Oscar 2009 – Um toque de calor humano

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Previsibilidade nos vencedores, momentos sentimentais e uma postura cada vez mais politicamente correta ao abraçar minorias ou abrir o leque das nacionalidades. Isso significa que a 81a. Cerimônia do Oscar foi uma mesmice? Não, pelo contrário. Se o conteúdo permaneceu inalterado em relação aos anos anteriores, o formato ganhou originalidade e dinamismo.

A duração próxima das três horas já serviu de alento. Em anos recentes tivemos festas com mais de quatro horas de duração, um absurdo completo. A redução foi obtida com um mesmo astro anunciando vários prêmios técnicos (Will Smith, por exemplo, foi responsável por quatro deles) e dedicando menos tempo à performance das canções originais, resultando num grande aumento da audiência.

Hugh Jackman, como o principal mestre de cerimônias da noite, foi outra grata surpresa. Utilizando seus dotes de cantor e dançarino, não perdeu minutos preciosos com aquela enxurrada de piadas duvidosas, preferindo reciclar a tradição criada por Billy Cristal de anunciar os concorrentes a Melhor Filme através de paródias musicais.

Outra inovação eficaz aconteceu na apresentação dos prêmios de interpretação. Colegas famosos dos indicados, vencedores da categoria no passado, apresentavam cada um deles tecendo comentários sobre seu desempenho, carreira e estilo de representar. Tudo isso reforçou um certo intimismo, conferiu um toque de calor humano e simpatia ao evento.

Por outro lado, a polêmica dessa vez passou longe do Teatro Kodak e de Los Angeles. Não houve surpresas nos vencedores, sequer se pode dizer que alguém tenha sido injustiçado. Toda alegação nesse sentido acabará apenas esbarrando na subjetiva questão do gosto pessoal. Sean Penn ou Mickey Rourke? Kate Winslet ou Anne Hathaway? O Curioso Caso de Benjamin Button merecia algumas das estatuetas destinadas a Quem Quer Ser Um Milionário? Em termos de Oscars essas são discussões eternas, nunca haverá consenso ou bom senso. Nenhuma premiação é criada para estabelecer verdades absolutas, sendo que a Academia nunca se esquivou de equilibrar arte, comercialismo e emoção nas suas láureas.

Assim, Heath Ledger talvez tenha sido, nesse sentido, a maior síntese da requintada noite de domingo. Seu prêmio foi artisticamente merecido (olha a subjetividade de novo), garante um retorno financeiro adicional e marejou o olhar de muitas celebridades ou anônimos. Os direitos civis felizmente continuam em alta ganhando mais um reforço ao consagrar o talentoso Sean Penn, no papel do ativista gay Henry Milk. A cultura indiana (a Globo agradece) abriu às portas de Hollywood à Bollywood, conferindo oito prêmios ao citado Quem Quer Ser um Milionário, demonstrando que etnias antes segregadas cada vez são mais bem vindas.

Haverá atualmente maior demonstração acintosa dos efeitos da globalização, que esta vinda da capital do cinema em sua festa máxima?

Por: Roberto Souza.  Blog: Cal&idoscópio.