As Testemunhas (Les Témoins)

les-temoins

O melhor do filme de André Téchiné não é o retrato documental de uma doença fatal que surgiu no início da década de 80 e sim o roteiro preciso e envolvente que lida com a violenta mudança comportamental que começou naquela época e segue até os dias de hoje por conta da epidemia.

Conta a estória de um jovem gay promíscuo que se divertia em parques, banheiros e boates até conhecer um senhor médico que se apaixona por ele. Nesta época se envolve com um policial casado e descobre ser portador de um misterioso vírus. A situação mudará completamente a vida de todos os envolvidos.

Curiosamente, não é um filme triste embora choque com a crueza de algumas cenas. O engenhoso roteiro elabora situações que extraem momentos de reflexão, beleza e até sensualidade de um acontecimento aparentemente terrível. Os diálogos são ricos especialmente quando tratam dos sentimentos que envolvem a doença como a vergonha, o medo, o preconceito e a sensação de perda.

Les témoins conta com um elenco afinado que inclue Michel Blanc e Emmanuelle Béart e uma música recorrente que ajuda a compor o clima que evita a tragédia comum em todos os filmes com este tema, vislumbrando a esperança sempre que possível, como na seqüência final com o barco atravessando o mar num dia claro de sol.

Por: Carlos Henry.

As Testemunhas (Les Témoins). 2007. França. Direção: André Téchiné. Elenco: Michel Blanc (Adrien), Emmanuelle Béart ( Sarah), Sami Bouajila (Mehdi), Julie Depardieu (Julie), Johan Libéreau (Manu), Constance Dollé (Sandra), Lorenzo Balducci (Steve), Alain Cauchi (Sheriff). Gênero: Drama. Duração: 112 minutos.

RUMBA – Lembranças de Jacques Tati

rumba-movie-02

Este é um filme singular sobre a esperança e o bom humor que temos de aprender a ter nos nossos difíceis dias de hoje.

Trata-se de uma comédia rasgada e silenciosa com dois atores talentosos, expressivos e estranhos que são Fiona Gordon e Dominique Abel que também é o diretor do longa. Eles formam um casal de professores no interior da França que têm suas vidas radicalmente mudadas após um acidente sério. Fiona e Dominique mantém seus nomes no filme e Philippe Martz está impagável como o suicida chorão.

O elenco mirim merece destaque.

Impossível não lembrar Jacques Tati, sendo que agora temos mais tragédia e horror acrescentados à engraçada melancolia de poucas palavras dos filmes daquele gênio. Os tempos de Dominique são outros. Chegamos ao século 21.

Por: Carlos Henry.

Rumba (Rumba). 2008. França. Direção e Roteiro: Dominique Abel, Fiona Gordon , Bruno Romy. Elenco: Dominique Abel (Dom), Fiona Gordon (Fiona), Bruno Romy (ladrão de pão com chocolate), Philippe Martz (Gérard), Clément Morel. Gênero: Comédia. Duração: 77 minutos.

carlos-henry-no-bonequinho-viuCuriosidade: Essa resenha, como podem ver, foi escolhida pelo ‘Bonequinho viu‘, do Globo.

Psicopata Americano (American Psycho. 2000)

americanpsycho

Aviso: Caso ainda não tenha assistido ao filme, o texto a seguir contém vários spoilers.

Esse filme é de 2000 e é ambientado na década de 1980. Um típico yuppie (Christian Bale) toma atitudes insanas sempre que sente-se ameaçado por amigos que, como ele, são obcecados por sucesso e glamour. O filme de Mary Harron é um retrato irônico da década de 80. Assisti quando foi lançado e achei uma droga. Assisti novamente recentemente (início de 2007) e agora o considero um clássico! Indico a todos.

Acredito que a intenção do filme não é mostrar a impunidade e nem uma crítica ao estilo de vida yuppie (por mais que dê umas cutucadas), mas mostrar a loucura do personagem. Também não acho que ele tenha a pretensão de mostrar que a vida atual transforma as pessoas em psicopatas (não que não as transforme), porque a história da humanidade mostra que psicopatas existem desde que existe o ser humano, é uma doença inerente a ele, independente de credo, cor, raça, poder aquisitivo, escolha sexual, etc…

O filme vai mostrando um crescente na doença mental de Bateman. Desde o nome do filme, Psicopata Americano. Psicopatia se refere à doença mental que Bateman tem.

christian_bale-in-american_psycho

Doença mental.

