A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou)

a-vida-marinha com-steve-zissou_posterNão estar mais em evidência após ter encantado várias gerações com os seus Documentários é o começo de tudo em ‘A Vida Marinha com Steve Zissou‘. Onde o peso do seu nome avaliava jovens universitários que seguiam como estagiários em suas expedições. Mas o que pesa mais: em não mais atrair mais fãs para o seu trabalho ficando mesmo no coração dos que por anos curtiram o seu trabalho, ou porque a grande mídia quer mesmo algo como uma tragédia? Se para um Oceanógrafo registrar uma espécie nova na fauna marinha é algo para se comemorar, o mesmo não é mais para o grande público. E se não atrai mais multidões… os investidores também desaparecem.

Acontece que o destino se encarregou de colocar novamente Steve Zissou (Bill Murray) diante dos holofotes. Um grande tubarão-jaguar devorou seu grande parceiro e amigo de décadas, Esteban. E Zissou viu tudo. Ainda traumatizado, tenta organizar fundos para ir atrás do monstro. Entre captar recursos e preparar a equipe para essa nova aventura, somos brindados em conhecer o Belafonte, que mais parece uma velha baleeira que não resistirá ultrapassar a primeira arrebentação de ondas.

Nessa canoa furada… ops! Nessa caça ao tubarão além de sua equipe… já, já, farei um resumo dela… embarca a jornalista grávida, Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett), que parece que pediu a si mesma por um tempo longe do pai do seu filho… e um filho de Zissou, que surge de repente, o piloto Ned (Owen Wilson). Como Zissou nunca quis ser pai, como Ned quase que banca toda a expedição…  ele terá que também mergulhar com mais essa. Um mergulho profundo em si mesmo.

E para completar o caos que reinará nesses dias no mar, uma equipe nada ortodoxa. Bem heterogênea em matéria dos países de onde vieram. Alguns deles: Eleanor Zissou (Anjelica Huston), sua esposa e patrona; o engenheiro Klaus (Willem Dafoe); o produtor Drakouilias (Michael Gambon); o médico e compositor da trilha sonora, Vladimir (Noah Taylor); o chefe da segurança que passa grande parte do dia tocando seu violão, Pelé dos Santos (Seu Jorge); o representante do investidor; uma roteirista que adora andar de topless, mas que não é assediada…

Na cola de Zissou, seu rival cheio da grana, Hennessey (Jeff Goldblum).

O filme vai meio manso ganhando mais ação da metade para o final. Agora, parece que foi feito para prestar uma singela homenagem a esses aventureiros dos mares. Um tanto esquecidos na atualidade. Vale a pipoca! Gostei! AH! A trilha sonora é ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou). 2004. EUA. Direção: Wes Anderson. Elenco. Gênero: Aventura, Comédia, Drama. Duração: 118 minutos.

Monster – Desejo Assassino

monster1 Monster – Desejo Assassino

 Monster

 Direção: Patty Jenkins

 Gênero: Suspense, Policial, Violência

 EUA – 2003

 Ontem nós Moiras e Fadinha Bel(a) reassistimos esse filme e não teve como deixar de fazer uma questão pra elas no pós-filme:

Quem é o monstro: Lee ou Selby?

Lee é uma assassina que teve uma vida e infância marcada por violências e crueldades, é redundante chamá-la de monstra, já que o resultado de uma infância pautada por tanta humilhação não poderia ser outro na estatística comum. Mas e a Selby?

Selby, aparentemente  de uma família equilibrada (se é que existe família equilibrada nesse mundo), com um pai com posses e bem disposto a fazê-la largar a homossexualidade e começar a trabalhar, encontra Lee e todo seu mundo de fadas e colorido vêm à tona. Lee oferece outra vida para ambas; pois ambas estão na luta em alto mar por uma bóia qualquer que as leve para algum porto mais seguro. 

Lee, com toda sua notória perversidade, ainda que o filme não tenha passado de uma defesa para a assassina da história real, é a que mais tem os pés no chão. Por mais incrível que isso possa ser.

monster2Selby diz pra Lee: “Eu só quero viver minha vida, ter minha vida de volta, normal e feliz”.

