Blade Runner – O Caçador de Andróides (Blade Runner)

Em 84 meu melhor amigo comprou um vídeo K7, chamou-me para escolher uma fita. Pedi Blade Runner. Mas que filme é esse? Assista e verá. Primeiro porque é inclassificável. Drama? Suspense? Science Fiction? Ação? Noir? É tudo e ao mesmo tempo nada. Sacou?

Estamos em uma soturna Los Angeles de 2019, megacidade. Dominada pelos orientais na linguagem e tecnologia, os estratos sociais estão amontoados, de baixo para cima. Chove. Estamos à procura dos replicantes. Andróides rebeldes, criados para missões especiais em colônias interplanetárias. Baseado no “Andróides sonham com carneiros elétricos?” do mesmo autor de “Minority Report” que o Spielberg estragou e o Tom Cruise só maquiou.

Feito um questionário para identificar esses seres superiores no físico e no intelecto humanos. Eles são desprovidos de emoção. Avaliam as reações da pupila com as perguntas. Que habitualmente são coloquiais e depois é inserido um fator diferente. Deckart é o melhor caçador. Homem desiludido. Tem que encontrar 06. Três casais.

Daí em diante o roteiro é incrível. Cada personagem é mais fascinante do que o outro. As mulheres simbolizam arquétipos femininos. A boneca, a lutadora e a dona-de-casa. Daryl Hannah em breve aparição está linda fazendo “palhacinho”, aquele salto para trás da capoeira. A mulher fatal carrega uma cobra no pescoço, quer algo mais fálico? E Sean Young simplesmente maravilhosa com o penteado do século XIX, idêntico a minha bisavó Otávia… Sua interpretação é poética. Ela não sabe que é uma máquina e a cada momento torna-se mais humana… Teria ela prazo de validade, como todos nós?

Adoro a cena da esper-machine. Artefato que decompõe uma foto ao comando vocal. Gira os ângulos, aumenta diminui, foca e imprime. Enorme surpresa quando identifico dois quadros de pintores, Vermeer e Van Eyck. Que show! O caçador, vivido pelo homem-bilheteria Harrison Ford (dos dez filmes mais vistos ele está em seis…) vai matando, eliminando, ou melhor; aposentando um-a-um. Fuzila a esvoaçante dançarina, é ajudado por Rachel –a parceira- em detonar o brutal e vê de encontro com o mais perfeito deles.

Antes de avaliar o desfecho deslumbrante, seria Deckart o último replicante? Seriam suas memórias falsas, implantes daquele policial mexicano, com cara de chinês e olhos verdes? Exemplo mais multirracial que esse, impossível! Os origamis –dobraduras de papel- representariam a vida real, no chão, depois o homem e a missão e por último o sonho? Respectivamente a galinha, o macaco e o unicórnio.

Ouvindo uma trilha sonora de arrepiar e emocionar o mais duro dos homens, Rutger Hauer persegue uivando Deckart. Ele sabe que é o seu canto de cisne. Enquanto o policial tropeça, machuca e se borra todo, o loirão é soberbo. Seu salto é olímpico. E o gesto de salvação e a pomba voando é como lágrima na chuva. Mistura de emoções. Vangelis, o músico grego, ao fundo. Sugiro fazer amor , ouvindo o CD inteiro, com chuva lá fora e vinho dentro.

Quem somos além de nossas memórias e vivências? Humanos, falhos e maravilhosos.

O que há de bom: enredo profundo e atores perfeitos nos papéis, difícil escolher a melhor atuação.
O que há de ruim: existem duas versões, a de 82 do público e a de 90 do diretor, para DVD, são diferentes no final, obrigatório assistir ambas.
O que prestar atenção: se você se encontrasse com o seu criador, o que faria?
A cena do filme: existe algo mais nobre e humano do que salvar a vida do inimigo?
Cotação: filme excelente (@@@@@) imperdível.

Por: COBRA.  Do Blog  ‘C.O.B.R.A.

Blade Runner – O Caçador de Andróides (Blade Runner). 1982. EUA. Direção: Ridley Scott. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Daryl Hannah, Edward James Olmos, Joel Turkel, M. Emmet Walsh, William Sanderson, Kevin Thompson, Brion James, Joanna Cassady, James Hong. Gênero: Ação, Drama, Romance, Sci-Fi, Thriller.  Duração: 118 minutos. Baseado no livro “Do androids dream of eletric sheep?” de Philip K. Dirk.