SHORTBUS

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SHORTBUS é um filme subestimado de John Cameron Mitchell pois ficou mais conhecido pelas ousadas cenas de sexo explícito como a estranha abertura com vários momentos simultâneos de orgasmo que incluem um de auto felação. No entanto, há mais do que isso entranhado no vasto leque de personagens bem construídos e bem desenvolvidos com os próprios atores ao longo das filmagens. O elenco não muito experiente em filmes tradicionais inclui Sook-Yin Lee, Paul Dawson, Justin Bond, Lindsay Beamish, PJ Deboy, Raphael Barker e Peter Stickles.

Os acontecimentos giram em torno de Sofia, uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, tratando de um casal de rapazes que procura uma terceira pessoa para uma relação aberta. Eles freqüentam o mesmo clube underground chamado Shortbus onde acontece de tudo. Lá, Sofia conhece Severin, uma dominatrix disposta a ajudá-la e os rapazes encontram Ceth, um modelo bonito que parece perfeito para o ménage. Mas um voyeur que mora em frente ao casal, se incomoda com o fato e vai causar confusão no clube.

O filme rende bem com diálogos muito interessantes e seqüências originais como o trio masculino cantando o hino nacional americano no meio do sexo oral. Outro ponto positivo é a trilha sonora bem bacana assinada por Michel Hill e o grupo Yo La Tengo de New Jersey que embala  estórias entrelaçadas de pessoas dispostas a superar o pânico e unir-se  após os ataques terroristas na Nova Iorque de 2001. O maior mérito do filme é justamente este: Levanta temas pesados e tristes mas tudo acaba bem numa fanfarra animada e conciliadora fazendo a cidade de Manhattan em maquete animada iluminar-se cheia de esperança e luz após as trevas.

Afinal os problemas devem ser encarados e solucionados. É como deve ser.

Por: Carlos Henry.

Visões de Realidade e Fantasia em ‘Closer’

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Um filme pode conter, de maneira proposital, diversas camadas de temas que se sobrepõem, permitindo várias leituras sobre a obra. Através desse artifício, o autor do filme – o roteirista ou o diretor – estrutura o tema ou personagens, de modo que determinados conteúdos psíquicos apareçam em uma camada interpretativa secundária, fazendo com que o espectador identifique-se com ele, atraindo-o inconscientemente para dentro da tela. Por tal ponto de vista, o filme pode ser visto sob um prisma onírico, onde seu conteúdo manifesto  – imagens por vezes sem sentido, situações irreais – esconde seu verdadeiro significado no chamado conteúdo latente, escondido. Podemos notar tal artifício desde Um Cão Andaluz de Buñuel,  na obra de Fellini, até o cinema comercial americano, mesmo em alguns trabalhos de Spielberg.

Em um segundo aspecto, os temas relativos à psique são apresentados sem a intenção consciente por parte do autor. Aqui, torna-se mais difícil identificá-los, e apenas o olho do indivíduo preparado, ou identificado subjetivamente com o tema latente, poderá apontar e levantar questões pertinentes a ele. Alguns cineastas podem ser considerados autores, justamente por apresentarem variações sobre um mesmo tema, seja consciente ou não, ao longo de suas carreiras – vide Clint Eastwood e sua visão sobre a culpa em sua fase madura, revelando-se essencialmente católica em Menina de Ouro – , e proporcionarem essa identificação junto ao público. Podemos correr o risco de dizer que um filme não existe para o público se não houver essa identificação psíquica.

Tal identificação pode mesmo levar a interpretações profundamente pessoais sobre filmes com intenções muito claras. Parece ser este o caso de Closer – Perto Demais, um filme franco e aberto que discute as relações homem-mulher na sociedade contemporânea. Adaptado pelo dramaturgo Patrick Marber de sua própria peça teatral, o filme de Mike Nichols é um grande e elaborado discurso sobre o tema, questionando de modo ácido que lugares ocupam a mentira e a sinceridade nos relacionamentos, e até que ponto conseguimos discernir onde a verdade sai e dá lugar ao embuste, à fraude. Falando francamente de fraquezas humanas, o texto tem todas as chances de causar impacto no público. E é o que faz.

