José Mojica Marins está com tudo e não está prosa. Vai brilhar em Veneza com toda a simplicidade de um artista que mal sabe falar corretamente, mas que tem a força criativa na alma.
O grande mérito de “Encarnação do Demônio” é não deixar para trás a essência do personagem ultra violento de unhas gigantes em detrimento de uma produção esmerada com efeitos especiais na dose certa. Está tudo lá, tal como na época do incrível “À Meia-Noite Levarei sua Alma” (1963- o ano que nasci.): O sadismo explícito, bichos (reais) rastejantes, descrentes, feiticeiras apavorantes e vinganças atrozes na saga daquele que só quer gerar a sua prole perfeita – Tudo cercado de um cuidado técnico nunca antes visto num filme do gênero no Brasil.
O roteiro é agil e enxuto, o elenco conta com nomes como Jece Valadão, Rui Rezende, Cristina Aché e José Celso Martinez Correa numa memorável aparição no purgatório. Música e montagem de primeira – A abertura é antológica, com aquelas ilustrações assombrosas – enfim, tudo perfeito. Ainda assim, o filme pode vir a fracassar na bilheteria por puro preconceito, o que é uma pena.
Assim sendo, não tenha medo do Zé do Caixão. Feche os olhos se preciso for, nas cenas das baratas ou das perfurações, mas veja o filme como puro e simples entretenimento. Afinal, esta é a razão do cinema.
A crítica especializada deu cotação máxima a esse mais recente filme de Horror deste ícone trash, que assim como Nelson Rodrigues, só consegue ser entendido, quando não levado tão a sério. Afinal como tentar explicar um personagem tão sádico e perverso que adora e é até protegido pelas criancinhas? São segredos e mistérios da verdadeira e pura arte.
Por: Carlos Henry.
Encarnação do Demônio. 2007. Brasil. Direção e Roteiro: José Mojica Marins. Elenco: José Mojica Marins (Zé do Caixão), Cristina Aché, Milhem Cortaz, Jece Valadão, Giulio Lopes, Luís Melo, Débora Muniz, Rui Resende, José Celso Martinez Correa. Gênero: Terror. Duração: 90 minutos. Classificação: 18 anos.
