Nome Próprio

Não resisto a um filme nacional. Acabei vendo o curioso, mas fraco “Nome Próprio“.

Uma mulher atrás do amor? do sexo? das palavras certas? Qual afinal seria o tema deste pretensioso equívoco de Murilo Sales? É difícil explicar.

Apesar das longuíssimas cenas de brigas, de sexo, e até de uma faxina caprichada, a obra não chega a ser enfadonha. Pelo contrário, o interminável desfile de frustrações, auto-destruições e mulheres peladas é assistida com certo interesse. No entanto, a estória não diz a que veio. A trama é absolutamente vazia apesar de densa.

É um mistério, a razão deste estranho, mas provável futuro cult movie, ter sido produzido e realizado.

Por: Carlos Henry.

Nome Próprio. 2007. Brasil. Direção: Murilo Salles. Elenco: Leandra Leal, Juliano Casaré, Munir Kanaan, Reginaldo Faidi, Alex Didier, Martha Cortaz. Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

Festim Diabólico (Rope)

Eis meu primeiro filme do Hitchcock. Tive o prazer de ser apresentado à sua obra com apenas 14 anos.. E ainda acho que foi tarde.

Nesse espetáculo, Hitchcock traz às telas uma das mais perfeitas representações do sadismo e da perversão do ego humano de sua carreira.

Aqui, o ‘mestre’ faz uso de breves tomadas alternadas em um único cenário e basicamente o mesmo ângulo de câmera que fazem com que as cenas pareçam ininterruptas, dando um vigoroso ar de teatralidade que só influiu para que o filme ficasse mais e mais grandioso a cada cena, pois sem grandes cenários não havia como encaixar longas e arrastadas seqüências de suspense, tampouco cenas de ação fantásticas. O único cenário deixava toda a ‘responsabilidade’ nas mãos dos atores.

Aliás, se tem algo de vigoroso além da direção que deva ser destacado são as atuações. O elenco, relativamente pequeno, faz-se menor ainda diante da dupla de assassinos e de seu desconfiado professor.

O obstinado Rupert, o egocêntrico Grandon e o assustado Philip rendem alguns dos mais tensos momentos que já presenciei nessa minha breve (mas não tão curta) vida de cinéfilo. Cada vez que alguém apenas dirigia o olhar ao baú onde estava o cadáver, a tensão aumentava e quando a Sra. Wilson levantou a tampa e quase entregou tudo, meu coração disparou (e não é fácil um filme despertar isso em mim).

Ao desenrolar da trama, os demais personagens saem e restam apenas os três principais.. E é aí que o filme embala rumo ao magistral. A tensão aumenta, o desespero de Philip procurando afogar sua culpa na bebida, o sadismo de Brandon mantendo-o firme até o último instante e a perseverança de Rupert tentando disfarçar seu medo por estar sozinho com dois psicopatas tão evidente no tremor de suas mãos.

Aliás, o filme pode ser apoiado sobre quatro pilastras: o baú, a mão de Brandon na arma em seu bolso, o olhar temeroso pelos próprios ombros de Rupert e as doses de Philip (a cada gole, seus trejeitos mudavam… Os olhos ficavam mais fundos e a angústia de sua culpa nos era mais e mais intensa).

E o final não poderia ser mais coerente com o espetáculo. A sutileza de um gênio passada pelas sirenes da polícia.

Enfim… Mais uma obra-prima (tantas, né?) de um dos maiores gênios do cinema. NOTA: 11,0.

Por: Luiz Carlos.

Festim Diabólico (Rope). 1948. EUA. Direção: Alfred Hitchcook. Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger, Cedric Hardwicke, Constance Collier, Douglas Dick, Edith Evanson, Dick Hogan, Joan Chandler. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 80 minutos.

Wall-E

Eu não quero sobreviver, eu quero é viver!“.

O filme faz referências há alguns Clássicos, até de um jeito implícito. Mas os dois de maior peso são: ’2001 – Uma Odisséia no Espaço’ e ‘ET – O Extraterrestre’. Embora o robozinho central, o Wall-E, me fez lembrar de um filme que eu curtia assistir nas Sessões da Tarde, o ‘Um Robô em Curto Circuito’. Esse por sinal com cenas onde ficava em lágrimas. Eu gosto de robôs desde criança por conta do ‘Perdidos no Espaço’. Indo mais para frente, esse filme também me fez lembrar do ‘O Milagre veio do Espaço’. E é isso que ‘Wall-E’ deixou em mim, de um ótimo sessão da tarde! De ver e rever com pipoca e guaraná.

