Presságio. Carregado de Simbologia Bíblica

knowing_movieApesar das críticas negativas ao filme, Presságio, acredito que este seja um dos melhores trabalhos realizados sobre o tema apocalipse. Para aqueles que possuem algum conhecimento bíblico sobre o fim dos tempos, o filme apresenta conceitos básicos sobre a sequência de eventos que a Bíblia relata que acontecerão no fim dos dias.

Pelo fato do tema ser complexo, para quem não possui contato com a Bíblia ou algum conhecimento sobre o Livro do Apocalipse, o diretor coloca na estrutura do filme pontos de contato entre o espectador e a realidade atual dos acontecimentos, como as diversas tragédias que são totalmente verídica, a não ser as 3 últimas que são fictícias, mas também utiliza a mesma simbologia que a Bíblia utiliza para trazer o conhecimento (Knowing) sobre o final dos tempos.

O título do filme em inglês Knowing quer dizer “conhecimento” foi traduzido para o português como “Presságio” o que não retrata a proposta do filme pois a menina Lucinda foi avisada por anjos dos acidentes em sequência, ou seja, fatos que aconteceriam, enquanto um presságio é, de acordo com os dicionários, um sinal que se supõe indicar um acontecimento futuro.

O filme como relatei é carregado de simbologia bíblica alguns deles são os seguintes:

Crianças prevendo o futuro: A bíblia relata que nos últimos dias crianças profetizarão alertando as pessoas sobre o fim iminente.

Anjos na Terra: Como em Sodoma e Gomorra os anjos visitaram estas cidades para avisar algumas pessoas e tentar salva-las da catástrofe iminente que se abateria sobre as duas cidades.
Como na sequência em que Nicolas Cage persegue um dos estranhos que lhe cega momentaneamente com uma luz intensa, o mesmo ocorreu em Sodoma quando as pessoas daquela cidade quiseram abusar sexualmente dos mensageiros (anjos).

A pedra negra: A pedra negra era utilizada nos tribunais antigos para dar uma sentença de condenação e uma pedra branca indicava absolvição daquele que estava sendo julgado. O filme por algumas vezes mostra pessoas recebendo pedras negras que significam, no contexto a condenação daqueles que rejeitaram o conhecimento de Deus através dos meios que Deus proveu para avisar toda a humanidade como a Bíblia, os profetas, etc.
No caso de Tedy Myles (Nicolas Cage) depois da morte de sua mulher ele abandonou sua fé, pois seu pai era pastor e provavelmente o ensinou deste a infância o instruiu sobre estes acontecimentos e sobre a fé em Deus.

A Explosão Solar: Uma das pragas finais que a bíblia relata, descreve que o sol subiria sua temperatura em sete vezes, mas não destruiria totalmente a humanidade. Quando da segunda vinda de Cristo, o livro do Apocalipse diz que a Terra será purificada pelo fogo e renovada.

A roda com olhos de Jeremias 1: Numa das sequências Tedy encontra uma figura bíblica retratanto a roda com olhos e os seres viventes que foram mostrados a Jeremias em visão. Alguns estudiosos interpretaram estas viões como contato com visitantes espaciais.

A Árvore da Vida: Na sequência final é mostrada uma bela árvore no centro do que parece ser um grande jardim. A Bíiblia relata que na Terra renovada a Árvore da Vida retornará para a este mundo e os eleitos se reunirão em torno dela uma vez por semana para adorar a Deus na terra renovada.

Uma das melhores sequencias do filme é quando Tedy (Cage) se desespera ao ver que não pode acompanhar o filho pois foi condenado por rejeitar a Deus e a crença na vida eterna. A sensação de desespero destas pessoas também é relatada na Bíblia, elas pedem que as rochas caiam em suas cabeças pois não têm salvação, ou seja, perderam a vida eterna por não tomarem tempo para conhecer a Deus.

Finalizando, acredito que este filme é uma das visões que mais se aproximam do que a Bíblia relata dos últimos acontecimentos deste planeta.

Por: Carlos Alberto de Oliveira Correia.

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans)

sunrise-a-song-of-two-humansUma história de degradação e elevação humana. Fazendeiro casado (George O`Brien) e com um filho pequeno se envolve com garota da cidade (Margaret Livigston) . Esta tenta convencê-lo a matar a mulher (Janet Gaynor) e fugir com ela para a cidade. No decorrer deste plano vil, várias reviravoltas acontecem e o homem tem que lidar com o imprevisível.”

