Para você que nunca fez análise, qual é a ideia que faz de um Psicanalista? O biotipo. E até de como seria o consultório. Agora, e também para você já familiarizado com esse universo, foi, ou seria complicado a primeira sessão?
Trago essas indagações por conta da trama desse filme, Confidências Muito Íntimas. E qual seria ela? Num resumo, seria isso: Anna (Sandrine Bonnaire) por conta de seu casamento estar crise, decide procurar um analista, mas acaba entrando na sala errada. Na de um Consultor Econômico, William (Fabrice Luchini). E nessa sua primeira visita, em percorrer os olhos… tudo se encaixava. Não que já estivesse em dúvida se entrou na sala certa, e sim por corresponder a sua ideia desse universo.
Ao longo do filme, vemos que tanto a escolha do analista, como até de onde ele clinicava, fora devido a essa tomada de decisão. Não bem uma timidez, nem tampouco de sentir que o problema seria dela, mas por querer mais alguém para desabafar. Que a ouvisse. O consultório ficava num prédio misto. Onde as Salas comerciais e as moradias conviviam pacificamente lado a lado. O que denotava que ela queria se sentir como na casa de um amigo. E por que não procurou por uma analista? Por uma mulher, em vez de um homem. Tem um porque.
Nesse primeiro contato, não houve da parte de William um querer continuar com a farsa. Se as circunstâncias deram a ela tê-lo como o Psicanalista, a ele, por tudo que ela contou do seu casamento, o levou a acreditar que ela queria um aconselhamento nas partilha de bens, de um provável divórcio. Pois ela resolve contar tudo de uma vez, não apenas porque poderia perder a coragem, mas por recear uma recusa dele nessa terapia.
Somente na saída dessa ‘primeira sessão’ é que ele se deu conta da troca que ela fez. Mas ela não deu tempo dele desfazer a confusão. Vai embora, na certeza que haverá uma segunda sessão. E há. Até outras mais… William até tenta saber o endereço dela no consultório do verdadeiro psicanalista. Mas descobre que o telefone que ela dera, era falso. E mais, ele que vai parar naquele divã… por um dia. Ao contar todo episódio, entre outras coisas, ele faz William questionar a si próprio, no porque ficou calado.
Nesses encontros, Anna acaba mexendo com a rotina do William. Como uma lufada de vento inesperada, ela é um caos bem-vindo em sua vida. Muda sua postura. Libera o jovem que estava adormecido em si. O faz até passar maus momentos nas mãos de um marido ciumento. Sendo que nessa história, ele era inocente. A cena onde dança no corredor de sua casa, dá vontade de voltar a fita. Como a da cara da secretária ao vê-lo sem gravata. Por tudo isso, e muito mais, em ambos surge uma cumplicidade nesses encontros…
Não é um filme que irá agradar ao grande público, nem aqueles que se prendem a detalhes técnicos. É um filme que mais que coincidências, fala de circunstâncias. Das que estão ali, diante dos nossos olhos, e não notamos. Por estarmos presos as mesmices. Sem nem perceber que as chaves dessas algemas estão em nossas mãos. Elas são o querer mudar. Quando o ‘Acorda!’ não conseguimos por nós mesmos, que ele venha por alguém que se livrou das amarras.
O final é genial de tão simples. Eu gostei do filme. Ele entrou para a minha lista de que vale a pena rever.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Confidências Muito Íntimas (Confidences Trop Intimes). 2004. França. Direção: Patrice Leconte. Elenco: Sandrine Bonnaire (Anna), Fabrice Luchini (William Faber), Michel Duchaussoy (Dr. Monnier), Anne Brochet (Jeanne), Gilbert Melki (Marc), Laurent Gamelon (Luc), Hélène Surgère (Sra. Mulon), Urbain Chancelier (Chatel), Isabelle Petit-Jacques (Secretária do Dr. Monnier). Gênero: Drama, Romance. Duração: 104 minutos.






Oi, Flor!
Vou ver esse filme rs
Parece ser interessantíssimo!
Beijoooooooooooooooooos