Mas ainda tenho outras considerações, já adentrando na história…

O planeta Terra foi inundado por uma quantidade assustadora de lixo. Num pouquinho de propaganda do ‘Blade Runner’… os habitantes foram viver numa colônia no espaço. A Companhia encarregada de tentar reverter todas aquelas montanhas de lixo… lembrando um pouco o filme ‘Coma’… por não conseguir, fez com que esquecessem da Terra. Com tudo robotizado por lá… nem o simples caminhar exerciam mais. Ficaram obesos. E perdendo todo o contato humano – o tocar um no outro não existia mais.

Mas e o planeta Terra, o que restou dele? Ainda era habitado por um ser vivo? Bem, daquilo que já ouvimos falar, um animal que sobrevive a qualquer cataclisma… sim, uma barata. Por me fazer lembrar da ‘Kafka’, não guardei o nome dela. Ela era a companheirinha do Wall-E. Não tinha o pirlimpimpim da Sininho do Peter Pan, mas era também divertida.

Wall-E (Que na verdade era um sigla: Waste Allocation Load Lifters – Earth) era o último remanescente dos robôs programados para tentarem dar uma maquiada naquela lixarada. Sua visão dos humanos vinha de um video-cassete. É, uma fita em VHS. Por conta de que, o que ainda funcionava era esse aparelho, e não um para CD? Um caso a se pensar. Ele mantinha a rotina diária ao qual fora programado. Mas por conta do filme que assistia, tinha a esperança de que um dia os humanos voltariam. À noitinha, gostava de olhar o céu.

Meio que ‘suas preces foram atendida’, num dia, abrindo uma caixa, descobre uma plantinha viva. Tendo como recipiente, uma velha botina. A plantinha parecia um broto de feijão. Logo depois, chega uma robozinha, de nome Eva. Significativo, não? Como Adão e Eva. Mas cadê o paraíso? Eva era um pouco temperamental. Mesmo assim, Wall-E ficou encantado.

Ainda com o destino conspirando a favor, mesmo por linhas tortas… mas para não tirar mais a surpresa de vocês… o casalsinho irão passar por maus pedaços, não apenas para salvar a última plantinha do planeta, mas também todo a Terra. E ela, quando focada lá da colônia, o continente que mais se destacava era a América do Sul, numa clara alusão a Floresta Amazônica. Agora, reparem em qual é focado quando é o ‘go home’.

Para finalizar, senti falta de uma população mais diversificada. Não dá para pensar que uma mutação genética fez todos ficarem branquinhos. Ah sim! A trilha sonora é ótima! Enfim, como disse no início, é um ótimo sessão da tarde!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Wall-E. 2008. EUA. Direção e Roteiro: Andrew Stanton. Gênero: Animação. Duração: 97 minutos.

Rocky – Um Lutador

Rocky – Um Lutador‘ é O MELHOR filme da carreira do Sylvester Stallone. Na verdade, podemos considerá-lo como seu divisor de águas. A partir de ‘Rocky’ ele passa de ATOR a ASTRO.

Sem sombra de dúvidas, o filme que alavancou sua carreira, além de conseguir uma grande bilheteria, ponto forte de franquias assim, conseguiu o que poucos blockbusters conseguem: FIDELIZAÇÃO! Uma coisa é o sucesso momentâneo. Outra é conseguir uma prole de fãs que, mesmo após décadas, continuam discutindo e defendendo incansavelmente seu personagem favorito. Essa força do personagem se deve à sua evidente identificação com seu público.

Contexto histórico
1976. Quatro anos antes explodira o escândalo de Watergate, com o arrombamento da sede do Comitê do Partido Democrata meses antes das eleições. Nas investigações, foi constatado o envolvimento do presidente Nixon que, dois anos após, abandona seu cargo na Casa Branca. Um escândalo que sujou o orgulho americano. Nesse mesmo período, os EUA amargavam um desastre chamado ‘Vietnã’. O tão famoso ‘Orgulho Americano’ estava aos pedaços. Os estadunidenses sentiam vergonha de seu governo e de sua nacionalidade e nada parecia reverter aquilo. Algo precisava ser feito para dar a ‘injeção de ânimo’ que aquele povo precisava.

O personagem
No filme, Sly interpreta quase que ele mesmo. Um lutador medíocre, devendo até as partes íntimas que vive de pequenos serviços para sobreviver. Eis que aparece uma oportunidade de mudar de vida quando recebe o convite do Campeão Mundial Apollo Creed (Carl Weathers) para uma disputa. Para Apollo, era apenas mais uma jogada de marketing; Para Rocky, a oportunidade de sua vida. Bastava apenas manter-se alguns rounds de pé e receber seu pagamento (além, é claro, de ter seu nome divulgado e poder quem sabe arranjar um emprego de verdade). Mas isso, obviamente seria difícil pacas, haja visto o ‘peso’ do desafiante. Assim, Rocky pede a ajuda de Mickey (o ÓTIMO Burgees Meredith) para ajuda-lo em sua preparação.