O filme inicia com Bateman falando sobre isso quando narra sobre si mesmo, principalmente na parte onde ele diz que não existe um ‘eu’, apenas uma instituição humana que ele mantém através de gel, da boa alimentação, dos cartões de apresentação e de seus exercícios. Ele diz também não ter sentimentos nem apegos emocionais. A sua vida é uma farsa que ele precisa sustentar e seu mundo um teatro – o que é caracterizado no filme pela exaltação dos inúmeros pratos e suas descrições, da luta pela sustentação de Status.

A partir do momento que ele retira a máscara facial quase tudo passa a ser delírio. Claro que os almoços, as idas e vindas ao escritório, as reuniões com amigos e colegas da empresa, tudo isso aconteceu. O que era delírio era o que passava em sua mente referente ao o que ele gostaria de ter feito com aquelas pessoas: matá-los a todos!

Logo em seguida há a cena da boate, onde ele diz sorrindo para a atendente que gostaria de matá-la. Ela não escuta. Pode ser porque o som estava muito alto, mas prefiro acreditar que ela não escutou porque ele disse somente em seus pensamentos.

No escritório, outra farsa, ele era uma espécie de cabide de emprego, ‘apadrinhado’. A empresa é de sua família – tanto que ele não trabalha, não faz nada o tempo todo. Apenas escuta seu walkman.

A certa altura ele diz que ‘precisa se enquadrar’ naquela vida onde ele foi colocado. Acho muito legal essa observação. Digamos assim (estou viajando agora): ele tinha um dom para classificar, detalhar e analisar músicas. Se ele não ‘precisasse se enquadrar naquele sistema tido como ideal’, talvez ele não fosse o psicopata que era, e talvez fosse um ótimo critico musical, por exemplo. O desejo do outro, possivelmente de seu círculo familiar/social, era maior que o desejo dele, e essa raiva toda por essa impossibilidade de fazer o que queria era dada vazão em seus delírios. Tanto que todos os assassinatos eram acompanhados de análises dos cds que ele escutava durante o ritual, quando ele demonstrava um imenso prazer ao fazer essas análises – prazer esse que logo era trocado por uma raiva incrível enquanto ele matava ‘aquilo’ que representava o mundo ao qual ele estava preso.

O filme mostra o lado negro da mente de uma pessoa aparentemente normal, um lado que todos nós temos – o que difere é a intensidade… Até diria que a ‘vida em sociedade’ só é possível por conta da ‘domesticação’ desse lado negro que nos habita, porque, afinal, queiram ou não, todos já tivemos um desejo de trucidar alguém. No mundo que ele freqüentava, em no mundo em geral, oras!, uns matam os outros de forma metafórica – apesar de que naquele mundo a presença maior (tecnicamente falando) é de neuróticos obsessivos, e não psicóticos – ele, Bateman, não faz aquele mundo girar, não é exemplo de profissional, ele é, na verdade, incompetente – duas pessoas disseram isso no filme.

Cenas que comprovam ser delírios os assassinatos:

-> Ele arrasta um corpo por um saguão deixando marcas de sangue, mas, logo em seguida, essas marcas desaparecem.

-> Ele explode dois carros da polícia com tiros, olha para a arma e bate na cabeça – impossível explodir dois carros daquela forma, a não ser em filmes do Charle Bronson. Impossível em um filme que se supõe sério (como esse) que um ‘amador’ mate todos os guardas, mais experientes e capacitados, e saia ileso. Além de que ninguém escutou os tiros nem as explosões – como é o caso do porteiro e do zelador do edifício que ele entra logo em seguida.

-> Atira no porteiro e o zelador de um prédio que acredita não ser o dele – mas as pessoas o conhecem e há câmaras filmando.

-> Estava com os amigos, segundo o detetive Donald Kimbal na noite do sumiço de Paul Allen (apesar de que acho que até o detetive possa ser fruto de sua imaginação).

-> O apartamento é reformado de um dia para outro.

-> O advogado no final nem quis papo com ele (possivelmente nem o conhecia) e havia almoçado com o Paul alguns dias antes. (esse advogado é um dos que se referem ao Bateman como incompetente).

