Menina de Ouro (Million Dollar Baby)

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Não quero medir a altura do tombo. Nem passar agosto, esperando setembro. Se bem me lembro, o melhor futuro este hoje, escuro… Eu não quero ter o tédio, me escorrendo das mãos…

Eu assisti mais esse filme porque um amigo disse que ‘Menina de Ouro’ era melhor que ‘Mar Adentro‘ e ‘O Escafandro e a Borboleta‘. De imediato, deu para imaginar o que estaria contido nele, já que ligou esse aos outros dois. Dois que eu amei! Mas em se tratando de luta de boxe, uma fatalidade não seria tão inusitada assim… Calhou do dvd estar em promoção, e lá fui eu comprá-lo e constatar se era ou não. Se eu gostaria desse tanto quanto os outros dois. Mas…  Antes de contar o que eu achei, dois pontos relevantes.

Um deles sobre a minha resistência em somente agora ver um filme tão aclamado pelo público; nem lembro se pela crítica especializada, também o foi. Bem, o filme a grosso modo foca o mundo do boxe. Mais adiante eu entrarei na história em si. Mas sem dúvida nenhuma temos nesse os bastidores do boxe. Filmes com essa temática, eu não curto muito. Na infância eu até assistia algo similar na tv, o TeleCatch. Mas se a memória não falhou, era tudo encenação. Sem esmurrar de fato o adversário. E via mesmo, por estar na casa de primos, dai, era mais pela companhia, ou falta de opção… De lá para cá… vi ‘Rocky, Um Lutador‘, mas o que ficou mesmo retido na memória, foi o choro do menininho no filme ‘O Campeão’, e só.

O outro ponto a destacar é que irei contar detalhes do filme. Terá spoiler. Agora, outros que também viram ‘Mar Adentro’ e ‘O Escafandro e a Borboleta’ e ainda não viu ‘Menina de Ouro’ já podem imaginar o que o filme irá abordar também. Alguma sequela grave, seria uma. E também a eutanásia. Pronto! É isso.

O que temos nesse filme é praticamente a aposentadoria forçada de um homem. Que ela não saiu como ele esperava. Será? Pois se sua profissão era quase como preparar galos de brigas. Então, nem vejo méritos nela. Nem honrarias no que se viu obrigado a fazer. Algo meio que – criador pondo fim na criatura… Ele não teve culpa, nem diretamente. Seus reflexos estavam bons, mas a distância não o deixou chegar a tempo de retirar o banquinho fatídico…

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O que se tem no boxe? Ali, no meio do ringue ficam duas feras prontas para matar o outro de socos. Quem seria o adversário ali, naquela hora? Que prazer era aquele em bater sem dó nem piedade? Que tipos de pessoas escolhem essa profissão? A mim, pode até ser preconceito, até por pouco entender desse universo, pois o que penso, é que são desprovidos de inteligência. De não saberem canalizar sua força destruidora em outra profissão. Agora, e quem é o comandante dessas marionetes? Ele, o treinador.

O começo do fim… na vida de um treinador. E que nos é contada por uma das suas criaturas… Um, que sobreviveu o bastante para contar essa história.

Ele, o treinador, é Frankie Dunn (Clint Eastwood). Alguém que acha que poderá eternizar a vida profissional dos seus fantoches. Um deus dos bastidores… Mas essas feras, pelo menos sabem que não podem perder tempo na lapidação, pois têm que agarrar o momento do estrelato, e ele é curto, e ele é o agora! Sua lição maior: ‘Proteja-se, sempre!’ Ok! Mas no afã da luta… as regras podem ser esquecidas.

Para mim, o jovem Danger Barch (Jay Baruchel), é o que melhor se enquadra no perfil do boxeador. Não estou sendo irônica. É que como já contei, é o esteriótipo que tenho deles. Pois, pobreza, rejeição dos pais… não é motivador para os levarem a esmurrar a vida. Nem em apanharem até a se rebentar todo. Ou mesmo a perderem a vida. E a troco de que?

Que prazer é esse que leva a todos a essa arena? Nem vou entrar no mérito de quem assiste, muito embora, se não houvesse público, o boxe já teria acabado. Ai, fica-se a imaginar porque de ainda existir.

No Brasil, por exemplo, temos o futebol como um meio de ascensão para jovens carentes. Pelo menos nesse esporte, a violência em campo são pelos que jogam sujos. Diferente do boxe, que a violência é incentivada. Em lugares como os Estados Unidos deveriam dar outra opção aos jovens carentes, mais ainda, a jovens ‘não-branquinhos’. Se bem que com a Invasão do Iraque, a opção dada não é tão diferente do ringue. Pois os jovens recrutas também são programados para matar. Pior, têm licença para isso.

Na vida desse treinador, ora pendia confrontar-se com  o sagrado (o padre), ora com  o profano. E quem seria esse? Ou a que papel ele representava de fato em sua vida? Um amigo de fé? Pelo ringue? Ou alguém a lhe mostrar que sua profissão também mutilavam as pessoas; tal qual a uma guerra.

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O instrutor, zelador da academia, mais do que um amigo, Eddie Scrap (Morgan Freeman) acabou como uma sombra ao lado de Frankie. Mostrando que há falhas nesse processo de criação? Pode ser. Mas o que ressalta também que não há futuro para quem se perdeu no caminho. Claro que há quem não almeje o topo. Que queira viver, mais que sobreviver na selva da civilização. Eddie, como já que não poderia mais atuar no ringue, sem ter por onde tomar outro rumo fora do boxe, ficou como o segundo homem ali. Generoso, sem as encucações de Frankie, vive na e pela a academia. Ele meio que adota Danger Barch.

