Trovão Tropical (Tropic Thunder)

Humor Negro tão pesado quanto o Elenco.

Há pouco tempo atrás (2001) Ben Stiller havia se aventurado ao dirigir uma comédia diferente chamada ‘Zoolander’ junto com seu amigo Owen Wilson. Aos olhos da maioria o filme foi uma bosta sem tamanho, mas era admirável porque pelo menos ele tentou fazer algo diferente já que fazer comédia inovadora não é tarefa fácil. 6 anos depois (2007) Stiller decide se aventurar como diretor novamente, continuou ousado e tentou inovar denovo, desta vez ele fez barulho e até conseguiu causar polêmica numa comédia.

O filme é sobre um grupo de atores que decide gravar o melhor filme de guerra de todos os tempos chamado Tropic Thunder (Trovão Tropical), porém esses atores parecem não se entender nos sets de filmagem. O que vem gerando um atraso e perdas de lucro na produção liderada pelo fracassado diretor Damien Cockburn (Steve Coogan).

O elenco (dentro do filme) conta com os atores Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) vencedor do Oscar 4 vezes seguidas; o fracassado comediante e viciado em drogas, ‘’Jeff Portnoy’’ (Jack Black); o Rapper/ator ‘’Alpa Chino’’ (Brandon T. Jackson); um desconhecido ator nerd ‘’ Jay Baruchel’’ (Kevin Sandusky); e finalmente um astro de ação que quer ganhar o Oscar ‘’Tugg Speedman’’ (Ben Stiller. Por causa do fracasso sobre os andamentos da filmagem, os atores são levados a selva onde passam a enfrentar problemas reais para incorporarem seus papéis com mais realismo.

O Filme já começa engraçado, para parecer mais realista antes mesmo de ‘’começar’’ o trovão tropical, somos apresentados a 3 trailers de filmes fakes e um comercial. O comercial da ‘’Booty Sweat’’ de ‘’Alpa Chino’’ é indecente e como em alguns clipes de black onde tem mulheres semi nuas dançando, o refrão e o seguinte, ‘’I like that pussy, I like that pussy, I like that pussy…’’. O próximo não tão engraçado, mas que diverte pela narração é o trailer do filme de Tugg Speedman ‘’esqueci o nome’’. Seguido pelo ridículo e forçado trailer do filme de ‘’Jeff Portnoy’’, que acho eu ser feito propositalmente para mostrar o motivo do comediante estar fracassado ultimamente. E finalmente o do aclamado vencedor do Oscar ‘’Kirk Lazarus’’ papel de Downey Jr.(Homem de Ferro) e Tobey Mcguire (Homem Aranha) que relata o namoro de dois reverendos gays, de tanto a seriedade deste último trailer ele se torna uma das cenas mais engraçadas do filme.

Depois realmente começa o filme ai e uma seqüência de cenas cômicas e dotadas de muito humor negro com muito mais muitos palavrões. O filme também conta com um elenco de estrelas incluindo Matthew McConaughey (que pegou o lugar de Owen Wilson pela tentativa de suicídio em 2007) e Tom Cruise, (Tom Cruise num papel irreconhecível demais, difícil perceber se a pessoa não souber que o ator faz uma ponta no longa, ele esta gordo, careca de óculos e fala mais palavrão em 7 min de cena do que o elenco todo fala no decorrer do filme).

A polêmica em torno da comedia deve-se ao fato de Trovão Tropical ser um filme solto e sem ponto para limites, o que mais causou protesto e uma ameaça de boicote a estréia, foi sobre o papel de Ben Stiller que dentro do filme vivendo o ator Tugg Speedman interpreta um garoto com síndrome de down na desesperada tentativa de ganhar um Oscar. Porém outros personagens (que seguem o roteiro assinado pelo próprio Stiller) não medem esforços de chamar seu personagem ‘’Simple Jack’’ de retardado ou outros nomes vulgares.

Outra polêmica foi lá no início, quando surgiam as primeiras imagens do filme onde Robert Downey Jr. aparecia com a cor da pele negra, mas isso logo passou, já que o filme não chega a insultar ou difamar a raça negra, eu sendo negro não me ofendi, pelo contrario, achei uma idéia genial e com a ótima interpretação de Downey Jr. que não poupa esforços de alterar detalhes de personalidade como a voz. O detalhe e a personalidade dos astros tornam trovão tropical uma das melhores comedias do ano.

