DIVÃ

diva_filmeMercedes (Lília Cabral) é uma mulher moderna, inteligente, pragmática, divertida e super feminina. Por simples curiosidade, ela procura um analista, e o que era para ser uma atividade inocente logo se transforma em uma experiência envolvente, emocionante e devastadora.

O filme “Divã” é uma agradável surpresa porque é difícil transformar uma excelente peça num filme de qualidade. São linguagens tão diferentes quanto à origem da estória que é um livro famoso de Martha Medeiros.

A sensibilidade do diretor José Alvarenga Jr. em distinguir as mídias é a chave do êxito de “Divã” nas telas porque o filme é genuinamente cinematográfico.

Lilia Cabral brilha como a protagonista analisada que tenta ser feliz como todo mundo com nuances de humor, alegria, emoção e drama na dose certa. Sua cena na janela chuvosa é muito especial.

Os atores rendem muito bem entre diálogos inteligentes e sarcásticos e um roteiro preciso e ágil que correm fluentemente numa trilha sonora deliciosa. Destaques para Alexandra Richter e Paulo Gustavo.

Um filme sem contra-indicações que vale por uma boa sessão de análise.

Por: Carlos Henry.

DIVÃ. 2009. Brasil. Direção: José Alvarenga Jr.. Elenco: Lília Cabral (Mercedes), José Mayer (Gustavo), Alexandra Richter (Mônica), Cauã Reymond (Murilo), Reynaldo Gianecchini(Theo), Paulo Gustavo (Renê). Gênero: Drama. Baseado em livro homônimo de Martha Medeiros.

Adulthood

adulthoodEste filme é a continuação direta de Kidulthood. Seis anos se passaram desde aquele dia onde Trife foi assassinado por Sam. Agora eles já não são mais adolescentes, mas adultos que têm responsabilidades: Monny vai para a universidade estudar direito. Alisa cria sua filha, que nunca chegará a conhecer o pai. Jay se tornou um marginal respeitado na cena e Sam está para sair da cadeia.

Enquanto o primeiro filme mostrava os atos impensados de adolescentes rebeldes, no segundo temos as conseqüências. Talvez este seja o ponto central de toda história: que algumas coisas mudam, outras não, porém o que ficou para trás não tem volta. Sam, o personagem mais cruel do primeiro filme, ao sair da cadeia aprende a lição. Agora ele está sereno, não quer arrumar confusão com mais ninguém e pensa apenas em rever sua mãe e seu irmão pequeno. Mas mal ele dá com a cara na rua, alguém tenta assassiná-lo e na tentativa fracassada expõe que outros irão atrás de seus parentes.

Sam irá se perturbar com a ameaça e irá atrás das pessoas a qual ele faz mal no passado para esclarecer a situação: ele está arrependido e não pretende brigar com mais ninguém. Começa então uma jornada rumo aos acontecimentos de outrora, onde cada pessoa irá transmitir como ficou marcada, como isto influenciou em sua vida e como irá tratar o assassino de quem era muito querido por todos.

Jay quer se vingar a qualquer custo. Alisa apenas não deseja ver mais o agressor do pai de sua filha. Monny não deseja se envolver mais com a situação e acredita numa segunda chance. A mãe de Sam o olhar com desconfiança e mágoa. Seu irmão agora anda pelos caminhos que Sam trilhava no passado. Enfim, este é um filme que nos faz refletir acerca das escolhas que tomamos em nossa vida, onde uma vez feita não é possível mais mudar. O que resta são apenas novas escolhas, mas talvez jamais poderão remediar algo que foi feito no passado.

Quanto ao filme, este é bem melhor que o primeiro. Os atores são os mesmos, flashbacks são mostrados diversas vezes para enquadrar a primeira história na segunda e para mostrar a experiência de Sam na cadeia e o que fez que ele mudasse. O roteiro é muito bom e os atores também amadureceram um pouco mais. Enfim, não é uma pérola, mas é um excelente filme de reflexão. O problema é que se você não assistiu o primeiro corre sérios riscos de não conseguir acompanhar o segundo, visto que todos os fatos estão ligados. Portanto, não deixem de assistir o primeiro antes de mergulharem neste daqui.

