Wolverine – Um Herói entre dois mundos…

x-men-origins-wolverine_posterProgramados para matar? Não! Aqui, a loucura de alguns generais de guerras aliados a loucos cientistas vai além. Num, fabricados para matar. De mutação a mutação, foram criando seres de grande força para um exército muito especial. Para eles manipularem ao seu bel-prazer. Se fosse preciso, nem cérebros teriam. Mas não sendo possível, que não ficassem sentimentalóides. Pois numa guerra, ou mata, ou sobrevive a ela. Não há outra conduta ética a ser seguida.

Para eles, seria primeiro captar de cada um seu dom nato, ou para não dizer, suas forças. Onde a ambição maior seria colocar em um único. E que esse então virasse uma máquina de guerra indestrutível. Na pressa, aproveitando-se de uma fragilidade de Logan (Hugh Jackman), criam o número 10, ou X, em romano. Surgindo então o Wolverine.

Aproveitando que ele tinha uma sede de vingança, logo uma cobaia dócil. Bem, isso é o que acharam. E onde erraram? Em querer fazer dele um desmemoriado? Ele se revolta. Mas…

Assistam! “X-Men Origem: Wolverine” é sensacional! De querer rever! Mesmo já sabendo da trama do filme – toda a origem de Wolverine -, é bem eletrizante. E num tempo certo. Outro ponto positivo. Não foi preciso alongar o filme para contar a saga desse herói. De alguém que não pediu para ser o que era. E ele bem que tentou ser um pacato cidadão. Ficar de fora daquele circo. Mas não deixaram. Investiram muito nessa máquina.

Ah! Um último detalhe. Uma das música me fazia lembrar do tema de ’1942 – A Conquista do Paraíso’. Uns acordes. Mas se foi uma homenagem, tudo bem.

Como o filme veio para contar a origem do Wolverine, seria óbvio que o final combinasse com o anterior. Sendo assim, não ficou em aberto. O que por vezes me incomoda um pouco, algo como se nas entrelinhas tivesse um outdoor já anunciando uma continuação. Sendo esse baseado numa HQ, e com personagens interessantes, fica, ficou um querer ver na Telona mais filmes com eles. Eu gostei muito! Dou nota 10! Mesmo não tendo gostado da escolha do ator Ryan Reynolds.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

X-Men Origem: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine. 2009). EUA. Direção: Gavin Hood. +Elenco. Gênero: Aventura, Ação, Fantasia, Sci-Fi, Romance, Suspense. Duração: 107 min.

Darkened Room

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Darkened Room

Direção: David Lynch

Gênero: Existencialismo, Drama, Pânico

EUA -2002

O real se presentifica, sempre. Nós burlamos seus efeitos sempre quando a realidade se apresenta insuportável. Mas e quando somos encurralados pelo real?

Encaixotados, encurralados, presos no real: Dor, desamparo, se fazem presentes imediatamente.

Importa o fato? Importa o acontecido?

O que fazemos com isso passa a ser mais importante, não?

Em minha visão, esse curta de Lynch diz exatamente isso: Não importa o que fizeram com você, importa o que você vai fazer com que fizeram contigo…

Tenso, mas REAL.

Muito bom, 8 minutos de duração. Curto, mas longo pra se pensar…

Por: Deusa Circe.

Motivos pelos quais eu não gostei de Crepúsculo…

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Ficha técnica: Crepúsculo (Twilight, EUA, 2008
Gênero: Ação, Romance
Duração: 122 min.
Diretora: Catherine Hardwicke
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Ashley Greene, Nikki Reed, Jackson Rathbone.

Resolvi escrever esse texto, mesmo sabendo que muita gente vai me caçar, e falar que eu não entendi o filme, que eu não sei apreciar as boas obras de arte, que o filme é ótimo, etc, etc… mas aqui vai.

Antes de começar, porém, eu gostaria de dizer que sempre fui grande fã de filmes e livros de Vampiros e histórias de terror. Li várias vezes o Drácula de Bram Stocker e perdi a conta das vezes de que vi “Entrevista com o Vampiro”. Já joguei (na mesa e no live-action) “Vampiro: A Máscara” (ok, concordo que não tenha sido um bom “Narrador”, mas fiz o que pude na época). Enfim… sou um apreciador dos sugadores de sangue… Uma última ressalva ainda, antes de começar: não duvido que o livro seja bom e bem escrito. Eu não li o livro e vi várias passagens em que pensei “nossa, isso no livro deve ser bem mais legal”, mas enfim… o que vi foi o filme e do que eu não gostei foi do filme.