Já pensou se a moda (mudança de cor em papeis) pega em Hollywood???

As piadas surgem de forma natural no desenvolver da trama e não é repetitiva. O filme tem muito sangue, palavrões e uma super produção com muita ação, tiros, explosões e humor. Não vai dar pra falar de todos porque uma critica muito longa cansa, mas deixo garantido que é uma comédia foda, com um elenco foda, um roteiro quase foda que vão garantir risadas ate o final da projeção.

Por: Eduardo N.  Criador do Site X-Cine.

Trovão Tropical (Tropic Thunder). 2008. EUA. Direção: Ben Stiller. Elenco: Ben Stiller, Robert Downey Jr., Jack Black, Brandon T. Jackson, Steve Coogan, Jay Baruchel. Gênero: Comédia,  Ação. Duração: 107 minutos. Censura: 16 anos.

HellBoy II: O Exército Dourado (Hellboy 2: The Golden Army)

Hellboy II e uma viagem a um mundo fantástico que só Del Toro consegue nos levar“.

O ano 2008 e sem sombra de duvidas o melhor pro gênero super-heróis ate agora, depois de Homem de Ferro, Indiana Jones 4, O Incrível Hulk, O cavaleiro das Trevas entre outros, Hellboy não poderia ficar pra trás, e não ficou. Mesmo contando com uma equipe não tão popular no elenco, Hellboy tem uma direção de peso, implacável e de apropriado para seu conteúdo. Guillermo Del Toro (‘’Blade 2’’ e o aclamado ‘’O labirinto do Fauno’’).

Baseado num dos quadrinhos mais conhecidos pela Dark Horse, Durante a segunda guerra mundial, nazistas tentavam abrir um portal que os colocasse em contato com outros mundos na tentativa de invocar Deuses ocultos para destruir a terra, o plano acaba fracassando graças a equipe de pesquisa e defesa do paranormal chefiada pelo professor Trevor Bruttenholm, porem, no curto espaço tempo em que o portal esteve aberto, algumas criaturas foram teleportadas a terra, entre elas um filhotinho vermelho com forma de homem, sobre os cuidados do professor Trevor, eles os apelidaram de HellBoy.

No primeiro filme a história girou em torno da personalidade e dos conflitos do protagonista, nesta seqüência, Hellboy (Ron Perlman), agora contando com a ajuda de seus amigos Abe Sapien (Doug Jones), Liz (Selma Blair) e Johann Krauss (um homem feito de energia em forma de fumaça interpretado por 3 atores, James Dodd, John Alexander, Seth MacFarlane) devem impedir o príncipe Nuada (Luke Goss), que decide romper a longa trégua com os humanos e atacar a terra com o legendário exercito dourado cujo a fama é de Exército Invencível.

Hellboy II e uma viagem a um mundo fantástico que só Del Toro consegue nos levar, repleto de criaturas aterradoras, sinistras, bizarras e algumas ate bem engraçadas. Nesta seqüência e visível a correção de quase todos os defeitos ou erros cometidos no primeiro filme inclusive uma melhoria e estadia Atuação de todos, TOOODOS os atores com destaque ao Hellboy, Abe Sapien, Príncipe Nuada e Princesa Nuala, ele e tão complexo quanto e aparenta ter um compromisso mais sério com o publico. Tal carisma dos personagens é impressionante, eles não são aquela coisa que podemos dizer ‘’ain, que bunitinhu*’’ mas conseguem roubar aquela atenção através de seus atos, gestos e a forma de como são apresentados, e claro, graças a atuação de todos os atores.

Imagino eu o tempo que gastavam por dia sô para cobrir o corpo de maquiagem ou construir os cenários únicos de Hellboy II, foi algo muito bem feito, muito realista e que pra mim já merece uma concorrência de melhor fotografia.

Com coreografias de luta muito bem planejadas, piadas muito bem elaboradas e uma dose de ação muito bem controlada junto com o conjunto dramático e romântico das cenas, fica difícil apontar um defeito em hellboy, não que o filme seja perfeito, Longe disso… Mas que ele e quase perfeito ao seu modo de ser, assim como O Procurado. Enfim, vá ao cinema e tire suas próprias conclusões, se você curte uma boa aventura, Hellboy 2 e um filme que vai te divertir com certeza… É sim… Mais cedo ou mais tarde virá uma seqüência.