Em uma das várias discussões acerca de Closer, fui alertado para um aspecto que não notara. Uma pessoa que assistiu ao filme, identificada com Dan (vivido por Jude Law), viu a fita como uma criação literária do personagem: aquilo que vemos na tela em Closer seria O Aquário, o livro de Dan que não deu certo. Para este espectador, o filme todo não passa da realização fantasiosa de um escritor frustrado, que trabalha fazendo obituários em um jornal londrino. É uma leitura plausível: o título do livro – um grande tanque d´água, onde seres vivem expostos aos olhos do público – pode remeter a emoções expostas, porém limitadas às paredes do tanque; à psique aprisionada que quer manifestar-se (a água é um símbolo onírico associado em geral ao inconsciente, bem como às emoções e fantasias). Em suma: Closer é a fantasia de Dan – um alter ego de Patrick Marber ? – exposta na tela, tal qual um aquário.

Uma interpretação absurda, você dirá, mas perfeitamente possível para a pessoa que relatou-a a mim. O indivíduo em questão possui conhecimento da área psicanalítica, é extremamente ligado às artes, em especial à escrita. Li textos belíssimos de sua autoria, nunca editados e apreciados por um público mais amplo. Seu desejo de talvez seguir uma carreira literária fez com que se identificasse com Dan, e seu trânsito entre mundos subjetivo e objetivo levou-o a tal interpretação, unindo real e imaginário sem fronteiras bem determinadas. Não cabe dizer se é certa ou errada; é apenas uma visão pessoal, que poderá variar conforme características e conteúdos inconscientes de cada indivíduo. Uma stripper ou garota de programa, ou quem possua tal fantasia, poderá identificar-se com Alice (Natalie Portman), e enxergar o mesmo filme sob outro ângulo; alguém viciado em chats de sexo poderá ver-se como Larry (Clive Owen); casais em diversas fases no relacionamento, indivíduos manipuladores ou que se deixem manipular facilmente verão outras facetas na mesma obra.

Assim como o inconsciente, o filme jamais se esgota, proporcionando múltiplas visões sobre o mesmo e sobre quem é tocado por ele. Levando essas questões para o ambiente da clínica, um filme como Closer transforma-se em um instrumento notável para a compreensão das relações do sujeito com o outro e consigo próprio.

Por: Eduardo Sergio de Carvalho.

Coraline e o Mundo Secreto (Coraline)

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É difícil fazer uma animação feita para crianças que consiga agradar a todas as faixas etárias. A julgar pelas reações nas salas em que “Coraline” está sendo exibido, o diretor Henry Selick consegue empolgar pais, filhos e avós de modo relativamente equilibrado.

A estória da criança que recebe pouca atenção dos adultos e cria um mundo próprio e fantasioso pode soar um tanto complexa em alguns momentos, mas instiga e atiça a imaginação dos menos jovens que podem enxergar mensagens nas entrelinhas e se deliciar com a música envolvente, o clima delirante quase assombroso e referências de arte como Boticelli e Van Gogh embalados numa produção primorosa.

Já o universo infantil parece extrair a essência do excelente roteiro simplificando a idéia principal e se divertindo com muitas cores, criaturas e situações engraçadas que enchem os olhos a cada minuto. A seqüência das atrizes cantoras no teatro lotado com uma platéia canina é particularmente genial.

Enfim, “Coraline” é diversão de qualidade garantida para todos, especialmente se assistido em três dimensões com óculos especiais, apresentando momentos de realismo e profundidade de imagens raramente vistos nesta técnica.

Por: Carlos Henry.

Coraline e o Mundo Secreto (Coraline). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Henry Selick. Elenco (Voz): Dakota Fanning (Coraline Jones), Teri Hatcher (Mother / Other Mother). Gênero: Animação, Aventura, Drama, Família, Fantasia. Duração: 100 minutos.

Oscar 2009 – Um toque de calor humano

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Previsibilidade nos vencedores, momentos sentimentais e uma postura cada vez mais politicamente correta ao abraçar minorias ou abrir o leque das nacionalidades. Isso significa que a 81a. Cerimônia do Oscar foi uma mesmice? Não, pelo contrário. Se o conteúdo permaneceu inalterado em relação aos anos anteriores, o formato ganhou originalidade e dinamismo.

A duração próxima das três horas já serviu de alento. Em anos recentes tivemos festas com mais de quatro horas de duração, um absurdo completo. A redução foi obtida com um mesmo astro anunciando vários prêmios técnicos (Will Smith, por exemplo, foi responsável por quatro deles) e dedicando menos tempo à performance das canções originais, resultando num grande aumento da audiência.

Hugh Jackman, como o principal mestre de cerimônias da noite, foi outra grata surpresa. Utilizando seus dotes de cantor e dançarino, não perdeu minutos preciosos com aquela enxurrada de piadas duvidosas, preferindo reciclar a tradição criada por Billy Cristal de anunciar os concorrentes a Melhor Filme através de paródias musicais.

