ROMANCE

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Romance é uma surpresa. Delicado,inteligente, bem humorado, instrutivo. Discute o amor, a paixão que podemos ter por uma pessoa, pela arte. Recheado de ótimos diálogos de lindas cenas de amor, até me vi satisfeita por ver Andréa Beltrão diferente das personagens que ela sempre interpreta de maneira, que a mim ficam parecendo tão iguais. Há diálogos no filme que tive vontade de escrever, decorar para não perder de vista. Há coisas do velho Shakespeare tão frescas! E ainda a informação que todos os romances trágicos nasceram de Tristão e Isolda, a partir do século XII e que o beijo final do início dos romances com a felicidade eterna que ninguém vê, começaram no século XVII.

Como fã de cinema brasileiro, claro que vai parecer suspeito, como originária da geração barzinho com violão e papo cabeça, encontro temas e mais temas para discussões e risadas. A verdade é que, não vou ao cinema para não gostar mas nesse filme não precisei fazer o menor esforço.

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Discussões batidas como diferença entre amor e paixão, discussões profissionais entre a romantização do teatro e a pasteurização da TV que se dá o direito de mudar finais de clássicos e decidir o que o público realmente gosta de ver.

Wagner Moura interpreta o inteligente e idealista Pedro, que como tempero leva uma certa dose de ciúme. O cardápio de questões é bem extenso. Um amor recíproco pode ser infeliz? A paixão tem duração pré-definida? Até que ponto podemos nos apaixonar pelo que vemos e não pelo que o outro é? As histórias precisam ter sempre um final feliz? Uma obra precisa apresentar coerência? O ator tem que escolher ser de teatro ou TV e é possível fazer os dois ao mesmo tempo? Como lidar com o parceiro que se torna bem sucedido ao escolher o caminho que decididamente não queremos trilhar?

O público que busca a ficção, afinal, quer morrer de rir ou debulhar-se em lágrimas? Letícia Sabatella envelhecerá algum dia?

Quanto tempo de projeção um monstro como Marco Nanini precisa para roubar a cena? É impagável seu aparecimento na trama e sua entrada numa das ficções dentro desta ficção. Chega a ser hilária a nuance de José Wilker interpretando “deus”. Nada difícil, associarmos alguns personagens com pessoas que conhecemos de tanto que vemos nas revistas de celebridades…

Ao fim de tudo somos brindados com várias versões de Tristão e Isolda, com finais diversos. Considerei um brinde as cenas de nus, em se tratando de romance, sexo é sempre bem-vindo, sorrisos e risadas também!

Romance é um filme sobre romances e amores e nossas reações diante das contraditórias situações nas quais os sentimentos nos envolvem.

Finalmente um filme que uma vez em DVD eu veria muito mais de uma vez.

Por: Rozzi Brasil. Blog: Exoticum.

ROMANCE. 2008. Brasil. Direção e Roteiro: Guel Arraes. Elenco: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Andréa Beltrão, José Wilker, Bruno Garcia, Tonico Pereira, Vladimir Brichta, Edmilson Barros, Marco Nanini. Gênero: Drama, Romance. Duração: 100 minutos.

Entre Lençóis

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LENÇÓIS DEMAIS.

O ator Reynaldo Gianecchini causou o frisson esperado na pré-estréia do filme: “Entre Lençóis” de Gustavo Neto Rosa quando apareceu pouco antes da gigantesca tela se erguer majestosamente no Jockey Club da Gávea. Pouco a pouco a platéia no evento Clarocine percebeu que era mais interessante observar os testes da sempre deslumbrante árvore de natal da Lagoa ao longe do que prestar atenção na frustrada tentativa de repetir o êxito do ótimo chileno: “Na Cama“.

O filme é asséptico demais para um roteiro que reúne um casal desconhecido num quarto de hotel para tórridos (?) momentos de amor. Neste caso, há muito que se aprender com o cinema francês que não teme mostrar tudo que a excitação pode provocar para criar cenas convincentes de sexo. Não há sofreguidão, secreções, pêlos, gemidos e ereções. Afinal o tema é o sexo, não?

