LENÇÓIS DEMAIS.
O ator Reynaldo Gianecchini causou o frisson esperado na pré-estréia do filme: “Entre Lençóis” de Gustavo Neto Rosa quando apareceu pouco antes da gigantesca tela se erguer majestosamente no Jockey Club da Gávea. Pouco a pouco a platéia no evento Clarocine percebeu que era mais interessante observar os testes da sempre deslumbrante árvore de natal da Lagoa ao longe do que prestar atenção na frustrada tentativa de repetir o êxito do ótimo chileno: “Na Cama“.
O filme é asséptico demais para um roteiro que reúne um casal desconhecido num quarto de hotel para tórridos (?) momentos de amor. Neste caso, há muito que se aprender com o cinema francês que não teme mostrar tudo que a excitação pode provocar para criar cenas convincentes de sexo. Não há sofreguidão, secreções, pêlos, gemidos e ereções. Afinal o tema é o sexo, não?
Reconheço que não é fácil equilibrar este assunto sem descambar para o pornográfico vulgar, mas o suor só aparece na seqüência da sauna e as poses demasiadamente planejadas nem sequer são originais – Há um enquadramento que imita “O Último Tango” onde não justificaria uma suposta homenagem àquele clássico.
Paola Oliveira consegue a façanha de ser ainda menos natural do que seu parceiro e para completar, tudo é embrulhado numa trilha sonora constrangedora e uma montagem amadora dignas de novela mexicana.
Faltaram ousadia e talento e sobraram músculos malhados, beleza e lençóis. Não dá para fazer um bom filme só com isso.
Por: Carlos Henry.
Entre Lençóis. 2008. Brasil. Direção: Gustavo Neto Rosa. Elenco: Reynaldo Gianecchini, Paola Oliveira. Gênero: Romance. Duração: 88 minutos.