Outra inovação eficaz aconteceu na apresentação dos prêmios de interpretação. Colegas famosos dos indicados, vencedores da categoria no passado, apresentavam cada um deles tecendo comentários sobre seu desempenho, carreira e estilo de representar. Tudo isso reforçou um certo intimismo, conferiu um toque de calor humano e simpatia ao evento.

Por outro lado, a polêmica dessa vez passou longe do Teatro Kodak e de Los Angeles. Não houve surpresas nos vencedores, sequer se pode dizer que alguém tenha sido injustiçado. Toda alegação nesse sentido acabará apenas esbarrando na subjetiva questão do gosto pessoal. Sean Penn ou Mickey Rourke? Kate Winslet ou Anne Hathaway? O Curioso Caso de Benjamin Button merecia algumas das estatuetas destinadas a Quem Quer Ser Um Milionário? Em termos de Oscars essas são discussões eternas, nunca haverá consenso ou bom senso. Nenhuma premiação é criada para estabelecer verdades absolutas, sendo que a Academia nunca se esquivou de equilibrar arte, comercialismo e emoção nas suas láureas.

Assim, Heath Ledger talvez tenha sido, nesse sentido, a maior síntese da requintada noite de domingo. Seu prêmio foi artisticamente merecido (olha a subjetividade de novo), garante um retorno financeiro adicional e marejou o olhar de muitas celebridades ou anônimos. Os direitos civis felizmente continuam em alta ganhando mais um reforço ao consagrar o talentoso Sean Penn, no papel do ativista gay Henry Milk. A cultura indiana (a Globo agradece) abriu às portas de Hollywood à Bollywood, conferindo oito prêmios ao citado Quem Quer Ser um Milionário, demonstrando que etnias antes segregadas cada vez são mais bem vindas.

Haverá atualmente maior demonstração acintosa dos efeitos da globalização, que esta vinda da capital do cinema em sua festa máxima?

Por: Roberto Souza.  Blog: Cal&idoscópio.

Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire)

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Quem quer ser um Milionário? Ou, por que quer ser esse milionário? Pois foi com o final do filme, algo que pensei. O personagem principal nos mostrou que não traiu seus princípios trazidos desde a infância. Os quais eu assino embaixo.

Outro pensamento meu, sendo que esse veio no desenrolar da história, é em como ele ficou ciente da história. Num fórum (Orkut), onde valorizaram o ter bastante conhecimento ser muito importante, eu disse que se isso não tiver uma aplicação prática na vida da pessoa, entre outros fatores, corre-se o risco de virar um chato-rádio-relógio. O jovem do filme mostrou que não lhe foi necessário não ter lido Barsa, Larousse… É sensacional como sabia as respostas certas! O que me fez lembrar também de um capítulo de um livro do Leonardo Boff…

slumdog-millionaire_childrenEntrando na história… como pano de fundo, e de grande importância, temos a história de dois irmãos. Ambos, com valores distintos diante da vida. Mesmo vivendo na pobreza, numa imensa favela na Índia, um deles, Jamal (Dev Patel), apreciava os reais prazeres da vida, e a materialidade que lhe trazia felicidade, por exemplo, seria o ter conseguido um autógrafo de seu ídolo no Cinema. Já para seu irmão Salim, o dinheiro que lhe traria o poder ser alguém, em sair do anonimato. Embora com esse pensar diferente, o amor fraterno lhes sustentaram por ter perdido a mãe num massacre por conta de fanáticos religiosos. E ai, ao fugirem, a jovem Latika (Freida Pinto) entra na vida de ambos.

O tempo presente do filme, temos o Jamal tentando mostrar na Polícia que é inocente. Que não trapaciou no programa de tv ‘Quem quer ser um milionário?‘. A um passo da resposta final, o Apresentador, e dono do programa, na calada da noite, fez com que fosse ‘interrogado’. Para ele era impossível que um ex menino de rua, um atual jovem entregador de chá num Telemarking, chegasse até aquele ponto do programa sem trapacear.  Já que muitos, até com formação universitária, não foram tão longe.

Nossa! Eu acompanhei toda a história do filme quase sem respirar! Encantada! Revoltada em alguns trechos! Atenta para saber a nova história para cada resposta dada no programa! É que o Policial exibe numa tv suas participações desde o início. A história que ele conta, por exemplo, em como sabe qual é o presidente na nota de 100 dólares, me levou às lágrimas, e com um sorriso no rosto. Bravo Jamal! Foste um Herói!

