Donnie Darko (2001) – Uma Análise

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Introdução

Donnie Darko não é apenas mais um filme. É uma daqueles películas que ficará por anos em sua mente, que possibilita uma série de discussões entre pessoas que analisaram a história. Inúmeras conclusões são possíveis. De certo, temos aqui mais uma pérola da sétima arte.

O que faz de Donnie Darko tão diferente do que já foi realizado para o cinema? Simplesmente não estamos diante do convencional. Ao contrário, temos algo único em mãos. Donnie Darko é uma espécie de jogo intelectual semelhante ao quebra-cabeças. Diversas peças são apresentadas e resta a quem está do outro lado da tela decifrar os enigmas que compõe o enredo.

Era de se esperar que logo após o lançamento do filme, tão logo ele despertaria a curiosidade do público cult. O que observamos foi um fenômeno interessante: uma série de debates entre inúmeros fóruns na internet para tentar explicar os acontecimentos no decorrer da história. O próprio diretor – Richard Kelly – lançou uma versão em DVD onde tenta explicar algumas coisas e dar novas dicas para os aficionados. No site oficial de Donnie Darko, temos alguns jogos que, teoricamente, resolvem alguns mistérios. Ademais, existem outros diversos sites especializados na tentativa de explicar o filme. Há poucos anos foi lançado um livro em 2003 e até mesmo uma FAQ (com diversas perguntas e respostas) para uma melhor compreensão.

Fora todos estes mistérios que envolvem a construção da história, Donnie Darko é uma bela crítica à sociedade-padrão, além de ser uma excelente metáfora do movimento existencialista.

São nestes dois pontos que iremos trabalhar a análise do filme. Diferentemente de outras obras que eu comentei, sugiro que antes de continuar a leitura você assista o filme, pois a experiência que você terá durante a exibição certamente será comprometida, visto que existem muitas possibilidades de compreensão e a idéia é justamente que você tire suas próprias conclusões para então debater, investigar, questionar e formular suas próprias teorias.

Dado o recado, quem ainda não assistiu e não quer saber a trama, que não leia os posts seguintes onde iremos tentar desvendar a vida de Donnie Darko a partir da perspectiva existencialista. Por termos em mãos um grande objeto de estudo, iremos quebrar este trabalho em diversas partes para não tornar a leitura cansativa. Vale recordar que este filme não permite uma única análise – o próprio ponto-de-vista do diretor é somente mais uma opinião acerca de sua criação e não pode ser considerada a única.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte II: A Preparação do Terreno: Existencialismo e Fenomenologia.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte III: A Família Perfeita.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte IV: Einstein e Alice no País das Maravilhas.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte V: Significação da Vida.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VI: Olhar de Foucault: Instituições de Ensino e a Domesticação do Sujeito.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VII: A aula com a perturbada professora Karen Pomeroy.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte VIII: O medo de enfrentar a vida.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte IX: O seu poder de mudar as coisas.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte X: Eles me obrigaram a fazer isto.

Ver Donnie Darko – Uma Análise: Parte XI: Smurfs, Complexo de Édipo e Desejos Sexuais.

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Donnie Darko. 2001. EUA. Direção e Roteiro: Richard Kelly. Elenco: Jake Gyllenhaal (Donnie Darko), Holmes Osborne (Eddie Darko), Maggie Gyllenhaal (Elizabeth Darko), Daveigh Chase (Samantha Darko), Mary McDonnell (Rose Darko), James Duval (Frank), Arthur Taxier (Dr. Fisher), Patrick Swayze (Jim Cunningham), David St. James (Bob Garland), Jazzie Mahannah (Joanie James), Jolene Purdy (Cherita Chen), Stuart Stone (Ronald Fisher), Jena Malone (Gretchen Ross), David Moreland (Diretor Cole), Noah Wyle (Prof. Kenneth Monnitoff), Drew Barrymore (Karen Pomeroy), Katharine Ross (Dra. Lilian Thurman). Gênero: Drama, Sci-Fi, Suspense. Duração: 113 minutos.
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15 comentários em “Donnie Darko (2001) – Uma Análise

  1. Este trabalho que eu iniciei ainda não foi concluído. Tão logo eu crie novas partes este post será atualizado até que a análise chegue ao fim.

    Grato

    EvAnDrO vEnAnCiO

  2. Olá Pessoal! Já está atualizado…! Me desculpem pela demora na resposta… Sei lá o que o Google fez que alterou todos os endereços de minhas páginas que tinham acento… Caso alguém encontre mais algum link quebrado, por favor, me avisem…!

    Obrigado!

    • Rodrigo,

      faltou terminar o que?

      Se é a Análise do filme Donnie Darko, no rodapé do texto tens toda ela. Por ser extensa, ele preferiu dividir em capítulos.

      Pode entrar sem susto nos links. Eles são do Blog do Autor, o Evandro.

