Menina de Ouro (Million Dollar Baby)

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Não quero medir a altura do tombo. Nem passar agosto, esperando setembro. Se bem me lembro, o melhor futuro este hoje, escuro… Eu não quero ter o tédio, me escorrendo das mãos…

Eu assisti mais esse filme porque um amigo disse que ‘Menina de Ouro’ era melhor que ‘Mar Adentro‘ e ‘O Escafandro e a Borboleta‘. De imediato, deu para imaginar o que estaria contido nele, já que ligou esse aos outros dois. Dois que eu amei! Mas em se tratando de luta de boxe, uma fatalidade não seria tão inusitada assim… Calhou do dvd estar em promoção, e lá fui eu comprá-lo e constatar se era ou não. Se eu gostaria desse tanto quanto os outros dois. Mas…  Antes de contar o que eu achei, dois pontos relevantes.

Um deles sobre a minha resistência em somente agora ver um filme tão aclamado pelo público; nem lembro se pela crítica especializada, também o foi. Bem, o filme a grosso modo foca o mundo do boxe. Mais adiante eu entrarei na história em si. Mas sem dúvida nenhuma temos nesse os bastidores do boxe. Filmes com essa temática, eu não curto muito. Na infância eu até assistia algo similar na tv, o TeleCatch. Mas se a memória não falhou, era tudo encenação. Sem esmurrar de fato o adversário. E via mesmo, por estar na casa de primos, dai, era mais pela companhia, ou falta de opção… De lá para cá… vi ‘Rocky, Um Lutador‘, mas o que ficou mesmo retido na memória, foi o choro do menininho no filme ‘O Campeão’, e só.

O outro ponto a destacar é que irei contar detalhes do filme. Terá spoiler. Agora, outros que também viram ‘Mar Adentro’ e ‘O Escafandro e a Borboleta’ e ainda não viu ‘Menina de Ouro’ já podem imaginar o que o filme irá abordar também. Alguma sequela grave, seria uma. E também a eutanásia. Pronto! É isso.

O que temos nesse filme é praticamente a aposentadoria forçada de um homem. Que ela não saiu como ele esperava. Será? Pois se sua profissão era quase como preparar galos de brigas. Então, nem vejo méritos nela. Nem honrarias no que se viu obrigado a fazer. Algo meio que – criador pondo fim na criatura… Ele não teve culpa, nem diretamente. Seus reflexos estavam bons, mas a distância não o deixou chegar a tempo de retirar o banquinho fatídico…

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O que se tem no boxe? Ali, no meio do ringue ficam duas feras prontas para matar o outro de socos. Quem seria o adversário ali, naquela hora? Que prazer era aquele em bater sem dó nem piedade? Que tipos de pessoas escolhem essa profissão? A mim, pode até ser preconceito, até por pouco entender desse universo, pois o que penso, é que são desprovidos de inteligência. De não saberem canalizar sua força destruidora em outra profissão. Agora, e quem é o comandante dessas marionetes? Ele, o treinador.

O começo do fim… na vida de um treinador. E que nos é contada por uma das suas criaturas… Um, que sobreviveu o bastante para contar essa história.

Ele, o treinador, é Frankie Dunn (Clint Eastwood). Alguém que acha que poderá eternizar a vida profissional dos seus fantoches. Um deus dos bastidores… Mas essas feras, pelo menos sabem que não podem perder tempo na lapidação, pois têm que agarrar o momento do estrelato, e ele é curto, e ele é o agora! Sua lição maior: ‘Proteja-se, sempre!’ Ok! Mas no afã da luta… as regras podem ser esquecidas.

Para mim, o jovem Danger Barch (Jay Baruchel), é o que melhor se enquadra no perfil do boxeador. Não estou sendo irônica. É que como já contei, é o esteriótipo que tenho deles. Pois, pobreza, rejeição dos pais… não é motivador para os levarem a esmurrar a vida. Nem em apanharem até a se rebentar todo. Ou mesmo a perderem a vida. E a troco de que?

Que prazer é esse que leva a todos a essa arena? Nem vou entrar no mérito de quem assiste, muito embora, se não houvesse público, o boxe já teria acabado. Ai, fica-se a imaginar porque de ainda existir.