O filme nos mostra outras realidades da, e na Índia. Uma delas seria os Call-Center para os países do Primeiro Mundo. Outra, seria locais onde os Turistas não vêem. É, tem muito mais para se ver nele. Que eu até falaria revendo o filme. Por hora, por ter ficado encantada com a história do Jamal melhor parar para não lhes estragar a surpresa do filme. Dou nota máxima com louvor!! Para ver e rever sempre!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Curiosidades:
- O filme levou 8 Oscar (2009), em: Filme, Diretor, Fotografia, Canção, Trilha Sonora, Edição, Mixagem de Som, Roteiro Adaptado.
– O significado da palavra Slumdo: Slumdog é a junção das palavras slum (favela) com underdog (que pode ser traduzido para o português como azarão, aquele que não é favorito para ganhar algo). O termo foi cunhado para identificar o personagem principal do filme, o órfão Jamal (Dev Patel). (By: Danny Boyle)

Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire). 2008. Inglaterra. Direção: Danny Boyle e Loveleen Tandan. Elenco: Dev Patel (Jamal), Anil Kapoor (Kumar), Freida Pinto (Latika), Irfan Khan (Chefe de Polícia), Madhur Mittal (Salim); Cast completo. Gênero: Crime, Drama, Romance. Duração: 120 minutos.

Perfume de Mulher (Scent of a Woman)

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Dois homens muito diferentes se conhecem, e convivem por um final de semana – o suficiente para mudar suas vidas.

De um lado, o Coronel Slade, um homem embrutecido pelo sofrimento, brilhantemente interpretado por Al Pacino.  Do outro lado, Charlie Simms, um jovem humilde e batalhador, interpretado por Chris O’Donnell.

Frank Slade é um homem amargo, irascível… e cego. Sua cegueira não somente o afastou da vida social, como também parece ter tirado a honra de seu passado como veterano de guerra. A família de Frank contrata Charlie para cuidar dele por um fim de semana; Frank, no entanto, tem seus próprios planos: pretende passar um último fim de semana glorioso, e depois matar-se.

Assim, arrasta o jovem Charlie para Nova York, onde se hospeda num hotel de luxo, e dá início a uma despedida secreta, laureada com os melhores uísques, limusines e restaurantes. Charlie está, ao mesmo tempo, deslumbrado com a ostentação à qual não está acostumado, e assustado com a sabedoria sarcástica do Coronel Slade – além de não fazer idéia de suas reais intenções nesta viagem esbanjadora.

Charlie está enfrentando seus próprios problemas: está ameaçado de perder sua bolsa de estudos numa conceituada universidade, pois foi injustamente acusado de envolvimento num ato de vandalismo, do qual foi testemunha ocular, e no entanto sua integridade o impede de revelar os verdadeiros culpados.

Charlie e Frank têm uma coisa em comum: estão vivendo uma fase difícil. Charlie, porque perder a bolsa de estudos comprometerá irremediavelmente seu futuro; e Frank, porque simplesmente já não tem mais esperanças para viver.

Porém, a convivência entre os dois os aproxima de forma bastante inusitada, e essa aproximação interfere na forma com que cada um irá lidar com o sofrimento. A ingenuidade e ternura de Charlie conseguem amolecer o coração de Frank, assim como a audácia infatigável do Coronel inspira o garoto a enfrentar o inquérito disciplinar ao qual será submetido.

Três cenas do filme são inesquecíveis. Uma é a tentativa de suicídio de Frank; ele se veste com a sua farda – a última reminiscência concreta de sua dignidade – após ter finalmente cumprido o itinerário que preparou para ser o capítulo final de sua vida. Charlie chega em seu  quarto e o surpreende, impedindo-o de realizar este ato desesperado. É uma cena impactante, e os atores emprestam toda a alma aos personagens.

Outra cena incrível é quando eles vão a um luxuoso restaurante, e o Coronel Slade chama uma moça para dançar tango. Ela vacila, e ele diz: “Não se preocupe, o tango não é como a vida; você pode errar e continuar dançando.” A moça então aceita dançar com ele, ao som do tango “Por una cabeza”, de Carlos Gardel. Extraordinário!

scent-of-a-woman_03Já no final do filme, vem a terceira cena inesquecível: o discurso de Frank para defender Charlie perante o quadro de diretores da universidade onde ele estuda – uma instituição conservadora, voltada para a classe alta, que reflete os valores hipócritas da sociedade, os quais Frank expõe com escárnio.