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Para completar essa trindade… surge Maggie (Hilary Swank). Uma mulher obstinada a… a esmurrar a outros? Se sentia um peixe fora d’água no seio de sua família. E que família! Por que aos 31 anos de idade vai atrás de algo perigoso? Até porque com essa idade, já com tantas amarguras a lhe pesar nos ombros… seria difícil se deixar guiar, por completo. Não sei, creio que em seu interior já havia um desejo de sair de cena… Claro que o acidente fora por conta e obra da oponente, que não respeitou o toque do intervalo, que lhe deu o soco que a derrubaria para cima daquele banquinho virado…

A queda… Caramba! Aquele barulhinho… É um dos sons mais angustiantes de se ouvir… Se bem que em filmes com personagens máquinas-assassinas, tal som é até aplaudido… Voltando a esse.

Com a queda, haveria de se culpar alguém? Quem? O rapaz que preso a sua função, corre para colocar o banquinho, mas tão automático que nem presta mais atenção no que faz? A oponente, que ainda presa na idéia de vencer a partida, vai ao encontro dela para derrubá-la de vez? Se ali, ambas estão programada a vencer sem pensarem se vão desfigurar, ou até levar a morte o outro.

Bem, coube ao treinador o tiro de misericórdia… Nada adiantou todos os seus questionamentos a sua religião, pelo aquilo que acreditou, e creditou a sua vida até então – o universo do boxe. Naquela decisão tomada, seria apenas ele a cumprir. O Criador daquilo, daqueles… Logo para aquela que lhe trouxera o sentir ser um pai. E foi a esse Pai que ela pediu a sua redenção.

Sobre a decisão que ela tomou, não cabe a mim julgá-la. Não o fiz também em ‘Mar Adentro’.  Fico no respeito a decisão tomada! Não deve ser fácil depender quase que cem por cento da generosidade alheia para sobreviver. Há de se ter uma grande tesão em continuar vivo. Somando-se a isso, o fato de ter que dar trabalho a outras pessoas. E para ela, iria contar com quem? Com a família que possuía é que não. Frankie? Scrap? Não. Seria jogar neles um alto tributo. Assim, sem nenhuma perspectiva, não quis adiar… Frankie acatou…

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Enfim, por fim, o filme é dele, desse Treinador! Desse Deus para seus seguidores. Mas que é mortal. E que não queria sair de cena assim. Scrap e Maggie foram mais que seus louros. Lhes deixaram um sabor agri-doce… como o daquela torta de limão…

Para aquilo que se propôs a mostrar, a aposentadoria forçada de um treinador de boxe, digo que é um bom filme. Mas que a mim não deixou a vontade de rever. Nota? Um 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Menina de Ouro (Million Dollar Baby). 2004. EUA. Direção: Clint Eastwood. Elenco: Clint Eastwood (Frankie Dunn), Hilary Swank (Maggie Fitzgerald), Morgan Freeman (Eddie Scrap-Iron Dupris), Jay Baruchel (Danger Barch), Mike Colter (Big Willie Little), Lucia Rijker (Billie ‘The Blue Bear’). Gênero: Drama, Esporte. Duração: 137 minutos.

Elefante (Elephant)

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Dirigido pelo comentado e polêmico diretor Gus Van Sant, Elefante não é um filme de fácil digestão, não é um filme fácil de assistido e compreendido. Taxado de chato, monótono até mesmo prepotente o filme é aquele tipo: ame-o ou odeio-o. Escolha o seu lado.

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Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundária de Portland, no estado de Oregon, interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.

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Gus Van Sant tem aqui o estudo do adolescente, objeto que ele adora retratar em seus filmes, visto em Últimos Dias, Gênio Indomável e no recente Paranoid Park. Ele trata de um assunto polêmico nos EUA, mas jamais ele coloca a chacina de Columbine High School em primeiro plano, aliás a chacina é apenas coadjuvante (talvez seja por isso o fato de muitas pessoas odiarem o filme), ele quer estudar o adolescente em sua natureza, narrando o que parecia ser um dia normal num ordinário colégio público com alunos namorando, paquerando, conversando, rindo, fazendo trabalhos e etc; e de fato, ninguém do elenco é ator, são apenas alunos normais e muitas conversas ali (como a do refeitório) não são cenas criadas, são cenas verdadeiras, tudo isso acontece antes da terrível tragédia.

Mas o destaque do filme é a montagem não-linear que Van Sant emprega com muita competência durante a projeção, podemos ver determinada cena várias vezes, mas de diferentes pontos de vista, de diferentes ângulos e formas, mas o incrível que é o filme todo foi feito em plano-sequência (planos sem cortes), dando um trabalho imenso a equipe técnica, de enquadramento e aos atores, de posição. Os planos-sequência, só por eles já garantem a genialidade do filme, somados a trilha sonora de Beethoven, tudo soa mais poético.

gus-van-santO filme é de direção, ninguém ali tem tanto destaque quanto Gus Van Sant, por ser ousado e competente na premissa. Ele quer justificar o que leva dois adolescente a entrar numa escola e matar amigos e professores, está tudo ali, a violência gratuita (como a cena em que ele filma insistentemente um jogo de videogame violento ou na cena em que eles recebem sua primeira arma em casa), o sexo, o esteriótipo do adolescente, para alguns essas cenas soam descartáveis, mas são completamente relevantes ao filme, como justificativa, mas o maior disso se deve ao distúrbio mental dos dois, por serem alunos esquecidos, sem amigos e com transtornos psicóticos. Van Sant acompanha sempre seus atores por trás, como se ele quisesse nos colocar no lugar de expectadores (o que somos), como se estivéssemos expiando aquelas pessoas, sempre. Tudo em Elefante, é bem criado, montado e elaborado, até mesmo uma cena do enquadramento do céu por alguns segundos, como metáfora, indicando que tudo ali vai piorar, assim como o céu que está escurecendo.

