Uma pena já sabermos do que se trata o filme, antes de assisti-lo. Tira a surpresa e influencia na avaliação. Mesmo não lendo absolutamente nada a respeito, eu sabia. São dois homens. Década de sessenta. Uma paixão tórrida. Um local mágico. E vinte anos de suas vidas medíocres com intervalos de paz e compreensão.
Uma história gay? Nunca! Um conto de amor? Nem tanto… Um panorama de duas décadas, com seus costumes, roupas? Um pouco. O perfil de uma sociedade machista, egoísta e por que não, até infantil? Sim, muito disso. Mas o que vejo é o cerne da existência humana. O amor idílico, na natureza, versus a vida comum dos meros mortais. Essa de colocar dois homens juntos foi para acender a curiosidade e atrair o público. A história em si, é universal.
Cuidando de ovelhas, passando frio, fome e raiva. Um veadinho percebe dentro da introspecção e total solidão do outro, um parceiro sexual numa noite gélida e escura. Porém a coisa não fica ali. Para surpresa de ambos, há o apaixonamento. São dias de intenso prazer e companheirismo. Qualquer homem gostaria de ficar semanas com seu amigão, só batendo papo, comendo, tomando umas, e vendo os bichos. Mas essa de levar atrás é duro… porém às vezes acontece.
Separados até geograficamente, o Wyoming é longe do Texas, eles tocam suas vidas. Casam-se com quem podem. O primeiro com uma mulher tosca como ele, de poucas palavras, de cara fechada que nem abre a boca direito para falar. O segundo com uma menina rica, dominadora e bonita. Até que passados quatro anos se reencontram. E, para nova constatação, com uma eletricidade violenta.
Não conseguem nem esconder a ânsia de estarem juntos. Primeira avaliação é bem sintomática. Enquanto o bruto ama aquele que deu a ele os únicos momentos de conforto emocional e carinho, o outro deseja compor uma família, com ele. O Enis é machista, trata mal a mulher e ignora as filhas. O Jack é alheio e submisso em sua vida de genro-de-merda. Ambos “outsiders”.
A diferença básica está que Enis ama o Jack e não aparenta sentir atração por nenhum outro macho. Já Jack se envolve. Não resiste ficar muito tempo sem uma vara… Mas quando estão juntos, são sinceros e honestos consigo mesmos e com o outro. O problema é que a vida não é uma montanha isolada.
O tempo passa e o nó não desata. O filme –único erro pro mim detectado- começa a se arrastar. Cenas dispensáveis, tais como a do jantar de Ação de Graças, ou os fogos de artifício. Ou até mesmo alguns encontros de ambos. Poderia ser mais curto. Entretanto julgo que o diretor tenha imprimido esse ritmo mais lento, nos obrigando a reflexões.
Neste instante perscruto a sala de projeção e os rostos da platéia. A maioria das mulheres está emocionada e vivamente interessada. Os homens hetero –sim há muitos casais homo no cinema- sentem certo desconforto. E os homossexuais masculinos são bem analíticos e relaxados. São os únicos que riem em determinadas cenas.
O final é arrasador. Pungente. Um deles jamais poderá reencontrar o outro. A família acolhe o parceiro e suas lembranças. Ambas as esposas carregam a mágoa e a nódoa de terem sido apenas receptáculo de filhos e de frustrações. Cada atriz é soberba. Gosto da mãe do Jack. Quase todo homo tem uma mãe muito bacana e amorosa. Fica a pergunta: a vida é feita de momentos na montanha ou se passa com contas a pagar, família, responsabilidades e um profundo, bem fundo mesmo, vazio?
O que há de bom: a composição do complexo e sofrido Ennis Del Mar, excelente atuação de Heath Ledger (se não levar o Oscar, é injusto)
O que há de ruim: a sociedade só verá os caras e não o sentimento que os une
O que prestar atenção: o Ennis não envelhece direito… erro de maquiagem?
A cena do filme: o final, uma foto da Brokeback em contraste com o quadrado da vida lá fora
Cotação: filme ótimo (@@@@)
Por: Giovanni Cobretti – COBRA. Blog: C.O.B.R.A.
O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain). 2005. EUA. Direção: Ang Lee. Elenco: Jake Gyllenhaal (Jack Twist), Heath Ledger (Ennie Del Mar), Michelle Williams (Alma Beers Del Mar), Anne Hathaway (Lureen Newsome Twist), Randy Quaid (Joe Aguirre), Linda Cardellini (Cassie Cartwright), Anna Faris (LaShawn Malone). Gênero: Drama, Romance, Western. Duração: 134 minutos. Baseado em história de Annie Proulx.


Oi Lella!
Tenho muita vontade de assistir este filme, o que pretendo fazer este ano, em especial pela tua avaliação!
