Monster – Desejo Assassino

monster1 Monster – Desejo Assassino

 Monster

 Direção: Patty Jenkins

 Gênero: Suspense, Policial, Violência

 EUA – 2003

 Ontem nós Moiras e Fadinha Bel(a) reassistimos esse filme e não teve como deixar de fazer uma questão pra elas no pós-filme:

Quem é o monstro: Lee ou Selby?

Lee é uma assassina que teve uma vida e infância marcada por violências e crueldades, é redundante chamá-la de monstra, já que o resultado de uma infância pautada por tanta humilhação não poderia ser outro na estatística comum. Mas e a Selby?

Selby, aparentemente  de uma família equilibrada (se é que existe família equilibrada nesse mundo), com um pai com posses e bem disposto a fazê-la largar a homossexualidade e começar a trabalhar, encontra Lee e todo seu mundo de fadas e colorido vêm à tona. Lee oferece outra vida para ambas; pois ambas estão na luta em alto mar por uma bóia qualquer que as leve para algum porto mais seguro. 

Lee, com toda sua notória perversidade, ainda que o filme não tenha passado de uma defesa para a assassina da história real, é a que mais tem os pés no chão. Por mais incrível que isso possa ser.

monster2Selby diz pra Lee: “Eu só quero viver minha vida, ter minha vida de volta, normal e feliz”.

É uma monstrinha em forma de gente… Depois de usá-la até a última instância, contrariando todo o medo de sua família que achava que Lee era a oportunista da vez, entrega quem a ama de bandeja… 

Não justifico os atos de Lee. Matou, roubou, feriu -com isso- famílias e a sociedade, mas pra mim, a grande valia desse filme é pensarmos além: são os opostos ou os semelhantes que se atraem?

Repito: quem é a monstra desse filme? Adiciono mais uma opção: a Diretora rs. Podem marcar mais de uma opção rs.

Por: Vampira Olímpia.

Um Homem Bom (Good)

um-homem-bom_posterPusemos o país nas mãos de um louco. Se refugiar numa fantasia pode ser uma resposta racional ao mundo irracional.”

O que me levou a assistir esse filme, ‘Um Homem Bom‘, foram: o ator Viggo Mortensen; o outro fator, o tema central do filme, a Alemanha nazista; e por último, o próprio título, em querer saber da história de um homem bom que abraçou o nazismo. E já antecipo que o filme é muito bom. Ele trouxe um enfoque novo, pelo menos para mim. Desenvolvo mais mais adiante.

Falando um pouco do ator Viggo Mortensen. Um grande ator ele já provou que é. Comecei a notar sua presença em ‘Marcas da Violência‘; esse preciso rever para escrever melhor. Depois, o seu Aragorn, em ‘O Senhor dos Anéis‘. Adorei o russo que fez em ‘Senhores do Crime‘. E até por conta desse seu personagem, fazendo um russo, que me levou a pensar nesse alemão em ‘Um Homem Bom‘. Sei que para compor certos personagens, além de um corte de cabelos, um outro adereço se faz necessário. Um exemplo claro, foi uma prótese no nariz usada por Nicole Kidman em ‘As Horas‘. Agora, quando um ator compõe, e brilhantemente, seu personagem de cara lavada, é digno de nota. O alemão de Viggo está lá, com todos os poros, linhas… Parabéns a ele, e ao Diretor! Tão diferente do estilo hollywood. Que não deixam os atores mostrarem suas faces, por estarem encobertas por muito pancake; ou botox…

A frase que inicia esse texto, é parte de uma cena entre dois grandes amigos: John (Viggo Mortensen) e Maurice (Jason Isaacs). Ainda nos primeiros meses do nazismo na Alemanha. Onde o povo ainda estavam na euforia. Tal qual uma droga. Achavam, na maioria, que toda aquela alegria era o nascer de um mundo maravilhoso. Um mundo perfeito. Claro que não pensavam assim, os judeus. E Maurice era um deles. Já o John, se deixou levar. Por ser um cara bom? Por acreditar que poderia ter ideias, ideais próprios dentro do nazismo? Santa ingenuidade. Se bem que Maurice também mantinha esperanças. Sendo um alemão de fato, não acreditava que lhe seria tirado o direito de sê-lo.

Em vez de amarrá-lo num divã… todos seguem a risca o que ele diz.” É. Por essas e essa outra aqui – “O que faz as pessoas felizes não pode ser ruim, pode?” -, que eu assisto filmes que abordam esse lado sombrio da História da Humanidade (Aqui tem um texto com uma listagem desses filmes), para tentar entender porque muitos seguiram esse homem.

viggo-mortensen_and_jason-isaacs_goodAgora, para analisar com mais propriedade sobre o motivo desses dois amigos em permanecerem na Alemanha nazista, sendo ambos bons na essência, teria que ter vivenciado. Assim, seguirei pelo o que o filme me passou. Tal qual a secretária de Hitler, em ‘A Queda‘, o John Halder também fechou os olhos para o que faziam com os judeus. Maurice, sem familiares, poderia ter deixado todos os bens materiais para trás. O mesmo não poderia ter feito John. Era casado, tinha filhos, e cuidava da mãe doente. Aliás, a sua esposa também tinha algum problema. Seu escapismo tocando piano por horas, relegando filhos, casa… tinha que ter um motivo. As circunstâncias posteriores a fizeram acordar para a vida a sua volta. Pena que John só acordou tarde demais.

John gostava de escrever. E um dos seus romances caiu no gosto de Hitler. É então convocado para fazer um Ensaio com o que defendeu no seu livro. A eutanásia. E isso na mente de Hitler era só um primeiro passo para o que queria: a eugenia. Por inflar o seu ego ou não, ele abraçou o nazismo. Acompanhamos no filme essa sua trajetória, até o seu acordar. Ou seria o seu acorde final?

Como falei, o filme é muito bom. Há várias cenas que são repugnantes. Não por mostrar algo chocante, mas sim pelas falas. Dou nota 10. Mas tal qual como ‘A Queda ‘, não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Homem Bom (Good). 2008. Inglaterra / Alemanha. Direção: Vicente Amorim. Elenco. Gênero: Drama, Guerra. Duração: 96 minutos. Baseado em peça teatral de C.P. Taylor.