Desde o título do filme, Elefante, se torna um filme anti-convencional, rompendo com o tradicionalismo de narrativa. Na verdade, o nome se dá por causa de um provérbio chinês, em que vários cegos tocam em um elefante dentro de uma sala, todos descrevem a parte em que estão tocando, mas são incapazes de descrever o elefante em um todo. É como na escola, você vive com os seus amigos, colegas, professoras durante um ano inteiro, conhece alguns, mas jamais vai descobrir quem essas pessoas realmente são.

NOTA: 8,0.

Por: Kauan Morgan.  Blog: Sobre Cinema e Lobos.

Elefante (Elephant). 2003. EUA. Direção e Roteiro: Gus Van Sant. Elenco: Alex Frost (Alex), Eric Deulen (Eric), John Robinson (John McFarland), Elias McConnell (Elias), Jordan Taylor (Jordan), Carrie Finklea (Carrie), Nicole George (Nicole), Brittany Mountain (Brittany), Alicia Miles (Acadia), Kristen Hicks (Michelle, Bennie Dixon (Benny), Nathan Tyson (Nathan), Timothy Bottoms (Sr. McFarland), Matt Malloy (Sr. Luce). Gênero: Crime, Drama. Duração: 81 minutos.

La Antena: A Volta do Expressionismo Alemão

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Desde que assisti ao espetacular Ensaio Sobre a Cegueira do cineasta Fernando Meirelles, baseado na obra máxima de José Saramago, estou por procurar alguma outra película que me deixe tão perplexo quanto este filme.

Quando li a sinopse de La Antena, filme independente do diretor e roteirista Esteban Sapir, tive a certeza de encontrar a dose exata para aquietar a minha sede de “quero mais cinema inteligente”. De fato, esta produção argentina pode ser encaixada no gênero cult e não é algo para qualquer um assistir.

Há pessoas que vão ao cinema apenas em busca de entretenimento. Outras pessoas assistem filmes apenas para se distraírem. Tem um outro grupo que busca uma história inteligente. Alguns tentam encontrar em alguma cenas significados para sua própria existência.

E há aqueles que apreciam cinema de verdade, os chamados cinéfilos: para esta turma, deve haver sincronismo entre fotografia, produção, direção de arte, efeitos sonoros, efeitos visuais, tomadas de câmera, atuações impecáveis, etc. O gosto deste pessoal é apurado, eles podem ser chatos, mas nada escapa aos seus olhos.

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La Antena foi filmado para este público. O filme é totalmente non-sense, diferente de tudo o que você já viu no cinema atual, tanto no enredo como nas cenas. Enquanto eu assistia um outro filme não saia de minha cabeça: Metrópolis.

Mas porque Metrópolis e porque o filme é assim tão diferente? Em primeiro lugar o filme retoma as técnicas de filmagem do tempo do cinema mudo e é fortemente influenciado pelo expressionismo alemão presente em Metrópolis e em outras obras do cinema, como Nosferatu. Isto significa que o filme é em preto-e-branco, os diálogos são transcritos na tela, os cenários são antigos, assim como o figurino, enfim, toda a fórmula do cinema mágico está ali com um único detalhe: La Antena é de 2007.

Sendo assim, o diretor aproveita de alguns novos recursos para dar mais ênfase a mensagem proposta em cada cena. Até mesmo nos letreiros que estabelecem um diálogo deixam isto mais evidente. A mistura do branco com o preto faz coisas incríveis e efeitos que no cinema tradicional corrente não são permitidos.

Mas qual a motivação de um diretor utilizar uma técnica tão antiga para um filme do presente? Conforme a história se desenvolve, entendemos que esta influência do expressionismo alemão é a que caracteriza melhor a história: Em algum lugar no século XX, alguém roubou as vozes das pessoas e elas foram condenadas a viver sem voz. Nestes tempos, a vida das pessoas são orientadas por uma única empresa: a TV. As pessoas se alimentam com a TV, vislumbram o tempo passar em frente a TV, trabalham para manter a TV funcionando e afins.

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O proprietário da TV é um senhor malvado e totalitário. Ele pretende assumir de vez o controle da sociedade com um plano maligno que envolve raptar uma mulher sem face chamada Voz, justamente porque ela é a única neste mundo que consegue falar, porém ninguém consegue ver quem realmente ela é.

