
Estômago – Pergunta Que Não Cala
Finalmente assisti ao filme brasileiro Estômago. Se você ainda não viu e não quer saber o final, não continue lendo!:
Trata-se da história de um nordestino chamado Raimundo (é claro!) que vai parar em Curitiba e acaba na prisão. Mas não apenas isso. Ele aprende a fazer coxinhas em um boteco e conhece uma prostituta por quem se apaixona. E ela por sua vez, apaixona-se por suas coxinhas.
Do boteco ele acaba indo parar em um restaurante italiano, onde aprende a cozinhar de verdade e conhece ingredientes mais finos. O bacana do filme são as cenas alternadas entre ele já na cadeia e durante sua trajetória até lá. A gente fica se perguntando o tempo todo “Mas o que foi que ele fez pra parar aí?!”, mas a resposta vem apenas no final.
O filme foi muito bem produzido, os diálogos são ótimos, os atores, sensacionais.
Iria, a prostituta, não podia ter sido melhor interpretada. A atriz que dá vida à personagem tem um corpo voluptuoso, uma carinha de safada e gulosa. Perfeita!
O ator que vive Raimundo é sensacional. Perfeitamente invisível até certo ponto do filme.
Algumas cenas são impagáveis, como a de Raimundo transando com Iria enquanto ela devora um prato de macarrão, sentindo mais tesão pela massa que pelo parceiro.
Hilária é a cena em que o dono do restaurante mostra à Raimundo sua adega e nela um Sassicaia 1983, presente do pai que, explica o patrão, será aberto apenas quando ele completar 60 anos. Raimundo diz que até lá o “gás todo do Sassicaia já vai ter acabado“.
Na penitenciária, Raimundo encanta os “colegas” de cela com seus dotes culinários, e apesar de querer ser chamado de Raimundo Canivete, ganha o apelido de Alecrim, já que usa o tempero em tudo o que prepara. As cenas que envolvem comida na cadeia podem ser vistas apenas por quem tem de fato, estômago. Ou por quem passou ileso por Perfume, A História de um Assassino.
As cenas continuam se alterando entre antes e durante a penitenciária, e vamos conhecendo Raimundo. Inocente (ou burro?), ele pede Iria em casamento, e ela aceita. Aí começamos a entender o que pode ter acontecido.

Na cadeia, Alecrim precisa fazer um almoço para receber Etcétera (o ótimo Paulo Miklos), preso poderoso que será transferido.
Mais uma cena hilária. Raimundo mostra um vinho e diz que vai serví-lo para acompanhar o banquete. Explica que o vinho é italiano e que como passa muito tempo na madeira, fica com cheiros de flores, de frutas, de animais e até de cachorro molhado. Etcétera não quer beber vinho que cheira a cachorro molhado,como era de se esperar, e acaba preferindo Maria Louca (destilado feito de restos de comida fermentada, de teor alcóolico elevadíssimo e gosto tão ruim quanto se pode imaginar).
De volta ao passado, Raimundo já noivo acaba pegando em flagrante Iria com o patrão numa cena que ele não é capaz de aguentar. Ela está beijando-o na boca, coisa que sempre negou ao noivo. O cenário é o restaurante onde ele aprendeu a cozinhar.
Os amantes sobem para o escritório e Raimundo, vingativo, faz uma coisa que me deixou arrepiada: pega a garrafa do Sassicaia, abre e bebe. No bico.
Isso é o requinte da vingança e crueldade!
Depois de tomados uns goles, tira uma faca do suporte e sobe. Outra cena na cadeia e depois de volta ao passado. Ele está grelhando um pedaço de carne. Coloca alecrim em cima e vê-se a garrafa de vinho.
A câmera sobe e vai até o escritório onde jazem os corpos ensanguentados dos amantes. Ela, sobre ele, sem um pedaço da bunda.
A pergunta fundamental é: será que harmonizou??
Por: Gil Vesolli. Blog: Quem Enloqueceu?.
Estômago. 2007. Brasil. Direção: Marcos Jorge. Elenco: João Miguel (Raimundo Nonato), Fabiula Nascimento (Iria), Babu Santana (Bujiú), Carlo Briani (Giovanni), Zeca Cenovicz (Zulmiro), Paulo Miklos (Etecetera), Jean-Pierre Noher (Duque), Marco Zenni (Vagnão), Marcel Szymanski (Valtão), Helder Clayton Silva (Seqüestro). Gênero: Crime, Drama. Duração: 112 minutos.
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