
Festa de Família – Festen
Direção: Thomas Vinterberg
Gênero: Drama, Violência, Sexo
Dinamarca – 1998
“Tratando-se de família, ninguém é leigo. Mesmo se “não tiver” uma família. Não importa se você veio de Adão e Eva, ou da Evolução ou do Big Bang, no momento em que uma mulher e um homem engravidam já se constitui FAMÍLIA, em minha opinião; vale dizer que alguns Antropólogos discordam plenamente de mim quanto a isso.
Falando em Antropologia, no filme tem uma personagem que é Antropóloga (Helène), contrariando o desejo de seus pais que queriam que ela fizesse Direito. Bem, ela fez tudo ‘errado’ rs.. Quanto à família do filme, trata-se de uma família composta por pais e 4 filhos, sendo dois gêmeos (casal). Reúnem-se em um hotel (nas terras do pai da família), após o suicídio de uma das filhas, a Linda, gêmea de Christian, para comemorar os sessenta anos ‘patriarcais’.
O cerne da questão desta família é o abuso sexual do pai com dois de seus filhos.
O pai é uma figura-base em qualquer família, ele determina a estrutura familiar. Numa sociedade patriarcal como a nossa, assim como a dinamarquesa, o pai é o provedor, o protetor, o acolhedor, o castrador, o limitador, aquele que dá segurança e suporte. Nesta Era de mães-solteiras, me preocupa muito o prognóstico de nossa sociedade para daqui a uns anos. A crise já se iniciou, mas como o ser humano é adaptativo a qualquer meio ambiente e situação, o prognóstico é péssimo.
Voltando ao filme, o perfil dessa família, além de patriarcal, é de um desequilíbrio emocional visível. Ora, mas se são os pais as primeiras referências da criança, como não ser desequilibrada uma família que tem um pai molestador sexual e uma mãe submissa, omissa?
O que tem me assustado muito é esse número, cada vez maior, de abusos sexuais, registros de casos como pedofilia e incesto. Parece-me cada vez mais óbvio que o abusador também é um desequilibrado, mas que se “suporta” na rigidez e arrogância de uma educação quase nazista e fascista. Por falar nisso…
Este filme mostra também algo que para sempre será polê-mico, o Racismo. Helène é namorada de um negro,
mal-tratado por seu irmão Michael e toda família branca. O que me surpreende, porém não muito, foi a cena em que todos cantam aquele “hino” nazista em plena mesa do jantar; e o rapaz, sem entender aquela “língua”, quase sorri para eles.
Enxergo a Antropologia, infelizmente, como uma espécie de racismo. O estudo do homem, o homem como um animal visto como ‘superior’, evoluído. Será muita evolução esse excesso de violência gratuita em que somos submetidos nas grandes metrópoles?
O filme é um requinte de sintomas patológicos sociais: abuso sexual, racismo, aborto, lesbianismo, suicídio, maus tratos familiares…
Falando em suicídio, Camus escreveu numa época de pessimismo pós-guerra, que só há um problema verdadeiramente filosófico sério: o suicídio. Sem entrar nas nuances filosóficas quanto ao ‘matar-se’, a Europa é campeã em casos de suicídios, não perde nem para o Japão, que tem uma estatística ambiciosa quanto a isso.
Filme denso, tenso, sem trilha sonora, visceral. Faz parte do Movimento Dogma 95 (Movimento Cinematográfico). Eu recomendo.”
Por: Vampira Olímpia