Não vou contar o restante da história porque a experiência deve ser individual e eu não irei me intrometer em seus sentimentos. Porém observamos que é uma bela crítica a manipulação das pessoas pelas mídias e do condicionamento frente a televisão. Espero que vocês tenham a oportunidade de assistir este filme e perceberem mais um alerta de quanto o aparente inofensivo quadrado pode influenciar em sua vida e na sociedade a qual você convive.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.  Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

La Antena (The Aerial). 2007. Argentina. Direção e Roteiro: Esteban Sapir. Elenco: Alejandro Urdapilleta  (Sr. TV), Valeria Bertuccelli (A Voz), Julieta Cardinali (Mãe de Ana), Rafael Ferro (Pai de Ana), Raúl Hochman (Filho do Sr. TV), Ricardo Merkin  (Dr. Y), Sol Moreno (Ana), Gustavo Pastorini (Homem na Rua), Florencia Raggi (Cantora). Gênero: Drama. Duração: 90 minutos.

Desejo e Reparação (Atonement)

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Depois de muito sucesso e de muitas críticas positivas, finalmente assisti a Desejo e Reparação. Baseado no famoso romance Reparação, do britânico Ian McEwan, o filme traz a triste história de Briony, um aspirante a escritora que com sua imaginação destrói a sua vida e a de mais duas pessoas.

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Robbie Turner e Cecilia Tellis vivem uma das histórias de amor mais tristes dos últimos tempos. Por causa de um vaso quebrado, os dois tem uma pequena discussão e ela resolve se despir para pegar um pedaço caído dentro de uma fonte. Briony, irmã mais nova de Cecilia, com 13 anos, vê a cena e cria uma história de agressão sexual que só piora com outros fatos até culminar na acusação de que Robbie havia estuprado sua prima, Lola.

O filme tem um visual lindíssimo! A fotografia, de Seamus McGarvey, é quase perfeita e, além de se aproveitar de muitas paisagens naturais, ainda provoca os espectadores com as imagens.

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O elenco está todo afiado, com destaque para a jovem Saoirse Ronan, que interpreta a pequena Briony. James McAvoy e Keira Knightley, os protagonistas da história de amor, estão convincentes, apesar de vez por outra escorregaram em maneirismos que já o acompanham há algum tempo.

Outros pontos altos do filme são a direção de arte de Sarah Greenwood e Katie Spencer, o figurino de Jacqueline Durran e a maravilhosa trilha de Dario Marianelli.

O diretor, sempre fiel ao romance, acerta na maioria dos enquadramentos e quando decide contar a história com várias idas e vindas, mas a idéia acaba perdendo seu brilho na segunda metade do filme, quando algumas cenas se alongam demais.

Com essa perda de ritmo o filme se torna cansativo em algumas passagens, mas consegue se segurar na boa história até que se recupera antes do final.

No final do balanço, o resultado é positivo e o filme é uma excelente pedida para quem quer assistir a um bom drama. Os mais sensíveis não podem esquecer o lencinho.

Um Grande Momento: A entrevista.

Minha nota: 7/10.

Por: Cecília Barroso.  Blog: Cenas de Cinema.

Desejo e Reparação (Atonement). 2007. Reino Unido. Direção: Joe Wright. Elenco: Saoirse Ronan, Brenda Blethyn, James McAvoy, Keira Knightley, Juno Temple, Patrick Kennedy, Benedict Cumberbatch, Romola Garai, Vanessa Redgrave. Gênero: Drama, Guerra, Romance, Suspense. Duração: 123 min. Baseado em livro de Ian McEwan.

Fim de Caso (The End of the Affair).

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De vez em quando surgem filmes de romance que nos conquistam, mas existem duas formas de fazer um filme de romance para conquistar o público: 1) Usar de voltas e reviravoltas na narrativa para fazer o público se emocionar, como Diário de uma Paixão, Titanic e tantos outros. 2) Usar a simplicidade de contar uma história triste, de amor, como As Pontes de Madison, Antes do Amanhecer e Fim de caso.

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Numa noite chuvosa de 1946, o novelista Maurice Bendrix (Ralph Fiennes) encontra Henry Miles (Stephen Rea), marido de sua ex-amante Sarah (Julianne Moore). Maurice e Sarah tiveram um tórrido caso dois anos antes, até que, sem qualquer explicação, Sarah terminou o romance. O encontro com Henry reacende a obsessão de Maurice por Sarah, num misto de ciúme e desejo em reencontrá-la. Para tanto, começa uma investigação, para poder entender o porquê do rompimento do romance entre os dois.

Ao usar truques de narrativa interessante o roteirista e diretor do filme Neil Jordan, conquista o público mesmo é com a simplicidade da história, é apenas uma história triste de amor impossível, é um filme sobre ódio, culpa, dor, e principalmente, escolhas. Poucos filmes emocionaram tanto quando esse, a veracidade dos diálogos jamais soam como algo falso, superficial.

Neil Jordan trabalha com montagem não-linear, opta por uma ordem não cronológica, e usa truques que outros filmes já usaram, o de ver a mesma cena várias vezes mudando apenas o ponto de vista, de acordo com cada personagem, truque já usado em Elefante, e no recente Desejo e Reparação, montagem muito peculiar essa.

Sobre o elenco, Julianne Moore, como sempre competente, exerce uma personagem amargurada e ao mesmo tempo corajosa, correndo desesperada atrás de sua felicidade, passeando por vários sentimentos como medo, amor, dúvida, é sempre bom ver o trabalho minimalista dessa atriz, que a cada trabalho muda, ela não engorda ou emagrace, mas muda, a forma de andar, a voz (é impressionante o trabalho de voz de Julianne Moore), não é a toa que tem o reconhecimento que tem, é porque merece.