É uma monstrinha em forma de gente… Depois de usá-la até a última instância, contrariando todo o medo de sua família que achava que Lee era a oportunista da vez, entrega quem a ama de bandeja… 

Não justifico os atos de Lee. Matou, roubou, feriu -com isso- famílias e a sociedade, mas pra mim, a grande valia desse filme é pensarmos além: são os opostos ou os semelhantes que se atraem?

Repito: quem é a monstra desse filme? Adiciono mais uma opção: a Diretora rs. Podem marcar mais de uma opção rs.

Por: Vampira Olímpia.

Um Homem Bom (Good)

um-homem-bom_posterPusemos o país nas mãos de um louco. Se refugiar numa fantasia pode ser uma resposta racional ao mundo irracional.”

O que me levou a assistir esse filme, ‘Um Homem Bom‘, foram: o ator Viggo Mortensen; o outro fator, o tema central do filme, a Alemanha nazista; e por último, o próprio título, em querer saber da história de um homem bom que abraçou o nazismo. E já antecipo que o filme é muito bom. Ele trouxe um enfoque novo, pelo menos para mim. Desenvolvo mais mais adiante.

Falando um pouco do ator Viggo Mortensen. Um grande ator ele já provou que é. Comecei a notar sua presença em ‘Marcas da Violência‘; esse preciso rever para escrever melhor. Depois, o seu Aragorn, em ‘O Senhor dos Anéis‘. Adorei o russo que fez em ‘Senhores do Crime‘. E até por conta desse seu personagem, fazendo um russo, que me levou a pensar nesse alemão em ‘Um Homem Bom‘. Sei que para compor certos personagens, além de um corte de cabelos, um outro adereço se faz necessário. Um exemplo claro, foi uma prótese no nariz usada por Nicole Kidman em ‘As Horas‘. Agora, quando um ator compõe, e brilhantemente, seu personagem de cara lavada, é digno de nota. O alemão de Viggo está lá, com todos os poros, linhas… Parabéns a ele, e ao Diretor! Tão diferente do estilo hollywood. Que não deixam os atores mostrarem suas faces, por estarem encobertas por muito pancake; ou botox…

A frase que inicia esse texto, é parte de uma cena entre dois grandes amigos: John (Viggo Mortensen) e Maurice (Jason Isaacs). Ainda nos primeiros meses do nazismo na Alemanha. Onde o povo ainda estavam na euforia. Tal qual uma droga. Achavam, na maioria, que toda aquela alegria era o nascer de um mundo maravilhoso. Um mundo perfeito. Claro que não pensavam assim, os judeus. E Maurice era um deles. Já o John, se deixou levar. Por ser um cara bom? Por acreditar que poderia ter ideias, ideais próprios dentro do nazismo? Santa ingenuidade. Se bem que Maurice também mantinha esperanças. Sendo um alemão de fato, não acreditava que lhe seria tirado o direito de sê-lo.

Em vez de amarrá-lo num divã… todos seguem a risca o que ele diz.” É. Por essas e essa outra aqui – “O que faz as pessoas felizes não pode ser ruim, pode?” -, que eu assisto filmes que abordam esse lado sombrio da História da Humanidade (Aqui tem um texto com uma listagem desses filmes), para tentar entender porque muitos seguiram esse homem.

viggo-mortensen_and_jason-isaacs_goodAgora, para analisar com mais propriedade sobre o motivo desses dois amigos em permanecerem na Alemanha nazista, sendo ambos bons na essência, teria que ter vivenciado. Assim, seguirei pelo o que o filme me passou. Tal qual a secretária de Hitler, em ‘A Queda‘, o John Halder também fechou os olhos para o que faziam com os judeus. Maurice, sem familiares, poderia ter deixado todos os bens materiais para trás. O mesmo não poderia ter feito John. Era casado, tinha filhos, e cuidava da mãe doente. Aliás, a sua esposa também tinha algum problema. Seu escapismo tocando piano por horas, relegando filhos, casa… tinha que ter um motivo. As circunstâncias posteriores a fizeram acordar para a vida a sua volta. Pena que John só acordou tarde demais.