Vamos aos fatos:

1. Simplismo

Ao tentar dar uma nova roupagem aos Vampiros, se esqueceu do mais importante em um livro de ficção: mais do que os personagens principais, os personagens secundários devem ser, no mínimo, factíveis e ter um pouco de novidade. Vamos à protagonista: menina adolescente que muda de cidade para passar um tempo com o pai que ela não conhece bem e não gosta muito. Para isso tem que mudar de escola e acaba não gostando de nada na cidade nova, apesar de todos gostarem dela. Ora senhores, se lembram da história do primeiro livro do Harry Potter? “menino mora com os tios, dos quais não gosta, e muda para uma escola nova onde não conhece ninguém e não gosta de muita gente, apesar dos amigos gostarem dele”. Não é uma fórmula meio batida? (a minha batida com vodka, por favor) O personagem do pai da protagonista é tão simples e previsível que a própria personagem reclama dele em passagens do filme como “ah, vc faz sempre as mesmas coisas, me leva pra almoçar sempre no mesmo lugar”. O coitado do ator olha para a câmera como quem diz “é uma pena, mas é o que me mandaram fazer”. O coitado do pai da menina é quase Quanto aos Vampiros: Um grupo de pessoas estranhas que provam não ser tão estranhas assim e serem até legais. Fórmula que já foi repetida mil vezes também. Mas eu vou deixar para comentar sobre eles mais tarde. Até os nomes são simplistas! Bella, Lambert… ah, façam me o favor. E cá entre nós, é lógico que ela vai ser transformada.

2. Depressão da Protagonista

A protagonista é uma menina linda, da qual todos na escola nova gostam, a mãe gosta, o pai gosta, e até mesmo os menos simpáticos da escola (que são os vampiros) gostam dela. E mesmo assim, mesmo tendo ganho um carro de presente do pai no primeiro dia de aula, mesmo com tudo, ela é depressiva. Ela é branca como uma vela de sete dias (porque não sai de casa, já que morava em um local ensolarado antes de mudar para o meio da montanha com o pai), não fala com ninguém (apesar de todo mundo falar com ela, pq ela é linda e popular sem precisar fazer nada para isso), e não se interessa em fazer amigos, nem em manter os que tem (já que quando se envolve com o vampiro, os amigos antigos são literalmente descartados). A impressão que dá é que ela encontra exatamente o que procura: alguém que a proteja. E o vampiro, encontra um novo brinquedo, quase como um cachorrinho com o qual irá brincar durante vai… uns 50 anos e depois vai morrer. Convenhamos, isso pra quem é imortal é quase como a relação que eu tenho com meu hamster. Mais do que deprimida, ela é deprimente.

3. “Ficou fácil ser vampiro!”

Ok, todo mundo concorda que ser vampiro é legal. Já era legal poder ter poderes aguçados como o de animais (como força, audição e velocidades acima do normal), ter aquele charme todo especial de alguém que vive muito mais do que “o resto”.

Agora… o que o filme nos traz? Vampiros que vivem bem, em lugares onde não tem tanta luz (mas tem luz solar). Ah, os vampiros do filme: podem sair no sol (apesar de brilharem como diamantes), não tem medo de crucifixos, não precisam beber sangue com tanta frequência, não precisam dormir (o que torna a vida bem mais interessante, diga-se de passagem), e não tem nenhum ponto fraco (tanto que na luta para matar um deles, estaca no coração é coisa do passado, o negócio é queimá-lo vivo). São praticamente um bando de super-heróis. Ah, assim ficou fácil ser vampiro! Sem a parte ruim da coisa! Sem a maldição…

Isso também, para mim, é um problema. Ora, vampiro assim eu também quero ser. Aliás, convenhamos, os vampiros mostrados no filme são quase uma evolução do ser humano. E claro, um personagem principal vampiro (que já é o charme em pessoa), bonito, misterioso, inteligente, corajoso, e todas mais as qualidades que se pede de um “apaixonável” ajuda e muito o sucesso do filme (e arrisco dizer, do livro também).

