O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream)

Várias coisas tentaram me induzir a não assistir este filme de jeito nenhum. Pra começar, o título nada atrativo, remeteu-me a um pensamento de aversão aguda que lembrava mais a sensação infantil de comer ora-pro-nóbis na hora do almoço. Este sim é um título de alimento nada apropriado para uma criança. Como se isso não bastasse, a sinopse que li num site de busca era tão fajuta e descrente que me dei por vencido, decidido a não fazê-lo.

Entre sinopses mal-escritas, lembranças nada saborosas e títulos esquisitos, acabei sendo derrotado pela reputação de Wood Allen e os excelentes papéis que Colin Farrell vem fazendo ultimamente no estrelato cinematográfico. – SORTE A MINHA – . Uma surpresa boa, foi a conclusão que cheguei após sair da sala de cinema! Deparei-me com exatos 108 minutos de bom filme e pouquíssimas piscadelas de olhos.

O que Wood conseguiu fazer em O Sonho de Cassandra foi nada mais nada menos que impressionar o público a imaginar até onde uma decisão estúpida e ambiciosa pode chegar. No entanto, o que chama mais atenção no filme é observar o fato pela ótica do envolvimento familiar da trama. Pra começar, a proximidade entre os dois irmãos (Farrell e Ewan) norteia os acontecimentos trazendo a tona uma relação de cumplicidade e afinidade entre eles com o objetivo de apenas se darem bem na vida com ajuda de um tio rico. Apesar da idéia inicial na teoria ser boa, na prática, dependendo da maneira como é aplicada, é possível que todo planejamento outrora feito se transforme em um verdadeiro pesadelo.

O restante da história é fascinante, pra não dizer angustiante, até o final. Esta parte, inclusive, ponto máximo da trama, se difere em grau, gênero e conseqüência de tudo o que se pode imaginar como TRÁGICO numa bela história. Este é o objetivo central de O Sonho de Cassandra: expressar com muita maestria e sensibilidade, o fator trágico dos acontecimentos da vida baseado em escolhas mal feitas… No fundo, a reflexão que fica é o impacto que nossas atitudes e decisões têm na nossa história… Algumas das quais os efeitos podem ser irreversíveis…

Wood Allen pelo jeito é especialista nisso: demonstrar a fragilidade das reações humanas frente às “surpresas” da vida...

Por: Magalhoeira – magalhaesfernando@yahoo.com.br

O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream). 2007. EUA. Direção: Woody Allen. Elenco: Ewan McGregor / Colin Farrell / Peter-Hugo Daly / John Benfield /Clare Higgins / Ashley Madekwe / Andrew Howard / Hayley Atwell / Angela Stark / Sally Hawkins / Keith Smee / Terry’s Track Mate / Stephen Noonan / Mel Dan Carter. Gênero: Policial / Drama / Suspense. Classificação etária:14 anos. Tempo de Duração:108 minutos.

Três Vezes Amor (Definitely, Maybe)

O coração humano tem tesouros ocultos. No segredo mantido, No silêncio selado… Os pensamentos, as esperanças, os sonhos, os prazeres… Cujo charme se romperia se revelado.

O filme tem um início empolgante! Que alguns de nós já passou por algo assim. Mesmo que não tenha filhos. É quando as crianças têm sua primeira aula de educação sexual na escola.

É, Will (Ryan Reynolds) ao chegar na escola da filha, Maya (Abigail Breslin), encontra os alunos eufóricos com a aula. O lance era ver a reação dela. Ela não deixa por menos. Numa única frase, já mostrou que aquilo iria render. E rende, a caminho de casa, com perguntas do tipo: “Quando é que o homem tira o pênis do pijama e enfia na vagina da mulher?” Ou ainda com algo dito por um coleguinha, de que ele fora por um acidente.

O assunto vai se estreitando até por conta dele estar sozinho. Dela querer saber se também fora um acidente o seu nascimento.  Pedindo para ele contar a história dele com a mãe dela.

Vendo que ela não iria dormir… Ele resolve contar. Mesmo tendo saído com algumas mulheres, se amor fora dado a poucas… Então, trocaria nomes, omitiria certos fatos, e ela é que teria que descobrir qual delas era a sua mãe.

E assim, ele faz uma viagem ao seu passado… A cada intervenção dela é divertido, é emocionante… O que eu acho que deveriam ter explorado mais vezes. Pois teve longos espaços entre algumas delas. Ficando um pouco lento onde eram mostrados a história contada por ele. Perdendo apenas o ritmo. Mas como isso ajudou a ele a se conhecer mais, é válido.

A menininha é um encanto! Sobrepõe aos demais. Embora os outros também atuaram bem. O roteiro, se o enxugassem um pouquinho, o filme ficaria perfeito.

A trilha musical é legal. Confesso que lágrimas brotaram em algumas cenas mais para o final. Enfim, gostei do filme. Mas rever? Seria mais pelo início e final, eu correria um pouquinho a fita em trechos pelo meio.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Três Vezes Amor (Definitely, Maybe). 2008. Reino Unido. Direção e Roteiro: Adam Brooks. Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Isla Fisher, Rachel Weiz, Derek Luke, Kevin Kline, Daniel Eric Gold, Adam Ferrara, Nestor Serrano. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 112 minutos.