John gostava de escrever. E um dos seus romances caiu no gosto de Hitler. É então convocado para fazer um Ensaio com o que defendeu no seu livro. A eutanásia. E isso na mente de Hitler era só um primeiro passo para o que queria: a eugenia. Por inflar o seu ego ou não, ele abraçou o nazismo. Acompanhamos no filme essa sua trajetória, até o seu acordar. Ou seria o seu acorde final?

Como falei, o filme é muito bom. Há várias cenas que são repugnantes. Não por mostrar algo chocante, mas sim pelas falas. Dou nota 10. Mas tal qual como ‘A Queda ‘, não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Homem Bom (Good). 2008. Inglaterra / Alemanha. Direção: Vicente Amorim. Elenco. Gênero: Drama, Guerra. Duração: 96 minutos. Baseado em peça teatral de C.P. Taylor.

Milk

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Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Gênero: Drama, Política

EUA – 2009

Ainda não assisti o filme que levou o Brad Pitt a ser indicado ao Oscar, me falta tempo, mas Sean Penn com certeza era mesmo um páreo duro pra ele como Harvey Milk.

Harvey foi um ativista das causas Homossexuais na Política Americana da década de 70; tornou-se, portanto, o primeiro homossexual a ter um cargo importante nos EUA.

O filme retrata essa trajetória de um homossexual que consegue centralizar tanto o povo quanto a Política num único bem comum. À parte do ativismo, se é que há como separar essas instâncias, mostra a vida dele íntima com seu companheiro Scottie, a falência de uma relação pelos motivos de sempre: ausências, falta de atenção etc.

Eu entendo esse filme como “extremamente Shakespeariano”: a tragédia é um fato diante das obscuridades que movem o ser humano.

Nada mais humano do que a inveja e o ciúmes…

Por: Vampira Olímpia.

The Hunt For Gollum

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Um ótimo Fan Film de 40 minutos que serve como adendo para a magistral trilogia “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson. Assim como os filmes, este curta também é adaptado do texto de J.R.R. Tolkien.

O curta metragem aproveita-se de um episódio pouco explorado no primeiro filme da trilogia, que é o período que Gandalf parte do Condado ao deixar Frodo como o guardião do anel – logo após a despedida de Bilbo Bolseiro. No filme original a viagem de ida-e-volta ocorre como se fossem apenas alguns instantes, porém no livro ela dura 12 anos e é aqui que a história de “The Hunt For Gollum” é encaixada.

Em “The Hunt For Gollum“, temos um ambiente marcado por muita tensão que irá desencadear no evento conhecido como “A Guerra do Anel”. Sauron sabe que o Um anel foi encontrado e prepara seu exército para encontrá-lo a todas as custas. A única criatura que sabe onde está o anel é o ex-hobbit Gollum e a missão de Gandalf é impedir que ele seja encontrado por Saurom, de modo que Frodo não seja entregue pelo pequeno monstrinho.

Como Gandalf está demasiadamente ocupado com os mais diversos acontecimentos, ele atribui a responsabilidade para Aragorn (que até então era apenas conhecido como Passolargo) de iniciar a busca por Gollum antes que ele caia nas mãos do inimigo e seja tarde demais.

Assim começa a jornada de Aragorn, cuja conversa com Gandalf revela que ele será o protetor do guardião do anel (Frodo, como bem sabemos. Em sua empreitada ele irá combater orcs, proteger o enigmático Gollum e outros sinais característicos que encontramos nas batalhas da trilogia).

Embora as batalhas não ofereçam tanta emoção, o cenário e o figurino é de uma qualidade impressionante, muito acima do que encontramos mesmo em grandes produções de Hollywood. O ator que interpreta Aragorn e o ator que interpreta Gandalf são extremamente semelhantes ao que encontramos no original, por isto mesmo a sensação é que estamos assistindo à uma cena cortada da trilogia.