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Reconheço que não é fácil equilibrar este assunto sem descambar para o pornográfico vulgar, mas o suor só aparece na seqüência da sauna e as poses demasiadamente planejadas nem sequer são originais – Há um enquadramento que imita “O Último Tango” onde não justificaria uma suposta homenagem àquele clássico.

Paola Oliveira consegue a façanha de ser ainda menos natural do que seu parceiro e para completar, tudo é embrulhado numa trilha sonora constrangedora e uma montagem amadora dignas de novela mexicana.

Faltaram ousadia e talento e sobraram músculos malhados, beleza e lençóis. Não dá para fazer um bom filme só com isso.

Por: Carlos Henry.

Entre Lençóis. 2008. Brasil. Direção: Gustavo Neto Rosa. Elenco: Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira. Gênero: Romance. Duração: 88 minutos.

A Noviça Rebelde (The Sound of Music)

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A NOVIÇA REBELDE – O FILME E O MUSICAL

Havia lágrimas no final do espetáculo “A Noviça Rebelde” (The Sound of Music) de Charles Möeller & Claudio Botelho, tanto na platéia como parte do elenco. Não é para menos. A dupla sabe como fazer emocionar e se cerca do melhor em termos de produção e elenco. Ester Elias está perfeita na pele da noviça Maria Reiner transmitindo todo o vigor e alegria de viver da personagem que foi baseada em estória real publicada em 1949 e transformada num dos filmes mais famosos já feitos.

A verdadeira Maria Von Trapp não era tão doce quanto na arte e seus filhos não estão milionários porque ela vendeu os direitos do livro bem baratinho. Ela, que morreu nos anos 80, exigiu uma participação no filme, mas ganhou apenas uma breve aparição como figurante passante. No set, sua figura dominadora não era muito bem vinda, mas ela estava sempre por lá dando palpites que eram quase sempre ignorados.

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Mas todo o glamour que se vê na tela é impossível de ser arranhado mesmo quando se sabe que Julie Andrews comeu muita lama e grama ao cair repetidamente tentando fazer a deslumbrante abertura rodopiando nos Alpes, mas sendo derrubada pelo helicóptero que filmava; ou quando Charmian Carr (Liesl) dança com o tornozelo machucado e enfaixado com o carteiro. Na versão atual, não dá para ver a atadura por conta dos milagres da tecnologia digital. Para completar, Christopher Plummer, o ator que faz o barão, detestava de verdade crianças e animais em cena, o que deve ter contribuído para o realismo das seqüências pai/filhos. Mas os pequenos atores eram terríveis mesmo. Aprontavam horrores no set e nos hotéis da Áustria. Vivem até hoje, mas ninguém ficou famoso. Os verdadeiros filhos de Maria fizeram bastante sucesso cantando nos EUA.

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Diria que a adaptação para os palcos brasileiros ainda é melhor do que a obra de Robert Wise porque seus personagens têm mais profundidade, as ações mais fluentes e bem resolvidas e as músicas mais bonitas e bem cantadas, além de um toque nacional que é sempre bem vindo. Faltam as belas locações de Salzburgo que não cabem no teatro, mas os cenários suntuosos e detalhistas compensam com direito a montanhas e céus com nuvens que se movem e tudo. É de tirar o fôlego e não fica a dever com as grandes produções do mundo. Soluções simples como a animação projetada sugerem com exatidão ilusões que vão de uma simples e rápida viagem de ônibus até outra ao redor do mundo.

As canções mais conhecidas não foram suprimidas. “O Som da Música”, “Dó-Ré-Mi”, “So-Long, Adeus”, “O pastorzinho” (The Lonely Goatherd) e “Sobe a Montanha” mantiveram o encanto e o significado mesmo traduzidas para o português. Questão de muita habilidade de quem lidou com as letras.

