IMAX Fundo do Mar 3D (Deep Sea 3D)

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Creio que jamais me esquecerei daquele dia caótico, digno de uma cena do longa Independence Day. Era uma tarde ensolarada em São Paulo. Nada de garoa, nada de chuva ou tempo nublado. Tudo transcorria muito bem naquele dia. Para ficar registrado no livro de história do cinema brasileiro, é importante salientar a data e o local do acontecimento.

Sábado, 17 de Janeiro de 2009.
Shopping Bourbon Pompéia.
São Paulo, SP. 15:33h.

Este foi o dia em que decidi conhecer a primeira sala com a tecnologia IMAX no Brasil.

No percurso tudo normal. Dia bonito, sem trânsito (sim, nós paulistanos nos espantamos todas as vezes que não enfrentemos um congestionamento – e acreditem em mim: trânsito para o paulista não é enfrentar 5Km básicos de lentidão, isto é normal e acredito mesmo que até esteja enraizado em nossa cultura. Quando dizemos “trânsito” é algo que está para além da compreensão das cidades que não partilham desta catástrofe diária de nosso cotidiano). Quando entro no shopping logo encontro uma vaga! Everything is perfect like a dream!

Então me direciono tranquilamente e feliz até o andar onde estão localizados os cinemas do espaço Unibanco e a área de alimentação padrão dos shopping centers de todo o mundo. Tudo calmo e lento. Tenho vontade até mesmo de parar antes numa sorveteria e pedir algo antes de comprar o meu ingresso. Mas o instinto paulista diz para eu ter pressa antes que eu me dê mal e decido acelerar o passo até a bilheteria! E então…

… E então era o Caos! Uma fila maior do que para entrar no estádio do Morumbi para uma decisão de campeonato! A Madona teria inveja se visse a aglomeração de pessoas reunidas num espaço para assistir uma apresentação estática e projetada numa tela de cinema! Sim, caros amigos, estávamos todos quase que abraçados, dando ombradas para abrir caminho, sentindo a respiração de nossos colegas cinéfilos bem próximos de nós, todos reunidos para aquela projeção de entrada numa sala que até então só quem foi para fora do Brasil pode conferir antes! Todos pagando valiosos R$ 30,00 e esperando mais de 4 horas para ver um documentário de 41 minutos!

Você de casa pode pensar “quão ridículas criaturas” e só posso dizer algo: você tem razão! Vocês estão autorizados a chamar-nos de nerds, fanáticos, viciados, doentes e equivalentes! Se eu dou esta permissão é para me redimir de meus pecados, pois foi assim que amaldiçoei cada alma que estava ali, a minha frente, na fila! E não sei porque, mesmo uma funcionária avisando-nos que só havia ingresso para uma seção que começaria dali a quatro voltas do ponteiro maior do relógio, resolvi ficar.

Queria sair daquele desconforto, daquela fila sem fim, daquele episódio de histeria coletiva, mas não consegui. E não me perguntem porque, pois até agora não consegui encontrar a resposta. A verdade é que muito tempo depois, com o ingresso em mãos, fiz o papel de auto-manicure – ou melhor, os meus dentes o fizeram – pois já não havia mais unha para roer em pouco menos de 1 hora.

Mas, enfim, depois de um bom e doloroso tempo, chegou a minha vez que experimentar o cinema IMAX. Digo experimentar porque o filme que seria apresentado faz parte de um conglomerado denominado The IMAX Experience®, onde câmeras específicas para este tipo de sala são utilizadas nas filmagens para proporcionar uma experiência única e total nas salas com esta tecnologia.

Logo na entrada nos fornecem óculos 3D de alto padrão para acompanhar o documentário. Não são aqueles óculos sem vergonha de papelão, com uma lente verde e outra vermelha, mas óculos grandes, resistentes, de lentes grossas, mais decentes que o padrão que encontramos em outras salas de 3D por aí.