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Adulthood. 2008. Reino Unido. Direção e Roteiro: Noel Clarke. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 99 minutos.

Feitiço do Tempo (Groundhog Day)

groundhog-dayUm repórter de televisão (Bill Murray) que faz previsões de metereologia vai à uma pequena cidade para fazer uma matéria especial sobre o inverno. Querendo ir embora o mais rapidamente possível, ele inexplicavelmente fica preso no tempo, sendo condenado a repetir sempre os eventos daquele dia.”

Nesse filme o Tempo, primeiro é mostrado como algo rotineiro. Temos sim nossos compromissos diários. E que pode nos incomodar, mesmo que não conscientemente.

Mas quando nos confrontamos de fato, o incômodo acentua-se. As frustrações impedem até de ver que há um jeito de sair dali. Assim, cai-se numa repetição infinda. É querer resultados diferentes fazendo sempre tudo igual.

E o que nos leva a quebrar esse ciclo? A viver o nosso tempo na terra de modo prazeiroso? Para o personagem, houve uma saída. Percebeu a tempo!

Eu gosto desse filme.

Por: Ammy Mattos.

Feitiço do Tempo (Groundhog Day). 1993. EUA. Direção e Roteiro: Harold Ramis. Elenco: Bill Murray (Phil Connors), Andie MacDowell (Rita), Chris Elliott (Larry), Stephen Tobolowsky (Ned Ryerson). Gênero: Comédia, Fantasia, Romance. Duração: 97 minutos. Baseado em estória de Danny Rubin.

Contato – Ciência e Religião com Ética

contact_1997“O filme Contato não traz apenas as pesquisas científicas sobre ETs, mas também aspectos éticos e morais do inconsciente de seus personagens. Nele, tempo e espaço não são apenas conceitos físicos, mas também valores sentimentais: uma viagem na memória afetiva. Buscando vencer os limites dos dois mundos: o interior e o exterior.
Com o rádio, o homem transcendeu as distâncias, muito mais rápido. Indo mais longe. Com isso, podendo até pesquisar se existem seres inteligentes fora da Terra.
Mostrando o bom e o mau, o filme põe em xeque os valores éticos e morais da ciência e da religião. Numa tentativa de encontrar um equilíbrio.” (A. Mattos)

Contato marcou profundamente minha vida. Foi a partir dele que concluí que realmente eu queria ser astrônoma. Ainda não comecei os estudos da Física, mas em breve prestarei vestibular iniciando minha jornada rumo à Astronomia!

Tinha um dia de chegar (nos filmes) esse conflito entre ciência, religião e ética de uma maneira mais madura e mais centrada em grandes acontecimentos.

Além disso há uma preocupação em manter esses acontecimentos somente com a Dra. Eleanor, creio que para que houvesse a transformação que aconteceu com ela durante todo o filme. No início era ateísta, depois passou a acreditar em algo maior, numa força além de nossas suposições.

Depois disso, não lembro agora direito quem, mas um dos membros do conselho a que ela foi submetida confirmou a veracidade de que tinham se passado 18 horas de estática no vídeo que ela gravou. Como isso seria possível em 3 minutos? (Que foi o tempo que eles a viram na máquina)

Talvez seja a grande jogada do filme. E me pareceu assim: a ciência (representada pela Dra. Eleanor) aceitando a Deus, O conselho (se não me engano era em relação è religião) aceitando, pelo menos parte, da ciência. Isto é, para o progresso da humanidade, ciência e religião deverão tentar andar juntas. Não sei se foi bem isso que o filme quis passar.

O filme foi baseado no livro de Carl Sagan e, sem dúvida, foi o filme sobre Física que mais seguiu as leis da Física. Claro que como todo filme de ficção cometeu suas gafes. Mas inclusive no aspecto científico o filme é hiper interessante!!

Adorei relembrar esse marco!

Por: Thaís D. B.  Blog:  Tempestade Interior.

Contato (Contact). 1997. EUA. Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Jodie Foster (Dr. Eleanor Ann Arroway), Matthew McConaughey (Palmer Joss), Tom Skerritt (David Drumlin), David Morse (Theodore Arroway), James Woods (Michael Kitz), Angela Bassett (Rachel Constantine), Rob Lowe (Richard Rank), John Hurt. Gênero: Drama, Mistério, Sci-Fi, Thriller. Duração: 150 minutos. Baseado em livro de Carl Sagan.