Bem resumidamente esses são alguns motivos pelos quais eu não gostei desse filme, que para mim, vai para a prateleira dos filmes tão ruins quanto “p.s.: eu te amo” (o qual não teve nem a decência de ter em sua trilha a música dos beatles que dá nome ao filme).

Ass.: Alexandre Thomaz – http://alexthomaz.wordpress.com

Assassinos por Natureza (Natural Born Killers)

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Assassinos por Natureza – Natural Born Killers

Direção: Oliver Stone

Gênero: Aventura, Ação, Violência

EUA – 1994

Natural Born Killers (literalmente, assassinos natos [matadores natos]), de Oliver Stone, traz ao cinema, junto com “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”, ambos de Quentin Tarantino, a estética da violência, tornada espetáculo. Trata-se de desfazer o discurso maquiador da violência e mostrá-la realisticamente, o que corresponde ao naturalismo em literatura (Emile Zola).

Stone usou todos os recursos conhecidos para mostrar sua idéia em imagens, da filmagem super-8 à comédia tipo “I love Lucy” (acho que ninguém aí vai lembrar disso rs) – cena da família de Mallory -. Vale a pena manter o controle remoto em mãos e passar quadro a quadro determinadas cenas, pq algumas chaves para a compreensão da personalidade da dupla são dadas muito rapidamente (p. ex., a violência sofrida por Mickey nas mãos de seu pai, o qual inclusive devora ou arranca a dentadas um pedaço do próprio filho na infância, o que só é visível qdo usamos o quadro a quadro).

O tema do filme não é a dupla psicopata Mickey e Mallory (brilhantemente encarnados por Woody Harrelson e Juliette Lewis, esta com sua maravilhosa cara de porra-louca full time) – mas o que a mídia faz da dupla e a identificação idolátrica do povo com ela.

A questão é: pq os criminosos exercem tamanho fascínio, a ponto de serem endeusados pela população?

Cito dois textos de Freud que tratam de criminosos: “Totem e Tabu” (1913) e “Dostoievsky e o parricídio” (1928).

Em “Dostoievsky e o Parricídio”, Freud diz que o criminoso tem duas características: uma quantidade grande de pulsão agressiva e a incapacidade de se ligar afetivamente a objetos humanos. Em suma, um egoísmo (narcisismo) imenso.

Em “Totem e Tabu” (obra que estuda o animismo e o totemismo, a mais antiga religião humana, e a semelhança entre a mente do selvagem primitivo, da criança e do neurótico obsessivo) Freud nos mostra o mecanismo das instituições penais.

Todo homem traz em si uma agressividade inata, por suas pulsões destrutivas dirigidas ao mundo externo. A sociedade exige que ele recalque essa agressividade e a sublime ou desvie para funções socialmente aceitas. Alguns não aceitam tal restrição de sua agressividade (ie, de sua liberdade) e infringem as leis que a proíbem de ser satisfeita – tais são os criminosos.

Porém cada homem tem, em seu inconsciente, o desejo dessa transgressão, seja, o desejo de satisfazer suas pulsões (agressivas e eróticas). Caso alguém satisfaça tal desejo e permaneça impune há o risco de despertar o mesmo desejo nas outras pessoas, que não hesitarão em satisfazer seus desejos anti-sociais (especialmente incesto e parricídio, ie, assassinato).

Por isso a Lei deve se fazer observar graças a uma pena imposta contra os transgressores (essa pena visa a intimidar e dissuadir os demais de cometer o ato proibido, enquanto tb pune o delinquente). O Direito necessariamente é coativo para garantir a observância, pelo medo, das suas injunções. é a coação que especifica a norma jurídica e a difere de outras normas sociais.

Mas o desejo homicida permanece no inconsciente e é contra esse desejo que se volta a instituição penal – pq somos todos “miseráveis pecadores”, nas palavras de Freud – é preciso evitar o contágio pelo exemplo.

Por isso admiramos assassinos e ladrões – pq eles ousaram satisfazer um desejo que nós próprios possuímos em nosso inconsciente. assim, satisfazemos nosso desejo através dos criminosos, igualmente, rejubilamos ao ver o criminoso exemplarmente punido, pq a punição sanciona o nosso recalque. Se não houvesse punição, não teríamos pq nós mesmos respeitarmos o “pacto social”.

