Piorando, o ter também ali, aquele que lhe tirou de casa. O desejo de voltar atrás… O saber que têm que continuar em frente… A família vai indo… Até que um alento chega… Como uma brisa de um novo amanhecer…

Deixando um registro: Nossa! Há uma cena com uma furadeira elétrica… Aquilo traumatiza!

Enfim, é um drama para lá de real. Belíssimo filme! Destaque também para a trilha sonora.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio). 2001. Itália. Direção e Roteiro: Nanni Moretti. Elenco: Nanni Moretti, Laura Morante, Jasmine Trinca, Giuseppe Sanfelice, Sofia Vigliar. Gênero: Drama. Duração: 98 minutos.

O Banheiro do Papa (El Baño del Papa)

Confesso que mais do que pela história em si, o que me motivou mesmo a assistir esse filme foi o país de origem. Em conhecer o Cinema Uruguaio. Não saí decepcionada. A trama é boa e nem um pouco fora da realidade. Mesmo que esse título possa causar estranheza há alguns.

Antes, por lembrar que há quem torça o nariz por achar que o Cinema Brasileiro só mostra pobreza… a esses, aviso que esse mostra uma periferia bem humilde… Mas como muitas que alguns de nós conhecemos, também há solidariedade entre os vizinhos. Numa de compartilhar o pouco que têm. Sendo assim, se não querem ver essa realidade… Peguem outro filme. O que seria uma pena, mas…

O filme, como citei, foca numa Vila onde os adultos sobrevivem fazendo biscates. Ou, onde há uma terceirização para lá de informal. Onde às mulheres lavam, passam, costuram… Para uma outra parte mais abastada. Nossa! Quando a filha volta de uma das entregas, e o que ela diz… É, não é mesmo algo improvável. Isso acontece!

Para a maioria dos homens… O de irem buscar mercadorias, para o comércio local, em território brasileiro. Poucos são os que fazem todo esse trajeto com motos. A maioria faz essa viagem diária, de quilômetros, com bicicletas. Para ‘dificultar’… na estrada principal, no lado uruguaio tem um destacamento militar. Precisam ouvir do Oficial como guardam a fronteira do país… Então, eles seguem por um outro caminho. Que aumenta ainda mais o percurso. Pior até, pois o caminho é muito acidentado, com trechos em  charcos… Onde numa de ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho come‘… Por essa trilha, por vezes, aparece um ‘rapa’…

Se falei de todos no geral, e até para chegar ao título do filme… Um pouco do Beto (César Troncoso), da sua família e das suas aspirações…

Ele sonha em ter uma moto para além de poder trazer mais mercadorias, poupar o seu joelho. A princípio, tenta convencer a mulher em deixar a filha fazer as viagens junto com ele. Nem a mulher consente. Nem muito menos a filha quer. Ela tem planos de continuar os estudos na capital. Entre ela e o pai há um estranhamento…

Eis que, com a notícia que o Papa passaria por lá… O pessoal da vila vê nisso um jeito de ganhar uns trocados a mais. Todos colocam em prática suas idéias. Até a mulher do Beto tem uma, mas que ele a descarta por conta da dele.

E qual seria a dele? É até engraçado, como triste ao mesmo tempo o momento que lhe vem essa idéia. O lado triste, e é até constado por sua mulher mais adiante no filme… Bem, para não estragar a surpresa de vocês, reparem para onde ele olhou. Creio que entenderão  ;)

Agora, o cômico é… algo do tipo: “Se vão comer tudo aquilo… Vai faltar matinho“. Pois é, ele resolve construir um banheiro. Além de ter pouquíssimo tempo, terá que fazer mais viagens, pois não tem nenhuma reserva financeira para tal empreitada.

De cá, acompanhamos o seu drama. A mim, o vi como um sonhador demais. E mais, alguém que nesses vôos, esquece que não está nessa sozinho. Mas como também há no mundo real, há quem os não apenas os deixam voar, como ajudam nisso.