Ao entrar na sala tenho um sentimento estranho, quase que uma necessidade de reverência, como se eu tivesse encontrada com a versão carne-e-osso de Monalisa: diante de mim tenho uma tela de 21 metros de largura por 14 metros de altura. Gigante! Não há palavras para descrever. Só fiquei imaginando como os meus olhos poderiam acompanhar toda a extensão da projeção, visto que a tela ficava além do meu campo de visão. Vai do chão até o teto!
Ficava pensando “puxa vida, tem umas cadeiras lá na frente que irão ficar em frente a tela”. Sim, pois como a tela começa no chão, ao olharmos para abaixo veremos a primeira fileira de cadeiras na frente.

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Depois de certa estranheza, que venha o filme!

E ele começa dublado, como todas as outras projeções 3D, afinal como ler legendas de algo 3D? Imagine ter a impressão que uma letra A resolveu sair da frase e caminhar até acima de sua cabeça! Então é justificável, porém tivemos uma grande perda: na versão original, os narradores do documentário são nada mais nada menos do que o esquisitão Johnny Deep e Kate Winslet. Na versão tupiniquim os dubladores nem aparecem nos créditos, talvez porque se fossem expostos poderiam correr sério risco de vida, com tantos fanáticos no cinema.

A dublagem é aquela típica de documentários do Discovery Channel – urgh! – ou seja, sofrível em relação à qualidade dos programas e do conteúdo apresentado. Agora vem o principal desafio: como resenhar uma experiência? Não vou tentar falar do documentário, pois penso que ninguém se preocupou com o conteúdo, a não ser fazer uma bela montagem para ser exibida para o IMAX, ou seja, nada de novo, mais do mesmo, nada que Jacques Costeau já não tenha feito e com muito mais competência e sucesso.

Enfim, não dá para falar, pois a experiência é única: fomos arremessados para dentro do oceano. Estamos dentro do mar, porém sentados numa poltrona. O clima é de tanta calmaria dentro daquele azul sem fim que o ambiente zen chega a causar até mesmo uma certa sonolência, o que é bom, afinal todos os barulhos do mar foram transmitidos com o máximo de fidelidade. Sentimos cada balançar dos peixes, cada borbulha, cada onda. Portanto é uma experiência soberba. O som aliado a projeção 3D é algo único visto no cinema. As algas, os peixes e outros animais marítimos simplesmente saem da tela e vão até você!

As pessoas levantam suas mãos e tentam tocar as criaturas que não estão ali: a cena chega a ser hilária e divertida, porém não menos mágica:

Hello, people, it’s just a movie! Com licença, não tente pegar os peixes porque eles não existem!

É a magia da sétima arte que nos encanta novamente! Finalmente voltei a sentir prazer ao entrar novamente numa sala de cinema, afinal o modelo foi reinventado e parece ser uma tendência única: nunca vimos tantos filmes sendo produzidos especialmente para projeções em 3D!

Tudo tão belo e tão radiante que fica difícil explicar. Se as palavras podem dizer alguma coisa não podem ser quanto a história em si, mas somente para os inúmeros elogios que podemos tecer para a experiência. Sim, meus caros, o marca diz tudo: The IMAX Experience® veio para ficar!

Por: Evandro Venancio.  Blog: EvAnDrO vEnAnCiO

IMAX Fundo do Mar 3D (Deep Sea 3D). 2006. EUA. Direção: Howard Wall. Narração: Johnny Deep, Kate Winslet. Gênero: Documentário, Curta Metragem. Duração: 41 minutos.

Donnie Darko – Uma Análise

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Introdução

Donnie Darko não é apenas mais um filme. É uma daqueles películas que ficará por anos em sua mente, que possibilita uma série de discussões entre pessoas que analisaram a história. Inúmeras conclusões são possíveis. De certo, temos aqui mais uma pérola da sétima arte.