O povo que aplaude Mickey e Mallory recomenda2 na verdade os aplaude pq eles ousaram satisfazer os mesmos desejos que nós temos. Esse aplauso não significa necessariamente aprovação – tanto que exigimos sua punição e ninguém deseja ver criminosos soltos e impunes.

Por: Vampira Olímpia

Confidências Muito Íntimas (Confidences Trop Intimes)

confidencias-muito-intimasPara você que nunca fez análise, qual é a ideia que faz de um Psicanalista? O biotipo. E até de como seria o consultório. Agora, e também para você já familiarizado com esse universo, foi, ou seria complicado a primeira sessão?

Trago essas indagações por conta da trama desse filme, Confidências Muito Íntimas. E qual seria ela? Num resumo, seria isso: Anna (Sandrine Bonnaire) por conta de seu casamento estar crise, decide procurar um analista, mas acaba entrando na sala errada. Na de um Consultor Econômico, William (Fabrice Luchini). E nessa sua primeira visita, em percorrer os olhos… tudo se encaixava. Não que já estivesse em dúvida se entrou na sala certa, e sim por corresponder a sua ideia desse universo.

Ao longo do filme, vemos que tanto a escolha do analista, como até de onde ele clinicava, fora devido a essa tomada de decisão. Não bem uma timidez, nem tampouco de sentir que o problema seria dela, mas por querer mais alguém para desabafar. Que a ouvisse. O consultório ficava num prédio misto. Onde as Salas comerciais e as moradias conviviam pacificamente lado a lado. O que denotava que ela queria se sentir como na casa de um amigo. E por que não procurou por uma analista? Por uma mulher, em vez de um homem. Tem um porque.

Nesse primeiro contato, não houve da parte de William um querer continuar com a farsa. Se as circunstâncias deram a ela tê-lo como o Psicanalista, a ele, por tudo que ela contou do seu casamento, o levou a acreditar que ela queria um aconselhamento nas partilha de bens, de um provável divórcio. Pois ela resolve contar tudo de uma vez, não apenas porque poderia perder a coragem, mas por recear uma recusa dele nessa terapia.

Somente na saída dessa ‘primeira sessão’ é que ele se deu conta da troca que ela fez. Mas ela não deu tempo dele desfazer a confusão. Vai embora, na certeza que haverá uma segunda sessão. E há. Até outras mais… William até tenta saber o endereço dela no consultório do verdadeiro psicanalista. Mas descobre que o telefone que ela dera, era falso. E mais, ele que vai parar naquele divã… por um dia. Ao contar todo episódio, entre outras coisas, ele faz William questionar a si próprio, no porque ficou calado.

Nesses encontros, Anna acaba mexendo com a rotina do William. Como uma lufada de vento inesperada, ela é um caos bem-vindo em sua vida. Muda sua postura. Libera o jovem que estava adormecido em si. O faz até passar maus momentos nas mãos de um marido ciumento. Sendo que nessa história, ele era inocente. A cena onde dança no corredor de sua casa, dá vontade de voltar a fita. Como a da cara da secretária ao vê-lo sem gravata. Por tudo isso, e muito mais, em ambos surge uma cumplicidade nesses encontros…

Não é um filme que irá agradar ao grande público, nem aqueles que se prendem a detalhes técnicos. É um filme que mais que coincidências, fala de circunstâncias. Das que estão ali, diante dos nossos olhos, e não notamos. Por estarmos presos as mesmices. Sem nem perceber que as chaves dessas algemas estão em nossas mãos. Elas são o querer mudar. Quando o ‘Acorda!’ não conseguimos por nós mesmos, que ele venha por alguém que se livrou das amarras.

O final é genial de tão simples. Eu gostei do filme. Ele entrou para a minha lista de que vale a pena rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Confidências Muito Íntimas (Confidences Trop Intimes). 2004. França. Direção: Patrice Leconte. Elenco: Sandrine Bonnaire (Anna), Fabrice Luchini (William Faber), Michel Duchaussoy (Dr. Monnier), Anne Brochet (Jeanne), Gilbert Melki (Marc), Laurent Gamelon (Luc), Hélène Surgère (Sra. Mulon), Urbain Chancelier (Chatel), Isabelle Petit-Jacques (Secretária do Dr. Monnier). Gênero: Drama, Romance. Duração: 104 minutos.