-> Todos os crimes estavam desenhados no caderno que a secretária encontra na mesa de Bateman. Não porque ele desenhava antes, mas porque, enquanto ele desenhava, os crimes criavam forma em seus pensamentos.

-> O fato de haver uma continuação que afirma que as atrocidades foram reais não quer dizer nada, porque essa continuação era apenas para Hollywood faturar mais, utilizando o sucesso do primeiro filme, tanto que o filme é um lixo, não é do mesmo escritor, nem roteiristas, e nem conta com o mesmo elenco.

Observações:

Sobre o cartão de visitas, todos olham o de todos, mas o único que fica realmente fisgado e incomodado com isso é Bateman. Os outros olham, tecem um ou dois comentários, demonstram até admiração, mas logo retornam aos encostos de suas cadeiras. Somente Bateman sua frio e realmente sofre com isso. O diretor queria mostrar como essas particularidades influenciavam Bateman.

Sobre o restaurante Dorsia, é impossível que nenhum deles nunca conseguisse reservas para o restaurante, que fizessem a reserva para dali um ano, se fosse o caso, então esse “tal dia” um dia chegaria. Mas essa dificuldade fora colocada no filme apenas como gancho para representar algo inacessível, símbolo máximo de status, e para dar motivo à raiva de Bateman contra Paul Allen. Batman, por sinal, havia por várias vezes tentado fazer uma reserva e não conseguira (em uma ocasião, o atendente inclusive riu da cara dele), e até a secretária humilde já tinha ouvido falar. Novamente o diretor quer mostrar o quanto as frivolidades atingiam Bateman, tanto que os outros ficaram com inveja, uns até o desacreditaram, mas logo retornaram às suas vidas fúteis. Apenas Batemam não conseguiu lidar nem conviver com isso.

Impressões:

A mulher do apartamento não percebe que Bateman é Bateman, ela sequer o conhece, senão o teria chamado pelo nome. Ela fica com raiva de um sujeito entrar daquela forma no apartamento, ainda mais em New York, cidade de pessoas arrogantes, além de que ele podia ser um assaltante, ou qualquer outra coisa – ela pergunta se ele viu a informação da venda na Times para pescá-lo, percebe que ele está mentindo. Se ela o conhecesse, não faria esse tipo de joguinho, ela poderia comentar: ‘você por aqui?’, ou ‘como você tem a cara de pau de vir aqui?’. Além de que seria impossível querer ‘esconder’ os assassinatos. E, se ela soubesse que ele era o assassino, pelo estilo dela, e pelo estilo dos americanos, eternos paranóicos, ela ligaria logo em seguida para a polícia.

Acho que as cenas condizem com a realidade de Bateman, e a realidade dele são os seus delírios – todos os crimes aconteceram em seus desejos, representados por seus desenhos…

Sobre a prostituta que não queria entrar no carro. Ele realmente a espancou. Até ai ele podia ir – espancamento. Matar estava além de seus atos, reservado somente aos seus pensamentos. Mas ela precisava do dinheiro e entrou novamente no carro.

Bateman não extraia prazer do sexo. Ele extraia prazer em ‘se ver’ fazendo sexo. O gozo estava em se ver no espelho ou revendo o filme que fazia – extremamente narcisista. E, por ser narcisista, a intenção era matar tudo aquilo que criasse problemas ao ‘seu mundo’ narcíseo; tanto que ele matou (fantasiosamente) o advogado somente porque ele tinha um cartão de apresentação melhor que o dele e, principalmente, porque conseguia (e se exibia por isso) reserva no Dorsia – o símbolo da inacessibilidade.

Por: Junior Oliveira.  Blog: Jr. Oliveira.

Psicopata Americano (American Psycho). 2000. EUA. Direção: Mary Harron. Elenco: Christian Bale (Patrick Bateman), Willem Dafoe (Donald Kimball), Jared Leto (Paul Owen), Reese Whisterpoon (Evelyn Williams), Samantha Mathis (Courtney Rawlinson), Chloë Sevigny (Jean), Justin Theroux (Timothy Bryce), Josh Lucas (Craig McDermott), Guinevere Turner (Elizabeth), Matt Ross (Luis Carruthers). Gênero: Crime, Terror, Thriller. Duração: 104 minutos.

