No Vale das Sombras (In the Valley of Elah. 2007)

Programados para matar.

Guerra após guerra será sempre assim: em mais que dar aos jovens licença para matar, os fazem não mais raciocinar? Programando-os para matar, mas sem nem se preocuparem em desprogramá-los. O Vietnã não serviu de lição? E mais! Permitindo até que se dopem e se embriaguem para que aceitem a insensatez da guerra? Dos que lucram com as guerras?

Ainda há uma maneira de contar a história da invasão dos Estados Unidos ao Iraque e suas conseqüências. O Diretor Paul Haggis já expusera as mazelas do preconceito aos imigrantes ‘não-branquinhos‘ em solo estadunidense com o filme “Crash – No Limite“. Com esse, “No Vale das Sombras“, o preconceito vem em dose exagerada. E pior! Porque veem na tortura, no assassinato… e com um requinte de crueldade… como algo normal. A ponto de não entenderem o porque do choque de alguns, diante dessas atrocidades. Agora, e a família, os pais, não sabem no que eles irão se tornar? Não ouvem nem um apelo choroso para os livrarem desse inferno? Como também!

Transformando-os em assassinos cruéis realmente estariam honrando as cores da bandeira? Ou não seriam apenas peças descartáveis para um seleto grupo?

Entrando no filme… Hank (Tommy Lee Jones) não entende o porque do filho ter voltado do Iraque e nem dera um sinal. Se quando esteve por lá, sempre se comunicava. Então ao ligar para o Quartel descobre que ele está desaparecido. E que será punido caso não volte a Base. Ciente do quanto o filho é cumpridor do dever, dos horários, ele pressente que algo pode ter acontecido.

Sendo um militar aposentado resolve ir para lá e investigar o sumiço do filho. Impede a esposa (Susan Sarandon) de acompanhá-lo, dizendo que o filho pode estar com mulheres, farreando, e por conta disso não iria querer ver a mãe indo procurá-lo. Algo bem machista, e não será o único.

Bem, o filme é calcado nesse pai que até incentivou os dois filhos a seguirem a carreira militar. Perdera o mais velho, e se vendo diante da iminente perda do caçula. Sendo assim o papel dessa mãe foi até pequeno para uma atriz do porte da Susan Sarandon, mas suas poucas aparições foram por demais eloquentes. Uma mulher como tantas dona-de-casa submissa ao marido. Que sabia que os filhos também não teriam vida própria. Que eles também seriam e foram submissos a esse pai.

No Quartel pede para ver o quarto do filho e é acompanhado por alguns companheiros do filhos. No quarto, sem que ninguém visse ele pega a câmera digital do filho, até porque ele sempre lhe mandava fotos por email. Descobrindo também que há vários trechos de filmagens que o filho fez enquanto esteve na guerra. Mas por estarem meio danificados, um técnico diz que enviará aos poucos, conforme for limpando.

O que esses vídeos mostram todos nós já tomamos conhecimento pelas reportagens no mundo real. Só para ressaltar o filme é inspirado numa história real. Mesmo assim, a mim chocou. Ainda mais com o que vamos sabendo do que se passa ali dentro e fora do quartel. Pela selvageria com que tratam um outro ser humano. Dizer que eles não têm respeito a outro ser humano, seria até um elogio.

Como Hank não recebe nenhuma ajuda da Base Militar, resolve ir a Polícia. Na sala enquanto aguarda presencia uns tiras fazendo chacota com uma companheira de trabalho deles. Tipicamente machista. Ela é a Detetive Emily (Charlize Theron). Eles encaminham para ela todas as queixas que julgam mais banais numa de desqualificar seu apuro nas investigações. Hank a pega quase à beira de um ataque de nervos, o que a faz não explicar bem a uma jovem que viera reclamar do marido: ele, um soldado, afogou o cachorro na frente do filho… Emily não tem noção ainda de que esses jovens voltaram da guerra sem serem “desprogramados”…

Hank conta o seu caso. Ela lhe diz que não tem como investigar por conta dos militares. Algumas horas depois um corpo é achado. Fora esquartejado e queimado. Ela então avisa a Hank… Na cena do crime Hank com muito mais experiência da a ela informações que tanto os tiras, como os militares não perceberam. Pistas estas que faz com que ela comece a impor respeito a seu próprio trabalho pelos demais colegas da Polícia.

Há um câncer no mundo que precisa ser tratado antes que dizime os habitantes do planeta. Quem seria o Davi para enfrentar esse Golias?

O filme começa mansinho, a tensão vai aparecendo aos poucos. Na meia hora final confesso que fiquei estarrecida. Ainda mais sabendo que traz uma história real. Não liguem o reloginho para saber quem matou, se liguem no todo. Com os vídeos que Hank assiste ao longo dessa sua jornada. Com as outras peças desse quebra-cabeça que vai sendo completado… Eu gostei muito! Esse entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

No Vale das Sombras (In the Valley of Elah). 2007. EUA. Direção e Roteiro: Paul Haggis. Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Susan Sarandon, James Franco, Barry Corbin, Josh Brolin, Frances Fisher. Gênero: Drama, Crime, Guerra. Duração: 124 minutos.


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