Gostei do filme! Mas não entrou para a minha lista de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

O Banheiro do Papa (El Baño del Papa). 2007. Uruguai. Direção e Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández. Elenco: César Troncoso, Virginia Méndez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Nelson Lence. Gênero: Drama. Duração: 90 minutos. Baseado numa história real.

Pinta-me da Cor do Açafrão (Rang De Basanti)

Às vezes uma pessoa pode ser empurrada tão longe que alcança um ponto além do medo, um lugar onde encontra uma estranha paz, onde se é livre para fazer a coisa certa, porque isso pode ser a coisa mais difícil de se fazer.

Uma jovem inglesa, Sue (Alice Patten), se encanta com um Diário de seu avó, Mr. McKinley (Steven Mackintosh)… Ele era um militar a serviço da Coroa Britânica na Índia; início do século XX. Em seu relato está a história de um grupo de revolucionários cuja têmpera ele nunca tinha visto antes. Eles lutaram com hombridade pela libertação da Índia. …Ela então quer fazer um filme com essa história, mas tem seu projeto negado com a desculpa que eles são heróis anônimos para o mundo. Logo não teriam retorno em bilheteria. Que eles não foram um Ghandi.

Decidida, parte assim mesmo para a Índia. Com a cara e a coragem. Por lá chegando, ganha o apoio e incentivo da jovem Sonia (Soha Ali Khan). Que já sabia que o projeto fora vetado. A produtora de Londres mesmo dispensara os seus serviços. Ela acomoda Sue na Universidade de Nova Dheli. Depois a leva para conhecer seus amigos: DJ (Aamir Khan), Sukh (Sharman Joshi)i, Karan (Siddharth) e Aslam (Kunal Kapoor). Sue após vários testes frustrantes com candidatos aos papéis principais, vê nesses quatro a encarnação dos heróis que seu avó, apesar de tudo, os admirou:

Sempre acreditei que haviam dois tipos de homens neste mundo. Os que vão ao encontro da morte gritando. E os que vão a seu encontro em silêncio. Mas encontrei um terceiro tipo. Os que caminham a longos passos, de forma decidida, com os olhos brilhantes e sem vacilar nunca.

A princípio, os quatro não entram no clima dos personagens. Por achar utópicos demais. O Campus, já fazem deles alguém admirados. Principalmente o DJ. Esse faz muito sucesso com as jovens. Acontece que o tempo ali dentro já está terminando. Eles terão que enfrentar o mundo fora daquelas cercanias, e no campo profissional. Aslam vem de família muçulmana, mas para os outros não vêem o menor problema.

Eles começam os ensaios. Mas faltava ainda o quinto herói. Quando esse, Laxman (Atul Kulkami), se apresenta a Sue, minhas lágrimas desceram. A cena arrepia! Uma outra com ele e um político próxima dessa, é chocante! Nos faz um convite a refletir com as campanhas políticas em todo o mundo.

O título do filme nos é mostrado mais adiante no filme. Onde o grupo participa de uma festividade. É contado em forma de canção. Um trechinho onde se ouve o ‘Rang De Basanti‘:

Pegue alguma terra de meu país, o perfume deste ar… Some o alento de meu ser, a palpitação de meu coração… E o ardor que corre por meu sangue. Pegue tudo isto e misture. Então olhe a cor que aparece…

Trocando em miúdos, eu diria que é vestir de fato as cores do país. Onde o engajamento está acima de credos, de partidos políticos, de ter ou não nascido nessas terras. É por toda a coletividade. A Índia é rica em cores… Em temperos… E o açafrão da Índia traz esse amarelo forte em sua raiz. É um condimento para pratos doces e salgados. Toda a história contada pelo Diário do avô, é tingida nesse tom amarelo.