O que faz de Donnie Darko tão diferente do que já foi realizado para o cinema? Simplesmente não estamos diante do convencional. Ao contrário, temos algo único em mãos. Donnie Darko é uma espécie de jogo intelectual semelhante ao quebra-cabeças. Diversas peças são apresentadas e resta a quem está do outro lado da tela decifrar os enigmas que compõe o enredo.

Era de se esperar que logo após o lançamento do filme, tão logo ele despertaria a curiosidade do público cult. O que observamos foi um fenômeno interessante: uma série de debates entre inúmeros fóruns na internet para tentar explicar os acontecimentos no decorrer da história. O próprio diretor – Richard Kelly – lançou uma versão em DVD onde tenta explicar algumas coisas e dar novas dicas para os aficionados. No site oficial de Donnie Darko, temos alguns jogos que, teoricamente, resolvem alguns mistérios. Ademais, existem outros diversos sites especializados na tentativa de explicar o filme. Há poucos anos foi lançado um livro em 2003 e até mesmo uma FAQ (com diversas perguntas e respostas) para uma melhor compreensão.

Fora todos estes mistérios que envolvem a construção da história, Donnie Darko é uma bela crítica à sociedade-padrão, além de ser uma excelente metáfora do movimento existencialista.

São nestes dois pontos que iremos trabalhar a análise do filme. Diferentemente de outras obras que eu comentei, sugiro que antes de continuar a leitura você assista o filme, pois a experiência que você terá durante a exibição certamente será comprometida, visto que existem muitas possibilidades de compreensão e a idéia é justamente que você tire suas próprias conclusões para então debater, investigar, questionar e formular suas próprias teorias.

Dado o recado, quem ainda não assistiu e não quer saber a trama, que não leia os posts seguintes onde iremos tentar desvendar a vida de Donnie Darko a partir da perspectiva existencialista. Por termos em mãos um grande objeto de estudo, iremos quebrar este trabalho em diversas partes para não tornar a leitura cansativa. Vale recordar que este filme não permite uma única análise – o próprio ponto-de-vista do diretor é somente mais uma opinião acerca de sua criação e não pode ser considerada a única.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte II: A Preparação do Terreno: Existencialismo e Fenomenologia.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte III: A Família Perfeita.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte IV: Einstein e Alice no País das Maravilhas.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte V: Significação da Vida.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VI: Olhar de Foucault: Instituições de Ensino e a Domesticação do Sujeito.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VII: A aula com a perturbada professora Karen Pomeroy.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VIII: O medo de enfrentar a vida.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte IX: O seu poder de mudar as coisas.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte X: Eles me obrigaram a fazer isto.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte XI: Smurfs, Complexo de Édipo e Desejos Sexuais.

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Donnie Darko. 2001. EUA. Direção e Roteiro: Richard Kelly. Elenco: Jake Gyllenhaal (Donnie Darko), Holmes Osborne (Eddie Darko), Maggie Gyllenhaal (Elizabeth Darko), Daveigh Chase (Samantha Darko), Mary McDonnell (Rose Darko), James Duval (Frank), Arthur Taxier (Dr. Fisher), Patrick Swayze (Jim Cunningham), David St. James (Bob Garland), Jazzie Mahannah (Joanie James), Jolene Purdy (Cherita Chen), Stuart Stone (Ronald Fisher), Jena Malone (Gretchen Ross), David Moreland (Diretor Cole), Noah Wyle (Prof. Kenneth Monnitoff), Drew Barrymore (Karen Pomeroy), Katharine Ross (Dra. Lilian Thurman). Gênero: Drama, Sci-Fi, Suspense. Duração: 113 minutos.

Good Bye Lenin!