A identificação com o público
A partir daí, vêm as cenas de treinamento árduo e ostensivo paralelas a seus dramas pessoais e aos efeitos que aquela disputa tem em sua vida. E são essas tramas paralelas que ganham o filme e o apreço do telespectador que passa a ver nos personagens partes de si mesmo. Entre um soco e outro, vemos o desenrolar do romance entre Rocky e Adrian (Tália Shire ÓTIMA), a moça tímida e de hábitos simples pela qual muitos de nós já nutrimos uma paixãozinha na adolescência (a conversa dos dois na pista de patinação é de uma simplicidade tão tocante); seus conflitos com o amigo Paulie que, assim como ele, era mais uma vítima da falácia social daquele sistema. As cenas da ‘explosão’ de Paulie, seu desabafo na casa de Rocky são marcantes (Jason Robards não merecia esse Oscar).

Mas o essencial nos remete de volta ao treinamento. Aquele homem simples que treinava com vigor mesmo estando de estômago vazio era nada mais que uma representação do que era o cidadão americano de classe baixa àqueles tempos. Como não sentir-se tocado com aquele homem com as mãos ensangüentadas dando socos em uma peça de carne no frigorífico por não ter onde treinar?

À medida que a luta se aproximava, sua vida e de todos ao seu redor ia se transformando. Da noite para o dia, o ‘Garanhão Italiano’ passou de um desconhecido a célebre desconhecido. Sim, pois sua derrota era certa e mais certa ainda a rapidez com que o esqueceriam.

Mas chega o dia da grande luta e, por mais incrível que pudesse parecer, as atenções maiores estavam voltadas para ele. O homem encontra o deus. Se cumprimentam e começam a luta. Vários rounds e socos depois, o perdedor anunciado continuava firme de pé e o favorito cambaleava. O combate se estende até os últimos minutos e ele, o homem desacreditado por todos, ainda estava lá, dando seu sangue pela melhor (e certamente única) oportunidade de sua vida.

E nós… Fazemos isso? Será que também estabelecemos para si próprios metas quase inalcançáveis e passamos por grandes adversidades mas, mesmo assim, vamos em frente para chegar lá? Será que alguma vez nos permitimos ‘comprar uma briga’ dada como perdida? Se a resposta for ‘SIM’, então você tem um pouco de Rocky Balboa.

Era essa mesma a intenção. Aquele homem simples chamado Rocky Balboa foi feito com um pouco de cada americano envergonhado e revoltado que, além dos parentes e amigos perdidos em uma guerra tola e (mais além, mas muito mais além) dos escândalos do alto escalão do Governo, tinha suas humilhações diárias em uma vida simples que toda a sociedade tentava fazer pequena, tomando-as como ‘causas perdidas’.

Mas ali estava um homem como eles que encarnava um novo tipo de herói, sem os super-poderes de um Superman ou o charme e inteligência de um James Bond: um homem de carne e osso que mal sabia falar. Um homem simples que não queria salvar o mundo de cientistas malucos com armas nucleares, mas sim apenas provar a si mesmo e (se der) aos outros que pode melhorar de vida e proporcionar isso à sua mulher e filhos.

Como disse Mickey ao Rocky quando ele quase desistiu (sim, nós também quase desistimos às vezes): “Não há nada que você não possa fazer. Se o gongo ainda não soou, então a luta ainda não acabou!” E Rocky não desistiu. Perdeu por pouco (na contagem dos pontos), mas isso já não importava. O homem simples, o ‘ninguém’, havia chegado ao último round com um Campeão Mundial, com certeza, a sua maior vitória.

E se ele conseguiu, por que não podemos conseguir também? Eu me pergunto isso, assim como os milhões mundo afora que consagraram e eternizaram esse filme MARAVILHOSO.

Por: Luiz Carlos.

Rocky – Um Lutador. 1976. EUA. Direção: John G. Avildsen. Roteiro: Sylvester Stallone. Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith. Gênero: Drama, Romance, Sport. Duração: 119 minutos.

