Cazuza – O Tempo Não Para (2004)

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Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes. Mas você está vivo. Essa vida é para se mostrar. Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho.”

Mesmo não sendo mais a primeira vez, ao rever ‘‘Cazuza – O Tempo Não Para‘, as lágrimas desceram em alguns trechos… marieta-severo_como-lucinha-araujoPrimeiro, foram juntas com a mãe dele, ali naquele corredor de um hospital. Lucinha Araújo muito bem interpretada por Marieta Severo. Numa época que a Aids matava, a esperança no coração de uma mãe, era o mesmo que clamar por um milagre. Até que ele veio. Num novo remédio. Numa nova droga, lícita. Que deu ao seu filho um tempinho a mais até para uma despedida no, e ao palco… Depois as lágrimas desceram naquele abraço do pai. Mesmo que o filho não tenha sido tudo o que ele queria… Mesmo assim, do seu jeito o amava e o queria vivo por mais tempo. Meus aplausos aos dois, que trouxeram ao mundo um grande Poeta da Música! E um em especial a Lucinha Araújo pela Sociedade Viva Cazuza.

Meu amor, meu cúmplice. Meu par na contramão. Você não mudou em nada (nada, nada, nada). Eu também não, que bom!

Ainda antes de entrar no filme… Quero deixar registrado Meus Aplausos também ao Brasil, que em 2001, na pessoa do então Ministro José Serra, quebrou patentes de remédios anti-Aids. Ele peitou uma das grandes potências mundiais: a indústria farmacêutica. Um início de muitas vidas sendo salvas no mundo. Bravo! E se alguém ainda vier com a desculpa que os infectados foram por manter uma vida sexual desregrada, lembrem-se de Henfil. Que fora infectado numa transfusão de sangue. Mas voltando a vida sexual com vários parceiros, não custa nada se prevenir. No filme ‘Na Cama‘, eu deixei meus aplausos por terem mostrado essa parte: na paradinha para colocar a camisinha. Há um outro filme que mostra que é melhor treinar antes, sozinho em casa, como se coloca o preservativo, é o “O Virgem de 40 Anos’.

Não escondam suas crianças. Nem chamem o síndico. Nem chamem a polícia. Nem chamem o hospício, não. Eu não posso causar mal nenhum. A não ser a mim mesmo.

Ainda deixando mais um registro. Que para quem conhece meus textos, sabem que eu não curto nada as drogas. Evito até as lícitas, com uma refeição saudável. Assim, o filme cumpriu bem em não esconder o fato de quem se drogava. Em todas as classes sociais. Talvez ainda numa de pós Woodstock, onde o mundo das drogas era quase um santuário, só viram a excitação momentânea. Esquecendo, ou não querendo ver a realidade: que essa fantasia cobra caro. Pois nem todos conseguem sair facilmente. E trazendo para a atualidade, esse mundo aumentou e muito a violência urbana. Enquanto houver procura, haverá mercado.

Estou pedindo, A tua mão. Me leve para qualquer lado. Só um pouquinho, De proteção, Ao maior abandonado.

cazuzaAgora sim, entrando no filme… Falando desse jovem contestador por meio da poesia da sua música. Eu já comentei que por vezes, um talento de alguém ainda jovem vem à superfície quando um adulto com um olhar mais apurado fornece as ferramentas certas. Bendita a hora em que João Araújo (Reginaldo Farias) colocou o seu garoto Cazuza (Daniel de Oliveira) aos cuidados do Zeca (Emílio de Melo). Pois esse, ao lhe dar um bloco e um lápis, deu a ele a chave. Cazuza a partir daí, nos presenteou com suas letras belíssimas.

Quando a gente conversa, Contando casos, besteiras. Tanta coisa em comum. Deixando escapar segredos. E eu não sei que hora dizer, Me dá um medo, que medo. É que eu preciso dizer que eu te amo, Te ganhar ou perder sem engano. É, eu preciso dizer que eu te amo, Tanto.

Cazuza, continuando a sua “vida louca, vida breve“… vai além, em querer cantar Músicas, e não apenas o ritmo Rock. Como a divulgar a mensagem contida nelas. Assim, segue carreira solo. Se desliga da banda Barão Vermelho. Por querer também cantar belos Sambas…

Ainda é cedo amor. Mal começaste a conhecer a vida. Já anuncias a hora da partida. Sem saber mesmo o rumo que irás tomar…” (Cartola)

daniel-de-oliveira_e_cazuzaDaniel de Oliveira ao dar tudo de si nessa magistral interpretação, deu a nós mais uma oportunidade em ver Cazuza. Como uma última despedida. Minhas lágrimas também desceram no final. Valeu Daniel! Bravo Cazuza! Deixou um belo legado de músicas belíssimas. Verdadeiras poesias!

O poeta está vivo, com seus moinhos de vento, A impulsionar a grande roda da história. Mas quem tem coragem de ouvir. Amanheceu o pensamento. Que vai mudar o mundo, Com seus moinhos de ventos.” Grata Frejat! É, o Poeta continua vivo em nossos corações!

Um filme para ver e rever sempre. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cazuza – O Tempo Não Para. 2004. Brasil. Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho. Elenco: Daniel de Oliveira (Cazuza), Marieta Severo (Lucinha Araújo), Reginaldo Farias (João Araújo), Emílio de Melo (Zeca – Ezequiel Neves), Cadu Fávero (Roberto Frejat), Dudu Azevedo (Guto), Leandra Leal (Bebel -  Bebel Gilberto), Andréa Beltrão (Malu), Débora Falabella (Denise – Denise Dumont). Gênero: Drama. Duração: 98 minutos. Baseado no livro “Só as Mães São Felizes”, escrito pela mãe do cantor, Lucinha Araújo.