É reconfortante ver o teatro Casa Grande funcionando de novo com um espetáculo tão perfeito. Faz muito bem assistir. Inesquecível e brilhante.

Por: Carlos Henry.

A Noviça Rebelde (The Sound of Music). EUA. 1965. Direção:  Robert Wise. Elenco: Julie Andrews (Maria), Christopher Plummer (Capitão Von Trapp), Eleanor Parker (Baronesa Schraeder), Richard Haydn, Peggy Wood. Gênero: Biografia, Drama, Musical. Duração: 172 minutos.

Curiosidade: Fotos dos atores que interpretaram os filhos do Barão. Durante o filme, e 40 anos depois.

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ)

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SACRIFÍCIO E REDENÇÃO EM “A PAIXÃO DE CRISTO”.

Quando “A Paixão de Cristo” estreou nos EUA, ouvimos muito sobre o grau de violência da fita. No maior país católico do mundo, isso seria uma propaganda negativa. Ao estrear o filme em terras brasileiras, instaurou-se a mesma polêmica, levando porém milhares de pessoas às salas de cinema e perguntando-se: por quê tanta violência no filme?

O catolicismo exacerbado de Mel Gibson levou-o a uma visão muito particular sobre a questão do sacrifício enquanto caminho para a redenção. Em seu filme “Coração Valente”, o protagonista William Wallace, também vivido por Gibson, sofre uma violência similar, digna de Jesus. Wallace chega a ser esticado pelos braços por cordas, adotando a posição de um crucificado. Não é de estranhar, portanto, que Gibson tenha filmado as últimas horas de Jesus com tal intensidade. Sua obra anterior dava as pistas deste projeto.

Passada a polêmica inicial, podemos pensar em tudo o que causou-a. Por menos religiosa que uma pessoa diga ser, a formação moral na maioria das famílias brasileiras passa pela educação cristã, seja católica ou protestante, em suas várias ramificações. A figura de Jesus está impregnada no imaginário coletivo. Por isso, discutiu-se muito sobre religião e muito pouco sobre as qualidades do filme em si. Ouviu-se muitas vezes a frase “Não vi e não gostei”. Um terapeuta ligado a cinema chegou a dizê-la, o que mostra a força de valores religiosos em um profissional que deveria, no mínimo, ter uma visão mais abrangente e imparcial sobre o tema.

passion-of-the-christ-01O que nos leva a tal identificação extrema, seja ela positiva – “Vou conferir se a violência é tão grande assim” – ou negativa – a já citada “Não vi e não gostei”? Uma certa fixação pela crucificação aponta para um recalcado sentimento masoquista, onde o sofrimento alheio exerce um atrativo a quem assiste. Pouco falou-se em relação à sutil e belíssima cena final do filme, quando da ressurreição de Jesus; a celeuma girou toda em torno da violência e da morte do Cristo.

O conceito freudiano de pulsão de morte, representada aqui pela crença neste sacrifício que salva e redime, instaura-se, assim, na origem da formação de nosso psiquismo durante a apreensão dos primeiros valores morais e religiosos. Um ponto a ser discutido e revisto na educação infantil, cujas conseqüências não podemos medir.

Por: Eduardo S. de Carvalho.

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ). 2004. EUA. Direção e Roteiro: Mel Gibson.  Elenco: James Caviezel, Maia Morgenstern, Monica Bellucci, Hristo Jivkov, Hristo Shopov, Rosalinda Celentano. Gênero: Drama. Duração: 126 minutos.

Quebra de Confiança (Breach)

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Os EUA podem ser comparados a uma criança forte, mas atrasada. Potencialmente perigosa, mas jovem, imatura e facilmente manipulável.

O filme é inspirado em fatos reais. Isso já é grande incentivo para que eu o assista. Esse ainda teve mais um fator: envolve espionagem e dentro do FBI. Acontece que já de início, ficamos ciente de quem é – Robert Hanssen (Chris Cooper) -, e de que o prenderam. Depois volta para onde começaria mais uma tentativa de pegá-lo. Para isso convocam um jovem aspirante – Eric ONeill (Ryan Phillippe).