É uma cena vigorosa, que sugere um fechamento para o personagem de Al Pacino; a vida de Frank Slade volta a ter sentido neste momento, pois os problemas de Charlie o comoveram, e deram a ele um motivo para viver. Ele pôde ser útil de novo, e mostrou que por baixo de toda aquela superfície dura e fria havia um coração nobre e idôneo.

Al Pacino ganhou o Oscar de Melhor ator por sua atuação em “Perfume de Mulher”, e o filme recebeu outras indicações ao Oscar ( Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado).

Por: Yasmine Schneiter.   Blog  Solilóquio.

Perfume de Mulher (Scent of a Woman). 1992. EUA. Direção: Martin Brest. Elenco: Al Pacino (Tenente-Coronel Frank Slade), Chris O’Donnell (Charlie Simms), James Rebhorn (Sr. Trask), Gabrielle Anwar (Donna), Phillip Seymour Hoffman (George Willis Jr.), Richard Venture (W.R. Slade), Bradley Whitford (Randy), Rochelle Oliver (Gretchen), Margaret Eginton (Gail), Tom Riis Farrell (Garry), Nicholas Sadler (Harry Havemeyer), Todd Louiso (Trent Potter). Gênero: Drama. Duração: 156 minutos.

KLASS e a Questão da Morte

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Klass e a Questão da Morte

O texto contém spoilers.

Tive a felicidade de assistir aquele que talvez seja o melhor filme produzido em 2007. Se trata de Klass, uma produção da Estônia, país que não tem tradição no cinema mas que merece ser respeitado desde já.

A película fala sobre a história de dois garotos que são extremamente humilhados e torturados por seus colegas de classe até que acendem o estopim. Não suportando mais serem agredidos eles entram no pátio da escola e chacinam diversos alunos. No fim se suicidam.

De certa maneira o filme repete os fatos do episódio conhecido como o “Massacre de Columbine”, porém o foco está presente nos dois assassinos, na angústia, na tortura física e psicológica, e nos seus temores de estudar em um colégio onde os alunos estão mais preocupados em formar gangues e organizar festas do que realmente aprender alguma coisa.

O filme pode ser polêmico pois, ao seu término, dizemos em nosso íntimo: “toda esta turma merecia coisa muito pior do que morrer” e “é uma pena que eles tenham cometido suicídio“. Pois é, o diretor sabe como transitar o nosso sentimento através do decorrer da história e dá um motivo compreensível para a execução da chacina.

Mesmo não sendo esta a intenção (creio que a intenção maior seja um alerta para pensarmos na consequência de nossos atos – afinal jamais aqueles jovens imaginavam que as suas brincadeiras levariam-os até a morte), o filme levanta algumas perguntas importantes para a nossa reflexão: mesmo sendo contra a lei, será que realmente é errado matar em qualquer tipo de ocasião? Será que tem gente que não merece morrer? O mundo não seria melhor se certas pessoas simplesmente deixassem de existir?

Não conheço tão a fundo as motivações da duas pessoas que cometeram a “Chacina de Columbine” para fazer qualquer julgamento de suas atitudes, muito menos daqueles que foram assassinados (me baseio somente pelo filme) porém temos alguns outros exemplos mais próximos e que podemos aplicar os mesmos questionamentos: o bandido Champinha e o do Francisco de Assis Pereira, conhecido como o “Maniaco do Parque”.

A única motivação dos dois para cometer crimes é o prazer de torturar e assassinar pessoas. Não há mais nada em jogo. Para este perfil de pessoa, não seria mais justo finalizar a sua existência do que prolongar a sua vida atrás das grades (isto quando não estão livres)?

Eu entenderia muito bem se os parentes das vitimas resolvem agir por si mesmos e resolvessem acabar com a vida destes dois exemplos, pois justiça – neste país principalmente – é apenas uma palavra sem significado concreto. Ou seja, nada mais justo do que aplicarmos o nosso senso de justiça nestes casos extremos.

Também vejo desta forma para alguns políticos que se enriqueceram a base do dinheiro do povo trabalhador: ora, isto é roubo e deveria ser punido. Como a palavra “crime político” não existe, nada – absolutamente nada – acontece. Pois bem, um cara que está nadando em dinheiro que não é dele poderia muito bem morrer por um atentado, para que ficasse de exemplo para os próximos que resolvessem fazer o mesmo. Para mim isto não está errado.

Bem, não vou me alongar muito para não ficar muito nervoso ou muito revoltado, afinal o dia está apenas começando e não quero que a minha alma fique congestionada pelo senso de injustiça que permeia nossa sociedade.

Mas que é um bom filme é, sem sombra de dúvida.

