
Aqui, pretendo expor minhas impressões sobre o filme baseando-me na Psicanálise.
O neurótico obsessivo tem a característica de evitar entrar em contato com o seu desejo, pois entrar em contato é sair de seu lugar de morto-vivo, é estar na posição de desejante e ter de se haver com isso é o que o neurótico obsessivo mais teme, assim ele desloca para o real dos objetos a sua obsessão em não querer tocar em nada.
Tocar, pegar, entrar em contato equivale para o Obsessivo se responsabilizar por algo. E como sujeitos que padecem dessa neurose não suportam sentir culpa por seus erros e acertos, eles atribuem ao Outro tal sentimento. Logo, evitam tocar.
Esse Neurótico do filme tem TODA a sintomatologia de um Obsessivo de carteirinha rs, daí: Melhor é IMPOSSÍVEL.
Ele não toca, pula as rachaduras do chão e do piso, usa luvas, lava as mãos com mais de 5 sabonetes, usa talheres descartáveis… porque o contato é ‘sujo’, daí vem a mania de limpeza.
Freud nos ensina que a ‘salvação’ do Obsessivo é quando ele ama, pois amar é sair do lugar. Quando ele ama, ele se vê frente a frente ao seu objeto de desejo, então um lado dele repele (com ironias e sarcasmos típicos dessa estrutura clínica) e o outro o condena a entrar em contato.
Primeiro Jack Nicholson se afeiçoa ao cachorrinho do vizinho homossexual; isso já é o primeiro sinal de mudança. Tem uma fala dele que diz:
-”…Por causa de um cachorrinho”.
Quando ele está tocando piano pro cachorro comer rs.
E depois Carol, a garçonete, que provoca nele um sentimento que o faz, inclusive, voltar a clínica de seu psiquiatra para melhorar.
Não é gratuito quando ele fala que a garçonete o fez ser alguém melhor. Pois, o Obsessivo padece dos pensamentos, e seu temor é de que alguém o escute, daí seu louvor a Deus (já que este é Onipresente, Onisciente e Onipotente -> tudo vê, tudo escuta, tudo sabe e em tudo está). Pensar é o exercício mais frequente de um obsessivo, pensa “maldade em cima de maldade”, mas não assume isso, daí seus atos serem de bondade; justo para tamponar seus pensamentos. Carol consegue, aparentemente, torná-lo mais leve, mais vivo e mais desejante.
Por ela e pelo cachorro, ele consegue até se afeiçoar e cuidar do Simon, seu vizinho gay.
Melhor do que isso? Impossível
Só mesmo o amor pra fazer essas revoluções acontecerem.
Ficha Técnica: Melhor é Impossível – As good as it gets, 1995, EUA. Direção: James Brooks.
Por: Vampira Olímpia.