Se pensam que essa caçada não traz novidade, eu digo que sim. E que está no desfecho do filme. Mas também toda a investigação. Eric a princípio não recebe todas as informações desse caso. Com isso, com o passar dos dias ao lado de seu novo Chefe, Hanssen, fica dividido. Não acreditando muito que aquele santo homem, é tudo aquilo o que contaram. Além de espião, ele filma suas transas e a trafica. Mais tarde, Eric conhecerá quem também está nas fitas.

Mesmo tendo alcançado seu sonho, em ser um agente, e pela importância do caso torna-se um top de linha, mesmo assim, ainda não acredita que errou tanto no julgamento de uma pessoa. É então que sua verdadeira Chefe, Kate Burroughs (Laura Linney), abre todo o jogo. Além dos arquivos, lhe mostra toda a equipe que está trabalhando nisso já alguns anos. Mas antes, sem saber quem era o verdadeiro espião. As suspeitas eram que ele começou a espiar para os russos antes dos anos 90; a história do filme ocorre em 2001.

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Ele foi mais esperto do que nós todos. Na verdade, essa parte eu até aguento. A idéia de que toda a minha carreira foi uma perda de tempo, essa é a parte que odeio. Tudo o que fiz desde que cheguei a este escritório, tudo o que nos fazíamos, ele desfazia. Mais valia termos ficado em casa.”

Eric entende que tem que dar crédito a sua voz da razão. Embora tendo se afeiçoado ao Hanssen. Prossegue então. E na de que já tendo ficado íntimo dele, tentar descobrir pistas que os levem a provas contundentes. Das quais ele não terá defesa… Hanssen, mesmo também tendo se afeiçoado a Eric, o testa a cada instante. Mas será essa afeição, que dará um pequeno acesso para que Eric o pegue.

Se eu fosse definir esse filme, eu diria que ele aborda a profissão de fé de cada um. Mesmo achando que a que exerce é a tão sonhada, é a que habita na alma a verdadeira profissão. Hanssen mesmo que tenha iniciado tudo por se sentir menor… o seu lado vilão falou mais alto. Chega a ser repugnante como castigou alguém que só lhe quis o bem. E quanto a Eric, qual seria a sua profissão de fé? Com toda essa história, ele descobre a sua.

O filme é muito bom, dentro daquilo que veio mostrar. Eu recomendo. Mas não me deixou uma vontade em rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebra de Confiança (Breach). 2007. EUA. Direção: Billy Ray. Elenco: Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennis Haysbert, Kathleen Quinlan. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 110 minutos. Censura: 12 anos.

Linha de Passe. 2008

Por: Giovanni COBRA.
linha-de-passe-01Existe uma ou mais maneiras de ascensão social para o pobre além do casamento, a herança ou o esporte? A figura masculina paterna é tão vital que na sua ausência os limites estão abertos? A mulher trabalhadora não tem o direito de ter sua vida particular, íntima, suas necessidades e vontades? Filmar fatos reais não intervém com a visão cor de rosa da sociedade?

São Paulo – periferia é o cenário. Antenas, asfalto, mãos. Umas gritam pelo time e outras por Deus. Futebol e religião se discutem.

linha-de-passe1Walter Salles nos apresenta Cleuza, uma dona de casa exemplar, mãe de quatro filhos, trabalhadeira e grávida do quinto. Não tem companheiro algum. Fuma, toma cervejinha, torce pelo Timão e ama os filhos. Ela é absolutamente normal. Igual a milhares no ponto de ônibus pela manhã bem cedo.