Por: Eduardo N. Criador do site X-Cine.

HellBoy II : O Exército Dourado (Hellboy 2: The Golden Army). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Guillermo del Toro. Elenco: Ron Perlman (Hellboy), Selma Blair (Liz Sherman), Doug Jones (Abe Sapien), Luke Goss (Prince Nuada), Anna Walton (Princesa Nuala), James Dodd (Johann Kraus), John Alexander (Johann Kraus / Goblin), Thomas Kretschmann (Johann Kraus – Voz), Jeffrey Tambor (Tom Manning). Gênero: Ação, Sci-Fi, Aventura. Duração: 110 minutos.

Quatro Minutos (Vier Minuten)

Sou fera ferida, no corpo e na alma, e no coração.

Duas mulheres a quem o destino fora cruel, e naquilo que lhes tocava fundo: seus corações. Ambas reagiram de um jeito. Mas não se pode nem comparar essa reação, porque as chagas foram em pontos diferente. Numa, elas foram também fisicamente. Com a primeira estocada, suas vidas tomaram rumos que nem sonharam. E esses dois corações feridos, nos leva a acompanhá-los sem desgrudar os olhos.

Quem são elas? Como o caminho delas se cruzaram? E por que farão a diferença uma na vida da outra? Até porque há uma grande diferença de idade entre elas. E onde para ambas a vida até então era apenas em ainda se manterem vivas, só não sabiam o porque.

Traude (Monica Bleibtreu), nos altos de seus 80 anos de idade, ainda persiste em dar aulas de piano numa penitenciária. Mesmo com as barreiras imposta pelo Diretor de lá. O porque, ela relata depois. De tipo físico franzino, ela é decidida. Chega a ser rigorosa no tocante a disciplina e respeito. E isso irá aquebrantar aos poucos a outra.

Jenny (Hannah Herzsprung), bem mais jovem, reage com violência a qualquer aproximação. Por conta disso, seus dias na prisão tendem a aumentar. Ou não, já que a carceragem fecha os olhos para certos movimentos lá dentro. Chega a ser desumano.

Traude, pressionada pelo Diretor que quer ver o fim daquelas aulas, acaba conhecendo Jenny. E mais, que ela tem um talento nato. Resolve então investir seu tempo, aliás, o seu pouquíssimo tempo para tentar mostrar o talento de Jenny num grande concurso. Mas não será tarefa fácil.

O filme é SEN-SA-CI-O-NAL!! A Jenny dá um show no piano! Assistam e confiram. Nota máxima em tudo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quatro Minutos (Vier Minuten). Alemanha. 2006. Direção e Roteiro: Chris Kraus. Elenco: Monica Bleibtreu, Hannah Herzsprung, Sven Pippig, Richy Müller, Stefan Kurt, Vadim Glowna. Gênero: Drama. Duração: 112 minutos.

WΔZ (W Delta Z)

Quando o amor é cego, não medimos as conseqüências, temos atitudes que irão trazer sérias conseqüências para o resto da vida, mentimos, escondemos fatos para salvar uma relação e pior, você sempre daremos cobertura a todos os erros do amado…

WΔZ, esse filme segue a linha de Seven e Saw. Um serial killer, que deixa pistas para policiais tentarem desvendar seus assassinatos e motivos.

É a história do detetive Argo (Stellan Skarsgård) e sua inexperiente parceira, que investigam misteriosos crimes em New York, sendo que cada vitima, tem uma equação (WΔZ), cravada em seu corpo. Tortura e mutilação também fazem parte do enredo. A medida que a investigação se desenrola, eles descobrem que cada vitima teve que escolher entre morrer ou matar alguém próximo e querido. O Detetive Argos, também percebe que deverá pagar por algum erro do passado.

Quanta dor você suporta até ter que matar um ser amado?

Obs: acho que o diretor desse filme subestimou a sua platéia, pois tem uma cena em o detetive Argos, vai de madrugada na casa de um negão com uma garrafa de vinho… Para mim essa cena denunciou tudo… O final do filme é uma surpresa. Enfim, acompanha de um gostoso balde de pipoca é diversão garantida :)

Por: Mariposo.  Blog Mariposo.