Coração Selvagem (Wild At Heart)

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Coração Selvagem – Wild At Heart

Direção: David Lynch

Gênero: Aventura, Drama

EUA – 1990

Fabuloso!!! “O Mundo tem um coração selvagem e ele é tão estranho” – Fala de Lula Fortune (Laura Dern). Concordo com ela… Aliás, Lula, quem não gostaria de ouvir do amado uma música do Elvis? rsrsrs Estou contigo nessa, também gostaria que cantassem pra mim “Love me tender”… :)

Em entrevista, Lynch costuma dizer que é seu filme favorito. Ainda não tive o prazer de ver todos os filmes desse diretor, mas sem dúvida alguma esse dominou, até então, meu coração (selvagem?).

Um filme com imagens arrebatadoras, uma trilha sonora excelente, um roteiro que dá margem à várias interpretações e ainda, trata-se de um conto de fadas moderno, contemporâneo, sensual e muito engraçado,  como não conquistar os corações?

Lula (Laura Dern)  e Sailor (Nicolas Cage) são apaixonados um pelo outro e vivem essa paixão de maneira muito intensa. A mãe de Lula, completamente neurótica, tenta de tudo para atrapalhar esse romance. Bem da verdade, a neurose dela tem nome: paixão. Paixão por Sailor, namorado da filha.

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Apaixonada também pela filha, dessas mães possessivas que não permitem os cordões umbilicais rompidos, segue à caça do casal apaixonado que vive seus momentos exóticos e eróticos na estrada.

Pra onde vão? Nem eles ao certo sabem.

Seguem seus corações… Combinemos! É um mapa e tanto, não?

Achei curioso a presença de tantas loiras no filme. Mais curioso ainda é a forma como foi costurado aquilo que faz parte do real e da fantasia dos personagens.

Muito bom o filme.

Curiosidades:

- Durante as filmagens, Laura Dern desmaiou depois que Lynch pediu para ela fumar quatro cigarros ao mesmo tempo em uma só tragada.
- A voz das canções que o Sailor canta é do próprio Nicolas Cage.
- O casaco de pele de cobra que Cage usa no filme é do próprio ator.
- Cage deu o casaco a Laura Dern no fim das filmagens.

Por: Deusa Circe.

Albergue Espanhol

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Albergue Espanhol – L’Auberge Espagnole

Direção: Cédric Klapisch

Gênero: Comédia

França – Espanha – 2002

Se fosse para ao invés de dizer uma nota, dizer um adjetivo, certamente seria: Carismático.

O filme é carismático do início ao fim. Os personagens, até os que fizeram papéis de chatos, nerds, são carismáticos e interessantes. Dá pra se ver no filme, rir, se indagar com ele.

Gosto desse tipo de comédia onde não é apelativa pro riso mongolóide. A comédia que se trata é daquela que você pensa: “já aconteceu comigo” rsrsrs ou ainda, “pode acontecer comigo” porque faz parte da vida situações inusitadas, momentos e lembranças gostosas.

Trata-se de um jovem (Xavier), estudante de Economia, 25 anos, francês, que viaja num programa de intercâmbio para Espanha por um período determinado de um ano.  Deixa em Paris sua mãe e namorada. Chega na Espanha (Madrid) sabendo pouco de espanhol, com uma hospedagem que não era bem a que ele queria… tratou de sair de lá. Como conheceu um casal francês no aeroporto, hospedou-se na casa deles enquanto procurava um canto pra se instalar.

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Quando encontra o que chamamos aqui de República de/para  Estudantes, me fez lembrar do início e das entrevistas de Cova Rasa rsrsrs. Entrevistas com perguntas hilárias… rsrsrs.

Mesmo com as diferenças de cada cultura, ali eles formam uma unidade e uma amizade, uma espécie de família – a que se escolhe. E o apartamento passa a ser cenário de situações hilariantes e cômicas, que mostra pra quem vê que diferenças, chatices, organizações, desorganizações tem em todos os lugares.

