
eXistenZ
Direção: David Cronenberg
Gênero: Suspense, Ficção Científica
EUA – 1999
* Não está disponível no Brasil, somente nos EUA e Canadá, além dos meios internáuticos, obviamente.
A primeira coisa dita no filme é como se escreve o título: letra e minúsculo e X e Z em maiúsculo. Confesso que até agora estou me perguntando se isso não passa de um mero fetiche caprichoso ou se tem algum sentido extra que ainda não captei.
Mas também, não captar tudo desse filme não é nenhum pecado, ao contrário; pois trata-se de uma obra que te convida a inúmeras questões.
A primeira delas é: O que é real? O que é realidade?
Vemos a moçada de hoje em dia usando uma linguagem de jogos internáuticos bem distante da linguagem dos Ataris de outrora, pra eles isso é um B a Bá muito simples e fácil, nós mais velhos tivemos que buscar aprender esse conhecimento que já faz parte do cotidiano e que é difícil apreender tudo que é lançado diariamente no mundo comunicativo.
Esse filme mostra que os jogos podem ser bem sérios e absurdamente reais. Não há como deixar de lado Baudrillard enquanto enunciador de que real e virtual não se diferem.
Passei o dia de hoje pensando sobre isso, sobre a Second Life que há cada dia se torna mais comum. Ter uma segunda vida, esta virtual, é tentador por muitos motivos, principalmente por – de alguma maneira – ter algum controle tanto das felicidades quanto das adversidades. É uma vida que dominamos: escolhemos personagens, nicknames, roupagem, linguagem etc.
Imagine se no real pudéssemos nascer e dizer pros nossos pais: Quero que meu nome seja tal, quero me vestir de tal maneira etc?
O que Second Life atrai é justo essa possibilidade de domínio em uma vida totalmente ideal pra quem a escolhe.
Onde a realidade esbarra na ilusão? Real é aquilo que vemos ou que achamos que vemos? O que construímos? E as ilusões?
De certo, Baudrillard está pra lá de correto ao dizer que não se diferem.
Porém, é preciso lembrar que tudo tem seu preço…

Por: Deusa Circe.

