Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire)

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Louis perdera sua esposa e seu filho no decorrer do parto da mesma. Sua primeira morte. Na obra, Louis diz: “Não suportava a dor da perda; queria me livrar dela. Queria perder tudo: minha riqueza, minha propriedade, minha sanidade. Mais do que tudo, eu queria morrer. Eu sei agora, EU A ATRAÍ. Uma libertação da dor de viver. Meu convite estava aberto a qualquer um. À prostituta ao meu lado. Ao cafetão que seguia. Mas foi um VAMPIRO que o aceitou.”

Eis que Lestat entra na vida de Louis e o morde; drena seu sangue e o deixa à beira da morte. Pergunta-lhe: “Ainda deseja morrer ou já experimentou o suficiente?” Louis responde: “Suficiente“.

Vejamos o que já tenho para dissertar diante desses primeiros dez minutos de filme.

Schopenhauer é sábio ao dizer: “Cuidado com seus desejos, eles acontecem“. Sim! Os desejos acontecem, sobretudo esses que são de uma ordem que o sujeito não imagina tê-los pois são inconscientes. Aqui não me refiro sobre desejar uma pessoa e tê-la… não… isso é uma bobagem! Desejo aqui é de outra ordem… refiro-me ao desejo, por exemplo, de sentir dor e cair no chão sem mais nem menos; ou desejo de morrer e a partir disso “gripar” com frequência… Essas coisas são pouco associadas ao desejo, pois os sujeitos tendem a pensar que desejo é sempre altruísta, e não é!

Ora, vamos Vampira, quer dizer então que eu atraio a desgraça? SIM! Se este for seu desejo, mesmo que inconsciente, sim! Nada, além de você, é responsável por aquilo que lhe acomete! E Louis sabia disso… e disse: EU A ATRAÍ. Quem? A Morte! Pelas mãos de quem? De Lestat. Casal perfeito na ocasião: um queria morrer e o outro queria matar.

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E então, depois de Lestat ter abandonado Louis nas margens do Mississipi, em algum lugar perto da vida e da morte, Louis foi se despedir do amanhecer. Ele diz: “Naquela manhã, eu não era um vampiro e vi meu último amanhecer. Lembro-me muito bem, mesmo que não me lembre de nenhum anterior a esse. Vi a magnitude do amanhecer pela última vez como se fosse a primeira. Então me despedi da luz do Sol e me preparei para me tornar o que me tornei“.

Quantas vezes damos valor aquilo que aparentemente temos todos os dias? Quando se perde, há o valor? Louis implorou para perder tudo e perdeu… embora toda perda implique num ganho, mesmo que secundário.

É o que a Psicanálise chama de Ganho Secundário da Doença. Por exemplo, o sujeito quer atenção, carinho, amor e não sabe falar que quer isso, nem sabe dizer de quem ele quer receber isso, pois nem dele mesmo não serve. Então ele adoece, e assim recebe carinho, nem que seja dos médicos… quantos não vemos nessa condição? Nesse pedição de esmolas? Muitos né? Louis não era diferente disso… em nome de seu desejo, ele encontrou-se com a morte em vida. E como todo bom neurótico, a condição existencial dele, como vampiro, era culpa de Lestat rs. Não culpemos os desejos do bom rapaz… rs

Acredite: você que me lê agora, assim como eu, é culpado de muita desgraça alheia rs. Lestat brinca, em certa ocasião, com Louis, aliás, com a culpa de Louis. Lestat diz: “Como você ama essa maldita culpa“.

Sensacional!!! Matou a charada!!!

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Aliás, Lestat é brilhante! Ao menos para mim. Enquanto Louis choraminga sua condição existencial perante à sua natureza e à natureza em si; Lestat vive em conformidade com à natureza, inclusive e sobretudo, à sua própria. Sente dor? Obviamente que não! Dor desprazerosa é para quem não aceita sua condição. E Lestat diz isso… Ele fala: “O mal é um ponto de vista, Louis. Você é o que é! A dor é terrível para você? Sente-a como nenhuma outra criatura porque és um vampiro. Não quer continuar a sentir dor? Então faça como manda a sua natureza“.

Vejamos, aqui não digo que devemos maltratar as pessoas, mas devemos ser como nós somos independente se isso causará um desamor, um desafeto; isso nos evita adoecermos!!!

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Lestat transforma Claudia em Vampira e a entrega a Louis como sua nova filha. Louis, de repente, ganha outra família! Mas a sua culpa, seus excessos de lamúrias o faz perder tudo, menos a vida de vampiro… E depois que perde tudo, percebe que perdeu duas famílias, propriedades, riquezas; como ele assim desejou.

Amém, que seja feita as nossas vontades

Por: Vampira Olímpia.  BLog: Castlevanya.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire). 1994. Com a direção de Neil Jordan, apresentaram-se nessa linha tênue vida/morte um elenco de primeira qualidade: Tom Cruise – Lestat; Brad Pitt – Louis; Antonio Banderas – Armand; Stephen Rea – Santiago; Kirsten Dunst – Claudia; Christian Slater – Malloy. Gênero: Terror. Duração: 123 minutos. Baseado em livro de Anne Rice.