Por:  Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

KLASS 2007. Estônia, 2007. Direção e Roteiro: Ilmar Raag. Elenco: Vallo Kirs (Kaspar), Pärt Uusberg (Joosep), Lauri Pedaja (Anders), Paula Solvak (Thea), Mikk Mägi (Paul), Riina Reis (Riina), Riina Ries (Riina), Joonas Paas (Toomas), Virgo Ernits (Tiit), Karl Sakrits (Olav). Gênero: Drama. Duração: 99 min.

ESTÔMAGO

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Estômago – Pergunta Que Não Cala

Finalmente assisti ao filme brasileiro Estômago. Se você ainda não viu e não quer saber o final, não continue lendo!:

Trata-se da história de um nordestino chamado Raimundo (é claro!) que vai parar em Curitiba e acaba na prisão. Mas não apenas isso. Ele aprende a fazer coxinhas em um boteco e conhece uma prostituta por quem se apaixona. E ela por sua vez, apaixona-se por suas coxinhas.

Do boteco ele acaba indo parar em um restaurante italiano, onde aprende a cozinhar de verdade e conhece ingredientes mais finos. O bacana do filme são as cenas alternadas entre ele já na cadeia e durante sua trajetória até lá. A gente fica se perguntando o tempo todo “Mas o que foi que ele fez pra parar aí?!”, mas a resposta vem apenas no final.

O filme foi muito bem produzido, os diálogos são ótimos, os atores, sensacionais.

estomago_01Iria, a prostituta, não podia ter sido melhor interpretada. A atriz que dá vida à personagem tem um corpo voluptuoso, uma carinha de safada e gulosa. Perfeita!

O ator que vive Raimundo é sensacional. Perfeitamente invisível até certo ponto do filme.

Algumas cenas são impagáveis, como a de Raimundo transando com Iria enquanto ela devora um prato de macarrão, sentindo mais tesão pela massa que pelo parceiro.

Hilária é a cena em que o dono do restaurante mostra à Raimundo sua adega e nela um Sassicaia 1983, presente do pai que, explica o patrão, será aberto apenas quando ele completar 60 anos. Raimundo diz que até lá o “gás todo do Sassicaia já vai ter acabado“.

Na penitenciária, Raimundo encanta os “colegas” de cela com seus dotes culinários, e apesar de querer ser chamado de Raimundo Canivete, ganha o apelido de Alecrim, já que usa o tempero em tudo o que prepara. As cenas que envolvem comida na cadeia podem ser vistas apenas por quem tem de fato, estômago. Ou por quem passou ileso por Perfume, A História de um Assassino.

As cenas continuam se alterando entre antes e durante a penitenciária, e vamos conhecendo Raimundo. Inocente (ou burro?), ele pede Iria em casamento, e ela aceita. Aí começamos a entender o que pode ter acontecido.

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Na cadeia, Alecrim precisa fazer um almoço para receber Etcétera (o ótimo Paulo Miklos), preso poderoso que será transferido.

Mais uma cena hilária. Raimundo mostra um vinho e diz que vai serví-lo para acompanhar o banquete. Explica que o vinho é italiano e que como passa muito tempo na madeira, fica com cheiros de flores, de frutas, de animais e até de cachorro molhado. Etcétera não quer beber vinho que cheira a cachorro molhado,como era de se esperar, e acaba preferindo Maria Louca (destilado feito de restos de comida fermentada, de teor alcóolico elevadíssimo e gosto tão ruim quanto se pode imaginar).

De volta ao passado, Raimundo já noivo acaba pegando em flagrante Iria com o patrão numa cena que ele não é capaz de aguentar. Ela está beijando-o na boca, coisa que sempre negou ao noivo. O cenário é o restaurante onde ele aprendeu a cozinhar.

Os amantes sobem para o escritório e Raimundo, vingativo, faz uma coisa que me deixou arrepiada: pega a garrafa do Sassicaia, abre e bebe. No bico.

Isso é o requinte da vingança e crueldade!

Depois de tomados uns goles, tira uma faca do suporte e sobe. Outra cena na cadeia e depois de volta ao passado. Ele está grelhando um pedaço de carne. Coloca alecrim em cima e vê-se a garrafa de vinho.

A câmera sobe e vai até o escritório onde jazem os corpos ensanguentados dos amantes. Ela, sobre ele, sem um pedaço da bunda.

A pergunta fundamental é: será que harmonizou??

Por: Gil Vesolli.  Blog: Quem Enloqueceu?.

