Intrigas de Estado (State of Play)

state-of-play_posterOs fins justificando os meios? Ou, qual é a linha que separa a Ética pessoal da profissional? O poder cega? O que o dinheiro não compra? O ‘Parem as prensas!’ serão na espera de um grande furo, ou engavetar reportagem? Essas, são apenas algumas das indagações nesse sensacional filme. Agora, aos fãs de blockbuster, melhor assistirem outro filme. Pois ‘Intrigas de Estado‘ é um longo e detalhado filme sobre os bastidores da notícia. Num influente jornal.

Investigação, e de jornalismo ainda por cima, já é um grande motivo para mim assistir um filme. Ainda mais quando traz um fato da história que ainda não acabou de tudo. Lembram da Invasão do Iraque? Se na época todas as argumentações já eram despropositadas, em ‘Intrigas de Estado‘ terão um panorama das reais intenções em porque levar as últimas consequências. Mas que sentar base por lá, infundir o terror na população estadunidense, era o grande alvo.

O Alerta Laranja era o carro chefe da propaganda das grandes corporações que lucrariam com isso. Para quem viu o ‘Duro de Matar 4‘, teve uma prévia. Ok! De um jeito bem descompromissado. Mas estava lá numa fala entre os dois personagens principais. Em se tratando de propaganda muito bem feita para conseguirem seus intento – grana alta -, em ‘Sicko – $O$ Saúde‘ poderão ver uma monumental lavagem cerebral.

russel-crowe_in_state-of-playEm se tratando de tentar calar alguém, com uma campanha de difamação, terão uma importante mostra, em ‘O Informante‘. Lá, era o personagem de Russell Crowe quem sofria as agruras. Nesse, ele é o repórter investigativo que tenta conciliar seu lado ético na profissão, com a defesa de seu amigo Deputado, o personagem de Ben Affleck. Esse me surpreendeu nesse papel. Confesso que fiquei reticente no início. O achando com uma carinha jovem para o personagem. Mas ele saiu-se muito bem. Do Crowe, nem precisava dizer. Ele é muito bom! Mas não posso deixar de registrar que adorei a cabeleira dele.

Por falar em jornalismo… Abrindo um parêntese para um registro atual, e nosso. O de não ser exigido mais diploma em nível universitário para essa profissão. Se alguém quiser ler se isso foi um avanço, ou um retrocesso, convido-os para lerem esse artigo: JORNALISTAS, O JORNALISMO E A DIFERENÇA QUE UM DIPLOMA FAZ.

De início, o personagem do Russell Crowe, mostrou-se contrário ao avanço que é de um jornalista blogueiro. Puro Preconceito. Por conta da velocidade da informação no ar, achava que não havia uma longa investigação na apuração do fato. Mas a personagem da Raquel McAdams mostrou a ele que fazia sim. Que não fazia uma investigação de campo como ele, mas do seu jeito, ia atrás dos dados. E mostrou-se aberta aos seus métodos. Com sustos em situações de perigo, ela foi aprendendo ao longo do caminho.

helen-mirren_in_state-of-playTodos os personagens, com longas ou curtas aparições, estão muito bem. Destacando a Chefe da Redação, personagem da Helen Mirren, que lhe caiu bem. Num belo conjunto de beleza elegante e de inteligência impessoal. Alguém que será pressionada a parar as prensas…

Mais do que descobrir quem matou aquelas pessoas, por trás de tudo está o controle na privatização da Segurança do Estado (nação). Bilhões de dólares anuais que estão em jogo. É, não deixa de ser um aterrador joystick.

O filme é meio claustrofóbico por ter muita investigação noturna. Também senti a falta de um gravadorzinho de mão neles. Mas que nada compromete a trama. Filmaço. De querer rever. Eu recomendo. É excelente. Arrepiando nos créditos finais.

Por: Valéria Miguêz (LELLA)

Intrigas de Estado (State of Play). 2009. Inglaterra. Direção: Kevin Macdonald. Elenco: Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Helen Mirren, Robin Wright Penn, Jeff Daniels, mais. Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 127 minutos.

Sicko – $O$ Saúde

sicko-sos-saude_posterEntão, qual é o nosso problema? Por que não conseguimos fazer igual? Porque eles vivem num mundo de ‘nós‘ e não ‘eu‘. Nunca conseguiremos consertar nada enquanto não mudarmos esta coisa básica. As forças no poder esperam que isso nunca venha acontecer. E que continuemos a ser o único país no mundo ocidental sem um sistema de saúde gratuito e universal“. (Michael Moore)

É falem o que falar de Michael Moore, mas não há como contestar de que ele mete o dedão na ferida, e torce sem dó. Com vontade. E claro que é sobre o seu país: Estados Unidos da América.

Nesse Documentário, ‘Sicko – $O$ Saúde‘, Moore traça um perfil dos Planos, Seguros Saúde. Desde quando a idéia surgiu, ou melhor, desde quando ela foi encapada pela Casa Branca, passando por uma possível perda de poder por conta da Hillary Clinton – onde investiram pesado na também compra de Congressistas, e lá estava o Bush -, até o seu grande e atual domínio. Onde não é cena de ficção deixar o paciente numa calçada, quando não tem como pagar pelo seu atendimento no hospital. Os leitos só devem ser ocupados por quem pode pagar.

Abrindo um parêntese. Sobre o início do boom dessas seguradoras, queria citar que no Brasil, coincidiu com um sucateamento dos Hospitais Públicos. Que tinham um atendimento muito bom. De até ser usado para exames complementares pela classe alta. Essa, ia no consultório particular apenas para não misturar-se com o povão nos ambulatórios. Mas na hora de terem que pagar pelos exames, corriam para a gratuidade dos Hospitais Públicos. Enfim, eles foram sendo depenados até pela classe política, ao mesmo tempo que floresciam os Planos Privados. Já era tempo dos políticos atuais investirem nos Hospitais Públicos.

Moore mostra como é o atendimento hospital em alguns países. Inicia com o vizinho Canadá. Inclusive nos créditos finais, deixa um site para os americanos interessados em se casar com canadenses para serem atendidos gratuitamente nos hospitais de lá. Agora, nas cenas no Canadá, para quem viu ‘As Invasões Bárbaras‘, pode ter estranhado. Nesse outro, vimos que não é tão maravilhoso assim. Logo no início dele, todos aqueles pacientes nas macas pelos corredores do hospital, ficou parecendo com algumas Emergências daqui do Brasil.

Em relação ao atendimento na rede hospitalar, e pública, na Inglaterra e na França, é de fato modelo para ser copiado por outros países. E confessando que as lágrimas desceram nas cenas em Cuba.

Quem ainda não viu, não deixem de ver. Excelente Documentário.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sicko – $O$ Saúde. 2007. EUA. Direção e Roteiro: Michael Moore. Gênero: Documentário. Duração: 113 minutos.