Não sou profundo entendedor das ‘escolas’ (ou qualquer outro que seja o termo) cinematográficas.
Disso que chamam Expressionismo Alemão conheço pouco ou quase nada, tudo limitado a alguns posts lidos em fóruns de cinema e contra-capas de DVD’s.

De todos os (poucos) que vi, este aqui foi o que mais me arrebatou.

Vale ressaltar que Aurora é um filme de contrastes e paradoxos.

O contraste..
A forma como os ambientes são tratados: a cidade, como fonte da desgraça dos protagonistas e o campo como a representação da pureza e da felicidade.

O paradoxo..
No campo, vemos o marido tentando afogar sua esposa (logo no primeiro ato – a cena mais forte e tensa do filme) a mando da amante.. Uma cena pesada e que, ao mesmo tempo que cruel, revela o quão inocente e puro era aquele homem que se deixou levar pelos caprichos de sua amante.
Na cidade, ele brinca e se diverte no parque de diversões.. Mas aquela diversão não era real. O jogo de luzes e sombras deixa implícito algo soturno por trás daquilo tudo.
Simultaneamente à cada gargalhada do casal, era mostrado o marido pagando alguma coisa, evidenciando toda a artificialidade dali.

sunrise-a-song-of-two-humans_01Tecnicamente falando, somos brindados com uma fotografia espetacular, uma fantástica sobreposição de planos e o uso genial da mise-én-scene, além dos closes exagerados nos rostos com expressões caricatas mais exageradas ainda que conseguem resgatar do íntimo de seus personagens seus sentimentos mais profundos e nos passar com maestria, deixando-nos imersos à obra.

Além disso, há uma mistura de estilos que gera controvérsia. O drama e o romance contrastam com um suspense aterrador logo no começo que, em questão de minutos, subverte-se numa comicidade que chega a lembrar as comédias de Chaplin (vide a cena do porco no parque de diversões) e que, justamente por isso, fazem com que alguns críticos considerem o primeiro ato o mais importante do filme, que passa a perder seu ritmo na segunda parte.

sunrise-a-song-of-two-humans_02Eu já discordo. Tudo nesse filme é sublime. Há uma sensibilidade tamanha em cada plano mesmo ao mostrar o lado obscuro do homem. Na verdade, esse é outro dos paradoxos que mais me encantaram. Quantos filmes conseguem uma elipse do cruel ao belo em questão de minutos, culminando novamente no trágico sem destoar da harmonia em um único momento sequer?

Enfim, uma obra-prima que, apesar de separada de nossa época por quase um século, ainda mantém-se atual. E não digo isso somente por este ocupar o primeiro lugar do meu singelo TOP 100. Isse aqui vai além. Uma obra intensa que após vista e sentida, não te abandona nunca mais.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans). 1927. EUA. Direção: F. W. Murnau. Elenco: George O`Brien, Margaret Livigston, Janet Gaynor. Gênero: Drama, Suspense.

A Vida é Bela (La Vitta é Bella)

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A Vida é Bela – La Vitta é Bella

Direção: Roberto Benigni

Gênero: Drama, Guerra

Itália – 1998

Filme de Roberto Benigni, vencedor de três Oscars (melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor canção), que perpassa a temática da perseguição aos judeus, na Itália, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa produção italiana de 1998 teve grande repercussão mundial, devido ao enorme investimento em sua divulgação e por ter tocado em algumas questões polêmicas (Holocausto) de uma forma irreverente: com humor sem banalizar e/ou ridicularizar o acontecimento.

É difícil tratar de um assunto tão odioso deixando de lado toda a piedade que pode ser explorada, usando o humor e a graça como pano de fundo.

Assim, qualquer vida torna-se bela.

Na época em que concorria ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputava o prêmio com um filme brasileiro “Central do Brasil” de Walter Salles. Penso que o filme de Salles não levou a famosa estatueta justo porque apelou para o sentimentalismo da piedade em contrapartida à mensagem: “Tudo está uma merda, mas ainda assim há vida para ser vivida”.

Indiscutivelmente, a vida é mais bela quando é assim.

Contando a história particular do judeu Guido e sua família, a esposa Dora e o filho Josué, a sujeira do fascismo italiano fica em segundo plano sem perder a apreciação dos fatos históricos.

Um dos poucos pontos negativos que foi percebido por mim nessa obra é a sua escancarada “mercadologia!”. Evidente que não foi à toa que Benigni colocou os Estados Unidos (no fim do filme) como os libertadores e salvados dos subjulgados ao nazi-fascismo…

No entanto, a vida continua sendo bela, independente disso…

Por: Deusa Circe.