Portanto recomendo, tanto para aqueles que são fãs de J.R.R. Tolkien quanto para aqueles que são fãs do cinema e gostam de acompanhar como evolui um trabalho independente.

Para assistir o curta-metragem, clique aqui. Para assistir com legendas em português, clique em Menu (ao lado esquerdo player) e selecione PT.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1323925/
Filme na Íntegra: http://www.dailymotion.com/user/huntforgollum/video/x93zji_the-hunt-for-gollum-hd-version_shortfilms

The Hunt For Gollum. 2009. Diretor: Chris Bouchard. Roteiro: Sabina Sattar. Adrian Webster, Arin Alldridge, Pat O’Connor, Rita Ramnani. Baseado no livro de J.R.R. Tolkien.

A Casa de Alice

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A casa de Alice, de Chico Teixeira, Brasil, 2007, 90 min.

O poder de “Casa de Alice” não está, como em “Lavoura Arcaica” (quando uma das personagens chafurda roupas íntimas, num cesto, usadas pela irmã, fazendo da trama, adaptada da obra literária de Raduan Nassar, uma tragédia rememorada pelo vigor de uma narrativa poética), o que se vê em “Casa de Alice” é o distanciamento constante da felicidade, mas não sem antes, sutilmente, pela fresta das portas, mostrar o sórdido e o mal-estar.

Um marido infiel, uma jovem amiga, filhos desligados e desinteressados – a mãe de Alice, dona Jacira, como testemunha do desgaste e das mentiras. A explosão de Alice (Carla Ribas), quando já está, de fato, atormentada, é a tradução da vida mesquinha que ela não queria ter tido. É no amante galanteador que ela encontra, então, uma saída – certamente não a melhor.  São nas dicas da cliente, também ela uma traída, em que tem início a libertação das amarras de uma vida ordinária.

Numa das cenas, em que é ridicularizada pelo marido por ter se depilado e se aproximado de um comportamento mais jovial e sapeca, há o nítido desgosto por conta da impossibilidade, também, da realização sexual: a sociedade é machista, mesmo quando, o filho militar do exército, deixa entrever sua dúbia condição social. Alice aparece como uma mulher gasta e usada pela típica família brasileira de classe média baixa, que não se permite, em meios menos educados, às extravagâncias que se pode ter com amantes – mesmo quando essas mesmas amantes ainda são crianças, para a desgraça dos vizinhos.

casa de alice“Casa de Alice” passa ao largo de “Infiel”, da diretora Liv Ullmann, afeita ao universo do diretor Ingmar Bergman e por isso mesmo lidando mais com memórias e fantasmas. O diretor de “Casa de Alice, Chico Teixeira, sugere caminhos similares, pois estamos diante de um filme de diálogos adiados, daqueles que as famílias evitaram, os mesmos que dão origem aos tabus e preconceitos, ou simplesmente a violência surda dos apartamentos suburbanos de São Paulo (válido para qualquer outra cidade) que se traduz em porradas e tabefes. “Casa de Alice” lida com os traumas ainda em gestação: a identidade sexual do filho, a proximidade da morte da mãe, as pistas deixadas nos bolsos das calças, as suspeitas…

Trata-se de um filme denso, seco, realista (é o primeiro filme de ficção de Chico Teixeira) e descuidado de qualquer brecha para o espectador se emocionar demais: no máximo engolir o choro ou se remoer diante da impotência das personagens. Chico Teixeira acerta em cheio, porque é como se nos tivesse dando a permissão para xeretar as gavetas alheias, de ouvir as conversas dos vizinhos, que, às vezes, nos fazem baixar o volume da TV ou do rádio (aliás, este um companheiro fiel da dona Jacira) com o intuito de entender melhor algo e ver se alguém vive as mesmas misérias ou se a miséria do vizinho são mais interessantes que a nossa.