Estômago. 2007. Brasil. Direção: Marcos Jorge. Elenco: João Miguel (Raimundo Nonato), Fabiula Nascimento (Iria), Babu Santana (Bujiú), Carlo Briani (Giovanni), Zeca Cenovicz (Zulmiro), Paulo Miklos (Etecetera), Jean-Pierre Noher (Duque), Marco Zenni (Vagnão), Marcel Szymanski (Valtão), Helder Clayton Silva (Seqüestro). Gênero: Crime, Drama. Duração: 112 minutos.

O LEITOR (The Reader)

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Stephen Daldry é um diretor seletivo. Com apenas três filmes na sua filmografia, mas com três indicações ao Oscar, nos deu de presente um dos melhores filmes da década, o íntimo As Horas, o elogiado e premiado Billy Elliot, e depois de alguns anos de férias, ele volta com o polêmico O Leitor, que recebeu 5 indicações ao Oscar.

A sociedade acredita que é guiada pela moralidade mas isto não é verdade. O premiado diretor de As Horas, Stephen Daldry, mostra novamente toda sua força nesta história de medos e segredos escondidos pelo tempo. Hanna (Kate Winslet) foi uma mulher solitária durante grande parte da vida. Quando se envolve amorosamente com o adolescente Michael (Ralph Finnes) não imagina que um caso de verão irá marcar suas vidas para sempre. Livro com sucesso mundial de vendas, O Leitor é a uma história que nos levará a questionar todas as nossas mais profundas verdades.

O Projeto tão polêmico de Daldry possui níveis já conhecidos para quem acompanha os filmes desse diretor, o filme possui linhas mais voltadas ao íntimo dos seus personagens, está tudo subentendido, muitas nuances, como é característica do diretor, o que pode afetar um pouco o cinéfilo que não conhece suas obras e não entende seu trabalho e achar um filme “difícil”, mas na verdade O Leitor é um filme para ser assistido com vontade e disposição, para entender seus detalhes.

O Roteiro de David Hare, o mesmo roteirista de As Horas, expõe aqui seu talento com sutilezas, compõe um roteiro com uma visão diferente sobre os fatos do Holocausto, menos convencional e sem nunca deixar cair no melodramático, aliás cenas dramáticas em O Leitor faltam.

E como não podia faltar em um filme de Daldry, o seu elenco, que sempre é um ponto positivo a se somar, o trio formado por Fiennes, Winslet e Kross é magnífico. Winslet expõe uma tridimensionalidade maravilhosa de Hanna, é competente ao retratar a acusada como uma mulher forte, orgulhosa e trabalhadora, porém humana e ferida pela vida, com uma racionalidade incrível, a mesma mulher que é capaz de mandar à morte outras mulheres é capaz de chorar ao ver crianças cantando em uma igreja, é um trabalho emocional e interno maravilhoso de uma atriz que só cresce, com uma personagem acima de tudo ambígua. Ralph Fiennes, como sempre brilhante, expondo todo o amor, dúvida e certa raiva que ele sentia pela mulher que o abandonou. David Kross brilha na pele do Michael Berg mais jovem, capaz de expor todo o charme e inocência do seu personagem, acompanha dignamente todas as fases do seu personagem, amadurecendo-o, crescendo-o, vivendo-o. Mas, a grande surpresa de The Reader, se localiza na performance forte de terminada de Lena Olin, atriz que andava sumida, e que voltou com tudo, numa performance maravilhosa, que expõe sua Sra. Mather com a força e frieza que a dor lhe causou, e que personagem precisava.

O fato é que O Leitor, é mais um filme digno e competente de um diretor que cumpre o que promete a cada novo trabalho. Merecedor de cada indicação ao prêmio Oscar que recebeu e merecedor de elogios.

O Leitor é mais um filme sobre as verdades que mantemos escondidas e sobre os momentos em que o passado insiste em voltar para nos assombrar, e o medo que temos dele.

NOTA: 8,0

Por: Kauan Botwin.  Blog:  Sobre Cinema e Lobos.

O LEITOR (The Reader). 2008. EUA. Direção: Stephen Daldry. Elenco: Ralph Fiennes (Michael Berg), David Kross (Michael Berg), Kate Winslet (Hanna Schmitz), Bruno Ganz (Professor Rohl), Lena Olin (Rose Mather / Ilana Mather), Alexandra Maria Lara (Ilana Mather), Jeanette Hain (Brigitte), Hannah Herzsprung (Julia). Gênero: Drama, Romance. Duração: 124 minutos. Baseado no romance – Der Vorleser-, de Bernhard Schlink.