A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (Around the World in Eighty Days)

around-the-world-in-eighty-days_1956A história começa durante a Revolução Industrial, no final do século XIX, na Inglaterra.  Numa agência de empregos, um nobre inglês, Philias Fogg, consegue um mordomo, o mulherengo Passepartout.  Fogg é mais conhecido por sua extrema pontualidade, por ter vários relógios em casa e por suas obsessões, como apenas comer a torrada em uma temperatura exata e dividir o armário em roupas para manhã, tarde e noite e de acordo com as estações do ano.

No mesmo dia em que contrata Passepartout, Fogg acaba, por causa de seu espírito aventureiro e desafiador, aceitando uma aposta com os membros esnobes do igualmente esnobe Reform Club, de que conseguiria dar a volta ao mundo em apenas oitenta dias.

Junto com Passepartout, Fogg, usando toda sua riqueza, faz a sua viagem, tendo que lidar com o resgate da princesa Auoua, na Índia, com o ataque de índios nos Estados Unidos, onde seu mordomo é capturado pelos Sioux, com a perseguição do detetive Fix, que acredita piamente que o sr. Fogg é um ladrão de bancos profissional, com os indianos que consideram a vaca um animal sagrado e com muitas outras confusões.”

a-volta-ao-mundo-em-oitenta-dias_livroQuando eu li “A volta ao mundo em 80 dias” fiquei fascinada com a história. Mais tarde, lendo sobre os Mitos, busquei rever. Júlio Verne, talvez, tenha preferido interpretar os mitos num jeito meio contestador. Aqui, nessa sua história, seria o mito da máquina do tempo.

Nessa história, demonstrou que se pode buscar por provas – a ciência dos fatos -, por um dia a mais. O ganhar tempo teve comprovação no fuso horário. Não foi preciso nenhuma grande tragédia, como as gregas. (Foi até cômico!) Há um trecho onde os cientistas dizem que tudo que deveria ser descoberto já tinha sido. Como se o tempo tivesse terminado ali para as novas invenções. O tempo não para.

O tempo

Se quebramos o relógio, nem por isso paramos o tempo. (Embora, muitas vezes dá vontade de atirá-lo bem longe.) No mundo onírico, o tempo tem outro sentido; outra realidade. O Sol comandava o tempo num tempo. Durante um período da humanidade era a diferença entre noite e dia que ditava o tempo. O ser humano com o fogo (acender e apagar) obteve, para si, um certo controle do tempo.

Com organização, e nem precisa ser algo radical, teremos muito mais tempo no decorrer do dia. Ganharemos até tempo de sobra para fazer muito mais coisas.

De certa maneira, Julio Verne, brincou com o tempo.

Por: Ammy Mattos.

A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (Around the World in Eighty Days). 1956. EUA. Direção: Michael Anderson. Elenco: David Niven, Shirley MacLaine, Cantinflas, Charles Boyer, Cesar Romero, Peter Lorre, Marlene Dietrich, Frank Sinatra, Buster Keaton. Gênero: Aventura, Comédia, Fantasia, Romance, Western. Duração: 167 minutos.

Violência Gratuita (Funny Games U.S.)

funny-gamesDois mais dois são quatro. Cinco mil anos para se entender isso. Sempre haverá violência gratuita. Em nenhum tempo se entenderá isso.

São tantos os tipos e modos de violência, em todos os tempos e todos os lugares. A violência verbal é só uma delas, e é tão agressiva quanto a física: ambos ferem e machucam como o machado. Mas o objetivo aqui não é listá-los.

Esta semana acompanhou-se pelos meios de comunicação mais alguns casos de VIOLÊNCIA GRATUITA que chamou a atenção. Uma delas tendo como protagonista uma brasileira grávida fora de seu país agredida por três rapazes (a versão desse fato ainda não está esclarecida; independente do que aconteceu realmente não tira o mérito de um ato de extrema violência); a outra aconteceu com uma menina de cinco anos, morta porque chorou ao ver seu pai sendo assassinado. Parece que ninguém mais se choca quando presencia algo do gênero; age-se como imunes e vacinados, não demonstrando reação de revolta, raiva ou qualquer sentimento de pena ou culpa. Talvez pela própria impotência: fazer o quê? Isso é fato. É real. E cada um com o seu individualismo.