O Galinho Chicken Little (Chicken Little)

chicken-little

Eu sou fã de desenhos animados. E ultimamente eles são certeza de uma boa pedida. Fui. Esse é o primeiro da Disney sem a ajuda da Pixar. Antes teve “Procurando Nemo”, “Toy Story”, “Monstros SA” e “Os Incríveis”. Cada um melhor do que o outro. Aí eu vejo na tela um galinho cabeçudo, com uns óculos verdinhos e camisa listrada. Ele pode ser até fofinho, mas é um chato.

No começo pensei que ele fosse assim um tipo de nerd. Mas ele é style… As figuras que o cercam são todas estereótipos da sociedade infantil norte-americana. A menina feia e dentuça, mas cheia de amor pra dar… O gordinho meio gay, que é um porco. Só gostei do menino-peixe. Ele não fala, talvez por isso. Caladinho fica legal. Não dizendo baboseiras psicanalíticas e de auto-ajuda.

No início o galinho sofre um acidente e alarma toda a cidade. Não vou negar que os desenhos são bem feitos. Mas são estandartizados. Tudo igual. E as musiquinhas inseridas são fraquíssimas. Que saudades de “Rei Leão” com seu início gradiloquente e roteiro fantástico. Este foi o último desenho animado, só da Disney, que prestou.

Mas vamos ao filme… Tentando provar ao pai e à população em geral que ele é confiável, o galinho se esforça. Na seqüência dos treinos e jogo de beisebol é boa. Gosto em especial da maneira como um pai lida com o filho que tem dificuldades de socialização. Nem todos serão campeões ou os bonitões do colégio. A grande massa é comum, assim como a maioria dos filhos e das pessoas.

O carinho do galão é lindo. Mas a falação da marreca, desnecessária. Esse negócio de discutir a relação é coisa de revista Capricho e similares. Então acontece o inevitável. Cai novamente na cabeça do menino um pedaço de uma nave espacial. E dessa vez nem dá para comparar com a avelã…

Entre a terrível dúvida de contar ou não para o povo o que está acontecendo, o galinho e seus amigos padecem. Boas cenas dos alienígenas. Nessa hora meus filhos gostaram. Antes, só comentários esparsos… Adorei o fenômeno-espelho da nave.

A ação aumenta e o filme fica legal. Ufa! O final é uma lição de moral muito boa e também uma feliz crítica ao endeusamento de Hollywood às pessoas que fazem algo de diferente. Só então o enredo cresceu.

O que há de bom: cores e cenas modernas com soluções de estilo, típico de desenhos da Disney

O que há de ruim: em vez de só mostrar os conflitos e suas naturais resoluções, fica com blá-blá-blá, criança não gosta e nem adulto

O que prestar atenção: a dublagem é feita por profissionais do ramo, e não atores globais, ficou perfeita! Aliás, a voz do porco e a tradução do seu nome, são melhores do que o original

A cena do filme: momento de respiração e de discothéque do porcão, hilário

Cotação: filme regular (@@)

Por Giovanni Cobretti – COBRA.  Blog do C.O.B.R.A.

O Galinho Chicken Little (Chicken Little). 2005. EUA. Direção:  Mark Dindal. Elenco (Vozes): Zach Braff (Chicken Little), Joan Cusack (The Ugly Duckling), Katie Finneran (Goosey Lucy), Don Knotts (Turkey Mayor), Garry Marshall (Father), Amy Sedaris (Foxy Loxy), Jeremy Shada (Alien Boy), Steve Zahn (Runt). Gênero: Animação, Aventure, Comédia, Family, Sci-Fi. Duração: 81 minutos.

Happy Feet – O Pingüim (Happy Feet)

happy-feet_01

Prepare-se para entrar num mundo de magia, diversão, música e dança. Se não estiver satisfeito, inclua a exclusão social, o preconceito, o meio ambiente. Ainda assim não bastou? Some o amor, o romance, a vida em família, os costumes ancestrais. Bem; pingüins. Pingüins, pingüins e mais pingüins.

Para quem não viu “A Marcha do Imperador”, veja. É didático. Um pinguim imperador é monogâmico e somente pela voz, especificadamente pelo canto, eles se reconhecem e acasalam. Cada um tem a sua “canção do amor”. Norma Jean, é isso mesmo, o nome de solteira da Marlyn Monroe canta uma sensualíssima “Kiss” do Prince. Seu par, com o nome de Memphis -precisa explicar?- responde com o não menos charmoso “Hart Break Hotel” do imortal Elvis.