WAZ (W Delta Z). 2007. Reino Unido. Diretor: Tom Shankland. Argumento: Clive Bradley. Atores: Stellan Skarsgård, Melissa George, Selma Blair, Ashley Walters, John Sharian. Gênero: Crime, Drama, Terror, Thriller. Duração: 104 minutos.

Ao Entardecer (Evening)


Dizem que à beira da morte passa um filme sobre a vida da pessoa. Isso acontecendo de repente e num breve intervalo de tempo, tudo deve vir num flash bem compacto. Agora, quando ainda terá umas horas antes dela chegar… Deve possibilitar na escolha do que se quer passar a limpo. E é por ai, que se baseia o filme. Mas como essa perda será sentida por outras pessoas, também as fará pensarem em si mesma.

Um tempinho atrás escrevi um texto sobre ‘O divisor de água de cada um de nós‘. Nesse filme, ‘Ao Entardecer’, a Ann (Vanessa Redgrave), entre momentos lúcidos, ou de delírios, talvez por efeitos da medicação, ou mesmo por já não mais haver barreiras por conta das regras sociais… Enfim, para ela um único divisor de água merecia ser revisto. Porque um outro, ela só quis constatar se não fora totalmente negligente. Em resumo, uma revisão a um grande amor, e se por sua carreira houvera omissões as suas filhas.

Nessa volta ao passado, o que Ann (Claire Daines), elege como seu ponto de partida veio por conta de uma frase que, pelo jeito, a acompanhou todo esse tempo. Algo mais ou menos assim: “E se eu tivesse aceito o convite de Buddy (Hugh Dancy) e tivesse ido velejar com ele e Harris (Patrick Wilson), naquele entardecer, será que minha vida teria tomado outro rumo?’. É que ainda naquele final de semana, uma tragédia a levou a querer ir para longe daquele pesadelo.

A questão que ficou a mim, foi por conta dela não ter ouvido a voz do seu coração, esse já perdidamente apaixonado por Harris, é que apenas ouviu a voz ‘do que os outros pensariam’. Entre esses outros, estaria a sua melhor amiga Lila (Marmier Gummer). Ann então quis esquecer tudo mais que a envolveriam-na àquelas pessoas que até viviam em mundos diferentes. Que nem um ter como pagar uma simples conta de luz, fazia parte do seu dia-a-dia, como ela. Claro que o não ter vivenciado, fica mais fácil em dizer que não teria feito o mesmo, mas cabe aqui, não um julgamento, e sim um tentar entender o seu drama.

Nesse seu delírio, em meio as seu flash-back, Ann ganhou uma ajuda, alguém meio que advogado-do-diabo. Alguém para clarear ainda mais nesse seu mergulho. Se essa presença era fruto da sua imaginação, ou de seus sonhos, o certo era que a Enfermeira-da-Noite (Eileen Atkins) fez mais que isso. Ela fez algo que as filhas de Ann nem pensaram em fazer. Que foi em avisar a Lila que sua grande amiga do passado estava nas últimas. E Lila (Meryl Steep) veio. Onde não só ajudou a amiga a partir sem culpas, como também, ajudou a uma das filhas de Ann, a Nina (Toni Collette) a não ficar tão indecisa diante da vida.

No tocante as filhas, essas horas finais, deu-lhe momentos de lucidez onde pode senti-las mais perto. Saber delas se fora uma boa mãe. Para Constance (Natasha Richardson), já casada, com filhos, a conversa fora mais madura. Por ela está segura de que fizera a escolha certa. De que ao se tornar mãe, pode compreender a sua mãe.

Já com Nina, até pelo seu temperamento, ouvir trechos dos delírios da mãe, aumentou ainda mais os receios. Por medo do futuro, por saber que é uma pessoa de difícil convivência. Por descobrir que está grávida do seu atual namorado. Enfim, seus temores são em relação ao que ainda está por vir. Se para a sua mãe não haverá um amanhecer, para ela sim. Então, porque não começar a fazer os seus, um de cada vez. E quem sabe, só no último entardecer de sua vida, saber se fizera as escolhas certas. Pois se se manteve uma pessoa íntegra, mesmo tendo feito algo errado, o que importa é que o fez. Não ficou apenas no ‘Se…’

Por fim, o filme aborda questionamentos maduros. E sobretudo para as mulheres que ao longo da vida tentam conciliar carreira, família, o lado dona-de-casa, maternidade, entre outras coisas.