O filme, claro, não é original, mas é implacável diante de outras propostas cinematográficas (ficcionais e documentais), especialmente aquelas afeitas aos finais felizes ou que partem em busca da “verdade”. Engraçado, a idéia inicial do diretor era fazer um documentário sobre a cegueira:

a-casa-de-alice_02No parque do Ibirapuera, eu comecei a reparar num grupo de cegos que andavam por lá todos os dias. Seus rostos eram de uma felicidade, de um preenchimento pessoal muito grande, por estarem vendo alguma coisa que eu não conseguia ver. Isso me deixou curioso e começou a despertar um assunto. Comecei a escrever outro documentário sobre a cegueira, gostaria de sentir ou tentar sentir como não se tivesse olhos, como se olhasse pra dentro o tempo todo. Alguns meses depois estava me perguntando: por que não fazer uma história que tivesse um personagem cego? Gostei da idéia, mas me deu muito medo: venho do documentário, da investigação, nunca tinha escrito nada de ficção. Esse medo, por incrível que pareça, me impulsionou pra frente, mais um desafio pra mim. Comecei a escrever então sobre um personagem que ia ficando cego ao longo do filme, com coisas que não gostaria de ver. Assim surgiu a Dona Jacira. Mas o filme foi pedindo mais coisas, daí surgiram Alice e sua família.”

E, no fim das contas, fez-se algo bem parecido em termos de linguagem e temática: a maioria das pessoas está mesmo de olhos fechados para muito do que está ao seu redor. Só não dá para saber se estão mesmo felizes por dentro…

Por: Fabio Montarroios.

Batman: Dead End

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Acreditem ou não, antes do reinício da franquia do homem morcego (Batman Begins e The Dark Knight), este foi considerado por muitos como o melhor filme feito para o personagem de todos os tempos. Detalhe: estamos falando de um Fan Film.

Para quem não sabe o que é um Fan Film, como diz a expressão, é um filme amador e não-oficial feito por fãs, geralmente inspirado por filmes de ficção científica, quadrinhos ou desenhos animados. Como não são filmes autorizados, eles não podem ser distribuídos por questões de copyright. Portanto não possuem fins lucrativos e na maior parte das vezes são curtos e de baixo orçamento (geralmente realizados apenas para serem exibidos em alguma feira promocional de SCI-FI ou para um trabalho de conclusão de curso). Com o advento da Internet agora eles são facilmente acessíveis, portanto eles estão crescendo em quantidade e qualidade.

A história traz um Coringa sádico e insano (que eu desconfio que possa ter servido de modelo para aquele interpretado pelo falecido Heath Ledger) que acaba de fugir do Asilo Arkham, uma espécie de Guantánamo de Gotham City.

Batman então é acionado e passa a perseguir o vilão pelos becos de Gotham City. Misteriosamente, o Coringa é arrebatado por um – preparem-se – Alien! Na sequência o mesmo Alien vai para cima de Batman, que graças a um raio disparado por um Predador (!!!) consegue sair ileso raio. Batman está em fogo cruzado: está havendo uma caçada! Resta saber como Batman lidará com a iminente ameaça ao planeta Terra.

O mais interessante aqui não é a história, embora nenhum elemento tenha sido esquecido: Gotham City está mais dark do que nunca. A histeria do Coringa está explícita assim como o ódio de Batman pelo inimigo. Os Aliens continuam criaturas repugnantes e insanas. Os Predadores continuam com a ética e moral de caçadores alienígenas intactos.

O que chama a atenção realmente é a qualidade da produção, que está muito acima da média dos fan films, senão acima mesmo da média dos filmes anteriores. O Batman, até aquele momento, nunca havia sido tão bem caracterizado. Ele nunca esteve tão próximo ao herói que encontramos nos quadrinhos em sua fase mais sombria.

Além disto, esta salada-mista entre três franquias de peso pode ser vista no formato cinematográfico, algo pensável somente nos quadrinhos até então (os chamados crossovers)!

Portanto, clique aqui e confira este curta metragem de apenas 8 minutos que deixa muitos fãs com gosto de ‘quero mais’.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0374526/
Filme na Íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=vUQ0jrIuHQA

Batman: Dead End. 2003. EUA. Direção e Roteiro: Sandy Collora. Clark Bartram, Andrew Koenig.