Outro ponto interessante é o fator mulher para Xavier rsrsrs. Ele é cercado por mulheres com personalidades diversas e que no conjunto, é divertido ver um homem descobrindo que não tem como entendê-las rsrsrs. Tem a sua mãe, a sua namorada, a sua colega de quarto que é lésbica e professora sexual dele rsrsrs, a sua amante…

Ele chora quando vai embora da França e chora quando volta pra ela… a vida é assim mesmo, cheio de partidas e chegadas, de novidades, de unidades, de escolhas…

Também me lembro ao longe do filme A Praia, quando eles estavam no melhor daquele mundo paralelo, obviamente.

Muito legal o filme, divertido e cheio de pontos para se pensar no só-depois, afinal, ser estudante da vida não é fácil, que as aulas sejam, portanto, ao menos divertidas, né? rsrsrs

Por: Deusa Circe.

Lugares Comuns (Lugares Comunes. 2002)

 

lugares-comuns_posterA missão de um Professor é despertar no aluno a dor da consciência.”

O Cinema Argentino tem nos dado ótimos filmes. Esse, ‘Lugares Comuns, é mais um a engrossar a lista. Um filme que somente por uma certa aula de um professor já valeria muito a pena assistir. Acontece que o filme por um todo nos levar a várias reflexões. E emociona! Não deu para segurar as lágrimas no final.

O que teria de tão especial nessa aula? Eu não sei se os jovens de hoje criam uma relação de respeito aos professores. Não a todos, mas a aqueles que fazem a diferença nessa profissão. Os que tem nela sua profissão de fé. O seu sacro-ofício. O protagonista desse filme é um deles.

Fernando Robles (Federico Luppin) fora forçado a se aposentar por decreto. Faltando pouco tempo para isso, e ai então sairia com um salário integral. Num governo repressor seu temperamento anárquico teve seu nome até endossado pelo Reitor. Sem ter como reverter o quadro, o jeito era se adequar a nova situação. Se o tempo já era dureza para alguém mais novo encontrar emprego, o que dirá alguém da sua idade. Sem esquecer que não era muito querido no meio acadêmico por não gostar de cabresto. Nossa! Seu embate com o Reitor – de mente retrógada -, é de querer voltar a fita.

Fernando então dá a sua última aula: “Eu quero que se lembrem que ‘ensinar’ significa ‘mostrar’. Mostrar não é doutrinar. É dar informação, enquanto ensina a maneira de entender, de avaliar, de ponderar, e questionar essa informação.” E é nela que ficaremos conhecendo também o porque do título. (E para uma explicação muito mais detalhada desse termo literário – lugar comum -, leiam aqui.)

O Fernando dando aula me fez lembrar de uma Professora, D. Nilza. Num período de Ditadura, ela fez a diferença para nós. Por não adotar o livro oficial. Por ele ser emburrecente. Nós os deixávamos abertos numa página previamente combinada para o caso de uma visita surpresa de alguém da Diretoria. E assim, com alguma notícia lida no jornal do dia ela nos dava uma senhora aula de geopolítica. Além de nos fazer gostar de ler os jornais diariamente. Saber o que estava se passando no mundo. Saber questionar os fatos. Valeu D. Nilza!

Além de Professor de Literatura, Fernando é Crítico Literário. E guarda um desejo de um dia vir a ser um grande escritor. Por ser muito autocrítico, limita-se a escrever um diário. Um livro que crê que só será lido por sua amada esposa, Lili (Mercedes Sampietro), e quem sabe seu filho único, Pedro (Carlos Santamaría). Esse vive na Espanha com a esposa e filhos. São por essas anotações que somos levados a conhecer esse período da história desse casal encantador. Do que fizeram com a peça que o destino lhes pregou.

Como já estava no programado uma viagem a Madri – o filho os hospedariam, além de dar as passagens -, decidem ir. Para reverem o filho, além de Lili tornar a ver a sua terra natal. Ele até tentou esconder a demissão dela, mas ela o conhecia bem. Resolveram então ocultar do filho. Aqui há algo também para refletir. Isso de tentar poupar alguém omitindo algo que ficará sabendo mais a frente. Por melhores das intenções, pode trazer alguns julgamentos precipitados. E no caso do Fernando, sua relação com o filho já era conflitante. Assim, esse pequeno convívio, já levava uns pontos nelvrágicos. Não deu outra!