Mas destacaria nesse filme uma outra questão: o alcoolismo. No quanto esse vício tem de prejudicial. Tanto para a própria pessoa, como também para aos que cruzam seu caminho. No filme, a pessoa começou a beber aos doze anos. Tão cedo que, embora eu não esteja culpando os pais, me pergunto o que eles estavam fazendo que os impediam de ver esse grito de alerta do filho? Creio que quando se inicia ainda na adolescência, há uma chance maior de sair desse vício. A menos que o que esse filho esteja tentando tentando contar, seus pais não queiram nem ouvir. Sendo assim, depois de uma tragédia… já será tarde demais.

Eu gostei do filme. Mas não deixou-me uma motivação para revê-lo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Ao Entardecer (Evening). 2007. EUA. Direção: Lajos Koltai. Elenco: Claire Danes, Vanessa Redgrave, Mamie Gummer, Meryl Streep, Patrick Wilson, Hugh Dancy, Glenn Close, Barry Bostwick, Natasha Richardson, Toni Collette, Ebon Moss-Bachrach, Eileen Atkins. Gênero: Drama. Classificação etária: Livre. Tempo de Duração: 117 minutos. Drama baseado no livro de Susan Minot.

MAMMA MIA!

Há muito motivos para ver o filme musical de Phyllida Lloyd: “Mamma Mia“. Para ouvir todos os hits de Abba, grupo POP-brega e maravilhoso que atravessou duas décadas de pleno sucesso, para ver Meryl Streep, linda, madura e encantadora ou simplesmente para se sentir feliz numa paradisíaca ilha grega cheia de gente simples e alegre.

O enredo é um fio de estória alinhavado para conter, em certos momentos à força, as músicas do famoso grupo sueco. A afinação também não é, com exceção de Meryl, definitivamente o forte do elenco. Mas quem se importa com esses detalhes? Acho até que confere um charme descontraído que contribui para o clima festivo e naturalista ao filme.

O musical estreou em Londres em 1999 e é um grande sucesso até hoje em vários lugares do mundo. Madonna aproveitou para pegar carona nesse revival, quando escolheu o sample de “Gimme, gimme, gimme” para seu show/CD “Confessions”. É mesmo difícil se conter na poltrona ao ouvir “Dancing Queen” e dá vontade de cantar junto com mãe e filha a emocionante: “Slipping Through my Fingers”, separadas por um casamento que está para acontecer. Mas o grande momento é a música: “The Winner Takes it All”, uma canção linda e chorosa sobre separação que parece ter sido o ponto de partida para o projeto do musical.

Donna (Meryl) é a mãe e Sophie (Amanda Seyfried) a filha que não sabe quem é o pai e a partir de um diário perdido, decide convidar os três prováveis genitores para sua festa de casamento e assim tentar descobrir sua origem. Nada para ser levado muito a sério, se bem que as soluções do roteiro são até muito boas, e como os tempos mudaram, há espaço para sutilezas gay. Relaxe e aproveite esta grande diversão até o fim dos créditos. Não há contra-indicações.

Por: Carlos Henry.

MAMMA MIA!. 2008. Reino Unido. Direção: Phyllida Lloyd. Elenco: Meryl Streep, Pierce Brosnan, Amanda Seyfried, Colin Firth, Stellan Skarsgård, Julie Walters, Christine Baranski, Dominic Cooper. Gênero: Comédia, Musical, Romance. Duração: 108 minutos. Censura: 10 anos.

Prefiro o Barulho do Mar (Preferisco il Rumore del Mare)

Quando eu curto certas horas o som da solidão, não se preocupe não. Nem me procure uma cura. Sou íntimo do tempo. Ele se abre assim e manda algum fogo. Ou foco, para mim.” (‘Extravios’, Antônio Cícero)

Num resumo, eu diria que é a história de um jovem que curtia a solidão.A vida não lhe deixou muitas escolhas. Mas o que para muitos, o que acontecera a ele os tirariam dos seus nortes… para esse jovem não. E qual fora o fato? Não será um spoiler em lhes contar. Até porque o que o filme aborda é um período posterior. Ele perdeu a mãe, que fora assassinada, e tinha o pai na prisão. Sendo assim, ele ficara só.