Depois de inverno mais do que polar, glacial, em que o ovo dá uma caidinha no gelo, nasce Mano. Doces olhos azuis. Maduro desde o nascimento. Romântico. Mas não canta. Dança. Sapateia. Ele é uma aberração. A mãe aceita, o pai fica triste e olha como se ele fosse de gelo transparente, através dele. E a pequena fêmea, Gloria, não consegue entender como alguém tão legal não possa cantar. Mas ela sabe que o seu coração, um dia, será dele. Paciência e doação, Gloria. “Boggie Wonderland”, do Earth, Wind and Fire.

Rejeitado pelos mais velhos, Mano é praticamente expulso da colônia. Cenas fantásticas dele deslizando e nadando por aí. Seu encontro com as skuas – gaivotas predadoras – e o diálogo com uma que foi anilhada é importantíssimo. Mas nada é comparável ao achado dos verdadeiros amigos. Os pingüins da raça adele, pequenos, machos, sotaque argentino e de um bom humor inigualável. O líder é Ramón. Que mostra que ser pingüim é uma questão de geografia. Num lugar vale a música, noutro, pedras.

Ramón é o amigão que todo mundo quer ter. Simpático, peitudo, e a voz de Robin Williams arrebenta. Sua versão de “My Way”num ritmo sincopado tipo Gipsy Kings em espanhol é de arrepiar o cabelo da cauda. Daí em diante o Mano participa de uma grande coreografia orquestrada por seus amigos para achar quem está acabando com os peixes.

Sei que ele parte com o peito rachado e lembrando de “Somebody to Love” do Queens na sua cabeça. Glória não sai dela. Mas seu destino é incerto. Ele precisa fazer algo para a colônia. Após se orientar com o pinguim-Barry White, o Amoroso, vai em busca do seu destino. Amoroso é outro figuraço, um tipo místico-picareta e adorável. Este é o time de Mano, cinco argentinos, um doidão, ele e Deus. Melhor só um time de pólo-aquático.

O filme então dá uma guinada de 360 degraus. Mano descobre a razão da mortandade marinha e Amoroso narra suas desventuras com voz embargada. De desenho animado vira um tema pesado, mas não menos crucial. Tudo tem lógica. Ele vai para o Zôo e vê os humanos como nós somos. Bichos presos atrás de um vidro, previsíveis, e destruidores. Porém a arte de Happy Feet o salva.

O final é apoteótico e ao mesmo tempo singelo. Se é que isso pode acontecer. Ele reencontra sua amada, e ela soube esperá-lo amando-o ainda mais na sua ausência. Os humanos os vêem do seu helicóptero e Mano faz o que melhor sabe, dança. E uma revolução começa.

O que há de bom: roteiro primoroso e desenho absolutamente perfeito, ação e humor na dose certa

O que há de ruim: nem todo mundo vai pegar a manchinha da fêmea, ou a voz do pingüim de Magalhães do zoo que fala igual ao Hal do “Odisséia no Espaço 2001”…

O que prestar atenção: minha canção do coração é “I Loved You” do Freddy Cole, e a sua, mulher?

A cena do filme: a chegada de Glória para acompanhá-lo e os palpites e comentários de Ramón, impagável

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.  Blog do C.O.B.R.A.

Happy Feet – O Pingüim (Happy Feet). 2006. Austrália. Direção: George Miller. Elenco: Robin Williams (Ramón/Lovelace/Cletus), Hugh Jackman (Memphis), Elijah Wood (Mumble), Nicole Kidman (Norma Jean), Brittany Murphy (Gloria), Hugo Weaving (Noah), Johnny A. Sanchez (Lombardo), Carlos Alazraqui (Nestor), Lombardo Boyar (Raul), Jeff Garcia (Rinaldo), Steve Irwin (Kev), Anthony LaPaglia (Boss Skua), Miriam Margolyes (Sra. Astrakhan), Magda Szubanski (Miss Viola), Elizabeth Daily (Mumble). Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família, Musical. Duração: 108 minutos.