O primeiro filho é craque, mas não consegue passar nas “peneiras”, falta um toque. Seja dinheiro ou sorte; ou ambos. O segundo é frentista e religioso. Um devoto fiel. Mas bate punheta como todo mundo e dá porrada se necessário for. O terceiro é motoboy. Já é pai. Irá ele perpetuar o abandono que sofreu? Utilizando da mãe do seu filho apenas para coitos rápidos e perigosos como sua moto? O quarto é um menino. É negro, os outros não. É o mais esperto, bem articulado, mas sente o falta do pai como uma lacuna idêntica ao compressor dos ônibus que tanto ama. Tem um buraco no coração.

O filme é uma colcha de retalhos bem alinhavada. Cada momento é de um filho. E a câmera aproveita para mostrar a cara desses atores. Suada, cheia de espinhas, cabeludos, desarrumados, despenteados, dentes falhos. Além do vestuário gasto, lembre bem da chuteira (tanto como ele amarra, como quando ele ganha uma e ainda pergunta se a mãe do riquinho não vai ligar…).

A marginalidade é um pequeno passo para todos os quatro. Ela circunda-os.

Talvez o motoboy seja o mais exposto. E ele sucumbe. Cenas de moto espetaculares e o tombo idem. Quem já caiu, sabe. Os fatos vão se superpondo de maneira mais rápida, e até iminência do parto. Tenho a vívida impressão de que não iria acabar bem. Mas o diretor é muito hábil. Deixa tudo em aberto, as possibilidade, a segunda chance.

E o final é como o grito da torcida. Antes de tudo, um desabafo.

O que há de bom: utilizar o futebol como uma das âncoras da narrativa, mas sem ser demasiadamente forçado.
O que há de ruim: ninguém estuda, ninguém vê o conhecimento como possibilidade de crescimento.
O que prestar atenção: o ralo desentope, o menino tem sua oportunidade, o pastor recolhe a ovelha perdida, o neném vai nascer, há uma esperança…
A cena do filme: ela sentada, espremendo, sozinha… quantas já não se sentiram assim?

Cotação: filme ótimo (@@@@)

Por:  Giovanni Cobretti – COBRA.   Blog do C.O.B.R.A.

Linha de Passe. 2008. Brasil. Direção: Walter Salles, Daniela Thomas. Elenco: João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Sandra Corveloni, Ana Carolina Dias. Gênero: Drama. Duração: 108 minutos.

Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York)

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Antes… a história do filme: “O diretor teatral Caden Cotard está à beira do caos. Sua esposa Adele o abandona e vai para Berlim levando a filha deles. Sua terapeuta não o ouve e seu caso com a bela Hazel não dura muito. Pra piorar, ele começa a sofrer de uma misteriosa doença no sistema nervoso que debilita o funcionamento do corpo. Temendo uma morte prematura, Caden muda-se com sua companhia de teatro para um velho armazém e desenvolve uma peça para celebrar a banalidade do cotidiano. Quanto mais mergulha na obra, mais ele compreende o sentido de sua existência.

A estréia de Charlie Kaufman na direção sugeria que ele elevaria a maiores potências seu gosto pelo incomum. O que não poderíamos prever é que ela criaria uma obra-prima instantânea, tão repleta de significados, fúria, solidão, complexidade, dor, perdão, paixão, poesia e tanto amor. Esses termos podem parecer clichê, palavras gastas, mas cada um deve ser entendido na acepção real da palavra.

Dissecando a vida e a arte de Caden Cotard, Kaufman fala de si, de todos os artistas, de todos nós, da vida no cinema e fora dele. Fala de uma intrincada e ao mesmo tempo simples rede de relações, medos, frustrações, descaminhos, devoções e sentimentos conflituosos chamada vida.

Como o título sugere, há um forte jogo metalingüístico. Obviamente, isso vai assustar e deixar ao léu o espectador médio. Contudo, quem decidir entrar no universo proposto, vai conhecer um dos mais significativos filmes recentes, daqueles que vão dividir muitos hoje, mas que, provavelmente, em poucos anos, será unanimidade absoluta.