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O filme se passa num período muito importante de nossa história e nem tão distante assim: a Alemanha está dividida em duas – Oriental, de política socialista, e Ocidental, de política capitalista. Cristiane é uma mulher que possui dois filhos pequenos e cujo marido é acusado de fugir para a Alemanha Ocidental. Chocada pelo fato, Cristiane chega a ter que ser internada numa instituição para se recuperar do baque, mas agora ela tem um novo motivo para viver: participar ativamente na sociedade socialista, de modo a contribuir para um mundo que siga esta orientação.

Os filhos de Cristiane, principalmente Alexander, que sofreram muito com o estado anterior da mãe, observam que a mesma está feliz e empolgada novamente. Porém estes são outros tempos e o regime de Lênin não é mais aprovado por todos, sendo que diversas manifestações populares surgem como um levante para derrocada da Alemanha Oriental. Numa destas manifestações está Alexander quando, num destes gracejos que a vida nos prega, sua mãe acaba por sair do taxi e se depara de frente com o filho. Resultado: um novo choque que lhe deixa em estado de coma.

Alexander, que se sente culpado pelo episódio, não sai do hospital e tenta reanimar a mãe de qualquer jeito, contra a expectativa de todos os médicos – que sugerem que o coma é irreversível. Enquanto o tempo passa, o Muro de Berlin cai e a Alemanha Oriental é anexada a Alemanha Ocidental, sendo que agora toda a Alemanha é capitalista. É neste momento que a Cristiane se recupera milagrosamente do coma, mas os médicos avisam: Desta vez, ela não pode ter mais nenhuma grande emoção, caso o contrário os danos serão para sempre.

Movido por recomendação, Alexander cria todo um mundo de mentiras para sua mãe: neste mundo, o socialismo prevaleceu e o capitalismo caiu. Para manter o disfarce, Alexander irá voltar com a decoração socialista de sua casa (donde Cristiane não pode sair, visto que ela ainda não pode andar), irá procurar por alimentos que já não existem no mundo atual, irá procurar antigos amigos para discursar para ela discursos falsos de saudação socialista e irá, até mesmo, pagar para que crianças vistam roupas da época que ela lecionava e para cantar hinos antigos.

No começo tudo funciona bem, porém Cristiane começa a desconfiar de certas coisas: um dia, uma bandeira da Coca-Cola é estendida bem em frente a sua janela. Para não chocar a mãe, Alexander começa a gravar noticiários falsos que explicam estas falhas: junto com um amigo viciado em cinema e meio artístico, eles editam fitas e criam todo um ambiente que faz com que este mundo falso se torne verdadeiro. No caso da Coca-Cola, por exemplo, é feita uma matéria que diz que a empresa agora é socialista e o que os capitalistas estão desesperados por estarem perdendo a força. Neste mundo criado por Alexander, o socialismo nunca este tão forte!

Conforme o filme passa, Cristiane cada vez mais fica desconfiada e Alexander cada vez mais precisa improvisar justificativas para os receios de sua mãe, uma socialista tão devota que não poderia suportar que haviam perdido uma batalha onde ela tinha lutado tanto.

De certo modo, o movimento que o filme faz lembra bastante o grandioso “A Vida É Bela”: uma história onde o protagonista precisa fazer malabares para esconder o que, de fato, há de real no mundo, visto que as vezes é tão difícil compreender certas coisas que alguém, num ato de paixão desesperada, acaba por preservar a mente de seu ente querido. Além disto, “Good bye, Lenin!” é uma história que retrata bem o intenso relacionamento de uma família e a dedicação extrema de um filho para manter sua mãe viva. Também é um filme sobre arrependimentos e sobre uma segunda chance de fazer tudo diferente.

Este, sobretudo, é um filme bonito e que deve ser apreciado por todos aqueles que gostam de uma boa história, não só porque é um registro de uma época importante em nossa história, mas porque ele vai na essência do homem e nos trás um pouco de esperança ao retratar seu espírito de reparo, ajuda e carisma. As vezes ver coisas assim nos deixam repletos de vontade para sermos somente bons, nada mais.

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.