No Brasil, por exemplo, temos o futebol como um meio de ascensão para jovens carentes. Pelo menos nesse esporte, a violência em campo são pelos que jogam sujos. Diferente do boxe, que a violência é incentivada. Em lugares como os Estados Unidos deveriam dar outra opção aos jovens carentes, mais ainda, a jovens ‘não-branquinhos’. Se bem que com a Invasão do Iraque, a opção dada não é tão diferente do ringue. Pois os jovens recrutas também são programados para matar. Pior, têm licença para isso.

Na vida desse treinador, ora pendia confrontar-se com  o sagrado (o padre), ora com  o profano. E quem seria esse? Ou a que papel ele representava de fato em sua vida? Um amigo de fé? Pelo ringue? Ou alguém a lhe mostrar que sua profissão também mutilavam as pessoas; tal qual a uma guerra.

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O instrutor, zelador da academia, mais do que um amigo, Eddie Scrap (Morgan Freeman) acabou como uma sombra ao lado de Frankie. Mostrando que há falhas nesse processo de criação? Pode ser. Mas o que ressalta também que não há futuro para quem se perdeu no caminho. Claro que há quem não almeje o topo. Que queira viver, mais que sobreviver na selva da civilização. Eddie, como já que não poderia mais atuar no ringue, sem ter por onde tomar outro rumo fora do boxe, ficou como o segundo homem ali. Generoso, sem as encucações de Frankie, vive na e pela a academia. Ele meio que adota Danger Barch.

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Para completar essa trindade… surge Maggie (Hilary Swank). Uma mulher obstinada a… a esmurrar a outros? Se sentia um peixe fora d’água no seio de sua família. E que família! Por que aos 31 anos de idade vai atrás de algo perigoso? Até porque com essa idade, já com tantas amarguras a lhe pesar nos ombros… seria difícil se deixar guiar, por completo. Não sei, creio que em seu interior já havia um desejo de sair de cena… Claro que o acidente fora por conta e obra da oponente, que não respeitou o toque do intervalo, que lhe deu o soco que a derrubaria para cima daquele banquinho virado…

A queda… Caramba! Aquele barulhinho… É um dos sons mais angustiantes de se ouvir… Se bem que em filmes com personagens máquinas-assassinas, tal som é até aplaudido… Voltando a esse.

Com a queda, haveria de se culpar alguém? Quem? O rapaz que preso a sua função, corre para colocar o banquinho, mas tão automático que nem presta mais atenção no que faz? A oponente, que ainda presa na idéia de vencer a partida, vai ao encontro dela para derrubá-la de vez? Se ali, ambas estão programada a vencer sem pensarem se vão desfigurar, ou até levar a morte o outro.

Bem, coube ao treinador o tiro de misericórdia… Nada adiantou todos os seus questionamentos a sua religião, pelo aquilo que acreditou, e creditou a sua vida até então – o universo do boxe. Naquela decisão tomada, seria apenas ele a cumprir. O Criador daquilo, daqueles… Logo para aquela que lhe trouxera o sentir ser um pai. E foi a esse Pai que ela pediu a sua redenção.

Sobre a decisão que ela tomou, não cabe a mim julgá-la. Não o fiz também em ‘Mar Adentro’.  Fico no respeito a decisão tomada! Não deve ser fácil depender quase que cem por cento da generosidade alheia para sobreviver. Há de se ter uma grande tesão em continuar vivo. Somando-se a isso, o fato de ter que dar trabalho a outras pessoas. E para ela, iria contar com quem? Com a família que possuía é que não. Frankie? Scrap? Não. Seria jogar neles um alto tributo. Assim, sem nenhuma perspectiva, não quis adiar… Frankie acatou…

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Enfim, por fim, o filme é dele, desse Treinador! Desse Deus para seus seguidores. Mas que é mortal. E que não queria sair de cena assim. Scrap e Maggie foram mais que seus louros. Lhes deixaram um sabor agri-doce… como o daquela torta de limão…

Para aquilo que se propôs a mostrar, a aposentadoria forçada de um treinador de boxe, digo que é um bom filme. Mas que a mim não deixou a vontade de rever. Nota? Um 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Menina de Ouro (Million Dollar Baby). 2004. EUA. Direção: Clint Eastwood. Elenco: Clint Eastwood (Frankie Dunn), Hilary Swank (Maggie Fitzgerald), Morgan Freeman (Eddie Scrap-Iron Dupris), Jay Baruchel (Danger Barch), Mike Colter (Big Willie Little), Lucia Rijker (Billie ‘The Blue Bear’). Gênero: Drama, Esporte. Duração: 137 minutos.