A Queda – As Últimas Horas De Hitler (Der Untergang)

O filme nos é contado por Traudl Junge (Alexandra Maria Lara). Ela é a secretária particular de Adolfo Hitler (Bruno Ganz). E narra os últimos dias desse ditador confinado num banker de segurança máxima.

Durante o filme fiquei me perguntando porque tantos seguiram um louco como ele. Dá para ver a personalidade desequilibrada do Hitler. Com um baita desvio de caráter. Claro que ele não foi o único monstro nessa história. Aqueles que fecharam as portas aos judeus, também o foram. E infelizmente, o ideal nazista, ainda se encontra e em vários países. Ele ainda tem fãs. Para lamentar ainda mais sobre esse séquito atual – eles chegaram a criar o Revisionismo. Mas deixo como registro aos mais jovens que não caiam nessa balela. Porque o que querem de fato são as terras onde está o Estado de Israel. O Holocausto figura sim nas páginas lamentáveis da História Real da Humanidade.

De tão absurdas que eram as suas leis, em uma das passagem chega a ser engraçada. É a cena do casamento dele com Eva Braun (Juliane Köhler). Com o juíz de paz perguntando a ele se era ariano. E um Oficial presente tentando dizer ao Juiz que é o Hitler que está diante dele. Ou, para o ditador-mor, não há leis que o atinja.

Por outro lado, um dos talentos de Hitler também é focado – sua excelente memória. Algo que também foi mencionado no filme “A Vida Secreta das Palavras“. Mostrando o quanto Hitler premeditou o extermínio aos judeus. E mais, que muitos com o passar do tempo esqueceriam essa atrocidade. Eis o trecho:

Sabe quanto sangue, quantas mortes? Sabe quanto ódio cabe nestas fitas? Sabe por que as gravamos? Antes do holocausto, Adolf Hitler reuniu os seus colaboradores e para convencê-los de que o seu plano funcionaria, perguntou: “Quem se lembra do extermínio armênio?”. Foi isso que ele disse. Trinta anos depois, ninguém lembrava que um milhão de armênios tinham sido exterminados da maneira mais cruel possível. Dez ano depois… Quem se lembra do que aconteceu nos Balcãs? Os sobreviventes. Os que, por alguma… virada do destino, viveram para contar.”

Até gostaria de rever o filme para uma análise mais detalhada. Inclusive com as passagens dos seus oficiais. Mas confesso que no momento eu não tenho vontade de rever. É uma história real que enoja. Sendo assim, peço que relevem esse texto.

Eu não sei se a Traudl real quis ao contar essa história limpar um pouco a sua passagem nessa história. Sendo secretária… Creio que o querer saber, também conta. Mais do que “o não ver”, o de não procurar saber o que se passava de fato. Talvez tenha sido isso o fato dela ter ficado o tempo que ficou como secretária do Hitler. Mesmo assim… Uma lágrima teimou em cair, ao ouvir essa frase: “Que a juventude não é desculpa.” Assistindo, entenderão o porque!

É um filme que nos deixa sobre impacto! Sobre vários aspectos, ele com certeza irá mexer com quem assistir. Quer seja por nos mostrar uma parte da História. Quer seja pelas interpretações! O ator que faz o Hitler, merece muitos aplausos!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

A Queda – As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang). Alemanha. 2004. Direção: Oliver Hirschbiegel. Elenco: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Juliane Köhler. Gênero: Drama, Histórico, Guerra. Duração:156 minutos.

As Canções de Amor (Les Chansons d’Amour)

Ama-me menos,
mas ama-me por muito tempo.

Sensacional! De querer rever outra vez, tão logo termina o filme. De uma maturidade com a naturalidade como mostram as relações homo, bi. Algo louvável nos dias de hoje onde um beijo na boca de um casal homo nas novelas da tv, ainda escandaliza. E o filme mostra um pouco disso, numa conversa entre mãe e filha. Até por essa mãe pedir a irmã que saia do aposento. Confesso que na hora pensei: “O que é isso, mulher? Deixe a outra participar. Está com receio de que?

As canções do filme estão tão bem encaixadas, que mais parecem diálogos. E até o são! Os personagens ao interpretá-las, interagem, cada um com o seu texto. Elas são lindas, e por traduzirem momentos especiais, fica difícil em eleger a melhor. Há as que nos levam a sorrir, há as que fazem nossos olhos brilhar de emoção.

O filme é dividido em três atos – a partida, a ausência e o recomeço. Três fases distintas na vida de um jovem, Ismael (Louis Garrel). Na primeira, a perda de um grande amor. O pior, é que a relação já estava se esvaecendo… Por conta do trabalho. Por ela trazer mais uma para a cama… Talvez, por achar que isso traria mais calor a relação. Ou por ela trabalhar ao lado de Ismael. Ciúmes, insegurança, expectativas, cobranças… Mas não houve tempo de lhe mostrar que era só dela, o seu amor. Ela se foi…

O Ismael é muito carismático. Todos o adoram. Inclusive a família dela gosta muito dele. E é super paparicado pelas mulheres. Ele tenta levar a vida adiante. Até que surge alguém em sua vida. Que entende, que o aceita do jeito que se encontra nesse momento. Que além de tudo sabe esperar.

Como falei, esse é um musical nota máxima! Eu adorei!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

As Canções de Amor (Les Chansons d’Amour). 2007. França. Direção: Christophe Honoré. Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Grégoire Leprince-Ringuet, Chiara Mastroianni, Jean-Marie Winling, Brigitte Roän. Gênero: Drama, Musical. Duração: 100 minutos.