Sem revoltas internas com as perdas, ele quis seguir em frente e sozinho. Trabalhar e continuar seus estudos sempre fora a sua meta. Claro que até por ser um bom moço, as pessoas queria ajudá-lo. E aí que tem início a sua provação. Mas mais em deixar que os outros percebessem que ele preferia ser só.

Vivendo na Calábria, o jovem Rosário (Michele Raso) se vê obrigado a ir para uma instituição que abriga jovens carentes. Tendo a frente dela, o padre Don Lorenzo. Boa praça, logo se afeiçoa a Rosário, até por ele ser muito religioso. Aliás, mesmo com o seu jeito quieto de ser, todos os outros jovens também afeiçoam a ele. Há um clima de amizade, afeto, calor humano dentro daquele Centro Comunitário. Rosário, talvez, continuaria por lá, trabalhando e estudando. Se não fosse…

Nessa sua nova morada, agora no Norte da Itália, o único que, inconscientemente a princípio, se rivaliza com Rosário, é quem o trouxe. Ele mora numa bela casa, é Luigi (Silvio Orlando). Fez isso, primeiro para atender um pedido da mãe. Por ela estar condoída pelo drama de Rosário, como também por ele ser um parente distante. Luigi visualizou nele, alguém para influenciar seu filho, Matteo (Paolo Cirio). Esse, tinha um comportamento oposto do outro. No fundo, um rebelde carente de afeto.

Há pessoas e pessoas. Enquanto que para Rosário a roda da vida não o tirou do seu eixo, o mesmo não acontecia com o Matteo. Dois jovens diferentes. Que viviam em mundos diferentes: um rico e o outro pobre. Um sabendo o que queria para a sua vida. O outro, por ter demais, não decidia que rumo tomaria; e quando enfim decide, faz a pior escolha. Mesmo assim, houve uma empatia entre os dois.

Mas Luigi interfere bruscamente naquele laço que surgia. Pois se em sua vida profissional e amorosa ele não mais detinha o controle da situação… Pelo menos com o filho ainda poderia exercer uma autoridade. Ou, manter a sua galinha dos ovos de ouro sob seu poder. Quem de fato era rico, era o sogro.

Luigi não gostava nada de suas raízes, seu norte, era o geográfico. Norte da Itália. Ter e manter um alto padrão de vida, sempre fora a sua meta. Um filho com a filha do todo poderoso viera a calhar.

Rosário, como bom observador e direto no falar… Fez Luigi ficar ainda mais incomodado. Era como se olhasse num espelho e visse o seu próprio ‘eu’. Ele não gostava do que estava vendo e sentindo. Até por ver que poderia perder tudo. Só não via que negligenciara o seu bem mais precioso e em afeto. Seu castelo estava ruindo… E Matteo colaborou… Para ter novamente o controle, Luigi termina exorcisando seus demônios em Rosário.

Por fim, Rosário mostrou a todos que poderia caminhar pelas próprias pernas. Sozinho. E ouvindo o barulho do mar em sua terra natal.

Um bom filme, mas que não me deixou com vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Prefiro o Barulho do Mar (Preferisco il Rumore del Mare). 2000. Itália. Direção: Mimmo Calopresti. Elenco: Silvio Orlando, Michele Raso, Paolo Cirio, Mimmo Calopresti. Gênero: Drama. Duração: 84 min. Classificação: 14 anos.

Um Amor para Recordar (A Walk to Remember)

Sou hóspede do tempo, da minha casa, das minhas palavras, das coisas que declaro minhas. Inquilina da vida que me foi dada, portanto, nada ficou na minha bagagem do velho brinquedo que já não ilude… não me ilude…” (Z. Duncan).

A sugestão para esse filme surgiu num dos fóruns (Orkut) que iniciei sobre o Bullying. Por ele ser um dos poucos a mostrar uma punição adequada a um jovem ‘rebelde’. Ministrada pelo Diretor da Escola. E apoiada pela mãe do rapaz. Além de fazê-lo suar a camisa em serviços de limpeza nas salas de aula, ele teria também que ensinar matéria a um grupo mais jovem. Além de participar de uma peça escolar. Essa última, à primeira vista nem parece ser uma punição. Acontece que alguns dos que praticam o bullying não gostam de estarem num palco, pois ali seria eles o motivo da zoação.