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)

Domingo, Cine Palácio, Rio de Janeiro. Não consigo de imediato saber se a fila para a compra de ingressos está maior que a fila para entrar na sala e a fila da pipoca não fica muito distante em tamanho também. Bastante gente, vozerio, confusão. Pela primeira vez deixei de assistir a um filme do Batman na estréia. Estrategicamente, abandonei os shopping e deixei pra vir no domingo, que segundo dica de amigos, os cinemas no Centro estão vazios. Meus amigos devem ser muito tagarelas, pois, inteligentemente todo mundo traçou a mesma estratégia, e lá estava eu enfiada no meio de uma bem comportada multidão (ainda assim multidão) e sem o ar condicionado do shopping o que me fez pensar se não havia traçado uma estratégia suicida… But, no stress, o morcego merece!

Não me preparei para ver esse filme, apenas me concentrei para o baque triste que seria ver o Heath Ledger. Não li nenhuma crítica e não perguntei a ninguém. Ao ‘Batman Begin’, assisti 4 vezes, a este precisarei multiplicar esta quantidade em função de tanta qualidade, porque é um BAT FILME! O filme é sobre o Duas Caras, tem um Coringa que será inigualável (entendo que nunca é tempo demais, no entanto mantenho: inigualável = jamais será igualado.), tem metáfora da vida de como o homem perfeito deixa de sê-lo, tem diálogos muito legais pra um filme de ação. Ação? Não só, mas também. Batman é um filme com bastante ação, muito suspense, algum drama, uma pitada de romance, que desencadeia tudo o que acontece no filme e ainda mostra que para grandes atores não existe participação discreta, leia-se, Michael Caine e Morgan Freeman. Duas horas e trinta e cinco minutos e achei pouco.

Acontecendo quase que totalmente à noite, todas as cenas são bem visíveis, inclua-se aí as de lutas, totalmente superiores às dos outros filmes. Batman se torna mais um personagem no meio de tantas excelentes atuações, mas retoma a sua veia de detetive, mostra toda a sua inteligência e mostra que não é tão dependente da criatividade genial e conhecimento tecnológico do Lucius Fox (Morgan Freeman).

Creio que seja a melhor história que já vi em filmes de super-heróis. E aí todo mundo já sabe a resenha sobre Gothan. Na cidade tomada pela corrupção e outros crimes, Batman ganha o reforço do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), o “Cavaleiro Branco” legítimo representante do povo, que luta sem máscara e sem medo de colocar a “bagaceira” do crime atrás das grades. Com quase toda a máfia na cadeia, os remanescentes em liberdade aceitam uma proposta de um louco corajoso e anarquista que não quer o poder, quer instaurar o caos na cidade, quer levar as pessoas ao seu limite.

Sim, o Coringa de Ledger é o mensageiro do caos, aquele que quer mostrar que todos tem um lado oposto ao lado bom e que, bem manipulado vem à tona e prevalece. É como se ele soubesse a moeda de troca de cada um, ele sabe os valores de cada uma daquelas boas pessoas e faz o que precisa fazer pra ver esses valores ruirem.

Estranhei dessa vez a voz de Bale, acredito que seja porque neste filme, Batman fala muito mais que no anterior, onde só falava frases curtinhas. Mas se em Begins víamos um Batman que sabia se controlar, nesse Cavaleiro das Trevas o bicho pega! O Coringa tira realmente esse Batman do sério. Na cena do interrogatório na delegacia, vemos o nível da loucura desse Coringa que me pareceu um endemoinhado com alguns trejeitos de Jack Sparrow à beira de uma crise manicomial, histriônico, absurdo, assustador e pasmem: engraçado. Nesta cena, o maluco parecia agregar à sua loucura o efeito de qualquer droga que tenha adormecido o seu couro. Tudo para o descontrole do nosso herói! E se numa cena anterior Batman repreende o promotor de que não era certo trucidar um capanga debilóide do Coringa, à frente do palhaço ele se esquece disso e “manda ver” até perceber que ele não assusta o palhaço malvado.

É realmente um grande filme, uma grande história, uma grande direção e como se não bastasse, recheado de grandes interpretações. Umas poucas bobagens passam pela nossa cabeça quando por exemplo, tentamos entender como o Coringa consegue plantar tantas bombas em tantos lugares sem que ninguém veja e como fica no hospital um paciente tão importante, mas essas questões são expulsas da nossa mente mediante o que vemos na tela.