Podemos fazer relações com muitos filmes, pelo teor e conteúdo: “8 ½” , de Fellini, “Magnolia”, de Anderson, “2001”, de Kubrick. E com vários filmes que falam de vida, do universo e do homem de forma tão pessoal, que trate de um microcosmos para falar do universo todo, que consiga reunir tanta disparidade e diferença e tornar isso algo coeso e verdadeiro.

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O elenco estupendo embarca nessa jornada e abrilhanta cada cena de forma magistral. Inclusive sabendo aceitar pequenas participações – como nos filmes do Mestre Allen – cientes de que o importante é o todo, e não uma parte. Citar alguns seria injusto, mas de certa forma o filme faz isso. Philip Seymour Hoffman, estupendo, tem um desempenho que vale uma carreira, daqueles que será lembrados por anos. Samantha Morton, ótima atriz, tem o segundo papel do filme, e se desimcumbe dele muito bem. Dianne Wiest, maravilhosa! maravilhosa! maravilhosa!, com um pequeno mas fundamental personagem, que traz mais humanidade ainda ao filme, mostra o que uma grande atriz pode fazer.

Como é da natureza humana espera por algum reconhecimento, o filme, a direção e o roteiro de Kaufman, as performances de Hoffman, Morton e Weist e a direção de arte merecem e devem ser indicados para o Oscar e todos os outros prêmios da Temporada. Muito mais deveria vir, mas isso seria o obrigatório.

Kaufman atinge sua maturidade artística. Nunca fez nada tão bom. Conduzindo tudo de seu modo, rende seu melhor momento até aqui. Prova que é muito mais que cool: é bom. Fez algo grande. Que transcende gosto particular e estilo e trata de algo muito mais amplo e comum: essa grande jornada chamada vida. Fez uma instantânea e muito particular obra-prima!

É duro ver uma tradução tosca de “New York” para “Nova Iorque”. Muito duro! Isso não se traduz… Mas como os tacanhos e tontos decidiram lançar o filme assim e como vale o título oficial brasileiro… Haja paciência para mentalidades atrasadas e provincianas!

E ainda para ser mais belo, no início tem uma montagem de “A Morte do Caixeiro Viajante”, uma das obras-primas teatrais do século, do grande Miller.

Por: Fábio Dantas.

Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Charlie Kaufman. Elenco: Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Dianne West, Michelle Williams, Catherine Keener, Sadie Goldstein, Tom Noonan, Peter Friedman.. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 124 minutos.

DOGVILLE

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Aviso: O texto a seguir contém spoilers. Se ainda não viu esse filme, e queira não perder as surpresas, já que se trata de um thriller, seria melhor deixar para ler após assistir.

CRUELDADE E HIPOCRISIA: UMA VISÃO ANALÍTICA SOBRE “DOGVILLE”.

Dogville” é mais do que uma fábula anti-americana. Ao criticar a hipocrisia típica do povo norte-americano, o diretor dinamarquês Lars von Trier desmascara a crueldade existente em todo e qualquer ser humano. Se em “Dançando no Escuro”, seu filme anterior, von Trier se vale dos conceitos freudianos de princípio de prazer e princípio de realidade para mostrar uma vida real insuportável para sua protagonista – e que é engolida por esta realidade –, “Dogville” é ainda mais massacrante. Seus únicos elementos que remetem à fantasia são os ruídos de portas inexistentes se abrindo, um cão que late mas que não está lá.  A secura minimalista do cenário é ainda maior do que em muitas montagens teatrais, o que nos aproxima ainda mais de uma estranha impressão: isto não é entretenimento. Parece muito uma sessão de terapia em grupo – sinto que o cinema se presta muito bem a isto, cada vez mais –, onde vemos nossas próprias mazelas estampadas na tela.

dogville-mapaA protagonista, Grace, surge como vítima, assim como a Selma de “Dançando no Escuro”. O nome da personagem, “Graça”, pode soar com um tom católico, mas não tenho a menor noção das convicções religiosas do diretor. O fato é que, depois de todo o tipo de humilhação a que é submetida ao longo da fita, Grace torna-se tão cruel quanto seus algozes. Não poupa nenhum ser humano, nem mesmo uma criança, uma vez que é uma criança que deflagra toda a crueldade dos habitantes. Violência gera violência; isto é e sempre será natural no ser humano. Isto é que torna Grace mais humana e retira a cruz  (= coleira ?) de mártir religiosa que carregou durante toda a projeção do filme.