Vicky Cristina Barcelona

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Vicky Cristina Barcelona

Direção: Wood Allen

Gênero: Comédia Romântica

Espanha – 2008

Antes de mais nada, Javier Bardem está gostosérrimo nesse filme. Aff!! rsrsrs Pra quem o viu em “Onde os Fracos não tem vez” com aquela vestimenta caricatural-pitoresca, vê-lo nesse filme dá até um susto bastante positivo rsrsrs.

Não me atenterei a expor sinopse aqui, pois perderia muito do filme. Ressalto, no entanto, duas falas: uma de Javier e outra de Penélope Cruz para dizer o que penso sobre esse filme; acho que essas duas passagens marcam toda a essência dessa obra.

“É engraçado. Maria Elena e eu somos feitos um para o outro e não feitos para estarmos juntos. É uma contradição. Para entender, é preciso ser um poeta, como meu pai, porque eu não consigo”.

-Javier Bardem, no personagem João Antonio-

A outra passagem é:

“Nosso amor, nosso amor é eterno mas não dá certo. É por isso que será sempre romântico, porque não pode ser completo.”

-Penélope Cruz, na personagem Maria Elena-

As pessoas são desde sempre e para sempre faltosas. Buscam, por sua vez, completarem-se com objetos de amor de toda espécie, desde os compráveis ao nomeáveis abstratos. A falta é uma constante. A angústia, para Lacan, é justo quando a falta falta, quando ela não comparece.

Passamos a vida em busca de um objeto para sempre inominável, perdido, que nos complete, que nos preencha. Por sorte, temos a arte como maneira subversiva de dizer: Sou faltoso, em mim há um buraco, uma hiância, e isso que criei é uma tentativa de falar disso.

Muitos pensam que a Arte é uma forma de “completar a incompletude”. Mas na verdade, a arte é uma maneira de expressar, de dizer, de falar dessa eterna falta-a-ser.

É claro que o relacionamento deles é faltoso, incompleto. Tenho pra mim que quanto mais cônscio o sujeito é dessa realidade, mais chances de dar certo o relacionamento terá. Sim, pois os fracassos sentimentais ocorrem por se depositar no outro uma expectativa de o outro irá suprir todas as carências/buracos/faltas. Só que o Outro também é carente, é faltoso, é esburacado e não tem a menor obrigação de completar nada. E então, os relacionamentos acabam, e o movimento eterno da busca pelo objeto continua…

Não sou poeta, mas entendo bem a fala de Javier, afinal, os desencontros fazem parte de qualquer vida, até mesmo das vidas de almas que se pretendem gêmeas.

Por: Deusa Circe.

Maria Cheia de Graça (Maria Llena eres de Gracia)

maria-cheia-de-graca_posterAlguns jovens por não conseguirem engolir alguns sapos que a vida por vezes impõe, terminam por engolirem coisas piores. Agora, se nessa trilha que decidiu seguir, aprender a lição, pelo menos terá valido a pena o sufoco que passou. Para aprender que também há os espinhos. Que mais que retirá-los de todo, deve-se achar um meio de não se ferir com eles. E a vida termina mesmo, para quem morre.

rosas-colombianasUns anos atrás, pela televisão, fiquei conhecendo as rosas colombianas. Lindíssimas por sinal. Em em especial, por deixar manusear suas pétalas sem que as mesmas caísse. Além disso, só na menção de onde viam – Colômbia -, já era um indicativo de que uma outra plantação estava fazendo sucesso. De que as pessoas de lá, teriam mais uma chance de um trabalho dentro da lei. E fora das drogas.

Mas nesse filme, ‘Maria Cheia de Graça‘, podemos ver que mesmo dentro da legalidade, há um ainda um clima feudal dos responsáveis. Por exigir cotas de produção, não permitem certas regalias aos funcionários. Nem que vão ao toalete mais vezes. Era o pretendido pela Maria (Catalina Sandino Moreno). Por conta de enjôos da gravidez, ao ser impedida de se ausentar das suas funções – tirar espinhos das rosas -, se desentende com o encarregado da seção, e é demitida.