Eu particularmente fiquei com uma sensação de que o meu herói perdeu e perdeu feio. Sossego, amor, amizade e um tanto do juízo. E não é pra menos, afinal, testemunhei como um cidadão do bem, parceiro de luta pela justiça pode transformar-se num vilão depois de perder o que mais significava pra ele, deixando-se naufragar no ódio e na vingança. Senti uma certa mensagem de desesperança, amargura nesse nascimento do Duas Caras. Ver o promotor acima de qualquer suspeita, transformar-se num feio e deformado me pareceu uma metáfora do que acontece quando perdemos o controle e nosso emocional vai para onde não consegue mais voltar. Mas que maquiagem! Só acho que ele falou bem demais, Se o Coringa queria mostrar que a verdadeira face de Harvey Dent não era a que todos viam, consegue. Aliás, neste filme, Coringa consegue quase tudo, só não consegue matar o eterno morcego e é neste filme que se conhece em profundidade a BAT ALMA do morcegão.

Em tempo: Não vi o Heath Ledger, só o Coringa estava lá…

Por: Deusa Urbana. Blog: Deusa Urbana.

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Christopher Nolan. Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Michael Caine, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Morgan Freeman, Eric Roberts, Cillian Murphy. Gênero: Ação, Crime, Drama, Suspense. Duração: 152 min.

Quebrando a Banca (21)

Também usávamos sinais manuais. Braços cruzados: a mesa está quente. Um toque no olho: precisamos conversar. E uma mão passando pelo cabelo, significava uma coisa: “Saia. Agora!!”.

Vê o nome de Kevin Spacey nos créditos, a mim já é um motivo para assistir o filme. Nesse, um outro fator também. O de ser baseado num fato real. Bem, tirando a longa duração do filme, até que gostei. Sem uma meia hora de filme, a história ficaria amarradinha, e até melhor.

Filmes com jovens superdotados, na maioria, caem em esteriótipos. Ganhando até um termo: nerds. Mas em ‘Quebrando a Banca‘, até que deixa algo do tipo: a vingança dos nerds. E por conta de que? Além de terem escolhidos jovens que não seria rotulados assim, à primeira vista. Também por eles curtirem a vida fora da sala de aula. Além de que tiraram proveito prático das suas genialidades. Great!

A longa duração do filme nada mais é que um tremendo merchan dos Cassinos e Hotéis de Las Vegas. São um deslumbre, mas não precisavam exagerar.

Antes de entrar na história do filme, mas por conta do jogo de cartas… Lembro que em criança, tinha colegas que os pais não permitiam baralho em casa. Mas em vez de proibirem, deveriam ter usado o jogo como um aliado para um gosto pela matemática. Pois foi o que meu pai fez. Foi ele quem nos ensinou, a mim e meus irmãos. E nenhum de nós ficamos ‘viciados’ em baralho. Era sempre uma diversão. Um tempinho atrás, confesso que gostei de ver o netinho de uns tios jogando o 21. Por vê-lo fazendo as contas… É um jeito lúdico de ensinar a Tabuada.

Em relação a Cassinos, dica de um livro. Para que a sua ida seja uma diversão e só! Separe a quantia que daria si mesmo como um presente. Coloque-a no bolso direito da calça, por exemplo. Fique por lá até essa quantia terminar. Se ganhou algum dinheiro, coloque-o no bolso esquerdo. Não use essa parte. Porque já não estaria mais se distraindo.

Agora sim, a história do filme… Ben (Jim Sturgess) sonha cursar medicina em Harvard. Mas precisaria de pelo menos uns US$ 300 mil para isso. Estudante do MIT, durante uma certa aula de matemática, sem querer, ou melhor, sem saber, é notado por um certo clubinho.

Pausa para registrar isso: Prestem atenção a essa aula. Só ela já vale a pena rever o filme.

Voltando… O tal Clubinho tem como Mentor o professor de Matemática Micky Rosa (Kevin Spacey). E os já membros: Jill Taylor (Kate Bosworth), Kianna (Liza Lapira), Choi (Aaron Yoo) e Jimmy Fisher (Jacob Pitts). Ali, aprendem como usar a técnica de contar as cartas nas mesas do 21, o Blackjack. Sem se deixarem pegar. Trabalho em equipe. Cientes de que têm que obedecer as regras do Micky. Nem se deixarem seduzir por aquele mundo.

A princípio, Ben não aceita. Mas depois deixa-se seduzir, entrando no jogo. Assim, os cinco mais o Micky, passam os finais de semana em Las Vegas. O que ganham, é divido entre eles. Cabendo uma parte maior ao professor. Acontece que nem tudo são flores, pois um tipo de capataz da firma de vigilância, por estarem perdendo clientes (Cassinos), decide mostrar serviço. Ele é Cole Williams (Laurence Fishburne), que fica na cola deles. É onde o filme fica com mais ação.