Voltando… Tudo parecia ter entrado nos trilhos… Mas Laxman se revolta por Aslam está defendendo as cores da pátria. Brigam feio. O que leva a Sue desistir do filme. Pois é, nem tendo uma inglesinha querendo tornar público a história daqueles cinco heróis: Azad, Bhagat, Khan, Rajguru e Bismil. Nem assim, entre eles, ainda perdura a intolerância ao credo, ou a ascendência de outra pessoa. Mas DJ, com seu espírito brincalhão, consegue que ela, eles, voltem às filmagens. O avô de Sue também entra em choque, mas esse com a sua própria religião. Por fechar os olhos diante das injustiças.

Com o filme pronto… Uma tragédia abate sobre eles. E por ela vem a público uma corrupção no alto escalão do governo. Logo com o Ministro da Defesa. Mas em vez de puní-lo… Usam a principal vítima dessa tragédia, alguém que fora um herói… Fazem dele um irresponsável. E durante uma manifestação pacifista, num enterro simbólico em frente ao Monumento dos Heróis… O governo responde com violência. Com isso, os jovens, que até então só tomavam conhecimento da corrupção em breves momentos diante da tv, resolvem agir. Vestem as cores da pátria:

Estes políticos corruptos são um reflexo de nossa sociedade. Nós os escolhemos. Mudemos a nós mesmos para que se produza uma mudança.

A Índia nesse filme é por demais sedutora. As paisagens, tanto diurna, como noturna é de nos deixar em êxtase! De um colorido deslumbrante! De querer viajar para lá. A trilha sonora é outro ponto positivo. A atuação dos atores também. Enfim, um filmaço! De ver com brilhos nos olhos! Onde em certas cenas, minhas lágrimas jorraram. E eu deixo um convite a Todos: ASSISTAM!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Pinta-me da Cor do Açafrão (Rang De Basanti). 2006. Índia. Direção e Roteiro: Rakesh Omprakash Mehra. Elenco: Aamir Khan, Siddharth, Sharman Joshi, Kunal Kapoor, Atul Kulkarni, Alice Patten, Soha Ali Khan, Steven Mackintosh, R. Madhavan, Waheeda Rehman, Kiron Kher, Om Puri, Lekh Tandon, Cyrus Sahukar. Gênero: Comédia, Drama, Histórico, Romance. Duração: 157 minutos.

Dot.com (Dot.com)

O filme nos mostra uma disputa por uma marca entre duas nações cuja rixa já vem de séculos. E qual seria essa marca? Como tudo começou?

A tal marca é o nome de uma pequena aldeia: Águas Altas. Fica à beira de um lago, todo cercado por morros. Menos de 100 habitantes. De progresso, um ponto de internet no Café local. De novidade, um jovem engenheiro, Pedro, que por lá montou um escritório para conseguir que o governo autorizasse seus projetos. De pelo menos um deles: a pavimentação da estrada existente, para um acesso melhor e maior aquele paraíso perdido. Para complementar, ou até uma divulgação melhor, ele criou um site com o nome da cidade.

Com o passar do tempo, além do governo não ter soltado verbas, uma bomba cai sobre si. Eu explico. É que uma firma espanhola tem esse mesmo nome, Águas Altas, para uma água mineral. E ao querer um lançamento maior, se depara com o site. Por terem o registro da marca, exige que o site seja deletado. Do contrário, terá que pagar uma multa de 500 000 EUROS.

Mas… alertado pelo seu advogado, Pedro teria que ter permissão dos moradores para destruir o site. Ele então, na surdina, esconde a convocação no mural da praça. Acontece que um dos moradores viu. E no dia da votação, lá estavam todos. E aí…

Decidiram que o site ficaria no ar. Agora, além de comprarem uma briga externa, também gerou uma divisão entre eles, com uma parte querendo uma compensação financeira. A questão toma uma proporção maior, por conta do estagiário do Pedro divulgar para jornais na capital. Dai para tv. O que faz ganharem apoio até na Espanha.