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Agora chegando ao ponto surpreendente do elenco, Ralph Fiennes, contracenando ao lado de Moore, mas não é ela quem chama a atenção, é Fiennes, estabelecendo Maurice como um sujeito dúbio, em certo momento do filme ele pede á Sarah: “Por favor, não vá”, até então o personagem não sabe que ao ir embora, Sarah o estará deixando para sempre, mas Fiennes estabelece um jogo dúbio com o expectador, falando como se já soubesse que provavelmente não veria mais sua amante. É bom quando o ator estabelece esse jogo de ambigüidade ao expectador, permitindo várias interpretações daquilo, e ao dizer “Por favor, não vá”, poucas vezes vimos tamanho desespero e amor sem o ator sequer piscar os olhos, acredito que só vi esse tipo de cena uma vez, em Sleepers – Vingança Adormecida, quando Dustin Hoffman ameaça outro personagem sem sequer olhar para ele. Tenho certeza de que se Ralph Fiennes fosse indicado ao Oscar, essa seria sua cena exibida, e com méritos.

Por último, Stephen Rea, competente no que lhe é proporcionado, apesar de seu personagem não ser bem desenvolvido pelo roteiro e não ter a importância que merecia e podia, ele se sai bem como o desiludido Henry Miles.

A trilha de de Michael Nyman, o mesmo do ótimo O piano, é excelente, comovente e triste. A fotográfica é ótima, desde as cenas de bombas perto do apartamento de Maurice aos enquadramentos de quando os dois estão junto, quando Maurice e Sarah se beijam na chuva.

Só tem uma palavra que pode resumir Fim de caso: antológico. Daqui a 10 ou 20 anos, quando se falar em filmes de romance, não só As Pontes de Madison ou Antes do Amanhecer serão citados, mas Fim de Caso também estará nessa lista. Um filme inesquecível.

NOTA: 7,5.

Por: Kauan Morgan.   Blog: Sobre Cinema e Lobos.

Fim de Caso The End of the Affair). 1999. EUA. Direção e Roteiro: Neil Jordan. Elenco: Julianne Moore, Ralph Fiennes, Stephen Rea. Gênero: Drama, Guerra, Romance. Duração: 105 minutos. Baseado em livro de Graham Greene.

Lemon Tree (Etz Limon)

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Um filme sensível, de belíssima fotografia com excelente e linda atriz. Beleza a despeito da idade ou justamente por causa dela, me pareceu uma perfeita palestina retratando a Palestina. Salma Zidane (Hiam  Abass), numa primeira cena aparece cortando limões e fazendo compotas. Vê-se em suas mão a habilidade de quem breve terá um limão não azedo mas muito amargo para cortar…

O filme recheado de muitas sutilezas, delineados por clarezas deixou-me ligeiramente deprimida por sua carga de injustiças e dominações daquelas que nada podemos fazer a respeito até que percebemos que por maior que seja o oponente e por menor que seja o oprimido, notamos o quanto de covardia pode haver nesse clichê “o que eu posso fazer?

Vive Salma com seus mais de 40 anos, a plantar seus limões, a cuidar do seu pomar, plantado há mais de 50 anos por seu pai. O maior adubo das árvores são com certeza, história e lembranças, e  seus frutos transformam-se em limonadas que nenhuma personagem deixou de exclamar como deliciosa.

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Entre muita solidão e algumas lembranças, Salma vai levando a vida, viúva, com filhos criados vivendo distante, até o dia em que ganha um vizinho, de nome Israel, ministro da defesa do Estado homônimo. Um chefe do Serviço Secreto supõe que o pomar de Salma seria o um caminho estratégico para terroristas que quisessem atentar conta a segurança do ministro. Ela recebe uma carta comunicando o fim do seu pomar e que seria indenizada por isso. Começa aí, um pesadelo temperado por esperança e perseverança. O primeiro passo é traduzir a carta escrita em hebraico. O segundo buscar ajuda. O filho que mora nos EUA, não pode sequer terminar com tranqüilidade o telefonema; a filha casada e com 2 ou 3 filhos e marido é mais comovida com sua própria penúria que pelo drama da mãe e, no local onde estão apenas homens onde ela consegue de um “amigo” a tradução da carta. Tudo o que ela consegue saber além do conteúdo, é que nada pode ser feito, arbitrariedade similar já ocorrera com todos por ali e ela, palestina, não pode aceitar nenhum dinheiro israelense… O egoísmo que sacode por lá é o mesmo que paira por cá…

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Salma Zidane contrata um advogado (Ali Suliman), indicado pelo genro. Eles vão à corte onde sequer conseguem falar. Ela decide recorrer a Suprema Corte. A partir daí, sentimentos desdobram-se diante de atos e fatos. É sutil e delicado porém perceptível o envolvimento e quase sedução madura de quem não pretende uma entrega mas compreende o direito feminino de mostrar-se bela: Numa cena onde ao atender o advogado que bate à porta, ela decide não usar seu hijab; nas cenas onde ela passa o seu baton e naquela, em que ela tira o mesmo baton para atender alguém que chega e que não é o advogado. A delicadeza com que o medo é mostrado é a mesma que mostra o modo das personagem ir em frente.

É clara a solidão de Salma quando ela conta que quando não há uivos de lobos, ela se sente só e quando eles uivam ela se sente uivando com eles. É claro a sua obstinação quando ela em uma única frase resume a espinha dorsal de todo o filme: “eu já sofri demais” (e por isso exatamente por isso, ela vai à luta e não entrega sem resistência tudo aquilo que ainda possui e que lhe traz paz de espírito, sua casa, seu pomar, suas lembranças, suas tradições culturais. Não importa o preço ela paga!)