Enfim, se pensarem que esse filme traz como um bônus um – Conheça Las Vegas! -, terão um bom sessão pipoca!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebrando a Banca (21). 2008. EUA. Direção: Robert Luketic. Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Laurence Fishburne. Gênero: Drama. Duração: 123 minutos. Inspirado no livro: “Bringing Down the House: The Inside Story of Six M.I.T. Students Who Took Vegas for Millions”.

Sybil (1976)

É a história das muitas personalidades de Sybil, nome fictício, criado para proteger a identidade da paciente. Sybil foi artista e professora de arte. A análise foi levada a efeito durante onze anos, e foi a única psicanálise de uma personalidade múltipla até então realizada. Esta narrativa vigorosa e absorvente acompanha o desenrolar estranho, angustioso e divertido da história das muitas facetas de Sybil. Envolvendo a reconstituição dos primeiros e chocantes anos de sua vida, até a integração das muitas personalidades numa única.

Baseado em horas de conversa com os principais personagens, em notas feitas pela Dra. Wilbur, durante a análise, em diários e ensaios de Sybil, em gravação das personalidades verdadeiras e na acareação da autora, com cada uma das dezesseis personalidades de Sybil, este livro conta a história da luta desesperada de uma mulher que quer voltar a ser uma só.

Existem duas versões do filme: o primeiro foi feito em 1976, e o outro 2004, ambos para a TV. Eu assisti à primeira versão que foi ao ar nos anos 70, quando eu devia ter de 10 a 11 anos. O seriado se passou na Globo, com o título do mesmo nome: “Sybil”. Na época eu também fiquei muito interessado e lembro-me apenas da trama geral. Durante um mês fiquei interessado em procurar o seriado em locadoras, quando me deparei com o livro em um sebo. Devorei-o.

O fenômeno que ocorreu em Sybil é um caso extremo do que ocorre em todos nós: todos possuímos personificações de vários aspectos que rejeitamos e/ou desconhecemos em nós mesmos. De vez em quando essas subpersonalidades vêm à tona na forma de pensamentos, sentimentos, sensações, intuições, memórias e atos que fazemos sem intenção. Infelizmente, a maioria não se dá conta de que conta com divisões dentro de si e que não é apenas “Fulano” ou “Beltrano”, mas muitas vezes várias espécies de “Sicranos”… Decididamente não somos uma pessoa, mas várias, embora estas estejam a todo tempo relativamente sob controle da nossa personalidade central: nosso eu (ou ego, como se diz em psicologia). Essa ilusão tem várias conseqüências para o indivíduo.

Uma delas, talvez uma das principais, seja a de não nos permitirmos portar sentimentos e pensamentos opostos, por exemplo, por uma mesma pessoa. Porém, se refletirmos adequadamente, perceberemos que certa pessoa comportou-se agradável e detestavelmente para conosco. Nada mais natural do que portarmos sentimentos ambíguos… No entanto, pensamos que somos doentes ou que somos contraditórios porque carregamos semelhantes contradições.

Outros fenômenos, estudados pela psicologia, podem complicar ainda mais esse fato. Podemos, por exemplo, transferir sentimentos (inclusive os já citados sentimentos ambíguos) para outras pessoas que, de alguma forma inconsciente, se associem aos nossos pais. Então aí teremos maiores razões muito mais fortes para nos condenarmos.

Sybil é um caso muito ilustrativo da nossa experiência cotidiana e por isso nos fascina. Ela não se encontra longe de nós, mas impregna nossa vida muito mais do que um simples romance fictício…

Por: Charles A. Resende.
Blog: A Psique e o Mundo.
Carl G. Jung Brasil [http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=117923]
Tipos Psicológicos [http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1286906]

Sybil. 1976. EUA. Direção: Daniel Petrie. Elenco: Sally Field, Joanne Woodward, Brad Davis. Gênero: Drama. Duração: 187 minutos. Baseado em livro de Flora Rheta Schreiber.

Evidências de Um Crime (Cleaner)

A morte… é trágica. Mas também é um grande negócio. Algumas pessoas lidam com a morte espiritualmente, outros lidam com ela legalmente. Mas, o que a maior parte das pessoas não sabe, é que, quando alguém morre em nossa casa, nos cabe… limpar a porcaria.

Primeiro, registrando que esse filme é mais um a mostrar que não precisam alongar para se levar uma boa história. Em “Evidências de um crime” a trama ficou amarradinha. Com princípio, meio e fim. A atenção não se dispersa.

Esse filme, a mim, trouxe algo interessante: a profissão do protagonista. É, é preciso ter estômago forte para limpar aquilo tudo. E ficarei um tempo sem colocar as caldas caramelizadas de morangos, chocolate por sobre o sorvete. Vendo o filme, saberão o porque.

