Sybil (1976)

É a história das muitas personalidades de Sybil, nome fictício, criado para proteger a identidade da paciente. Sybil foi artista e professora de arte. A análise foi levada a efeito durante onze anos, e foi a única psicanálise de uma personalidade múltipla até então realizada. Esta narrativa vigorosa e absorvente acompanha o desenrolar estranho, angustioso e divertido da história das muitas facetas de Sybil. Envolvendo a reconstituição dos primeiros e chocantes anos de sua vida, até a integração das muitas personalidades numa única.

Baseado em horas de conversa com os principais personagens, em notas feitas pela Dra. Wilbur, durante a análise, em diários e ensaios de Sybil, em gravação das personalidades verdadeiras e na acareação da autora, com cada uma das dezesseis personalidades de Sybil, este livro conta a história da luta desesperada de uma mulher que quer voltar a ser uma só.

Existem duas versões do filme: o primeiro foi feito em 1976, e o outro 2004, ambos para a TV. Eu assisti à primeira versão que foi ao ar nos anos 70, quando eu devia ter de 10 a 11 anos. O seriado se passou na Globo, com o título do mesmo nome: “Sybil”. Na época eu também fiquei muito interessado e lembro-me apenas da trama geral. Durante um mês fiquei interessado em procurar o seriado em locadoras, quando me deparei com o livro em um sebo. Devorei-o.

O fenômeno que ocorreu em Sybil é um caso extremo do que ocorre em todos nós: todos possuímos personificações de vários aspectos que rejeitamos e/ou desconhecemos em nós mesmos. De vez em quando essas subpersonalidades vêm à tona na forma de pensamentos, sentimentos, sensações, intuições, memórias e atos que fazemos sem intenção. Infelizmente, a maioria não se dá conta de que conta com divisões dentro de si e que não é apenas “Fulano” ou “Beltrano”, mas muitas vezes várias espécies de “Sicranos”… Decididamente não somos uma pessoa, mas várias, embora estas estejam a todo tempo relativamente sob controle da nossa personalidade central: nosso eu (ou ego, como se diz em psicologia). Essa ilusão tem várias conseqüências para o indivíduo.

Uma delas, talvez uma das principais, seja a de não nos permitirmos portar sentimentos e pensamentos opostos, por exemplo, por uma mesma pessoa. Porém, se refletirmos adequadamente, perceberemos que certa pessoa comportou-se agradável e detestavelmente para conosco. Nada mais natural do que portarmos sentimentos ambíguos… No entanto, pensamos que somos doentes ou que somos contraditórios porque carregamos semelhantes contradições.

Outros fenômenos, estudados pela psicologia, podem complicar ainda mais esse fato. Podemos, por exemplo, transferir sentimentos (inclusive os já citados sentimentos ambíguos) para outras pessoas que, de alguma forma inconsciente, se associem aos nossos pais. Então aí teremos maiores razões muito mais fortes para nos condenarmos.

Sybil é um caso muito ilustrativo da nossa experiência cotidiana e por isso nos fascina. Ela não se encontra longe de nós, mas impregna nossa vida muito mais do que um simples romance fictício…

Por: Charles A. Resende.
Blog: A Psique e o Mundo.
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Sybil. 1976. EUA. Direção: Daniel Petrie. Elenco: Sally Field, Joanne Woodward, Brad Davis. Gênero: Drama. Duração: 187 minutos. Baseado em livro de Flora Rheta Schreiber.

Evidências de Um Crime (Cleaner)

A morte… é trágica. Mas também é um grande negócio. Algumas pessoas lidam com a morte espiritualmente, outros lidam com ela legalmente. Mas, o que a maior parte das pessoas não sabe, é que, quando alguém morre em nossa casa, nos cabe… limpar a porcaria.

Primeiro, registrando que esse filme é mais um a mostrar que não precisam alongar para se levar uma boa história. Em “Evidências de um crime” a trama ficou amarradinha. Com princípio, meio e fim. A atenção não se dispersa.

Esse filme, a mim, trouxe algo interessante: a profissão do protagonista. É, é preciso ter estômago forte para limpar aquilo tudo. E ficarei um tempo sem colocar as caldas caramelizadas de morangos, chocolate por sobre o sorvete. Vendo o filme, saberão o porque.

Outro ponto positivo, estar em ver Samuel L. Jackson como protagonista. Por curtir suas atuações. E gostei da dobradinha com Ed Harris. Deu química! Assim como gostei da jovem, Keke Palmer, mostrou que tem futuro.

Agora a história do filme… Mas antes, não vejam o filme já pensando no final. Aproveitem todo o percurso dessa trama.

Tom (Samuel L. Jackson), um tira aposentado, tem uma firma que limpa a cena do crime nas casas, escritórios… Tão logo a justiça libera o local, caso algum responsável pelo imóvel queira, ele entra em ação. Os próprios ex-colegas se encarregam de intermediar o contato. E nossa! Ele limpa mesmo!

Tudo ia bem, até que se vê como o principal suspeito de uma das suas últimas limpeza. Pois em vez de sangue, a polícia encontrou vestígios de fortes materiais de limpeza; algo mais industrializado. Usaram-no para encobrir o crime. Mas quem matou? Quem morreu? O porque daquele assassinato… Ele então começa uma investigação paralela para provar a sua inocência. Havendo muito mais coisas por trás dessa história. Sujeira grossa!

Ainda citaria mais um ponto relevante nesse filme. Que é o dar uma oportunidade de emprego a um ex-detento. Algo ainda visto com receio e no mundo real. Logo, quando isso é mostrado nas telas, fica uma expectativa de que o assunto seja novamente debatido. Que tenha mídia. Levando uma chance de reabilitação a quem de fato merece. Que tenham como limpar suas fichas sujas.

Eu gostei do filme! Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Evidências de Um Crime (Cleaner). 2007. EUA Direção: Renny Harlin. Elenco: Samulel L. Jackson, Ed Harris, Eva Mendes, Keke Palmer, Luis Guzmán, Jose Pablo Cantillo. Gênero: Drama, Crime, Thriller. Duração: 88 minutos.