Na volta… Lili decide vender seu belo apartamento, herança de família, e embarcar numa nova empreitada do Fernando. Compram uma chácara que não era mais objeto de desejo do então proprietário. Ficando viúvo, perdera a motivação em seguir com a empreitada: plantar flores para a indústria de perfumes.

Para ambos, já seria uma grande aventura ir morar no campo por estarem acostumados ao conforto da cidade. A chácara ficava no meio do nada. Mas de um nada de tirar o fôlego pela beleza. Embora o ex-proprietário deixou quase um manual da plantação a destilação, eles teriam que aprender tudo na prática. Com um detalhe a mais nesses esforços, o de Fernando ser um safenado.

Um outro fator relevante nesse filme é a relação entre patrão e empregado na chácara. Até por conta dos ideais de Fernando. Assim, ganhamos nós com ela. Fernando e Demedio (Claudio Risi) são um show à parte.

E entre tantos lugares comuns, o filme também nos mostra que por trás de um grande homem há uma sábia mulher.

Assistam! Um filme para ver e rever. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Lugares Comuns (Lugares Comunes. 2002). Argentina. Direção e Roteiro: Adolfo Aristarain. Gênero: Drama. Tempo de Duração: 110 minutos. Baseado em livro de Lorenzo F. Aristarain.

 

Presságio. Carregado de Simbologia Bíblica

knowing_movieApesar das críticas negativas ao filme, Presságio, acredito que este seja um dos melhores trabalhos realizados sobre o tema apocalipse. Para aqueles que possuem algum conhecimento bíblico sobre o fim dos tempos, o filme apresenta conceitos básicos sobre a sequência de eventos que a Bíblia relata que acontecerão no fim dos dias.

Pelo fato do tema ser complexo, para quem não possui contato com a Bíblia ou algum conhecimento sobre o Livro do Apocalipse, o diretor coloca na estrutura do filme pontos de contato entre o espectador e a realidade atual dos acontecimentos, como as diversas tragédias que são totalmente verídica, a não ser as 3 últimas que são fictícias, mas também utiliza a mesma simbologia que a Bíblia utiliza para trazer o conhecimento (Knowing) sobre o final dos tempos.

O título do filme em inglês Knowing quer dizer “conhecimento” foi traduzido para o português como “Presságio” o que não retrata a proposta do filme pois a menina Lucinda foi avisada por anjos dos acidentes em sequência, ou seja, fatos que aconteceriam, enquanto um presságio é, de acordo com os dicionários, um sinal que se supõe indicar um acontecimento futuro.

O filme como relatei é carregado de simbologia bíblica alguns deles são os seguintes:

Crianças prevendo o futuro: A bíblia relata que nos últimos dias crianças profetizarão alertando as pessoas sobre o fim iminente.

Anjos na Terra: Como em Sodoma e Gomorra os anjos visitaram estas cidades para avisar algumas pessoas e tentar salva-las da catástrofe iminente que se abateria sobre as duas cidades.
Como na sequência em que Nicolas Cage persegue um dos estranhos que lhe cega momentaneamente com uma luz intensa, o mesmo ocorreu em Sodoma quando as pessoas daquela cidade quiseram abusar sexualmente dos mensageiros (anjos).

A pedra negra: A pedra negra era utilizada nos tribunais antigos para dar uma sentença de condenação e uma pedra branca indicava absolvição daquele que estava sendo julgado. O filme por algumas vezes mostra pessoas recebendo pedras negras que significam, no contexto a condenação daqueles que rejeitaram o conhecimento de Deus através dos meios que Deus proveu para avisar toda a humanidade como a Bíblia, os profetas, etc.
No caso de Tedy Myles (Nicolas Cage) depois da morte de sua mulher ele abandonou sua fé, pois seu pai era pastor e provavelmente o ensinou deste a infância o instruiu sobre estes acontecimentos e sobre a fé em Deus.

A Explosão Solar: Uma das pragas finais que a bíblia relata, descreve que o sol subiria sua temperatura em sete vezes, mas não destruiria totalmente a humanidade. Quando da segunda vinda de Cristo, o livro do Apocalipse diz que a Terra será purificada pelo fogo e renovada.

A roda com olhos de Jeremias 1: Numa das sequências Tedy encontra uma figura bíblica retratanto a roda com olhos e os seres viventes que foram mostrados a Jeremias em visão. Alguns estudiosos interpretaram estas viões como contato com visitantes espaciais.