Outro ponto positivo, estar em ver Samuel L. Jackson como protagonista. Por curtir suas atuações. E gostei da dobradinha com Ed Harris. Deu química! Assim como gostei da jovem, Keke Palmer, mostrou que tem futuro.

Agora a história do filme… Mas antes, não vejam o filme já pensando no final. Aproveitem todo o percurso dessa trama.

Tom (Samuel L. Jackson), um tira aposentado, tem uma firma que limpa a cena do crime nas casas, escritórios… Tão logo a justiça libera o local, caso algum responsável pelo imóvel queira, ele entra em ação. Os próprios ex-colegas se encarregam de intermediar o contato. E nossa! Ele limpa mesmo!

Tudo ia bem, até que se vê como o principal suspeito de uma das suas últimas limpeza. Pois em vez de sangue, a polícia encontrou vestígios de fortes materiais de limpeza; algo mais industrializado. Usaram-no para encobrir o crime. Mas quem matou? Quem morreu? O porque daquele assassinato… Ele então começa uma investigação paralela para provar a sua inocência. Havendo muito mais coisas por trás dessa história. Sujeira grossa!

Ainda citaria mais um ponto relevante nesse filme. Que é o dar uma oportunidade de emprego a um ex-detento. Algo ainda visto com receio e no mundo real. Logo, quando isso é mostrado nas telas, fica uma expectativa de que o assunto seja novamente debatido. Que tenha mídia. Levando uma chance de reabilitação a quem de fato merece. Que tenham como limpar suas fichas sujas.

Eu gostei do filme! Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Evidências de Um Crime (Cleaner). 2007. EUA Direção: Renny Harlin. Elenco: Samulel L. Jackson, Ed Harris, Eva Mendes, Keke Palmer, Luis Guzmán, Jose Pablo Cantillo. Gênero: Drama, Crime, Thriller. Duração: 88 minutos.

Procurando Amy (Chasing Amy)

No imperdível “Procurando Amy”, Holden (Ben Affleck) e Banky (Jason Lee) são amigos de infância, que moram e trabalham juntos, eles são os criadores de uma história em quadrinhos de muito sucesso “Bluntman e Chronic” inspiradas em Jay e Silent Bob.

Quando Holden conhece a bela Alyssa (Joey Lauren Adams), imediatamente se encanta por ela, os dois se dão muito bem, e o apaixonado Holden acredita que ela é a mulher de sua vida, o que ele não sabe, porém, é que Alyssa é homossexual. Mesmo assim Holden insiste na amizade com Alyssa e a situação fica cada vez mais insustentável para ele. Isto também abala sua amizade com o hilário Banky, que tenta de todas as formas terminar o relacionamento platônico do amigo.

Quando Alyssa corresponde Holden, o que parecia ser o final feliz se revela apenas o início desta história que durante os seus 105 minutos de emoções e risadas, consegue abordar de forma muito inteligente e engraçada, as dificuldades de Holden, Banky e Alyssa, em compreender e conseguir lidar com sua sexualidade, seus preconceitos, e a dificuldade de conviver, sem enlouquecer com as experiências do passado.

Como não poderia deixar de ser, o filme tem a participação da dupla Jay (Jason Mewes) e Silent Bob (Kevin Smith), a curta participação da dupla é suficiente para explicar o nome do filme e fazer Holden compreender melhor o que sente. A solução que Holden encontra para resolver os problemas com os outros dois protagonistas é esdrúxula, e fica impossível não chorar de tanto rir.

Este é o 3ª filme de Kevin Smith, com um elenco muito parecido com o de “Mallrats” (1995), a grande mudança deste para os filmes anteriores do diretor e roteirista é a capacidade de discutir temas mais “profundos”, (o que também aconteceria em seu próximo filme “Dogma”) porém sem perder a leveza, o bom humor e as longas e hilárias discussões sobre assuntos triviais como a sexualidade de um personagem de história em quadrinhos.

Por: Fry, só um pequeno camundongo…

Procurando Amy (Chasing Amy). EUA. 1997. Direção e Roteiro: Kevin Smith. Elenco: Ben Affleck, Joey Lauren Adams, Jason Lee, Dwight Ewell, Jason Mewes. Gênero: Comédia. Duração: 105 min.