GOMORRA: A Máfia Italiana na Ativa

gomorra

Gomorra: A Máfia Italiana na Ativa

O top do IMDB (Internet Movie Database), principal catálogo de filmes disponível na internet, elege o grandioso “O Poderoso Chefão” como o segundo melhor filme de todos os tempos, segundo o próprio público. Ou seja, milhares de pessoas consideram a saga de Dom Corleone a mais brilhante entre qualquer outra coisa já realizada na sétima arte. Na história, baseada num livro de Mario Puzo, observamos a temida máfia italiana e a sua influência na sociedade: controle do comércio, da polícia, de figuras políticas importantes e mesmo astros de Hollywood. Tudo conduzido com muita elegância, num clima familiar, seguindo um código próprio e numa relação a qual todos saiam ganhando sempre.

mafia

Como exemplos reais, temos o caso do mafioso Al Capone, cuja lenda reza que, num período de lei seca onde ninguém podia comprar ou consumir bebida alcoólicas, diversas figurões, juízes e parlamentares frequentavam suas festas secretas e se embebedavam até cair. Mas tudo isto ficou no passado, a máfia italiana já não controla mais nada e não devemos temer a mais ninguém, não é mesmo? Errado! A máfia italiana está a todo o vapor, mais viva do que nunca, controla grandes fatias no tráfico internacional de drogas, é extremamente perigosa: seu nome? Camorra.

Um jornalista, Roberto Saviano, lançou um livro com diversos relatos acerca da organização, denunciando uma série de abusos e atrocidades. Este livro lhe rendeu alguns prêmios e logo um contrato para transformá-lo em filme. Assim surgiu o filme italiano Gomorra, onde graças ao sucesso que vem fazendo no mundo inteiro, obrigou o seu autor a fugir da Italia, visto que os chefões da mafia não estão gostando nada desta repercussão e resolveram mandar alguns recados contendo ameaças de morte.

O filme conta diversas histórias em paralelo de pessoas envolvidas com a organização criminosa: desde o processo seletivo de crianças que desejam ingressar na gangue até o assassinato de dois garotos que resolveram passar por cima do código de moral estipulados por eles. O mais interessante é que o filme desvela uma Italia diferente daquela que sempre ouvimos falar e que está presente em todos os cartões postais. Esta é uma Italia muito próxima as favelas brasileiras controladas por facções criminosas, inclusive no que diz respeito a qualidade de vida enfrentada pelas pessoas que convivem no dia-a-dia com estes criminosos.

Morte, dinheiro, drogas, corrupção, controle territorial, traição e um código próprio são os ingredientes que comandam o filme desde o início até o seu fim. Ao término sabemos que esta não é uma história qualquer, mas um filme-denúncia, que serve para nos alertar que por trás de um cenário tão belo está, novamente, o crime organizado. Sabemos que o crime organizado é influente e tem bastante força nos bastidores de todo um país.

italian_flag

Parabéns a coragem de todos os envolvidos, tanto na produção como na filmagem deste filme, afinal são todos italianos e obrigados a conviver no mesmo território destes marginais. Espero que todo o trabalho não tenha sido em vão e que está película sirva para que as autoridade e o mundo abram os olhos para o que acontece bem embaixo deles.

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

GOMORRA. 2008. Itália. Direção: Matteo Garrone. Elenco: Toni Servillo, Gianfelice Imparato, Maria Nazionale, Salvatore Cantalupo, Gigio Morra, Salvatore Abruzzese, Ernesto Mahieux, Marco Macor, Ciro Petrone, Carmine Paternoster, Salvatore Ruocco. Gênero: Crime, Drama. Duração: 135 minutos. Baseado no livro de Roberto Saviano.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride)

corpse-bride

Definitivamente, este filme não é somente para crianças. A despeito da técnica sensacional utilizada o “stop motion”, do domínio das cores, com a inversão delas. No mundo dos mortos tudo é colorido e claro, e no dos vivos a coisa escurece. Cada boneco de plasticina foi fotografado 24 vezes por segundo, para ter esse efeito! Uma trabalheira doida!

Mas a história e a composição dos personagens é que surpreende. O noivo é inseguro e carente. Uma vozinha por um fio. Praticamente um sósia do Johnny Deep, melhor ator de cinema atual, na faixa dos 40 anos. Suas características físicas correspondem às emocionais. E isso se espalha pelos diversos personagens. A noiva cadáver voluptuosa e quente. O olhar doce da noiva “de verdade”. O casal díspar, uma alta e longilínia e o outro baixo, atarracado, travado. Vejam como é difícil para ele apenas… sorrir.