A Árvore da Vida: Na sequência final é mostrada uma bela árvore no centro do que parece ser um grande jardim. A Bíiblia relata que na Terra renovada a Árvore da Vida retornará para a este mundo e os eleitos se reunirão em torno dela uma vez por semana para adorar a Deus na terra renovada.

Uma das melhores sequencias do filme é quando Tedy (Cage) se desespera ao ver que não pode acompanhar o filho pois foi condenado por rejeitar a Deus e a crença na vida eterna. A sensação de desespero destas pessoas também é relatada na Bíblia, elas pedem que as rochas caiam em suas cabeças pois não têm salvação, ou seja, perderam a vida eterna por não tomarem tempo para conhecer a Deus.

Finalizando, acredito que este filme é uma das visões que mais se aproximam do que a Bíblia relata dos últimos acontecimentos deste planeta.

Por: Carlos Alberto de Oliveira Correia.

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans)

sunrise-a-song-of-two-humansUma história de degradação e elevação humana. Fazendeiro casado (George O`Brien) e com um filho pequeno se envolve com garota da cidade (Margaret Livigston) . Esta tenta convencê-lo a matar a mulher (Janet Gaynor) e fugir com ela para a cidade. No decorrer deste plano vil, várias reviravoltas acontecem e o homem tem que lidar com o imprevisível.”

Não sou profundo entendedor das ‘escolas’ (ou qualquer outro que seja o termo) cinematográficas.
Disso que chamam Expressionismo Alemão conheço pouco ou quase nada, tudo limitado a alguns posts lidos em fóruns de cinema e contra-capas de DVD’s.

De todos os (poucos) que vi, este aqui foi o que mais me arrebatou.

Vale ressaltar que Aurora é um filme de contrastes e paradoxos.

O contraste..
A forma como os ambientes são tratados: a cidade, como fonte da desgraça dos protagonistas e o campo como a representação da pureza e da felicidade.

O paradoxo..
No campo, vemos o marido tentando afogar sua esposa (logo no primeiro ato – a cena mais forte e tensa do filme) a mando da amante.. Uma cena pesada e que, ao mesmo tempo que cruel, revela o quão inocente e puro era aquele homem que se deixou levar pelos caprichos de sua amante.
Na cidade, ele brinca e se diverte no parque de diversões.. Mas aquela diversão não era real. O jogo de luzes e sombras deixa implícito algo soturno por trás daquilo tudo.
Simultaneamente à cada gargalhada do casal, era mostrado o marido pagando alguma coisa, evidenciando toda a artificialidade dali.

sunrise-a-song-of-two-humans_01Tecnicamente falando, somos brindados com uma fotografia espetacular, uma fantástica sobreposição de planos e o uso genial da mise-én-scene, além dos closes exagerados nos rostos com expressões caricatas mais exageradas ainda que conseguem resgatar do íntimo de seus personagens seus sentimentos mais profundos e nos passar com maestria, deixando-nos imersos à obra.

Além disso, há uma mistura de estilos que gera controvérsia. O drama e o romance contrastam com um suspense aterrador logo no começo que, em questão de minutos, subverte-se numa comicidade que chega a lembrar as comédias de Chaplin (vide a cena do porco no parque de diversões) e que, justamente por isso, fazem com que alguns críticos considerem o primeiro ato o mais importante do filme, que passa a perder seu ritmo na segunda parte.

sunrise-a-song-of-two-humans_02Eu já discordo. Tudo nesse filme é sublime. Há uma sensibilidade tamanha em cada plano mesmo ao mostrar o lado obscuro do homem. Na verdade, esse é outro dos paradoxos que mais me encantaram. Quantos filmes conseguem uma elipse do cruel ao belo em questão de minutos, culminando novamente no trágico sem destoar da harmonia em um único momento sequer?

Enfim, uma obra-prima que, apesar de separada de nossa época por quase um século, ainda mantém-se atual. E não digo isso somente por este ocupar o primeiro lugar do meu singelo TOP 100. Isse aqui vai além. Uma obra intensa que após vista e sentida, não te abandona nunca mais.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans). 1927. EUA. Direção: F. W. Murnau. Elenco: George O`Brien, Margaret Livigston, Janet Gaynor. Gênero: Drama, Suspense.