Enquanto hipócrita, o maior personagem da fita parece ser Tom. Sua psicologia remete ao sujeito que utiliza a intelectualidade para fugir de suas emoções, desconhecendo a si mesmo (vocês conhecem alguém assim?). Sutilmente, ele vai manipulando as reações dos habitantes da cidadezinha a seu bel prazer, sempre com a máscara da ética e da virtude. Quando Grace faz Tom enxergar a si mesmo, ele decide quebrar o espelho. Não quer ver desmoronar a persona que construiu para si, e revolta-se contra Grace. Esta última ação acende o pavio da cólera da protagonista, que decide destruir Tom pessoalmente.

Ao final, é singular a idéia de Grace em poupar a vida do cão. O animal é o único ser que não renega seus instintos, e torna-se ameaçador apenas quando ameaçado. “Ele rosnou para mim quando quis roubar seu osso”, ela diz. A violência animal difere completamente da violência humana; ele torna-se agressivo quando tem sua sobrevivência ameaçada, e nós, muitas vezes, por fraqueza, vaidade e capricho descabidos.

Fica em mim uma impressão: por vezes, a civilização é civilizada demais.

Por: Eduardo S. de Carvalho.  Contato: edupsi2001@gmail.com

DOGVILLE. 2003. Dinamarca. Direção e Roteiro: Lars Von Trier. Elenco: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr, Paul Bettany, Blair Brown, James Caan, Patricia Clarkson, Ben Gazzara, Phillip Baker Hall, John Hurt (Narrador – voz). Gênero: Drama, Thriller. Duração: 177 minutos.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You)

p-s-i-love-you-posterHá algum tempo vi o livro em uma livraria e comprei por gostar da sinopse. Li e amei!!! Título: PS, Eu te amo. Autora: Cecelia Ahern.

“Apaixonados desde a escola secundária, Holly e Gerry eram o tipo de casal que conseguia terminar as frases um do outro, e mesmo quando brigavam (como sobre quem sairia da cama para apagar a luz a cada noite) eles acabavam rindo. Holly não sabia onde estaria sem Gerry. Nenhum dos dois sabia. E foi assim que “A Lista” começou… como uma brincadeira. Se algo acontecesse a Gerry, ele teria de deixar para Holly uma lista de coisas que ela deveria fazer a fim de sobreviver são e salva.

Então, aos 30 anos, Holly vivencia o impensável. Gerry é diagnosticado com uma doença terminal. Holly não sabe e, na verdade, não quer continuar sem ele. Mas Gerry tem planos diferentes para ela. Dois meses após a morte de Gerry, Holly sai de casa e depara-se com um misterioso pacote. Quando o abre, descobre que Gerry manteve a palavra. Ele lhe havia deixado “A Lista”: uma carta para cada um dos dez meses que se seguiam a sua morte, todas assinadas com um “PS, Eu te amo”. As cartas instruem Holly a realizar uma série de tarefas inesperadas. Algumas delas a deixam rindo alto, outras fazem-na tremer nas bases.

p-s-i-love-youQuer as execute sozinha ou com suas melhores amigas, as tarefas por fim mostram a Holly um mundo muito mais vasto do que aquele que foi forçada a deixar para trás. Rodeada de amigos de inteligência aguçada e de uma família rude e cativante que a sufoca, ama e deixa louca, Holly hesita, se contorce, chora e brinca na sua trajetória em direção a uma nova vida. Com uma linguagem nova e original em ficção, PS, Eu te amo é uma história terna, divertida e inesperadamente romântica, que os leitores guardarão em seus corações e mentes muito tempo depois de terem fechado suas páginas.”