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Lemon Tree,é um filme tocante que mostra a intolerância daqueles que já acostumamos a ver como vítimas. Mostra a disputa e os poucos lados da única questão que é querer o que é do outro. Tomar posse simplesmente por achar que se tem direito por ser o mais forte, o detentor do poder, da autoridade. É o que demonstra a visita de um provavelmente parente do finado marido, a dizer que mantenha limpa a memória do falecido. Não importa de que lado esteja a força, ela estará forçando sempre o mais indefeso… Assim, a atitude ou falta dela com a qual se responde ou se corresponde às situações nas quais o uso arbitrário da força nos coloca.

Esse filme é baseado numa história real e, talvez por isso mexa na ferida que é a impotência consentida ou não e seus descaminhos.

Mira (Rona Lipaz-Michael) surge no filme, numa situação de felicidade e futilidade. Ela é a feliz dona de casa judia, casada com o ministro da defesa de Estado de Israel. Durante os preparativos para a festa de inauguração da casa, eles têm uma conversa que demonstra que se ela faz algumas concessões, não significa que seja desatenta ou que ignore os fatos. O nível de tolerância do ministro é claramente demonstrado quando Mira sugere iguarias árabes e o marido, depois de breve rodeio bate o martelo escolhendo o cozinheiro e que este faça apenas comidas kosher…

Mira, se envolve na causa da sua vizinha árabe, através de olhares e atitudes que irão perdendo a timidez ao longo do filme. Esse filme é um grande filme muito mais por aquilo que induz do que pelo que mostra. Muito mais do que a disputa entre palestinos e israelenses, mas por mostrar a forma como cada uma dessas culturas tratam suas mulheres, semelhantes e rivais. Espera-se um comportamento respeitoso sem que nada se faça para realmente o obter, nisso em que eles são diferentes dessa nossa cultura tão ocidental e moderna?

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Exceção a essa regra, é o misto de empregado, pai de criação e melhor-amigo- que- parece- não- dar- muita- confiança, o bom velhinho que recusa convite pra almoçar mas se interessa em saber sobre a visita da filha de Salma, o que demonstra que ele percebe a sua solidão mas  por motivos culturais, vê esta solidão como algo inerente ao destino de uma mulher viúva e árabe, o que não o impede de ir às “vias de fato” com Ziad. Dessa forma, essa personagem que não sei o nome deste ator que desconheço, é o único que não vai até Salma fazer-lhe cobranças e imposições por seu comportamento, como se um relacionamento, quando precisa ser proibido, fosse de competência única e exclusiva da mulher, afinal ela é o pecado, o homem só erra  por ser tentado…. Conhecendo Salma desde criança ele confia nela e só no final do filme entendemos essa forma de relacionamento sem conversa, apenas por atitudes, sim, exatamente da mesma forma como se “comunicam” Salma e Mia…

Em filmes que falam pela ausência de palavras um quadro na parede pode dizer muito de uma produção, tanto quanto o casaco que uma personagem veste. Reparem além da foto do marido de Salma na parede, a foto do craque Zidane no quarto de hóspede e o agasalho verde e amarelo de Ziad.

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O par da nossa heroína, Ziad Daud deixa claro que há os que se acomodam sem motivos para mais uma luta, pois desistiram, porém tendo uma boa causa, se empenham e se aplicam em vencê-la, o que não significa que seus horizontes se expandirão muito além dos seus interesses pessoais. Outra lição que o nosso advogado nos passa é que nem sempre o melhor aliado para uma luta seria melhor companheiro para nossa vida…


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Agora, uma anotação muito pessoal:

Eu que cresci vendo nos telejornais essa loucura palestino-judaico (ou seria vice-e-versa?) sem nunca ter compreendido muito bem, ao que um dia um professor me disse que “se fosse fácil eles já teriam se entendido e nós simplesmente estudaríamos história”, óbvio que tomei o caminho mais fácil de não buscar entender nada tão complicado. No entanto, por influência da 2ª guerra, tenho como muitos da minha geração, o vício ou tendência de ver os judeus como vítimas eternas. Este filme me sinalizou que já passou da momento de rever vários dos meus conceitos. O mundo é muito mais do que nos diz as fantasias americanas.

Por: Rozzi Brasil.  Blog:  Crônicas Urbanas.

Lemon Tree (Etz Limon). 2008. Israel. Direção: Eran Riklis. Elenco: Hiam Abbass (Salma Zidane), Doron Tavory (Defense Minister Israel Navon), Ali Suliman (Ziad Daud), Rona Lipaz-Michael (Mira Navon), Tarik Kopty (Abu Hussam). Gênero: Drama. Duração: 106 minutos.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire)

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Louis perdera sua esposa e seu filho no decorrer do parto da mesma. Sua primeira morte. Na obra, Louis diz: “Não suportava a dor da perda; queria me livrar dela. Queria perder tudo: minha riqueza, minha propriedade, minha sanidade. Mais do que tudo, eu queria morrer. Eu sei agora, EU A ATRAÍ. Uma libertação da dor de viver. Meu convite estava aberto a qualquer um. À prostituta ao meu lado. Ao cafetão que seguia. Mas foi um VAMPIRO que o aceitou.”