Como também um palanque para o atual governo que busca se reeleger. O mesmo que vetou a estrada. E assim vai até a decisão final dos moradores.

O filme é gostoso de ver. Teve momentos que me fizeram lembrar dos filmes do Mazzaropi. As querelas entre comadres, por ai. Eu fui muitas vezes ao cinema ver filmes dele, logo isso foi um elogio. O lugar é lindo! Mas não entrou para a lista de querer rever.

Por: Valéria Miguez.

Dot.com (Dot.com). 2007. Portugal. Direção: Luís Galvão Teles. Elenco: João Tempera, Maria Adanéz, Marco Delgado, Isabel Abreu, Margarida Carpinteiro, Tony Correia. Gênero: Comédia. Duração: 104 minutos.

Do Outro Lado (Auf der anderen seite)

“Tão longe, e tão perto…”

Nossa! O filme começa de mansinho e de repente… Chega a dar um arrepio com o que o destino aprontou. Chega até a ser cruel, eu diria. O filme vai seguindo até que num determinado ponto ele meio que volta a fita. Mas não em mostrar que algo nos escapou, e sim para mostrar por outro lado. E nesse, é de tirar o fôlego. É, até porque na vida real não tem essa de voltar a fita.

Ele traz o destino de 6 pessoas que num determinado momento da vida se cruzam de um jeito. O diferencial aqui, é que sabemos quem irá morrer; vem como um título de um capítulo. Logo é algo que não dá mesmo para voltar atrás. Aconteceu! E por conta de que? Da pressão de um país onde até a religião cerceia as aspirações principalmente das mulheres? Da estupidez em mostrar que se é dono de alguém? De que por causa de uma mentira, mesmo com a melhor das intenções, de que sem ela o destino de todos, teria sido outro?

Deixo um convite a pais e filhos não mais crianças de assistirem. Pois aqui é bem mais que conflitos de gerações. São fatos irreversíveis. Que reforçariam a idéia de que diálogo, respeito por ideais, carinho, e sobretudo, sinceridade, deveriam fazer parte do dia-a-dia desse tipo de relacionamento. Por vezes, alguns percalços poderiam ter sido evitados se o caminho trilhado não fosse uma via de mão única.

O que temos no filme? Um jovem professor universitário, Nejat, não muito motivado. Sua vidinha beira a sonolência. Num belo dia, ao chegar em casa, se depara com uma bela mulher. Seu pai, um viúvo, a trouxe para ser sua mulher. Quando a sós, ela, Yeter, lhe conta que seu pai a conhecera num bordel. Nasce uma afinidade entre eles, mas num tipo fraternal. Os três vivem na Alemanha, mas nasceram na Turquia. Tudo ia bem, até que seu pai, após passar um tempo internado, se deixa dominar pelo ciúme. Fica violento.

Nejat, brigado com o pai resolve partir para Istambul. À princípio, motivado em encontrar e ajudar a filha de Yeter, a jovem Ayten. Mas ela é uma ativista política. O que dificulta encontrá-la. Compra uma Livraria. E por lá fica. Em seu caminho, surge Lotte. Ele loca um quarto para ela. Ela é alemã. Ele não fica sabendo o que está fazendo ali.

À Yeter, o peso da religião a fez sair da sua terra para tentar dar estudo a sua filha. Sem coragem de contar a filha o que fazia, dissera que trabalhava numa sapataria. Sem poderem se encontrar, uma não conhecia a realidade da outra. E por conta da mentira, quando mais Ayten precisou da proteção, do colo da mãe…

Há uma quarta mulher, Susanne, mãe de Lotte. Enfim, são quatro mulheres fortes, determinadas, a quem o destino pregou uma peça. E qual a lição a tirar? O que elas representaram na vida de Nejat?

O filme é belíssimo! Amei inaugurar com ele o Cinema da Turquia.

Por: Valéria Miguez.

