“A missão de um Professor é despertar no aluno a dor da consciência.”
O Cinema Argentino tem nos dado ótimos filmes. Esse, ‘Lugares Comuns, é mais um a engrossar a lista. Um filme que somente por uma certa aula de um professor já valeria muito a pena assistir. Acontece que o filme por um todo nos levar a várias reflexões. E emociona! Não deu para segurar as lágrimas no final.
O que teria de tão especial nessa aula? Eu não sei se os jovens de hoje criam uma relação de respeito aos professores. Não a todos, mas a aqueles que fazem a diferença nessa profissão. Os que tem nela sua profissão de fé. O seu sacro-ofício. O protagonista desse filme é um deles.
Fernando Robles (Federico Luppin) fora forçado a se aposentar por decreto. Faltando pouco tempo para isso, e ai então sairia com um salário integral. Num governo repressor seu temperamento anárquico teve seu nome até endossado pelo Reitor. Sem ter como reverter o quadro, o jeito era se adequar a nova situação. Se o tempo já era dureza para alguém mais novo encontrar emprego, o que dirá alguém da sua idade. Sem esquecer que não era muito querido no meio acadêmico por não gostar de cabresto. Nossa! Seu embate com o Reitor – de mente retrógada -, é de querer voltar a fita.
Fernando então dá a sua última aula: “Eu quero que se lembrem que ‘ensinar’ significa ‘mostrar’. Mostrar não é doutrinar. É dar informação, enquanto ensina a maneira de entender, de avaliar, de ponderar, e questionar essa informação.” E é nela que ficaremos conhecendo também o porque do título. (E para uma explicação muito mais detalhada desse termo literário – lugar comum -, leiam aqui.)
O Fernando dando aula me fez lembrar de uma Professora, D. Nilza. Num período de Ditadura, ela fez a diferença para nós. Por não adotar o livro oficial. Por ele ser emburrecente. Nós os deixávamos abertos numa página previamente combinada para o caso de uma visita surpresa de alguém da Diretoria. E assim, com alguma notícia lida no jornal do dia ela nos dava uma senhora aula de geopolítica. Além de nos fazer gostar de ler os jornais diariamente. Saber o que estava se passando no mundo. Saber questionar os fatos. Valeu D. Nilza!
Além de Professor de Literatura, Fernando é Crítico Literário. E guarda um desejo de um dia vir a ser um grande escritor. Por ser muito autocrítico, limita-se a escrever um diário. Um livro que crê que só será lido por sua amada esposa, Lili (Mercedes Sampietro), e quem sabe seu filho único, Pedro (Carlos Santamaría). Esse vive na Espanha com a esposa e filhos. São por essas anotações que somos levados a conhecer esse período da história desse casal encantador. Do que fizeram com a peça que o destino lhes pregou.
Como já estava no programado uma viagem a Madri – o filho os hospedariam, além de dar as passagens -, decidem ir. Para reverem o filho, além de Lili tornar a ver a sua terra natal. Ele até tentou esconder a demissão dela, mas ela o conhecia bem. Resolveram então ocultar do filho. Aqui há algo também para refletir. Isso de tentar poupar alguém omitindo algo que ficará sabendo mais a frente. Por melhores das intenções, pode trazer alguns julgamentos precipitados. E no caso do Fernando, sua relação com o filho já era conflitante. Assim, esse pequeno convívio, já levava uns pontos nelvrágicos. Não deu outra!
Na volta… Lili decide vender seu belo apartamento, herança de família, e embarcar numa nova empreitada do Fernando. Compram uma chácara que não era mais objeto de desejo do então proprietário. Ficando viúvo, perdera a motivação em seguir com a empreitada: plantar flores para a indústria de perfumes.
Para ambos, já seria uma grande aventura ir morar no campo por estarem acostumados ao conforto da cidade. A chácara ficava no meio do nada. Mas de um nada de tirar o fôlego pela beleza. Embora o ex-proprietário deixou quase um manual da plantação a destilação, eles teriam que aprender tudo na prática. Com um detalhe a mais nesses esforços, o de Fernando ser um safenado.
Um outro fator relevante nesse filme é a relação entre patrão e empregado na chácara. Até por conta dos ideais de Fernando. Assim, ganhamos nós com ela. Fernando e Demedio (Claudio Risi) são um show à parte.
E entre tantos lugares comuns, o filme também nos mostra que por trás de um grande homem há uma sábia mulher.
Assistam! Um filme para ver e rever. Nota 10.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Lugares Comuns (Lugares Comunes. 2002). Argentina. Direção e Roteiro: Adolfo Aristarain. Gênero: Drama. Tempo de Duração: 110 minutos. Baseado em livro de Lorenzo F. Aristarain.
Oi Lella! Wow! Que bela síntese fizeste. Anotei e vou assistir assim que possível.
Ótima semana e filmes.
beijos
Oi Isa!
Esse filme é de um lirismo… Eu amei!
Beijão,
Oi Lella!!
Realmente esse filme deve ser lindíssimo!
Falando de educação, professores assim como Fernando e como a professora que tu citou deveriam fazer parte de todas as escolas. Recentemente escrevi exatamente sobre isso no meu blog, sobre a reforma que deveria haver no sistema educacional brasileiro. Professores abrindo espaço às discuções críticas dos assuntos e não somente incentivando a “decoreba” dos livros e cadernos.
Vou procurar esse filme pra assistir.
Valeu Lella!
Bjão
;D
Oi Thaís!
Linke o artigo aqui, para nós. Até porque professores e alunos nos lêem.
Eu gosto dessa troca que pode gerar bons frutos. A educação nas escolas, atualmente, precisam de toda ajuda.
Beijo grande,
Obrigada Lella!
Realmente a educação precisa de toda ajuda que puder, e obrigada pela oportunidade e generosidade!
O link é http://tempestade-interior.blogspot.com/2009/04/reforma-ja.html
Bjão! ;D
Fui lá ler seu texto. Muito bom!
E eu sempre que o filme me dá um gancho, por menor que seja, eu levanto essa bandeira, a da Educação.
Os fins, justificando os meios
Nesse filme aqui:
http://lella.wordpress.com/2009/03/23/12-de-nikita-mikhalkov/
Um dos jurados, um coveiro, conta algo que ele e alguns colegas fazem… com o dinheiro, eles construíram, e mantém, um colégio na província deles; onde nasceram. Com ótimos professores. Com todo o ferramental que dará uma educação de primeira para os alunos.
Seria um exemplo a ser seguido por alguns políticos. Mas há os que prefiram construir castelos…