Feliz 2009!!!!!
beijos
Oi Isa!
Eu não posso avaliar, porque não assisti ainda. Ontem, até que comecei a ver na tv, mas agarrei num papo e parei de prestar a atenção.
O texto é do COBRA.
Feliz 2009, pra ti também!
Beijo grande,
foi exelente quando eu estava assistindo esse filme.
um dos melhores e mais emocionantes q assisti.
boa pedia para quem gosta de drama.
Passou sábado passado na “grobo”, dizem que não teve corte … mas não vi ….
Lella, amiga quando puder passa lá no blog
))
Tem “propaganda” de você
bjs
foi linddddoooo até xorei
Sou gay, não assumido, e achei o filme lindo, a história é linda, e seja um homem, mulher, gay, hétero, seja o que for, acho que qualquer um sonha em ter um amor tão intenso e verdadeiro. A pessoa que fez essa resenha é bem preconceituosa, mas dá para ver que não cultua certos cliches como muitos.
Oi Phill!
Primeiro, grata por deixar suas impressões do filme!
Em relação ao texto, não vi preconceito, e sim uma análise realista do que o autor viu, sentiu vendo o filme.
Não sei o motivo de você não ‘ter assumido’ a sua sexualidade. Mas se ficas melindrado com o que foi descrito no texto do COBRA… procura por ajuda de um profissional da área psico. Converse… quem sabe ajudará a ti, a não mais esconder-se
Volte sempre!
Beijo grande,
O texo começa com uma análise psicanalítica e comportamental. Depois utilizo alguns termos mais coloquiais para situar cada um do personagens em suas ações.
Habitualmente a classificação de homossexualidade dá-se quando a pessoa mantém relações afetivas homoeróticas por 2 anos consecutivos.
Dentro da frequência coital e de parceiros, podemos encaixar o paciente em várias categorias. Nos extremos o homossexual exclusivo e o hetero exclusivo. Pessoas que somente mantiveram relação com parceiro homo ou hetero. Depois temos o homo com experiência hetero fortuita (ocasional) e o hetero com experiência homo fortuita. Aí temos o homo preponderante com experiência e comportamento hetero social (geralmente os homos casados com hetero) e os hetero preponderante com experiência homo social (por exemplo, o sujeito que paga um travesti para manter relações). E por último o bissexual que aprecia o prazer e não se importa com a opção sexual do parceiro e nem com a sua própria.
Quanto ao preconceito está em quem lê não em quem escreve, já que como terapeuta estou acostumado a conviver com as pessoas em conflito, sejam homo, hetero ou bi. Apenas utilizei termos bem frequentes até no diálogo homo.
Forte abraço,
do COBRA
Sou Osmar Viana, brasileiro, daqueles que Nasce Forte e Aprende a Ser Vencedor ! Sou um batalhador prestes a conquistar meu grande sonho, que é a conquista da minha casa própria. Sou um homem temente a Deus, mas amante do arbítrio individual… Gosto de Viver a Vida em pequenas porções, mas procuro extrair dela o melhor que posso. Se isso é felicidade, não sei, mas o fato é que tenho “vivido” muito satisfeito com o volume gradativo de conquistas que Deus tem me proporcionado nos últimos tempos. Amo a sétima arte e gostaria de deixar um comentário sobre um filme que mais me chamou a tenção nos últimos tempos. que foi o filme: O Segredo de Brokebrack Mountain, uma obra prima inspiradora, além de ser um dos filmes mais espetaculares que já assisti nos últimos tempos, haja vista que o mesmo consegue ser tênue e completo ao mesmo tempo. Expõem nossas hipocrisias sem nos agredir. Nos remete a um mundo ha muito tempo, esquecido pelos “mantenedores” da sétima arte, ou seja, o romantismo! já que essa á a parte mais vulnerável dos seres humanos, já que é a única que consegue fragilizar todo ego humano e reduzí-los a insignificância que os mesmos detém no âmbito da nossa percepção. Todavia, há uma parte triste… e essa é certamente, a parte que nos sacode e nos remete ao mundo real, onde temos que partilhar a perda imensurável, que representa a morte do ator principal, heath ledger, uma tragédia irreparável, ante a importância do mesmo, numa obra prima do cinema mundial dos últimos tempos. Parabéns aos autores, atores e produtores que protagonizaram essa obra cinematográfica única, que é antes de tudo um convite para a reflexão e para a introspecção de cada um de nós diante do mal do século; a ignorância e a intolerância humana que insistem em se firmar como uma necessidade persistente.
Oi Osmar!
Que belo depoimento! Parabéns!!
Volte sempre!!
Beijo grande,
O filme mostra um amor sincero e verdadeiro com uma sensibilidade espetacular. Que bom q temos filmes assim, pois dá oportunidade para a sociedade entender o homo.