E sempre se falou que a arte imita a vida. Ou a vida é que imita a arte? Há uma inversão de valores. A vida já não vale nada. A arte é ficcional. A arte baseia-se no real. O conceito de estética cinematográfica como sinônimo de entretenimento há muito já não existe. As novas mudanças são facilmente reconhecidas no cinema inovador do austríaco Michael Haneke. Ele, em seu filme Funny Games NÃO deixa o expectador ficar à vontade. Certamente se você ainda não assistiu ficará perturbado e chocado com a trama. A história é banal, só que envolve o expectador de tal maneira que o torna praticamente conivente e cúmplice das as situações de violência.

Só de se pegar o filme, já sabendo de antemão a sua sinopse, um thriller provocante e brutal de uma família em férias que recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados, torna-se responsável por aquilo que se assiste. A partir daí as férias de sonhos dessa família se transforma em pesadelo quando são sujeitados a inimagináveis terrores e provações para continuarem vivos. A violência é sutil, ela é apenas sugerida. Paul e Peter, personagens impecavelmente vestidos de branco, a cor que simboliza pureza, iniciam seus jogos de sadismo e horror com a família (homem, mulher, o filho e o cão) sempre intitulados com frases de duplo sentido, engraçadas infantis, chegando a ser um JOGO ENGRAÇADO, brincadeira de criança.

O fato inusitado nesta história que Haneke presenteia seu público começa quando Peter, o líder da dupla delinqüente, fala com a câmera com a certeza da presença do expectador, não pura e simplesmente como um voyeur, mas com a certeza de que ELE faz parte desse jogo e é conivente, não estando ao lado da família, mas apoiando toda a maldade que ali se instalou e impera. Às vezes um deles dá umas piscadas como que autorizando e confirmando com o espectador a aceitar essa condição, lembrando-o de vez em quando que está vendo um filme e, pior do que isso, colocando-o na inusitada posição de cúmplice passivo do ato de violência.

Bem ou mal, quem o assiste acaba fazendo parte da narrativa. É um filme não confortável porque quase que obriga a fazer parte da história e tomar partido dela. Parece que o real e o imaginário fundem-se. A tal linha tênue que separava ambos não existe aqui.

É uma receita velha para ingredientes novos. O cinema com uma nova roupagem, novos elementos instigantes que nos prendem a atenção. Apesar de o título VIOLÊNCIA GRATUITA (a tradução faz sentido), porém, ela quase não é mostrada. E é isso que torna o filme mais genial e inteligente do que ele deveria ser. Tudo é sugerido. Quando vai acontecer algo de terrível e violento a câmera não mostra, se ouve apenas sons dizendo que algo ruim aconteceu. E o resto fica por conta dos devaneios de quem assiste. Tem que refletir. Ou melhor, isso não é necessário.
Uma vez usado o tempo ele não volta mais. Daqui a pouco o agora será passado. Em Violência Gratuita, pode-se retroceder. Pode se alterar a história, ressuscitar os mortos; pode se pegar o controle remoto e fazer as mudanças necessárias. Na arte tudo é possível. Basta querer. Um filme ousado. Gosto disso.

Eis alguns bons motivos para se conferir a mais essa jogada do mestre Haneke. Uma obra prima.

Por: Por: Karenina Rostov.   Blog: Letras Revisitadas.

Violência Gratuita (Funny Games U.S.). 2007. EUA. Direção e Roteiro: Michael Haneke. Elenco: Naomi Watts (Ann), Tim Roth (George), Michael Pitt (Paul), Brady Corbet (Peter), Boyd Gaines, Siobhan Fallon, Devon Gearhart. Gênero: Crime, Drama, Terror, Thriller. Duração: 107 minutos.

Evil: Raízes do Mal (Ondskan)

evil-raizes-do-malHá um tempo atrás, fiz um comentário e uma análise a respeito de um filme intitulado Klass, que refazia o percurso do episódio conhecido o “Massacre de Columbine” e que justificava, do ponto-de-vista dos assassinos, que para atos extremos, atitudes extremas precisavam ser tomadas. Ao término do filme, uma sensação de angústia e perturbação toma conta de nosso ser, e nos leva à uma profunda reflexão.

