Juventude Transviada (Rebel Without A Cause)

_Por que temos que fazer isso?
_Porque temos que fazer alguma coisa.

Antes de começar a falar sobre a trama desse filme, deixo um desabafo: Será que na edição final não notaram que todo aquele crédito em letras garrafais não nos deixaria ver direito o início do filme? Ainda mais numa cena com o James Dean. Se na época, os créditos vinham no início, poderiam mostrar uma paisagem, por exemplo; sem nenhum enquadramento. Não sei se foi o George Lucas quem primeiro percebeu isso. Mas sei que fora multado por colocar os créditos no final do seu “Star Wars”. Merece meus aplausos por essa tomada de decisão.

Agora sim comentando “Juventude Transviada” (Rebel Without A Cause). Revê-lo após tanto tempo, deixou uma sensação de primeira vez. Great! Pela trama do filme, é claro que o título original é preciso. Por ser o drama principal do protagonista. Um jovem que se ressente por viver num matriarcado. Ele tem a figura paterna como alguém submisso. Vê o pai como um covarde. E que não quer ser um também. Não recebe reprimendas, nem limites. Mas não pode se queixar que não tem o amor dos pais.

Por conta disso, ele, Jim (James Dean) se mete em confusões numa tentativa de chamar a atenção dos pais. Mas em vez de lhe impor limites, a mãe se preocupando mais com o que os outros irão falar, prefere mudar de residência. Como se o fato de ir para locais distantes, deixaria o problema para trás. Aliás, que problema? E o  Jim apesar de suas encucações, sua rebeldia é bom rapaz.

A história pega uma recém chegada a um novo local para onde se mudaram: subúrbio de Los Angeles.  Indo de uma noite a outra. Com Jim encontrado deitado numa calçada e levado para uma Chefatura de Polícia. Por lá, mais dois jovens: Judy (Natalie Wood) e Platão (Sal Mineo).

Judy também se queixa do pai. Mas no caso dela por não entender porque o pai não lhe faz mais carinho como quando ela era criança. Estranho. Fica parecendo que o pai não a vê mais como filha, mas sim como uma jovem atraente. Isso não está explícito no filme; são conjeturas minhas. Mas também é válido ressaltar a década dessa história.

Platão também fora levado para a Delegacia. Dois três ele é o único que teria uma causa de fato para se rebelar. Por não ter os pais juntos. Mora numa bela casa na companhia da empregada. Da mãe, recebe de presente de aniversário um cheque, via correio, para as despesas da casa.

Nessa noite na Delegacia, mal trocam palavras. Apenas Jim que oferece seu casaco para Platão.

Talvez pela época, talvez pelo local, o certo que há nessa noite, de plantão um Juíz de Menores bom camarada. Atende primeiro Judy, e depois Jim. Aos dois ele atua como um pai amigo. A Jim, diz que o procure a qualquer hora. Sempre que sentir que vai fazer uma besteira. Já com o jovem Platão, o que o atendeu diz para procurar um psiquiatra. Assim, bem direto. Faltou nesse, o que o outro tinha de sobra: sensibilidade para lidar com adolescentes.

O dia amanhece. Primeiro dia de aula de Jim. Também descobre que Judy mora bem perto. A convida para ir a aula no carro dele. Mas ela estava esperando pelo seu grupo. E na presença deles se transforma.

O dia de Jim não é fácil. Por ser novato, e por ter um jeito caipira, vira o prato principal para a turma comandada por Buzz (Corey Allen). Jim aguenta o quanto pode a pressão. Até que ao ser chamado de covarde, seu ponto fraco, acaba aceitando competir numa prova bem estúpida. Como se aquilo fosse uma defesa de sua honra? Que honra? Tudo poderia ser visto por ter recebido um xingamento.

Para quem curte Astrologia, há uma aula num Observatório. Onde o Palestrante mostra as estrelas. Em destaque a Constelação de Câncer. Signo dos Estados Unidos. E que me parece é a Casa das raízes. Ou como um colo dos pais onde se vai receber um carinho.

Numa prosa entre Jim e Judy, ela diz mais ou menos assim: “_Não dê créditos ao que eu falo quando estou com o grupo. Ali ninguém está falando a verdade. Somos fachada.” E isso é regra geral em todo esses grupos de encrenqueiros e arruaceiros. Como também nos que praticam o bullying.

A fala no início do texto também demonstra o quanto é sem noção essas rixas. E esse ter que fazer algo termina por acarretar tragédias, como até traumas permanentes nos jovens hostilizados. Há que ter alguém para quebrar esse círculo de violência. Urge de um adulto que dê a eles limites.

Enfim, essa segunda noite não amanheceu para uns. Seria interessante se os jovens de agora assistissem esse filme. Quem sabe mostre o quanto é desnecessário essa falta de coleguismo. E rever James Dean, é bom demais. Filmaço!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Juventude Transviada (Rebel Without A Cause). 1955. EUA. Direção: Nicholas Ray. Elenco: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, Jim Backus, Ann Doran, Corey Allen, Edward Platt, Dennis Hopper. Gênero: Drama, Romance. Duração: 111 minutos.

6 comentários em “Juventude Transviada (Rebel Without A Cause)

  1. Pingback: Será que um dia o bullying terá um fim? | Nossa Via: O conteúdo passa por aqui!

  2. Olá Valéria, depois que vi seu blog fiquei contente com seu comentário no Pergunte ao Urso, pois percebo o quão criteriosa você é. Muito obrigado pelos elogios…

    Logo estarei montando um portal de blogs, acho que um blog como o seu seria um bom conteúdo. Depois te mando um e-mail falando disso.

    Beijoka do Urso

  3. Lella, foi legal relembrar esse filme … nossa faz tempo ..heimm , mas respondendo seu post lá blog , aceito … mas você tem que me dar um tempo para fazer a tarefa afinal … não e a minha praia …kkkkk vou ter que aprender :)

    bjs

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