O filme já começa por mais uma das ‘provas’ estúpidas para que o recém chegado seja aceito pelo grupo. A insensatez é de ambos: quem escolhe como será a prova e quem arrisca a própria vida nisso. E por causa de que? De ser amigo de um desses? Tem algo errado nisso. A vida vale muito mais que isso.

Mesmo sem uma queixa formal por parte do jovem que se deu mal no tal desafio, mas aproveitando que outras reclamações chegaram, o Diretor (David Andrews) resolve agir. Great! Dizendo que já era hora de Carter (Shane West) conviver com outras pessoas. Outras, fora do seu grupinho. É onde o coloca para fazer o que já citei. Pedindo desculpas por esse spoiler, mas acontece que sem abordar o filme por esse lado ele passaria batido por muito. Seria deixado de lado até por educadores. E o filme merece ser passado nas escolas de ensino fundamental, e também ser debatido depois.

Por conta do filme trazer um romance entre dois jovens, as punições só recai em um do grupinho. Tanto que os outros do grupo continuam aprontando. Até com a jovem que desde sempre foi motivo de chacota deles. Mas ela, a Jamie (Mandy Moore), até então não se preocupava com o que os outros pensavam dela. Com a proximidade dela, Carter, muito mais que o castigo, ele nem se dar conta que começou a mudar. Agora, os amigos sim. E eles não gostaram. Por ele estar agindo diferente, o grupo foi mais fundo no ataque a Jamie. Por ela está fragilizada… até por estar gostando de Carter, dessa vez o golpe a alcançou. Era chegado a hora de Carter decidir: ficar com ela publicamente ou voltar ao grupo.

Num encontro casual entre os dois, ela pede que olhe pelo telescópio. Carter avista Saturno. Na Astrologia, Saturno é o Deus do Tempo. Jamie, priorizava o seu tempo. Mas Carter, até então só desperdiçava o seu tempo de vida. A partir dessa união, eles tinham que correr com o tempo. Pois o tempo não estava soprando a favor deles.

Enfim, um filme que não deve ser desperdiçado. E a trilha sonora é linda!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Amor para Recordar (A Walk to Remember). 2002. EUA. Direção: Adam Shankman. Elenco: Shane West, Mandy Moore, Peter Coyote, Daryl Hannah, David Andrews. Gênero: Drama, Romance. Duração: 102 minutos. Censura: Livre.

Conversas com Meu Jardineiro (Dialogue avec Mon Jardinier. 2007)

Suave como a brisa do amanhecer. É para mim a tradução da sensação ao ver esse filme. Da emoção ao ver o encontro desses dois personagens. Até por ela anunciar um novo dia. Um misto de um arrepio com a surpresa do que estar por vir.

Não, não foi um reencontro improvável entre essas duas pessoas: um pintor e um jardineiro. Por o primeiro ter voltado à casa onde passou a infância. Um lugar onde ambos freqüentaram a mesma escola.

Naquele tempo, a diferença de classe social não trouxera nenhum empecilho. Ali eram todos alunos. O pintor, continuou os seus estudos. O mesmo não ocorreu com o jardineiro. Pois após concluir o básico, parou. Por ter que trabalhar. Algo que ainda ocorre nos dias atuais, e no mundo real. No presente, o constrangimento inicial por ocuparem posições diferentes, vai aos poucos sendo quebrado. E através do jeito simples de ser do jardineiro.

Com o falecimento da mãe já há algum tempo, a casa ficara abandonada. Por querer um lugar para novas inspirações, assim como por ainda não ter digerido sua separação, mesmo já estando com namorada nova, ele decide passar um tempo por lá. E para não perder tempo com a reforma na casa, começa a contratar vários profissionais. Sem esquecer de um para o jardim, que era o xodó de sua mãe. Quem se apresenta para essa função é então seu antigo amiguinho de escola.