Número 9 (The Nines)

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O drama dirigido por John August é dividido em três atos.
No primeiro, intilulado O Prisioneiro, Gary (Ryan) vive um ator em prisão domiciliar que imagina que a casa é assombrada e que pode estar sendo perseguido pelo número nove, e compartilha seus medos com a vizinha (Hope) e uma fã (Melissa) que está lhe ajudando a passar pela condicional.
No segundo ato, intitulado Televisão Realidade, Gavin (Ryan) é um roteirista de tv que está tentando colocar seu programa no ar e que incentivado por sua agente executiva (Hope), precisa livrar-se da atriz que faz a personagem principal do show e que é sua melhor amiga (Melissa que, nesse papel, vive ela mesma, citando inclusive sua participação em Gilmore Girls).
No último segmento Conhecimento, Ryan vive Gabriel, um afamado designer de vide-games que fica preso num parque com a esposa (Melissa) e a filha (Elle) e sai para procurar por ajuda e acaba encontrando-a em Sierra (Hope), uma estranha mulher que está caminhando na rodovia.
Com um argumento originalíssimo, “Número 9″ amarra essas três histórias e cria uma nova mitologia metafísica que de fato me deixou impressionado com a capacidade desse talentoso roteirista, que também é o diretor desse drama de suspense excelente.

Agora, somente para quem viu o filme:

Muita gente pode ficar confusa ao assistir esse drama nem um pouco convencional, por isso, decidi explicar o argumento do filme para as pessoas que possam não ter entendido ou estejam simplesmente buscando uma confirmação de que não tenham de fato viajado na maionese:

O filme utiliza-se de uma metáfora que remonta os mitos de antigos deuses, onde o personagem principal cria uma realidade no trançar das linhas de uma pulseira em suas mãos e, quando resolve destruir aquela realidade ele simplesmente arranca a pulseira e desfaz o trançado.

Garry, Gavin e Gabriel são algumas das personalidades vividas por um dos “Nove”, uma espécie de semi-deus responsável por criar realidades onde os humanos (que seriam os “Setes”) possam viver. Por mais de 4000 anos ele foi criando universos para sua diversão. Essas realidades são criadas de pequenos cristais (cracks) e ele é viciado em fazer isso. Em cada universo esse semi-deus vive uma nova identidade, tentando fugir da própria. É como se tivesse de certo modo inveja de sua criação (os “Setes”), e passa a querer ser como eles. E sua habilidade como criador é tão grande que convence a si mesmo que é uma criatura, e precisa de outra deidade que o lembre de sua própria natureza.

Então, outros três “Nove” como ele entram em sua realidade para tentar fazer com que perceba quem é (a loira, o policial e a prostituta). Eles estão tentando tirá-lo de seu vício para que ele retorne pra “casa”, ou seja, volte a exercer seu papel de semi-deus criando realidades para os humanos sem tomar parte delas. Em todas as realidades, Melissa é a encarnação de seu vício em ser humano. É ela que o prende à sua condição pois desenvolveu amor por seu criador da mesma forma que ele desenvolveu pela criatura. Somente quando esse “Nove” entende que precisa desprender-se dela para assumir sua identidade superior ele se desprende do vício criando uma última realidade no melhor de todos os mundos possíveis para que sua amada criatura possa ainda ter existência longe dele.

A última cena pode confundir algumas pessoas, que pensam que tudo não passou de imaginação da Melissa, que criara em sua cabeça todas aquelas realidades. Especialmente porque acham que a frase da executiva de tv para Gavin, dizendo que ele não é um “homem” está mais associada ao seu gênero (masculino>feminino) que à sua espécie (ser humano>semi-deus). E essa é uma visão muito simplista e limitada da história, inclusive porque não engloba muitos detalhes apresentados no filme e descarta a última frase da menina e o olhar de agradecimento da própria Melissa ao fazer o bolo com a filha e o novo marido. Assim, para quem interpreta o apalpar do rosto como uma constatação de personalidade (do tipo, “Eu sou mulher!”), eu diria que aquela cena na verdade é uma constatação de materialidade (algo mais do tipo, “Eu ainda existo!”)

Por: Eliude A. Santos.  Blog:  Ode ao Ego.

Número 9 (The Nines). 2007. EUA. Diretor e Roteirista: John August. Elenco: Ryan Reynolds (Gary, Gavin e Gabriel), Melissa McCarthy (Margaret, Melissa e Mary), Hope Davis (Sarah, Susan e Sierra), Elle Fanning (Noelle), David Denman (policial), Octavia Spencer (prostituta). Gêneros: Drama, Fantasia, Suspense, Ficção Científica. Duração: 100 minutos.