Do Outro Lado (Auf der anderen seite)

“Tão longe, e tão perto…”

Nossa! O filme começa de mansinho e de repente… Chega a dar um arrepio com o que o destino aprontou. Chega até a ser cruel, eu diria. O filme vai seguindo até que num determinado ponto ele meio que volta a fita. Mas não em mostrar que algo nos escapou, e sim para mostrar por outro lado. E nesse, é de tirar o fôlego. É, até porque na vida real não tem essa de voltar a fita.

Ele traz o destino de 6 pessoas que num determinado momento da vida se cruzam de um jeito. O diferencial aqui, é que sabemos quem irá morrer; vem como um título de um capítulo. Logo é algo que não dá mesmo para voltar atrás. Aconteceu! E por conta de que? Da pressão de um país onde até a religião cerceia as aspirações principalmente das mulheres? Da estupidez em mostrar que se é dono de alguém? De que por causa de uma mentira, mesmo com a melhor das intenções, de que sem ela o destino de todos, teria sido outro?

Deixo um convite a pais e filhos não mais crianças de assistirem. Pois aqui é bem mais que conflitos de gerações. São fatos irreversíveis. Que reforçariam a idéia de que diálogo, respeito por ideais, carinho, e sobretudo, sinceridade, deveriam fazer parte do dia-a-dia desse tipo de relacionamento. Por vezes, alguns percalços poderiam ter sido evitados se o caminho trilhado não fosse uma via de mão única.

O que temos no filme? Um jovem professor universitário, Nejat, não muito motivado. Sua vidinha beira a sonolência. Num belo dia, ao chegar em casa, se depara com uma bela mulher. Seu pai, um viúvo, a trouxe para ser sua mulher. Quando a sós, ela, Yeter, lhe conta que seu pai a conhecera num bordel. Nasce uma afinidade entre eles, mas num tipo fraternal. Os três vivem na Alemanha, mas nasceram na Turquia. Tudo ia bem, até que seu pai, após passar um tempo internado, se deixa dominar pelo ciúme. Fica violento.

Nejat, brigado com o pai resolve partir para Istambul. À princípio, motivado em encontrar e ajudar a filha de Yeter, a jovem Ayten. Mas ela é uma ativista política. O que dificulta encontrá-la. Compra uma Livraria. E por lá fica. Em seu caminho, surge Lotte. Ele loca um quarto para ela. Ela é alemã. Ele não fica sabendo o que está fazendo ali.

À Yeter, o peso da religião a fez sair da sua terra para tentar dar estudo a sua filha. Sem coragem de contar a filha o que fazia, dissera que trabalhava numa sapataria. Sem poderem se encontrar, uma não conhecia a realidade da outra. E por conta da mentira, quando mais Ayten precisou da proteção, do colo da mãe…

Há uma quarta mulher, Susanne, mãe de Lotte. Enfim, são quatro mulheres fortes, determinadas, a quem o destino pregou uma peça. E qual a lição a tirar? O que elas representaram na vida de Nejat?

O filme é belíssimo! Amei inaugurar com ele o Cinema da Turquia.

Por: Valéria Miguez.

Do Outro Lado (Auf der anderen Seite / The Edge of Heaven). 2007. Turquia. Direção e Roteiro: Fatih Akin. Elenco: Nurgül Yesilçay, Baki Davrak, Tuncel Kurtiz, Hanna Schygulla, Patrycia Ziolkowska, Nursel Köse. Gênero: Drama. Duração: 122 minutos.

Curiosidade: Há uma cena onde Nejat dá ao pai um livro. O título do livro é “Demircinin Kizi”: “A Filha do Ferreiro”.

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10 comentários em “Do Outro Lado (Auf der anderen seite)

  1. Ontem fui assistir a esse indescritível filme. Eu ainda estou sob o efeito de tanta emoção. O filme é simplesmemte uma obra-prima. Quando o filme terminou, o público aplaudiu e muita gente não conseguia sair da sala, com os olhos pregados na tela.
    Sem entrar muito nos méritos de tantos enfoques, tanto no plano individual como no social ou político e por aí vai, acho que o filme é de tamanha riqueza em tudo, que preciso voltar a assistí-lo para poder aproveitá-lo melhor.
    Que bom ter entrado neste Blog!
    Miriam

  2. Oi Miriam!

    Seja Bem-vinda! E grata, por também compartilhar suas impressões sobre esse filme!

    Um filme que resumi-lo numa única palavra, ela seria: desencontros.

    Volte sempre!
    Beijo grande,

  3. Oi Prensada,

    talvez, se as pessoas não complicassem tanto o dia-a-dia, tudo seria mais prático. Dando chance para o essencial.

    E até para manter uma mentira, já é uma complicação a mais.

    Li seu texto em seu Blog. Parabéns!

    Beijo grande,

  4. Olá

    assisti o filme na quinta, e ao contrário do que lí em outro site, comparando este com “Babel”, achei “O Outro Lado” muito mais sincero e crítico, tanto com a relações entre países/ políticas, quanto entre as pessoas, famílias…

    um filme lindo e duro talvez, que fala muito sobre a linha tênue entre a morte e a vida, liberdade, com uma forma que alguns podem dizer que se encaixa numa “formula” de colmeia, onde vários personagens se conectam por um acaso ou força maior, não sei, sei que é um belo exemplo do cinema que presta e faz pensar, que é tão raro hoje em dia.

  5. Oi Pedro Henrique,

    antes, grata por compartilhar a sua impressão!

    Eu não vi ‘Babel’. Nesse, ‘O Outro Lado’, assusta por nos mostrar também o preço/peso de uma mentira.

    Volte mais vezes!
    Beijo grande,

  6. Olá!

    Aluguei por acaso e adorei. O filme é lindo.

    Você comenta sobre o livro que Nejat dá a seu pai. Além do nome, você tem detalhes sobre ele. Tentei a busca no Google e não consegui.

    Muito obrigado!

    • Oi Priscila!

      Na época, eu também pesquisei. Mas não havia sido traduzido, ou melhor, trazido para o Brasil.
      Quem sabe, pelo interesse que o filme nos desperta, alguma Editora traga o livro :)

      Volte sempre!

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