Uma mórbida crítica a nossa sociedade. Na Inglaterra vitoriana, um casal de novos ricos, que vendem peixe, tenta atar laços com os decadentes Everglot. Um casamento de conveniência. Os ricos só casam com ricos ou com beldades estupendas. Ou você já viu uma menina rica e bonita casar com um modelo pobre? Ou um milionário casar com uma feia da sua idade e ainda por cima pobre?

Depois de não passar no teste do ensaio, o noivo resolve treinar na mata. E por acidente, celebra seu casamento com uma morta. Vai para o mundo dela. E que é muito mais interessante do que o seu. Adorei as cenas do encontro com o antigo cão. E o musical também.

Uma luta se desencadeia. Entre a sem sal viva, e a sensual morta. Mas honesta. O que é extremamente raro entre mulheres. A primeira é declarada louca e a segunda é desestimulada a brigar pelo seu homem. Ambas prosseguem. Até que o candidato a casar-se com ela – a vivia-  se revela como o antigo assassino da noiva cadáver.

Diante da tal surpresa encontramo-nos em um grande impasse. Como casar com alguém que já está morto e como impedir que um vivo case com um outro vivente? Somente matando o desgraçado. E é o que acontece, numa seqüência inteligentíssima.

O final é belo. Singelo até. Mudei de opinião durante o desenrolar da fita. Comecei torcendo pela noiva cadáver e depois para a de carne e osso. No finalzinho eu queria algo feliz. Como um menino sonhador. Como um cinéfilo.

O que há de bom: cenas e mais cenas de closes arrebatadores, com sutis nuances de humor e ângulos diferentes, inusitados
O que há de ruim: as mensagens de valores e encontros e desencontros, não chegarão ao público de direito, as pessoas ricas que acham que tudo se resolve por contratos
O que prestar atenção
: vários atores que dublam já fizeram três ou mais filmes com Tim Burton, isso dá uma espontaneidade incomum em outras obras, tornando-o cada vez mais personalista, e bom
A cena do filme: a fina ironia de quando ela canta que sente o coração doer, embora ele não bata, está se partindo… lindo!

Cotação: filme ótimo (@@@@) para cinéfilos, claro…

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.   Blog do C.O.B.R.A.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride). 2005. EUA. Direção: Tim Burton e Mike Johnson. Elenco (Vozes): Johnny Depp (Victor Van Dorst), Helena Bonham Carter (Noiva-Cadáver), Emily Watson (Victoria Everglot), Albert Finney (Finnis Everglot), Richard E. Grant (Barkis Bittern), Christopher Lee (Pastos Galswells). Gênero: Animação, Comédia, Fantasia, Musical, Romance. Duração: 78 minutos.

Alguém Que Me Ame de Verdade (Arranged)

arranged

O filme de Stefan C.Schaefer e Diane Crespo desvia do óbvio clichê “conflitos do Oriente Médio” para enfocar simplesmente a opção de duas amigas de tentarem manter suas culturas e tradições apesar da pressão do ocidente em impor suas regras.

A judia ortodoxa Rochel (Zoe Lister-Jones) e a muçulmana Nassira (Francis Benhaimou) trabalham na mesma escola em Nova Iorque e iniciam uma amizade que não é bem aceita por conta das divergências culturais. A visão maternal e distorcida da diretora do colégio, que tenta mudar o estilo das belas mas antiquadas professoras, cria cenas muito interessantes.  Mas o enfoque da estória é o problema que as duas têm em comum que são os seus respectivos casamentos impostos por suas religiões seculares justificando o título original: “Arranged”.

Na contramão do roteiro fácil, os conflitos se resolvem de forma surpreendentemente simples criando um filme leve, digerível e bem-humorado calcado numa convicção enraizada em valores familiares e religiosos cada vez mais raros no mundo inteiro.

Por: Carlos Henry.

Alguém Que Me Ame de Verdade (Arranged). 2007. EUA. Direção: Diane Crespo e Stefan C. Schaefer. Elenco: Zoe Lister Jones, Francis Benhamou, John Rothman, Mimi Lieber, Laith Nakli, Doris Belack, Marcia Jean Kurtz, Trevor Braun.. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 90 minutos.

A TROCA (Changeling)

changeling-poster

Lembro-me de um filme bastante aterrorizante da década de 80, chamado: “A Troca” (The Changeling) de Peter Medak. O filme em questão apesar de ter quase o mesmo título foi dirigido por Clint Eastwood e não é de terror, mas assombra da mesma forma, especialmente por ser baseado em fatos reais e impressionantes.