Do Outro Lado (Auf der anderen Seite / The Edge of Heaven). 2007. Turquia. Direção e Roteiro: Fatih Akin. Elenco: Nurgül Yesilçay, Baki Davrak, Tuncel Kurtiz, Hanna Schygulla, Patrycia Ziolkowska, Nursel Köse. Gênero: Drama. Duração: 122 minutos.

Curiosidade: Há uma cena onde Nejat dá ao pai um livro. O título do livro é “Demircinin Kizi”: “A Filha do Ferreiro”.

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead)

Começando pelo título que é parte de um ditado: “Você pode ficar no paraíso por meia hora, antes que o diabo saiba que você está morto“. Numa leitura minha, eu diria que nem todo tipo de prazer vale a pena. Ainda mais se não é calcado numa conduta ética. Mas tem quem venda a alma por muito pouco. E se vendeu, terá que entregar…

Diria também que é a história de dois irmãos. Mas tem algo mais nessa relação familiar. Que trazem da tenra infância. Em comum, o de não conseguirem para as suas vidas, o mesmo que os pais conquistaram. E não apenas no fator financeiro. No lado emocional, esses dois não se acharam. Um, ressentido por não ter recebido o carinho que ansiara. O outro, a atenção demais, lhe dera insegurança. Aos seus jeitos de ser, diria que ambos cresceram (?) como rebeldes-sem-causa… Totalmente desestruturados. E ai…

Andy (Philip Seymour Hoffman), é o mais velho, o que se acha o patinho-feio da família. Numa de querer se auto-projetar, perdeu o foco. A cena inicial mostra o quanto tem sede disso. De mostrar que está por cima. Mas o espelho não seria os seus pais, um casal feliz, de eternos enamorados? Por que então está ali “sozinho”? Sim, porque ali o prazer é só dele. Mais… Por que do “aditivo”? Até nisso, precisaria de uma bengala? Uma pausa para falar do ator, que só por estar num elenco, já me motiva a assistir. Ele não decepciona!

Hank (Ethan Hawke) é o caçula. Um atormentado por natureza. Teria tudo para se auto-afirmar, mas… Inteligência e beleza não o ajudou em nada. O pior que é outro que vive aquém dos próprios rendimentos. Contrário de Andy, que gasta o que não tem em drogas, ele peca por querer dar a filha um colégio caro. Como se isso suprisse a sua ausência, já que seu casamento fora desfeito.

Ambos, pularam fora do ninho. Achando que cortaram de vez o cordão umbilical. Mas o vôo só camuflava o loser que levavam na bagagem. Ou seria na testa? E essa é uma carga que pesa muito mais para os homens. O pior é quando querem parte desse ninho já que não souberam manter os seus. Achando que têm direito a um quinhão.

Se falei das criaturas, há um criador… O pai, Charles (Albert Finney), um homem que de repente… se vê diante do que seus filhos se tornaram. Se assusta. Aquelas ervas-daninhas não poderiam ser seus próprios filhos… Será? Será que ele não entrou nos eixos por conta da esposa? E que seus filhos não tiveram a mesma sorte, também nesse tocante?

Entrando na história do filme…

Andy assedia o irmão para roubar a joalheria da própria família. Como no passado trabalharam lá, já conheciam todo o esquema de segurança, como também, uma falha nela. Para ele, tudo daria certo. Agora, como seria logo reconhecido, colocou o irmão nessa jogada. Achando que somente pelo fato de Hank também está muito endividado executaria o plano como um profissional. Esquecendo de quanto Hank era inseguro. E por conta disso… o plano perfeito em teoria, não foi na prática… um imprevisto fez com que o assalto tomasse outro rumo. Tivesse outro desfecho.

Ambos pressionados por todos os lados… Até por conta dos rastros deixados… Os planos que vieram nesse embalo, numa de se safarem, ia piorando cada vez mais. E de cá, acompanhamos atentos, o desenrolar dessa história. Suspense muito bem feito! Filmaço! Até por não ter um final politicamente correto.

