O Ninho Vazio (El Nido Vacío)

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Mais uma joia argentina

Mais um filme escrito e dirigido por Daniel Burman chega aos cinemas brasileiros: O Ninho Vazio. Para contar a estória de um casal de meia idade cujos filhos já estão a ponto de sair de casa e viver suas vidas (daí a alegoria do título), Burman se armou de muita imaginação e licença poética.

Somos apresentados a Leonardo e Martha num evento de amigos de faculdade dela. Leonardo, desconfortável num meio que não é o seu, começa a se refugiar em seu mundo interior. Ao chegar em casa, uma constatação inesperada faz com que Leonardo tome uma decisão – aparentemente bem caricata – que faz a estória decolar.

Não é um filme leve nem fácil de assistir. Para começar, nem tudo é o que parece. Preste atenção nos detalhes – não deixe passar em branco o livro vermelho, nem as aparições curiosas do Dr. Sprivak. O esforço vale a pena, somos recompensados com um filme brilhante.

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Oscar Martínez saiu de anos de inatividade para compor primorosamente Leonardo – um homem que assumiu prematuramente as prerrogativas de velho rabugento e descobre que ignorar o resto do mundo não resolve seus problemas. Cecilia Roth, a argentina preferida de Almodóvar,  dá vida na medida certa a Martha, mulher derrotada no primeiro tempo da vida mas que quer virar o jogo.

O filme começa quase claustrofóbico na Buenos Aires de Leonardo, feita de muitos interiores pesadamente mobiliados e poucas saídas ao ar livre, e num dado momento nos leva aos espaços abertos do deserto de Israel, onde Leonardo e Martha se deliciam (com ressalvas, eu falei que Leonardo é rabugento) flutuando sem esforço no Mar Morto. Mas a chegada ao paraíso do deserto não se faz sem a cômica e sofrida passagem pela imigração, nem sem beirar infindáveis muros.

Aceita sugestão? Deixe um pouco de lado os filmes oscarizáveis e vá ver O Ninho Vazio. E depois vamos discutir: do que mesmo fala o filme? Pode não ser tão óbvio. No mínimo dê uma olhada no site oficial, muito bem feito.

Por:   Blog Not Obvious Cinema (and stuff).

O Ninho Vazio (El Nido Vacío). 2008. Argentina. Direção e Roteiro: Daniel Burman. Elenco: Carlos Bermejo (Marchetti), Eugenia Capizzano (Violeta), Inés Efron (Julia), Arturo Goetz (Dr. Sprivak), Oscar Martínez (Leonardo), Jean Pierre Noher (Fernando), Ron Richter (Ianib), Cecilia Roth (Martha). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 91 minutos.

GALLIPOLI. (1981)

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E assim Mogli sentou e chorou como se o seu coração fosse partir-se. Em toda a sua vida ele nunca havia chorado.
‘_Agora, eu irei até os homens’, disse ele.

Gallipoli nos leva a várias reflexões. Pois é um filme de guerra que dói na alma. Nele, ou por ele, temos as Guerras que muito pouco sabemos. Muitas delas, em pequenos parágrafos nos livros escolares. Ou, quando nos vêem com a história de que não houve derramamento de sangue. Ou até, quando há, dizem terem sido necessário. Perguntar o porque de haver guerras, não cabe aqui essa reflexão. Mas sim em como recrutam os jovens. Em como eles entram nela.

A Batalha de Gallipoli aconteceu durante a Primeira Grande Guerra. Jovens australianos e neozelandeses foram recrutados sem saberem qual seria de fato a sua missão. Pelo menos, se é que isso possa ser um atenuante, mas enfim, pelo menos os kamikases sabiam o que iriam fazer. Mas esses rapazes não. Foram movidos por ideais patrióticos, por acreditarem que isso lhes daria um emprego melhor, que teriam uma outra vida… Enfim, pelo prazer de uma nova aventura. Mas foram enganados de maneira vil. Sem a menor consideração pelos ingleses. É chocante a desfaçatez deles.

Esse filme é mais um a mostrar o quanto a guerra é estúpida. E tal do fogo-amigo das guerras atuais, é fichinha perto do que os ingleses fizeram a esses jovens.

Quem seriam esses jovens recrutas? De um lado, um grupo meio entediados no trabalho. Dentre eles, o jovem Frank (Mel Gibson). Num outro lado, o bem mais jovem Archy (Mark Lee). Em comum com ambos, o gosto pelas corridas. Se para Archy, via nela sua profissão de fé. Para Frank, a corrida era uma chance a mais de obter dinheiro. Mas em vez da corrida rivalizá-los, ela os uniu. O prazer sentido nesse esporte, a camaradagem, e sobretudo o respeito pelas diferenças entre eles foi o que consolidou de vez a amizade desses dois.

Archy era um sonhador. Frank tinha um olhar mais realista do que estava a sua volta. Numa gíria atual, era o mais safo. O inesgotável bom humor de Archy, por vezes deixava Frank contrariado. Mas quem não gostaria da companhia de alguém bem humorado? Eu gosto! Até porque sou assim. Se vêem nisso até uma frieza perante a dor… Archy mostra a todos que não. Que há nisso um modo estóico de ser. O tempo não deu tempo de verem que se pode balancear os dois modo de encarar as vicissitudes da vida. Até para avançar mais na vida, e não na morte…

O título do filme, Gallipoli, é por ser o nome da Península onde ocorreu a Batalha…

Um fime que mesmo contando uma triste história do que os homens são capazes de fazer, fica um querer ver de novo. Além da história desses dois jovens. Por ter sido feito com tanto esmero. Fotografias de tirar o fôlego! Trilha sonora que emociona! Atuações brilhantes! Cenas que ficarão para sempre na memória; e entre elas, o final do filme. Dou nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gallipoli (Gallipoli). 1981. Austrália. Direção: Peter Weir. Elenco: Mel Gibson (Frank Dunne), Mark Lee (Archy Hamilton), Bill Kerr (Jack), Harold Hopkins (Les McCann), Charles Lathalu Yunipingli (Zac), Heath Harris (Stockman), Ron Graham (Wallace Hamilton), Gerda Nicolson (Rose Hamilton), Robert Grubb (Billy), Tim McKenzie (Barney), David Argue (Snowy), Brian Anderson (Railway Foreman). Gênero:  Drama, História, Guerra. Duração: 112 minutos.