Eu fiz uma descoberta estranha. Toda vez que converso com um sábio tenho a certeza de que a felicidade não é possível. Já quando converso com o meu jardineiro, fico convencido do contrário“. (Bertrand Russell)

O encontro, mais que um reencontro, desses dois, já homens feitos, nos levará a uma belíssima história de amizade. Entre duas pessoas tão diferentes, mas com algo em comum – sensibilidade e talento naquilo que sabem fazer. E sobretudo, respeito a aquilo que não sabem.

Um é muito bom com os pincéis, e o outro com as plantas. Eles até decidem se chamarem por: DoPincel (Daniel Auteuil) e DoJardim (Jean-Pierre Darroussin). Esses dois fizeram uma dobradinha ótima. Mérito também de quem os escolheu.

É uma história que daria para discorrer bastante. Pois a cada descoberta de um na vida do outro, somos levados a refletir. Principalmente no tempo que damos ao tempo que ainda temos em vida. Como também em não acumular tralhas. Em ter em mãos aquilo que leva ao prazer, e não ao desconforto. Ou, por não ter coisa apenas para se exibir. Vale lembrar, que ambos já estão numa meia-idade. Que não são mais dois garotinhos.

O DoJardim tem um jeito prático de ser que é admirável. Levando sem querer o DoPincel a saber priorizar a sua vida também. E ele então usa seu dinheiro e prestígio para umas boas causas. Uma delas, em arrumar um emprego para um genro do outro. Uma outra… Bem essa deixo para que vejam.

Em suas vidas de casados… DoJardim ainda está no primeiro casamento. Ama e respeita sua esposa. Além de ter uma relação divertida com os genros. Já DoPincel não aceitou ao basta que levou da mulher; agora ‘ex’. E gostou menos ainda de saber que a filha quem deu força e apoio a mãe nessa separação.

Bem, melhor parar para não correr o risco de lhes tirar a surpresa. Embora o filme é de querer rever outras vezes. Além de acompanhar com os olhos brilhando. Há momentos engraçadíssimos. Como também outros onde será difícil segurar as lágrimas. As minhas desceram livres. Filmaço! Nota máxima geral.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Conversas com Meu Jardineiro (Dialogue avec Mon Jardinier). 2007. França. Direção e Roteiro: Jean Becker. Elenco: Daniel Auteuil, Jean-Pierre Darroussin. Gênero: Comédia. Duração: 109 minutos.

MALENA (MALÈNA. 2000)

Antes de assistir a esse filme, já tinha boas referências de seu diretor, o cineasta italiano Giuseppe Tornatore, que dirigiu o belo ‘Cinema Paradiso‘, um diretor que gosta de tocar as mais remotas emoções do público. Foi aí que cheguei à Malena.

Ambientado num vilarejo na Itália dos anos 40, um menino, em plena juventude, descobre os encantos e a beleza da jovem Malena, uma nova moradora da região, interpretada pela lindíssima atriz Monica Belucci. Tornatore nos remete aos desejos e devaneios de Renato, o garoto que vê em Malena uma mulher única e deslumbrante, que desperta os olhares dos homens do vilarejo e a inveja das mulheres casadas.

Muito interessante a questão da sexualidade proposta pelo diretor. Vemos um menino que busca sua auto-afirmação como homem, e suas fantasias e suas emoções de um garoto, que o fazem seguir sua “amada” por todos os lugares que ela vá.

Outro tema abordado é a questão da prostituição. Malena, após a suposta morte do marido no front de batalha na 2º Guerra Mundial, ela se vê sozinha e sem recursos para se manter, e se vê a aceitar comida em troca de favores sexuais aos oficiais nazistas (fazendo uma contundente alusão ao governo italiano que se alia aos alemães).

A sua “punição” e seu auge são os pontos máximos do filme, onde Tornatore nos inunda com todo o drama de sua personagem, e depois nos revela a imponência de uma mulher que dá o ar da graça de sua redenção.

Enfim, vale a pena conferir. Um filme com uma belíssima trilha sonora e belas imagens da Itália. Um filme que nos mostra até que ponto chega a questão do preconceito, da inveja, e dos pudores sexuais da época, além de uma bela e envolvente paixão platônica…

Por: Junior Silva. Do Blog: Caixa do Junior.

MALENA (MALÈNA). 2000. Itália. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana, Pietro Notarianni, Gaetano Aronica. Gênero: Comédia, Drama, Romance, Guerra. Duração: 92 minutos.