Ah sim! Como viram, não comentei sobre as personagens femininas. É que para mim, elas representaram o lado feminino deles, e neles. Ora eles se confrontavam com o masculino, ora com o feminino. Razão x Emoção. Mas para mentes em desajustes…

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead). 2007. EUA. Direção: Sidney Lumet. Elenco: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Rosemary Harris, Sarah Livingston. Gênero: Suspense. Duração: 114 minutos.

Longe Dela (Away From Her. 2007)

Quem sabe (n)a solidão… Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure.” (Vinicius de Moraes)

Junto-me a Sarah Polley (A Vida Secreta das Palavras) para conhecerem essa linda história de amor. Acompanhando o desejo de um deles não querer ficar longe, mas nessa história seria no pensamento da mulher amada. Pois serão 44 anos juntos que estão sendo apagados. E por conta de que para um desse casal, o Alzheimer chegou.

A história tem início quase no final do filme. Aos poucos, vamos conhecendo todo o drama. É Grant (Gordon Pinsent) quem nos conta. É ele que fará de tudo para não sair por completo dos pensamentos da sua amada, Fiona (Julie Christie). Por amor, apenas? Por querer provar a ela algo mais?

Já comentei outros filmes onde abordam essa doença. Um deles, talvez após ter visto esse, ao revê-lo, eu venha a me emocionar tanto quanto nesse. É “Diário de uma paixão“. Porque nesse, “Longe Dela“, nos apresenta uma mais detalhada radiografia dessa doença. Por ela ser mostrada quando se tem os primeiros sinais. Que para quem está ao lado, assusta um pouco. Me fez lembrar de uma cena, eu uma adolescente, em presença de uma avó: ela voltara à época dos filhos ainda criança. Por não segurar as lágrimas, sai do quarto.

Fiona traz um diferencial: ela pede para ser internada. Ciente de que o marido não terá estrutura para lidar com ela. Que de um jeito, ela está indo embora aos poucos. Ele ainda reluta. Como desculpa, procurar por outras Clínicas. Até que ela diz: “Não acho que devamos procurar algo que nos agrade. Não acredito que encontraremos. A única coisa que podemos desejar nessa situação é um pouco de dignidade.” Aqui me fez lembrar de uma frase de Virgínia Woolf no filme “As Horas“: “Mesmo o mais humilde dos pacientes pode expressar sua opinião sobre o tratamento que lhe é dado.”. Como também pelo padrão da Clínica. Ela não é acessível a todos. E para quem viu “As Invasões Bárbaras”, não dá para simplesmente dizer que é algo de primeiro mundo a Clínica para onde irá Fiona.

Para Grant qua acaba cedendo com o pensamento de que essa separação seria para algum tratamento novo, a tal Clínica ainda lhe traz uma regra para um martírio maior. A de que nos primeiros 30 dias o interno não pode receber nenhum tipo de contato. Nem mesmo de cônjuges. À caminho da Clínica, na estrada, Fiona o deixa aturdido. Por lembrar de uma conversa recente que tiveram num parque. E por algo do passado, mas nesse caso, eles nunca tocaram no assunto. Por conta de que, aquilo, a doença ainda não apagou de vez?

E ao voltar, após os 30 dias, Fiona não o reconhece… Então, acompanhamos Grant fazendo de tudo para ainda fazer parte das memórias da Fiona.

Eu amei esse filme! Nota máxima em tudo! E a trilha sonora embala a todos nós nessa linda história de amor! Preparem os lencinhos!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Longe Dela (Away from her). 2007. Canadá. Direção e Roteiro: Sarah Polley. Elenco: Gordon Pinsent, Julie Christie, Olympia Dukakis, Michael Murphy, Grace Lynn Kung, Wendy Crewson. Gênero: Drama. Duração: 110 minutos. Baseado em história de Alice Munro.