Pressionada pela mãe e a irmã para arrumar logo um emprego, no caminho até o centro da cidade, encontra com um jovem que conhecera numa festa. Ele na verdade era um aliciador de mulheres para servirem de mula. Que para ainda quem não sabe: é pessoa que transporta drogas em seu corpo. Maria e outras jovens iriam levar a coca no estômago até Nova Iorque.

Os traficantes enviam várias, já sabendo que uma delas será boi de piranhas. Ou seja, enquanto uma é detida, as outras terão um pouco mais de facilidade ao passar.  E fora o risco de serem presas, há o risco de um dos bastões estourar dentro do estômago. Aí, é fatal!

Não há tensão maior no filme. De cá, mesmo o título entregando o filme, ficou uma torcida para que Maria não desperdiçasse por aquela graça alcançada. Que tivesse tino depois do que passou, do que viu acontecer. É um bom filme. Dou nota 8. Mas não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Maria Cheia de Graça (Maria Llena eres de Gracia). 2004. Colômbia. Direção e Roteiro: Joshua Marston. Elenco. Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 101 minutos.

Território Restrito (Crossing Over. 2009)

territorio-restrito_posterO preço de um sonho nesse filme, ‘Território Restrito‘, tem um nome: Green Card. Há uma frase do filme onde diz que a América do Norte (Teriam englobado o Canadá nessa!?) é a terra das oportunidades únicas.  Será mesmo? Até pode ser. Mas de tanto venderem essa imagem, que do 11 de Setembro para cá, intensificaram as barreiras para os que compraram essa esperança. Quer seja para construírem um patrimônio. Quer seja para terem um lugar que lhes dê uma vida decente. E é para esses que incomoda mais em vê-los deportados.

Quando li uma sinopse, me interessei de imediato em ver ‘Território Restrito‘. Mesmo já tendo vistos tantos, e bons filmes mostrando o drama de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Um deles seria ‘Crash – No Limite‘. E foi bom ter visto esse. Por detalhar mais os meandros de se obter o visto, o famigerado, o decantado green card. Também em mostrar ‘loirinhos’ tentando obtê-los, além dos tradicionais de sempre: mexicanos, orientais, árabes…

Entrando na trama do filme… Foi triste ver duas profissionais totalmente despreparadas para as funções que abraçaram. Uma delas, uma professora. Tão diferente da do ‘Escritores da Liberdade‘. Pois não soube aproveitar toda aquela carga de preconceito entre seus alunos. Como também, em tentar compreender aquela adolescente ainda perdida entre os preceitos da sua religião, e do 11 de Setembro. A outra, uma Oficial da Imigração, que também embarcou numa de que essa mesmo adolescente era uma potencial terrorista. Haja paranóia! Creio que ambas, pularam a fase da adolescência. Ou esqueceram como é ser um adolescente. Ambas foram de uma estupidez tamanha.

Mesmo Los Angeles sendo uma grande cidade, o cerco aos imigrantes ilegais é maior nos possíveis locais onde são contratados. Para quem quiser ver como se dá esse tipo de agenciamento – mão de obras com imigrantes clandestinos, ou não, mas vindos do 3º Mundo -, assistam ‘Mundo Livre‘. Voltando a esse filme…

O personagem do Harrison Ford, Max, é um um agente federal imigratório. Sai sempre nas batidas policiais atrás dos trabalhadores clandestinos. Por conta do seu respeito por essa gente, é motivo de chacota entre alguns de seus colegas. Max é um dos que fazem a diferença, para melhor, dentro da Agência de Imigração. Max não cultua o desprezo que esses outros sentem. Ele sabe que estão atrás de um sonho.

Tendo uma atitude parecida, há a personagem de Ashley Judd, Denise. Ela é Assistente Social. Ficando na outra ponta: com quem já está detido. Mas cuidando do encaminhamento de crianças e adolescentes. Tentando que fiquem de vez em solo americano.

Ambos dão calor humano nesse mundo do green card.

É um bom filme. Como já citei, para conhecer mais sobre ir morar nos Estados Unidos a qualquer preço. Dou nota 8. Mas não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Território Restrito (Crossing Over). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Wayne Kramer. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.