Depois, tive a oportunidade de assistir um outro longa-metragem que segue uma linha semelhante, com uma temática bastante polêmica. Se trata do dinarmaquês Ondskan (que saiu no Brasil com o título “Evil – Raízes do Mal”).

A trama básica trata da história de um garoto problemático, que é expulso dos últimos colégios a qual foi aluno, e vai parar numa instituição de ensino tradicional (a única que o aceita, devido ao alto valor que custa o ingresso na mesma) onde somente os filhos de pessoas ricas e influentes estudam. Ele promete a sua mãe que irá terminar os seus estudos sem arrumar mais confusões, porém se defronta com diversas situações de injustiças e humilhações por parte dos alunos-monitores, que possuem o seu próprio código de regras (acima, até mesmo, das regras da instituição), onde ultrapassam os limites da ética e do bom-senso. Desta forma, o protagonista fica entre uma encruzilhada: cumprir a promessa que fez a sua mãe ou revidar os maus tratos?

Enfim, se trata de mais uma obra cinematográfica perturbadora e inquietante. É impossível não se sensibilizar com as atitudes extremas que são mostradas na película. O que mais incomoda é a forma que um colégio aparentemente correto e de tradição pode se mostrar indiferente ao vandalismo praticado por uma classe que podemos denominar como marginais de elite. Em parte, isto não é somente um filme, pois retrata fielmente como os filhos de homens poderosos passam invisíveis aos olhos da justiça, sendo que “os intocáveis” são a matéria-prima para palavras como “impunidade” poderem ser ditas e explicadas.

Temos inúmeros exemplos de como a lei não se aplica para as pessoas de imagem pública, empresários, políticos e influentes, basta que se procure no Google. Nos casos mais chocantes, eles acabam presos (em celas especiais) por pressão da mídia, e tão logo não se fale mais no assunto, eles voltam novamente para as ruas. É necessário a mídia investigue o paradeiro destes jovens, que teoricamente estão presos, o que eu duvido, como no caso dos assassinos do índio pataxó Galdino, que em 1997 foi incendiado por um grupo de jovens que hoje estão soltos e já foram flagrados bebendo em bares e se divertindo à noite, afinal um deles (Max Rogério Alves) é filho de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral – o TSE – o outro (Antônio Novelly Villanova) é filho de um juiz federal e por aí segue a roda da impunidade.

E o caso mais recente da empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, aquela que enquanto esperava o ônibus de casa foi brutalmente espancada por um grupo de jovens que alegaram que só fizeram isto “porque achavam que era uma prostituta” – ou seja, se ela realmente fosse então estaria tudo justificado! Um terceiro exemplo é aquele do caso do estudante, Caio Meneghetti Fleury, atropelou um frentista num posto de gasolina em Ribeirão Preto, e depois tentou fugir. Na época a “justiça” (sic) negou o pedido de prisão solicitado pela polícia cívil.

Enfim, estes são apenas alguns casos para aproximar melhor o enredo do filme com a nossa realidade, sendo que na prática a ficção se converge em mais um capítulo de nosso universo como ele é, com seus animais soltos numa selva urbana, onde a emoção e a insanidade falam mais alto do que a razão e a coerência.

Ondskan é um bom filme: chocante, pertubador, com uma série de elementos que nos fazem pensar por horas e ainda assim, com muita tristeza por dizer isto, não tem nada de novo. Obscuramente, é mais do mesmo por se tratar de coisas que acontecem por aí, num beco sem saída ou na luz do dia, onde, no fim, todos são vítimas de uma sociedade desestruturada que já não sabe mais conter os nossos impulsos e punir os verdadeiros criminosos.

Mesmo assim eu recomendo para não esquecer que, no fundo, todos somos animais selvagens. Como diria Nieztche “A diferença entre o homem e a égua é que a égua é mais feliz por não ficar pensando no passado e no futuro“, ou seja, de resto não há tantas diferenças assim. Salve Nieztche!

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Evil: Raízes do Mal (Ondskan). 2003. Dinamarca. Direção: Mikael Häfström. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.