A estória mantém o espectador com os olhos grudados na tela para acompanhar o sumiço de uma criança que é inacreditavelmente substituída na intenção de tentar melhorar a imagem da polícia californiana, imersa na corrupção, desídia e truculência dos anos 20.

Nada mais apavorante do que a angústia de uma dúvida. A incerteza apavorante que atravessa o filme inteiro lhe confere com justiça o status de thriller. Há alguns excessos em algumas cenas de morte e em algumas performances. Uma abordagem mais sutil em alguns momentos o transformaria num grande filme, mas não vou falar mal de Angelina Jolie que está sendo injustiçada. Ela está bem no papel.

Por: Carlos Henry.

A TROCA (Changeling). 2009. EUA .Direção: Clint Eastwood. Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Riki Lindhome, Jeffrey Donovan, Amy Ryan, Colm Feore, Devon Gearhart, Kelly Lynn Warren. Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 141 minutos.

A Grande Final (La Gran Final)

a-grande-final-01

Tive a sorte de assistir a esse filme A GRANDE FINAL duas vezes. A primeira vez no Festival do Rio de 2006, foi exatamente no dia 23 / 09 / 2006, às 17h:45min, no Espaço Unibanco 2, como podem constatar pelo ingresso que guardo de lembrança e com carinho desse grande dia. Ah, confesso que coleciono todos meus ingressos de cinema; e assisti pela segunda vez na primeira Maratona de 2007, sendo o terceiro filme exibido dessa mostra, e fiquei meio surpresa, confesso, ou melhor dizendo, decepcionada, já que a maioria disse não ter gostado, pelos comentários que li sobre o mesmo. Se bem que dizer apenas “gostei ou não gostei” soa muito vago, já que numa obra cinematográfica, há tanto o que se falar: do roteiro, direção, fotografia, atores, locações e, rótulos são rótulos, como foi esse classificado na categoria DOCUMENTÁRIO. Seria mesmo Documentário? Eis minha dúvida…

Para mim, A GRANDE FINAL é um grande exercício de criatividade e originalidade. Se eu fosse roteirista, me sentiria orgulhosa, modéstia à parte, de ter escrito um roteiro, tão belo, criativo, tão singelo, a respeito de um esporte que une povos e que, de quatro em quatro anos torna-se o maior evento Mundial do planeta Terra (é proposital falar assim, pois se existir vida em outro planeta, talvez, nesse momento extraterrestre sinta uma ponta de inveja de um esporte tão prazeroso para o homem, e quem sabe também faça como muitos daqui um esforço incondicional e extraordinário para tentar assistir a essa ” pelada”).

a-grande-final_03

Três povos distintos que jamais, nem em sonho um dia se conhecerão (índios na mais fechada mata do mundo: a Amazônia; nômades em seus pôneis, no mais gelado canto da Rússia e sempre vagando pelos cantos do mundo; e os povos do deserto, atravessando de um lado a outro em seus camelos lentos, ou em suas “charretes” abarrotadas de muambas…) distantes, difícil acesso a tudo, vivendo suas vidas precariamente, mas com os mesmos sonhos, os mesmos gostos, os mesmos desejos -homens comprando páginas da Playboy única e exclusivamente pelas mulheres nuas), os mesmos ideais, as mesmas piadas (mulheres que criticam os homens por gostarem de futebol) …

la-gran-final

Sem energia elétrica, sem televisão de plasma, sem antena, sem conforto mas o sonho de assitsir a qualquer custo A GRANDE FINAL da Copa de 2002 no Japão entre a Alemanha e o Brasil, custa caro para cada coração que tenta torná-lo realidade a qualquer preço. E enfim, com toda luta e esforço eles conseguem!

Se a maioria não gostou posso até achar que foi pelo cansaço por ter sido o último filme da maratona e também por causa do calor que fazia dentro do cinema o que é lamentável.

A GRANDE FINAL é para mim UM GRANDE E IMPORTANTE FILME. Parabéns ao idealizador.

Por:  Karenina Rostov.   Blog:  Letras Revisitadas.

A Grande Final (La Gran Final). 2006. Espanha. Direção: Gerardo Olivares. Gênero: Comédia, Documentário. Duração: 88 minutos.