Foi uma ótima surpresa quando soube que havia sido adaptado para o cinema. Vi o filme em DVD e gostei muito também, apesar do roteiro não ser exatamente igual ao livro. Mas a adaptação é muito boa, as mudanças não interferem no desenvolvimento da história e os atores estão ótimos.

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Recomendo tanto o livro quanto o filme pois ambos são ótimos, cada um a sua maneira!

Por: Tânia Pimenta. Blog: BLOGando ARTE.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You). 2007 EUA. Direção: Richard LaGravanese. Roteiro: Steven Rogers e Richard LaGravanese, baseado em livro de Cecelia Ahern. Elenco: Hilary Swank (Holly Kennedy), Gerard Butler (Gerry Kennedy), Lisa Kudrow (Denise Hennessey), Gina Gershon (Sharon McCarthy), Kathy Bates (Patricia Rawley), Harry Connick Jr. (Daniel Connelly), Jeffrey Dean Morgan (William “Billy” Gallagher). Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 126 minutos.

Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon)

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E aí que fomos assistir Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon). Teoricamente o filme é infantil, mas como trata-se de uma animação digital (e das boas!!!) consegue prender mais a atenção dos adultos do que das crianças – o que ficou claramente comprovado após a inquietação de minha filha nos primeiros 20 minutos de filme. Embora ela (só) tenha quase três anos, é apaixonada por filmes e capaz de assistir a trilogia de Shrek seguida, sem piscar!

A história, que se passa na década de 60, narra a saga de três mosquinhas muito amigas (Nat, Scooter e Q.I) que entram para a história das moscas ao pegar carona na nave Apollo XI, com destino à lua. Em meio ao turbilhão de acontecimentos, é possível dar boas gargalhadas com as trapalhadas entre os amiguinhos e seus familiares, além das adoráveis e engraçadas larvas-bebês (!!!).

cute-maggotsInfelizmente assistir filme com crianças faz com que tenhamos limitações, e uma delas foi o fato de termos assistido ao filme em uma sala de projeção comum. Por isso, não pudemos vivenciar o melhor dele: a realidade dos acontecimentos. E, sem utilizar os óculos 3D, facilmente percebemos que falta algo pois muitas cenas exploram a profundidade e os detalhes dos acontecimentos! Quero ter a oportunidade de rever o filme numa sala apropriada para essa tecnologia, pois preciso assistir novamente a cena em que uma das mosquinhas está presa num tubo de ensaio que, após uma balançada da nave, acaba flutuando dentro da nave espacial para em seguida chocar-se com outro objeto e quebrar. Os estilhaços de vidro são espalhados com muita rapidez na tela e você (espectador) tem a sensação de que precisa livrar-se deles.

É um filme interessante, engraçado, com uma temática real (menos a parte de que as moscas foram a Lua, né?) e que vale tanto para levar filhos e sobrinhos, como por diversão própria. Fica a dica!

Ps: A única coisa que não gostei no filme foi o diretor Ben Stassen inserir uma imagem do astronauta Buzz Aldrin, logo após o término do filme, explicando que tudo aquilo que assistimos durante quase uma hora e meia, era mentira! Já imaginaram a cara de decepção das crianças ao verem tal declaração, após se divertir e sonhar tanto? Tudo bem que Stassen pode ter ficado preocupado em “ensinar” algo errado, através da história da saga das moscas à Lua, mas ele não precisa levar a auto-crítica tão a sério.

Por: Viviane Alves – Recife/PE. Blog: Uma Pessoa Comum.

Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon). 2008. Bélgica. Direção: Ben Stassen. Elenco – Voz: Tim Curry, Christopher Lloyd, Ed Begley Jr. Gênero: Animação, Aventura. Duração: 84 minutos.