Fôlego (Soom / Breath)

Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer, com os toques suaves na alma“. (Cora Coralina)

Um tempinho atrás, eu quis ver ‘Paradise Now‘ para então tentar entender o que se passa na mente de um homem-bomba… Algo outro, que também já há algum tempo eu queria entender, era o porque certas mulheres se interessam por criminosos. Não me refiro a um encontrar por acaso e dai vir se apaixonar. É mais do que isso. É se interessar por esse lado bandido nele, e que é mostrado na mídia, ou não. Claro que cada caso é um caso; que em cada um houve um fator inicial. Mas sempre fica a pergunta de que estranho objeto de desejo é esse que as deixam tão fascinadas. Por conta disso, por uma lida numa sinopse, foi o motivo para que eu assistisse esse filme. E o filme é isso, mas muito mais que isso. De tirar o fôlego até por conta das cenas finais.

Fôlego‘ vem confirmar algo que já comentei, o de que não se faz necessário alongar um filme para nos trazer uma ótima história. E mais, esse nem muitas falas tem. Nossa! Tão diferente do ‘2 Dias em Paris‘, onde contou literalmente tintim por tintim toda a história. Ponto para Ki-duk Kim! Agora, ouso dizer que é um filme para… digamos para um olhar maduro.

O que temos em ‘Fôlego’? Nossa! Que vontade de já sair contando tudo. Tentarei apenas motivá-los. Deixando a troca de impressões para os comentários. Caso haja outros fãs do Cinema Asiático.

Por onde começar… Seria com a frase do marido (Jung-Woo) de Yeon (Park Ji-a), onde disse que deixasse as esculturas e fosse conhecer outras pessoas? Até que seria uma boa sugestão da parte dele caso estivesse mesmo querendo vê-la feliz. Pois Yeon é muito retraída, quase não fala em casa. O que mesmo morando num apartamento com bastante luz externa, em seu lar pesa um que de sombrio. Há uma cena linda onde ao chegar em casa flagra a filha numa postura antes não vista. Isso já poderia lhe dar um “Acorda!”. Mas o lado mãe não era o ‘objeto de estudo’, mas sim o lado de mulher que descobre que está sendo traída. É, nessas horas o que fazer? Dar o troco na mesma moeda? Bem, no caso dela, quem ela escolheu, tem um motivo anterior ao seu casamento.

Também há duas outras frases do marido, que mostra qual é de fato o interesse dele por ela. Uma delas, ao vê-la tão interessada nos telejornais, mais precisamente no destaque dado a um criminoso que se encontra no ‘corredor da morte’. Onde diz para ver novelas em vez daquilo, reforça mais que a vê muito mais como uma dona de casa e que faz esculturas apenas como hobby. Onde nem respeita, nem valoriza seu lado artístico; um talento que lhe é nato.

Mas ela segue em frente. O que nos deixa uma curiosidade no porque com esse cara. Em o que ele a fascina tanto. Ele é Jin (Chen Chang), e o lance da mídia estar dando mais destaque é por causa da sua segunda tentativa de suicídio. Algo do tipo: se já está condenado à morte pelo seu crime, porque estaria adiantando o tempo.

Yeon começa a visitá-lo. Talvez pelo seu também entediante dia, o Diretor da Penitenciária abre uma exceção para ela. As visitas de Yeon quebram a rotina daquele lugar. Ela vai aos poucos fazendo com que Jin, até então taciturno, converse com ela. Ela provoca uma mudança no interior dele. Algo pressentido por um companheiro de cela que é apaixonado por Jin. Esse não gosta nada. Com esse, talvez eu volte a dizer algo mais mais adiante. Ou não, porque é sobre o final o filme.

As visitas a Jin, ficamos conhecendo todo o mistério que levou Yeon a procurá-lo. Ainda durante essas visitas, também nos deixa algo parecido com a outra frase do marido. Frase essa que já pontua o fato dele querer saber das saídas dela. Pelo fato também dela estar cuidando mais da sua própria aparência, mas que ainda está caladona. Agora, ele sentiu na carne que ela não está mais submissa… Ele diz a ela que quando a traía, ao menos ele era feliz.

Mas para ela, o mergulho ainda não chegara o fim. Ela ainda tinha fôlego o bastante para ir mais fundo nessa história. E foi, e levou Jin a conhecer o quanto ele poderia ganhar com isso.

O final, eu diria que é emocionante para esse triângulo, pois saem renascidos. O peso maior, ficaria para o companheiro de cela, mas ai já seria uma outra história. Bem, após o filme… eu digo: “Bravo, Yeon! Foste de muita coragem e ousadia, mulher!” Filmaço!

Por: Valéria Miguez (Lella).

Fôlego (Soom / Breath). 2007. Coréia do Sul. Direção e Roteiro: Ki-duk Kim. Elenco: Chen Chang, Jung-woo, Ji-a Park. Gênero: Drama, Romance. Duração: 84 minutos.