  3. Eu sempre vou gostar deste filme, porém ele não faz sentido fora do universo subjetivo de Donnie Darko e baseado nas teorias criadas pelo diretor, pois o roteiro apresenta deficiências. Seguem alguns questionamentos meus e outros levantados por Joseph Young, especialista em física quântica e consultor de escritores e cineastas.
    - O “livro” disponível na internet de A Filosofia da Viagem no Tempo foi elaborado por Richard Kelly ao longo do filme e lançado depois para alavancar o filme. Então o enredo não é baseado no livro. Tremendo paradoxo. A carta enviada por Donnie para Roberta Sparrow é outro paradoxo temporal, ela passa o filme inteiro checando sua caixa de correio para ver se Darko enviou a carta e ficar tranquila que Donnie foi alertado pelo seu “livro” sobre o que está acontecendo e quais as formas de salvar o mundo.(elemento da física quântica).
    - Não há explicação por que Donnie Darko é escolhido para salvar o universo. É muita coincidência acreditar que a viagem no tempo de motores a jato irá colidir com o quarto da pessoa que por acaso tem o poder de fixar a fissura no tecido do espaço-tempo, parecendo um artifício fantasioso o fato do motor cair justamente no quarto de Donnie e, de alguma forma o dotar de poderes de alterar a realidade. Se o filho de Roberta Sparrow não estivesse no Caribe, poderia ser o escolhido, porém Jack tem outros planos. (elemento da física quântica)
    - Nesta linha de raciocíno (o filme não tem compromisso com a realidade), Donnie não tem que matar sua própria mãe e irmã para desprender o motor do avião no final do filme. Neste momento, utiliza seus superpoderes, cria o vórtice para encerrar o universo tangente por onde a turbina ultrapassa para cair no universo primário, vindo a matá-lo. O motor poderia ter vindo de qualquer avião ou plano dimensional. (elemento temático e da física-quântica)
    - Donnie não tem que queimar a casa de Jim Cunningham, porque não há necessidade de colocar a mãe no avião para salvar o mundo, e também ele não precisa participar de uma festa de Halloween para completar a sua missão. (elemento temático)
    - Para Donnie completar sua missão é necessário visitar junto com Gretchen o porão da casa da Vovó Morte (Cellar Door), pois nas proximidades é onde ocorre o acidente e a morte de Gretchen e Frank. Porém, Donnie só vai até lá por experimentar uma compulsão repentina dentro de sua cabeça, uma alucinação que ele tem na festa. Ele e Gretchen poderiam ter ido a qualquer lugar, até na casa de um pai-de-santo. (elemento temático)
    - Gretchen não tem que morrer e se tornar um manipulado morto. Ela vai morrer de qualquer jeito, porque o universo tangente está prestes a acabar em poucas horas, e Donnie sabe disto, pois é a primeira coisa que Frank, o coelho diz a ele. Isso é motivação suficiente para Donnie salvar o universo. Os espectadores podem interpretar por que Gretchen precisa morrer (para encontrar Bin Ladden, para Donnie ficar desesperado.. etc). Porém o diretor utilizou como motivação para Donnie completar sua missão. Dentro da lógica do filme, pode ser que Donnie como receptor vivo não tenha como exercer seus superpoderes, a menos que esteja em profundo desespero e tumulto emocional. Afinal ele é quase um super-homem dentro do enredo. (elemento temático)
    - Donnie não precisa atirar em Frank. Embora a revelação de que Frank, o coelho é uma pessoa real que Donnie assassina no futuro seja chocante e inesperada, de modo algum é necessária para a missão de Donnie. Seu espírito-guia poderia ter sido qualquer outra entidade do plano espiritual. (elemento temático e espiritual)
    - Se Frank como espírito-guia é a mesma entidade que Frank como sujeito no qual Donnie mata, há um paradoxo de viagem temporal, ou seja, como pode o manipulado morto ser um Frank fantasma antes de se tornar o Frank morto? Sendo assim, ele poderia virar um coelho da Páscoa e trazer ovos tangentes de chocolate. Se o guia for outra entidade espiritual, então por que assumir a forma deste Frank? Poderia assumir a forma do Frank Sinatra, afinal, este sim se encontra no plano etéreo. Lembrando que foi revelado pelo diretor no lançamento da versão estendida (a do diretor) que existem dois Frank. Um é o espírito que só aparece para Donnie no universo tangente e o outro é o namorado de sua irmã e atropelador de Gretchen que existe nos dois universos. (elemento temático, espiritual e da física-quântica)
    - Porque Samantha sobrevive a queda do avião cuja turbina mata Donnie ao final do filme? Mesmo seguindo um roteiro diferente do filme, em que Donnie não mate Frank, não conheça Gretchen, não queime a casa de Jim, não coloque sua “turbina” na Smurfete e etc.. . Donnie morreria após o motor despencar do avião, por sua vez, Samantha também morreria na queda do avião, mas não, no final ela está viva. Se o diretor mantém a mulher misteriosa que descobre as Sparkle Motion, em qualquer linha de espaço-tempo elas viajam e Samantha morre. (elemento temático). Na hipótese de enviar a turbina para o universo primário ao final do filme, a mesma acabar indo para outro universo tangente ou algum experimentado por Roberta Sparrow e que serviu de base para ela escrever o seu “livro”. Então, criar-se-ia um ciclo de eventos não mostrado no filme. Sendo possível que a turbina se desprenderia de outro avião neste ciclo hipotético e não do mesmo em que a mãe e a irmã de Donnie se encontram. Assim ele morre e sua irmã permanece viva como mostrado ao final do filme. Se for o caso, o diretor criou outro universo tangente e um ciclo de eventos que não consta no filme. De qualquer forma, isso não tira o mérito do filme e o prazer em assisti-lo, apenas retira seu espectro de enigma indecifrável.

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