Eis que Lestat entra na vida de Louis e o morde; drena seu sangue e o deixa à beira da morte. Pergunta-lhe: “Ainda deseja morrer ou já experimentou o suficiente?” Louis responde: “Suficiente“.

Vejamos o que já tenho para dissertar diante desses primeiros dez minutos de filme.

Schopenhauer é sábio ao dizer: “Cuidado com seus desejos, eles acontecem“. Sim! Os desejos acontecem, sobretudo esses que são de uma ordem que o sujeito não imagina tê-los pois são inconscientes. Aqui não me refiro sobre desejar uma pessoa e tê-la… não… isso é uma bobagem! Desejo aqui é de outra ordem… refiro-me ao desejo, por exemplo, de sentir dor e cair no chão sem mais nem menos; ou desejo de morrer e a partir disso “gripar” com frequência… Essas coisas são pouco associadas ao desejo, pois os sujeitos tendem a pensar que desejo é sempre altruísta, e não é!

Ora, vamos Vampira, quer dizer então que eu atraio a desgraça? SIM! Se este for seu desejo, mesmo que inconsciente, sim! Nada, além de você, é responsável por aquilo que lhe acomete! E Louis sabia disso… e disse: EU A ATRAÍ. Quem? A Morte! Pelas mãos de quem? De Lestat. Casal perfeito na ocasião: um queria morrer e o outro queria matar.

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E então, depois de Lestat ter abandonado Louis nas margens do Mississipi, em algum lugar perto da vida e da morte, Louis foi se despedir do amanhecer. Ele diz: “Naquela manhã, eu não era um vampiro e vi meu último amanhecer. Lembro-me muito bem, mesmo que não me lembre de nenhum anterior a esse. Vi a magnitude do amanhecer pela última vez como se fosse a primeira. Então me despedi da luz do Sol e me preparei para me tornar o que me tornei“.

Quantas vezes damos valor aquilo que aparentemente temos todos os dias? Quando se perde, há o valor? Louis implorou para perder tudo e perdeu… embora toda perda implique num ganho, mesmo que secundário.

É o que a Psicanálise chama de Ganho Secundário da Doença. Por exemplo, o sujeito quer atenção, carinho, amor e não sabe falar que quer isso, nem sabe dizer de quem ele quer receber isso, pois nem dele mesmo não serve. Então ele adoece, e assim recebe carinho, nem que seja dos médicos… quantos não vemos nessa condição? Nesse pedição de esmolas? Muitos né? Louis não era diferente disso… em nome de seu desejo, ele encontrou-se com a morte em vida. E como todo bom neurótico, a condição existencial dele, como vampiro, era culpa de Lestat rs. Não culpemos os desejos do bom rapaz… rs

Acredite: você que me lê agora, assim como eu, é culpado de muita desgraça alheia rs. Lestat brinca, em certa ocasião, com Louis, aliás, com a culpa de Louis. Lestat diz: “Como você ama essa maldita culpa“.

Sensacional!!! Matou a charada!!!

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Aliás, Lestat é brilhante! Ao menos para mim. Enquanto Louis choraminga sua condição existencial perante à sua natureza e à natureza em si; Lestat vive em conformidade com à natureza, inclusive e sobretudo, à sua própria. Sente dor? Obviamente que não! Dor desprazerosa é para quem não aceita sua condição. E Lestat diz isso… Ele fala: “O mal é um ponto de vista, Louis. Você é o que é! A dor é terrível para você? Sente-a como nenhuma outra criatura porque és um vampiro. Não quer continuar a sentir dor? Então faça como manda a sua natureza“.

Vejamos, aqui não digo que devemos maltratar as pessoas, mas devemos ser como nós somos independente se isso causará um desamor, um desafeto; isso nos evita adoecermos!!!

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Lestat transforma Claudia em Vampira e a entrega a Louis como sua nova filha. Louis, de repente, ganha outra família! Mas a sua culpa, seus excessos de lamúrias o faz perder tudo, menos a vida de vampiro… E depois que perde tudo, percebe que perdeu duas famílias, propriedades, riquezas; como ele assim desejou.

Amém, que seja feita as nossas vontades

Por: Vampira Olímpia.  BLog: Castlevanya.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire). 1994. Com a direção de Neil Jordan, apresentaram-se nessa linha tênue vida/morte um elenco de primeira qualidade: Tom Cruise – Lestat; Brad Pitt – Louis; Antonio Banderas – Armand; Stephen Rea – Santiago; Kirsten Dunst – Claudia; Christian Slater – Malloy. Gênero: Terror. Duração: 123 minutos. Baseado em livro de Anne Rice.

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

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Uma próspera família passa a ter problemas internos de relacionamento quando uma das filhas comete suicídio. E

O filme tem um tipo de código ou simbologia que o explica e que só vendo com atenção e retomando o começo é que vem o entendimento. Trata-se de uma contaminação da psique tal qual as árvores que precisavam ser removidas porque estavam com uma doença que as matava; caso não fossem removidas, a doença mataria a todas as outras.

Esta contaminação, contaminou as meninas, árvores em flor, vida por vir. Elas defendiam o já morto e precisavam tornar-se como aquelas árvores que ninguém podia defender. Estavam condenadas como as árvores, não adiantando que o poder materno as sufocasse em vida.

Tentar defender o já morto é representar o papel de mãe, que as ‘defendia’ da vida, matando-as como às árvores

É um filme simbólico sobre o velho e sobre o vir a ser que não foi…

Por: Eli@ne L@nger.

As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides).1999. EUA. Direção e Roteiro: Sofia Coppola. Elenco: James Woods, Kathleen Turner, Kirsten Dunst, Danny DeVito, A.J. Cook, Hanna R. Hall, Leslie Hayman, Chelse Swain, Anthony DeSimone, Lee Kagan, Robert Schwartzman. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 97 minutos. Baseado em livro de Jeffrey Eugenides.

Trainspotting – Sem Limites

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Pelo que estou lembrado do ano… achei a melhor produção de 96 sem sombras de dúvida. Assisti mais pela curiosidade pois havia assistido o primeiro filme de Danny Boyle (COVA RASA) e achei interessantemente diferente. Enquanto o primeiro apareceu meio tímido na telona, esse teve direito até a Outdoors com a data do lançamento.

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A visão é fantástica!  Pois as produções de até então mostravam o viciado como uma vítima de tudo que gira em torno de seu vício (como no caso de Diário de um Adolescente de 95). Já o filme de Danny Boyle não! Se afundam no vício sujo sem serem vítimas… são protagonistas! As fusões de realidade e surrealismos das viagens incomodam e Ewan MacGregor desponta como o astro que se tornou. Eu ja havia gostado de seu papel em O LIVRO DE CABECEIRA (96) e inclusive por isso assisti COVA RASA (95). E inevitavelmente parti para a dobradinha Boyle/MacGregor. O resultado não podia ter sido melhor!

O filme é uma pancada na cabeça, psicodélico, diferente, diverte… fora a trilha sonora fodástica com muito som Made in UK. Destaque especial para “Born Sleep” do Underworld que despontou com a trilha e 12 anos depois continua firme e forte.

Uma realidade dura e suja sendo utilizada para a realização de um filme ousado e marcante.

Por: Korben Dallas.

Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting). 1996. Reino Unido. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd, Robert Carlyle, Kelly Macdonald. Gênero: Drama. Duração: 96 minutos. Baseado em livro de Irene Welsh.

Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July)

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Um dos melhores do Oliver Stone (ainda acho que este fica no topo), se mostra com tudo para ser uma grande obra-prima até sua metade final, quando começa a se perder em alguns momentos.

A direção do Stone aqui é magnífica, uma das maiores do final dos 80′s, eu diria, destacando-se nas cenas de batalha (poucas, mas intensas), nas cenas do hospital dos veteranos e nos momentos finais, no confronto com os policiais. Ele nos mostra um talento único para dirigir figurantes.

Aliás, o filme é de uma crueza intensa. As cenas do campo de batalha no começo e os 20min passados no hospital parecem 2 horas. Eu confesso ter ficado um pouco chocado em alguns momentos.

Vale salientar que as cenas do hospital representam, particularmente, uma das mais bem elaboradas críticas ao Vietnam que um filme já mostrou, pois não cai na pieguice de ‘Olhem, inocentes estão morrendo por lá! A guerra é ruim para todos!, sim, mas mostra que quase sempre os que começaram o conflito acabam sendo dos mais afetados, no caso, os próprios americanos, que além de lutarem por uma causa perdida (a lavagem cerebral é notada já no começo do filme), sofrem com o descaso de um governo que pouco liga para eles e os considera tanto quanto, ou talvez bem menos, que aos próprios vietnamitas. Não que seja ignorado o mal feito ao ‘outro lado’, mas mostra que, pelo menos eles estavam se defendendo, que não escolheram sofrer, enquanto que os americanos estavam lá porque queriam e, numa analogia bem porca, ‘mandando seus filhos ao abate com um belo sorriso no rosto’.

Naquele tempo (e até ainda hoje), muitos defendiam a guerra pelo seu significado (aquilo de ‘mundo livre’ e bla, bla, bla…), tentando acobertar os efeitos negativos aos próprios americanos.
O filme tenta retratar isso.. Que muitos de seus jovens morriam em uma guerra ingrata, gratuita, além de mostrar os traumas (como a invalidez decorrente do personagem e os apertos passados no hospital e etc).

Vale destacar também que essa é a melhor atuação do Tom Cruise.. E eis o grande problema do filme: A MAIOR ATUAÇÃO DO TOM CRUISE é quase o mesmo que NADA!!!

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Os 15min que o Willen Dafoe permanece em cena desbancam as quase 2 horas e meia do Cruise em todo o longa. Ele apresentava a mesma expressão em cena para sorrir, chorar, gritar.. Seu únicos momentos dignos de elogios foram no prólogo, na cena do baile (linda demais a transição da fase da inocência à frieza de um já veterano de guerra ao som de ‘Moon river‘ – a música de ‘Bonequinha de Luxo’) e no ‘desabafo’ na casa dos pais (o que, mesmo assim não quer dizer muito por sua atuação, mas sim pela cena em si).

Mas isso não compromete.

Um grande filme que tinha tudo para ser MAIOR e que merece uma análise muito mais detalhada que farei logo que tiver mais tempo.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July). 1989. EUA. Direção e Roteiro: Oliver Stone. Elenco: Tom Cruise, Kyra Sedwick, Seth Allen, Raymond J. Barry, Tom Sizemore, Willen Dafoe, Tom Berenger, Stephen Baldwin, William Baldwin, Oliver Stone. Gênero: Biografia, Drama, Guerra. Duração: 144 minutos. Baseado em livro de Ron Kovic.